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Mais Um Ano de Vida

Começo sempre o Ano Novo civil a fazer anos. Celebro hoje 41 anos de idade, graças a DEUS. Mais um ano para comemorar o dom inefável da vida. Mais um ano de júbilo e de festa. Mais um ano de profunda gratidão ao meu Eterno DEUS pela vida, saúde e protecção que ELE graciosamente tem-me concedido ao longo dos tempos, tendo fé que tal estender-se-á ainda por longos e bons anos. 

Estes 41 anos são coroados de autênticos altos e baixos a todos os níveis, encerrando paradoxalmente prós e contras. Mesmo assim, são anos de bastante assimilação, amadurecimento, crescimento, reconciliação, amor, paz e de felicidade. São anos vividos intensamente com bastante fé, amor, paz, gratidão, entusiasmo e esperança em DEUS. Aquilo que sou hoje é resultado dessas simbioses de experiências gratificantes. Experiências profundamente marcantes e que moldaram positivamente o meu substrato identitário e mundividência, habilitando-me simultaneamente a reconhecer a precariedade da vida, a sua fugacidade e finitude. Estou tranquilamente em paz com DEUS, comigo e procuro, na medida do possível, no que depender de mim, estar também em paz com o próximo à minha volta. 

Sinto cada vez mais o peso da idade. Sinto que estou, de forma galopante, a ficar mais velho. Sinto, acima de tudo, a paixão contagiante da vida a entrelaçar-me diariamente. Que esta paulatina odisseia à velhice me habilite a ter plenamente a consciência dos meus defeitos e virtudes, depurando aqueles e aperfeiçoando estes. Por outras palavras, ter a capacidade suficiente de corrigir as minhas imperfeições e consolidar as minhas qualidades. 

Espero que, em circunstância alguma, se aparte de mim o temor de DEUS no meu coração e aplicabilidade da Sua Santa Palavra no meu testemunho quotidiano de vida. Espero, da mesma sorte, que nunca se aparte de mim a sabedoria, a humildade, a gratidão, a autenticidade, o discernimento, a liberdade, a autonomia, a frontalidade e o bom-senso, sobretudo de nunca me folgar com as injustiças ou reduzir-me em desvelos alimentados por uma mercenária ânsia de legitimação secular. Longe de mim toda a sorte de rancor, cólera, torpeza, soberba, complexos, bajulação, superficialidades, hipocrisia, ingratidão, vingança, malignidade e vaidade do mundo. 

Espero continuar a ser uma pessoa estavelmente bem-disposta, alegre no Espírito Santo, em todo e qualquer momento, satisfeito com aquilo que honestamente tenho e com muita fé no Senhor Jesus Cristo, o meu único e Eterno Salvador. Espero continuar a ter a predisposição mental para fazer boas amizades, ser amante da música, de comida, dos livros, da escrita, da intelectualidade e de um bom debate de ideias, sem descurar nunca a prática do bem e sempre o bem fazer. Que continue a falar alto e efusivamente, a cultivar mais a virtude do amor, do perdão, da tolerância, da misericórdia, da empatia e da simplicidade na maneira de estar e encarar os elevados desafios da vida, especialmente que a promessa bíblica do Salmo 91:1-16 seja manifestamente uma realidade vivo-concreta na minha vida. Espero, por fim, continuar a espalhar por toda a parte o bom perfume do conhecimento de Cristo para as pessoas que precisam encarecidamente da Sua graça redentora. 

Fechou-se, ontem, felizmente, um ciclo de vida e abre-se um novo a partir de hoje com elevadas expectativas no horizonte por concretizar. Até aqui me ajudou o SENHOR JEOVÁ. A ELE, através do Senhor Jesus Cristo, seja dado todo o Poder, a Honra, a Glória pelos séculos dos séculos. Que assim seja. E assim sempre será no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo.

PIROGA FANTASMA (19): Os Inimigos do Povo


Faz hoje 17 anos que alguns insubordinados militares guineenses, coadjuvados por politiqueiros que abundam na nossa praça pública, fizeram a sublevação militar que ceifou a vida de inúmeras pessoas deixando, em consequência disso, sequelas indeléveis no país que ainda hoje se repercutem negativamente na vida dos pobres guineenses. Indivíduos desta estirpe não são parentes, nem patriotas, nem concidadãos, nem religiosos, nem podem ser humanos: são, sem margem para dúvidas, autênticos animais selvagens. 

Sete de Junho de 1998 ficará definitivamente registada nos anais da história da Guiné-Bissau como uma data fatídica, que contribuiu decisivamente para agravar o elevado índice de pobreza e de mortalidade, que já vinham afectando os cidadãos de forma drástica. 

Quero, do fundo do meu coração, lembrar aqui e prestar uma singela homenagem a todos os amigos, conhecidos, desconhecidos, guineenses e não guineenses, que tombaram injustamente na fratricida guerra civil, bem como aos que foram prejudicados por ela e continuam a carregar o enorme fardo dos seus efeitos diariamente. Da mesma sorte agradecer – profundamente – ao meu Eterno DEUS por me ter poupado a vida, juntamente com toda a minha família. A título de exemplo: ficamos em Bissau nos momentos mais intensos e críticos da guerra, nomeadamente a violação do cessar-fogo de 31 de Janeiro do ano seguinte, e, posteriormente, o massacre perpetuado deliberadamente no campo eclesiástico do CIFAB que acolhia aproximadamente cinco mil pessoas, aquando da tomada de Bissau e o triunfo final dos rebeldes da Junta Militar sobre o governo. Foram lançadas ali quatro bombas, três caíram literalmente em cima dos inofensivos refugiados, matando um número incontável de pessoas. Eu e parte considerável da minha família estávamos abrigados no referido local, e presenciamos todo este horror humano, para não falar de outras flagrantes situações em que encontrávamos mesmo perante o vale da sombra da morte, correndo sérios riscos de vida. Mesmo assim, pela maravilhosa graça de DEUS, nenhum mal nos sobreveio. Felizmente. O SENHOR protegeu-nos e livrou-nos da morte certa que se teria abatido sobre nós. Por isso, estou-Lhe penhoradamente grato por tudo que fez por mim e pela minha família. DEUS muito obrigado pelo teu incondicional cuidado e protecção!