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A Igreja do Senhor Jesus Cristo no Mundo de Hoje

Estou, desde segunda-feira, a convite da Primeira Igreja Evangélica Guineense em Portugal – Queluz, a ministrar, por via online, a Escola Bíblica de Férias (EBF), diariamente, a partir das 21h00 e até às 22h00, seguindo-se um período destinado às perguntas e respostas. O tema que estamos a estudar é “A Igreja do Senhor Jesus Cristo no Mundo de Hoje”, tendo como texto-base o Evangelho segundo João 17:1-26. 

Esta parcela da Escola Bíblica de Férias tem a duração de uma semana, terminando no próximo domingo, dia em que estarei igualmente presente para pregar, presencialmente, no culto dominical da referida Igreja-irmã. 

Temos empreendido um estudo minucioso sobre a problemática teológica da salvação, a segurança da salvação dos filhos de Deus, a Igreja e o seu papel no mundo, bem como a santidade e a unidade da Igreja, seladas pelo poder do Espírito Santo e constituídas em armaduras poderosíssimas para enfrentar e derrotar o mal neste mundo hostil, onde reina o pecado, consubstanciado na incredulidade, na injustiça, na violência, na imoralidade, na maldade e na malignidade, entre outras manifestações diabólicas. 

A Igreja do Senhor Jesus Cristo é chamada a viver neste mundo hostil e perigoso, dando um vigoroso testemunho da fé e proclamando o Evangelho da graça e da salvação, sem jamais comprometer os seus sublimes princípios e valores divinos. 

No entanto, sabemos que a Igreja tem enfrentado grandes desafios nos dias de hoje que, de alguma forma, acabam por dificultar imenso a sua vigorosa afirmação missionária, tendo em conta a considerável influência do mundanismo no seu seio. Desde logo, deparamo-nos com a descaracterização de uma parte da sua liderança, cujos membros se encontram mais comprometidos com as coisas deste mundo do que propriamente com o serviço fiel à Igreja do Senhor Jesus Cristo; com as heresias destruidoras de vidas humanas; com o evangelho da prosperidade; com a corrupção sexual, moral e financeira que a constrange; com o sincretismo religioso, que se traduz em práticas de ocultismo, feitiçaria e pactos satânicos; com a falta de compromisso com a Evangelização e as Missões; com o alheamento de uma vida devotada e santificada; com o sectarismo e a desunião; e, por fim, com o apedeutismo e o relativismo bíblicos, entre tantos outros males. 

São, a nosso ver, alguns dos grandes desafios pós-modernos que se colocam à Igreja do Senhor Jesus Cristo. Para nossa grande tristeza, ela tornou-se, em determinados contextos, uma espécie de mercantilismo de ilusões, onde os valores materialistas e o evangelho da prosperidade são enfatizados e explorados até à exaustão, em detrimento da genuína conversão, da santidade e de uma vida Cristã verdadeiramente comprometida com os impolutos Princípios do Evangelho. 

São precisamente estes grandes desafios eclesiásticos que continuaremos a explorar nesta Escola Bíblica de Férias, à luz da Oração Sacerdotal do Senhor Jesus Cristo, procurando ensinar, despertar, exortar, aconselhar, mobilizar e convocar, com a ajuda e sob o poder do Espírito Santo, a Igreja para o cumprimento fiel da sua sagrada vocação e Missão no mundo de hoje. Que assim seja. 

Domingos Simões Pereira: Estará a Repetir-se a Tragédia de Amílcar Cabral?

Hoje é um dia profundamente triste e sombrio para a Guiné-Bissau. A prisão abusiva e manifestamente injusta do Engenheiro Domingos Simões Pereira (DSP) representa, simbolicamente, a prisão de todos os bons filhos da nossa pátria, em particular daqueles que, de forma inabalável, defendem a liberdade, a democracia, a justiça e o primado do Estado de direito (LER)

Domingos Simões Pereira está, paulatinamente, a ser sacrificado no altar da cólera, da inveja, do ódio, da vingança, da iniquidade, do terror, da perversidade e da malignidade daqueles que fizeram da violência e da arbitrariedade instrumentos de exercício do poder na Guiné-Bissau. 

Os mesmos que demonstraram a sua manifesta incompetência governativa, que chegaram ao poder por via golpista e que foram inequivocamente rejeitados pelo povo guineense nas urnas, perante a agenda reformista e progressista defendida por Domingos Simões Pereira, são precisamente aqueles que, recorrendo às armas do medo, da intimidação e do terror, procuram, a todo o custo, eliminá-lo da vida política e, receia-se, até da própria vida. 

Há muito que tenho vindo a denunciar publicamente, à semelhança de outros cidadãos guineenses, a existência de um plano cuidadosamente arquitetado por Umaro Sissoco Embaló e pelos seus aliados golpistas com o propósito deliberado de atentar contra a vida do Engenheiro Domingos Simões Pereira, tal como sucedeu com o Engenheiro Amílcar Lopes Cabral (LER). Esta denúncia encontra-se amplamente documentada em diversas publicações que tenho vindo a divulgar nas redes sociais, encontrando particular expressão no excerto de dois vídeos incorporados na presente publicação: o primeiro gravado no final do ano passado e o segundo no início do presente ano, ambos ilustrativos daquilo que, há muito, venho publicamente denunciando. 

A situação que hoje envolve o Engenheiro Domingos Simões Pereira apresenta evidentes paralelismos com aquela que envolveu o Engenheiro Amílcar Cabral. DSP é um homem humilde, afável, altamente qualificado e detentor de uma vasta experiência política e governativa. É, indiscutivelmente, um dos mais competentes quadros e dos mais prestigiados líderes políticos que a Guiné-Bissau possui, beneficiando de amplo reconhecimento e credibilidade no plano internacional. 

Apesar disso, os seus adversários persistem na construção de narrativas falsas e difamatórias destinadas a destruir a sua imagem pública. Entre essas acusações figuram a alegação de que não gosta dos muçulmanos nem das populações do interior do país, bem como a imputação de práticas de corrupção e da intenção de alienar as riquezas nacionais a interesses estrangeiros. Foi, em larga medida, devido à disseminação sistemática dessas narrativas que Domingos Simões Pereira viu frustradas, por duas vezes, as suas legítimas aspirações ao exercício do poder. 

O Engenheiro Domingos Simões Pereira não é apenas alvo da hostilidade de cidadãos menos esclarecidos, facilmente influenciáveis por boatos e campanhas de desinformação. Também em determinados sectores mais instruídos da sociedade existe uma crescente aversão à sua figura política. Esta verdadeira “Domingos-fobia” resulta, em larga medida, da inveja, do ressentimento e do ódio que frequentemente recaem sobre aqueles que se distinguem pela sua inteligência, competência e visão reformista. 

Infelizmente, uma parte significativa da sociedade guineense tende a olhar com desconfiança para homens e mulheres intelectualmente preparados, portadores de ideais progressistas, dotados de elevado sentido de Estado e genuinamente comprometidos com o desenvolvimento nacional. Quem reúne essas qualidades transforma-se, quase inevitavelmente, num alvo a eliminar política e fisicamente. 

Assim aconteceu com o Engenheiro Amílcar Cabral e, hoje, procura repetir-se o mesmo padrão em relação ao Engenheiro Domingos Simões Pereira, numa tentativa de afastar definitivamente um dos principais defensores da democracia guineense e, desse modo, consolidar um regime de natureza ditatorial na Guiné-Bissau. 

Perante este cenário, impõe-se uma convergência nacional de esforços entre os partidos políticos, as organizações da sociedade civil e todos os homens e mulheres de “boa vontade” que acreditam na liberdade e na democracia. Torna-se imperioso mobilizar todos os meios legítimos e pacíficos ao serviço da justiça, do direito e da legalidade democrática, com o objetivo de exigir a libertação incondicional e imediata do Engenheiro Domingos Simões Pereira, bem como de todos aqueles que se encontram atualmente privados da liberdade de forma arbitrária, ilegal e manifestamente injusta na Guiné-Bissau. 

É imperioso agir com urgência para salvar o nosso país das mãos dos golpistas criminosos, antes que seja demasiado tarde e a Guiné-Bissau seja precipitada para um conflito armado de consequências potencialmente irreversíveis. Impõe-se, em última instância, travar a deriva autoritária que se apoderou do Estado, resgatando-o do jugo opressor daqueles que, pela força e pela arbitrariedade, procuram subverter a ordem democrática. 

A Guiné-Bissau precisa de justiça, de tolerância, de democracia e do respeito pelos direitos humanos. Precisa, acima de tudo, de liberdade, de paz, de unidade nacional e de progresso. É esse o caminho que deve inspirar todos os guineenses comprometidos com a construção de um país mais justo, mais livre e verdadeiramente democrático. Que assim seja. 

Será Que a Mulher Guineense é Realmente Emancipada?


Venho novamente hoje dar sequência à minha rúbrica habitual em defesa do futuro da Guiné-Bissau. Pretendo continuar nesta senda de reflexão sobre a problemática, os desafios, os dilemas, as contradições e as contrariedades que as mulheres guineenses enfrentam no seu quotidiano, aproveitando também o ensejo do mês de março, consagrado à celebração da mulher. 

O tema que trago hoje prende-se com uma questão pertinente: será que a mulher guineense é, de facto, emancipada? A minha resposta é, claramente, negativa. Não considero que a mulher guineense seja verdadeiramente emancipada. Quando falamos de emancipação, devemos ter em conta pressupostos fundamentais como a autonomia e a autodeterminação. Estes conceitos desdobram-se em várias dimensões da vida humana, começando, desde logo, pela emancipação intelectual. 

A emancipação intelectual traduz-se na capacidade de uma pessoa compreender o que está em jogo, reconhecer os interesses que a rodeiam e, a partir daí, tomar decisões mais acertadas e conscientes para a sua vida. Em suma, trata-se de decidir o próprio futuro de forma esclarecida e livre de manipulação. Assim, uma pessoa intelectualmente emancipada é capaz de fazer escolhas informadas e responsáveis. 

Ora, não considero que a generalidade das mulheres guineenses esteja intelectualmente emancipada. Tal condição exige, entre outros fatores, o acesso à educação, sendo que muitas mulheres ainda são privadas desse direito básico. A negação da instrução condiciona a liberdade, sobretudo no que diz respeito à capacidade de fazer escolhas conscientes e autónomas. Como consequência, a mulher continua, muitas vezes, a ser manipulada, instrumentalizada e relegada para um plano secundário nas relações com o homem. 

Neste contexto, a mulher guineense tende a viver em função do homem, ajustando as suas expectativas, esperanças e projetos de vida à figura masculina, frequentemente idealizada como a fonte da sua felicidade. Desde tenra idade, muitas são incutidas com a ideia de que devem encontrar um homem – de preferência poderoso e financeiramente estável – que lhes proporcione realização. Assim, a sua felicidade é frequentemente associada à presença masculina, o que limita a sua autonomia. 

Este paradigma impede a verdadeira emancipação intelectual. Uma mulher verdadeiramente emancipada não aceitaria, por exemplo, situações de abuso, violência ou violação. Contudo, verifica-se que tais práticas são, por vezes, toleradas ou até legitimadas. Recordo que, em certos contextos, comportamentos violentos eram interpretados como manifestações de amor, o que evidencia uma profunda distorção de valores. Sabemos, porém, que o amor se expressa através do respeito, do cuidado, da consideração e do afeto – nunca pela violência. 

Para além da dimensão intelectual, importa considerar a emancipação financeira. Também neste domínio, a mulher guineense, de forma geral, ainda não se encontra plenamente emancipada. Mesmo quando trabalha e aufere rendimento, persiste a ideia de que o homem deve assumir o papel de provedor principal, o que gera dependência económica. 

Essa dependência leva muitas mulheres a aceitar situações de desrespeito, traição ou violência, por receio de perder o suporte financeiro. Assim, o poder económico do homem acaba por reforçar relações desiguais, nas quais a mulher se vê condicionada a manter o silêncio ou a tolerar comportamentos prejudiciais. Mesmo entre mulheres instruídas, esta mentalidade ainda persiste, revelando que a emancipação financeira não se resume apenas à obtenção de rendimento, mas também à mudança de mentalidade. 

Outra dimensão essencial é a emancipação sexual. Neste aspeto, verifica-se igualmente que a mulher guineense ainda enfrenta fortes limitações. A sua sexualidade é frequentemente vivida em função do homem, orientada para satisfazer os seus desejos, enquanto o prazer feminino continua a ser um tabu. 

Práticas como a mutilação genital feminina constituem exemplos extremos dessa realidade, representando uma grave violação dos direitos humanos e da dignidade da mulher. Mesmo fora desses casos, muitas mulheres são socializadas para não reconhecer ou reivindicar o seu próprio prazer, sendo frequentemente estigmatizadas quando o fazem. Deste modo, a mulher continua, em muitos casos, a viver a sua sexualidade de forma condicionada, sujeita a normas sociais que favorecem o homem e reprimem a sua autonomia. 

Em suma, só se poderá falar de verdadeira emancipação da mulher guineense quando esta se concretizar nas dimensões intelectual, financeira e sexual. Estas três vertentes são fundamentais para que a mulher possa exercer plenamente a sua liberdade e autodeterminação. 

A emancipação intelectual permite-lhe compreender e decidir com consciência; a emancipação financeira liberta-a da dependência económica; e a emancipação sexual assegura-lhe o direito de viver a sua intimidade com liberdade e dignidade. 

Contudo, importa referir que, nos dias de hoje, tem-se falado cada vez mais em “empoderamento” em vez de “emancipação”. Isto porque não basta possuir, em teoria, certas condições – é necessário que a mulher tenha também a capacidade prática de agir, decidir e afirmar-se. 

Apesar de alguns progressos, sobretudo ao nível da educação, muitas mulheres continuam a viver em função do homem, acreditando que a sua felicidade depende dele. No entanto, a verdadeira felicidade reside no próprio indivíduo. As relações devem acrescentar valor, e não servir como única fonte de realização pessoal. 

Por fim, importa sublinhar que o caminho para a emancipação passa, inevitavelmente, pela educação. É através dela que se promove a consciência crítica, a autonomia e a capacidade de transformação social. Só com investimento sério na educação será possível alcançar uma sociedade mais justa, onde a mulher tenha igualdade de oportunidades, liberdade e dignidade. 

Em conclusão, considero que a mulher guineense ainda não é plenamente emancipada. Há progressos, sem dúvida, mas o caminho a percorrer continua a ser longo. É necessário continuar a lutar por uma verdadeira igualdade, onde a mulher possa exercer plenamente os seus direitos, viver com liberdade e alcançar a sua realização pessoal. 

Fico por aqui. Até uma próxima ocasião, se Deus quiser.

A Prisão do Eng.º Domingos Simões Pereira Não Pode Cair no Esquecimento

A prisão despótica do Eng.º Domingos Simões Pereira (DSP) não pode ser relegada para o alheamento e/ou para o esquecimento. Não pode transformar-se num novo “normal” em Bissau, como se nada tivesse acontecido. A sociedade guineense não pode conformar-se com esta grave injustiça cometida contra um homem que dedicou toda a sua vida ao serviço da Guiné-Bissau e, em particular, do seu povo. 

A prisão do Presidente da Assembleia Nacional Popular e líder do PAIGC, Eng.º Domingos Simões Pereira, representa, em rigor, a prisão de todos nós que lutamos diariamente contra os golpistas, narcotraficantes, traidores, bandidos, criminosos e sanguinários que capturaram o nosso país. A detenção de DSP simboliza o triunfo momentâneo da mentira sobre a verdade, da traição sobre a lealdade, do ódio sobre o amor e da tirania sobre a democracia popular. 

Por isso, é imperativo que os homens e as mulheres guineenses se levantem para exigir, de forma firme e determinada, a libertação imediata e incondicional de DSP. Onde está a direcção do PAIGC, da UDEMU, CONQUATSA e da JAAC para lutar, com todos os meios legítimos disponíveis, pela libertação do seu líder dos calabouços? Onde está a sociedade civil guineense para, de forma convergente e uníssona, insurgir-se contra o status quo da ditadura instalada no nosso país? Onde estão os bons filhos da Guiné-Bissau para erguerem, com coragem, a sua voz em defesa do Estado de Direito Democrático e, consequentemente, da libertação de todos os cidadãos injustamente detidos, incluindo DSP? 

Quem deveria estar preso não é DSP, mas sim os corruptos e malfeitores que grassam impunemente na nossa praça pública. O Eng.º Domingos Simões Pereira corre sérios riscos de vida nas mãos destes golpistas grosseiros e criminosos narcisistas. Caso nada seja feito atempadamente para garantir a sua libertação, corre-se o risco de que venha a ter o mesmo destino trágico do Eng.º Amílcar Lopes Cabral. 

O Eng.º Amílcar Lopes Cabral foi manifestamente odiado por correligionários do seu próprio partido, ao ponto de ser barbaramente assassinado, não obstante o seu profundo humanismo, elevado sentido patriótico, inteligência invulgar e sacrifício abnegado em prol da autodeterminação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Movidos pela inveja e pela luta pelo poder, mataram-no friamente, para grande desgraça do povo guineense. 

O Eng.º Domingos Simões Pereira é igualmente alvo de inveja por parte de alguns dos seus pares no partido, de colegas de formação e de certas chefias militares. Do mesmo modo, é alvo de animosidade por parte de guineenses de má-fé. Por essa razão, tem sido reiteradamente traído por inúmeras pessoas que outrora ajudou e promoveu. A sua maior força reside no facto de ser amplamente estimado pelo povo guineense e por todos os homens e mulheres de boa vontade. 

O Eng.º DSP não é apenas detestado por sectores menos esclarecidos da sociedade, mas também por alguns estratos mais instruídos. A crescente “domingosfobia” é fruto da maldade, da inveja e do ódio dirigidos contra quem procura ser competente, íntegro e progressista. O guineense típico tende a não valorizar pessoas inteligentes, portadoras de ideais revolucionários, quadros sérios e comprometidos com valores nobres e com o desenvolvimento do país. Quem revela tais qualidades humano-sociais torna-se, quase automaticamente, um alvo a abater. Assim aconteceu com o Eng.º Amílcar Lopes Cabral há quarenta e sete anos, e assim se tenta agora proceder com o Eng.º Domingos Simões Pereira (LER). Estão, dia após dia, a precipitar sorrateiramente a sua morte nos calabouços, de forma lenta e despercebida pelo povo guineense. 

Por todas estas razões, a prisão arbitrária do Eng.º Domingos Simões Pereira não pode cair no esquecimento. A sua libertação é urgente e necessária para o bem da nação guineense, custe o que custar. Não podemos vergar perante o autoritarismo dos golpistas e o abuso de poder desenfreado que estão a impor ao nosso país. A libertação inegociável de DSP constitui um imperativo nacional, essencial para a defesa da democracia e para a sua consolidação na Guiné-Bissau. 

A Falsa Data de Independência da Guiné-Bissau e o Relatório da ONU Sobre os Direitos Humanos


Partilho aqui o vídeo que gravei esta tarde, a propósito da minha rubrica semanal, “Em Defesa do Futuro da Guiné-Bissau”. Abordei apenas dois grandes temas que marcaram agenda política e social do país nesta última semana, nomeadamente a vã tentativa do revisionismo histórico por parte de Umaro Sissoko Embaló e Biaguê Na N’Tan sobre a nossa data da independência nacional, descortinando o objectivo por detrás desta perigosa adulteração da nossa história. Alertei ainda os partidos políticos pró-democracia para não caírem no engodo e “canto da sereia” de Sissoko para aceitar a marcação de eleições legislativas, mas sim devem estar unidos, firmes e determinantes em exigir exclusivamente as eleições presidenciais ainda este ano, sob pena de usar todos os mecanismos constitucionais para afastá-lo do poder depois do dia 27 de Fevereiro do próximo ano. 

E, por fim, no segundo tema, abordei o preocupante relatório das Nações Unidas divulgado na semana passada que denuncia o tráfico de seres humanos na Guiné-Bissau, sobretudo das mulheres e crianças em particular. Infelizmente, tal como é do conhecimento da generalidade dos guineenses, ser mulher e criança na Guiné-Bissau não é nada fácil. As crianças guineenses, para grande tristeza nossa, são votadas a trabalhos forçados, violência doméstica, casamento forçado, prostituição e mutilação genital feminina, sem qualquer tipo de responsabilização das pessoas que praticam tais hediondos crimes, consubstanciando uma autêntica violação de Direitos Humanos. Não há primado da lei na Guiné-Bissau, antes pelo contrário, o que prevalece é arbitrariedade, a conveniência, o abuso de poder, o costume contra legem – e com todas as implicações que tudo isto representa na vida dos cidadãos, especialmente aqueles que são mais vulneráveis. 

Tenha um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo. Boa semana. 

O Adiamento das Eleições Legislativas Por Umaro Sissoko Embalo e o Falso Governo de Unidade Nacional


Partilho aqui o vídeo que gravei no domingo passado “Em Defesa do Futuro da Guiné-Bissau. Não calhou publicá-lo ao longo destes dias todos por razões várias. Só hoje foi realmente possível a sua publicação. Nele antecipei o possível adiamento de eleições legislativas por parte de Umaro Sissoko Embaló (que veio, sem surpresas nenhumas, a confirmar anteontem), bem com descortinar todas as armadilhas perigosas que estão por detrás de tal adiantamento de eleições e o putativo governo de unidade nacional. 

Aproveitei ainda a ocasião para chamar atenção a Fernando Dias e Nuno Gomes Nabiam da postura dúbia e pouco séria que têm tido no combate contra a ditadura de Umaro Sissoko Embaló no país. Tenha um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo.  

Grande Entrevista Com a “Dama de Ferro” Sali Mané


Dentro de algumas horas, isto é, logo às 21h00 de Portugal, estarei a participar num directo no Facebook com a minha estimada amiga Sali Mané Mané (LER). Estaremos juntos a debater sobre a preocupante situação política que se vive no nosso país. A Guiné-Bissau tem, desde que Umaro Sissoko Embaló assumiu pela força armada o poder no país, resvalado numa deriva autoritária sem precedentes, colocando em causa de forma substancial os ganhos democráticos que outrora o país conquistou com bastante dor e sacrifício. 

Há permanentes abusos, violações e violências contra os guineenses por parte deste ilegítimo, incompetente, corrupto e ditatorial regime instalado no país. Há uma completa instrumentalização dos órgãos da soberania em torno de uma pessoa que, contra todas as expectativas jurídico-legais, faz e desfaz a seu bel-prazer a nossa Res Publica. Há perseguição, silenciamento, despotismo e crime organizado, envolvendo directamente os titulares dos órgãos da soberania. 

Nós, como os filhos daquela terra, que queremos o seu bem-estar e desenvolvimento, não podemos ficar indiferentes e calados perante tamanhas atrocidades e desmandos. Não podemos refugiar-nos na confortável posição da injusta “imparcialidade”, ignorando deliberadamente os grilhões do nosso povo em sofrimento. Não podemos, em circunstância alguma, compactuar com a maldade a que o país foi votado por parte dos traidores da pátria. 

Por imperativo de consciência, e dever patriótico, vamos erguer a nossa voz bem alto para denunciar e combater com as armas da justiça esta ditadura do consenso. Vamos lutar, até ao fim, custe o que custar, para reverter este quadro funesto que encaminha paulatinamente o nosso país para o abismo e autodestruição. Vamos estar, acima de tudo, incansavelmente, ao lado do nosso povo e na defesa intransigente do primado da legalidade, do Estado de Direito Democrático e de Direitos Humanos. 

A Guerra Que Não Trouxe a Independência Nacional


Celebra-se hoje o dia da independência nacional da Guiné-Bissau. A autodeterminação do país, em 24 de Setembro de 1973, até à data presente, para grande infelicidade e tristeza nossa, foi um autêntico fracasso a todos os níveis. A Guiné-Bissau nunca chegou, em termos objectivo-práticos, de tomar a sua real independência. A independência só foi reduzida no papel, limitando-se apenas a uma mera formalidade Jus Internacional. O país continua dependente de tudo e mais alguma coisa. Dependente da ajuda externa e da boa vontade dos países aliados para continuar a sobreviver. 

Logo depois da tão propalada “independência nacional”, que não trouxe qualquer tipo de Independência, o país foi capturado pelos dirigentes medíocres, intriguistas, incompetentes, desqualificados, bandidos, sanguinários, corruptos, ladrões, traficantes de droga e de toda a sorte de criminosos que o submeteram a um esmagamento metódico, sem dó nem piedade, ao longo de várias décadas. Esta subversiva postura, dos nossos sucessivos dirigentes e governantes em geral, contraria flagrantemente com a premissa inicial do “programa maior”, delineado por Eng. Amílcar Lopes Cabral, na génesis da luta armada, para fazer definitivamente a Guiné-Bissau avançar. 

Em 23 de Janeiro de 1963 deu-se oficialmente o início da luta de libertação nacional, com a ofensiva militar contra as colunas portuguesas no sul do país, sob o comando do quartel do Titi. A partir desta data tudo mudou, para pior. A Guiné-Bissau mergulhou numa profunda crise de identidade, sem precedentes, ao longo da sua moderna história. Desde logo, a vindicta do Congresso de Cassacá, em Fevereiro de 1964, convocado para “atenuar” a cisão interna no seio do PAIGC, culminando naquilo que ficou conhecido como o “massacre dos insubordinados”, onde inúmeros camaradas foram barbaramente fuzilados por ordens expressas do partido. 

Passados os dez anos da chacina armada da “guerra do povo, pelo povo e para o povo”, o país proclamou unilateralmente a sua independência, em 24 de Setembro de 1973, cumprindo assim o desígnio inicial do “programa mínimo” traçado na génese da sublevação armada. Existiam, nos anos subsequentes, todas as condições propícias e exequíveis para criar uma “nova sociedade” e um “novo homem africano”, capaz de trilhar, com bastante sucesso, “o programa maior” visceralmente ligado ao desenvolvimento sustentável e sustentado da Guiné-Bissau. Não foi, no entanto, o que aconteceu para desgraça nossa. O primeiro Presidente da República, Luís Cabral, conduziu o país para um modelo absolutista de estado que se traduzia em tremendas perseguições, ajustes de contas e execuções sumárias de opositores do regime considerados “traidores da pátria”

Foi neste horrível cenário politico-governativo, em 1980, que surgiu o afamado “Movimento Reajustador” de 14 de Novembro liderado pelo General João Bernardo Vieira, que usurpou o poder por via de um golpe de estado, afastando assim o seu amicíssimo e correligionário de partido, Luís Cabral, da presidência da república. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, esta mudança de poder não foi bem acolhida pelos dirigentes cabo-verdianos que, como represália ao novo regime Bissau-guineense, desvincularam-se completamente do PAIGC e fundaram o partido PAICV, em 1981, rompendo assim definitivamente com o vínculo umbilical que ligava os dois povos irmãos, idealizado pelo Eng. Amílcar Lopes Cabral. 

Com o governo de Nino Vieira, a Guiné-Bissau conheceu uma das facetas mais tristes e bárbaras da sua autodeterminação. Tudo aquilo de que acusava Luís Cabral acabaria por fazer ainda pior. Nos seus 23 anos no poder, de 1980 a 1999 e depois em 2005-2009, respectivamente, não se melhorou praticamente nada, excepto uma aparente abertura do país para a democracia pluralista, em 1994, que, em termos objectivos, tinha mais a ver com o autoritarismo do que propriamente com o estado de direito democrático. Tal como diria depois Luís Cabral, e bem observado, “o Movimento Reajustador não Reajustou nada”. Em consequência disso, o país passou por enormes sobressaltos político-sociais e sucessivos golpes de Estado e contra-golpes até Dezembro do ano passado, culminando sempre em assassinatos de personalidades e altas figuras da república, somando à fratricida guerra civil de 7 de Junho de 1998, com repercussões negativas que ainda hoje se fazem drasticamente sentir na vida de inúmeros guineenses. 

Todos os Presidentes da República que a Guiné-Bissau teve desde a sua autodeterminação até aos dias de hoje, coadjuvados com os seus primeiros-ministros, poder judicial, chefias militares e governantes em geral, só trouxeram prejuízos avassaladores à Guiné-Bissau. Não conseguiram deixar um legado positivo em prol do progresso nacional que tanto apregoa(ra)m defender. Foram todos incongruentes nas suas obscuras e egoístas agendas políticas – o que demonstra manifestamente a crise de liderança que tem caracterizado o país ao longo dos anos até à data presente. 

A raiz de todos os males que assolam impotentemente o nosso povo é, sem dúvida, a preterição deliberada do “programa maior” na dinamização e consolidação do progresso do país, razão pela qual os custos e os benefícios que advêm da luta de libertação nacional foram completamente desproporcionais, com a supremacia abismal daqueles em detrimento destes. Não houve, infelizmente, progressos assinaláveis do ponto de vista humano-social. 

A Guiné-Bissau, desde o período do pós-independência, foi capturada pelos urubus que não compreendem nada da governação e pelos pacóvios militares que apenas a humilharam, através do esmagamento metódico a que foi reiteradamente submetida ao longo dos tempos. A começar, desde logo, com os intelectuais sabujos e desonestos, políticos trapaceiros e corruptos, magistrados incompetentes e fraldiqueiros, partidos políticos ignorantes e inabilitados, sociedade civil moribunda e inoperante, que obstam ao desenvolvimento do país. Se isso é a “nação” ou a “independência nacional”, tal como muitos dos nossos patrícios orgulhosamente enaltecem, não contem comigo. Estou fora deste delírio nacionalista. Estou mesmo fora. Roubem-me o esforço e a tranquilidade; a consciência e a razoabilidade é que não! 

O Sistema da Educação na Guiné-Bissau


Começou hoje oficialmente o início do novo ano lectivo na Guiné-Bissau (LER). Partilho aqui a parcela do live informal que tive há seis anos, concretamente em 27 Fevereiro de 2018, com a nossa famosa e Activista “Dama de Ferro” Sali Mané, sob o tema: “O Sistema da Educação na Guiné-Bissau” (VER).  A minha intervenção em crioulo foi congruente com aquilo que já havia defendido há doze anos num prolixo ensaio intitulado “Em Defesa do Futuro da Guiné-Bissau” (LER).  

Entendo que é preciso fazer reformas profundíssimas neste tão importante e estratégico sector do país, que incorpora o âmago do progresso de qualquer nação, sobretudo no que toca à qualificação dos nossos quadros professores, proporcionando-lhes diversas oportunidades de formação, com vista a poderem responder satisfatoriamente os exigentes desafios pós-modernos a nível da formação. Fazer alteração nos modelos programáticos e didácticos dos cursos que, até então, têm sido cegamente seguidos e que não se ajustam à realidade do país, através da restruturação de planos curriculares, melhorando significativamente a pedagogia do ensino, pautando, acima de tudo, pelo rigor, exigência e excelência do mesmo. Construir mais escolas em todas as regiões e aldeias do país (e não venham cá dizer-me que não há dinheiro para tal), para assim dispor da cobertura do ensino em todo o território nacional e, consequentemente, nesta primeira fase, impor o 9ºano de escolaridade obrigatória para todos os guineenses. 

Estas impreteríveis reformas estruturais devem abranger todos os ciclos de ensino do país. Infelizmente, por incompetência e falta de visão dos nossos sucessivos governantes, actualmente, na Guiné-Bissau, não existe praticamente nenhuma escola técnico-profissionalizante, com a excepção do CIFAP que foi fundado e continua a ser patrocinado pela Dioceses das Igrejas Católica de Bissau, operando com bastante sucesso. É um erro crasso. A nosso ver, o Estado deveria igualmente pensar seriamente em investir nesse modelo de qualificação para os nossos homens e mulheres, minimizando as graves carências que há em múltiplas áreas profissionais do país. 

É preciso também encetar os contactos a nível externo, procurando fazer parcerias com outros países no mesmo sector, não somente para servir de intercâmbio ao nosso pessoal docente e os educadores em geral, assim como melhorar a formação dos nossos jovens, através de bolsas de estudo para os referidos países, a fim de completarem os seus planos de estudos, nomeadamente a nível da Licenciatura, Mestrado, Doutoramento e Pós-Doutoramento, se assim for o seu desejo. 

A Educação é o único antídoto indispensável para a Guiné-Bissau eliminar cabalmente os flagelos humano-sociais, que a têm ameaçado de forma reiterada e galopante, nomeadamente à questão da instabilidade governativa, a corrupção e a fome, a propagação do vírus de HIV, as gravidezes precoces, o casamento forçado, a hedionda mutilação genital feminina, a violência doméstica, o elevado índice da mortalidade materno-infantil, a curta esperança média de vida dos cidadãos, etc. É através da educação que o Homem consegue dispor de ferramentas necessárias ao seu alcance para responder eficientemente os sérios desafios que vão surgindo ao longo da sua vida e, deste modo, realizar-se como pessoa de bem no círculo em que está inserido. Tudo isto acaba por ter reflexos bastantes positivos à sociedade em geral. 

Não sem razão que um dos grandes e proeminentes pedagogos de todos os tempos Coménio, na sua célebre obra “Didáctica Magna”, falava na necessidade de formação de todas as pessoas, independentemente do sexo, raça, religião e estrato social. Todas as pessoas, sustentavam peremptoriamente, devem ser enviadas às escolas, com vista a contribuírem para uma sociedade mais ordeira, integrativa, equilibrada, justa e progressista. E este imperativo não é alheio à Guiné-Bissau, isto é, aplica-se-lhe na perfeição. Necessitamos, com a máxima urgência, de melhorar a nossa qualidade de ensino para o bem-estar do nosso amado país, a Guiné-Bissau. 

Cem Anos de Amílcar Lopes Cabral e a Guiné-Bissau Num Beco Sem Saída


O Eng. Amílcar Lopes Cabral estaria hoje a celebrar cem anos de vida, isto é, se estivesse ainda vivo. Quis o destino que, por razões de intrigas e traições no seio do PAIGC, foi brutalmente assassinado na flor da idade, com apenas 49 anos, frustrando assim o seu desígnio do “programa maior” visceralmente ligado ao desenvolvimento sustentável e sustentado da Guiné-Bissau. 

O Eng. Amílcar Lopes Cabral atraía imensos inimigos perante os seus correligionários do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo-verde (PAIGC), não obstante o seu humanismo social que era patente nos retratos da guerra. Era um homem extremamente culto e defensor acérrimo de causas humano-sociais, especialmente da autodeterminação dos povos africanos. Notava que ele realmente amava as pessoas, não obstante as leituras que cada um poderá fazer da exequibilidade do seu projecto governativo e legado político. Foi, sem dúvida, um político africano ímpar, brilhante, extraordinário e completamente comprometido com o seu povo que, tal como o próprio manifestou publicamente em inúmeras ocasiões, “quis saldar a sua dívida para com o seu povo e viver a sua época”. 

Mesmo assim, os seus opositores por rivalidades, ciúmes e inveja, catalogavam-lhe vários epítetos pejorativos para arruiná-lo na sua determinada luta da autodeterminação da Guiné-Bissau e Cabo-Verde, até ao ponto de liquidarem definitivamente o homem (LER). O Eng. Amílcar Cabral, para grande tristeza nossa, não chegou de “saldar” completamente a sua dívida com o seu povo e também não viveu a sua época como almejava. Partiu prematuramente, deixando muitas e grandes iniciativas político-governativas para materializar na Guiné e Cabo-Verde. Tudo foi muito rápido e funesto na sua vida. As suas revolucionarias ideias políticas foram, no curto espaço do tempo, aquando da sua morte, rapidamente adulteradas e preteridas pelos altos dirigentes do PAIGC, lançando a Guiné-Bissau num pântano de bloqueio político e de completa ingovernabilidade, ao longo das décadas, até à data presente. 

Por isso, a Guiné-Bissau é um país fracassado a todos os níveis. Vive inveteradamente pelas ruas da amargura. Nunca teve, desde a sua História de autodeterminação, responsáveis políticos à altura do exigente desafio governativo. Foi sempre conduzida por pessoas medíocres, incompetentes, corruptas e manchadas pelos crimes de sangue. A arbitrariedade, o nepotismo, o clientelismo, a obstrução da legalidade, o abuso de poder, o revanchismo e a impunidade são vícios arreigados que, para nossa infelicidade colectiva, caracterizam o destino trágico do país. Os órgãos de soberania são instrumentalizados, tornando-se reféns de interesses obscuros de uma certa minoria que, de forma presunçosa e impune, fazem e desfazem a seu bel-prazer a Res Publica. 

A crónica crise institucional que opõe os órgãos de soberania e partidos políticos podendo, inclusive, deteriorar ainda mais o já inabilitado Estado do país é o reflexo manifesto de tudo o que acabámos de sustentar. Temos um ditador como Presidente da República que desconhece absolutamente as suas atribuições constitucionais e um dos factores de instabilidade no país, bem como uma Assembleia da República completamente descaracterizada do seu substrato legislativo. Deputados sem escrúpulos, para não dizer outra coisa, que vivem à mercê de circunstancialismos e favorecimentos. Um Governo ilegal composto por fraldiqueiros que tão bem conhecemos em outros carnavais, somando-se ainda um licencioso poder judiciário susceptível de ser peitado a troco de um bom “suku di bás” para perverter a Justiça. Todos estes pejorativos adjectivos aplicam-se na perfeição à nossa insubordinada e corrupta classe castrense. Estamos desgraçadamente entregues, sem dúvida, a embusteiros e traidores da pátria. Só pano tchora dur garandi: Guiné-Bissau kaba sim Cabral! 

A Convulsão Político-governativa na Guiné-Bissau


Partilho aqui novamente o comentário semanal que fiz há bocado sobre os últimos e relevantes acontecimentos políticos na Guiné-Bissau. Era suposto abordar três importantes temas e acabei por desenvolver apenas dois para o vídeo não ser demasiado grande. No vídeo em questão, comentei sobre o cinismo político de Braima Camará e toda a convulsão que se vive actualmente no Madem-G15, bem como aprofundei com mais detalhes a posição que veiculei na semana passada de aconselhar o Engenheiro Domingos Simões Pereira a não regressar, por enquanto, a Guiné-Bissau. E, por fim, dei alguns “raspanetes” no Umaro Sissoko Embaló. 

Tenha um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo. 

Os Ilegais Congressos Extraordinários no PRS e Madem - G15


Partilho aqui o breve comentário que fiz há bocado sobre os últimos acontecimentos que marcaram a política guineense, nomeadamente os ilegais congressos extraordinários no PRS e no Madem - G15, bem como o discurso de Braima Camara e a traição que ele foi vítima por parte de Sissoko Embaló e os seus correligionários do partido. Deixei ainda no fim um conselho para o Engenheiro Domingos Simões Pereira. 

Tenha um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo. Feliz noite de descanso e boa semana. 

Encontro de Jovens Cristãos Evangélicos Guineenses em Lisboa

Estive anteontem como convidado especial no encontro lúdico de Jovens Cristãos Guineenses em Lisboa, organizado por alguns destacados líderes da nossa Igreja Evangélica de Bandim em Bissau, que agora estão a estudar em Portugal, para falar sobre os grandes desafios espirituais que se colocam aos jovens Cristãos Evangélicos guineenses na Europa e Portugal em particular. O referido encontro teve lugar ao lar livre das 10h00 até às 17h00, isto é, no Jardim Urbano da Quinta da Granja, em frente ao centro comercial Colombo, contando com uma expressiva participação juvenil. Estiverem presentes, segundo os dados que me foram transmitidos pelos organizadores do evento, mais de noventa jovens oriundos de várias Igrejas da Guiné-Bissau, sendo que a mais representada de todas elas é a Igreja Evangélica de Bandim. 

No dia em que se celebra a liberdade em Portugal, o 25 de Abril, saímos também à rua para celebrarmos a nossa inigualável, insuperável e inatingível liberdade em Cristo Jesus, o nosso Senhor e suficiente Salvador. Na minha humilde explanação sobre os grandes desafios que se colocam a um jovem Cristão nos dias de hoje, apoiado no texto bíblico de 2 Timóteo 3:1-17, destaquei o relativismo religioso, o ateísmo obscurantista, a ignorância doutrinaria, o conformismo com os valores do mundo, o materialismo desenfreado, as paixões libidinosas, a promiscuidade sexual, o sexo antes do casamento, a avidez pelo lucro fácil, a corrupção generalizada, o não compromisso com a Igreja e com a vida de santidade. Tudo isto consubstancia, a meu ver, as manifestas marcas distintivas do nosso decadente mundo dito “pós-moderno” que, de forma resoluta, o jovem Cristão deve renunciar para estar fielmente ligado a Cristo. 

Foi um tempo realmente agradável na presença do nosso Todo-Poderoso DEUS. Um tempo de encontro entre irmãos da fé, de celebração, de testemunho e de festa. Um tempo de comunhão, de partilha, de exortação e de compromisso. Foi um tempo, acima de tudo, de adoração, oração, proclamação da Palavra de DEUS e de edificação espiritual. 

Fiquei bastante contente pela adesão de jovens guineenses à Causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo e a predisposição que demonstram em querer estar no centro da vontade de DEUS, não obstante a sedução do mundo. Fiquei, igualmente, satisfeito pelo considerável investimento que as Igrejas guineenses têm estado a fazer do ponto de vista missionário, investindo em crianças, jovens e adultos que acabam por ser instrumentos de bênçãos nas mãos de DEUS fora do contexto do nosso país. Esta é a nobre missão da Igreja. É a missão que todos nós, Cristãos, sem excepção, fomos incumbidos a realizar pelo nosso Salvador Jesus Cristo para a honra e glória do nosso Eterno DEUS. Que assim seja. E assim sempre será. 

Adeus à Democracia e o Triunfo da Ditadura na Guiné-Bissau


Umaro Sissoko Embaló ultrapassou todos os limites do bom senso e da razoabilidade. Ultrapassou a inultrapassável linha vermelha numa democracia participal e liberal. Ao longo destes últimos anos, Umaro Sissoko nada fez senão violar constantemente a nossa Constituição da República. Desta vez, com esta sua inqualificável loucura de dissolver a Assembleia Nacional Popular antes do tempo, e sem qualquer tipo de base jurídico-constitucional, pisou e rascou a nossa Constituição da República à vista de todos. Umaro Sissoko quer controlar, a todo o custo, todos os poderes dos órgãos da soberania e instaurar um regime ditatorial no país por muito tempo. Tanto que, por está razão, sempre afirmou ser o “único chefe” na Guiné-Bissau. 

Umaro Sissoko Embaló chegou até aqui nas suas reiteradas violações constitucionais porque teve, desde o início que tomou o poder pela força, o apoio declarado das chefias militares que lhes dão o apoio nos seus desmandos e autoritarismo governativo. Por isso, Umaro Sissoko não é apenas o único responsável perante toda esta desgraça autoritária a que estamos a viver neste momento no país. A culpa é, acima de tudo, das nossas elites das forças armadas que aceitam ser corrompidas pelo dinheiro sujo para subverterem a ordem constitucional e a vontade soberana do nosso povo. 

Nós, o povo guineense, estamos todos com o medo em denunciar e confrontar abertamente esta grave e perigosa ditadura no nosso país.  Ditadura implacável que intimida, ameaça, tortura, espanca, viola e, por fim, mata. Estamos com o medo de Umaro Sissoko, das chefias militares, dos homens armados e com todo o ambiente da ditadura que tomou conta da Guiné-Bissau. Estamos com o medo de sermos arbitrariamente torturados, mortos e silenciados. E pergunto, tal como o Engenheiro Amílcar Lopes Cabral outrora fez: medo de quê? Para quê continuarmos a viver no medo e na ignorância? 

Chegou o momento para todos nós envidarmos os esforços conjuntos e libertarmos definitivamente o nosso povo do medo, da ignorância e da ditadura. Precisamos, com carácter de urgência, salvar os guineenses do absolutismo de Umaro Sissoko Embaló e de todos os malditos traidores da pátria que estão a maltratar o nosso sofrido povo, condenando-o à pobreza, à ignorância, à arbitrariedade e à morte.  

Os Incendiários Discursos de Umaro Sissoko Embaló


Partilho aqui convosco a minha Rúbrica Semanal sobre a Situação Sociopolítica na Guiné-Bissau. Abordei os relevantes assuntos que marcaram agenda política do país nos últimos dias, nomeadamente o discurso incendiário de Umaro Sissoko Embaló sobre a celebração da nossa independência nacional, a putativa data das eleições presidências para 25 de Novembro de 2025 marcadas unilateralmente por ele, o diferendo entre o governo e os padeiros,  as movimentações nas forças armadas, exortações ao Presidente da Assembleia Nacional Popular Domingos Simões e o Primeiro-ministro Geraldo Martins, bem como um recado em crioulo para o General Biaguê Na N’Tan. 

Tenha um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo. 

As Manobras Perigosas de Umaro Sissoko Embaló


Umaro Sissoko Embaló ainda não desarmou nos seus maléficos intentos contra o povo guineense. Sissoko Embaló ainda não caiu no real de que as coisas mudaram radicalmente em Bissau, sobretudo que o seu projecto político não tem mais pernas para andar nos próximos tempos que se avizinham no país. Sissoko Embaló está a fazer as manobras dilatórias perigosíssimas para lançar a Guiné-Bissau num pântano de incertezas e de convulsão social imprevisível. Sissoko Embaló é um factor da desagregação da nossa unidade e coesão nacional: um autêntico perturbador da ordem e paz social. Não sabe falar sem ameaçar ou agredir verbalmente terceiros. Não tem modos e cultura democrática para ocupar os relevantes cargos públicos. O seu discurso é sempre incendiário, pautado na desqualificação, intimidação e insultos gratuitos aos seus adversários políticos. 

Umaro Sissoko Embaló está a usar a capa do “presidente da república” para criar instabilidade no país e, consequentemente, tirar dividendos político-governativos. Sissoko está a lutar, inutilmente, a todo o custo, para assegurar o segundo mandato e, desta forma, continuar a pisar na nossa Constituição da República, tal como tem feito de forma reiterada. No entanto, o que Sissoko fingiu esquecer é de que o povo guineense já não o quer como “presidente da república”. Os guineenses estão exaustos e fartos dos desmandos de Sissoko. Não há mais um guineense com o bom senso que deixa ludibriar pelas ilusórias promessas políticas de Sissoko, excepto aqueles que estão a beneficiar com o estado de terror que ele tenta implementar na Guiné-Bissau. Sissoko Embaló pode pintar de santinho, ou fazer tudo que estiver ao seu alcance, nunca mais o povo guineense vai cair nas suas ardilosas e tautológicas mentiras. 

Ontem no seu descaracterizado e pobre discurso no aeroporto, contra todas as previsões, Umaro Sissoko Embaló anunciou unilateralmente a data das próximas eleições presidências para o dia 25 de Novembro de 2025, sem ouvir os partidos políticos, violando assim manifestamente as disposições da lei eleitoral do país. O mandato de Umaro Sissoko Embaló termina impreterivelmente em fevereiro de 2025, por que razão só vamos ter eleições no fim do ano? Sissoko Embaló pensa que vamos deixá-lo violar a Constituição da República para ficar na presidência aproximadamente seis anos? Sissoko deve estar a sonhar. Só pode ser mesmo. 

Esta marcação da data de eleições presidências de Sissoko Embaló não é, de todo, inocente. Umaro marcou extemporaneamente a referida data para poder ganhar o tempo suficiente de dissolver ainda o parlamento e, desta forma, criar um falso governo de unidade nacional, patrocinado exclusivamente por ele, para poder realizar e falsificar os resultados das eleições presidenciais. É isto a única interpretação plausível para ele marcar as eleições presidências passados nove meses depois do fim do seu mandato. Tanto que, por esta razão, afirmou ontem peremptoriamente que ganharia as eleições logo na primeira volta (na kuma gora?). Fez esta absurda afirmação porque sabe das futricas que está a planear… Estaremos aqui para enfrentá-lo, com determinação, todas as suas artimanhas para criar instabilidade no país. 

E mais, o parlamento da Guiné-Bissau já não pode ser dissolvida por actual “presidente da república” por imposição constitucional. A partir dos finais de Fevereiro de 2025, Umaro Sissoko Embaló deixará de ter plenos poderes como “presidente da república”, razão pela qual não terá mais prerrogativas para demitir o governo ou de dissolver o parlamento. Por isso, todas estas manobras dilatórias perigosíssimas que Sissoko está a fazer para perpetuar no poder não passarão. O povo guineense está atento a estas flagrantes violações e jamais terão sucesso. Mesmo assim, as tais manobras só servirão para mergulhar o país numa crise político-governativa e com implicações imprevisíveis para o nosso povo. Umaro Sissoko Embalo é, sem dúvida, infelizmente, um factor de instabilidade e representa um enormíssimo perigo para a Guiné-Bissau. 

Caminhar Com o Senhor Jesus Cristo num Mundo Maligno


Estive, no passado dia 17 do corrente mês, a convite da Juventude Guineense em Portugal, a pregar na Igreja Missão Evangélica Lusófona (MEL), no encerramento das actividades de jovens sobre as férias de verão, sob o tema “Caminhar Com o Senhor Jesus Cristo Num Mundo Maligno”, baseado no texto sagrado de 2 Timóteo 3:1-17. 
Partilho, por isso, a parcela desta minha pregação convosco. 

O Discurso Vazio de Umaro Sissoko Embaló

O discurso de Umaro Sissoko Embaló para assinalar o quinquagésimo aniversário da independência da Guiné-Bissau é um autêntico vazio. É vazio na forma. Vazio no conteúdo. Vazio no enquadramento histórico dos pressupostos que desencadearam a tão almejada proclamação unilateral da nossa sofrida independência.  Sissoko Embaló omitiu de propósito o nome do Engenheiro Amílcar Lopes Cabral como mentor decisivo da história da independência da Guiné-Bissau e Cabo-Verde. Um erro bastante crasso e um insulto deliberado à memoria colectiva do povo guineense. Omitiu o papel amiúde importante do PAIGC na luta de libertação nacional e na consolidação do Estado da Guiné-Bissau. Omitiu, por fim, os nomes dos heróis da luta de libertação, destacando apenas o do General Nino Vieira. 

O discurso de Sissoko Embalo é um cúmulo de imprecisões, inverdades, mediocridades, ressentimentos, pretensiosismos e de vazio aviltante. Não se pode falar da independência da Guiné-Bissau sem, no entanto, falar a fortiori do contributo determinante de Amílcar Lopes Cabral, do seu partido PAIGC e de todos os antigos combatentes da liberdade da pátria, que deram a sua vida para resgatar o nosso povo do jugo colonial português. Sissoko Embaló, por razões ainda desconhecidas, tem o ódio declarado ao PAIGC e do seu líder Amílcar Lopes Cabral. Tanto que, por esta razão, procura sempre branquear a verdade histórica para poder minimizar os feitos universalmente conhecidos e reconhecidos de Amílcar Cabral e do PAIGC. Desvaloriza a nossa data da independência nacional, optando mais por celebrar efusivamente a data da criação das Forças Armadas Guineenses no dia 16 de Novembro – como se esta fosse a mais importante. Retirou despoticamente 23 de Janeiro, a data do início da luta de libertação nacional, do feriado nacional. 

Tudo isto é o registo normal de Umaro Sissoko Embaló. Um registo que desmerece flagrantemente a nossa história, identidade, símbolos e heróis nacionais. Sissoko encarna sempre na sua actuação inverdade, mediocridade, prepotência, autoritarismo e de vazio que não deixa ninguém indiferente. Por isso, esperar que ele seja um estadista à altura é esperar de mais. Umaro Sissoko Embaló é, para desgraça do povo guineense, um autêntico vazio existencial. 

As Vantagens e Desvantagens da Emigração


Partilho aqui a minha explanação em crioulo sobre “As Vantagens e Desvantagens da Emigração”. Esta intervenção enquadra-se no primeiro encontro dos filhos de Nhacra em Lisboa, realizado no passado dia 23 de Setembro, sob o lema: “Unidos na Diáspora em Torno de Sector de Nhacra”. Tive o grato privilégio de ser convidado como orador principal no referido evento. 

O encontro serviu para trocarmos experiências e sedimentar os laços de guineendade que nos une, sobretudo dos nativos de Nhacra. Eu sou de Bissau, mesmo assim identifiquei-me completamente com o redobrado esforço cívico que estes patrícios estão a fazer em prol de Nhacra. Houve comes e bebes à moda guineense. Estavam na mesa alguns pratos típicos da Guiné-Bissau, especialmente os da etnia balanta. 

Rúbrica Semanal

Vamos ter hoje novamente a “Rúbrica Semanal sobre a Situação Sociopolítica na Guiné-Bissau. Tenciono, assim que voltar do culto dominical na minha igreja, gravar um vídeo para abordar os relevantes assuntos que marcaram agenda política nacional nas últimas duas semanas. Procurarei dar mais ênfase acentuada na nomeação do novo chefe de estado maior “particular” de Umaro Sissoko Embaló e as implicações jurídico-políticas que isto representará, num futuro breve, no equilíbrio das forças dentro das forças armadas guineenses. Também avaliarei o desempenho de um mês do governo do Dr. Geraldo Martins e as trafulhices do Procurador-Geral da República, assim como a actuação dos deputados na Assembleia Nacional Popular. 

Tenciono ainda, por fim, de forma humilde, avançar algumas pertinentes sugestões para ajudar o governo a encontrar o rumo certo para o desenvolvimento do país. Até logo. Bom dia.