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Luta Contra a Pobreza, na Doutrina Social da Igreja


“No início do novo milénio, a pobreza de milhões de homens e mulheres «é a questão que, em absoluto, mais interpela a nossa consciência humana e cristã». A pobreza coloca um dramático problema de justiça: nas suas diferentes formas e consequências, ela caracteriza-se por um crescimento desigual e não reconhecer a cada povo «igual direito a “sentar-se à mesa do banquete comum”». Tal pobreza torna impossível a realização daquele humanismo planetário que a Igreja almeja e persegue, para que as pessoas e os povos possam «ser mais» e viver em condições mais humanas». 

A luta contra a pobreza encontra uma forte motivação na opção ou no amor preferencial da Igreja pelos pobres. Em todo o seu ensinamento social, a Igreja não se cansa de reafirmar também outros princípios fundamentais seus, entre os quais se destaca o do destino universal dos bens. Com a constante reafirmação do princípio da solidariedade, a doutrina social incentiva a passar à acção para promover o «bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos». O principio da solidariedade, também na luta contra a pobreza, deve ser sempre oportunamente ladeado pelo da subsidiariedade, graças ao qual é possível estimular o espírito de iniciativa, base fundamental de todo o desenvolvimento sócio-económico, nos países pobres: aos pobres se deve olhar «não como um problema, mas como possíveis sujeitos e protagonistas dum futuro novo e mais humano para todo o mundo».[1]” 



[1] Extraído no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, p. 284-285, Principia, 2005. 

O Dia do SENHOR, na Doutrina Social da Igreja (2)


“O repouso festivo é um direito. Deus «repousou, no sétimo dia, do trabalho por Ele realizado» (Gn 2, 2): também os homens, criados à Sua imagem, devem gozar de suficiente repouso e tempo livre que lhes permita cuidar da vida familiar, cultural, social e religiosa. Para tanto contribui a instituição do dia do Senhor. Os fiéis, durante o domingo e nos demais dias santos de guarda, devem abster-se de «trabalhos e negócios que impeçam o culto a prestar a Deus, a alegria própria do dia do Senhor, a prática das obras de misericórdia ou devido repouso do espírito e do corpo». Necessidades familiares ou exigências de utilidade social podem legitimamente isentar do repouso dominical, mas não devem criar hábitos prejudiciais à religião, à vida de família e à saúde. 

O domingo é um dia a ser santificado com uma caridade operosa, reservando atenções à família e aos parentes, como aos doentes, aos enfermos, aos idosos, não se deve tão-pouco esquecer aqueles «irmãos que têm as mesmas necessidades e os mesmos direitos  e não podem descansar por motivos de pobreza e de miséria»; de mais a mais, é um tempo propício para a reflexão, o silêncio, o estudo, que favorecem o crescimento da vida interior e cristã. Os fiéis devem distinguir-se, também neste dia, pela sua moderação, evitando todos os excessos e as violências que não raro caracterizam as diversões de massas. O dia do Senhor deve ser sempre vivido como o dia da libertação, que faz participar «da assembleia festiva dos primogénitos que estão inscritos nos céus» (Heb 12, 22-23) e antecipa a celebração da Páscoa definitiva na glória do céu.[1]” 


[1] Extraído no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, p. 189-190, Principia, 2005.