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A Morte do Papa Bento XVI e o Seu Legado Religioso


Partilho aqui o vídeo que gravei hoje no final da tarde sobre “A Morte do Papa Bento XVI e o Seu Legado Religioso”. Tenha um bom proveito na sua visualização e auscultação. 

O Papa Calvinista (III)


“Depois desta exortação à vigilância, Jesus afasta-Se um pouco. Começa verdadeira e propriamente a oração do monte das Oliveiras. Mateus e Marcos dizem-nos que Jesus caiu de rosto por terra: é a posição de oração que exprime a extrema submissão à vontade de Deus, o abandono mais radical a Ele; uma posição que a liturgia ocidental prevê ainda na Sexta-Feira Santa, na Profissão Monástica e também na Ordenação Diaconal e nas Ordenações Presbiteral e Episcopal. Diversamente, Lucas diz que Jesus reza de joelhos. Deste modo, tomando por base a posição de oração, insere esta luta nocturna de Jesus no contexto da história da oração cristã: Estevão, durante a lapidação, dobra os joelhos e reza. (cf. Act 7, 60); Pedro ajoelha-se antes de ressuscitar Tábita da morte (cf. Act 9, 40); Paulo ajoelha-se quando se se despede dos anciãos de Éfeso (cf. Act 20, 36), e outra vez quando os discípulos lhe dizem para não subir a Jerusalém (cf. Act 21, 5). A propósito, diz A. Stoer: «Todos eles, perante a morte, rezam de joelhos; o martírio não pode ser superado senão através da oração. Jesus é o modelo dos mártires.” 

(Papa Bento XVI – Joseph Ratzinger, in Jesus de Nazaré (Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição), p. 129 e 130; Principia; Cascais, 2011). 
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Orar, especialmente de joelhos, é uma boa prática que a ala tradicional do protestantismo postergou na sua liturgia público-congregacional. Praticamente não se ensina na Escola Bíblica Dominical (EBD), fazendo com que a generalidade dos fiéis não o coloque em prática nas suas orações rotineiras. Somente se verifica esporadicamente nos cultos da ordenação pastoral e de casamento, tendo em conta a oração de imposição das mãos do presbitério perante os consagrados. Mesmo nos círculos pentecostais ou neo-pentecostais, onde se costumam enfatizar efusivamente o conceito de oração, acabam sempre por esvaziar este importantíssimo pressuposto espiritual e ficar bastante aquém na postura correcta que se deve seguir quando de joelhos diante do SENHOR para orar. Todo este dilema consubstancia a profunda crise de fé em que estamos submergidos, ganhando cada vez mais contornos preocupantes na nossa espiritualidade. 

A Lenta Peregrinação Para Casa


Esta comovida afirmação do Papa Bento XVI encerra a postura serena como os servos de DEUS lidam e encaram a morte (LER). O velho Simeão, homem justo e temente a Deus, esperou longos anos pela "consolação de Israel"; mas ao avistar e tomar nos seus braços o menino Jesus, sentindo realizada a profecia de que não morreria sem ver Cristo, exclama: "agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra" (Lucas, 2:25-32 [LER]). O Apóstolo Paulo, prevendo a sua eminente morte, escreveu uma das mais belas e inspiradoras profissões de fé, nestes termos: “quanto a mim, chegou a hora de oferecer a minha vida em sacrifício e o tempo da minha morte aproxima-se. Lutei pela boa causa, percorri o meu caminho e guardei a fé. Só me resta agora receber a merecida recompensa, que o Senhor me dará no dia do juízo. Ele é o juiz justo e há de dar-me essa recompensa não só a mim, mas também a todos aqueles que esperaram com amor a sua manifestação (2 Timóteo 4:6-8). A morte para os Cristãos não é o fim, mas o começo de uma nova dimensão da vida – a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador (Romanos 6:23).

Apesar do Emérito Papa Bento XVI estar a viver "um lento declínio das forças físicas", tal como o próprio afirma, espero que o seu homem interior continue a renovar diariamente (2 Coríntios 4:16); e que este "último troço de estrada" em "peregrinação para Casa” seja realmente bastante suave. 

O Papa Calvinista (I)


«Vivemos um período de grandes perigos e de grandes oportunidades para o homem e para o mundo, um período que é também de grande responsabilidade para todos nós. Durante o século passado as possibilidades do homem e o seu domínio sobre a matéria cresceram de forma realmente impensável. Mas o seu poder dispor do mundo fez também com que o seu poder de destruição atingisse dimensões que, por vezes, nos horrorizam. A este propósito pensa-se espontaneamente na ameaça do terrorismo, esta nova guerra sem confins nem frentes. O receio de que este possa vir em breve a apoderar-se das armas nucleares e biológicas não é infundado, e fez com que, no seio dos Estados de direito, se tivesse de recorrer a sistemas de segurança semelhantes aos que antes existiam apenas nas ditaduras. No entanto, fica ainda assim a sensação de que todas estas precauções na realidade poderão não chegar, já que um controlo global não é possível nem desejável.»

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(Papa Emérito Joseph Ratzinger, in "A Europa de Bento [Na Crise de Culturas"], p.21, Alêtheia Editores, Lisboa, 2005). 

O Papa Ecuménico


Logo que chegou ao píncaro do Vaticano Jorge Mario Bergoglio despertou-me uma atenção muito especial, por causa do seu desprendimento materialista e indiscutível sensibilidade humano-social, somando a inexcedível postura de simplicidade que ostenta como pessoa. Apesar da minha rígida concepção Evangélico-protestante passei benevolentemente a olhar à Igreja Católica com elevada expectativa, no sentido que a nova liderança expurgasse a série de heresias que foram desnecessariamente introduzidas no seu seio ao longo dos séculos, tal como oportunamente manifestei na altura (LER). Afinal de contas tinha resvalado, sem dar conta disso, numa fanfarra de ilusão. Rapidamente o Papa Francisco passou para um figurino de imprevisibilidade, numa debalde tentativa soteriológica de atrair a ala outrora proscrita da koinonia da igreja, pregando subtilmente o ecumenismo bíblico. Em consequência disso, a sã doutrina foi manifestamente postergada em detrimento dos interesses e lobbies poderosos. O recente sínodo dos bispos no Vaticano, máxime o ponto concernente à comunhão dos homossexuais na igreja (LER), a interpretação lato sensu sobre a inerrância da revelação bíblica (LER) são alguns exemplos ilustrativos das manobras perigosas que este papa tem vindo a enveredar sorrateiramente. 

Com o pontificado de Joseph Ratzinger sabíamos perfeitamente com o que podíamos contar, diferentemente do Papa Francisco que é ambivalente e imprevisível em tudo quanto faz. Aquele jamais teria hesitado ao ponto de abrir um debate sobre a homossexualidade no Vaticano e, muito menos, desdobrar-se em desvelos alimentados por uma mercenária ânsia de legitimação secular. O velho intelectual bávaro personificava tudo de bom que o papado representa em termos dogmáticos, inclusive na sua peculiar forma de estar e relacionar com os fiéis. Um homem invulgarmente articulado e irredutível nas suas convicções doutrinárias: humilde, discreto, intrépido, verve e carismático. Teólogo de reconhecido mérito internacional, que não se verga às pressões e expectativas mundanas. Aversivo à corrente do racionalismo e liberalismo teológico que mina, de forma galopante, o catolicismo. Debatia intransigentemente na defesa dos grandes Princípios e Valores Cristãos, que fez dele um papa controverso (LER). Manteve-se neste registo "polémico" até à sua abrupta e incompreensível resignação no ano passado (LER) e (AQUI). Refugia-se, agora, numa austeridade espiritual, aguardando, com sentido do dever cumprido, a sua hora de partida para o além. 

O Papa Francisco além de ser um fervoroso irenista é também demasiado amigo do mundo, ignorando o preceito sagrado que se alguém quer ser amigo do mundo torna-se automaticamente inimigo de Deus (Tiago 4:4). Por ser tanto amigo do mundo despoletou a simpatia e o consenso generalizado em torno da sua pessoa ao ponto de lhe ser outorgado, no ano passado, o prémio da figura do ano pela revista Time (LER) e revista gay The Advocate (LER)

Ora, sabemos que nada disto coaduna com a Palavra de DEUS, mormente para um arauto do Evangelho. "Ai de vós, quando todos vos louvarem”, advertia peremptoriamente o Senhor Jesus no Sermão do Monte (Lucas 6:26). Tanto os Profetas do Antigo Testamento, os grandes Heróis da Fé, o próprio Senhor Jesus Cristo, os santos Apóstolos e demais servos de DEUS ao longo da História, nunca tiveram aceitação. As suas pregações não geraram anuência perante os seus ouvintes, antes pelo contrário, foram motivos de hostilidade e chacota. É justamente por esta razão, que alguns deles sofreram escárnio, foram vergastados, atados e postos na cadeia, apedrejados, serrados ao meio e mortos à espada. O mundo não era digno deles (Hebreus 11:33-39). Isto para concluir de forma categórica que a mensagem do Evangelho não é de consenso, mas sim de completa ruptura; ruptura com a velha natureza, com o pecado e com tudo que obsta à genuína conversão. 

Ademais os Cristãos não foram chamados a conformar com o curso tenebroso deste "presente século mau", porém transformá-lo com a renovação viva da Palavra de Deus (Romanos 12:2). Quando estes imperativos bíblicos são postos em causa, consubstancia abertamente uma fraude espiritual e um péssimo augúrio para aqueles que se auto-intitulam filhos de DEUS. Por isso, urge o papa Francisco reconsiderar seriamente a sua posição doutrinária e ajustá-la aos impolutos cânones sagrados com vista a salvar a si próprio e consequentemente a Igreja Católica.