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Encontro de Jovens Cristãos Evangélicos Guineenses em Lisboa

Estive anteontem como convidado especial no encontro lúdico de Jovens Cristãos Guineenses em Lisboa, organizado por alguns destacados líderes da nossa Igreja Evangélica de Bandim em Bissau, que agora estão a estudar em Portugal, para falar sobre os grandes desafios espirituais que se colocam aos jovens Cristãos Evangélicos guineenses na Europa e Portugal em particular. O referido encontro teve lugar ao lar livre das 10h00 até às 17h00, isto é, no Jardim Urbano da Quinta da Granja, em frente ao centro comercial Colombo, contando com uma expressiva participação juvenil. Estiverem presentes, segundo os dados que me foram transmitidos pelos organizadores do evento, mais de noventa jovens oriundos de várias Igrejas da Guiné-Bissau, sendo que a mais representada de todas elas é a Igreja Evangélica de Bandim. 

No dia em que se celebra a liberdade em Portugal, o 25 de Abril, saímos também à rua para celebrarmos a nossa inigualável, insuperável e inatingível liberdade em Cristo Jesus, o nosso Senhor e suficiente Salvador. Na minha humilde explanação sobre os grandes desafios que se colocam a um jovem Cristão nos dias de hoje, apoiado no texto bíblico de 2 Timóteo 3:1-17, destaquei o relativismo religioso, o ateísmo obscurantista, a ignorância doutrinaria, o conformismo com os valores do mundo, o materialismo desenfreado, as paixões libidinosas, a promiscuidade sexual, o sexo antes do casamento, a avidez pelo lucro fácil, a corrupção generalizada, o não compromisso com a Igreja e com a vida de santidade. Tudo isto consubstancia, a meu ver, as manifestas marcas distintivas do nosso decadente mundo dito “pós-moderno” que, de forma resoluta, o jovem Cristão deve renunciar para estar fielmente ligado a Cristo. 

Foi um tempo realmente agradável na presença do nosso Todo-Poderoso DEUS. Um tempo de encontro entre irmãos da fé, de celebração, de testemunho e de festa. Um tempo de comunhão, de partilha, de exortação e de compromisso. Foi um tempo, acima de tudo, de adoração, oração, proclamação da Palavra de DEUS e de edificação espiritual. 

Fiquei bastante contente pela adesão de jovens guineenses à Causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo e a predisposição que demonstram em querer estar no centro da vontade de DEUS, não obstante a sedução do mundo. Fiquei, igualmente, satisfeito pelo considerável investimento que as Igrejas guineenses têm estado a fazer do ponto de vista missionário, investindo em crianças, jovens e adultos que acabam por ser instrumentos de bênçãos nas mãos de DEUS fora do contexto do nosso país. Esta é a nobre missão da Igreja. É a missão que todos nós, Cristãos, sem excepção, fomos incumbidos a realizar pelo nosso Salvador Jesus Cristo para a honra e glória do nosso Eterno DEUS. Que assim seja. E assim sempre será. 

Culto Natalício e a Sua Relativização Pelas Igrejas Evangélicas

Nunca me conformei com o facto de muitas Igrejas Evangélicas não celebrarem o culto no dia de Natal, preferindo refugiar-se na cómoda confraternização familiar e nas comezainas que a própria quadra proporciona. Nunca aceitei os argumentos falaciosos e tautológicos utilizados para legitimar a não realização do culto no dia a que se atribui, universalmente, o nascimento do Senhor Jesus Cristo, nosso Eterno Salvador. Faz-me ainda imensa confusão como é que as lideranças das igrejas, e os pastores em especial, conseguem conviver tranquilamente com a inexistência do culto nas suas congregações neste grande dia da salvação e permanecem conformados nas suas casas, entregues às festividades familiares. 

A Igreja Católica Romana, por exemplo, tem uma postura irrepreensível neste ponto do culto natalício do dia 25 de Dezembro. Tanto o Vaticano como os católicos praticantes atribuem uma importância cimeira à “missa do galo”, procurando suspender toda a azáfama da confraternização familiar para assistirem à referida celebração, que recorda e exalta a encarnação do Senhor Jesus Cristo no mundo. Testemunhei in loco esta realidade em Bissau e também na cidade de Munique, na Alemanha. Aliás, trata-se de uma prática transversal a todas as igrejas católicas do mundo. Infelizmente, por razões inaceitáveis, as igrejas protestantes tentam, a todo o custo e sem fundamento justificável, relativizar o culto do nascimento do Senhor Jesus Cristo no dia 25 de Dezembro. 

É verdade que, possivelmente, o Senhor Jesus Cristo não terá nascido no dia 25 de Dezembro. Também é verdade que podemos celebrar o Seu nascimento todos os dias do ano, inclusive antecipando-o ou adiando-o conforme entendermos. É ainda verdade que o culto de Natal não é um barómetro decisivo para aferir, na íntegra, a qualidade da nossa fé e o grau da nossa espiritualidade. No entanto, em circunstância alguma estas arbitrariedades inoportunas podem levar-nos a relativizar a data oficial da encarnação do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 

Além disso, os Cristãos que negligenciam o culto no dia de Natal são, praticamente, os mesmos que o festejam socialmente no dia 25 de Dezembro, através de convívios familiares e da troca de presentes com os seus entes queridos. Não será isto uma enorme incongruência? Esperar-se-ia, igualmente, que essas pessoas não se associassem a qualquer tipo de festividade nesse dia, uma vez que, do ponto de vista eclesiástico-religioso, não lhe atribuem qualquer importância — por considerarem não ser a data oficial do nascimento do Senhor Jesus Cristo. “As más conversações”, como já dizia o Apóstolo Paulo, “corrompem os bons costumes” (1 Co 15:33). 

Nós, os evangélicos, por natureza, somos protestantes praticamente em tudo. Há coisas que, a meu ver, protestamos em demasia e que não fazem qualquer sentido à luz da Palavra de DEUS. Em contrapartida, nas questões em que realmente deveríamos protestar com mais vigor, ficamos calados, adotando uma postura de relativização e, em muitos casos, de letargia espiritual, o que não condiz minimamente com o irrepreensível testemunho Cristão. 

Que DEUS nos perdoe e nos ajude a interiorizar, da melhor forma possível, a importância cimeira que o culto de Natal no dia 25 de Dezembro representa no nosso testemunho Cristão. Que as lideranças das igrejas que não celebram o culto nesse grande dia da salvação nas suas congregações, sobretudo os pastores, possam reconsiderar seriamente esta infeliz postura eclesiástica, para a glória do nosso Senhor Jesus Cristo. Que assim seja.

A PALAVRA DO SENHOR (37): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça

“Trouxeram a Jesus um possesso cego e mudo. Jesus curou-o e o homem ficou a ver e a falar. Toda a gente perguntava muito admirada: «Não será este o Filho de David?» Mas os fariseus, ao ouvirem isto, afirmavam: «É pelo poder de Belzebu, chefe dos demónios, que este expulsa os demónios.» Jesus percebendo o que estavam a pensar, disse-lhes: «Um reino dividido em grupos que lutem entre si acaba por se arruinar. Do mesmo modo, uma cidade ou uma família dividida não se mantém de pé. Ora se Satanás expulsa Satanás está em luta contra si mesmo. Como poderá então o seu reino manter-se? Se eu expulso os espíritos maus pelo poder de Belzebu, por quem os expulsam os vossos adeptos? Por isso são eles que hão de acusar-vos do vosso erro. Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os espíritos maus, isto quer dizer que o reino de Deus já aqui chegou. 

Como pode alguém entrar em casa dum homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar? Só assim lhe poderá roubar a casa. 

Quem não está comigo está contra mim, e quem comigo não junta, espalha. Portanto, digo-vos: qualquer pecado e palavra ofensiva contra Deus poderão ser perdoados aos homens. Mas a palavra ofensiva contra o Espírito Santo não será perdoada. Quem disser alguma coisa contra o Filho do Homem poderá ser perdoado, mas quem disser alguma coisa ofensiva contra o Espírito Santo, não será perdoado, nem neste mundo nem no outro.»[1]”.


[1] O Senhor Jesus Cristo, in A Bíblia Sagrada, Evangelho s. Mateus 12:22-32, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

Bilhete de Identidade


Uma pessoa pode ser patriota, sem ser nacionalista. E pode ainda ser conservadora, sem perfilhar os ideais do reaccionarismo. Pode, da mesma sorte, ser progressista sem propriamente ser libertária. São termos com significados etimológico-filosóficos completamente distintos. Eu sou um devoto Cristão Evangélico e Baptista-Tradicional, firmado nos ideais da Doutrina Social da Igreja. Também sou assumidamente personalista, tendo uma mundividência híbrida, comungando parcialmente do Keynesianismo, do Liberalismo Económico e do Intervencionismo. Convicto conservador quanto à Moral e aos Bons Costumes. Não sou politicamente, como se pode ver, nem de Esquerda nem de Direita ou do Centro. Nada disso, felizmente. Diria mesmo que, em última instância, norteio-me pelos ideais do progressismo da matriz Cristã (LER).