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Adeus ao Uso da Máscara ou um Momentâneo Até Já?


 A partir de hoje deixou de vigorar o uso obrigatório de máscaras em Portugal. Nunca fui apologista de obrigar coercivamente as pessoas a usarem a máscara. Elas devem ser inteiramente livres de fazerem as opções que julgarem mais convenientes para as suas vidas, sem qualquer tipo de paternalismos ou tutela estatal. As minhas profundas reservas para com a não obrigatoriedade do uso da máscara não têm nada a ver com a esfera secular, mas sim com a sua dimensão espiritual. 

A máscara, a todos os níveis, tem uma conotação bastante negativa do ponto de vista Cristão. Ela é manifestamente incompatível com os Princípios e Valores do Cristianismo. A Palavra de DEUS exorta-nos vivamente a afastarmo-nos do mal e também de toda a aparência do mal (1 Tessalonicenses 5:22). Por isso, faz-me imensa confusão a máscara ser, neste momento, o nosso importante “aliado” no sagrado culto que prestamos a DEUS (pelos menos desde quando despoletou a maldita pandemia do coronavírus). Vemos a promoção – até à exaustão – das máscaras nos nossos púlpitos, bancos de igrejas e congregações em geral. Um desfile interminável de máscaras: máscaras a serem usadas nas pregações, na Escola Bíblica Dominical, no louvor e adoração, sob o falso pretexto de “protegermo-nos” uns aos outros e obedecer aos ditames das autoridades, que decretam o seu uso obrigatório nos templos. 

A Igreja deveria ter feito finca-pé para não aceitar a máscara nas suas instalações, reclamando com maior alcance a excepção que os restaurantes beneficiavam. Faz algum sentido estar a pregar ou louvar a DEUS com máscara? Obviamente que não. 

Toda esta trapalhada e deriva eclesiástica deve-se ao facto de as lideranças das igrejas decidirem, unilateralmente, sem base bíblica, fechar a Casa de DEUS, antes de ser propriamente decretado o estado de emergência, condicionando posteriormente a imposição do Estado na liberdade do culto dos crentes. Se as autoridades das igrejas não tivessem inicialmente alinhado na agenda mundana do Estado este, em circunstância alguma, ousaria obrigar à proibição das celebrações religiosas, uma vez que não tem competência constitucional para fazê-lo. A propósito disso, do fecho das igrejas, escrevia o ilustre Professor Catedrático Jorge Bacilar Gouveia, que “não esteve bem a hierarquia católica, que foi mais drástica do que o poder político, tomando e até antecipando uma proibição que nem o próprio Estado teve a ousadia de aplicar com tanta severidade”. 

E mais, a declaração do estado de sítio ou do estado de emergência “em nenhum caso pode afectar os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade civil e à cidadania, a não retroatividade da lei criminal, o direito de defesa dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião”, tal como preceitua a Constituição da República Portuguesa (art.º 19.6). Mas, infelizmente, as igrejas optaram erradamente por alinhar na onda do fecho generalizado e na subserviência sem precedentes ao poder político em detrimento da Palavra de DEUS e da saúde espiritual dos fiéis, distorcendo inclusive o alcance teológico da passagem bíblica de Romanos 13:1-7 para justificar o injustificável, isto é, o fecho das igrejas. 

O dia da libertação das máscaras chegou finalmente hoje. Espero que não seja momentaneamente um até já, mas sim uma libertação permanente. Espero igualmente que o uso de máscara não seja mais obrigatório, mas sim facultativo, para o bem de todos. Espero, por fim, que as máscaras abandonem definitivamente os nossos púlpitos e portas das nossas igrejas para assim podermos proclamar e louvar livremente o nosso Eterno DEUS, sem qualquer tipo de obstáculo, sufoco ou impedimento.  

Culto Natalício e a Sua Relativização Pelas Igrejas Evangélicas

Nunca me conformei com o facto de muitas Igrejas Evangélicas não celebrarem o culto no dia de Natal, preferindo refugiar-se na cómoda confraternização familiar e nas comezainas que a própria quadra proporciona. Nunca aceitei os argumentos falaciosos e tautológicos utilizados para legitimar a não realização do culto no dia a que se atribui, universalmente, o nascimento do Senhor Jesus Cristo, nosso Eterno Salvador. Faz-me ainda imensa confusão como é que as lideranças das igrejas, e os pastores em especial, conseguem conviver tranquilamente com a inexistência do culto nas suas congregações neste grande dia da salvação e permanecem conformados nas suas casas, entregues às festividades familiares. 

A Igreja Católica Romana, por exemplo, tem uma postura irrepreensível neste ponto do culto natalício do dia 25 de Dezembro. Tanto o Vaticano como os católicos praticantes atribuem uma importância cimeira à “missa do galo”, procurando suspender toda a azáfama da confraternização familiar para assistirem à referida celebração, que recorda e exalta a encarnação do Senhor Jesus Cristo no mundo. Testemunhei in loco esta realidade em Bissau e também na cidade de Munique, na Alemanha. Aliás, trata-se de uma prática transversal a todas as igrejas católicas do mundo. Infelizmente, por razões inaceitáveis, as igrejas protestantes tentam, a todo o custo e sem fundamento justificável, relativizar o culto do nascimento do Senhor Jesus Cristo no dia 25 de Dezembro. 

É verdade que, possivelmente, o Senhor Jesus Cristo não terá nascido no dia 25 de Dezembro. Também é verdade que podemos celebrar o Seu nascimento todos os dias do ano, inclusive antecipando-o ou adiando-o conforme entendermos. É ainda verdade que o culto de Natal não é um barómetro decisivo para aferir, na íntegra, a qualidade da nossa fé e o grau da nossa espiritualidade. No entanto, em circunstância alguma estas arbitrariedades inoportunas podem levar-nos a relativizar a data oficial da encarnação do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 

Além disso, os Cristãos que negligenciam o culto no dia de Natal são, praticamente, os mesmos que o festejam socialmente no dia 25 de Dezembro, através de convívios familiares e da troca de presentes com os seus entes queridos. Não será isto uma enorme incongruência? Esperar-se-ia, igualmente, que essas pessoas não se associassem a qualquer tipo de festividade nesse dia, uma vez que, do ponto de vista eclesiástico-religioso, não lhe atribuem qualquer importância — por considerarem não ser a data oficial do nascimento do Senhor Jesus Cristo. “As más conversações”, como já dizia o Apóstolo Paulo, “corrompem os bons costumes” (1 Co 15:33). 

Nós, os evangélicos, por natureza, somos protestantes praticamente em tudo. Há coisas que, a meu ver, protestamos em demasia e que não fazem qualquer sentido à luz da Palavra de DEUS. Em contrapartida, nas questões em que realmente deveríamos protestar com mais vigor, ficamos calados, adotando uma postura de relativização e, em muitos casos, de letargia espiritual, o que não condiz minimamente com o irrepreensível testemunho Cristão. 

Que DEUS nos perdoe e nos ajude a interiorizar, da melhor forma possível, a importância cimeira que o culto de Natal no dia 25 de Dezembro representa no nosso testemunho Cristão. Que as lideranças das igrejas que não celebram o culto nesse grande dia da salvação nas suas congregações, sobretudo os pastores, possam reconsiderar seriamente esta infeliz postura eclesiástica, para a glória do nosso Senhor Jesus Cristo. Que assim seja.

O Reino de DEUS Pode Ser Tomado de Assalto?



Caros leitores, partilho aqui convosco o vídeo que gravei intitulado “O Reino de DEUS Pode ou Não Ser Tomado de Assalto Com Base na Afirmação do Senhor Jesus Cristo em Mateus 11:12? Este vídeo vem na sequência do artigo anterior que publiquei sobre a mesma questão teológica (LER), bem como da celebração do décimo quarto aniversário deste espaço – “As Verdades” (LER). Tenham um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo. 

A Importância de Orar de Joelhos


Orar é uma marca indelével na vida dos Cristãos. É uma das formas solenes e especiais que dispomos para interagirmos com o nosso Pai Celestial. Somos chamados a orar sem cessar (1 Ts 5:17), tendo em conta os grandes desafios que a vida espiritual comporta a todos os níveis. Devemos orar com a postura adequada e com o temor reverencial que se espera dos filhos do Todo-Poderoso DEUS, sobretudo de joelhos. Orar de joelhos traduz, em última instância, a postura mais correcta de se apresentar diante do nosso Magnífico DEUS. Também diz muito sobre o grau da reverência que demonstramos para com ELE. É uma boa prática religiosa que já vinha desde a mais antiga tradição judaica. Os profetas do Antigo Testamento comummente oravam de joelhos. O Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigénito de DEUS, subscreveu na íntegra este modelo de espiritualidade e orava de joelhos. Os seus discípulos, da mesma sorte, oravam de joelhos, bem como a Igreja primitiva. 

No entanto, por vicissitudes várias e supervenientes, orar de joelhos é uma boa prática que a ala tradicional do protestantismo postergou na sua liturgia pública e privada. Praticamente não se ensina na Escola Bíblica Dominical (EBD) e nos cultos congregacionais, fazendo com que a generalidade dos fiéis não o coloque em prática nas suas orações devocionais e espiritualidade em geral. Somente se verifica esporadicamente nos cultos da ordenação pastoral e de casamento, tendo em conta a imposição das mãos do presbitério perante os consagrados. Mesmo nos círculos pentecostais ou neo-pentecostais, onde se costuma enfatizar efusivamente o conceito de oração, acabam sempre por esvaziar este importantíssimo pressuposto espiritual e ficar bastante aquém na postura mais correcta que se deve seguir diante do SENHOR para orar. 

Orar de joelhos, tal como sustenta sabiamente Joseph Ratzinger, “é a posição de oração que exprime a extrema submissão à vontade de Deus, o abandono mais radical a Ele; uma posição que a liturgia ocidental prevê ainda na Sexta-Feira Santa, na Profissão Monástica e também na Ordenação Diaconal e nas Ordenações Presbiteral e Episcopal”. O Senhor Jesus ora de joelhos no Monte das Oliveiras– momentos antes de enfrentar a dolorosa Cruz (Lc 22.41). Hernandes Dias Lopes, na mesma esteira do pensamento, escreve que “o Deus eterno, criador do universo, sustentador da vida está de joelhos, com o rosto em terra. O Rei da glória está prostrado em humílima posição”. O Evangelista Mateus regista que o Senhor Jesus “prostrou-se sobre o seu rosto, orando” (Mt 26:39). Marcos narra que ele “prostrou-se em Terra” (Mc 14:35). Lucas, diferentemente dos dois evangelistas, descreve que o Senhor Jesus “pondo-se de joelhos, orava” (Lc 22:41). No chão duro, e sem qualquer tipo de suporte ou comodidade, o Senhor Jesus orava de joelhos, renunciando assim qualquer tipo de conforto na Sua intercessão. 

A Bíblia Sagrada ensina-nos várias formas de oração e/ou postura a adoptar. Com efeito, orar de joelhos ou deitar-se no chão para orar normalmente envolve casos de grandes contradições, intensas lutas espirituais, perigos iminentes, situações de ruptura e pedidos de urgência. Tanto que, por esta razão, antevendo a Sua morte horas depois, o Senhor Jesus Cristo colocou-Se de joelhos a orar, trançando assim uma bitola para os seus discípulos nos momentos cruciais e determinantes da batalha espiritual. Tomando por base a posição de oração, sustenta ainda Joseph Ratzinger, “insere esta luta nocturna de Jesus no contexto da história da oração cristã: Estevão, durante a lapidação, dobra os joelhos e reza. (cf. Act 7, 60); Pedro ajoelha-se antes de ressuscitar Tábita da morte (cf. Act 9, 40); Paulo ajoelha-se quando se se despede dos anciãos de Éfeso (cf. Act 20, 36), e outra vez quando os discípulos lhe dizem para não subir a Jerusalém (cf. Act 21, 5). A propósito, diz A. Stoer: «Todos eles, perante a morte, rezam de joelhos; o martírio não pode ser superado senão através da oração. Jesus é o modelo dos mártires” (LER)

Perante a verdade exposta, precisamos urgentemente de despertar e readoptar esta posição de oração de forma regular nos nossos cultos público-congregacionais e, deste modo, estimular os crentes a seguir o mesmo nas suas rotineiras orações em casa. A Igreja deve servir de exemplo neste sentido. E para isso impõe-se libertar humildemente de perniciosos comodismos, conformismos, complexidades, atrofiamentos, resignações e marasmos obstrutivos, que em nada contribuem para o verdadeiro crescimento e fortalecimento da nossa adoração. Que DEUS nos perdoe e nos ajude a superar estes importantes desafios espirituais no nome Bendito de Jesus Cristo. Que assim seja. 

OS EQUÍVOCOS TEOLÓGICO-DOUTRINÁRIOS SOBRE A CEIA DO SENHOR: (3): Será Que Um Cristão Baptizado Poderá Privar-se da Ceia do SENHOR?



A outra questão pertinente é a de saber se, de facto, um Cristão baptizado poderá deliberadamente privar-se da Ceia do Senhor? Entendemos obviamente que não. Jamais um crente poderá abdicar de comungar da Ceia do Senhor, uma vez que é uma ordenança bíblica que transcende o seu livre-arbítrio. Uma ordenança é uma ordem, mandado, lei e, portanto, revestido de força obrigatória geral. Não está à disposição do particular, neste caso do Cristão, razão pela qual tem imperiosamente de ser reverenciada e escrupulosamente cumprida. Ademais, ela retrata a comunhão visível do crente com o Senhor Jesus e a sua Santa Igreja. E todo o redimido no Senhor Jesus não está autorizado a furtar-se a tão sagrada comunhão eclesiástica, mesmo que seja temporária. O vínculo com DEUS é permanente e eterno. 

No entanto, tendo em atenção tais importantes observações, importa ainda salientar que o crente também não pode tomar a Ceia de forma indigna, sob pena   de ser culpado do corpo e do sangue do Senhor Jesus (1 Coríntios 11:27). Por outras palavras, o crente não pode tomar a Ceia do Senhor em condições de pecado. Precisa esclarecidamente estar consciente da sua condição espiritual, no sentido de não ter qualquer tipo de diferendo com DEUS ou com o seu próximo, para assim poder comungar da Ceia[1]. Por isso, zelar diariamente pela nossa santidade é condição indispensável para a vitória espiritual.  Infelizmente, na generalidade das situações, não é isso que acontece. Mesmo assim, não é desculpa para não estar em devida comunhão com DEUS. Podemos sempre pedir-Lhe perdão dos nossos pecados, bem como reconciliar-se oportunamente com Ele e com o nosso próximo o mais rápido possível.  Se for possível, quanto depender de nós, exortava inspiradamente o Apóstolo Paulo, “tende paz com todos os homens” (Romanos 12:18). Assim sendo, nesta linha de orientação, de acordo ainda com a revelação da Palavra de DEUS, “se trouxeres a tua oferta ao altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali mesmo diante do altar a tua oferta, e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão, e depois volta e apresenta a tua oferta” (Mateus 5:23-24). O mesmo critério se aplica no tocante a Ceia do Senhor. Se tivermos algum pecado temos a total liberdade de confessá-lo a DEUS e consequentemente tomar a Ceia, contando que a confissão seja realmente genuína. Não há pecado que DEUS não perdoe, excepto a blasfémia contra o Espírito Santo que não será perdoada aos homens, nem neste século nem no futuro (Mateus 12:31-32). Cremos que um autêntico Cristão jamais cometeria este pecado, tendo em conta a sua natureza abominável. O crente jamais poderá abdicar de tomar a Ceia do Senhor, insistimos, da mesma forma não pode tomá-la em condição de pecado. Por isso, como advertia o Apóstolo Paulo, “examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor”. Por causa disto, prosseguia ainda, “há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem” (1 Coríntios 11:28-30). Esta é uma das consequências inevitáveis de tomar a Ceia do Senhor indignamente, sem previamente examinar-se a verdadeira condição espiritual. Acreditamos, da mesma sorte, que todos aqueles crentes que deliberadamente privam-se da Ceia do Senhor incorre exactamente nas mesmas penalidades acabadas de se mencionar, isto é, fraqueza espiritual, doença e, por fim, morte física, não obstante continuarem a ser salvos e assegurados a promessa da vida eterna em Cristo Jesus. A finalidade última de serem infringidos estas “penalidades” por Omnisciente Jeová, segundo ainda o Apóstolo Paulo, é para não serem condenados com o mundo (1 Coríntios 11:32). A condenação do mundo é para a perdição eterna. Ao passo que esta condenação dos Cristãos do versículo trinta e dois do capítulo onze de primeira Coríntios visa meramente poupar os Cristãos infractores da Ceia do Senhor a serem condenados com o mundo incrédulo. 

É sempre conveniente pedir sistematicamente perdão a DEUS, especialmente nos momentos antecedentes à Ceia, e não se furtar dela, como alguns crentes fazem como “antídoto”. Isto porque, como diziam alguns conceituados teólogos, o Diabo tem usado de forma distorcida os versículos 28 até 30 do capítulo 11 de 1 Coríntios para afastar os crentes da comunhão da Ceia. O objectivo das referidas passagens bíblicas não é para os crentes ficarem assustados ou temorosos em não tomar a Ceia do Senhor. Apenas servem para despertar ainda mais a nossa consciência e permanente vigilância espiritual sobre o temor reverencial perante tão grandiosa ordenança – de modo que a postura correcta do crente não é fugir da Ceia, mas sim fugir do pecado e, deste modo, comungar da Ceia. O segredo é sempre pedir perdão a DEUS e procurar ter uma vida espiritual regrada, comprometida, santa e irrepreensível.  



[1] Mais uma vez, chamamos a atenção que este vídeo é bastante curto, tendo em conta a problemática doutrinária que encerra no juízo do Cristão tomar ou não a Ceia do Senhor, razão pela qual, para não induzir ninguém a cair no erro teológico, recomendamos também a leitura na íntegra do artigo incorporado ao nosso vídeo para ficar mais bem esclarecido.
Desde logo, sem quaisquer tipos de reservas, entendemos que nenhum Cristão Baptizado poderá abdicar de tomar a Ceia do Senhor, da mesma forma não pode tomá-la em condição de pecado, sob pena de cair nas penalidades dos versículos 28 até 30 do capítulo 11 de 1Coríntios. Entendemos ainda que o crente tanto caí nestas penalidades, tomando indevidamente a Ceia do Senhor, bem como recusando deliberadamente comungar dela. A Ceia do Senhor é uma ordenança com força obrigatória geral para todos os Cristãos “nascidos de novo”.  

Esclarecimento Sobre o Artigo Anterior – O Meu Repúdio Sobre o Fechamento das Igrejas por Causa do Coronavírus


Julgo que há um equívoco no que toca ao meu último artigo de opinião sobre o repúdio que manifestei do fechamento das igrejas por causa do coronavírus (LER). Fiquei com a impressão de que alguns que caíram neste deliberado equívoco leram parcialmente o artigo ou não o leram, fazendo com que não conseguissem extrair o seu alcance teleológico. Desde logo, o objetivo do artigo em apreço não é secular, mas sim espiritual. Não visa debruçar acerca das problemáticas epistemológico-científicas do coronavírus e as suas implicações sociológicas. Também não é colocar em causa as pertinentes recomendações preventivas que as autoridades estão a dar para minimizar o seu impacto contagioso e pernicioso na vida das populações e, tão pouco, subestimar os seus efeitos catastróficos, bem como a boa conduta que se espera de todos os Cristãos neste momento particular para fazer face definitivamente a esta maldita doença. A minha questão era denunciar a tamanha incongruência da Aliança Evangélica Portuguesa e das Igrejas que decidiram fechar prematuramente as suas portas, usando o descabido pretexto da “prevenção”

O argumento que foi usado para tomar esta inédita e radical decisão não se baseou em nenhum texto bíblico, mas sim nas indicações sanitárias da Direção Geral de Saúde e do Governo (agora a Cidade de DEUS é regida pela cidade dos Homens? Ou Babilonia instruirá a Santa Jerusalém?). O mais ridículo de tudo isto é que as instituições da República Portuguesa estão a funcionar sem grandes sobressaltos, nomeadamente a Assembleia da República, o Governo, os Tribunais, bem como as autarquias locais e empresas privadas. No entanto, a Assembleia de DEUS (as Igrejas de Cristo, bem entendido) estão com as suas portas fechadas. Que tamanho escândalo espiritual! 

Eu ficaria tranquilo se fosse realmente o Estado português que tivesse a obrigar imperativamente as Igrejas a encerrar as suas portas por causa da prevenção. Acontece que, por enquanto, não foi isso. A Função Pública não está paralisada. As empresas privadas também estão a funcionar, não obstante pontuais ajustamentos que alguns estão a fazer para se adaptarem ao novo contexto excepcional em que vivemos. Os transportes públicos estão a funcionar perfeitamente. Os centros comerciais estão abertos, bem como os restaurantes, cafés e afins. Todas estas entidades não estão, porventura, preocupadas com o coronavírus? Porque somente as igrejas têm de fechar as suas portas? Não seria também normal fazer algumas pontuais alterações, nomeadamente suprimir determinadas actividades eclesiásticas, aconselhando os irmãos que se enquadram nos grupos considerados de risco a ficarem em casa, mantendo os cultos dominicais e até promover os cultos comunitários na rua? Era, a meu ver, mais sensato espiritualmente proceder assim do que tomar a radical medida de fechar as portas das Igrejas. 

Este fechamento das Igrejas por causa do vírus do coronavírus remete-nos indubitavelmente para outros grandes vírus espirituais que estão a ameaçar galopantemente as igrejas e a consequentemente enfraquecê-las, nomeadamente o vírus da incredulidade, da sonolência espiritual, da idolatria e do obscurantismo teológico, do materialismo e da segregação denominacional, da racionalidade e do liberalismo teológico. O vírus do afastamento e não engajamento na obra de DEUS. O vírus da falta de fé e de uma vivência espiritual sem qualquer tipo de expressividade, máxime despida de amor e perdão. É um vírus acima de tudo de fechamento e de hipocrisia. Fechamento por tudo o que é sagrado e de DEUS. Fechamento da Igreja para dentro da sua vida saturada, doentia e cheia de pecados. Fechamento espiritual que se preocupa mais com as coisas deste mundo, levando-a a não ter o comprometimento com a oração, a vigilância espiritual, a Evangelização e Missões e com a vida santificada. É uma Igreja que fecha para as coisas de DEUS e, ao mesmo tempo, aberta para a novidade do mundo e do mundanismo, razão pela qual está cada vez mais reduzida, estagnada, envelhecida e sem avanço. É este vírus de “fechamento” que está infelizmente a arruinar a saúde espiritual das Igrejas. Por isso, esta pronta opção das lideranças das Igrejas de tomarem precipitadamente a mais extrema medida de fechamento das portas das Igrejas, sob o pretexto de estarem a  “prevenir” os crentes do coronavírus veio apenas evidenciar a olhos nus o estado da indolência espiritual que as igrejas neste momento se encontram –  que tem a ver sobretudo com o vírus de “fechamento” para as coisas de DEUS. 

Os Cristãos que hoje ficaram remetidos dentro das suas casas com medo de passarem duas horas na Casa de DEUS para não contrariarem o coronavírus, são os mesmos Cristãos que amanhã se vão levantar sem medo para estarem nove horas no trabalho e durante toda a semana por aí em diante, ignorando a tal justificada “prevenção” contra o coronavírus que alegaram para fechar as igrejas. Não será isto uma contradição? A verdadeira prevenção era deixarmos também de trabalhar temporariamente para assim ficarmos todos mais “seguros” em casa de quarentena. 

E mais, esta tamanha incongruência consubstancia uma clara falta de fé dos Cristãos. Não podemos somente falar da fé do ponto de vista genérico e abstrato, sem vivenciá-la na prática. E viver a fé é inclusive romper as barreiras da racionalidade, contrariando as incredulidades que se levantam para abafar o agir poderosíssimo do Espírito Santo. A fé é, acima de tudo, correr o risco. O risco de ser mal compreendido e considerado louco. O risco de ser rotulado e contrariado. O risco de ser detestado e perseguido. O risco de desafiar a lógica e falíveis previsões humanas. O risco de se expor ao perigo aos olhos do mundo e considerado um fracassado. O risco inclusive de morrer por causa do Senhor Jesus Cristo. Mesmo assim, continuar inabalavelmente firme nas promessas de DEUS. 

A grande verdade neste momento é que as Igrejas não podiam, por enquanto, tomar a radical medida de fechar as suas portas, enquanto que a generalidade das instituições da República estão a funcionar e as empresas privadas também. As Igrejas que decidiram fechar ficaram bastante aquém do grande desafio da fé que se espera dos Filhos de DEUS, mormente de oferecer a mensagem de amor, perdão e esperança a todos aqueles que estão apavorados com este malicioso surto de coronavírus. Julgo que a oportunidade que DEUS está a dar-nos com esta pandemia é, acima de tudo, de começarmos realmente a priorizar a Sua obra e não arranjar falsos pretextos moralistas para justificar as nossas insuficiências e incertezas espirituais. 

Manifesto de Repúdio Sobre o Fecho das Igrejas por Causa do Coronavírus


Estou manifestamente indignado com a posição da Aliança Evangélica Portuguesa sobre a pandemia do coronavírus no que toca à sua última nota, recomendando vivamente as igrejas e comunidades evangélicas a não abrir as suas portas para cultos e outras actividades eclesiásticas nas próximas semanas (LER), levando assim algumas igrejas a tomar esta decisão desproporcional e infundada à luz das Escrituras Sagradas. Estou ainda mais indignado com as igrejas que, apesar desta questionável recomendação da Aliança Evangélica, decidiram precipitadamente cair nesta onda de susto secularista e ditadura do instantâneo, perdendo a oportunidade singular de dar um firme testemunho de fé nestes dias obscuros, de pânicos e de incertezas para milhares e milhões de pessoas em todo o mundo. 

É inconcebível fechar as portas das igrejas só porque o governo declarou o “estado de alerta” para todo o país (LER). O estado de alerta, na ordem jurídica portuguesa, não comporta assim grandes repercussões práticas na vida das pessoas. Tanto que, por esta razão, apesar de estarmos já a vivê-lo, a vida continua a fluir normalmente, excepto alguns pontuais ajustamentos que foram feitos para mitigar o surto do coronavírus, nomeadamente a paralisação total de aulas e outras medidas extraordinárias que, em circunstância alguma, colocou em causa os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. 

O estado de alerta, de uma forma subsumida, significa que os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança do estado estão em prontidão para responder com eficiência. Mesmo no estado de sítio ou estado de emergência, que são os mais gravosos na ordem jurídica portuguesa, e só podem ser declarados “nos casos de agressão efectiva ou iminente por forças estrangeiras, de grave ameaça ou perturbação da ordem constitucional democrática ou de calamidade pública” (art.º 19, nº 1 da Constituição), em nenhum caso podem afectar os direitos fundamentais inerentes à condição humano-social, especialmente a liberdade de consciência e de religião art.º 19 alínea 1 da Constituição). Por outras palavras, mesmo nestas situações excepcionais, a Constituição da República Portuguesa continua a assegurar aos santos de DEUS a possibilidade de cultuarem, se assim o entenderem. 

Perante o exposto, entendo que a opção de suprimir as actividades dominicais e consequentemente fechar as portas das igrejas por causa do surto do coronavírus   foi uma decisão prematura, drástica, radical e sem qualquer suporte bíblico, aliás, tal como se pode ver na referida recomendação da Aliança Evangélica Portuguesa que está claramente despida do texto sagrado e na generalidade dos comunicados tautológicos emitidos pelas igrejas, que decidiram concomitantemente alinhar nesta onda do “fechamento”. Este fechamento das igrejas consubstancia indubitavelmente uma sonolência espiritual e grave crise da fé em que estamos infelizmente submergidos, “que não se alarma com o poder do mal no mundo, com toda a injustiça e com todo o sofrimento que devastam a Terra. É um embotamento que prefere não se dar conta de tudo isso (…), podendo deste modo continuar a autocomprazer-se na sua própria vida saturada. Mas este embotamento das almas, esta falta de vigilância seja quanto à proximidade de Deus, seja quanto à força ameaçadora do mal confere ao maligno um poder no mundo” (LER)

Com isso, não estou a minorar ou a subestimar o impacto pernicioso que o corona vírus representa na saúde pública, máxime na dos cidadãos. Não estou a colocar em causa as previsões catastróficas que poderão acontecer brevemente em Portugal, tal como já está a suceder noutros países, se não houver medidas preventivas adequadas para mitigar esta maldita doença. Não estou a colocar em causa o zelo que as igrejas devem ter para com os seus membros nos momentos mais desafiantes das suas vidas. Não estou também a pôr causa a vida dos que já morreram e possivelmente vão continuar a morrer nos próximos dias e semanas. Longe de mim tal insensibilidade e desumanidade. Estou plenamente consciente que estamos todos a correr sérios riscos de vida e se brincarmos podemos contrair o coronavírus e este revelar-se extremamente fatal. Estou bem actualizado da gravidade de toda esta situação e simultaneamente solidário com as autoridades nacionais e internacionais, as equipas médicas nos hospitais e especialmente todos os que neste momento estão entre a vida e a morte. 

No entanto, fechar as portas das igrejas, a meu ver, tem de ser mesmo em situações que ultrapassam todos os limites – onde não há mesmo condições mínimas para haver a reunião; onde todo o mundo é obrigado a estar de quarentena por causa da calamidade pública ou por motivos de guerra, ficando completamente paralisada a vida profissional e social de todos os cidadãos. Nestes casos, sim, as igrejas têm mesmo, por força das circunstâncias, fechar por inexequibilidade prática. Não é, contudo, o que está a acontecer neste momento em Portugal, graças a DEUS. As pessoas continuam a trabalhar, embora com alguns condicionalismos extras, e a viver praticamente na normalidade, cientes naturalmente das precauções que devem tomar no seu dia-a-dia e sobretudo dos malefícios que o coronavírus comporta. 

Por isso, não consigo compreender o fecho das igrejas nas próximas semanas. É a primeira vez que estou a viver tal situação. Não consigo, por isso, interiorizar esta prematura decisão, sob pretexto de estar a proteger os membros das igrejas para não contraírem o coronavírus e, ao mesmo tempo, incorporando uma tamanha contradição do ponto de vista espiritual. Será que o culto que prestamos ao nosso Eterno e Todo-Poderoso DEUS não se enquadra “nas actvidades estritamente essenciais” que o governo decidiu salvaguardar neste estado de alerta em que estamos a viver? Faz algum sentido um Cristão passar quarenta e cinco horas no trabalho durante a semana e não poder estar apenas duas horas na Igreja num culto de domingo? Será que é mais fácil contrairmos o coronavírus num culto dominical do que nos sobrelotados transportes públicos, nomeadamente comboios e metros, que a generalidade dos irmãos da Igreja usam para ir trabalhar ou tratar de outros afazeres? Podemos ir trabalhar sem ter medo de coronavírus e não podemos ir à igreja cultuar o nosso DEUS por medo do coronavírus? Quer dizer então que os Cristãos podem fazer parte significativa da sua rotina do dia-a-dia, nomeadamente trabalhar, andar de transportes públicos, fazer compras e dar passeios… só ficam amedrontados em ir à Igreja por causa do coronavírus, não é? As más conversações, já dizia o Apóstolo Paulo, corrompem os bons costumes (1 Coríntios 15:33). De facto, as más conversações pervertem os bons costumes. 

Admito que as Igrejas poderiam tomar algumas decisões excepcionais, sobretudo aconselhar alguns irmãos idosos, os que sofrem de doenças crónicas, grávidas e crianças a não tomarem parte, por enquanto, nos cultos e resguardarem-se exclusivamente em casa até que seja ultrapassada esta calamitosa situação e não cancelar de imediato todas as actividades eclesiásticas. E mais, importa ainda salientar que não é pelo facto de não irmos à Igreja ou estarmos a tomar as devidas precauções que ficamos imunes ao coronavírus. Todas as precauções são insuficientes se não tivermos a protecção Divina para nos livrar deste maléfico vírus. E só Ele é capaz de nos livrar de todo o perigo e mal, mentalizando-nos sempre que estamos a viver os “Sinais dos Tempos” (ALI) e (AQUI) , bem como ancorando-nos na absoluta certeza de que em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou, uma vez “nem a morte nem a vida; nem os anjos nem outras forças ou poderes espirituais; nem o presente nem o futuro; nem as forças do alto nem as do abismo. Não há nada nem ninguém que nos possa separar do amor que Deus nos deu a conhecer por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 8:29-37). Louvado seja DEUS. 

Em suma, busquemos em primeiro lugar a DEUS, principalmente neste momento de incertezas, de aflição e pânico mundial, de todo o nosso coração. Não no fechamento temerário das portas das igrejas, mas sim entrando intrepidamente pelas suas portas com acção de graças, e em seus átrios com louvor (Salmo 100:4). Que DEUS ricamente nos abençoe e nos guarde de todo o perigo e mal, particularmente desta maligna pandemia do coronavírus em nome do Senhor Jesus Cristo. Que assim seja. E assim sempre será pela fé.  

O Dia do SENHOR, na Doutrina Social da Igreja (2)


“O repouso festivo é um direito. Deus «repousou, no sétimo dia, do trabalho por Ele realizado» (Gn 2, 2): também os homens, criados à Sua imagem, devem gozar de suficiente repouso e tempo livre que lhes permita cuidar da vida familiar, cultural, social e religiosa. Para tanto contribui a instituição do dia do Senhor. Os fiéis, durante o domingo e nos demais dias santos de guarda, devem abster-se de «trabalhos e negócios que impeçam o culto a prestar a Deus, a alegria própria do dia do Senhor, a prática das obras de misericórdia ou devido repouso do espírito e do corpo». Necessidades familiares ou exigências de utilidade social podem legitimamente isentar do repouso dominical, mas não devem criar hábitos prejudiciais à religião, à vida de família e à saúde. 

O domingo é um dia a ser santificado com uma caridade operosa, reservando atenções à família e aos parentes, como aos doentes, aos enfermos, aos idosos, não se deve tão-pouco esquecer aqueles «irmãos que têm as mesmas necessidades e os mesmos direitos  e não podem descansar por motivos de pobreza e de miséria»; de mais a mais, é um tempo propício para a reflexão, o silêncio, o estudo, que favorecem o crescimento da vida interior e cristã. Os fiéis devem distinguir-se, também neste dia, pela sua moderação, evitando todos os excessos e as violências que não raro caracterizam as diversões de massas. O dia do Senhor deve ser sempre vivido como o dia da libertação, que faz participar «da assembleia festiva dos primogénitos que estão inscritos nos céus» (Heb 12, 22-23) e antecipa a celebração da Páscoa definitiva na glória do céu.[1]” 


[1] Extraído no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, p. 189-190, Principia, 2005.

O Dever de Trabalhar, na Doutrina Social da Igreja


“A consciência da transitoriedade da «figura deste mundo» (cf. 1Cor 7, 31) não isenta de nenhum empenho histórico, muito menos do trabalho (cf. 2Ts3, 7-15), que é parte integrante da condição humana, mesmo não sendo a única razão de vida. Nenhum cristão, pelo facto de pertencer a uma comunidade solidária e fraterna, deve sentir-se no direito de não trabalhar e de viver à custa dos outros (cf. 2Ts 3, 6-12); todos, antes, são exortados pelo apóstolo Paulo a tomar como um ponto de honra o trabalhar com as próprias mãos, de modo a não serem «pesados a ninguém» (1 Ts 4, 11-12) e a praticar uma solidariedade também material, compartilhando os frutos do trabalho com «necessitado» (Ef 4, 28) (…) Os crentes devem viver o trabalho ao estilo Cristo e torná-lo ocasião de testemunho cristão em presença dos «de fora» (1 Ts 4, 12). (…) Mediante o trabalho, o homem governa com Deus o mundo, juntamente com Ele é sempre seu senhor, e realiza coisas boas para si e para os outros. O ócio é nocivo ao ser do homem, enquanto a actividade favorece o seu corpo e o seu espírito. O cristão é chamado a trabalhar não só para conseguir o pão, mas também por solicitude para com o próximo mais pobre, a qual o Senhor ordena dar de comer, de beber, de vestir, acolhimento, atenção e companhia (cf. Mt 25, 35-36). Cada trabalhador, afirma Santo Ambrósio, é a mão de Cristo que continua a criar e a fazer o bem.[1]



[1] Extraído no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, p. 179-180, Principia, 2005 

A Problemática Teológico-Doutrinária Sobre a Permanente Virgindade de Maria



Igreja Católica Romana sempre surpreendeu teologicamente pela negativa. É uma instituição eclesiástica com profundíssimos desvios doutrinários. Incorpora no seu âmago tremendas heresias, arrastando consigo milhões dos seus fiéis ao longo dos séculos para o obscurantismo espiritual. O exemplo manifesto disso prende-se máxime com a prática do culto mariano, a veneração dos santos, o baptismo das crianças, o ecumenismo e liberalismo teológico, a interpretação lato sensu das Escrituras Sagradas, a imposição do celibato ao clero, a inflexibilidade sobre o divórcio em caso de adultério (LER), a infalibilidade da autoridade papal e toda a capa no sentido de considerá-lo hereticamente como o sumo representante de DEUS na Terra. Valeu-nos felizmente a intrépida correção dos Reformadores Protestantes para recolocar a Igreja no caminho certo da verdade soteriológica (LER). A intransigente apologética sobre a permanente virgindade de Maria, posteriormente ao nascimento do Senhor Jesus Cristo, bem como a sua divinização são dogmas que não têm qualquer tipo de suporte e acolhimento bíblico. E para o caro leitor entender melhor as duas ardilosas doutrinas da Igreja Católica é preciso, acima de tudo, conhecer os pressupostos teológicos que caracterizam ambas para assim chegar à verdade da Palavra de DEUS. Por isso, ater-nos-emos, em primeiro lugar, à temática da permanente virgindade de Maria para depois abordar os raciocínios falazes sobre a sua divinização. 

A concepção do Senhor Jesus Cristo, tal como é unanimemente acolhido em todas as denominações do Cristianismo, foi um acto miraculoso que não teve qualquer tipo de participação humana. Foi exclusivamente fruto da vontade soberana de DEUS para fazer cumprir o Seu soberano propósito salvífico para com a Humanidade outrora decaída pelo pecado original de Adão e Eva (Genesis 3:1-15). Ora, como ficou bem registado nos evangelhos sinópticos, depois do Anjo Gabriel ter terminado a conversa com José, que estava tomado no seu profundo sonho, este “recebeu Maria por esposa; sem terem tido antes relações conjugais” (Mateus 1:24). Acontece que, por vicissitudes várias, depois do nascimento do Senhor Jesus Cristo, não temos mais nenhuma passagem bíblica que sustente a continuidade da virgindade de Maria, antes pelo contrário, há indicações e relatos claríssimos que nos mostram que Maria se envolveu maritalmente com José, o seu marido, tendo em consequência disso outros filhos e filhas.  O exemplo manifesto disso foi narrado pelo Evangelista Mateus e Marcos ao referirem-se à incredulidade e concomitante admiração que o Senhor Jesus suscitava perante a multidão aquando do seu regresso à cidade de Nazaré, levando-os a interrogar-se de forma surpreendente: “donde lhe vem a sabedoria e o poder de fazer milagres? Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria a sua mãe? E não são seus irmãos Tiago, José Simão e Judas? Não vivem cá também todas as suas irmãs? Donde lhe vem então tudo isto?” (Mateus 13:54-56; Marcos 6:2-3). São estes mesmos irmãos do Senhor Jesus, que ao aproximar-se a “Festa dos Tabernáculos” dos judeus, “não criam nele” (João 7:5). Ao ressuscitar dos mortos os tais, juntamente com os Seus discípulos e algumas mulheres, acabaram finalmente por crer Nele, “preservando unânimes em oração e súplicas” (Actos 1:14). O “abortivo” Apóstolo Paulo, volvidos três anos da sua milagrosa conversão no caminho de Damasco e consolidado três anos nas regiões das arábias, voltou a Jerusalém, tendo apenas a oportunidade de se cruzar com o Apóstolo Pedro e também “Tiago, o irmão do Senhor” (Gálatas 1:17-19)

Pese embora a divergência doutrinária entre os teólogos Católicos e Protestantes, levando aqueles a considerar que “os seus irmãos e suas irmãs” não são de facto irmãos verdadeiros do Senhor Jesus, isto é, irmãos de sangue, mas sim aquilo a que podemos denominar “primos-irmãos”. Cingindo-se à linha condutora da interpretação dos versículos em apreço, a fundamentação dos biblistas Católicos não corresponde à mínima verdade, por razões muito simples: desde logo, a multidão começa por mencionar os pais terrenos do Senhor Jesus, o carpinteiro José e Maria, aludindo depois aos seus irmãos e irmãs. Ou seja, vimos aqui o cuidado especial da multidão a dar primazia à família mais directa do Senhor Jesus que traduzia o grau de parentesco mais próximo, começando com a linha recta para depois entrar na primeira linha colateral. Se de facto estes “seus irmãos e suas irmãs” fossem mesmo primos-irmãos do Senhor Jesus, tal como sustentam os teólogos Católicos, obviamente que a multidão teria igualmente o cuidado de enumerar também os seus tios e tias, como fizeram questão com os primos-irmãos, se verdadeiramente considerarmos que estes assim o são, uma vez que deveriam viver outrossim estas pessoas na mesma localidade de Nazaré. Falando à multidão do pai e da mãe do Senhor Jesus para depois saltar e referir unicamente os seus primos-irmãos sem, no entanto, fazer qualquer tipo de menção aos seus tios e tias não tem qualquer tipo de lógica e/ou coerência interpretativa. Afirmamos isto porque objectivamente os tios e tias do Senhor Jesus são mais próximos Dele em termos de parentesco do que propriamente os seus primos-irmãos. Por que razão, então, a multidão relevaria os primos-irmãos do Senhor Jesus Cristo em detrimento dos seus tios e tias? Logicamente, não faz qualquer tipo de sentido a multidão omitir a primeira linha colateral do Senhor Jesus, dando primazia à segunda linha colateral. Isto somente reforça a convicção que sempre perfilhámos de que realmente “os seus irmãos e suas irmãs” são mesmo irmãos de sangue do Senhor Jesus e não meros “primos irmãos”, tal como equivocadamente faz crer a Igreja Católica Romana. 

Acresce ainda o facto de, depois de Maria ter dado à luz ao Senhor Jesus Cristo em Belém de Judeia, o Evangelista Mateus e Lucas usaram a expressão seu “filho primogénito” (Mateus 1:25; Lucas 2:7), contrastando com o termo do filho “Unigénito de Deus” empregue em João 3:16 e em inúmeros outros trechos sagrados. Atentando no significado etimológico da palavra “primogénito”, concluir-se-á que difere do sentido e alcance de “Unigénito”. Dito por outra forma, segundo o conceituado dicionário português Priberam, a palavra primogénito advém de “que ou aquele que nasceu antes dos outros irmãos; filho mais velho”, ao passo que o unigénito traduz “o único gerado por seus pais; Filho único”. As mesmas definições foram igualmente dadas pelo prestigiado Dicionário Porto Editora. Nas Escrituras Sagradas, o Senhor Jesus Cristo encarnou as duas denominações em simultâneo. O termo “Filho de Deus” tem quatro grandes significados bíblicos que, de forma elucidativa e subsumida, procuraremos descortinar. 

Segundo o reputado Teólogo George Eldon Ladd, na sua afamada obra “Teologia do Novo Testamento”, formalizou “que uma criatura de Deus pode ser denominada filho de Deus em um sentido nativista, em virtude de dever sua existência à atividade criativa imediata de Deus (Êxodo 4:22; Ml. 2:10; At. 17:28). Na segunda maneira, a expressão filho de Deus pode ser usada para descrever a relação que os homens podem manter com Deus como objetos peculiares de seu cuidado amoroso. Este é o uso moral-religioso e pode ser aplicado tanto às pessoas em geral como à nação de Israel (Êxodo 4:22; Jo. 3:3; 1:12; Rm. 8:14-19; Gl. 3:26; 4:5). Um terceiro significado é messiânico; o rei da linhagem de Davi é designado como filho de Deus (2 Sm. 7:14). Esse uso não envolve uma implicação necessária quanto à natureza divina do personagem messiânico; o termo refere-se à posição oficial de Messias. Um quarto significado é teológico. Na revelação contida no Novo Testamento e na teologia cristã que se desenvolveu posteriormente, a expressão Filho de Deus veio a ter um significado mais elevado: Jesus é o Filho de Deus porque Ele é Deus e participa da natureza divina. O propósito do Evangelho de João é demonstrar que Jesus é tanto Cristo como o Filho de Deus, e fica claro, de uma análise do prólogo de João, que Jesus, como o Filho de Deus, o Logos, era pessoalmente preexistente; Ele próprio era Deus, e encarnou-se com o propósito de revelar Deus à humanidade (Rm. 8:3; Gl. 4:4; Hb. 4:14)”[1]

Subscrevemos na íntegra esta tese defendida pelo insigne teólogo canadiano. E salientamos ainda que, para efeitos de maior e melhor esclarecimento do assunto em apreço, em relação ao facto do Senhor Jesus Cristo ser o Filho Unigénito de DEUS revela a Sua eterna divindade como a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Aqui não se colocam grandes dificuldades de interpretação, nem tão pouco há divergência sobre isso. A querela doutrinária prende-se mais com a expressão “filho primogénito” de Mateus 1:25; Lucas 2:7, levando a Igreja Católica a entender que o primogénito não é necessariamente o primeiro duma série em sucessão. Por todos os exemplos, o agora Papa Emérito Bento XVI vai ao ponto de sustentar que “o termo primogénito não alude a uma numeração em ato, mas indica uma qualidade teológica expressa nas mais antigas coleções de leis de Israel”. É, assim, enfatizando “que o conceito de primogenitura adquire uma dimensão cósmica: Cristo, o Filho encarnado, é por assim dizer, o primeiro de Deus e antecede toda a criatura, que está ordenada para Ele e a partir d´Ele”. Por isso, sumaria, “é também princípio e fim da nova criação, que teve início com a ressurreição”[2]

Não comungamos deste entendimento redutor do Papa Bento XVI, não obstante algumas verdades parcelares que astutamente encerra. Julgamos que parte de uma pressuposição equivocada na sua construção teológica. O primogénito a que o Evangelista alude no texto sagrado é referente ao recém-nascido filho de Maria. Não hesitamos em admitir que a mesma expressão vai ganhando outros significados nas epístolas sagradas sobre o papel preponderante e amiúde determinante do Messias no processo da Criação e Salvação da Humanidade. A começar, desde logo, o facto de o Senhor Jesus Cristo ser “o primogénito entre muitos irmãos (Romanos 8:29)”, não somente consubstancia a Sua primazia na ordem da dignidade, mas Aquele que inaugura uma nova Humanidade – o primogénito de toda a criação. Ele é antes de todas as coisas e nele subsistem todas as coisas, e ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o Princípio, o primogénito dentre os mortos para que em todas as coisas tenha a primazia (Colossenses 1:17-18). É através Dele que herdamos a vida eterna, mediante o Seu sacrifício expiatório na Cruz do Calvário, ou seja, todos aqueles que no Baptismo morreram e ressuscitaram com Ele. Uma coisa é o Senhor Jesus Cristo ser o nosso irmão mais velho pela Graça de DEUS. Outra coisa, e bem diferente, é Ele ser o primogénito” do casal Maria e José. 

Para objectar ainda à ideia de que Maria não chegou a ter mesmo filhos, como já provámos biblicamente que ela de facto teve, alguns usam o texto sagrado de João 19:25-27  para demonstrar que se ela tivesse tido filhos eles estariam certamente na crucificação do irmão, caso contrário o Senhor Jesus não teria dito para o seu discípulo amado: “Mulher, eis aí teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”, ficando Maria assim definitivamente sob os cuidados do Apóstolo João[3]. Antes de refutarmos o esgrimido argumento apoiado no texto bíblico, importa transcrever primeiramente o referido trecho que versa da seguinte forma: “junto da cruz de Jesus estavam a sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus viu a sua mãe e junto dela o discípulo que ele amava. E disse à sua mãe: «Mulher, aí tens o teu filho.» Depois disse ao discípulo: «Aí tens a tua mãe.» E, desde esse momento, aquele discípulo recebeu-a em sua casa” (João 19:25-27). A postura que o Senhor Jesus teve para com o Seu “discípulo amado”, de incumbi-lo a responsabilidade plena da Sua mãe, é praticamente normal na antiguidade e ainda recorrente nos nossos dias. Ademais, se atentarmos cuidadosamente no ministério terreno do Senhor Jesus nos Evangelhos concluiremos que este discípulo esteve sempre presente nos momentos cruciais e determinantes da vida e morte do Senhor Jesus Cristo (João 13:23; 19:25-27; 21:7;21:20-23), razão pela qual ganhou a alcunha especial de “discípulo amado”. É manifestamente normal, estando o Senhor Jesus à beira da morte, confiar à Sua mãe este preciosíssimo amigo, uma vez que “há um amigo mais chegado do que um irmão” (Provérbios 18:24). Nesta ordem de ideias, e de acordo com o comentário da Bíblia de Estudo MacArthur, “Jesus sendo o primogénito e o provedor de sustento para a família antes de iniciar seu ministério, não entregou a responsabilidade aos seus irmãos porque estes não foram simpáticos ao seu ministério e nem creram nele (João 7.3-5). Possivelmente os irmãos nem estivessem presentes na ocasião (ou seja, eles moravam em Cafarnaum – veja João 2:12)”. Os irmãos do Senhor Jesus somente acreditaram Nele como Messias depois da Sua ressurreição e ascensão aos céus. Talvez fosse por esta mesma razão que deve ser entendida a ausência deles na crucificação do irmão na Cruz do Calvário e parte significativa dos seus discípulos. “Todos vocês vão Me abandonar”, vaticinava-lhes o Senhor Jesus durante a última Ceia, “porque Deus declarou por meio dos profetas: “Eu matarei o Pastor, e as ovelhas se dispersarão”” (Marcos 14:27). E assim foi. 

Ora, não estando os irmãos  ao pé da Cruz é completamente normal o Senhor Jesus, como sendo “o filho primogénito” da família, assegurar o amparo da mãe antes da Sua partida como um bom filho faria em situações semelhantes (importa ainda salientar que, nesta altura, José, marido de Maria, teria morrido, ou seja, ela já se encontrava viúva). E mais, de forma analógica, o Direito Sucessório e o Testamento do de cujus (falecido) muitas vezes não contemplam os herdeiros legitimados sem, no entanto, traduzir automaticamente que o falecido não tenha tido filhos ou outros elementos familiares que possam realmente ter um papel preponderante nos seus negócios ou património. Por isso, a postura que o Senhor Jesus tomou na Cruz para proteger a Sua debilitada e desamparada mãe não deve ser entendida como se não tivesse outros familiares, ou irmãos para cuidar dela, mas tão simplesmente pela força das circunstâncias e, deste modo, reforçar definitivamente o amparo da pobre mãe. 

A Igreja Católica refugiando-se no seu preconceito teológico-doutrinário não quer reconhecer esta manifesta verdade, mesmo indo contra todas as evidências teológicas. Sabe que a partir do momento em que admitisse a união marital de Maria e José colocaria automaticamente em causa a sua divinização. Isto porque o sexo em muitos círculos católicos é algo visto com bastante reservas. “O pecado original”, como é designado primeiramente pelo santo Agostinho na “Confissão”, entrou no mundo por via da sexualidade. A libido e os cuidados que o ser humano normalmente tem com as regiões pudendas são as manifestações visíveis da vergonha que procedem do castigo, encerrava peremptoriamente o Doutor da Igreja na sua afamada obra “Cidade de Deus”. E para justificar esta sua tese com a ordem dada a Adão e Eva, no sentido de frutificarem e multiplicarem a Terra em Genesis 1:28 através do sexo e da sexualidade, santo Agostinho sustentava o seguinte para fazer valer a sua doutrina: «está muito longe de nós o pensamento de que aqueles esposos colocados no Paraíso teriam de realizar, mediante esta paixão libidinosa (libido), de que viriam a envergonhar-se tapando as regiões pudendas, aquilo que Deus prometeu na sua bênção: Crescei a multiplicai-vos e enchei a terra. (…) Na ordem natural a alma sobrepõe-se ao corpo; todavia, a alma tem mais fácil domínio sobre o corpo do que sobre a si própria. Todavia, esta paixão libidinosa, de que agora estamos a tratar, excita a vergonha tanto mais quanto mais o espírito nem se mostra capaz de a si próprio se dominar eficazmente para se não deixar deleitar inteiramente nessa paixão, nem sobre o corpo tem pleno domínio para que seja precisamente a vontade (e não a paixão) a excitar as regiões vergonhosas: se assim fosse já nem seriam vergonhosa.»[4]. Há, assim, uma carga bastante negativa do sexo e a sexualidade na teologia do Bispo de Hipona, levando-lhe inclusive a associá-lo com a libidinosidade e consequentemente a censurá-lo. E toda esta doutrina vai ter fortes implicações práticas na forma peculiar como a Igreja Católica encara e aborda o sexo, sobretudo negando em última instância o seu carácter de fruição, reduzindo-a stricto sensu à procriação. Portanto, em suma, a problemática sobre a intransigente oposição do Vaticano ao uso de métodos contraceptivos entre os casais, no âmbito matrimonial, só poderá ser holisticamente compreendida no “Pecado Original” formalizado por santo Agostinho. E para ilibar Maria do referido pecado, elevando-a ao título de “Virgem Santíssima” e “Mãe de Deus”, era importante dissociá-la do vírus do pecado de Adão e Eva que se contrai no sexo, caso contrário ela não seria merecedora de tais proeminentes títulos celestiais. 

Não subscrevemos tais heresias. Não há margem para dúvidas, usando as acertadas palavras da Declaração de Fé Baptista Portuguesa, que “Deus criou o homem, concedendo-lhe a prerrogativa de fecundidade, fertilidade e natalidade, permitindo-lhe a multiplicação da espécie humana, povoando e dominando a Terra. Deus não condena o ato sexual em si, mas a prática sexual desgovernada, sem limites e sem princípios divinos. (...) A atração física, emocional e o verdadeiro amor no casamento são condições indispensáveis para uma sexualidade abençoada” (LER)


[1] George Eldon Ladd, in Teologia do Novo Testamento, p. 212 e 213, Editora, Hagnos, São Paulo, 2003.
[2] Joseph Aloisius Ratzinger, in Jesus de Nazaré [Infância de Jesus], p. 62 e 63, Editora, Planeta, 2013.
[3] Segundo alguns testemunhos recolhidos dizia que Maria viveu sob cuidados do Apóstolo João, em Jerusalém, durante onze anos, e morreu. Outros dizem que ela viveu mais tempo, chegando a acompanhá-lo até Éfeso.
[4] Santo Agostinho, in A Cidade de Deus [Volume II], p. 1299; 1304, Fundação Calouste Gulbenkian. 

Quem Vai Morar no Céu com DEUS?



Este foi o título da minha pregação no domingo passado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora (IEBA), baseado no texto bíblico do Salmo 15:1-5. Não é um tema nada consensual no seio do Cristianismo, razão pela qual ele tem sido exaustivamente objecto de infindáveis querelas doutrinárias ao longo dos séculos. A começar, desde logo, com as teses deterministas do Monergismo e o voluntarismo do Sinergismo que se vão desdobrando dentro delas em muitas outras concepções dogmáticas sobre os pressupostos axiológico-teológicos que caracterizam e encerram o processo da salvação. Aquela com um amplo acolhimento nas igrejas tradicionais Protestantes, máxime no Calvinismo e no Jansenismo Católico. Esta, o Sinergismo, por sua vez, é maioritariamente defendida pelos movimentos Carismático-pentecostais e Neopentecostais, bem como por Pelagianos, Semipelagianos, Ortodoxos Orientais, adeptos do Teísmo Aberto e outros. Ela é encabeçada, acima de tudo, pelo Arminianismo. O primeiro entendimento nega peremptoriamente a faculdade do livre-arbítrio na salvação do Homem, tendo em conta a sua “depravação total” resultante do pecado original, ensinando que a salvação é toda ela fruto do trabalho exclusivo do nosso Bom DEUS. Ninguém é salvo por alguma obra ou espontânea decisão sua, mas tão-somente pela imerecida graça de DEUS. O Todo-poderoso DEUS escolhe quem ele quer salvar e os salva, deixando à mercê aqueles que predestinadamente vão para o inferno. Por outras palavras, a graça soteriológica é irresistível para com os eleitos de DEUS. Ao passo que o segundo refuta o Monergismo, defendendo que o Homem coopera na obra da sua salvação. Isso significa que a regeneração não depende exclusivamente da obra soberana de Deus, mas também está interligada com a vontade humana. Ou seja, diferentemente do Monergismo, na formulação Sinergista a fé precede a regeneração, visto que DEUS espera pela vontade humana para responder positivamente ao convite da salvação. DEUS não condiciona o Homem no seu livre-arbítrio e, tão pouco, impinge-lhe a salvação contra a sua vontade. A graça de DEUS é oferecida a todos os Homens, contando que cada um queira beneficiar-se dela. As pessoas que são ou serão salvas é porque optaram por escolher a salvação. Os que, infelizmente, vão para o inferno são pessoas que deliberadamente declinaram a graça salvífica de DEUS, sustenta o Sinergismo. 

Da minha parte, não obstante fazer este enquadramento doutrinário para dilatar melhor o alcance dos irmãos na assimilação do sermão, não tomei nenhuma posição em concreto sobre o debate em apreço. Limitei-me apenas a salientar que, independentemente da posição de cada um sobre esta complexa temática, quem vai morar no céu deve notoriamente encarnar e concomitantemente ostentar as impolutas virtudes humano-espirituais explanadas nas Escrituras Sagradas, sob pena de ver as suas irrealistas expectativas teológicas frustradas no dia do Juízo Final, aliás, tal como ensinou o Senhor Jesus (Mateus 25:41-46). Portanto, os que vão entrar realmente no Reino de DEUS são aquelas pessoas que fazem mesmo a vontade de DEUS e não as que se autoproclamam falsamente serem salvas (Mateus 7:21-29). Foi na mesma esteira do pensamento que o salmista David seguiu no Salmo 15:1-5, isto é, quem vai morar no céu tem de ser uma pessoa manifestamente íntegra, justa e verdadeira em todos os aspectos da sua vida e actuação. Não deve ser maldizente, bisbilhoteira ou mentirosa, bem como deve ter a capacidade suficiente para desprezar tudo aquilo que é contrário aos imaculados Princípios e Valores Cristãos. Aquele que não é individualista, egoísta, interesseiro ou de mau carácter e, tão pouco, mau pagador ao ponto de prejudicar o seu próximo com as suas astúcias. Deve, antes pelo contrário, ser uma pessoa que evidencia os frutos do Espírito na sua vivência diária (Gálatas 5:22) e, desta forma, confirmar pelo seu procedimento que é um autêntico regenerado pelo sangue do Senhor Jesus. Todo o que assim proceder, tal como encerrava o salmista, jamais será abalado. Jamais sucumbirá. Jamais, em circunstância alguma, ficará decepcionado. Terá graciosamente a promessa da vida eterna com ele. Que assim seja.