Leão XIV e o Desafio Antropológico da Inteligência Artificial


Comecei, desde anteontem, a ler a nova e primeira Carta Encíclica do Papa Leão XIV, intitulada Magnifica Humanitas: Sobre a Salvaguarda da Pessoa Humana na Era da Inteligência Artificial. Confesso que esta tem sido uma leitura acutilante, estimulante e intelectualmente desafiante. Trata-se de uma obra bem estruturada e densamente argumentada, que aborda questões de grande relevância, sobretudo no que respeita à problemática antropológica suscitada pela inteligência artificial no contexto contemporâneo – tanto nas suas potencialidades benéficas como nos riscos e dilemas que encerra. 

Todo o Cristão Evangélico Protestante deveria, em certa medida, possuir também uma compreensão da tradição católica. Existem, sem dúvida, numerosos pontos de divergência entre o Protestantismo e a Igreja Católica. Contudo, existem igualmente múltiplos elementos de convergência que não podem ser ignorados. Compete-nos, portanto, examinar cuidadosamente todas as coisas e reter aquilo que é verdadeiro, rejeitando o que não encontra respaldo nas Escrituras Sagradas. 

Não devemos, como advertia o Teólogo Martinho Lutero, citado por Timothy George, rejeitar indiscriminadamente tudo o que se encontra sob a esfera de influência do papado. Nas suas palavras, não se deve rejeitar «tudo que esteja sob o domínio do papa. Porque assim deveríamos rejeitar também a igreja cristã. Muito do património cristão pode-se encontrar no papado e dele descende» (LER)

Assim que concluir a leitura desta obra – o que deverá acontecer nos próximos dias – tenciono elaborar uma apreciação crítica do seu conteúdo, apresentando a minha modesta reflexão sobre os seus principais contributos, méritos e eventuais limitações. Até lá, continuarei dedicado e perseverante nesta leitura, convicto de que ela constitui uma oportunidade valiosa para aprofundar a reflexão sobre um dos temas mais decisivos do nosso tempo.