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Os Horrores da Guerra na Faixa de Gaza

Ninguém pode ficar indiferente com a catastrófica situação humanitária que se vive há muito tempo na Faixa de Gaza. Ninguém que esteja no seu perfeito juízo pode folgar-se com a indiscriminada mortandade das criancinhas palestinianas, mulheres e homens que, diariamente, de forma bruta e sem piedade, morrem perante as bombas e a fome provocada pelo bloqueio israelita. Realmente, nenhum ser humano pode ficar alheado, omitir, consentir ou aprovar a carnificina na Faixa de Gaza e na Cisjordânia que está a ser perpetrada arbitrariamente pelas tropas israelitas (LER)

Levantar ousadamente a voz para denunciar o despotismo, o abuso, a guerra e a matança deliberada dos inocentes palestinianos nas mãos das tropas israelitas é uma questão de bom senso e de razoabilidade. É uma questão de não pactuar com o esmagamento, a injustiça, a impunidade e a ditadura. Denunciar todos estes desumanos horrores da guerra é uma questão de humanismo e de humanidade.  Denunciar os deliberados crimes de guerra e a propagação do mal é, acima de tudo, uma questão de defesa intransigente dos Direitos Humanos. 

Esta monstruosa guerra ultrapassa qualquer tipo de crenças firmadas e status quo. Também ultrapassa as diferentes ideologias, modus vivendi e as mundividências que cada um de nós possa ter sobre a legitimidade, ou não, de uma guerra. Ultrapassa ainda qualquer tipo de querelas políticas e as crónicas disputas territoriais na Terra Santa entre os judeus e palestinianos. Esta vergonhosa guerra ultrapassa todos os pressupostos axiológicos da Carta das Nações Unidas, bem como tudo aquilo que é o mais correcto, sensato, justo, aceitável, tolerável e humano. 

Por isso, é urgente que o mundo inteiro levante a sua voz para travar definitivamente a ocupação israelita na Faixa de Gaza e a escandalosa política dos colonatos na Cisjordânia. É preciso, mais que isso, que o mundo e todos os homens e mulheres de “boa vontade” convirjam num único esforço de, com carácter de urgência, obrigar Israel a cessar imediatamente com a descabida guerra e negociar a libertação dos reféns israelitas que ainda estão nas mãos dos terroristas do Hamas. 

Se na primeira fase da guerra, depois do inesperado massacre que Israel foi vítima por parte dos terroristas do Hamas, culminando na injustificada e horripilante morte de mais de mil inocentes israelitas, fazia todo o sentido que Israel reagisse e defendesse a sua integridade, isto é, responsabilizar os perpetradores desta inenarrável barbaridade humana. A pronta e justa resposta de Israel, no início, tinha a completa justificação legal, política, ética e moral à luz do Direito Internacional (LER)

No entanto, depois de algum tempo, já não fazia sentido continuar teimosamente com a prejudicial guerra, tal como Israel tem vindo a fazer, ignorando todas as evidências e chamadas de atenção de países e entidades internacionais. Continuar ad aeternum com esta mortífera guerra colide frontalmente com todos os princípios e disposições de Direito Internacional, sobretudo o Direito Internacional Humanitário estabelecido nas Convenções de Genebra e os seus Protocolos Adicionais (LER)

Neste momento, não se pode falar da legítima defesa por parte de Israel, tendo em conta a desproporcionalidade abismal do saldo da guerra para ambos os lados. Estamos a caminhar para aproximadamente 60 mil mortes e milhares de feridos palestinianos contra mil e tal mortes e algumas centenas de feridos por parte de Israel. 

Da mesma sorte que não hesitei em condenar publicamente o horripilante massacre do Hamas contra Israel no dia sete de Outubro de 2023 (LER), também não hesito em condenar aqui publicamente a mortífera guerra que Israel está a fazer de algum tempo a esta parte na Palestina, principalmente na Faixa de Gaza, ceifando milhares de vidas e deixando um rasto de destruição incalculável. 

É com bastante dor, e com o coração completamente dilacerado, que tenho estado a acompanhar de perto esta sangrenta guerra sem fim à vista (LER). É com bastante sofrimento e impotência que vejo a apatia, impotência e falta de boa vontade por parte dos actores políticos mundiais para solucionar definitivamente esta assustadora guerra. É, por fim, com bastante dor e coração partido que me tenho curvado diante do nosso Todo-Poderoso DEUS em oração, pedindo-Lhe a urgente ajuda para que acabe com esta loucura mortandade. 

Estão no meu coração todos os inocentes palestinianos que estão a ser diariamente atormentados pelas indiscriminadas bombas dos israelitas. Estão no meu coração todos os Cristãos palestinianos, os meus irmãos na Fé, que estão desesperados, com perdas humanas dos seus entes familiares e amigos. Estão no meu coração todas as inocentes vítimas de forma directa e indirecta desta maldita guerra – tanto do lado judeu como do lado palestiniano –, especialmente as vítimas mortais de ambos os lados. 

É impreterível acabar com esta terrifica guerra que não é benéfica para ninguém. Acabar com esta mortífera guerra, que não é proveitosa para as partes beligerantes e também para o mundo em geral. É extremamente importante acabar com esta hedionda guerra para, desta forma, o mais rapidamente possível, libertar todos os reféns israelitas que ainda estão no cativeiro do Hamas na Faixa de Gaza. Só cessando esta guerra se poderá abrir caminho para a libertação dos pobres reféns israelitas e a tão almejada paz naquela conturbada região do globo. 

Em suma, é importante acabar com a guerra para poupar vidas e, consequentemente, cessar os tremendos horrores humanitários que se vivem na Faixa de Gaza há muito tempo. Esta interminável e abominável guerra é uma autêntica desumanização e vergonha para toda a humanidade. E deve acabar já para o bem de todos! 

A Paz do Senhor Jesus Cristo Num Mundo de Permanentes Guerras

Vivemos num mundo perverso e decadente a todos os níveis. Um mundo completamente hostil, violento, perigoso e belicoso. Um mundo onde prolifera abundantemente a desgraça, a maldade e a malignidade. Um mundo, acima de tudo, descaracterizado da verdadeira essência do humanismo e da humanidade. Tanto que, por esta razão, para grande infelicidade nossa, estamos ininterruptamente a viver num clima de constante tensão, de intimidação, de ódio, de perseguição, de confrontação, de violência e de guerras. Há guerras em todas as circunscrições e limítrofes. As guerras fazem parte do cardápio do ser humano, infelizmente. Todo o mundo está cercado de situações de rupturas, ameaças e de guerras – tanto numa perspectiva lato sensu como stricto sensu. Há guerras entre os países, guerras entre as sociedades, guerras no seio familiar, guerras entre pessoas e particularmente com elas. Os países atacam-se mutuamente, violando deliberadamente os acordos bilaterais, multilaterais e tratados internacionais solenemente firmados; as sociedades estão em conflitos intermináveis, repercutindo negativamente nos relacionamentos interpessoais e de familiaridade. Vivemos num mundo hostil e de constantes guerras, para desgraça de todos nós (OUVIR)

A guerra traduz a ausência de paz. Há um défice acentuado da paz na convivência dos seres humanos. O mundo não pode viver holisticamente na virtude do amor, do perdão, da tolerância, da harmonia e da fraternidade. O mundo está completamente possuído pelo poder das trevas, estando assim desencontrado com os caminhos da paz e liberdade. O mundo não pode oferecer uma paz consistente, plena e duradoura no curso do tempo, porque carece dela. A paz que o mundo oferece é precária, interesseira, limitada, efémera e finita. É uma paz que assenta sobretudo nos pressupostos manifestamente egocêntricos e equivocados, despida dos sublimes Princípios e Valores Divinos. Há uma sistemática violação da paz no mundo em que estamos submergidos. A depressão, o ódio, a traição, a violação, a violência, o homicídio e o suicídio são o resultado intrínseco e a confirmação inequívoca da falta de paz no nosso decaído mundo. 

A partir do momento em que o ser humano está desprovido da paz no seu coração este défice acentuado abre as portas para as mais chocantes e inauditas aberrações no seu comportamento, que se vão traduzindo na maldade e malignidade. Passamos assim, a fortiori, a viver numa autêntica selva – e com as séries implicações humano-antropológicas que isto representa na convivência saudável entre as nações e pessoas em geral. Não há respeito e consideração. Não há compreensão e empatia. Não há tolerância e solidariedade. Não há amor e perdão. Não há fraternidade e harmonia. Não há, por fim, empatia e solidariedade. Esta dura realidade é transversal aos países, culturas, sociedades, famílias, pessoas e relacionamentos. 

Tanto que, por esta razão, há uma tremenda violação e violência no nosso mundo. As pessoas usam-se umas às outras sem dó nem piedade. Abusam-se umas das outras, sem o mínimo de primor e pudor. Maltratam-se umas às outras sem qualquer tipo de peso de consciência. Violam-se umas às outras. Descartam-se umas às outras. Matam-se, na pior das hipóteses, se for possível, umas às outras, para satisfazerem os seus insaciáveis caprichos censuráveis. Ninguém respeita os acordos, os contratos e as convenções pré-estabelecidas. Há sempre, na generalidade de situações, aproveitamento, inveja, odio, traição, inimizades, conflitos e intermináveis guerras. Todos estes cancros humano-sociais são resultados inequívocos da ausência da paz no empedernido coração do ser humano (LER)

Apesar de toda esta patente depravação que abafa e prolifera de forma galopante no mundo, com a encarnação do Senhor Jesus Cristo, a palavra paz passou a ganhar o mais elevado significado teológico e teleológico. A começar, desde logo, com o jubiloso anúncio da grande multidão de milícia celestial que entoava alegremente “glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (Lc 2:13-14). E, ainda, nos momentos precedentes a ascensão do Senhor Jesus aos céus, Ele encorajou os seus discípulos com as afectuosas palavras de determinação e perseverança: “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14:27). A paz que, em última instância, sem dúvida, traduz a presença constante do Espírito Santo na vida daqueles que verdadeiramente “nasceram de novo”. 

Tanto na encarnação do Senhor Jesus Cristo como na Sua glorificação enceraram com a palavra paz. Por isso, durante todo o Seu ministério terreno, Ele proclamou incessantemente a paz sem fazer excepção de pessoas (Ef 2:17), confirmando assim pelo Seu impoluto testemunho de vida ser o “Príncipe da Paz” (Is 9:6). O Senhor Jesus Cristo não presenteou os pobres pastores e a Humanidade em geral com nada que não fosse a paz (Lc 2:14), emanada pelos anjos e personificada na Sua humilde manjedoura (Lc 2:10-12). Da mesma sorte, o único legado que Ele deixou aos seus discípulos, aquando da Sua assunção aos céus, foi a mesma paz de DEUS (Jo 14:27). É uma paz que consegue na perfeição preencher plenamente todo o vazio do ser humano e, concomitantemente, despertá-lo para os sublimes Princípios e Valores da vida devotada e consagrada. Cristo, sustenta o Apóstolo Paulo para reforçar esta clara verdade salvífica, “é de facto a nossa paz” (Ef 2:14). 

A verdadeira paz envolve, em última instância, a reconciliação com o Todo-Poderoso DEUS, connosco e com o nosso próximo (2 Co 5:18-19). E esta paz somente o Senhor Jesus Cristo pode proporcionar, através do Espírito Santo. É uma paz que preenche na íntegra todos os anseios da alma, vazios existenciais e carências do ser humano, aplacando qualquer tipo de deriva belicosa e ímpetos malévolos. Habilita a pessoa a reconciliar-se consigo, com tudo o que está à sua volta, e simultaneamente conferindo-lhe uma vida plena, bem-sucedida, realizada e feliz. Esta paz transcende, em larga escala, todos os arbítrios do ser humano e projecta-lhe para o Eterno Jeová (Fl 4:7). É uma paz que o Senhor Jesus Cristo outorga gratuitamente para todos aqueles que depositam inteiramente a sua fé Nele. É uma paz totalmente diferente da paz precária que o mundo oferece. A paz de DEUS é o único antidoto exequível e ideal para extrair todos os cancros do ser humano, proporcionando-lhe a plenitude, a harmonia e a felicidade eterna (LER)

O nosso mundo está bastante descrente, corrupto, conflituoso, belicoso e na deriva espiritual, porque teima em declinar a maravilhosa paz do Senhor Jesus (Is 55:1-13), preferindo refugiar-se nas efémeras ilusões que não proporcionam uma vida bem-sucedida e feliz. A paz de DEUS está visceralmente ligada à harmonia, ao amor, ao gozo, à bondade, à esperança e à herança da vida eterna. Ela é a manifestação visível do fruto do Espírito Santo na vida dos eleitos filhos de DEUS (Gl 5:22), conferindo-lhes as infalíveis garantias das Bem-aventuranças eternas (Mt 5:1-12). 

A conflitualidade existente nos relacionamentos entre os países, instituições, sociedades, famílias e pessoas em geral, gerando um número interminável de guerras, deve-se exclusivamente à inexistência da paz de DEUS no mundo. A paz de DEUS é o único antídoto indispensável para sarar as profundas feridas, mágoas, traumas, ódios e inimizades que grassam no coração do ser humano que este herdou do pecado original. Aqueles que aceitaram de bom grado o Senhor Jesus Cristo nas suas vidas têm graciosamente esta salvífica paz e vivem-na plenamente no seu percurso de vida diário, através da manifestação de reconciliação, amor, perdão, misericórdia e paz para com o próximo. Ela é marca visível do Espírito Santo na vida dos eleitos filhos de DEUS e a confirmação da nossa salvação em Cristo Jesus (2 Co 5:17). 

No entanto, esta paz Divina não traduz necessariamente ausência de problemas e contradições na vida dos filhos de DEUS. Somos susceptíveis de passar por grandes dificuldades, adversidades e infortúnios. Esta paz apenas habilita-nos a encarar os desafios da vida, com fé, mansidão e esperança nas infalíveis promessas da vida eterna. Por outras palavras, não vivemos obcecados com a momentânea e corrupta glória deste mundo, porque a glória do mundo é passageira. Sic transit gloria mundi, já formulava há séculos o monge Tomás de Kempis. 

Os nossos horizontes e legítimas expectativas estão unicamente firmados nos valores do Evangelho e na nossa Pátria Celestial. Não andamos em permanentes frustrações, desânimos, tristezas, depressões, vícios, não obstante os reveses que possamos enfrentar no nosso quotidiano. Muitas são as aflições do justo, escrevia o salmista, mais de todas o SENHOR o livra (Sl 34:19). Temos a paz de DEUS que preenche completamente a nossa vida, dando-nos um sentido positivo na forma de estar e encarar os elevados desafios da vida em particular, e do mundo em geral. 

O mundo fala de forma reiterada de paz, mas está desprovida dela. Proliferam inimizades, ódios, guerras e matanças, por causa da ausência de paz no coração do ser humano. Só a paz do Senhor Jesus Cristo, a verdadeira paz, pode realmente criar um mundo mais harmonioso, justo e fraterno. A paz do Senhor Jesus é diferente da paz do mundo em todos os aspectos. A paz do mundo é conveniente, parcial, frágil e limitada no curso do tempo, uma vez que exigem sempre contrapartidas egocêntricas na sua manutenção que, muitas das vezes, são irrealistas do ponto de vista objectivo. Ao passo que a paz do Senhor Jesus Cristo é plena, justa, perfeita e perpétua. Ela é, acima de tudo, a presença de DEUS e galardoadora das Bem-aventuranças eternas. 

O Senhor Jesus Cristo, prestes a terminar o Seu importante sermão de antecipação pelas coisas futuras que acontecerão no mundo, depois da Sua gloriosa ascensão aos céus no capítulo 14 do Evangelho s. João, com vista a reforçar ainda mais a fé dos seus amados discípulos, fez questão de adverti-los preventivamente daquele que domina este mundo que, nas outras versões bíblicas, é apelidado de “príncipe deste mundo” (Jo 12:31). Aquele que domina o mundo está quase a chegar, exortava peremptoriamente o Senhor Jesus Cristo (Jo 14:30). Ele já chegou ao mundo há muito tempo, com todas as forças do mal, e domina os que vivem na desobediência e rebelião contra DEUS (Ef 2: 2; Cl 3:6; 2 Co 4:4). 

Quem é o príncipe deste maligno mundo? O príncipe deste mundo é o ser mais nauseabundo e execrável que existe no universo chamado diabo. Também conhecido como o grande dragão, satanás, lúcifer (Is 14:12-15; Ez 28:14-17), belzebu (Mt 12:24), o acusador (Ap 12:10), o pai da mentira (Jo 8:44), o príncipe das potestades do ar e dos demónios ou antiga serpente (Ef 2:2). O Apóstolo João sustenta que “ele é a antiga serpente, aquele a quem chamam Diabo e Satanás, o sedutor de toda a gente. Ele e os seus anjos foram atirados para a Terra” (Ap 12:9). 

O diabo é o ladrão que veio somente roubar, matar e destruir (Jo 10:10). Segundo o Apóstolo Paulo, ele é “o deus deste mundo que cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Co 4:4). O nosso Senhor Jesus Cristo qualificou-lhe, de forma peremptória, como “homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44). Na mesma esteira do pensamento, o autor sagrado vai ao ponto de considerar que “o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1 João 3:8). 

Tanto que, por esta razão, somos manifestamente exortados pelas Escrituras Sagradas a não darmos lugar ao diabo (Ef 2:27), antes pelo contrário sujeitando-se, pois, em plena obediência, a DEUS, resistindo firmemente ao diabo, e ele fugirá de nós (Tg 4:7). Devemos revestir-nos de toda a armadura de DEUS (Ef 6:10-18), para que possamos estar firmes contra as astutas ciladas do diabo, “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef 4:11-12). Cumprindo na íntegra com estas salutares disposições bíblicas, o nosso DEUS de paz não tardará a esmagar satanás debaixo dos nossos pés (Rm 16:20). Por outras palavras, o diabo já foi esmagado na Cruz do Calvário e completamente derrotado pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Cl 2:15; Ap 20:2-3;10). Aleluia! 

O diabo domina o mundo, juntamente com todos os demónios que estão ao seu serviço maquiavélico para implementar a discórdia, a guerra, a violência, o terror, a matança e a destruição no mundo. Ele é o “príncipe” no pior sentido do termo, isto é, no sentido maligno e funesto. O diabo é o príncipe de todo o engano, falsidade, mentira, traição, ganância, soberba, prostituição, crueldade, matança, desumanidade, depravação, maldade e malignidade. Ele é ainda o príncipe das potestades do ar (Ef 2:2), da mentira, do ódio, da corrupção, da traição, da vingança, da carnificina, do caos e de todo o tipo de pecado existente e reinante no mundo inteiro, bem como o príncipe das trevas e da morte (Ef 6:12). O diabo domina tudo o que é asqueroso, hediondo, mau, macabro e trágico. Ele é o príncipe da impiedade, da maldade e do mundanismo. Domina os demónios caídos, que estão ao seu serviço maligno, e também os pecadores que resistem deliberadamente a graça redentora do Senhor Jesus Cristo, vivendo deliberadamente na perversidade, na ofensa e no pecado. O diabo domina o mundo com o poder das trevas e da morte, tendo como finalidade última destruir a Humanidade inteira. 

O diabo domina este perverso e decadente mundo, juntamente com todos os demónios e filhos da perdição, que estão ao seu serviço maquiavélico para implementar o caos e a destruição, insistimos. Mas, atenção, importa ainda salientar que o diabo domina o mundo, contudo não domina o nosso Todo-Poderoso DEUS e a Sua soberania. Também não domina o Senhor Jesus Cristo, o Espírito Santo, a Santa Igreja de Cristo e, tão pouco, domina os eleitos filhos do nosso Eterno JEOVÁ. O Senhor Jesus Cristo venceu o diabo na Cruz do Calvário (Gn 3:15; Jo16:33), dando-nos igualmente o poder de vencê-lo na força do Espírito Santo e todos os seus demónios (Mc 16:17; Lc 10:19). 

Subscrevo na íntegra as sugestivas e inspiradas palavras de Hernandes Dias Lopes quando afirma que “Cristo venceu o mundo e o diabo (Jo 12.31), e Satanás não tem poder sobre ele. Não há nada em Jesus Cristo que o diabo possa controlar. Uma vez que estamos “em Cristo”, Satanás também não pode controlar nossa vida. Nem Satanás nem o mundo podem perturbar nosso coração”. 

Somos blindados por DEUS, através do Espírito Santo nas nossas vidas. O Espírito da verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. Ele está connosco e habita nos nossos corações, razão pela qual O conhecemos (Jo 14: 17). Ele ensina-nos tudo e faz com que recordemos tudo o que o Senhor Jesus Cristo outrora instruiu aos seus discípulos (Jo 14:26). Convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo (Jo 16:8).  Guiar-nos-á sempre em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e nos anunciará o que há de vir (Jo 16:13). O Espírito Santo, em suma, é o penhor da nossa salvação em Cristo Jesus (Ef 1:14). Louvado seja DEUS! 

Não ficaremos desamparados no mundo e entregues à nossa sorte. O Senhor Jesus Cristo foi para a Sua excelsa glória, depois ter sido crucificado, morto e ressuscitado ao terceiro dia, apresentando-Se com provas irrefutáveis (Mt 28:1-10; Mc 16:1-10; Lc 24:1-12; Jo 20:1-10). Era importante que Ele fosse para o céu. Se não fosse assim, o Consolador não viria até nós (Jo 16:7), tal como aconteceu logo a seguir no dia de Pentecostes (At 2:20-21). Mas Ele foi para junto de DEUS Pai, enviando-nos assim o Espírito Santo para estar connosco e nos orientar na nossa caminhada Cristã neste pervertido, cruel e injusto mundo. 

O Senhor Jesus Cristo foi para o céu, mas não nos deixou órfãos no mundo. “Não vos hei de deixar órfãos pois voltarei para junto de vós”, prometeu o nosso Salvador Jesus Cristo (Jo14:18). E assim foi. A referida promessa foi cumprida com a poderosa descida e habitação do Espírito Santo nas nossas vidas nos dias de Pentecostes (At 2:1-4). Temos o amparo permanente de DEUS, através do Espírito Santo, que impossibilita completamente o diabo de ter qualquer tipo de domínio sobre a nossa vida ou, porventura, de ter a possibilidade de nos destruir. Da mesma sorte que o diabo não tem nenhum poder sobre o Senhor Jesus Cristo, assim também não tem qualquer tipo de poder sobre nós – que somos amados e eleitos filhos de DEUS para a salvação antes da fundação do mundo (Ef 1:4-5; 2 Tm 1:9-10; 1 Ts 1:4; 2 Ts 2:13; Jo 15:17; Rm 8:29-30). 

Por estarmos inteiramente revestidos da presença permanente do Espírito Santo em nós, e com a armadura de DEUS (Ef 6:1-18), não estamos sozinhos no mundo. Não estamos desprotegidos e abandonados. Não estamos solitários nem órfãos (Jo 14:18), antes pelo contrário, temos um Pai amoroso que cuida de nós em tudo o que realmente precisamos para o nosso crescimento e vitória final. 

Sabemos que, pela experiência prática da vida, ficar órfãos dos pais é estar completamente desprotegido e vulnerável em todas as dimensões da vida, susceptível de infindáveis arbitrariedades e injustiças perante os terceiros, especialmente de ser presa fácil dos adversários. Os pais visam zelar pelos interesses legítimos dos filhos e protegê-los de qualquer tipo de tentação, ameaças e perigos em que estes incorrem, sobretudo ataques do inimigo. A orfandade é uma das piores desgraças humanas, acarretando prejuízos incalculáveis, que poderá acontecer a qualquer um. A pessoa perde uma importante cadeia de apoio incondicional, amor filial, o cuidado, a provisão e a protecção dos pais. Não sem razão costuma-se dizer popularmente que “quem tem mãe tem tudo. Quem não tem mãe não tem nada” (leia-se os pais, bem entendido). 

Por conseguinte, esta dura realidade não vai acontecer connosco, tal como ficou provado biblicamente supra. Em circunstâncias nenhumas, ficaremos órfãos aqui no mundo. O Todo-Poderoso DEUS é o nosso Pai Celestial que está nos céus para cuidar dos nossos legítimos interesses (Mt 6:9-13). Temo-Lo connosco, bem como o Senhor Jesus Cristo, e o Santo Espírito nas nossas vidas para nos habilitar a viver na graça, no amor, na santificação, no perdão, na segurança, na alegria, na paz, na reconciliação e na promessa da vida eterna. Somos salvos do pecado e do diabo para vivermos definitivamente no amor, na luz e na paz gloriosa do Senhor Jesus Cristo. A nossa vida transborda esta Divina paz, não obstante estarmos cercados pelo mundo hostil em permanentes guerras e pelos inimigos ferozes que nos querem, a todo o custo, destruir. 

Mesmo assim, não somos atingidos por estas setas incendiárias, armadilhas do diabo e dos seus agentes no mundo. Estamos completamente protegidos pela mão poderosa de DEUS, levando-nos a encarnar a paz no nosso testemunho de vida, mormente para todos aqueles que nos rodeiam que, infelizmente, ainda não abraçaram a graça salvífica do Senhor Jesus Cristo. 

Somos chamados a viver na paz de DEUS, fomentá-la, promovê-la e anunciá-la intrepidamente pelo mundo perdido em constantes guerras. Esta maravilhosa paz somente o Senhor Jesus Cristo pode graciosamente conferir, mediante o Espírito Santo. O mundo, em circunstância alguma, pode oferecer a verdadeira paz. Só se oferece aquilo que realmente se tem. O mundo não dispõe da paz do SENHOR, porque a sua natureza é conflituosa, má e pecaminosa. 

Ora, quem é pecaminoso vive deliberadamente em escândalos, ofensas e guerras intermináveis com ela e com tudo à sua volta. Só tem estas abominações para oferecer. A paz do mundo é arbitrária nos seus propósitos e fins. É frágil e despida de consistência no curso do tempo. É ainda tendenciosa é precária. E, por fim, é uma paz parcial, putrefacta, violenta e maligna: uma autêntica adulteração da verdadeira paz, pois de paz não tem certamente nada. Mundo está inteiramente despido da paz e vive completamente alheio com a sua efectivação. 

Concordo na íntegra com as sábias e inspiradoras palavras de D. A. Carson, citado por Hernandes Dias Lopes no seu comentário expositivo do Evangelho segundo João: “o mundo não tem o poder de dar paz. Há tanto ódio, egoísmo, amargura, malícia, ansiedade e medo que toda tentativa na direção da paz é rapidamente submergida. A paz de Cristo é alegria inefável no meio da luta. E a presença sobrenatural na fornalha. É a proteção segura na cova dos leões. É a coragem inabalável no vale da morte. A paz de Cristo é a paz que defende nosso coração e nossa mente da invasão da ansiedade”. 

Mesmo que estejamos a viver todas estas vicissitudes, contradições e contrariedades nas nossas vidas, inclusive passar pelo “vale da sobra da morte” (Sl 23:4), continuaremos a ter holisticamente a paz do Espírito Santo de DEUS para nos proteger, apoiar, guiar, consolar, fortificar, edificar, abençoar e conduzir para as Bem-aventuranças Eternas (Mt 5:1-12). 

Cabe, por isso, a cada um nós, com carácter de urgência, disponibilizar-se em aceitar graciosamente esta maravilhosa e Divina paz do Senhor Jesus Cristo. Só assim, estaremos capacitados para viver plenamente na paz e, deste modo, integrar definitivamente o Reino eterno do Senhor e Salvador Jesus Cristo. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no nosso Todo-Poderoso DEUS. 

Uma Guerra Pode Ser Considerada Justa à Luz do Cristianismo?

Depois de atermo-nos no artigo anterior a debruçar sobre se uma guerra pode ser ou não justa, de acordo com as disposições do Direito Internacional Público (LER), vamos procurar também aqui analisar se, realmente, o conceito da guerra justa tem ou não algum acolhimento bíblico para depois dar no final a nossa humilde opinião. 

Desde logo, como devotos, convictos e fiéis Cristãos Evangélico que somos, dizer que a generalidade dos destacados teólogos Cristãos defende manifestamente o conceito da guerra justa, seguindo a mesma esteira do pensamento de Santo Agostinho, embora vincando algumas atenuantes bastantes consideráveis. Por outras palavras, advogam estes ilustres teólogos, “a guerra deve ser declarada só quando é necessário, e para reduzir a injustiça; e para que através dela Deus possa livrar os homens da necessidade e preservá-los em paz”. Mesmo na guerra, sustentam ainda, “o espírito do pacificador deve ser estimado (…) a sua conduta deve ser justa – manter a fé com o inimigo, cumprir promessas, evitar a violência desnecessária, o espólio, o massacre, a vingança, as atrocidades e as represálias”. 

Esta concepção foi amplamente defendida e difundida por Santo Tomas de Aquino, arrastando posteriormente os grandes Reformadores Protestantes, especialmente Martinho Lutero, João Calvino. O Anabaptista Menno Simões, um dos importantes teólogos protestantes, foi o único que se distanciou radicalmente deste entendimento, defendendo uma posição do pacifismo, ou seja, contra a guerra. Menno Simões, formulando a sua oposição a guerra, baseou-se no facto de “o cristão ser seguidor do Príncipe da Paz, tendo recebido a ordem expressa de amar os seus inimigos e fazer bem aos perseguidores, dando a outra face a quem lhe bater” para rejeitar categoricamente a possibilidade de um Cristão participar na guerra, ou mesmo defendê-la. Importa ainda salientar que este pacifismo foi posteriormente adoptado pelo Pastor Baptista e Activista Político americano, Martin Luther King Jr., na sua grande luta pelos direitos iguais entre os negros e os brancos nos Estados Unidos da América (EUA). 

Feito este brevíssimo enquadramento geral, cabe dizer que nada nos surpreendem quando vemos pessoas não crentes ou não Cristãs no Senhor Jesus Cristo a defenderem ideologicamente a legitimidade da guerra ou “guerra justa”. É natural que eles tenham esse entendimento de “ajustes de contas” e de “vingança” para com o inimigo, visto que não têm o temor de DEUS nos seus corações, diferentemente dos Cristãos. Somos inteiramente contra a guerra e também contra a denominada “guerra justa”, independentemente da sua justificação legal, política, moral, ética e económica. Por mais chocante que possa ser uma situação, como tem acontecido inúmeras vezes, de vermos pessoas inocentes a serem maltratadas, mortas de forma bruta e injusta, precisamos sempre de consciencializar que o nosso Eterno DEUS está sempre no controle da situação e que no devido tempo ELE manifestará o Seu soberano poder para repor a Justiça e punir os malfeitores. 

Nada, mais nada do que é feito neste maldito mundo, transcende o domínio efectivo DEUS ou, porventura, que ELE não saiba. Devemos procurar sempre aplacar os nossos ímpetos de vingança e esperar pacientemente em DEUS. O papel que nos cabe, como seus filhos, é, simplesmente, o de dobrar os nossos joelhos em oração, intercedendo incessantemente a favor destes flagelos e tragedias humanas, pedindo a ajuda Divina e intervenção para a sua eficaz resolução. Jamais esperançando que a guerra é solução ideal dos problemas. Não é com a guerra que se faz a Paz, tal como o mundo apregoa, mas sim com o espírito do diálogo e da paz, procurando humildemente alcançar os consensos das partes beligerantes. Só assim poderemos fazer pontes viáveis e exequíveis e construir solidamente o caminho da tão ambicionada Paz entre os seres humanos, os povos e os países em geral. 

Perante tudo que ficou exposto, sem qualquer tipo de hesitação, consideramos extremamente desprovido do fundamento bíblico a tese dos grandes teólogos que supra mencionamos e de tantos outros Cristãos que, ao longo dos tempos, e ainda hoje, continuam a defender convictamente a legitimidade da “guerra justa” – como sendo solução para os reais problemas que afectam a Humanidade. Apropriando-nos das inspiradoras palavras do Teólogo Menno Simões, perguntamos a estes nossos irmãos na fé: “digam-me, como é que um cristão pode defender biblicamente a retaliação, a rebelião, a guerra, o golpear, o matar, o torturar, o roubar, o espoliar e o queimar cidades e vencer países? … Toda a rebelião é da carne e do diabo … Oh abençoado leitor, as nossas armas não são espadas nem lanças, mas a paciência, o silêncio e a esperança e a Palavra de Deus”. 

Consideramos que qualquer tipo de guerra está sempre subjacente as forças do mal. A guerra, seja justa ou não, é do diabo e dos seus agentes no mundo inteiro. A guerra é uma coisa bruta, sangrenta, horrorosa e macabra. Ela é inequivocamente maléfica, injusta, trágica e diabólica. Com a guerra morrem inúmeras pessoas, principalmente pessoas inocentes. Morrem as criancinhas indefesas, juniores, adolescentes, jovens e adultos. Morrem pessoas doentes, morrem pessoas incapacitadas, morrem os pobres e os ricos, bem como morrem os fracos e os poderosos, morrem as mulheres, morrem as grávidas, morrem os idosos, morrem os homens, morrem, acima de tudo, os seres humanos. Morrem os sonhos e triunfa o ódio, a vingança, as bombas, a destruição, a matança, a carnificina, os horrores, a maldade e a malignidade. As forças do mal conseguem com a guerra abafar transitoriamente as forças do bem. Nós, os Cristãos, somos os discípulos do “Príncipe da Paz”, o Senhor Jesus Cristo, e devemos seguir sempre o Seu Evangelho da Paz, que é viver holisticamente na paz, promover a paz, defender a paz, transmitir os ideais da paz, estar em paz com tudo e todos à nossa volta. 

A paz do Senhor Jesus Cristo habilita-nos a reconciliar primeiramente com DEUS, connosco, com os nossos semelhantes e com tudo à nossa volta. Não é uma paz débil, podre, momentânea ou de fachada e, tão pouco, delimitada no curso do tempo. Ela é efectiva e eterna na vida de todos os homens e mulheres de “boa vontade”. Ela tem o poder para sarar as feridas, transformar o carácter, libertar dos corrosivos vícios e salvar do pecado. É a Paz de DEUS que excede qualquer tipo de arbítrio ou entendimento humano (2 Co 5:17-18, Lc2:14, Fp 4:7). 

Com a vinda do Senhor Jesus ao mundo, a palavra paz passou a ganhar o mais elevado significado teológico e teleológico. A começar, desde logo, com o jubiloso anúncio da grande multidão de milícia celestial que entoava alegremente: “glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem”. E, ainda, nos momentos precedentes, a ascensão do Senhor Jesus aos céus, Ele encorajou os seus discípulos com as afectuosas palavras de determinação e perseverança: “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”. A paz que, em última instância, sem dúvida, traduz a presença constante do Espírito Santo na vida daqueles que verdadeiramente “nasceram de novo”. Estas inequívocas verdades salvíficas estão também contempladas no Evangelho Lc 2:13-14 e Jo 14:27. 

Tanto a encarnação do Senhor Jesus como a Sua glorificação enceraram com a palavra paz. Por isso, o Senhor Jesus Cristo proclamou incessantemente a paz, durante todo o Seu ministério terreno, sem fazer excepção de pessoas, confirmando assim pelo Seu impoluto testemunho de vida ser o “Príncipe da Paz”. Ele não presenteou os pobres pastores com nada que não fosse a paz, emanada pelos anjos e personificada na Sua humilde manjedoura. Da mesma sorte, o único legado que ELE deixou aos seus discípulos, aquando da Sua assunção aos céus, foi a mesma paz de DEUS. É uma paz que consegue na perfeição preencher plenamente todo o vazio do ser humano e, concomitantemente, despertá-lo para os sublimes Princípios e Valores da vida consagrada e de entrega incondicional ao Senhor Jesus Cristo. Cristo, sustentava o Apóstolo Paulo, para reforçar esta manifesta verdade salvadora, “é de facto a nossa paz”. O Senhor Jesus, reafirmamos pela fé e de forma convicta, é realmente a nossa Paz (Ef 2:14 a17 e Is 9:6). 

O nosso mundo está bastante descrente, corrompido, desnorteado, conflituoso e na deriva espiritual sem precedentes, porque teima em declinar a maravilhosa paz do Senhor Jesus (Is 55:1-13), preferindo refugiar-se nas efémeras ilusões que não proporcionam uma vida bem-sucedida, realizada e feliz. A Paz de DEUS está visceralmente ligada à harmonia, ao amor, ao perdão, ao gozo, à bondade, à esperança e à herança da vida eterna. Ela é a manifestação visível do fruto do Espírito na vida dos eleitos filhos de DEUS e infalíveis garantias das bem-aventuranças eternas (Is 55:1a13, Gl 5:22 e Mt 5:1a12). 

Por isso, para terminar, sigamos vivamente o nobre exemplo do Senhor Jesus Cristo, que é o “Príncipe da Paz”. Rejeitemos firmemente todo e qualquer tipo de engano, descrença, mundanismo, pecado, guerras ou conflitos, porque são de trevas e do diabo. Nós, os Cristãos, somos filhos de DEUS para andarmos na luz e na paz. Somos salvos pelo Senhor Jesus Cristo, através da acção do Espírito Santo em nós, para encarnarmos plenamente a paz, viver em paz, proclamar a mensagem da paz, defender afincadamente a paz para a glória e honra do nosso Todo-Poderoso DEUS. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no nome Bendito do Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém, Amém e Amém! 

Uma Guerra Pode Ser Considerada Justa?

Este foi também o tema do título do artigo de opinião que escrevemos há um ano para o jornal português Observador, a propósito da bárbara invasão da Ucrânia pela Rússia. Sentimo-nos novamente compelidos no bom sentido do termo para escrevermos sobre este mesmo pertinente tema, tendo conta a difícil, conturbada, polvorosa, explosiva e perigosa situação a que estamos a viver neste momento no mundo inteiro. 

O mundo em que vivemos está cheio de conflitos. Não precisamos de estar plenamente sintonizados com a realidade político-internacional para disso nos apercebermos. Basta constatarmos os alarmantes sinais que nos vão chegando, de perto e de longe, através dos media, para compreendermos que, de facto, vivemos num mundo bastante hostil e belicoso. Há, cada vez mais, abominações que proliferam de forma galopante no nosso mundo dito pós-moderno, fruto da mundividência jacobina e libertária que obstam o seu avanço saudável, somando ainda os radicalismos extremos tanto de direita como de esquerda, conduzindo-o para um caos absoluto e o fim apocalíptico – por causa desta postura belicosa do Homem. 

A guerra a que estamos a referir aqui é no sentido stricto sensu, isto é, do conflito armado entre os Estados ou no caso da designada guerra civil, que envolve mortes de pessoas e destruição em massa. Obviamente que este artigo não é inocente, tendo em conta a proliferação de guerras a que estamos neste momento a assistir pelo mundo inteiro, sobretudo a guerra entre o Hamas e Israel, extensível também a Palestina e o Líbano, bem como o conflito armado entre Azerbaijão e a Armênia em Nagorno-Karabakh, guerra entre a Rússia e a Ucrânia. E também a guerra civil na Síria, no Iraque, no Iêmen, na República do Congo, na Etiópia, no Camarões, no Mianmar, no Afeganistão, somando ainda as guerras do jihadismo islâmico em África, nomeadamente no Mali, na República Centro Africana, no Sudão, no Níger, na Nigéria, no Burkina Faso, na Somália e no Moçambique, etc. 

A pertinente pergunta que se coloca é: será que podemos considerar uma guerra como sendo justa? Eis a grande questão que nos interpela. Vamos tentar responder esta pergunta em duas dimensões: primeiro, numa dimensão secular e depois numa dimensão teológico-Cristã. 

Começando a nossa reflexão numa perpectiva secular, importa salientar que na doutrina do Direito Internacional há um unanime consenso a favor do conceito da guerra justa, fruto de influência do pensamento de Santo Agostinho, John Locke, Hugo Grócio, Francisco Suares e Francisco Vitória. Para estes conceituados autores mundial, que marcaram profundamente a nossa história da política internacional, a guerra justa serve para “vingar o mal, quando um Estado tem que ser atacado pela sua negligência em reparar males cometidos pelos seus cidadãos, ou em restaurar aquilo que por maldade lhe foi retirado”. As guerras justas, sustentam ainda estes ilustres pensadores, podem incluir guerras por motivos de segurança, guerras para vingar o mal, ou guerras declaradas a países que recusam a passagem a outros”. 

Por influência destes conhecidos autores, a Carta das Nações Unidas de 1945 adoptou na íntegra este postulado doutrinário, habilitando o Conselho de Segurança a recorrer ao uso da força, isto é, a implementar a acção armada contra qualquer país em caso de ameaça à paz, ruptura da paz e acto de agressão. Quanto aos Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU), a Carta consente o uso da força pelos Estados membros em apenas duas circunstâncias: 1): em caso da legítima defesa, individual ou colectiva (nos termos do artigo quinquagésimo primeiro); 2) em caso de assistência às próprias Nações Unidas (art.2.5), como a participação em acções por elas levadas a cabo ao abrigo do capítulo sétimo ou noutras, a título excepcional (as operações de paz e de ingerência humanitária, por elas determinadas ou admitidas). 

Do ponto de vista secular, sem grandes surpresas, há uma total convergência e apoio mundial dos países na defesa do conceito da Guerra Justa, contando que a referida guerra preencha os requisitos legais exigidos e estabelecidos na Carta das Nações Unidas e respeitar, igualmente, O Direito Internacional Humanitário, conhecido como “o direito da guerra” ou “o direito dos conflitos armados”, regimentado na Convenção de Genebra. No artigo três, desta mesma convenção, por todos os artigos, diz expressamente: “as pessoas que não tomem parte directamente nas hostilidades, incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto as armas e as pessoas que tenham sido postas fora de combate por doença, ferimentos, detenção, ou por qualquer outra causa, serão, em todas as circunstâncias, tratadas com humanidade, sem nenhuma distinção de carácter desfavorável baseada na raça, cor, religião ou crença, sexo, nascimento ou fortuna, ou qualquer outro critério análogo” (art.º 3:1). 

Para este efeito, são e manter-se-ão proibidas, em qualquer ocasião e lugar, relativamente às pessoas acima mencionadas: (alínea a) As ofensas contra a vida e a integridade física, especialmente o homicídio sob todas as formas, mutilações, tratamentos cruéis, torturas e suplícios;  b) A tomada de reféns;  c) As ofensas à dignidade das pessoas, especialmente os tratamentos humilhantes e degradantes; d) As condenações proferidas e as execuções efectuadas sem prévio julgamento, realizado por um tribunal regularmente constituído, que ofereça todas as garantias judiciais reconhecidas como indispensáveis pelos povos civilizados. 

O número dois ainda do artigo três termina desta forma: “os feridos e doentes serão recolhidos e tratados. Um organismo humanitário imparcial, como a Comissão Internacional da Cruz Vermelha, poderá oferecer os seus serviços às partes no conflito. As Partes no conflito esforçar-se-ão também por pôr em vigor, por meio de acordos especiais, todas ou parte das restantes disposições da presente Convenção. A aplicação das disposições precedentes não afectará o estatuto jurídico das Partes no conflito”. 

Por outras palavras, a Convenção de Genebra estabelece as regras no período de guerra, especialmente as de proteger os civis, os seus direitos e bens na decorrência do conflito armado no âmbito de Direito Internacional Humanitário. Neste ponto não há qualquer tipo de dúvidas. Estamos entendidos nesta abordagem secular. 

A Incompatibilidade da Teologia do Novo Testamento Com a Guerra


Nesta terceira parte do meu podcast refutei, com os argumentos bíblicos, todos aqueles Cristãos que manifestamente defende(ra)m o conceito da guerra justa. A Teologia do Novo Testamento é toda ela pacífica e contra qualquer tipo do uso de força para impor a verdade, a justiça, a paz e a vontade de DEUS no mundo. 

Tanto que, por esta razão, o Senhor Jesus Cisto rejeitou liminarmente a visão zelota sobre o Reino de DEUS, encarnando exclusivamente a mensagem da paz. Por outras, o Senhor Jesus deu a primazia a paz e esta passou a ganhar o mais elevado significado teológico. A começar, desde logo, com o Seu nascimento, ministério, morte, ressurreição e ascensão aos céus. A Paz do Senhor, que é o Espírito Santo de DEUS, foi o único legado que o Senhor Jesus Cristo nos deixou, a Sua Igreja, razão pela somos chamados para viver em paz, proclamar a mensagem da paz, defender afincadamente a paz para a glória e honra do nosso Eterno e Todo-Poderoso DEUS. Que assim seja. E assim sempre será. 

As Fundamentais Razões Para Não Apoiar Uma Guerra Armada


Nesta segunda abordagem do meu podcast, procurei analisar a posição doutrinária dos Cristãos sobre o conflito armado e, por fim, dei a minha humilde opinião.  Sou inteiramente contra a guerra e também contra a denominada “guerra justa”, independentemente da sua justificação legal, política, económica, moral e ética. 

Considero que qualquer tipo de guerra está sempre subjacente às forças do mal. A guerra, seja justa ou não, é do Diabo e dos seus agentes no mundo inteiro. A guerra é uma coisa bruta, sangrenta, horrorosa e macabra. Ela é inequivocamente maléfica, injusta, trágica e diabólica. Com a guerra morrem inúmeras pessoas, sobretudo pessoas inofensivas e inocentes. 

O Conflito Armado à Luz do Direito Internacional


O mundo em que vivemos está cheio de conflitos e de infindáveis guerras. Vemos guerras em todo o lado, circunscrições, dimensões e relacionamentos.  E estas guerras acabam sempre por criar ainda mais o abismo de separação entre pessoas, povos e países em geral, ceifando vidas de milhares e milhões de pessoas em todo o mundo, deixando um rasto de destruição incalculáveis. 

A pertinente questão que se coloca é: podemos considerar uma guerra como sendo justa? Eis a grande questão que nos interpela, que procurei humildemente responder neste podcast à luz do Direito Internacional. 

O Terrorismo Macabro do Hamas

O catástrofe humanitário que se vive neste momento em Israel e na Faixa de Gaza é da inteira responsabilidade dos terroristas do Hamas. Milhares de pessoas que perderam a vida são da inteira responsabilidade do Hamas. Esta monstruosa guerra foi provocada unilateralmente pelo Hamas. O Hamas que é o agressor neste sangrento conflito e Israel é a vítima. Foi o Hamas que atacou violentamente Israel, matando de forma macabra as crianças, os jovens, os idosos, as mulheres, os homens e os civis em particular. É o Hamas que carregará sangue de todas estas vidas perdidas – inutilmente – e das que ainda vão certamente morrer ao longo deste conflito armado de ambos os lados. 

O Hamas é um grupo fundamentalista, extremista e terrorista, que não valoriza o primado da vida humana. Não tem valores da civilização e da civilidade. Vive promovendo o ódio, a guerra, o terror e o derramamento do sangue. Tanto que, por esta razão, assim que teve a oportunidade pelo descuido dos serviços secretos de Israel, não hesitou em empregar os métodos mais hediondos para fazer valer a sua pretensão. Em consequência disso, disparou, decapitou e queimou friamente pessoas inofensivas, sobretudo as pobres criancinhas judias, deixando um horripilante rasto de destruição sem precedentes em Israel. Milhares de pessoas foram barbaramente mortas, sem dó nem piedade, apenas por serem sionistas. 

O despoletar desta guerra é da exclusiva responsabilidade do Hamas, independentemente da convicção a que cada um de nós possa ter sobre a já longa crise israelo-palestiniana. Se não fosse este cruento ataque premeditado do Hamas não estaríamos agora assistir as chocantes imagens de massacres dos civis, bombardeamentos indiscriminados, destruições de várias ordens e de mortandade em larga escala, que nos deixam completamente impotentes perante tais tamanhas devastações. O Hamas, sem qualquer tipo de dúvida ou justificação, para grande tristeza nossa, é o único culpado por toda esta tragédia humanitária. 

A Impiedade do Ser Humano


É com o coração dilacerado que tenho estado a acompanhar a barbárie que chega de Israel através dos media. A carnificina promovida pelo grupo terrorista Hamas, contra os inofensivos civis judeus, ultrapassa todos os limites do bom senso e da razoabilidade. Ultrapassa os valores do humanismo e da humanidade. Não há razão, por mais que seja manifesta, que possa legitimar matar indiscriminadamente civis, inclusive pessoas inocentes. Instaurar um clima de terror nunca é solução plausível para resolver os problemas de fundo, antes pelo contrário, contribui ainda mais para agravar o diferendo e radicalizar as posições. A guerra só traz o desgosto, o sofrimento e a matança. 

Lamento profundamente este derramamento de sangue deliberado promovido pelo Hamas contra a nação israelita e o seu território Israel. Lamento, igualmente, de forma profunda, pelas pessoas que perderam a vida de ambos os lados do conflito e, seguramente, vão continuar a morrer inocentes nas próximas horas, dias, semanas e meses. Oro para que o Todo-Poderoso DEUS possa derramar a paz nos corações dos homens e mulheres que têm um papel importante e determinante neste conflito, com vista a minimizar os efeitos devastadores que uma guerra sempre comporta. Estou completamente solidário com o povo judeu. 

Um Ano de Barbárie Russa na Ucrânia


Faz hoje um ano que a Rússia invadiu militarmente a Ucrânia, deixando um rasto de mortandade assustadora e destruição incalculáveis. Um ano de propagação de falsas narrativas pró-Kremlin, de bombardeamentos indiscriminados e de reiteradas execuções sumárias por parte do implacável regime russo. Um ano onde impera desumanamente o ódio, o abuso, o terror e a carnificina. A Rússia escolheu o pior caminho de todos – a guerra. A guerra que vai dizimando todos os dias vidas de inúmeros inocentes, fazendo com que os filhos ficassem órfãos dos seus pais e estes perdessem os seus filhos. Há milhares de famílias completamente desfeitas e destruídas por perderam injustamente os seus entes queridos numa guerra sangrenta e sem qualquer tipo de sentido. 

A Rússia é o responsável número um pela tragédia humana que se vive na Ucrânia, sobretudo por todas as perdas registadas até à data presente. Foi a Rússia que arbitrariamente invadiu um país soberano, contrariando todas as disposições internacionais, especialmente a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional (LER). Foi a Rússia que despoticamente anexou territórios ucranianos, seguindo a mesma bitola maquiavélica que outrora empregou com a anexação ilegal da Crimeia em 2014. É a Rússia que diariamente bombardeia as cidades ucranianas à vista de todo o mundo, matando indiscriminadamente crianças, idosos, mulheres, homens e destruindo as infraestruturas importantes da Ucrânia. É ainda a Rússia no seu revisionismo histórico que tenta, a todo o custo, pela via da força armada, delimitar as novas fronteiras europeias (vede o caos que instalou na Geórgia e na Moldávia). É a mesma Rússia que está a cometer os hediondos crimes contra a Humanidade na Ucrânia perante os olhos impotentes de toda a Comunidade Internacional. 

Custa tanto assim interiorizar estas manifestas verdades e reconhecê-las na prática? Custa tanto assim admitir que há um país violado na sua soberania e que está a lutar unicamente pela sua sobrevivência? Custa assim tanto aceitar que a culpa de toda esta tragédia que se vive na Ucrânia deve-se exclusivamente ao regime de Putin? Custa assim tanto reconhecer que não há geopolítica ou geoestratégia que possam legitimar uma guerra armada? Custa assim tanto concluir que a guerra nunca deve ser solução para a resolução dos problemas? Custa assim tanto saber dissociar a invasão russa da Ucrânia de outras guerras injustas? Haja no mínimo bom senso e razoabilidade. Haja senso de justiça e de verdade. Haja, acima de tudo, humanismo e humanidade. 

É verdade que vivemos num mundo de trevas e com o aparente triunfo do mal sobre o bem. Um mundo onde impera desgraçadamente toda a sorte de violação, violência, injustiças e guerras. Aqueles que, a priori, triunfam nesta selva são os mais poderosos (LER). É verdade também que a mentira sempre quer ofuscar a verdade, tal como a realidade prática tem-nos indubitavelmente provado por inúmeras vezes. E a invasão russa na Ucrânia não é excepção a esta grande regra do apuramento, tendo em conta os falatórios tautológicos, descabidos e inúteis veiculados ao longo deste período para desresponsabilizar a Rússia da sua flagrante culpabilidade na guerra sangrenta que se trava na Ucrânia. No entanto, tenho a plena certeza que a mentira nunca triunfará sobre a verdade. A verdade sempre prevalecerá acima de qualquer tipo de mentira, falsidade, injustiça, guerra ou mortandade. Cedo ou tarde a verdade prevalecerá. 

Desde o primeiro dia que a Rússia invadiu a Ucrânia que estou solidariamente com a causa ucraniana. Estou a apoiar a Ucrânia contra o jugo opressor russo. Fi-lo por uma questão meramente de bom senso, de justiça social e de verdade. Isto porque acredito piamente nos valores da liberdade, da tolerância, da democracia, da autodeterminação e da paz. Não pactuo com a mentira, o abuso, a guerra e o derramamento de sangue (LER). Apoiar a causa ucraniana é distanciar-se completamente de tais malignidades e abraçar os elevados princípios e valores humano-sociais contra o despeito da autocracia, da ganância do poder, do terror e da guerra.  

A dor da Ucrânia é também a nossa dor. É a dor de todos aqueles que procuram viver em paz, tranquilidade e solidariedade. É a dor, acima de tudo, da Humanidade.  

A Geopolítica de Sangue da Rússia de Putin


Qualquer ser humano que prime genuinamente pelo valor sagrado da vida humana não pode ficar indiferente às tremendas chacinas que a Rússia está a cometer neste momento na Ucrânia e, muito menos, hesitar em condenar firmemente o tal despotismo e posicionar-se ao lado do bombardeado povo ucraniano. Não há nenhuma geopolítica ou geoestratégia que possa servir de pretexto para legitimar uma hedionda guerra e consequentemente validar a cultura da morte dos inocentes. A guerra é a pior faceta que o ser humano herdou do pecado original de Adão e Eva. Ela é exclusivamente do Diabo e de todos aqueles que são da perdição eterna. É a manifestação visível do poder destruidor das trevas e o triunfo momentâneo da maldade no mundo. A guerra é a perfeita personificação dos filhos do Diabo na sua actuação com os terceiros. Por isso, é claramente oposta à razão, à paz, à vida, ao humanismo e à humanidade. 

Confesso que fico completamente estupefacto e triste quando vejo determinadas pessoas a procurarem esgrimir argumentos falaciosos, tautológicos e inúteis para justificar o injustificável, isto é, consentir com o massacre da Rússia de Putin na Ucrânia, apontando falsamente a culpa da guerra aos Estados Unidos de América (EUA), NATO, União Europeia (UE). E pergunto: onde ficam então nesta história todos os inocentes e indefesos que todos os dias estão a morrer à nossa vista de forma injusta? Há, porventura, alguma desconfiança ou provocação que possa legitimar uma guerra armada? Será que a geopolítica ou geoestratégia é mais importante do que a vida humana? 

Toda esta fatídica realidade só reforça a decadência ético-moral em que a Humanidade vive há bastante tempo, convergindo cada vez mais para a sua completa ruína e autodestruição. Estamos mesmo a caminhar, paulatinamente, em várias frentes, para os dias do fim: fim do amor, fim da verdade, fim da paz, fim da sobrevivência, fim da humanidade e o fim do mundo. 

A Grande Guerra Pela Civilização

Os dias que correm não são nada fáceis. Desafiam a nossa lógica racional até aos limites. Mostram-nos, através da realidade tenebrosa do mundo, o quão desumana a humanidade é e o perigo galopante e ameaçador que todos nós corremos. Vivemos em tempos de muita ansiedade, incerteza, desconfiança, medo e guerras, confirmando assim a sentença do afamado Einstein de que “o mundo é um lugar perigoso de se viver”. Realmente, em abono da verdade, o mundo é um lugar bastante perigoso de se viver. O exemplo manifesto disto são as aterradoras notícias que nos chegam dos media, reportando-nos as maléficas situações de escândalos, violações, marginalizações, abusos, guerras e, por fim, mortes. 

Perante estas hediondas e reiteradas transgressões, a que temos impotentemente assistido, não há margem para dúvida que é o futuro e a sobrevivência da raça humana que está em causa. Cada vez que pactuamos com estas desumanidades estamos, de forma implícita e deliberada, a legitimar as atrocidades e autodestruição da própria Humanidade. Jamais poderemos consentir, em circunstância alguma, com tais maldades, porque constituem autênticos inimigos das sociedades abertas, do primado da liberdade e da autodeterminação que deveriam caracterizar-nos, independentemente da nossa origem, sexo e mundividência. E elas não podem triunfar, sob pena de ficarmos completamente reféns da marginalização e da tirania. 

Por isso, somos todos intimados, os amantes da liberdade e democracia pluralista, a participarmos nesta justa guerra civilizacional. É uma guerra que visa afirmar, de forma intrépida e inequívoca, os sublimes e inegociáveis valores da igualdade entre os seres humanos e povos em geral; da Paz mundial e sã convivência entre os titulares e particulares, da Justiça Social e Tolerância, da Democracia e fraternidade, opondo-se manifestamente toda a sorte de preconceito, discriminação, radicalismo, subjugação, absolutismo, fanatismo, guerras, barbárie e jugo opressor. Eis, sem excepção, a peleja que nos espera a todos, isto é, a grande guerra pela civilização. 

Eng. José Eduardo dos Santos, O “Arquitecto da Paz” (4)


«Durante mais de quatro décadas conhecemos de forma quase ininterrupta as agruras e malefícios da guerra, que geraram no nosso país mortes, miséria, fome, luto, dor, destruição, inimizades, etc. Um cortejo de horrores difíceis de ser recordados e que ninguém mais quer voltar a experimentar. Só nos últimos trinta anos de guerra tivemos cerca de um milhão de mortos, duzentos mil mutilados e estropiados, mais de cinquenta mil crianças órfãs, cerca de quatro milhões e meio de deslocados e mais de seiscentos mil refugiados. Para além disso tivemos para cima de dois milhões de minas e outros engenhos explosivos implantados em território nacional e vinte mil milhões de dólares de prejuízos materiais em infra-estruturas como estradas, pontes, aeroportos, barragens, linhas de transporte de energia eléctrica e de caminho-de-ferro, etc. A isto podemos juntar dez mil milhões de dólares de prejuízos em equipamentos sociais, tais como hospitais, centros médicos, escolas, institutos, pavilhões desportivos, locais de culto religioso, etc. A conclusão que podemos tirar de todos estes horrores só pode ser uma: a guerra é uma verdadeira calamidade, cuja apologia constitui uma autêntica desumanidade. (…) As questões de natureza interna, e mesmo as que possam eventualmente ocorrer a nível internacional, não devem ser dirimidas por via da confrontação violenta, mas sim através da concertação e negociação permanentes, até se chegar a um acordo que dê resposta às aspirações de todas as partes envolvidas, mas que ao mesmo tempo se conforme com os superiores interesses nacionais, tais como a soberania, a unidade e integridade da nação e o respeito pela dignidade humana.» (LER)

Eng. José Eduardo dos Santos, O “Arquitecto da Paz” (3)


«Virámos a página da guerra e da destruição, abrimos o capítulo da Paz, para reconstruir o que está partido, para construir coisas novas, para promover os valores morais e sociais positivos, para criar novos factos culturais, afirmar a identidade nacional e desenvolver a nossa cultura.» (LER).

Uma Guerra Pode Ser Considerada Justa?


O mundo em que vivemos está cheio de antagonismos e conflitos. Não precisamos de estar plenamente sintonizados com a realidade político-internacional para disso nos apercebermos. Basta constatarmos os alarmantes sinais que nos vão chegando, de perto e de longe, através dos media, para compreendermos que de facto vivemos num mundo bastante hostilizado e belicoso. Por isso, o grande pensador francês Eustache Deschamps antevendo de longe as abomináveis mutações enfatizadas pelo Iluminismo do séc. XVIII, máxime na sua vertente jacobina, aversivo ao conceito da Moral e dos Bons Costumes, expressava um sentimento geral de desânimo e melancolia face à depravação político-social que observava nos seres humanos do seu tempo, afirmando peremptoriamente que existiam apenas “fêmeas e machos estúpidos”, apontando para o fim apocalíptico do mundo como sendo corolário desta postura belicosa do Homem. 

A guerra a que estamos a referir aqui é no sentido stricto sensu, isto é, do conflito armado entre Estados, ou no caso da denominada guerra civil, o terrorismo dos radicais islâmicos, que envolve mortes de pessoas e destruição em massa. Obviamente que o título do artigo não é inocente, tendo em conta as circunstâncias adversas que se vive há muito tempo no Médio Oriente, mormente o ataque aéreo dos Estados Unidos da América (EUA) na passada sexta-feira que vitimou o comandante da força de elite iraniana Al-Quds, o General Qassem Soleimani (LER). Perante esta atitude dos EUA, que actuou à revelia do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a pertinente questão que se levanta é a seguinte: será que podemos considerar uma guerra como sendo justa? A nosso ver, numa perspectiva meramente subjectivista, a resposta é manifestamente negativa por razões várias que pormenorizaremos infra. 

Temos demorado imenso a ponderar sobre essa problemática questão, de difícil posicionamento, procurando na medida do possível formular publicamente uma opinião sensata que vai ao encontro com os ideais bíblicos que abraçamos. E isto levou-nos a vasculhar a doutrina Jus Internacionalista e Cristã para inteirar, de forma detalhada e aprofundada, do assunto. Naquela doutrina os seus defensores são completamente a favor da Guerra Justa, fruto de influência do pensamento do Santo Agostinho, nomeadamente John Locke, Hugo Grócio, Francisco Suares e Francisco Vitória. Para estes conceituados autores, que marcaram profundamente a nossa História, a Guerra Justa serve para “vingar o mal, quando um Estado tem que ser atacado pela sua negligência em reparar males cometidos pelos seus cidadãos, ou em restaurar aquilo que por maldade lhe foi retirado (…) as guerras justas podem incluir guerras por motivos de segurança, guerras para vingar o mal, ou guerras declaradas a países que recusam a passagem a outros”. 

Por influência destes autores, a Carta das Nações Unidas adoptou na integra este postulado, habilitando o Conselho de Segurança a recorrer ao uso da força em caso de ameaça à paz, ruptura da paz e acto de agressão. Quanto aos Estados membros da ONU, a Carta consente o uso da força pelos Estados membros em apenas duas circunstâncias: a) em caso da legítima defesa, individual ou colectiva (artigo 51.º); b) em caso de assistência às próprias Nações Unidas (Artigo 2.º, nº5), como a participação em acções por elas levadas a cabo ao abrigo do capítulo VII ou noutras, a título excepcional (as operações de paz e de ingerência humanitária, por elas determinadas ou admitidas. 

Com algumas surpresas, a doutrina dos autores Cristãos, seguindo a mesma esteira do pensamento do Santo Agostinho, embora com algumas atenuantes amiúde consideráveis, advogam que “a guerra deve ser declarada só quando é necessário, e para reduzir a injustiça; e para que através dela Deus possa livrar os homens da necessidade e preservá-los em paz. Mesmo na guerra, o espírito do pacificador deve ser estimado (…) a sua conduta deve ser justa – manter a fé com o inimigo, cumprir promessas, evitar a violência desnecessária, o espólio, o massacre, a vingança, as atrocidades e as represálias”. A começar, desde logo, por Santo Tomas de Aquino, arrastando posteriormente pelos grandes Reformadores Protestantes, sobretudo Martinho Lutero, João Calvino. O Anabaptista Menno Simões, um dos consagrados precursores da Reforma Protestante, distanciou-se radicalmente deste entendimento, defendendo uma posição mais equilibrada à luz dos Princípios e Valores da revelação bíblica, na qual aderimos sem nenhumas reservas. Menno Simões, sustentando a sua oposição ao conceito da Guerra Justa, baseou-se no facto de “o cristão ser seguidor do Príncipe da Paz, tendo recebido a ordem expressa de amar os seus inimigos e fazer bem aos perseguidores, dando a outra face a quem lhe bater” para rejeitar categoricamente a possibilidade de um Cristão participar na guerra, ou mesmo defendê-la, independentemente de qualquer tipo de situação ou justificação objectiva. 

Feito este brevíssimo enquadramento geral cabe dizer que nada nos surpreende quando vemos pessoas não crentes no Senhor Jesus Cristo a defenderem ideologicamente a legitimidade da “Guerra Justa”. É natural que eles tenham esse entendimento de “ajustes de contas”, visto que não têm o temor de DEUS nos seus corações, diferentemente dos Cristãos. Congruentemente com aquilo que acabamos de dizer, e que defendemos também noutros fóruns da nossa convivência diária, somos inteiramente contra o conceito da Guerra Justa e espanta-nos ver certos Cristãos a defenderem uma posição contrária. Por mais chocante que possa ser uma situação, como tem acontecido múltiplas vezes, de vermos pessoas inocentes a serem maltratadas, mortas de forma bruta e injusta, precisamos sempre de consciencializar que o nosso Eterno DEUS está sempre no controle da situação e que no devido tempo manifestará o Seu soberano poder para repor a Justiça e punir os malfeitores. Nada do que é feito neste mundo transcende o Seu domínio de acção ou, porventura, que ELE não saiba. O papel que nos cabe como seus filhos é, simplesmente, a de dobrar os nossos joelhos em oração, intercedendo incessantemente a favor destes flagelos humanos, pedindo a ajuda Divina e intervenção para a sua eficaz resolução. Jamais esperançando que a guerra é solução ideal dos problemas. Não é com a guerra que se faz a Paz, mas sim com o espírito do diálogo, procurando humildemente alcançar os consensos das partes beligerantes. Só assim poderemos fazer pontes e construir solidamente o caminho da tão ambicionada Paz entre os seres humanos e os povos em geral. 

Perante o exposto, sem qualquer tipo de hesitação, consideramos extremamente desprovido do fundamento bíblico a tese dos grandes teólogos que supra mencionamos e de tantos outros Cristãos que ainda hoje continuam a defender convictamente o conceito da “Guerra Justa” – como sendo solução para os reais problemas que afectam a Humanidade. Tal como o Teólogo Menno Simões, perguntamos a estes nossos irmãos na fé: “Digam-me, como é que um cristão pode defender biblicamente a retaliação, a rebelião, a guerra, o golpear, o matar, o torturar, o roubar, o espoliar e o queimar cidades e vencer países? … Toda a rebelião é da carne e do diabo … Oh abençoado leitor, as nossas armas não são espadas nem lanças, mas a paciência, o silêncio e a esperança e a Palavra de Deus”. 

Os Inimigos do Povo


Faz hoje precisamente 20 anos que alguns insubordinados militares guineenses, coadjuvados por politiqueiros que grassam na nossa praça pública, fizeram a sublevação militar que ceifou prematuramente a vida de inúmeras pessoas, deixando sequelas indeléveis e rastos de destruição que ainda hoje se repercutem negativamente na vida quotidiana da generalidade dos guineenses. 7 de Junho de 1998 ficará definitivamente registado nos anais da História da Guiné-Bissau como uma data funesta, que contribuiu decisivamente para agravar o elevado índice de pobreza e de mortalidade que já vinham afectando drasticamente o nosso ostracizado povo. 

Apesar do despotismo político-governativo implementado por João Bernardo Vieira (Nino) ao longo dos anos no país era, de todo, dispensável a hedionda guerra civil. Não fazia qualquer tipo de sentido. Foi uma opção irresponsável e errada por parte dos nossos militares e políticos, tal como os anos subsequentes vieram manifestamente a confirmar. A classe castrense imbuída pelos seus obscuros interesses – como sempre – decidiu enveredar unilateralmente pelo caminho da violência armada sem, no entanto, dispor de uma agenda republicana e alternativa política credível para dinamizar e fazer definitivamente avançar o país. Usurparam o poder pela força e locupletaram-se ilicitamente, fazendo escandalosamente no curto espaço do tempo pior do que o regime anterior tinha feito. 

Eis, em suma, de forma abreviada, a penosa receita da guerra 7 de Junho de 1998: a mortandade sem precedentes, o anarquismo absoluto, o esvaziamento do poder e autoritarismo governativo, a corrupção generalizada dentro e fora do aparelho do Estado, a promiscuidade, o nepotismo e impunidade dos actores políticos, tremendas desigualdades sociais, miséria galopante, nulidade das instituições do país, o abuso de poder, a inexistência de classes sociais e o triunfo da mediocridade em todos os sectores e domínios da Res Publica. Retrocedemos, como se pode ver, a todos os níveis. Perdemos literalmente tudo, inclusive a estabilidade, o  sossego e a esperança média de vida. Ficamos cada vez mais vulneráveis, sem qualquer tipo de benefício concreto para o povo guineense, e com agravantes preocupantes que tudo isto representa do ponto de vista humano-social. Nascemos pobres e morremos miseráveis. Tudo o que incorpora as injustiças recaíram tragicamente sobre nós. Somos, por assim dizer, parentes pobres da má sorte.  

Quero, antes de terminar, do fundo do meu coração, prestar uma singela homenagem a todos os guineenses e não guineenses que tombaram nesta fratricida guerra, bem como aos que foram prejudicados por ela e continuam ainda hoje a carregar o enorme fardo dos seus efeitos colaterais. Agradeço profundamente ao meu Eterno e Todo-Poderoso DEUS por me ter poupado a vida, juntamente com toda a minha família e amigos[1]. DEUS seja eternamente louvado! 



[1] Ficámos em Bissau, a título de exemplo, nos momentos mais intensos e críticos da guerra, nomeadamente a violação do cessar-fogo de 31 de Janeiro do ano seguinte e posteriormente o massacre perpetrado deliberadamente no campo eclesiástico do CIFAB, que acolhia muitas pessoas, aquando da tomada de Bissau e o triunfo final dos rebeldes da Junta Militar sobre o governo. Foram lançadas ali quatro bombas. Três delas caíram literalmente em cima dos inofensivos refugiados, matando um número bastante significativo de pessoas. Eu e parte considerável da minha família estávamos abrigados no referido local da Igreja Católica. Presenciámos todo este horror humano – para não falar de outras flagrantes situações em que nos encontrávamos mesmo perante “o vale da sombra da morte”. Mesmo assim, pela maravilhosa graça do nosso Bom DEUS, nenhum mal nos aconteceu, confirmando assim a célebre afirmação bíblica que expressamente diz: “muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas” [Salmos 34:19]. O SENHOR, de facto, protegeu-nos e livrou-nos da morte certa que se teria abatido sobre nós no decorrer da guerra. Por isso, estou-Lhe penhoradamente grato por tudo o que fez por mim e pela minha família e amigos. DEUS obrigado. Muitíssimo obrigado pela permanente ajuda e protecção.