Caminho Para a Perdição


«Até o Marxismo, apesar de definitiva e repetidamente identificado como uma ideologia sem mérito, criado por um vigarista intelectual que constantemente inventou e manipulou a sua “evidência científica”, reapareceu de uma forma quase religiosa na chamada Teologia da Libertação. A Teologia da Libertação é pura e simplesmente uma heresia anti-Cristã, sem base moral, e infelizmente, como demonstrou a experiência latino-americana, uma fonte de violência e de mal moral.» (Paul Johnson). 

A PALAVRA DO SENHOR (30): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Quando Jesus se dirigia a Jerusalém, atravessou a Galileia e a Samaria. Ao entrar em certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez doentes com lepra. Ficaram a uma certa distância e puseram-se a gritar: «Jesus, Mestre, tem pena de nós!» Jesus olhou para eles e disse: «Vão ter com os sacerdotes para que eles vos examinem.» Foram, e enquanto iam no caminho, ficaram curados. Um deles, quando viu que estava curado, voltou e louvava a Deus em voz alta. Ajoelhou-se aos pés de Jesus, curvando-se até ao chão em agradecimento. E este era samaritano. Então Jesus perguntou: «Não eram dez os que foram curados? Onde estão os outros nove? Mais nenhum voltou para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?» Depois disse-lhe: «Levanta-te e vai-te embora. A tua fé te salvou.[1]»”. 


[1] O Senhor Jesus Cristo, in A Bíblia Sagrada, Lucas 17:11-19, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

Relações Humanas, de Evaristo de Vasconcelos


“As emoções devem ser comunicadas, expressas ou descarregadas: caso contrário produzem recalcamentos e endurecimentos que perturbam a personalidade” (LER)

Um Dia, Duas Aniversariantes


Sou de uma família de gémeos. Tenho-os na parte colateral da minha família paterna. Tenho quatro sobrinhas gémeas e dois sobrinhos gémeos, somando os primos. A minha primeira irmã tem gémeos e dois irmãos, da mesma sorte, têm gémeos. Por outras palavras, os meus três irmãos em ordem decrescente têm todos gémeos. Não conheço, até então, uma realidade similar de gémeos como a da minha família. Por isso, nutro um carinho bastante especial para com os gémeos. Gosto dos gémeos, amo-os e aprecio imenso a sua peculiaridade biológico-natural. Desde muito cedo, convivi sempre com gémeos na família por razões já mencionadas. 

A Raiça Lopes Vieira e Rania Lopes Vieira são gémeas univitelinas ou, commumente denominados, gémeos verdadeiros. São as minhas queridíssimas sobrinhas. Logo aquando do seu nascimento cuidei-me delas e era eu que praticamente tomava conta delas com bastante amor e carinho. Foram sempre fofinhas e parecidas, tal como é a realidade da generalidade dos gémeos verdadeiros, mesmo assim nunca tinha dificuldades em reconhecê-las desde quando eram recém-nascidas. Conseguia sempre decifrá-las bem até à data presente, uma vez que acompanhei de perto o seu crescimento e percurso de vida (LER). Folgo em saber que estão bem de saúde e que estão a portar-se bem, especialmente a nível dos estudos. Estou também amiúde feliz por saber que já são autênticas mulheronas e que dentro mais de alguns anos, querendo o Eterno DEUS, começarão a andar com os seus próprios pés – como é naturalmente de esperar. 

Sem entrar mais em prolegómenos, apenas frisar que todo este intróito tem a ver com o facto de as minhas sobrinhas completarem hoje mais uma primavera na vida. Rogo ao Todo-Poderoso DEUS que possa realmente continuar a abençoá-las, protegê-las, ajudá-las e orientá-las em todos os seus desafios e opções diárias de vida, livrando-as de todo o perigo e mal, bem como conduzindo-as sempre pelas veredas da justiça, por amor do Seu nome; que a virtude do amor, da bondade e da misericórdia lhes sigam todos os dias da sua vida, tal como a promessa bíblica de Salmo 23:1-6. Muitos parabéns e feliz aniversário, amadas sobrinhas Rania Lopes Vieira e Raiça Lopes Vieira. Todas as felicidades do tempo e da eternidade. Que assim seja. 

O Valor Sagrado do Casamento


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O casamento é o substrato identitário da família. Não é um romantismo momentâneo, nem baseado em conveniências de fachada ou individualismo mero circunstancial dos nubentes. Não é também um berbicacho que se vai consubstanciando numa “prisão” ou “enforcamento” dos cônjuges, tal como jocosamente se costuma dizer por aí fora. Ele é, apropriando-me da Declaração da Fé Baptista Portuguesa, “o vínculo voluntário e legalmente assumido entre um homem e uma mulher que se amam, constituindo uma união espiritual, psíquica e física. Esta unidade é monogâmica, heterossexual e indissolúvel, segundo o plano de Deus, expresso na Sua Palavra. No pleno gozo de igualdade de valor e dignidade pessoal, cada um dos cônjuges desenvolve todo o seu potencial humano dentro da especificidade de funções de cada um”. E na mesma esteira do pensamento, o Código Civil Português vem expressamente dizer que “o casamento baseia-se na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges” e estes estão “reciprocamente vinculados pelos deveres de respeito, fidelidade, coabitação, cooperação e assistência” (artigo 1671.1; 1672.º). E isto, em última instância, traduz-se o amor no seu autêntico sentido etimológico e teológico (LER). Um amor que transcende, de longe, a mera inclinação erótica e superficial, a qual, fomentada egoisticamente, rápida e miseravelmente se desvanece. Os cônjuges, portanto, devem procurar encarnar no seu quotidiano o genuíno e puro amor. Amor esse, ratificado legalmente pela promessa de ambos, “é indissoluvelmente fiel, de corpo e de espírito, na prosperidade e na adversidade; exclui, por isso, toda e qualquer espécie de adultério e divórcio”[1]

E por tudo o que foi exposto, e mais se poderia acrescentar sobre éste grande instituto milenar, estive no sábado passado de “corpo e alma” no casamento da minha queridíssima prima Astrides Gomes Vieira Costa, que a minha família carinhosamente apelida “Antchontchi”, com o Bernardino Ambrosio da Costa. Foi uma cerimónia bonita, tal como o amor incondicional que ambos têm evidenciado ao longo de todo este tempo. Acompanhei, desde o início, o percurso da minha prima “Antchontchi” até quando deixei a nossa cidade natal, Bissau, para o exterior do país. Sempre fomos próximos, não obstante eu ser consideravelmente mais velho. Fomos incontidos os mesmos princípios, valores e forma de estar e encarar os desafios da vida. Recebemos, em suma, praticamente a mesma educação. Por isso, na minha intervenção, na cerimónia, lembrei do nobre legado da nossa família que sempre apostou seriamente na nossa educação, formação, qualificação  e afirmação como homens e mulheres dignos de qualquer sociedade em que estamos inseridos (LER), bem como os pressupostos intrínsecos e irrenunciáveis que devem caracterizar um casamento bem-sucedido e a sentida ausência dos país da minha prima na festa, nomeadamente Duarte Vieira (“Duvi”) e a saudosa Teresa Gomes. E, por fim, invoquei a bênção Divina sobre a minha prima e o seu marido, fazendo votos que sejam eternamente felizes no seu lar para a imensa alegria e satisfação de toda a nossa família. Tenham mesmo, prima “Antchontchi” e cunhado Bernardino, um casamento frutuoso e feliz em todas as dimensões da vida. Que assim seja. 



[1] Concílio Ecuménico Vaticano II [Documentos Conciliares e Pontifícios], p. 381 e 382, Editorial A. O – Braga. 

Um Dia, Um Aniversariante


O Pastor Marcos Mendes Ferraz faz anos hoje. Foi meu Professor no Seminário Teológico Baptista (STB) e na Escola Bíblica Dominical da nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora (IEBA). É actualmente meu Pastor na referida congregação (LER)

Muitos parabéns e feliz aniversário, estimado Pastor Marcos Mendes Ferraz. Votos de ricas e poderosas bênçãos terreno-celestiais na Graça e Paz do nosso Salvador Jesus Cristo. Todas as felicidades do tempo e da eternidade. 

Desculpa Esfarrapada do Primeiro-ministro Sobre as Nomeações


O comunicado de gabinete do Primeiro-ministro sobre as descabidas nomeações dos últimos dias não passa de desculpa esfarrapada (LER). É tentar justificar o injustificável. Não convence, por isso, ninguém. Só pode convencer aqueles guineenses que não querem realmente enxergar a realidade. Mesmo que parte dos tais conselheiros ou assessores do Primeiro-ministro não vão receber nenhum tostão, tal como veicula de forma ludibriada o comunicado em apreço, é já por si um péssimo augúrio, uma vez que está a criar novamente clima propício para o tráfico de influências e corrupção generalizada dentro do aparelho de Estado. E mais, insisto, porque é que tem de ser sempre nomeado os mesmos nomes do costume que nunca fizeram absolutamente nada em concreto para o país? Não havia outras pessoas no país que poderiam ocupar as referidas funções? 

Caro senhor Primeiro-ministro, estamos fartos de despachos e nomeações de afinidades que não refletem positivamente na vida dos guineenses. Estamos ainda fartos da vossa falta de sentido de Estado e manifesta insensibilidade para com as situações dramáticas que a generalidade do nosso povo vive diariamente. Os despachos que, de facto, queremos ver sair do seu punho são os de corte nos exorbitantes salários e regalias de altas figuras do Estado e dos governantes em geral, bem como no congelamento de viagens desnecessárias, compras infundadas de viaturas e reajustamento salarial na função pública, isto é, o aumento do mísero vencimento dos servidores públicos. Estes despachos, sim, ansiámo-los a cada dia que passa. Vamos todos aplaudir o governo no dia que os tirar.  São, no entanto, bastante fáceis de produzir. Basta acertar bem com a coligação que agora sustenta o governo e juntos submeterem um projecto de lei na Assembleia Nacional Popular neste sentido e mais nada. Todos os demais despachos que extravasam este raio da acção não queremos, senhor Primeiro-ministro. Não queremos mesmo, por favor. 

Menos Despachos de Tachos e Mais Trabalho


Os governantes guineenses parecem mesmo que não se enxergam. Não sabem lidar minimamente com o poder e os seus encantos. Deslumbram-se facilmente com ele e com todos os benefícios que encerra. Não sabem, acima de tudo, aprender com os erros do passado. Governam mais a pensar nos seus respectivos umbigos e no dos seus correlegionários do que propriamente no sofrido povo. E depois quando temos “o caldo entornado” querem arrastar todo mundo para o problema e usar, inclusive, de forma oportuna e despudorada, o povo na confusão que os próprios deliberadamente criaram. No entanto, quando está tudo “às mil maravilhas” não se lembram literalmente do povo. É o mesmo truque de sempre que este governo está novamente a ensaiar sorrateiramente a menos de poucos dias de tomar o poder. Começou muito mal e está a fazer já tudo mal. Os últimos sucessivos despachos de nomeações, excepto no que toca a nomeação do Engenheiro Domingos Simões Pereira, são exemplos manifestos de curtu sintidu” dos nossos governantes. 

Nesta altura do “campeonato” qual é a necessidade do Primeiro-ministro ter assim quantidades de conselheiros no seu gabinete? Que benefícios concretos isto terá no desenvolvimento do país? Faz assim tanta falta estes conselheiros? Porque é que tem de ser sempre os mesmos nomes do costume que nunca fizeram absoluta nada em concreto para o país? O país tem, porventura, bastante recursos financeiros para suportar os elevados salários e mordomias destes conselheiros? Em caso afirmativo: porquê que o governo não canaliza esta dotação financeira para os funcionários públicos? Querem que os sindicatos compreendam que o país está numa urgência financeira e na bancarrota, contudo o próprio governo não dá exemplo na contenção orçamental. Os servidores públicos são pedidos patrioticamente sacrifícios, enquanto que os próprios governantes vivem à grande e à francesa (um autêntico paradoxo!). 

Estes sucessivos despachos de nomeações descabidas consubstanciam manifestamente o nepotismo, o compadrio, os tachos para os mesmos de sempre, o esbanjamento gratuito do erário público e, em última instância, a corrupção no aparelho do Estado. E depois dizem que não vos deixaram governar... 24 de Novembro ká lundjú gora

Mulheres: A Luta Por Um Lugar na História


Na semana passada fez-se História no meu país, a Guiné-Bissau (VER). Pela primeira vez temos os mesmos números de mulheres e homens a ocuparem cargos ministeriais, isto é, oito por cada, superando assim a margem da recente lei de quota de 36% aprovada de forma unânime na Assembleia Nacional Popular (ALI) e (AQUI). Este extraordinário feito catapultou a Guiné-Bissau para os lugares cimeiros como sendo exemplo a seguir da boa integração das mulheres na acção governativa em África e no mundo em geral (contam-se pelos dedos de uma mão os países que respeitam, de facto, a paridade de géneros nos governos). 

Mesmo assim, com este gigantesco passo do meu país na emancipação feminina, não devemos ficar iludidos com sol de pouca dura. Há ainda muitas barreiras, preconceitos generalizados e descriminações infundadas para com as nossas inofensivas mulheres que devem ser extraídas. O país, para infelicidade nossa, continua ainda a ser governado exclusivamente pelos homens. Todos os órgãos da soberania estão sob alçada dos homens. A começar, desde logo, com o Presidente da República, o Presidente da Assembleia Nacional Popular, o Primeiro-Ministro, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Procurador Geral da República e o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas. Como se tudo isto não bastasse é o mesmo país machista que condena deliberadamente muitas meninas e mulheres as flagrantes práticas da mutilação genital feminina, o casamento forçado, a violência doméstica e a elevada taxa da mortalidade materno-infantil, etc (LER)

Por isso, apesar de registamos com enorme satisfação o sinal bastante positivo da integração das mulheres neste novo elenco governativo, continuamos a entender que é preciso ir mais além na emancipação de “nô padiduris”. Por outras palavras, é preciso deixar as mulheres conquistarem o seu devido espaço e consequentemente eliminar muitos cancros humano-sociais que continuam ainda a bloquear o nosso desenvolvimento nacional. 

As Qualificações dos Oficiais da Igreja



Os Oficiais da Igreja devem ser irrepressíveis na sua postura eclesiástica, familiar, social, relacional e em toda a sua convivência diária. Não devem ser pessoas, tal como exorta a Palavra de DEUS, dadas ao vinho, nem a levantarem conflitos ou serem interesseiras, orgulhosas, nem ter mau génio ao ponto de levarem uma vida reprovável. Devem, antes pelo contrário, ser sujeitos de boa reputação, fiéis na vida conjugal e bons pais de família, sóbrios, prudentes, equilibrados, hospitaleiros e terem capacidades suficientes para ensinar (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:6-9). Os Pastores, os diáconos e as diaconisas devem ser exemplos na comunidade e na vida fora, especialmente os Pastores. Estes não podem, em circunstância alguma, descurar a sua espiritualidade. Devem estar sempre na linha da frente na intransigente defesa da Sã Doutrina, da Ética Cristã, da Moral e dos Bons Costumes. O ministério pastoral dos Pastores não está dissociado dos seus familiares, isto é, no caso de serem casados, das suas esposas, filhos e todos aqueles que estão sob os seus cuidados. 

Por esta ordem de ideias, a mulher do Pastor deve apresentar-se com dignidade, modéstia, sem grandes penteados, nem ouro, nem jóias nem vestidos luxuosos, mas sim como convém à  mulher que se preocupa principalmente em agradar a Deus pelas boas obras (1 Timóteo 2:9-10), evitando sobretudo o pecado do  materialismo, da bisbilhotice, da murmuração,  da sensualidade e sumptuosidade. Da mesma sorte, espera-se um comportamento decente e congruente dos filhos dos Pastores com os impolutos Princípios e Valores Cristãos, uma vez que fazem parte essencial do ministério pastoral. A família Pastoral deve ser modelo para todas as famílias da Igreja – tanto na espiritualidade, na oração, no serviço aos santos, na hospitalidade, na solidariedade, na visitação e na Evangelização e Missões. A mulher do Pastor deve ser – particularmente – exemplo para toda a comunidade e concomitantemente os filhos dos Pastores, com vista a “aliviarem” o ministério do Pastor e, deste modo, colaborarem de forma edificada no ofício pastoral, livrando assim o Pastor de “não se tornar motivo de difamação nem cair na armadilha preparada pelo Diabo (1 Timóteo 3:1-9). Isto porque, como dizem as Escrituras Sagradas, “se alguém não é capaz de ser um bom chefe da sua própria família como pode assumir responsabilidades na Igreja de DEUS?” (1 Timóteo 3:1-5). Obviamente que não está habilitada para ser Pastor do rebanho do Senhor Jesus Cristo. A mesma verdade se aplica também aos diáconos, diaconisas e demais responsáveis da Igreja. 

Acontece que, por vicissitudes várias, infelizmente, tem havido uma manifesta negligência no que toca à “postura irrepreensível” que deveria nortear a família pastoral e de todos os Oficiais da Igreja. Há cada vez mais um esforço de tentar dissociar o ministério do Pastor da sua família, praticamente desvinculando a mulher do Pastor e os seus filhos como parte fundamental do referido ministério, através de um discurso tautológico aparentemente “consistente” de vitimização sobre a demasiada pressão que as comunidades colocam na família Pastoral. Apercebemo-nos claramente disso quando estávamos a estudar no Instituto Bíblico das Assembleias de DEUS e posteriormente no Seminário Teológico Baptista, bem como nas conversas que temos mantido com inúmeros Pastores e Líderes de várias denominações Evangélico-protestantes. Jamais poderemos compactuar com este discurso redutor e sem qualquer sustentáculo bíblico. 

É verdade que o Diabo tem usado muitas pessoas na Igreja para propositadamente caluniar, humilhar, magoar e ofender o Pastor e a sua família. Também é verdade que, nalgumas igrejas, tem havido uma agenda direcionada a colocar em causa a reputação da família pastoral, através de suspeitas infundadas, maledicências, inverdades grosseiras e toda a sorte de ataques vis contra o bom nome do Pastor e da sua família. É verdade ainda que há uma utópica visão dos Cristãos que julgam que a família Pastoral deve ser perfeitíssima em tudo, sem possibilidade de humanamente falhar. Qualquer recaída é motivo para colocar logo em causa todo o bom trabalho e reputação do Pastor. Não estamos a desvalorizar tais subjacentes realidades nas nossas congregações e, nem tão pouco, as pressões descabidas que parte significativa dos Pastores e as suas famílias vivem. Estamos plenamente cientes disso. No entanto, esses ataques do adversário fazem parte do ministério pastoral e a família do Pastor deve saber muito bem conviver com eles, procurando na medida do possível não ofender a consciência dos ímpios e nem da igreja de DEUS. Ser, acima de tudo, delicado para com todos, não pelo seu interesse, mas pelo bem de todos, para que possam salvar-se (1 Coríntios 10:32-33)Por isso, o Pastor “deve tratar toda a gente com delicadeza, deve saber ensinar e ser capaz de suportar o mal. Deve saber corrigir os seus adversários com mansidão, pois talvez Deus os leve a arrependerem-se para reconhecerem a verdade. E assim escapam da armadilha do Demónio que os traz amarrados para fazerem o que ele quer (2 Timóteo 2:24-26). E tudo isto passa, em última instância, por  Pastor ser um exemplo de testemunho para todos os fiéis, juntamente com toda a sua família. Eis o maior e melhor remédio para todas essas artimanhas do Diabo. Que assim seja.  

As Expectativas Sobre o Novo Governo da Guiné Bissau e os Possíveis Cenários das Eleições Presidências



Partilho novamente o sucinto vídeo que gravei há bocado sobre o fim da Crise e as Expectativas sobre o novo governo que tomou posse ontem, bem como os possíveis cenários das eleições Presidências. Tenha um bom proveito na visualização. Boa noite.  

Chegou a Hora de Entrar em Pânico


É a hora de entrar em pânico. O Planeta está a aquecer, com efeitos catastróficos. Perante os sinais dramáticos do aquecimento global, o medo pode ser a nossa salvação (LER)

Os Paradoxos do Protestantismo


Os meios evangélico-tradicionais não enfatizam o bastante a virtude da oração. Não promovem os cultos comunitários de jejuns e vigílias. Ora-se muito pouco. O jejum e as vigílias são realidades praticamente inexistentes nestes círculos Cristãos o que, de todo, é um erro crasso. Uma falha mesmo gravíssima. Fala-se da oração sempre de uma forma abstrata e amiúde superficial, remetendo-a mais – subsidiariamente – para o domínio subjectivo. Não realçam fervorosamente o poderio incontornável e impacto real da oração na vida dos santos de DEUS, máxime o seu impulso catalisador na coesão e dinamismo dos ministérios da Igreja e no avanço da obra missionária (LER). As Igrejas, infelizmente, não oram. Há, digamos assim, uma notória insensibilidade e alheamento deliberado no que toca à oração, jejum e vigílias nestes conservadores meios evangélico-protestantes, diferentemente dos círculos pentecostais. Os pentecostais nestes pontos são irrepreensíveis. São meios que priorizam manifestamente a oração, jejum e vigílias. Estas salutares realidades espirituais fazem parte do seu substrato identitário. Os meios tradicionais falam pontualmente da oração e, em consequência disso, oram bastante pouco. Do jejum e vigílias então nem sequer falaremos. 

Toda esta insensibilidade, com a oração nos meios tradicionais, tem alguma explicação. Desde logo, são meios precursores da Reforma Protestante do séc. XVI, em que esta se baseava exclusivamente em distanciar-se das práticas heréticas da Igreja Católica Romana, liderada mormente por um leque de reputados teólogos e doutores da Igreja que conseguiram fazer triunfar a Reforma (LER). Com isso, acabaram por libertar parte significativa dos crentes do obscurantismo teológico a que a Igreja Católica lhes votava, passando assim a enfatizar manifestamente o princípio bíblico do “sacerdócio universal” dos Cristãos e o estudo rigoroso da Palavra de DEUS para responder satisfatoriamente o referido desafio espiritual, dando mais primazia ao estudo meticuloso das Escrituras Sagradas e à sua hermenêutica. Tanto que, por esta razão, até à data presente, há uma consciência bem apurada nestes meios tradicionais do valor importante, imprescindível e irrenunciável do conhecimento da Palavra de DEUS, porque assim foram moldados desde o começo. São Igrejas que investem consideravelmente na formação dos seus Pastores, obreiros, líderes e nas suas congregações em geral, através de conceituadas Escolas de Profetas, riquíssimas ofertas da literatura Cristã, pregações de excelência e ensino doutrinário consistente (LER). No entanto, descuram a virtude da oração. Concebem que o conhecimento da Palavra – só por si – é suficiente para o triunfo da vida Cristã, levando-os a dar menor relevância à oração. Será que podemos dissociar o genuíno conhecimento da Palavra de DEUS com a oração? Obviamente que não. 

Se é verdade que os meios tradicionais do protestantismo negligenciam a oração nas suas actividades eclesiásticas, da mesma sorte os pentecostais-carismáticos descuram flagrantemente o estudo sério da Palavra de DEUS. Não encorajam muito a preparação cuidada e aprofundada da Teologia. O estudo demorado das Escrituras Sagradas é entendido equivocadamente como sendo um “descartar” da acção poderosa do Espírito Santo. Os cultos acabam por esgotar-se meramente em reiteradas exortações, falar em línguas, profecias, milagres e curas. A generalidade dos Pastores, nestes meios, não tem a mínima formação formal em Teologia e os que têm evidenciam um défice acentuado na Palavra, ou melhor, são muito mal preparados. Por conseguinte, são meios onde se propagam cada vez mais as heresias destruidoras de vidas humanas, que se vai consubstanciando em “outro evangelho” (o da prosperidade, bem entendido). 

Também esta realidade dos meios pentecostais-carismáticos tem alguma explicação. O pentecostalismo moderno floresceu nos EUA no sec. XX, com o afro americano William Joseph Seymour, através do ressurgimento de glossolalia. O movimento surgiu num círculo fechado de oração e de grande avivamento espiritual, que se vai traduzindo naquilo que apelidam de “baptismo do Espírito Santo”, isto é, a capacidade de falar línguas estranhas, tal como aconteceu com a vinda do Espírito Santo – depois da ascensão aos céus do Senhor Jesus Cristo (Actos 2:1-13). Esta é a razão pela qual as Igrejas Pentecostais-carismáticas enfatizam bastante a oração, o Baptismo do Espírito Santo, o dom de línguas e de curas, porque fazem parte do seu substrato identitário. A questão, igualmente, que se coloca é a seguinte: pode dissociar-se a oração do conhecimento da Palavra de DEUS? A resposta é, sem dúvida, não. 

Por toda essa insuficiência Teológica, as denominações evangélicas protestantes confrontam-se com seríssimos problemas, pois há uma “parcialização teológica” de todos os lados daquilo que deveria ser holisticamente a essência da Igreja do Senhor Jesus Cristo no “presente século mau”, tal como preceituado nas Escrituras Sagradas. Os meios evangélicos tradicionais não enfatizam a oração, a vigília e o jejum, insistimos, razão pela qual as suas congregações enfrentam problemas de falta de obreiros, o racionalismo teológico, a indolência com a Evangelização e Missões e estagnação a nível do crescimento. Ao passo que os meios pentecostais-carismáticos se tornaram denominações férteis para os “vendilhões do Templo” e de toda a sorte da heresia e escândalos espirituais sem precedentes (LER), uma vez que não se aplicam seriamente no conhecimento aprofundado da Palavra de DEUS. Um autêntico dilema que somente a graça de DEUS nos pode ajudar a ultrapassar. 

A oração, em suma, só faz sentido com o conhecimento da Palavra de DEUS e vice-versa. As duas realidades são concomitantemente intrínsecas e indissociáveis uma da outra no plano da salvação. Usemos, pois, sem qualquer tipo de hesitação, as duas poderosíssimas ferramentas espirituais para a nossa edificação, da Igreja do Senhor Jesus Cristo e do mundo em geral. Que assim seja. 

Patriotismo ou Hipocrisia?


Tenho sérias dúvidas e dificuldades em admitir que o guineense é mesmo patriótico, tal como faz questão de transparecer no seu quotidiano. Se tivesse realmente amor à pátria o nosso país não estaria seguramente na deplorável situação de miséria em que se encontra ao longo dos anos. Por isso, a efusiva manifestação de patriotismo por parte da generalidade do nosso povo não passa de uma autêntica arte da hipocrisia para ludibriar os menos atentos ou uma mera ignorância da realidade. Colocar o simbólico lenço da bandeira no pescoço e proclamar publicamente para todos os cantos a “guineendadi” não consubstancia o patriotismo. Ser patriota é muito mais que isso. É ter um genuíno amor pela pátria e defendê-la até às últimas consequências da subjugação, do abuso, da infâmia, da humilhação, da arbitrariedade, da tirania e da pobreza, etc. Não vale nada um povo que não sabe defender a honra da sua pátria, dizia um ilustre pensador. E para defender a honra da pátria isto remete-nos indubitavelmente em defesa dos nobres Valores da Democracia Participativa e o cumprimento efectivo dos mesmos, contando com o manifesto apoio dos nativos do país. Acontece que, para infelicidade nossa, este intento não tem estado a ser materializado na Guiné-Bissau por causa de “cabalindadi” dos nossos políticos e governantes em particular. 

Por conseguinte, este patriotismo tautológico em torno da nossa selecção de futebol no CAN do Egipto é o reflexo da hipocrisia e ingenuidade que caracterizam a maioria dos guineenses. Como é que se pode vibrar neste momento com os “Djurtus”, sabendo que o nosso país está refém e corre sérios riscos de vir a entrar numa convulsão? Há razões justificáveis para estar assim tão mobilizados em torno do CAN e, ao mesmo tempo, estar a assistir indiferentemente às nossas crianças barradas à Escola e muitas pessoas pobres a morrerem nos hospitais? O futebol é mais importante do que a Democracia e acção governativa? O futebol pode assim melhorar a nossa qualidade de vida e dar-nos prestígio que não conseguimos obter no campo político-governativo? Se os guineenses são assim patriotas, porque deixaram o Presidente Cessante condicionar ainda o nosso futuro colectivo, colocando em causa as vidas de muitos dos nossos inofensivos concidadãos? 

Alguns, antecipando possíveis respostas, certamente dir-me-ão que uma coisa não tem nada a ver com a outra e o desporto sempre foi agregador em toda a parte do mundo. A meu ver, sem dúvida, tudo tem a ver. É um corolário axiológico. O futebol só é autenticamente agregador quando um país assegura o mínimo indispensável para a sua sobrevivência e manutenção, que não é o caso da Guiné-Bissau. Nada, neste momento, está a funcionar no nosso país. Está tudo parado. O aparelho de Estado está paralisado, com as graves implicações humano-socais que isto acarreta na vida e sobrevivência da generalidade dos guineenses. Temos pessoas a passarem fome e em situações de grandes aflições. Onde é que está, então, a razão suficiente para estar contente com os “Djurtus” e ficar eufórico com a sua prestação futebolística? É a isto que chamam patriotismo? Se realmente é a isto que chamam de patriotismo, tal como deduzo ser a convicção enraizada da parte significativa dos guineenses, não contem comigo.  Estou fora disso. Mesmo fora. Roubem-me o esforço e a tranquilidade; a dignidade e o bom senso é que não! 

A Mulher e os Livros


Ponho hoje um ponto final na série de publicações “A Mulher e os Livros” –  depois de longos e ininterruptos cinco anos a retratar as várias facetas, origens e faixas etárias de “nô padiduris” (VER). Escolhi deliberadamente as mulheres para retratar, tendo em conta o meu intrínseco “lado feminino” – poderá, porventura, esperar-se algo diferente de um homem com quatro irmãs consanguíneas? A resposta é obviamente negativa (LER). O livro deve ao facto de ser uma das ferramentas imprescindíveis e irrenunciáveis para uma genuína emancipação de qualquer ser humano, máxime das inofensivas mulheres do jugo opressor que, infelizmente, nos dias pós-modernos, a sociedade continua insensivelmente a reduzi-las. A instrução, a cultura, a civilização, a sabedoria, a autonomia e a autodeterminação são valores que se adquirem facilmente nos livros de vários saberes humanos. Uma mulher com boa bagagem literária (boa formação, bem entendido) certamente que tem mais antídotos necessários para, de forma sábia e eficaz, fazer face aos abusos da sociedade machista e injusta a que estamos circunscritos. Dito por outras palavras, está mais habilitada a viver condignamente no mundo dos homens. 

Sem entrar mais em prolegómenos, retratar a Mulher não é tarefa fácil, uma vez que ela não pode ser delimitada por apenas uma única formulação. Por isso, na mesma esteira do pensamento, “os poetas exaltaram as qualidades, os moralistas colocaram a nu os defeitos, os publicistas discutiram os direitos, os médicos descreveram as doenças, os fisiologistas mostraram os mais íntimos segredos da sua organização”, escrevia peremptoriamente Cérise. Mesmo assim, a mulher será sempre mulher independentemente do estudo realizado e do juízo formado a seu respeito no contexto em que esteja inserida. Ela será sempre o mistério vivente, por virtude do qual o homem nasce, vive e morre. Eis, em última instância, a verdadeira definição e encarnação da Mulher na sua multiforme configuração antropológica. 

A Arbitrária Decisão do Presidente da República


O nosso Presidente da República tomou ontem a sua pior decisão político-governativa ao recusar nomear pela segunda vez, sem fundamentos plausíveis, o nome indicado pelo partido vencedor das eleições legislativas, fazendo assim uma interpretação abusiva das suas prerrogativas constitucionais, nomeadamente o artigo 68.º alínea g). Versa o referido preceito constitucional que o Presidente da República deve “nomear e exonerar o Primeiro-Ministro, tendo em conta os resultados eleitorais e ouvidas as forças políticas representadas na Assembleia Nacional Popular”. Este artigo não está a bel-prazer do senhor Presidente para fazer o que bem entender com ele e, muito menos, impor a sua despótica vontade para ajustar contas com os seus adversários políticos. A sua teleologia é pensada para salvaguardar, em última instância, a autoridade do poder, evitando assim a “instrumentalização” da acção governativa por parte dos partidos políticos, máxime dos candidatos que não dispõem de capacidade cognitiva, ética, moral e política suficientes para ocupar o cargo de Primeiro-ministro. A aceitação ou não de um nome para Primeiro-ministro deve ser revestida de argumentos convincentes e inquestionáveis do ponto de vista da juridicidade. 

Ora, infelizmente, não foi isso que aconteceu ontem com a recusa liminar do nome do Engenheiro Domingos Simões Pereira. O Presidente da República limitou-se apenas a usar argumentos espúrios e conceitos indeterminados para fazer valer abusivamente a sua posição pessoal à margem da nossa Constituição, defraudando assim, de forma manifesta e flagrante, as legítimas expectativas da generalidade dos guineenses que votaram no partido vencedor para ver o seu líder como o Primeiro-ministro do país. Desde logo, o Engenheiro Domingos Simões não é um homem incompetente, não é inabilitado, não sofre de anomalias psíquicas, não foi condenado por corrupção com o processo transitado em julgado. Antes pelo contrário, é um homem altamente qualificado e com larga experiência político-governativa ao longo dos anos e um dos maiores activos e reputados políticos de que a Guiné-Bissau dispõe actualmente. Por que razão ele não pode ocupar o cargo de Primeiro-ministro, senhor Presidente? Não é, porventura, guineense? Ou por terem diferendos pessoais? E onde fica a “postura de estadista” que se impõe a um Presidente da República e os valores da Democracia Participativa? 

Espero, de facto, que o partido vencedor e a maioria parlamentar não arredem os pés para conformar-se com esta arbitrária, infundada e injusta decisão do senhor Presidente da República, que carece de base jurídico-constitucional, lutando democraticamente até às últimas consequências. 

O Grande Mistério da Fé que Ininterruptamente Proclamamos


“O mistério da fé que proclamamos é realmente grande: 
Cristo manifestou-se como homem, 
foi proclamado justo pelo Espírito, 
foi contemplado pelos anjos, 
foi anunciado entre os não-judeus, 
foi aceite com fé pela Humanidade 
e foi enaltecido com glória[1]. Aleluia!  



[1] (Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, 1 Timóteo 3:16, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

A PALAVRA DO SENHOR (29): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Pedro aproximou-se então de Jesus e fez-lhe esta pergunta: «Senhor, quantas vezes devo perdoar ao meu irmão, se ele continuar a ofender-me? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não até sete, mas até setenta vezes sete! 

Por isso, o reino dos céus pode comparar-se a um rei que decidiu arrumar as contas com os seus administradores. Quando começou a conferir as dívidas, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme quantia. Como este não tinha com que restituir, o rei deu ordens para que ele, a mulher e os filhos, e tudo quanto tinha, fossem vendidos para pagar a dívida. O tal homem pôs-se então de joelhos diante do rei e pediu: “Tem paciência comigo que eu vou restituir tudo.” O rei teve tanta pena dele que lhe perdoou a dívida e o deixou ir em liberdade. Mas quando este mesmo homem ia a sair, encontrou um colega que lhe devia algumas moedas. Deitou-lhe as mãos ao pescoço, começou a afogá-lo e dizia: “Paga-me o que me deves!” O companheiro lançou-se-lhe aos pés e suplicou: “Tem paciência comigo que eu vou restituir tudo.” Mas o outro não quis esperar. Pelo contrário, mandou meter o companheiro na cadeia até pagar a dívida. 

Quando os outros colegas viram o que se tinha passado ficaram muito tristes e foram contar tudo ao rei, seu senhor. Então o rei mandou chamar esse administrador e disse-lhe: “Servo malvado! Eu perdoei-te a dívida toda, porque mo pediste. Não devias tu ser compreensivo para com o teu companheiro como eu fui compreensivo para contigo?” E o rei ficou tão zangado com aquele servo que o meteu na prisão para ser castigado, até restituir tudo quanto devia. 

Assim também vos há de tratar o meu Pai do Céu, se cada um de vocês não perdoar de boa mente ao seu irmão[1].»”  


[1] (O Senhor Jesus Cristo, in A Bíblia Sagrada, Mateus 18:21-35, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

As Redes Sociais: Um Mundo Perigoso de se Estar


Assusta-me imenso o pântano em que as Redes Sociais se converteram. É um espaço onde, cada vez mais, proliferam impunemente as fake news e outras inqualificáveis aberrações. Muitas notícias que circulam na “rede” ficam bastante aquém do ponto de vista da autenticidade. A começar, desde logo, por suspeitas infundadas, boatos premeditados, manipulações articuladas, calúnias desnecessárias, mentiras grosseiras, intimidações preocupantes, insultos gratuitos e flagrantes violações – com a finalidade última de arruinar a vida dos visados (LER). Assusta-me ainda mais a forma leviana e irresponsável como a generalidade dos meus patrícios guineenses estão a usar as redes sociais, especialmente os pseudo “activistas de sofá” que presunçosamente se armam inutilmente de livres “pensadores”“democratas” e “agentes de mudança”, contudo, resvalando sempre na má-língua, na desinformação e na falta de educação (LER).  As Redes Sociais são um mundo perigoso de se estar. Um mundo, de facto, bastante perigoso de se estar (LER). E dizem ainda, mesmo assim, fazendo fé a reportagem da revista The Atlantic de Washington, que não vimos nada. Que susto!

A Raiz de Todos os Males


«Quando viemos ao mundo, não trazíamos nada; e quando formos embora, também nada podemos levar. Se tivermos alguma coisa que comer e com que nos vestir, é quanto basta. Porém os que desejam enriquecer caem na tentação e na armadilha e são vítimas de muitos desejos insensatos e prejudiciais, fazendo com que se afundem na ruína e na perdição. A raiz de todos os males é a ganância do dinheiro. Levados por ela, muitos perderam a fé e meteram-se em grandes aflições»[1].


[1] (Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, 1 Timóteo 6:7-10, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

Um Dia, Um Aniversariante


Não podia deixar terminar o dia sem, no entanto, reiterar publicamente aqui os meus votos de parabéns ao nosso grande Gastrónomo Rogério Bastos (ALI) e  (AQUI). Que o Todo-poderoso DEUS, estimado amigo e irmão na fé, te abençoe do ponto de vista espiritual, familiar, relacional, profissional, social e tudo quanto fazes. Muitas felicidades com a promessa Divina do Salmo 91:1-16! 

Fábula Guineense: O Jagudi e o Falcão


“À sombra duma árvore, um alto poilão secular descansa tranquilo um Jagudi (abutre). No mesmo ramo em que ele assenta, caiado pelos dejectos brancos de tantos que por ali passaram, veio pousar um falcão. Depois de trocarem cumprimentos, o falcão sempre palreiro e irrequieto, increpou o jagudi de desprezível, de cobarde, madraceiro e quantos nomes lhe acudiram à sua cabeça, louca e leviana. Chamou-o e tornou-o a chamar o ser mais miserável da criação. 
O Jagudi, paciente, ouviu tudo e não teve o mínimo gesto de protesto, de indignação sequer. Nisto, porém, em grande velocidade, passou entre os dois uma avesita de penas multicores. 
Doido, desordenado, o falcão lançou-se em perseguição da ave; mas tão desastradamente o fez, que, de encontro a um tronco robusto foi bater em cheio com o peito. Louco, cheio de dor, piando e repiando, caiu ao chão, exânime, sobre as folhas secas. 
Nesta altura, o abutre, lentamente, levanta o vôo e vai poisar sereno, junto ao moribundo. O falcão, nas vascas da agonia, ainda poude ver, a seu lado, cheio de horror, a silhueta tenebrosa e agoirenta do jagudi. E trémulo perguntou: 
– Que vens aqui fazer? 
Grave e imperturbável, o abutre respondeu: 
– Aguardo o teu fim.”  

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(Citado ilustrativamente por Álvaro Nóbrega, in “A Luta pelo Poder na Guiné-Bissau”, p. 23, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, 2003). 

A Fronteira entre a Prostituição, Violação e Pedofilia na Guiné-Bissau



Partilho aqui o vídeo do debate que tive no ano passado com a nossa “Dama de Ferro” Sali Mané Semedo, sob o tema: “Qual é a Fronteira entre a Prostituição, Violação e Pedofilia na Guiné-Bissau?” A fronteira é bastante ténue. Por isso, procurei fazer um enquadramento cultural daquilo que é a mundividência da sociedade guineense sobre as três complexas realidades. Na temática da prostituição fiz a destrinça entre a prostituição num conceito lato sensu e o lenocínio. Na violação abordei a problemática de “bafa mindjer”, os apalpões com que, infelizmente, algumas mulheres se confrontam no espaço público e o assédio sexual (tanto no plano laboral como no plano social), demonstrando que a sociedade guineense não concebe os dois últimos como crimes, isto é, os apalpões e o assédio sexual. 

Já na questão da Pedofilia, que foi a parte que mais gerou querelas dos intervenientes, falei das implicações jurídicas da idade da maioridade civil, a idade de consentimento sexual e a maioridade sexual, bem como a definição que a sociedade guineense atribui à pedofilia, concluindo que a envolvência sexual com as ditas “catorzinhas” não consubstanciam, na nossa sociedade, um acto de pedofilia, tal como é entendido na generalidade do mundo Ocidental. Isto porque, a autodeterminação sexual, na sociedade guineense, afere-se com as transformações fisiológicas que os meninos e as meninas vão tendo no seu percurso de vida. Naqueles através do aparecimento de pelos púbicos e alteração da voz. Nestas com o período da menstruação e as mudanças significativas que se vão notando no seu corpo, máxime na protuberância dos seios, etc. São factores que determinam a sexualidade na sociedade guineense (a autodeterminação sexual, bem entendido) e não propriamente uma idade em concreto para qualificar um menino ou uma menina como sendo livre de decidir com quem queira manter uma relação sexual. Partindo destas matrizes culturais e  pressupostos valorativos, razão pela qual, nesta fase, o usufruto sexual não é qualificado como sendo crime de pedofilia. 

Obviamente que esta concepção é passível de vários questionamentos, tal como manifestei veemente no vídeo em apreço. Sou, inteiramente, e sem qualquer tipo de reservas, contra esta redutora forma de estar e encarar a vida. No entanto é, infelizmente, a nossa realidade. Por isso, a prática das “catorzinhas” é amplamente tolerada no nosso país. Sem entrar mais em prolegómenos, disse mais coisas que poderão ouvir no vídeo e tirar também as vossas ilações. Tenham um bom proveito. Obrigado.