Os Inimigos do Povo

Faz hoje precisamente 19 anos que alguns insubordinados militares guineenses, coadjuvados por politiqueiros que grassam na nossa praça pública (ndaures!), fizeram a sublevação militar que ceifou prematuramente a vida de inúmeras pessoas, deixando sequelas indeléveis no país que ainda hoje se repercutem negativamente na vida dos pobres guineenses. 7 de Junho de 1998 ficará definitivamente registado nos anais da História da Guiné-Bissau como uma data funesta, que contribuiu decisivamente para agravar o elevado índice de pobreza e de mortalidade que já vinham afectando drasticamente o nosso povo. 

Quero, do fundo do meu coração, prestar uma singela homenagem a todos os guineenses e não guineenses que tombaram nesta fratricida guerra, bem como aos que foram prejudicados por ela e continuam ainda hoje a carregar o enorme fardo dos seus efeitos colaterais. Quero, da mesma sorte, agradecer profundamente ao meu Eterno DEUS por me ter poupado a vida juntamente com toda a minha família. Ficámos em Bissau, a título de exemplo, nos momentos mais intensos e críticos da guerra, nomeadamente a violação do cessar-fogo de 31 de Janeiro do ano seguinte e posteriormente o massacre perpetrado deliberadamente no campo eclesiástico do CIFAB, que acolhia aproximadamente cinco mil pessoas, aquando da tomada de Bissau e o triunfo final dos rebeldes da Junta Militar sobre o governo. Foram lançadas ali quatro bombas, três delas caíram literalmente em cima dos inofensivos refugiados, matando um número bastante significativo de pessoas. Eu e parte considerável da minha família estávamos abrigados no referido local da Igreja Católica. Presenciámos todo este horror humano, para não falar de outras flagrantes situações em que nos encontrávamos mesmo perante "o vale da sombra da morte". Mesmo assim, pela maravilhosa graça de DEUS, nenhum mal nos aconteceu confirmando assim a célebre afirmação do salmista que "muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas" (Salmos 34:19). O SENHOR protegeu-nos e livrou-nos da morte certa que se teria abatido sobre nós no decorrer da guerra. Por isso, estou-Lhe penhoradamente grato por tudo o que fez por mim e pela minha família. Aleluia!