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Ode (Ricardo Reis) – II


«Tudo o que é sério pouco nos importe,
O grave pouco pese,
O natural impulso dos instintos
Que ceda ao inútil gozo
(Sob a sombra tranquila do arvoredo)
De jogar um bom jogo.»

Ode (Ricardo Reis) - I


«Meus irmãos em amarmos Epicuro
E o entendermos mais
De acordo com nós próprios que com ele,
Aprendamos na história
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.»

(Inspirado (AQUI)

Arte de Amar, de Ovídio


«Mas tu, se alguma preocupação tens de conservar a tua amada,

faz com que pense estares espantado com a sua beleza:
se vestir a púrpura de Tiro, louva os mantos de púrpura de Tiro;
se vestir tecidos de Cós, considera que os tecidos de Cós lhe ficam bem;
enfeita-se de ouro? Tem-na por mais preciosa que o próprio ouro;
se enverga um manto, aplaude o manto que escolheu;
se apenas usar uma túnica, grita-lhe: “ateias-me labaredas”,
mas, com voz assustada, pede-lhe que tenha cuidado com o frio;
usa um penteado de risco ao meio? Louva-lhe o risco ao meio;
frisou o cabelo com ferro em brasa? Cabelo frisado, és do meu agrado!
Admira-lhe os braços quando dança, a voz quando canta,
e, quando parar, solta palavras de queixumes.
O próprio amor entre os corpos, aquilo mesmo que te dá prazer, é-te consentido
celebrá-lo e os prazeres que experimenta no segredo da noite.
Ainda que tenhas mostrado mais furor que a terrível Medusa,
há-de tornar-se doce e simpática para com o seu amante.
Tem, apenas, o cuidado de não dares mostras de fingimento nas tuas palavras,
e não deites a perder, com o teu semblante, tudo quanto disseste;
é útil a arte, se for camuflada; quando descoberta, traz consigo a vergonha
e, com razão, faz desaparecer, para sempre, a confiança». 


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(Poeta Romano Ovídeo, Trad. Carlos Ascenso André, Lisboa, Livros Cotovia, editora, 2006, Pg. 64 do Livro II). 

Arte de Amar, Ovídio


Mas tu, se alguma preocupação tens de conservar a tua amada,
faz com que pense estares espantado com a sua beleza:
se vestir a púrpura de Tiro, louva os mantos de púrpura de Tiro;
se vestir tecidos de Cós, considera que os tecidos de Cós lhe ficam bem;
enfeita-se de ouro? Tem-na por mais preciosa que o próprio ouro;
se enverga um manto, aplaude o manto que escolheu;
se apenas usar uma túnica, grita-lhe: “ateias-me labaredas”,
mas, com voz assustada, pede-lhe que tenha cuidado com o frio;
usa um penteado de risco ao meio? Louva-lhe o risco ao meio;
frisou o cabelo com ferro em brasa? Cabelo frisado, és do meu agrado!
Admira-lhe os braços quando dança, a voz quando canta,
e, quando parar, solta palavras de queixumes.
O próprio amor entre os corpos, aquilo mesmo que te dá prazer, é-te consentido
celebrá-lo e os prazeres que experimenta no segredo da noite.
Ainda que tenhas mostrado mais furor que a terrível Medusa,
há-de tornar-se doce e simpática para com o seu amante.
Tem, apenas, o cuidado de não dares mostras de fingimento nas tuas palavras,
e não deites a perder, com o teu semblante, tudo quanto disseste;
é útil a arte, se for camuflada; quando descoberta, traz consigo a vergonha
e, com razão, faz desaparecer, para sempre, a confiança.
 
(Trad. Carlos Ascenso André, Lisboa, Livros Cotovia, editora, 2006, Pag. 64 do Livro II).

Louvor e Gratidão ao Senhor

Regozijem-se no SENHOR os que são justos:
louvem-no os rectos de coração.
Louvem o Senhor ao som da harpa;
cantem-lhe salmos com harpa de dez cordas.
Cantem-lhe um cântico novo;
toquem com arte e aclamem-no!
As palavras do SENHOR são rectas;
as suas obras mostram a sua fidelidade.
O SENHOR quer sempre a rectidão e a justiça;
o seu amor enche a terra inteira!
O céu e todos os seus astros foram criados pela palavra do SENHOR,
pelo sopro da sua boca.
Ele juntou num só lugar as águas dos mares
e armazenou nas profundezas os oceanos.

Que toda a Terra respeite o SENHOR;
tremam diante dele todos os habitantes do mundo.
Porque ele falou e assim aconteceu;
ele ordenou e assim ficou estabelecido.

O SENHOR desfaz os projectos das nações;
ele impede os planos dos povos.
Mas os projectos do SENHOR permanecem para sempre;
os seus planos duram eternamente.
Feliz a nação, cujo Deus é o SENHOR;
feliz é o povo que ele escolheu para si.

Do céu, o SENHOR lança o seu olhar e vê toda a Humanidade.
Desde o trono em que está sentado, Deus observa todos os habitantes da terra.
Pois ele, que formou os seus corações,
é que discerne tudo o que fazem.

A vitória do rei não está no seu grande exército,
nem o guerreiro triunfa pela sua grande força.
Os cavalos de guerra são inúteis para a vitória;
eles não salvam pela sua grande força.

O SENHOR é quem vigia sobre os seus fiéis,
sobre aqueles que esperam na sua bondade;
ele livra-os da morte e mantém-nos vivos no tempo da fome.

Nós pomos a nossa esperança no SENHOR;
é ele quem nos ajuda e protege!
Ele é toda a nossa alegria;
confiamos plenamente no Deus santo.
Que o teu amor, SENHOR, nos acompanhe,
pois pusemos em ti a nossa confiança!

(Passagem Bíblica extraída no Velho Testamento, in Livro de Salmo 33:1-22, na Versão: A Boa Nova em Português Corrente).

Não Tenho Pressa


Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço
chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente
verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra
coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.


(Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa).

De Braços bem Abertos ao Outono de Surpresas


Podes, ó Tempo, entrar: eu te convido
 A ser hóspede meu, que eu nunca faço 
 Distinção quando és bom ou mau, pois passo 
 Os meus dias, de ti nunca esquecido.

 Ou me batas à porta, enfurecido,
 Envolto em furacões, com torvo braço, 
 Ou entres brandamente, passo a passo, 
 Cum sorriso na boca apetecido: 

 Ou me sejas contrário, ou venturoso, 
 Eu me acomodo a ti e a pouco custo, 
 Se visitar-me vens, tempestuoso. 

 Às tuas intenções sempre me ajusto. 
 Tu, a quem pensa, és sempre proveitoso: 
 Feliz quem te ama sem pavor nem susto. 

(Francisco Joaquim Bingre, in 'Sonetos').

Elogio da Sabedoria

Escutem! A sabedoria lança um apelo
 e a inteligência faz ouvir a sua voz.
Ela está de pé no alto das colinas 
e coloca-se nas encruzilhadas dos caminhos.
Junto às portas de entrada da cidade,
 nos lugares de passagem, ela proclama:
 «É para vocês, humanos, que eu apelo. 
Dirijo-me a todos, homens e mulheres.
Que os ingénuos adquiram um pouco de prudência
 e os insensatos adquiram entendimento.
Escutem! Vou anunciar coisas importantes; 
vou falar-vos abertamente.
Com efeito, a minha boca anuncia a verdade; 
detesto os discursos mentirosos.
Todas as minhas palavras são justas; 
não há nelas quebra nem falsidade;
 são inteiramente rectas para o homem inteligente 
e justas para o entendido.
Aceitem a minha instrução, pois o conhecimento 
vale mais do que a prata e o ouro fino.

Melhor é a sabedoria do que as jóias; 
nenhuma preciosidade se lhe pode comparar.
 Eu, a sabedoria, habito com a prudência, 
e encontro-me com o conhecimento e a reflexão.
 Quem honra o SENHOR detesta o mal. 
Eu detesto o orgulho, a arrogância,
 as más acções e a falsidade.
Aconselhar e dar êxito é a minha função; 
eu sou a inteligência que transmite novas forças.
 É por mim que os reis reinam
 e que os magistrados fazem justiça com equidade.
Por mim os governantes governam, 
e os juízes dão sentenças justas.
Amo aqueles que me amam; 
quem me procura encontra-me.
Tenho comigo riquezas e glória, 
sucesso e prosperidade duradoura.
 A riqueza que dou é preferível ao ouro mais puro; 
dou mais rendimento que a prata mais fina.
 Sigo pelo caminho da justiça, 
pelos roteiros da equidade,
para assegurar riquezas aos que me amam 
e aumentar os seus tesouros.
 O SENHOR criou-me como a primeira das suas obras, 
antes de ter criado tudo o resto.
 Ele formou-me no princípio do tempo, 
antes de o mundo existir.
 Quando fui gerada ainda não havia 
oceanos nem fontes de água.
Fui gerada antes da formação das montanhas, 
antes de as colinas estarem no seu lugar,
 quando Deus ainda não tinha criado a terra, 
com os campos e tudo o que compõe o mundo.
Quando ele assentou a abóbada celeste, 
quando pôs um limite ao oceano primitivo, eu lá estava;
quando colocou as nuvens no céu 
e conteve as fontes do mar profundo;
quando impôs ao mar os seus limites, 
para que as águas não passassem dali; 
quando assentou as fundações da terra,
eu estava lá, ajudando-o como arquitecto. 
Dia após dia eu era a sua alegria
 e divertia-me sem cessar, na sua presença.
 Divertia-me no mundo que ele criou; 
a minha alegria é estar entre os humanos.
E agora, meus filhos, escutem o que vos digo! 
Serão felizes, se seguirem as minhas orientações.
 Não rejeitem as minhas advertências! 
Escutem-nas e tornar-se-ão sábios.
 Felizes os que me escutam
 e que, dia após dia, se mantêm vigilantes, 
em expectativa, à porta da minha casa.
 Aquele que me encontrar
 encontrará a vida para si 
e alcançará os favores do SENHOR,
mas aquele que me ofender 
põe em perigo a sua própria vida; 
quem me detesta ama a morte.»

(Provérbios de Salomão, Filho de David, Rei de Israel, in “A Bíblia Sagrada em Português Corrente – Provérbios 8:1-36").

Convite à Sabedoria

A sabedoria faz ouvir a sua voz,  
proclamando pelas ruas e praças;
sobre os muros eleva a sua voz, 
à entrada da cidade, repetindo:
«Ó gente ingénua, até quando continuarão ingénuos? 
Ó arrogantes, até quando se vão rir de mim?
Ó loucos, até quando recusarão o conhecimento?
 Prestem atenção às minhas repreensões
 e eu vos encherei de sabedoria 
e vos darei a conhecer os meus pensamentos.
Tenho-vos chamado e convidado a vir, 
mas não prestaram atenção nem me escutaram.
Desprezaram os meus conselhos
e não fizeram caso das minhas repreensões.
 Também eu me vou rir, na vossa desgraça, 
e zombarei, quando estiverem cheios de medo,
 quando vos sobrevierem desastres terríveis em furacão, 
quando vos surpreender a desgraça como um temporal, 
quando sentirem o desespero e a angústia.

 Nessa altura, chamar-me-ão, mas não responderei, 
procurar-me-ão, mas não me vão encontrar,
 pois desprezaram a sabedoria 
e não quiseram respeitar o SENHOR;
 repeliram os meus conselhos 
e desprezaram as minhas repreensões.
 Pois sofrerão as consequências dessa conduta
 e ficarão fartos das más intenções.
A imprudência dos ingénuos dá cabo deles; 
a despreocupação dos insensatos os perderá.
 Mas aquele que me ouvir viverá tranquilo,
seguro e sem receio de mal algum.»

(Provérbios de Salomão, Filho de David, Rei de Israel, in “A Bíblia Sagrada em Português Corrente – Provérbios 1:20-33").

El Cielo de Canarias / Canary sky - Tenerife [HD]




A Festa do Silêncio

Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.

(De António Ramos Rosa, in "Volante Verde").

Ao Longe o Mar

"Homem livre, tu sempre gostarás do mar." (Poeta/Escritor/Crítico Charles Baudelaire).


Eu hontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.

Chorámos, rimos, cantámos.

Voz do mar, mysteriosa;
...Voz do amôr e da verdade!
- Ó voz moribunda e dôce
Da minha grande Saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte...
. . . . . . . . . . . . . . . .
E os poetas a cantar
São echos da voz do mar!

(António Botto, in 'Canções').

Hoje Nos Lembramos da Ressurreição

1. Hoje nos lembramos da ressurreição,
que assegura ao salvo plena redenção.
Ao terceiro dia, como prometeu,
os grilhões da morte o Salvador rompeu.
Sejas Tu louvado, Redentor Jesus!

2. Vencedor da morte, o Salvador Jesus
transformou as trevas em gloriosa luz
e as primícias fez-Se, na ressurreição,
dos fiéis que um dia ressuscitarão.
Sejas Tu louvado, nosso Mediador!

3. Tanto amaste, ó Cristo, o mundo pecador,
que por nós sofreste a punição e a dor.
Mas, ressuscitado, junto ao Pai estás,
garantindo a nós o Teu perdão e paz.
Sejas Tu louvado, nosso Mediador!

4. Sumo sacerdote, santo Intercessor,
hoje Te aclamamos Rei e Salvador.
Para sempre vives, na celeste luz,
Homem-Deus, Senhor e Redentor Jesus.
Sejas Tu louvado eternamente! Amém.

(In Hinário para o Culto Cristão, Hino nº145. Letra: Venantius Honorius Clementianus Fortunatus
Port. João Gomes da Rocha, através do Inglês, 1898. Musica: Joseph Barnby (1838-1896)).

Para a Recordação do Amigo Demócrito

"A amizade de um único ser humano inteligente é melhor do que a amizade de todos os insensatos." (Filósofo da Grécia Antiga Demócrito).


Pátria
A Pátria não é apenas
Um corpo de bailador.
Não são duas mãos morenas
Nem mesmo um beijo de amor
Mais do que os livros que lemos,
Mais que os amigos que temos,
Mais até que a mocidade,
A Pátria, realidade,
Vive em nós, porque vivemos.

(do Poeta/Professor/Folclorista Pedro Homem de Mello, in "Eu Hei-de Voltar um Dia").

O Demócrito já voltou, pelo que só tenho que deseja-lo muitas bênçãos e felicidades na sua  terra, Angola. Amigo, que o nosso Eterno DEUS imensamente te abençõe e te protege na Sua Graça e Paz, acima de tudo que sejas um homem muito bem sucedido em tudo quanto fazes para glória e louvor do Seu Grande Nome.

"O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; o Senhor levante sobre ti o seu rosto, e te dê a paz." (A Bíblia Sagrada, livro de Números 6:24-26). 

(Demócrito é amigo e irmão em Cristo. Estudou o curso de Técnico de Manutenção de Material Aério na Académia da Força Aéria em Sintra/Portugal após 4 anos de intensos estudos. Regressou ontem para Angola onde deseja cumprir o sonho. Observação: A foto foi tirada na sua página de perfil no facebook).

"O carácter de um homem faz o seu destino." (Filósofo Demócrito).

Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

(Da Escritora/Política Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)").

Brevidade da Vida Humana

Senhor, tu és o nosso refúgio para sempre.
Antes de surgirem as montanhas,
antes de existirem a terra e o mundo,
desde sempre e para sempre tu és Deus!
Tu podes reduzir o ser humano a pó,
dizendo apenas: “Regressem ao pó, seres humanos!”
Na verdade, mil anos para ti
são como o dia de ontem, que passou;
São como uma parte da noite.
Arranca-los durante o sono;
e de manhã são como erva cortada,
como a erva que brota e é cortada pela manhã
e que à tarde está murcha e seca.

Na verdade, somos consumidos pela tua ira;
somos angustiados pelo teu furor!
Tu conheces as nossas culpas
e todos os nossos segredos.

Toda a nossa vida se esvanece pela tua indignação;
os nosso anos dissipam-se como um suspiro.
A duração da nossa vida é de setenta anos;
os mais fortes chegam aos oitenta,
mas são anos difíceis e dolorosos.
A vida passa depressa e nós desaparecemos.

Quem poderá compreender a força da tua ira?
Quem não teme a violência do teu desagrado?
Ensina-nos a ordenar os nossos dias rectamente,
para podermos entrar pela porta da sabedoria.

Volta para nós, Senhor! Até quando estarás indignado?
Tem compaixão destes teus servos!
Enche-nos do teu amor ao começar o dia
e alegres cantaremos toda a nossa vida.
Dá-nos tantos anos de alegria

como anos de aflição e desgraça já tivemos.
Manifesta aos teus servos o teu poder
e a tua glória aos seus descendentes!

Venha sobre nós a bondade do Senhor, nosso Deus.
Que ele confirme os nossos trabalhos,
Para nosso bem e para sua honra!

(Oração de Moisés, servo de Deus. Extraído em “A Bíblia Sagra”, Versão: A Boa Nova em Português Corrente, Salmo 90:1-17).

Somos Todos um Bocado Saúl Dias


Que horas são? O meu relógio está parado, 
Há quanto tempo!... 
Que pena o meu relógio estar parado 
E eu não poder marcar esta hora extraordinária!
 Hora em que o sonho ascende, lento, muito lento, 
Hora som de violino a expirar... 
Hora vária, Hora sombra alongada de convento... 

 Hora feita de nostalgia 
Dos degredados... 
Hora dos abandonados 
E dos que o tédio abate sem cessar... 
Hora dos que nunca tiveram alegria, 
Hora dos que cismam noite e dia, 
Hora dos que morrem sem amar...

 Hora em que os doentes de corpo e alma, 
Pedem ao Senhor para os sarar... 
Hora de febre e de calma, 
Hora em que morre o sol e nasce o luar... 
Hora em que os pinheiros pela encosta acima, 
São monges a rezar... 

 Hora irmã da caridade 
Que dá remédio aos que o não têm...
 Hora saudade... 
Hora dos Pedro Sem... 
Hora dos que choram por não ter vivido, 
Hora dos que vivem a chorar alguém... 

 Hora dos que têm um sonho águia mas... ai!
 Águia sem asas para voar... 
Hora dos que não têm mãe nem pai 
E dos que não têm um berço p'ra embalar...
 Hora dos que passam por este mundo, 
De olhos fechados, a sonhar... 

Hora de sonhos... A minha hora
 - 'Stertor's de sol, vagidos de luar -
 Mas... ai! a lua lá vem agora... 
- Senhora lua, minha senhora, 
Mais um minuto para a minha hora, 
Mais um minuto para sonhar...

(Poeta Português Saúl Dias (Júlio Maria dos Reis Pereira), in "Dispersos (Primeiros Poemas)".

Palavras para a Minha Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

(do Escritor português José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão").

Deus está do nosso lado

Se o Senhor não estivesse do nosso
- que o diga Israel -,
se o Senhor não estivesse do nosso lado,
quando os nossos inimigos nos atacaram,
eles tinham-nos tragado vivos,
na sua fúria contra nós;
as águas ter-nos-iam então submergido
e teriam passado por cima de nós!
As águas turbulentas ter-nos-iam afogado!



Bendito seja o Senhor,
que não deixou que caissemos
como presa nas mãos dos inimigos.
Como um pássaro, escapámos da armadilha do caçador;
rompeu-se o laço e nós escapámos.
O nosso auxílio vem do Senhor,
que fez o céu e a terra.



(Cântico de peregrinação da colecção do Salmista Rei David, in "A Bíblia Sagrada", Versão: A Boa Nova em Português Corrente, Salmo 124:1-8).

Cântico de Louvor a DEUS

Como é bom dar-te graças, ó Senhor,
cantar hinos em tua honra, ó Altíssimo!
É bom anunciar pela manhã o teu grande amor
e à noite a tua fidelidade,
ao som da lira e da cítara,
e com música suave da harpa.

Os teus grandes feitos, Senhor, dão-me alegria!
As tuas obras fazem-me cantar de felicidade!
Senhor, como são magníficas as tuas obras,
como são profundos os teus pensamentos!
Só os insensatos é que não entendem isto
e os estúpidos não percebem nada.
Os homens maus crescem como a erva
e florescem os que praticam a maldade,
mas ele destrói-os para sempre.
Mas tu, Senhor, és eternamente grande.
De facto, Senhor, os teus inimigos serão destruídos,
todos os malfeitores serão derrotados.

Aumentaste a minha força, como a dum búfalo;
abençoaste-me com o óleo santo da felicidade.
Eu vi a derrota dos meus inimigos
e ouvi os gritos dos que queriam fazer-me mal!

Os que praticam o bem florescem como palmeiras
e crescem como os cedros do Líbano.
Como árvores plantadas na casa do Senhor,
eles florescem nos átrios do nosso Deus.
até na velhice darão frutos
e hão-de manter-se sempre fortes e sadios,
proclamando que o Senhor é justo.
Deus é o meu protector e nele não há injustiça.

(In Bíblia Sagrada, Versão: A Boa Nova em Português Corrente, Salmo 92:1-16).

As orações dos homens
Subam eternamente aos teus ouvidos;
Eternamente aos teus ouvidos soem
Os cânticos da terra.

No turvo mar da vida,
Onde aos parcéis do crime a alma naufraga,
A derradeira bússola nos seja,
Senhor, tua palavra.

A melhor segurança
Da nossa íntima paz, Senhor, é esta;
Esta a luz que há de abrir à estância eterna
O fulgido caminho.

Ah! feliz o que pode,
No extremo adeus às cousas deste mundo,
Quando a alma, despida de vaidade,
Vê quanto vale a terra;

Quando das glórias frias
Que o tempo dá e o mesmo tempo some,
Despida já, — os olhos moribundos
Volta às eternas glórias;

Feliz o que nos lábios,
No coração, na mente põe teu nome,
E só por ele cuida entrar cantando
No seio do infinito.

Joaquim Maria Machado de Assis, in 'Crisálidas'