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Uma Outra Dimensão de Fazer Missões


Nos últimos séculos os Biblistas, Exegetas, Teólogos e Missionários de todas as denominações Evangélico-protestantes têm-se desdobrado num esforço incomensurável para traçar um paradigma expansionista e eficaz sobre as Missões. Esta realidade veio ganhar uma enfâse mais acentuada com o surgimento dos movimentos carismático-pentecostais nos finais do séc. XIX, catapultando um boom bastante acentuado a nível da aderência massiva à regeneradora mensagem do Evangelho, máxime dos sectores mais desfavorecidos e humildes da sociedade que, até então, não se reviam no protestantismo elitista dos meios mais tradicionais. Acontece que, por vicissitudes várias, de forma subsumida, convencionou-se teologicamente um conceito tripartidário de Missões, que consiste em orar, enviar missionários para o campo e consequentemente sustentá-los. Numa primeira fase este paradigma metodológico funcionou, tendo em conta o declínio do iluminismo no mundo Ocidental e o revigoramento do pentecostalismo a partir dos EUA e as mobilizadoras campanhas evangelísticas de Billy Graham (LER), estendendo-se poderosamente a todos os continentes, levando milhares e milhões de homens e mulheres a aderirem a Boa Nova da Salvação. 

No entanto com o avanço da ciência e da tecnologia que, por sua vez, contribui decisivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e da esperança média de vida, a sociedade secularizou-se e, em consequência disso, a Fé foi preterida (LER). O Homem, de forma presunçosa, usurpou o consagrado lugar do Divino, arrogando-se deus do seu próprio destino e com todas as implicações sociais que isto representa na forma de conceber a religião. Por outras palavras, preferiu mais confiar nas falsas promessas científicas e refugiar-se exclusivamente nelas do que propriamente na soteriológica mensagem do Evangelho. Perante este novo desafio do “presente século mau” esperava-se, por parte das Igrejas e Cristãos em geral, uma resposta teológica firme com vista a mudar este niilismo obscurantista. Não é, entretanto, o que tem estado a acontecer.   As Igrejas têm, infelizmente, descurado deliberadamente outras importantes facetas da “Grande Comissão” (LER), que envolve em última instância a santidade da vida Cristã e o imperativo de ser “sal e luz do mundo”

Por isso, o Cristianismo está a enfrentar uma grande crise de fé que, por sua vez, está a afectar consideravelmente o seu desempenho missionário – tanto a nível interno como externo. Ali, o problema prende-se mais com a descaraterização e desestruturação da família no seu todo, que se vai consubstanciando em casamentos mistos, o cancro do divórcio e a realidade de famílias monoparentais, somando ao défice de obreiros e a falta de autoridade ministerial dos pastores/líderes, a rivalidades inter-denominacionais, a desunião no seio das Igrejas, o liberalismo teológico e a sonolência espiritual dos crentes (LER). Aqui, a nível externo, a dificuldade tem mais que ver com o relativismo social fundado no falso pretexto do “avanço civilizacional”, o secularismo materialista e o ateísmo aversivo a qualquer tipo de conceito religioso (LER)

Todas essas realidades conjugadas acabaram por ter repercussões devastadoras no dinamismo das Igrejas, fazendo com que haja uma estagnação no avanço do Cristianismo no mundo e particularmente no mundo Ocidental. No Velho Continente e na América do Norte tem havido uma forte retracção na conversão de pessoas ao Cristianismo e um desvio considerável dos crentes na Igreja. No Médio Oriente, China e nalguns pontos Ásia e no Norte da África e regiões do Sahel e pacífico, tem havido uma implacável perseguição da Igreja, mesmo assim as portas do inferno não tem prevalecido contra ela (Mateus 16:18). O Reino de DEUS continua a avançar poderosamente nestes hostis territórios, bem como no Sul da América e na generalidade dos países africanos (LER)

Apesar deste saldo tangencialmente positivo a nível do crescimento do Cristianismo no mundo, o cenário poderia ainda ser bastante melhor. A nosso ver, é impreterível as Igrejas formularem uma outra dimensão de fazer Missões, que passa em consolidar melhor o conceito tripartidário de Missões supramencionado, bem como reajustá-lo da melhor forma possível a realidade secularista vigente, mediante uma entrega incondicional à nobre causa do Evangelho, o serviço altruísta e a santidade da vida Cristã. Não se pode conformar meramente em orar, enviar missionários para o campo e sustentá-los. (1) É preciso, acima de tudo, que os missionários sejam bem formados do ponto de vista de carácter e na qualificação teológica para assim santificarem em seus corações a Cristo como Senhor; e estando sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que lhes pedir a razão da esperança que há neles (1 Pedro 3:15)

(2). As igrejas devem também consciencializar-se da imprescindível virtude da unidade Cristã e vivenciá-la no seu testemunho quotidiano. A unidade dos Cristãos é um factor decisivo para atrair os não crentes para o Evangelho. Não é por acaso que Cristo na sua Oração Sacerdotal teve o cuidado de focar a unidade dos crentes como o motor fundamental na conquista dos ímpios: "para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um, em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21). O cumprimento da Grande Comissão exige a unidade de todos os crentes na fé a fim de lutarmos todos juntos para a mesma causa, que é a proclamação do Evangelho da Salvação. 

(3). Entendemos, igualmente, que é preciso reformular os caducos e sectários planos cooperativos, que basicamente se restringem redutoramente ao âmbito inter-denominacional (fruto de protagonismos denominacionais e guerrinhas desnecessárias)   e apostar mais num robusto plano extra denominacional a nível de Missões, porque quem não é contra nós, é por nós (Marcos 9:40), contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade (Filipenses 1:18). Cultivar sempre a santidade da vida Cristã e a consagração, sem prejuízo de orar sem cessar ao Senhor da seara para que ELE mande mais trabalhadores para a sua gigantesca colheita [Mateus 9:38] (LER)

Pondo em marcha estes salutares pressupostos teológico-missionários, não há margem para dúvidas que a Igreja estará à altura de anular todas esses diabólicos ateísmos secularistas que estão a devastar o mundo inteiro, condenando-o ao inferno. Para isso, mais do que nunca, é preciso materializar uma outra dimensão de fazer Missões, tal como acabámos de formular. Que DEUS nos abençoe e nos ajude a todos nesta grande e privilegiada Missão de levar a Boa Nova da Salvação para o mundo perdido. Que assim seja.

Que Futuro Para a Igreja?


Nos tenebrosos dias que correm impõem-se, a todos os eleitos filhos de DEUS, uma genuína e descomplexada introspecção sobre o dinamismo e o futuro da Igreja "no presente século mau" em que ela está soberanamente submergida. De facto, este exame subjectivo remete-nos concomitantemente para várias preocupantes considerações eclesiásticas. Desde logo, a Igreja confronta-se cada vez mais com seríssimas dificuldades em afirmar e passar eficazmente a sua soteriológica mensagem ao mundo perdido, fruto da incoerência testemunhal por parte dos seus correligionários. Além desta manifesta incongruência teológico-religiosa, acrescem ainda outros factores conjugados, nomeadamente a falta do decoro e autoridade ministerial dos líderes/pastores, a sonolência espiritual dos Cristãos que, por sua vez, vai atraindo toda a sorte de heresia, mundanismo, racionalismo e liberalismo teológico e descomprometimento com a santificação e a obra missionária (LER). Há, de forma subsumida, com tudo isto, uma capitulação da Igreja perante os corruptos valores deste mundo e "cantos da sereia" dos dissimulados "vendilhões do templo" (LER) que tomaram-na de assalto, promovendo hereticamente um "outro evangelho" (Gálatas 1:6-7), isto é, o evangelho da prosperidade, do descompromisso, do desserviço, da desconsagração, do protagonismo, da auto-complacência e um número infindável de torpezas espirituais. 


A Igreja vive infelizmente dias obnubilados, tendo em conta a futrica religiosa acabada de se mencionar, que obstaculiza significativamente a sua coesão e vigorosa acção missionária. Os dias são realmente maus, encerrava advertidamente o Apóstolo Paulo (Efésios 5:16). A generalidade dos actuais pastores e lideranças das igrejas estão mais comprometidas com as suas agendas egocêntricas contrárias aos impolutos propósitos Divinos, levando, em consequência disso, os mais fracos a "naufragarem na fé” (1 Timóteo 1:19) – por causa de reiterados escândalos espirituais que vão minando a Igreja. Os "sinais dos tempos" (LER) apontam-nos indubitavelmente para uma inopinada segunda vinda do Senhor Jesus Cristo num futuro breve (LER), uma vez que estamos a assistir cada vez mais ao surgimento de falsos profetas que estão a ludibriar muitas pessoas para o inferno, apostasia dos últimos dias e "abominação devastadora de que falou o Profeta Daniel” (Mateus 24:15). 

É nesta alarmante e catastrófica realidade espiritual que autêntica Igreja de Cristo é chamada a ser "sal e luz” do Mundo, dando o poderoso testemunho na proclamação da Boa Nova da Salvação (ALI) (AQUI). Mesmo assim, apesar de todas essas calamitosas e terríficas adversidades que vai enfrentando quotidianamente, sabemos pela revelação bíblica que os verdadeiros santos de DEUS jamais se sucumbirão. Em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou (Romanos 8:37). A Igreja vai sempre sair vitoriosa em todas as ocasiões e conjunturas, máxime da letargia, escândalos, pecados e perseguições, mesmo que esteja inclusive a passar pelo "vale da sombra da morte". As portas do inferno, em circunstância alguma, prevalecerão contra ela (Mateus 16:18). A visão gloriosa se cumprirá e a Igreja Vitoriosa em paz repousará sobre as Bem-aventuranças Eternas. Eis, em suma, o auspicioso futuro glorioso que espera a santa Igreja do Senhor Jesus Cristo.  Amém. 

O Ministério do Púlpito (7): Vivendo em União Com Cristo



No passado domingo estive a pregar no culto matutino da minha Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, subordinado ao tema "Vivendo em União Com Cristo", baseado no texto sagrado de Colossenses 3:1-16. O Apóstolo Paulo, depois de vincar nos primeiros capítulos, a proeminência do Senhor Jesus na Doutrina Cristã, com ênfase mais acentuado na Sua obra criadora e remidora, bem como a Sua suficiência em contraposição à heresia dos colossenses, já no capítulo três lança-se nas pertinentes considerações práticas daquilo que deve caracterizar a postura congruente de um devoto Cristão. Começa, assim, primeiramente, a fazer uma clara destrinça entre "as coisas lá do alto", onde Cristo vive, assentado à direita de DEUS, que encerram todas as Beatitudes Eternas, opondo-as liminarmente às degradantes "coisas que são aqui da terra"

Por isso, todos aqueles que ressuscitaram com Cristo, devem abandonar resolutamente os corruptos valores do mundo, nomeadamente a imoralidade sexual, a devassidão, as paixões desordenadas, os maus desejos, a cobiça, atitudes de ira e irritação, a malícia, a blasfémia, a linguagem obscena e a mentira etc., visto que estes aberrantes comportamentos faziam parte da sua velha natureza pecaminosa. Os crentes devem, sem qualquer tipo de hesitação, despojá-los, subjugá-los e mortificá-los nas suas rotinas diárias de vida. Morrer, em suma, para os rudimentos do mundo e viver uma nova vida com Cristo glorificado, pois já somos o povo santo de DEUS, escolhido e amado por ELE. 

Se até aqui os crentes devem libertar-se definitivamente dos pecados mencionados, nos versículos doze e subsequentes, o Apóstolo Paulo insta-lhes a adornarem-se com os frutos do Espírito Santo (Gálatas 5:22), sobretudo da misericórdia, da bondade, da humildade, da mansidão, da longanimidade, do perdão e, acima de tudo, que o amor seja o vínculo da perfeição. Por outras palavras, a conduta Cristã deve sempre ser pautada pela virtude do amor em todas as situações e circunstâncias; amor esse paciente e prestável para com o próximo. Que não é invejoso. Não se envaidece nem é orgulhoso. O amor que não tem maus modos nem é egoísta. Não se irrita nem pensa mal. Um amor que jamais se alegra com uma injustiça causada a alguém, mas alegra-se sempre com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (LER)

É o mesmo amor que nos habilita a deixar a Paz de Cristo ser o arbitro dos nossos corações e actos, guiando-nos para toda a boa obra (2 Timóteo 3:16), bem como conferindo-nos concomitantemente a disponibilidade espiritual de dar sempre graças a DEUS Pai em tudo o que dizemos e fazemos, por intermédio do Senhor Jesus Cristo. Amém. 

O Reino de DEUS Poderá Ser Tomado de Assalto?


“Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos céus é tomado à força, e os que usam de violência se apoderam dele” (Palavras do Senhor Jesus, in Mateus 11:12 [LER]). 

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Nos últimos cinco anos tenho demorado imenso a matutar sobre o alcance teleológico e teológico-prático desta misteriosa afirmação do Senhor Jesus. A minha dúvida prendia-se, mais, especialmente, com o seguinte questionamento: Será que o Reino de DEUS pode mesmo ser tomado de assalto, tal como fez transparecer o Senhor Jesus nessa Sua peremptória afirmação? E de que maneira? São estas pertinentes questões que me levaram a vasculhar vários comentários bíblicos e a falar com alguns Pastores para tentar reconciliar-me definitivamente com esta passagem bíblica, sem prejuízo obviamente daquilo que sempre foi o meu convicto entendimento inicial sobre ela. 

Confesso que, por razões várias, os inúmeros comentários que li, até então, não me convenceram. Pareceram-me todas abstratas e colaterais do real cerne da questão. Por outras palavras, ficaram todas aquém. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, com afinidades mais com a doutrina Pentecostal, por exemplo, considera que existem três interpretações comuns para essa afirmação de Jesus e passa a enumerá-las: "(1) Ele pode referir-se ao esforço das pessoas para se aproximar de Deus, que havia começado com a pregação de João Baptista. (2) Pode ter usado a expectativa dos activistas judeus que de que o Reino de Deus chegaria por meio de uma violenta derrota de Roma (que representa o mundo). (3) Pode estar dizendo que, para entrar no Reino de Deus, é necessário ter coragem, fé inabalável, determinação e resignação, porque a crescente oposição se manifesta a todos os seguidores de Jesus". Diferentemente dessas interpretações, a Bíblia de Estudo de Genebra, da ala tradicional e conservadora do Protestantismo, comentando o mesmo trecho bíblico, considera que "o Reino está avançado poderosamente, embora homens violentos como Herodes, que havia aprisionado João Baptista, tentassem sobrepujá-lo pela força. Não são, porém, os fortes e poderosos que alcançam o reino, mas os fracos e humildes (vs. 28:30), que conhecem suas próprias fraquezas e estão dispostos a depender de Deus (cf. Lc 16:16, nota)"

Da minha parte, somente estes dias – por tanto meditar na problemática que o versículo em apreço encerra – acabei por encontrar a “válvula de escape” e, assim, sedimentar ainda mais a minha reiterada posição inicial. Por isso, nos próximos dias, querendo o Todo-poderoso DEUS, reduzirei a escrito um prolixo artigo para dar a conhecer a minha humilde opinião sobre esta importante afirmação do Senhor Jesus, bem como contra-argumentar outras posições assumidas em torno dela. Até lá, de forma sequencial e sistemática, vou partilhando as várias versões bíblicas sobre este complexo versículo bíblico. 

Os Equívocos Teológico-doutrinários sobre a Ceia do Senhor I


A Ceia do Senhor, à semelhança do Baptismo, faz parte do sacramento deixado pelo Senhor Jesus Cristo antes da Sua gloriosa assunção. É um ritual que nos remete indubitavelmente ao sacrifício expiatório do Messias, em favor dos eleitos de DEUS, e aponta-nos futuramente para o grande banquete celestial das "bodas do Cordeiro" (Apocalipse 19:9). Foi expressamente narrada nos Evangelhos e também na 1 Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios 11:23-32, confirmando assim o carácter importante que reveste na história e vida da Igreja. A Ceia do Senhor, de forma subsumida e abreviada, segundo a profissão da Fé Baptista Portuguesa, “é um acto de obediência pelo qual os membros da Igreja participam do pão e do vinho, comemorando juntos a morte de Jesus Cristo e apontando para a sua segunda vinda. Esta ordenança da igreja local representa também a nossa comunhão espiritual com Ele, a nossa participação na sua morte e o testemunho vivo da nossa esperança”. 

Não há, no entanto, patente divergência no meio Cristão sobre o seu sentido teleológico e teológico. A querela doutrinária prende-se, mais, sobretudo, com a sua datação, os elementos contidos nela e como se deve ajustar ao dinamismo da Igreja, razão pela qual procuraremos humildemente tentar descortinar estas seculares divergências e equívocos teológico-doutrinários. Apesar disso, não tencionámos abordar a aparente contradição na datação seguida pelos Evangelhos sinópticos e o Evangelista João, sem prejuízo obviamente da pertinência que o debate em apreço comporta. A primeira narrativa reduzida a escrito sobre a Ceia do Senhor foi a do Apóstolo Paulo que, nas sugestivas palavras de alguns reputados biblistas, terá sido posteriormente seguida pelo evangelista Lucas, diferentemente da narrativa de Marcos, que Mateus seguiu. As quatro narrativas não diferem umas das outras no seu substrato teológico. Apenas evidenciam algumas diferenças pontuais que, a nosso ver, têm mais a ver com o estilo literário dos referidos autores. Por isso, não tencionámos destacar os dois modelos descritivos sobre a Ceia do Senhor, visto que ambos convergem manifestamente no seu núcleo e alcance soteriológico. 

O Apóstolo Paulo, o primeiro autor sagrado a escrever sobre esta importante temática eclesiástica, que Lucas seguiu, insistimos, dizia expressamente: “porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha (1 Coríntios 11:23-26). O Evangelista Mateus, por sua vez, seguindo na mesma esteira do pensamento de Marcos sobre esta nobre ordenança, escrevia nestes termos: “e, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai. E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras” (Mateus 26:26-30). Os intérpretes bíblicos, ao longo da História, têm questionado de que forma o Apóstolo Paulo terá “recebido” do Senhor a narrativa sobre a última Ceia. Alguns admitem a possibilidade de ter sido através de revelação directa (2 Coríntios 12:1-4; Gálatas 1:12). Outros, com um entendimento diferente, sustentam que Paulo recebeu as palavras da Ceia no seio da comunidade primitiva, oriunda dos discípulos. Tendemos mais para este último entendimento. É o que nos parece mais plausível. Apesar de argumentos e contra-argumentos que se poderão invocar sobre as duas leituras, a verdade é que o Apóstolo Paulo "recebeu" do Senhor e fidedignamente "entregou" a Igreja às sagradas instruções, sem adulterá-las. Já quanto às fontes do Evangelista Marcos não se levantam grandes questões. Os estudiosos não têm margem de dúvida que foi através do Apóstolo Pedro. Papias, Bispo de Hierápolis e mártir da Igreja no segundo século, refere-se a Marcos como o "interprete de Pedro"

Depois desta breve consideração, importa enumerar as três clássicas posições doutrinárias predominantes sobre o sentido dos elementos pão e vinho na Ceia do Senhor. Desde logo, a tese da "Transubstanciação". Ela foi abraçada, desde muito cedo, pela Igreja Católica Romana. Preconiza que o pão e o vinho tornam-se realmente o corpo e o sangue de Cristo – a eucaristia. Tal acontece quando o sacerdote diz: “isto é o meu corpo” durante a celebração da missa. Quando o sacerdote diz isso, escreve Wayne Grudem na sua Teologia Sistemática, “o pão é levantado (elevado) e adorado. Esse acto de elevar o pão e de pronunciá-lo corpo de Cristo só pode ser feito por um sacerdote”. Quando isso acontece, segundo a doutrina católica, concede-se graça aos presentes ex opere operato, isto é, “realizada a obra”, mas a quantidade de graça dispensada ocorre em proporção à disposição subjectiva de quem recebe a graça. Além disso, toda vez que se celebra a missa, o sacrifício de Cristo é repetido (em algum sentido), e a igreja católica é cautelosa em afirmar que se trata de um sacrifício real, embora não corresponda ao sacrifício que Cristo fez na cruz”. O Reformador Martinho Lutero demarca-se deste dogma do Vaticano, formulando a tese da “Consubstanciação”, isto é, que o pão e o vinho não se transformam, de facto, no corpo e sangue do Senhor Jesus, mas ganham o seu cunho. Em outras palavras, o corpo do Senhor Jesus está presente através das preposições “em”, “com” e “sob” o pão e o vinho da Ceia do Senhor. Acontece que, por razões de divergências doutrinárias, a generalidade dos teólogos Evangélico-protestantes discordam liminarmente de Lutero e da Igreja Católica, formulando um entendimento diferente que consiste na doutrina da “Substanciação”, ou seja, que os elementos contidos na Ceia do Senhor não passam meramente da presença simbólica e espiritual do Senhor Jesus. Este é o entendimento que ganha mais relevo e acolhimento favorável no mundo Evangélico-protestante. 

A nosso ver a doutrina da "Transubstanciação" defendida pela Igreja Católica Romana não tem qualquer tipo de suporte bíblico, uma vez que se limita apenas a fazer uma interpretação literal das palavras do Senhor Jesus sobre os elementos da Ceia. Uma interpretação, segundo as regras da hermenêutica, não deve cingir-se unicamente à letra. Deve procurar através da letra o espírito do autor, "pois a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6).  Quando o Senhor Jesus afirma: "isto é o meu corpo e sangue"  estava apenas a usar de uma análise analógica, tal como tem feito ao longo de todo o Seu ministério terreno, nomeadamente nas afirmações "eu sou o pão da vida" (João 6:48-59), "eu sou a porta" (João 10:9), "eu sou o bom pastor" (João 10:11-16), "eu sou a luz do mundo" (João 12:8), "eu sou o bom pastor", "eu sou o caminho, e a verdade e a vida" (João 14:6), respectivamente. É nesta lógica que as palavras "isto é o meu corpo e sangue" devem ser enquadradas, extraindo depois as verdades salvíficas que elas encerram. E mais, há ainda uma tamanha incongruência da Igreja Católica de não servir o vinho aos seus fiéis, limitando-o apenas aos sacerdotes, entrando assim em flagrante contradição com o sentido da sagrada ordenança, que é para todos e de todos os fiéis. 

Quanto à tese da "Consubstanciação" também fica bastante aquém. O argumento esgrimido que o pão e o vinho não se transformam no corpo e sangue do Senhor Jesus, mas ganham o Seu cunho é um raciocínio falaz. Desde logo, sabemos que DEUS é Omnipresente e "toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6:3). Porque, tal como dizia o Senhor Jesus, "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18:20), confirmando assim a presença constante do Senhor Jesus nas nossas vidas, bem como em todo o Universo. Logo, podemos concluir que todas as coisas de alguma certa forma ganham "cunho" da presença do Senhor Jesus, sem cairmos no erro de julgar que os elementos da Ceia acompanham o corpo do Filho de DEUS. E, por fim, a tese da "Substanciação". Parece-nos, em abono da verdade, ser a que se coaduna melhor com a afirmação do Senhor Jesus. O pão e o vinho não passam exclusivamente de meros elementos. Não mais que substâncias que foram usadas pelo Senhor Jesus para transmitir a grande verdade soteriológica sobre a Santa Ceia, razão pela qual subscrevemos integralmente esta tese: há apenas a presença simbólica e espiritual do Senhor Jesus na Ceia. Os elementos pão e vinho não sofrem nenhuma metamorfose. Apenas servem como ilustração daquilo que o Senhor Jesus fez por nós. Julgamos que, sem qualquer tipo de hesitação prévia, é assim que os discípulos interpretaram as analógicas palavras do Senhor Jesus sobre o pão e o vinho. 

A Questão do Livre-arbítrio


O Livre-arbítrio é um termo bastante riquíssimo nos seus múltiplos significados etimológicos, filosóficos e teológicos, que atraiu ao longo dos séculos. Talvez seja por esta razão que tem despertado o interesse dos grandes pensadores, que marcaram profundamente a nossa História Universal. O debate sobre as implicações práticas do termo começou precisamente com Santo Agostinho e demais filósofos coevos. Ganhou, posteriormente, mais relevo e projecção mediática com o Protestantismo e o pensamento escolástico de Guilherme de Ockham, que "santificava" completamente a vontade humana e a liberdade individual, em detrimento de qualquer tipo de realidade subjacentes ao ser humano. Com os moralistas do séc. XVII e XVIII ficou tudo diferente. O Livre-arbítrio passou a ser objecto de rigorosa avaliação, não apenas por aquilo que representa do ponto de vista humano-filosófico, mas também pelo fim que visa atingir e como este é concretizado. É no âmbito destas maleáveis construções dogmáticas que surge Immanuel Kant, que veio relançar decisivamente o debate, rejeitando a priori a ênfase perfeccionista do conceito. Para Kant "a boa vontade não é boa por aquilo que promove ou realiza, pela aptidão para alcançar qualquer finalidade proposta, mas tão-somente pelo querer, isto é em si mesma, e, considerada em si mesma, deve ser avaliada em grau muito muito mais alto do que tudo o que por seu intermédio possa ser alcançado em proveito de qualquer inclinação, ou mesmo, se se quiser, da soma de todas as inclinações"[1]. Com efeito, vai traçar o conceito do "dever ser" como a única máxima de todo o conteúdo moral, concluindo peremptoriamente que qualquer acção que não seja revestida do "imperativo categórico" não passa de uma intenção meramente egoísta, desprovida de qualquer significado valorativo do ponto de vista humano-social. 

Da nossa parte, não se pode falar do Livre-arbítrio sem primeiramente falar da Liberdade, do Voluntarismo e da Autodeterminação. E falar destes quatro conceitos concomitantemente torna o problema ainda mais complexo e de difícil posicionamento, uma vez que envolve vários mistérios que, as mais das vezes, não conseguimos penetrar e, muito menos, decifrar na íntegra. Do Livre-arbítrio e Auto-determinação do Homem pode-se esperar tudo, desde a aparente encarnação de excelentes virtudes morais, que consubstanciam as práticas de boas obras, até aos actos individualistas que visam unicamente autopromoção, ou até mesmo, em circunstâncias anormais, de actos bárbaros contra o próximo e a Humanidade em geral. 

Confessamos publicamente que somos bastante céptico em relação à boa vontade humana. Não acreditamos minimamente nela, ou seja, na sua impoluta moralidade, razão pela qual nos identificamos plenamente com a concepção Calvinista da "Depravação Total" do Homem, que posteriormente veio a ser acolhida pelo excomungado Bispo de Ypres, Cornelius Jansen, conhecido doutrinalmente pelo “Jansenismo”, que consiste na limitação e impossibilidade do Homem só por si ter suficientes capacidades de praticar o bem na sua imaculada essência. Por isso, seguindo a mesma esteira do pensamento, o Monargismo vai sustentar que a regeneração espiritual dos homens depende apenas do Espírito Santo, independentemente da boa vontade humana, diferentemente das teses do Sinergismo que faz a apologia da liberdade individual, defendendo equivocadamente que o Homem tem participação na obtenção da sua salvação e da graça divina, através do Livre-arbítrio (um entendimento que é amplamente abraçada pelos círculos pentecostais e neo-pentecostais, através da influência teológica da corrente arminiana). 

O Livre-arbítrio do Homem está inteiramente manchado pelo pecado original de Adão e Eva no início da criação no jardim do Éden (LER), levando-o a ficar bastante aquém do ideal da sua boa vontade. Se avaliarmos, cuidadosamente, ao ínfimo pormenor, todas as acções do Homem, logo chegaremos à sábia conclusão de que ela está sempre viciada de egoísmo, contrapartidas, ganância, calculismo, hipocrisia, vaidade, auto-promoção, etc., sem prejuízo, obviamente, de se ter em conta nesta análise os pressupostos valorativos que as sociedades convencionam e traçam como o "modelo ideal" de "acções legítimas" a seguir nos relacionamentos com os terceiros. 

O Livre-arbítrio do Homem, em suma, é completamente condicionado e submetido à manifesta vontade Divina. Não acreditamos na suficiência dele ao ponto de proporcionar ao Homem a libertação soteriológica, visto que está maculado, insistimos, tal como supra sustentamos.  É nestas indubitáveis formulações que entendemos e desenvolvemos a liberdade individual de cada ser humano, independentemente da sua raça, condição de vida ou estatuto social (LER)



[1] (Immanuel Kant, In Fundamentação da Metafisica dos Costumes, p. 23, Edições 70, Lisboa, Portugal, 2005). 

Oração do Pai Nosso


A "Oração do Pai Nosso" é uma das mais célebres passagens contidas nas Escrituras Sagradas. Tanto que, por esta razão, ela tem sido sabiamente memorizada e cantada pelos milhões de fiéis ao longo da História do Cristianismo. É uma Oração que deve servir de bitola para todos os Cristãos de todos os tempos e épocas. Não somos obrigados a adoptá-la literalmente em todas as preces que fazemos diariamente, uma vez que o Senhor Jesus não a seguiu à risca na Sua afamada "Oração Sacerdotal" (João 17:1-26) e, muito menos, quando estava angustiado no Getsémani (Mateus 26:39-46; Marcos 14-32-42; Lucas 22:39-46), bem como os Santos Apóstolos e os Pais da Igreja. E mais, somos posteriormente ensinados pelo próprio Senhor Jesus a orar e pedir ao Pai em Seu Nome (João 14:13-14). Um importante pormenor que a "Oração do Pai Nosso" não contem. Não sabemos por que razão o Senhor Jesus terá omitido este relevante pormenor (será, porventura, por estar ainda na Sua humilde fase de encarnação quando formalizou esta Oração? Eis o mistério que nos interpela). Uma coisa, no entanto, temos a certeza absoluta: a "Oração do Pai Nosso" deve ser sempre o modelo padrão para todas as nossas orações. 

O Senhor Jesus, antes de veicular esta famosa e poderosa Oração, nos versículos 1 até 8 do Evangelho segundo Mateus 6, exortou aos seus discípulos a adoptarem uma espiritualidade de descrição, evitando o pecado da hipocrisia e ostentação, somente para serem elogiados pelos Homens. Tal postura não deve, em circunstância alguma, ser a de um devoto Cristão, sobretudo quando damos a esmola ou estamos em momentos de contrição perante DEUS. Caso contrário, a pessoa já recebeu a sua devida recompensa. Aqui a palavra recompensa tem uma conotação pejorativa, uma vez que não tem qualquer valoração espiritual. 

Além da advertência que o Senhor Jesus fez sobre o risco da ostentação, que consubstancia o testemunho de falsidade e a sua nefasta consequência espiritual (Mateus 6:1-4; 23:14; 33), aproveitou ainda a deixa para aconselhar os seus discípulos sobre as vãs repetições que são feitas nas orações como erradamente fazem os gentios, que se desdobram num infindável palavreado, julgando-se que é por muito falarem que serão mais facilmente ouvidos. O Senhor Jesus corrigiu esse equívoco doutrinário, com base na omnisciência de DEUS, realçando que o nosso Pai Celestial sabe muito bem o que precisamos, antes de Lho pedirmos. E de seguida, ensinou-lhes a forma mais correcta de orar. 

Nesta famosa Oração, o Senhor Jesus evidencia seis pertinentes verdades espirituais – das quais as três primeiras relacionam-se exclusivamente com DEUS e as restantes com a realidade quotidiana do ser humano. (I) Ele é o nosso Pai Celestial, que está assentado nos mais altos dos céus, e o Seu nome deve e merece ser permanentemente Santificado; (II) É benéfico para a Humanidade que o Seu Reino venha e domine plenamente toda a Terra; (III) que a Sua perfeita vontade prevaleça no seio dos pecadores, tal como acontece no Céu (a cidade de DEUS deve ser o espelho da cidade dos Homens). Depois disso, as últimas três verdades centralizam-se nos desafios e anseios que afectam o Homem no seu percurso normal de vida, nomeadamente (IV) a concessão do pão diário; (V) o perdão dos seus pecados como também ele perdoa aqueles que lhes insultam, magoam e querem a sua desgraça ou, porventura, possam ter alguma dívida pecuniária com ele e não têm condições financeiras suficientes para lhe saldar (Mateus 18:23-35); e, por fim, (VI) não lhe deixar cair em tentação, mas livrá-lo de todo o perigo e mal que possam eventualmente surgir pelo caminho. Isto porque, culminando o Senhor Jesus com a grande doxologia, do Todo-poderoso DEUS "é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém". Que assim seja. 

A Importância das Missões na Dinâmica da Igreja


A Igreja não faz sentido sem encarnar as Missões na sua agenda quotidiana. Elas fazem parte fundamental da vitalidade de qualquer Igreja. Mede-se inequivocamente a saúde espiritual de uma Igreja na maneira como concebe e encara as Missões. São um barómetro infalível para aferir na íntegra o grau da espiritualidade de uma igreja local. Uma Igreja que descura as Missões torna-se vulnerável e fica bastante aquém daquilo que é o seu substrato identitário. Corre, por isso, sérios riscos. É um manifesto sinal que está contaminada por um miasma obstrutivo e consequentemente condenada ao fracasso. Vive insensivelmente na sua autocomplacência, saturada e fora dos imaculados propósitos Divinos. Isto porque não se pode falar de igrejas salutares sem falar de Missões e vice-versa. As duas realidades fazem parte do plano da redenção, razão pela qual as Missões são extremamente importantes na dinâmica e crescimento da Igreja. 

Sabemos, pela realidade prática, que a generalidade das igrejas nos dias que correm não fazem Missões. Não estão minimamente preocupadas com elas. Têm outras prioridades que não as de anunciar o Evangelho da Salvação. São completamente insensíveis à Evangelização e Missões. Tal incongruência deve-se a vários factores conjugados. Desde logo, o desleixo, a impreparação e o descompromisso por parte das lideranças das igrejas, influenciando assim negativamente os restantes membros. E estes, por sua vez, não sabendo gerir bem essas graves lacunas acabam por enveredar na superficialidade da espiritualidade, resvalando nos pecados da hipocrisia, indolência, inveja, murmuração, preconceito, segregação, heresia, maquinação e desunião, etc. Ora, todos esses malefícios desviam o foco primordial dos crentes e obstaculizam consideravelmente a acção missionária e o crescimento da Igreja, tendo contornos preocupantes na promoção e propagação do Evangelho. Nunca foi tão urgente remirmos o tempo, tal como nos tenebrosos dias de hoje. Os dias são, de facto, maus (Efésios 5:16)

A Igreja é chamada a fazer Missões, bem como a crescer e multiplicar-se. Tem que estar predisposta e preparada para partilhar a Boa Nova da Salvação com as almas que carecem da graça salvífica do Senhor Jesus (LER). Mas, para isso, ela tem que preencher previamente alguns importantíssimos pressupostos bíblicos, para assim cumprir plenamente a sua cimeira missão aqui na Terra. A começar com a libertação, a santificação, o compromisso e o serviço. Só assim estará à altura de responder com mansidão e temor a qualquer que lhe pedir a razão da sua esperança (1 Pedro 3:15). Esta irrepreensível e sensata postura consubstancia, em última instância, a obediência ao mandato da "Grande Comissão" e à submissão plena da soberana vontade de DEUS (LER). Demonstra, em suma, o vigor, o dinamismo e a acção poderosa do Espírito Santo na vida de uma Igreja profundamente comprometida com a nobre causa do Evangelho (LER)

MISSÕES: O Que São, Porquê e Para Quê?


I. A vida Cristã comporta vários benefícios espirituais e materiais, bem como as obrigações quanto ao nosso testemunho pessoal e responsabilidade eclesiástica. Ambas as realidades são concomitantemente intrínsecas e fazem parte fundamental do substrato identitário do Cristianismo. A partir do momento em que livremente nos convertemos ao Evangelho passamos automaticamente a ser justificados, e, consequentemente, a beneficiar da dádiva da salvação (Romanos 5:1). Por isso, pelas Escrituras Sagradas, somos considerados plenamente filhos de DEUS e herdeiros com Cristo (Romanos 8:17). A par dessas excelsas e inauditas Bem-aventuranças eternas, somos reduzidamente incumbidos do privilégio de partilhar com o mundo incrédulo e perdido a "Boa Nova da Salvação". Em outras palavras, fazer Missões. 

Definindo, portanto, Missões, de forma abreviada e resumida, é estar profundamente comprometido com os impolutos ensinos do Senhor Jesus. Aceitá-los fervorosamente sem quaisquer tipos de reservas e vivenciá-los diariamente em todos os contextos em que se está circunscrito. É dar intrepidamente o testemunho da fé "dentro e fora do tempo", contra todas as eventuais oposições maléficas que possam surgir no caminho para obstaculizar a sua vigorosa asserção, anunciando publicamente que o Senhor Jesus é o único caminho para a salvação de todo aquele que Nele crer (João 3:16). Missões envolve, acima de tudo, compromisso, consagração e serviço à nobre causa do Evangelho. Sem estas três virtudes espirituais é impossível encarnar Missões. Isto porque elas requerem, da nossa parte, um engajamento sério com o ministério da Igreja, estando sempre predispostos a usar todas as nossas faculdades, dons e talentos na edificação dos santos e na promoção do Reino de DEUS aqui na Terra. 

II. A partir do momento em que conseguimos espiritualmente  discernir e interiorizar bem o sentido de Missões nas nossas vidas, passamos também a compreender holisticamente o porquê da sua existência (LER). Desde logo, elas fazem parte dos dois grandes sacramentos que o Senhor deixou a Igreja momentos antes da Sua gloriosa Assunção aos céus, nomeadamente o Baptismo e a Ceia do Senhor (LER). Aquela consubstancia aquilo a que os missiólogos chamam da "Grande Comissão". Portanto, "ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos", exortava peremptoriamente o Senhor Jesus aos seus discípulos (Mateus 28:18-20). Para obedecer e pôr em prática os três imperativos contidos neste versículo – que é Ide, Baptizai e Ensinai – impõe-se manifestamente fazer Missões, razão pela qual elas consubstanciam um dos ministérios mais importantes e cimeiros da Igreja, porque visam, em última instância, ganhar muitas almas para Cristo. Não haverá a segunda vinda do Senhor Jesus, enquanto não fizermos cabalmente Missões. Elas integram um dos pressupostos fundamentais dos "Sinais dos Tempos", que precederão o regresso do Filho do Homem ao mundo e a finitude das coisas, visto que "esta boa nova do reino de Deus será pregada em todo o mundo como testemunho para os povos. E então chegará o fim" (Mateus 24:14). Tanto que, por esta razão, ciente desta manifesta verdade soteriológica, a Declaração de Fé Baptista Portuguesa vai inspiradamente ao ponto de considerar que "é dever e privilégio de todas as igrejas e de cada crente em particular, esforçarem-se por fazer discípulos em todas as nações. O novo nascimento do espírito do homem pelo Espírito de Deus, faz nascer nele também o amor pelos outros. O esforço missionário é repetida e expressamente ordenado nos ensinos de Jesus, assentando numa necessidade espiritual da vida regenerada. É, pois, dever de todo o filho de Deus procurar ganhar almas para o Salvador, através do testemunho pessoal e do uso de todos os meios consentâneos com o Evangelho de Cristo” (LER). O objectivo primordial dos crentes, e da Igreja em especial, é fazerem Missões, isto é, obedecer ao mandato da "Grande Comissão" e, deste modo, ganhar almas para o Reino do Senhor Jesus. 

III. Ora, materializando em prática esta grande ordenança bíblica, a Igreja está assim, com esta irrepreensível postura de obediência, a glorificar o Bendito Nome do Senhor Jesus, pois a finalidade última de Missões visa a glória e honra do nosso Todo-poderoso DEUS. E isto começa de antemão na nossa vida santificada e comprometida com a causa do Evangelho, estendendo-se a fortiori para os domínios da Igreja, fazendo com que DEUS tenha "a glória na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, por toda a eternidade. Amém!" (Efésios 3:21). É, justamente, por tudo isso, que todos os eleitos de DEUS, sem execepção, devem impreterivelmente saber o que são Missões e o porquê da sua existência e para que servem na dinâmica da Igreja para, assim, poderosamente, encarná-las no seu testemunho diário perante o mundo que carece tanto da Graça Salvífica do Senhor Jesus. Caso contrário, ficaremos refém de uma letargia missionária com contornos prejudiciais na nossa espiritualidade o que, de todo, não é nada salutar. Importa, por tudo o que ficou dito, em suma, que façamos com carácter de urgência as obras daquele que nos enviou, enquanto é dia. Vem a noite, quando ninguém pode trabalhar (João 9:4). Que assim seja para Louvor e Honra do nosso Eterno DEUS.

Onde Está o Espírito do Senhor Há liberdade



Qualquer Cristão Protestante que veio dos bancos da Escola Bíblica Dominical (EBD), desde a mais tenra idade, seguramente conhece esta música infantil. É um clássico Evangélico. Aprendi-a ainda no longínquo tempo da classe primária da minha Igreja, em Bissau, e até hoje continuo saudosamente a cantá-la. A generalidade das crianças das nossas Igrejas conhecem-na e, enquanto o Senhor Jesus não voltar, as próximas gerações vão certamente aprendê-la e entoá-la de forma sucessiva nos seus devocionais. É um cântico que nos remete indubitavelmente para a liberdade que os crentes no Senhor Jesus têm de manifestarem, sem qualquer tipo de reserva ou inibição, o seu louvor e adoração diante de DEUS, pois "onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade", exortava o Apóstolo Paulo (2 Coríntios 3:17). Foi, aliás, a postura espiritual que o salmista David adoptou durante todo o seu percurso de vida (2 Samuel 6:16; Salmo 103:122; Salmo 145:1-21) e inúmeros heróis da fé ao longo da milenar história do Cristianismo. 

No início do século passado, mais propriamente com o aparecimento do movimento pentecostal, tem surgido querelas doutrinárias entre os teólogos sobre o modelo ideal de uma liturgia Cristã, levando as igrejas tradicionais a censurar todas as manifestações de "excentricidades" nos cultos públicos, tendo em conta a ênfase peculiar que os movimentos carismáticos dão à espiritualidade de ostentação. Há, a nosso ver, nestas duas leituras opostas, um défice acentuado de interpretação sobre o decoro cultual que se espera dos autênticos Cristãos. As igrejas tradicionais pecam pelo excesso de zelo neste ponto, bem como os pentecostais por defeito. Nem oito nem oitenta, diz a sabedoria popular. O pressuposto aferidor para um louvor e adoração ser aceite aos olhos de DEUS é um espírito quebrantado e contrito (Salmos 51:17), uma vez que DEUS "é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4:24). 

É o Espírito Santo que, em última instância, deve ser o arbítrio do nosso louvor e adoração em qualquer circunstância, razão pela qual se sentimos por parte do mesmo Espírito de DEUS motivação para dançar, pular, gritar, bater palmas e levantar as mãos e fazer qualquer outra coisa temos toda a liberdade de fazê-lo sem constrangimentos, contando que tudo seja feita com decência e moderação, tal como requerem as Escrituras Sagradas (1 Coríntios 14:40). Não podemos reduzir, em circunstância alguma, a nossa espiritualidade às convenções e preceitos polutos dos homens, sob pena de cairmos em vários riscos espirituais. 

Por isso, o Pastor Manuel Alexandre Júnior, consciente desta problemática teológica, sobretudo dos sérios riscos e insensibilidade espiritual que se correm na prática da adoração, sustenta que "o culto pelo culto, o culto desalinhado da razão mais forte que nos prende a Deus, o culto vazio de expressão sobrenatural, o culto rendido ao espectáculo como simulacro de um materialismo encapotado ou de mera satisfação carnal, pode ter aparência atractiva de alguma relevância, mas não passa de uma expressão religiosa sem alma, sem o vinculo de um genuíno relacionamento com Deus, pela fé viva no Senhor Jesus. Esse foi o problema que o profeta Isaías enfrentou na sua confrontação com a triste realidade religiosa do seu próprio povo; um povo que se dizia crente, temente e piedoso, mas que na prática vivia radicalmente afastado do culto que a Deus agrada. As palavras que o profeta veicula da parte de Deus são bem pesadas: “Ai de vós, nação pecadora, povo cheio de crimes, raça de malfeitores, filhos desnaturados! Abandonaram o SENHOR, desprezaram o Santo de Israel e voltaram-lhe as costas (…) As práticas religiosas daquele povo representavam problemas espirituais bem profundos: problemas de insensibilidade e autoconfiança religiosa, problemas de conformismo e acomodação, problemas de um materialismo atroz, que de Deus tudo espera, e que apenas a si próprio adora"[1]

Que o Todo-poderoso DEUS nos ajude a não cair nesta falsa adoração. Que, de facto, possamos ser instrumentos nas suas poderosíssimas mãos para Glória do Seu Grande Nome. Que assim seja. 



[1] Manuel Alexandre Júnior, in "Adoração [Tudo para a Glória de Deus"], p. 20, Cebapes, Lisboa, 2015). 

A Páscoa do Senhor Jesus Cristo na Teologia da Salvação



Hoje é um dia bastante especial para todo o Mundo Cristão. Celebra-se a Páscoa, isto é, o triunfo do Senhor Jesus Cristo sobre a morte e consequentemente a libertação da Raça Humana outrora perdida pelo lamaçal do pecado (LER). Partilho, por isso, convosco, este vídeo onde procuro abordar tão importante temática nas suas várias vertentes teológicas dentro das Escrituras Sagradas. Tenha um bom proveito na visualização e uma boa Páscoa. 

I Remember Calvary



Como não lembrar da Via-Sacra do Senhor Jesus para a nossa redenção? Espero, com a ajuda do Santo Espírito Santo, nunca esquecer esta Grande Verdade soteriológica na minha vida e poder permanentemente partilhá-la com os meus familiares, amigos, conhecidos, desconhecidos e o mundo em geral. 

Entrada Triunfal do Senhor Jesus Cristo em Jerusalém


“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta” (Zacarias 9:9). 

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Celebra-se hoje em todas as Igrejas Cristãs do mundo o "Domingos de Ramos" – a entrada triunfal do Senhor Jesus Cristo em Jerusalém. Um Evento marcante e determinante na história do Cristianismo e no processo da Salvação da Humanidade. Domingos de Ramos foi um dos acontecimentos que procedeu a chamada "Semana da Paixão" em que o Filho do Homem foi exposto ao opróbrio dos sacerdotes, os fariseus e de todo o povo, sentenciando-Lhe injustamente a horrenda morte da Cruz. 

O Senhor Jesus, quando estava ainda na região da Galileia, tomou firmemente a decisão de ir a Jerusalém (Mateus 16:21; Lucas 9:51), visto que era o lugar onde convergiam todas as profecias bíblicas a Seu respeito. E mais, até então, era a cidade de oblação para a expiação dos pecados que o povo reiteradamente cometia pelo que, o Filho do Homem, tinha que ser sacrificado ali para selar definitivamente a Velha Aliança firmada pelo Eterno JEOVÁ e, deste modo, instaurar um novo Sacerdócio Real na ordem de Melquisedeque (Génesis 14:18-21; Salmo 110:4; Hebreus 5:5-6; 6:20; 7:15-17). A decisão do Senhor Jesus em deslocar-se a Jerusalém tinha inúmeros sobressaltos a todos os níveis, máxime do ponto de vista geográfico e espiritual. No lugar onde se encontrava, na região do mar da Galileia, segundo alguns reputados teólogos, fica 200 metros abaixo do nível do mar, enquanto a altura média de Jerusalém é de 760 metros acima do referido nível. Por isso, subir até à Cidade Santa era uma trajetória bastante penosa e íngreme para o Filho do Todo-Poderoso DEUS. 

No decorrer da viagem o Senhor Jesus atraiu uma enorme turba dos peregrinos, que seguiam também para Jerusalém a fim de assistir à celebração da páscoa dos judeus (João 2:13), especialmente por ter curado dois cegos na circunscrição de Jericó (Mateus 20:29-34). E, foi assim, de forma heróica, que o Senhor Jesus entrou apoteoticamente em Jerusalém, com a multidão a render-Lhe merecidamente o louvor, adoração e acções de graças, entoando vivamente: "hosana ao Filho de David; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!" (Mateus 21:1-10), contrariando todas as evidências da censura maléfica por parte dos fariseus (Lucas 19:39-40). 

A efeméride do Domingos de Ramos evidencia uma total submissão do Senhor Jesus Cristo à vontade soberana do Seu Pai, no cumprimento escrupuloso da Sua missão redentora, não obstante o cenário negro do grande sofrimento e da morte que Lhe esperavam em Jerusalém dias subsequentes: continuou fiel à Sua missão até ao fim. O evento do “Domingos de Ramos” nos ensina, de forma manifesta, que o triunfo Cristão exige a renúncia, o sacrifício, o sofrimento e, até mesmo, em casos extremos, a morte para assim conseguir atingir o alvo espiritual que DEUS requer nas nossas vidas. Mesmo nestes cenários extremamente adversos, que o crente é obrigado a enfrentar para testificar firmemente a sua fé no Senhor Jesus Cristo, a vitória continua assegurada para ele como expressamente prometida nas Escrituras Sagradas

O Próprio Senhor Jesus foi exemplo manifesto e máximo disso. Passou por tremendas oposições e humilhações dos homens, durante todo o Seu ministério terreno, terminando com a sua morte na Cruz de Calvário. Em princípio, vendo as coisas numa perspectiva meramente humana, parecia que tudo estava perdido para o Messias e não havia sequer alguma alternativa viável para reverter este curso funesto das coisas. Com efeito, o Senhor Jesus Cristo venceu na força do Espírito Santo o Diabo e a morte, ressuscitando ao terceiro dia, glorificando assim a DEUS com o Seu impoluto testemunho de vida. 

Que DEUS nos ajude a seguir este poderosíssimo exemplo de vida do nosso Sumo-Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo, a quem pertença a Glória, a Honra e o Poder para todo o sempre. Amém. Tal como Ele entrou triunfalmente em Jerusalém, que possamos igualmente enfrentar todas as "jerusaléns" que estarão à nossa espera na nossa peregrinação neste “presente século mau” em que vivemos, mesmo que isto nos custe os maiores infortúnios na vida. Que possamos, de facto, para o nosso próprio bem e saúde espiritual, estar à altura de aplicar a Sua “Oração Sacerdotal” na nossa vivência diária, afirmando peremptoriamente como Ele fez: Pai, “eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (João 17:4). Que assim seja.