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A Igreja do Senhor Jesus Cristo no Mundo de Hoje

Estou, desde segunda-feira, a convite da Primeira Igreja Evangélica Guineense em Portugal – Queluz, a ministrar, por via online, a Escola Bíblica de Férias (EBF), diariamente, a partir das 21h00 e até às 22h00, seguindo-se um período destinado às perguntas e respostas. O tema que estamos a estudar é “A Igreja do Senhor Jesus Cristo no Mundo de Hoje”, tendo como texto-base o Evangelho segundo João 17:1-26. 

Esta parcela da Escola Bíblica de Férias tem a duração de uma semana, terminando no próximo domingo, dia em que estarei igualmente presente para pregar, presencialmente, no culto dominical da referida Igreja-irmã. 

Temos empreendido um estudo minucioso sobre a problemática teológica da salvação, a segurança da salvação dos filhos de Deus, a Igreja e o seu papel no mundo, bem como a santidade e a unidade da Igreja, seladas pelo poder do Espírito Santo e constituídas em armaduras poderosíssimas para enfrentar e derrotar o mal neste mundo hostil, onde reina o pecado, consubstanciado na incredulidade, na injustiça, na violência, na imoralidade, na maldade e na malignidade, entre outras manifestações diabólicas. 

A Igreja do Senhor Jesus Cristo é chamada a viver neste mundo hostil e perigoso, dando um vigoroso testemunho da fé e proclamando o Evangelho da graça e da salvação, sem jamais comprometer os seus sublimes princípios e valores divinos. 

No entanto, sabemos que a Igreja tem enfrentado grandes desafios nos dias de hoje que, de alguma forma, acabam por dificultar imenso a sua vigorosa afirmação missionária, tendo em conta a considerável influência do mundanismo no seu seio. Desde logo, deparamo-nos com a descaracterização de uma parte da sua liderança, cujos membros se encontram mais comprometidos com as coisas deste mundo do que propriamente com o serviço fiel à Igreja do Senhor Jesus Cristo; com as heresias destruidoras de vidas humanas; com o evangelho da prosperidade; com a corrupção sexual, moral e financeira que a constrange; com o sincretismo religioso, que se traduz em práticas de ocultismo, feitiçaria e pactos satânicos; com a falta de compromisso com a Evangelização e as Missões; com o alheamento de uma vida devotada e santificada; com o sectarismo e a desunião; e, por fim, com o apedeutismo e o relativismo bíblicos, entre tantos outros males. 

São, a nosso ver, alguns dos grandes desafios pós-modernos que se colocam à Igreja do Senhor Jesus Cristo. Para nossa grande tristeza, ela tornou-se, em determinados contextos, uma espécie de mercantilismo de ilusões, onde os valores materialistas e o evangelho da prosperidade são enfatizados e explorados até à exaustão, em detrimento da genuína conversão, da santidade e de uma vida Cristã verdadeiramente comprometida com os impolutos Princípios do Evangelho. 

São precisamente estes grandes desafios eclesiásticos que continuaremos a explorar nesta Escola Bíblica de Férias, à luz da Oração Sacerdotal do Senhor Jesus Cristo, procurando ensinar, despertar, exortar, aconselhar, mobilizar e convocar, com a ajuda e sob o poder do Espírito Santo, a Igreja para o cumprimento fiel da sua sagrada vocação e Missão no mundo de hoje. Que assim seja. 

A Paz do Senhor Jesus Cristo Num Mundo de Permanentes Guerras

Vivemos num mundo perverso e decadente a todos os níveis. Um mundo completamente hostil, violento, perigoso e belicoso. Um mundo onde prolifera abundantemente a desgraça, a maldade e a malignidade. Um mundo, acima de tudo, descaracterizado da verdadeira essência do humanismo e da humanidade. Tanto que, por esta razão, para grande infelicidade nossa, estamos ininterruptamente a viver num clima de constante tensão, de intimidação, de ódio, de perseguição, de confrontação, de violência e de guerras. Há guerras em todas as circunscrições e limítrofes. As guerras fazem parte do cardápio do ser humano, infelizmente. Todo o mundo está cercado de situações de rupturas, ameaças e de guerras – tanto numa perspectiva lato sensu como stricto sensu. Há guerras entre os países, guerras entre as sociedades, guerras no seio familiar, guerras entre pessoas e particularmente com elas. Os países atacam-se mutuamente, violando deliberadamente os acordos bilaterais, multilaterais e tratados internacionais solenemente firmados; as sociedades estão em conflitos intermináveis, repercutindo negativamente nos relacionamentos interpessoais e de familiaridade. Vivemos num mundo hostil e de constantes guerras, para desgraça de todos nós (OUVIR)

A guerra traduz a ausência de paz. Há um défice acentuado da paz na convivência dos seres humanos. O mundo não pode viver holisticamente na virtude do amor, do perdão, da tolerância, da harmonia e da fraternidade. O mundo está completamente possuído pelo poder das trevas, estando assim desencontrado com os caminhos da paz e liberdade. O mundo não pode oferecer uma paz consistente, plena e duradoura no curso do tempo, porque carece dela. A paz que o mundo oferece é precária, interesseira, limitada, efémera e finita. É uma paz que assenta sobretudo nos pressupostos manifestamente egocêntricos e equivocados, despida dos sublimes Princípios e Valores Divinos. Há uma sistemática violação da paz no mundo em que estamos submergidos. A depressão, o ódio, a traição, a violação, a violência, o homicídio e o suicídio são o resultado intrínseco e a confirmação inequívoca da falta de paz no nosso decaído mundo. 

A partir do momento em que o ser humano está desprovido da paz no seu coração este défice acentuado abre as portas para as mais chocantes e inauditas aberrações no seu comportamento, que se vão traduzindo na maldade e malignidade. Passamos assim, a fortiori, a viver numa autêntica selva – e com as séries implicações humano-antropológicas que isto representa na convivência saudável entre as nações e pessoas em geral. Não há respeito e consideração. Não há compreensão e empatia. Não há tolerância e solidariedade. Não há amor e perdão. Não há fraternidade e harmonia. Não há, por fim, empatia e solidariedade. Esta dura realidade é transversal aos países, culturas, sociedades, famílias, pessoas e relacionamentos. 

Tanto que, por esta razão, há uma tremenda violação e violência no nosso mundo. As pessoas usam-se umas às outras sem dó nem piedade. Abusam-se umas das outras, sem o mínimo de primor e pudor. Maltratam-se umas às outras sem qualquer tipo de peso de consciência. Violam-se umas às outras. Descartam-se umas às outras. Matam-se, na pior das hipóteses, se for possível, umas às outras, para satisfazerem os seus insaciáveis caprichos censuráveis. Ninguém respeita os acordos, os contratos e as convenções pré-estabelecidas. Há sempre, na generalidade de situações, aproveitamento, inveja, odio, traição, inimizades, conflitos e intermináveis guerras. Todos estes cancros humano-sociais são resultados inequívocos da ausência da paz no empedernido coração do ser humano (LER)

Apesar de toda esta patente depravação que abafa e prolifera de forma galopante no mundo, com a encarnação do Senhor Jesus Cristo, a palavra paz passou a ganhar o mais elevado significado teológico e teleológico. A começar, desde logo, com o jubiloso anúncio da grande multidão de milícia celestial que entoava alegremente “glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (Lc 2:13-14). E, ainda, nos momentos precedentes a ascensão do Senhor Jesus aos céus, Ele encorajou os seus discípulos com as afectuosas palavras de determinação e perseverança: “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14:27). A paz que, em última instância, sem dúvida, traduz a presença constante do Espírito Santo na vida daqueles que verdadeiramente “nasceram de novo”. 

Tanto na encarnação do Senhor Jesus Cristo como na Sua glorificação enceraram com a palavra paz. Por isso, durante todo o Seu ministério terreno, Ele proclamou incessantemente a paz sem fazer excepção de pessoas (Ef 2:17), confirmando assim pelo Seu impoluto testemunho de vida ser o “Príncipe da Paz” (Is 9:6). O Senhor Jesus Cristo não presenteou os pobres pastores e a Humanidade em geral com nada que não fosse a paz (Lc 2:14), emanada pelos anjos e personificada na Sua humilde manjedoura (Lc 2:10-12). Da mesma sorte, o único legado que Ele deixou aos seus discípulos, aquando da Sua assunção aos céus, foi a mesma paz de DEUS (Jo 14:27). É uma paz que consegue na perfeição preencher plenamente todo o vazio do ser humano e, concomitantemente, despertá-lo para os sublimes Princípios e Valores da vida devotada e consagrada. Cristo, sustenta o Apóstolo Paulo para reforçar esta clara verdade salvífica, “é de facto a nossa paz” (Ef 2:14). 

A verdadeira paz envolve, em última instância, a reconciliação com o Todo-Poderoso DEUS, connosco e com o nosso próximo (2 Co 5:18-19). E esta paz somente o Senhor Jesus Cristo pode proporcionar, através do Espírito Santo. É uma paz que preenche na íntegra todos os anseios da alma, vazios existenciais e carências do ser humano, aplacando qualquer tipo de deriva belicosa e ímpetos malévolos. Habilita a pessoa a reconciliar-se consigo, com tudo o que está à sua volta, e simultaneamente conferindo-lhe uma vida plena, bem-sucedida, realizada e feliz. Esta paz transcende, em larga escala, todos os arbítrios do ser humano e projecta-lhe para o Eterno Jeová (Fl 4:7). É uma paz que o Senhor Jesus Cristo outorga gratuitamente para todos aqueles que depositam inteiramente a sua fé Nele. É uma paz totalmente diferente da paz precária que o mundo oferece. A paz de DEUS é o único antidoto exequível e ideal para extrair todos os cancros do ser humano, proporcionando-lhe a plenitude, a harmonia e a felicidade eterna (LER)

O nosso mundo está bastante descrente, corrupto, conflituoso, belicoso e na deriva espiritual, porque teima em declinar a maravilhosa paz do Senhor Jesus (Is 55:1-13), preferindo refugiar-se nas efémeras ilusões que não proporcionam uma vida bem-sucedida e feliz. A paz de DEUS está visceralmente ligada à harmonia, ao amor, ao gozo, à bondade, à esperança e à herança da vida eterna. Ela é a manifestação visível do fruto do Espírito Santo na vida dos eleitos filhos de DEUS (Gl 5:22), conferindo-lhes as infalíveis garantias das Bem-aventuranças eternas (Mt 5:1-12). 

A conflitualidade existente nos relacionamentos entre os países, instituições, sociedades, famílias e pessoas em geral, gerando um número interminável de guerras, deve-se exclusivamente à inexistência da paz de DEUS no mundo. A paz de DEUS é o único antídoto indispensável para sarar as profundas feridas, mágoas, traumas, ódios e inimizades que grassam no coração do ser humano que este herdou do pecado original. Aqueles que aceitaram de bom grado o Senhor Jesus Cristo nas suas vidas têm graciosamente esta salvífica paz e vivem-na plenamente no seu percurso de vida diário, através da manifestação de reconciliação, amor, perdão, misericórdia e paz para com o próximo. Ela é marca visível do Espírito Santo na vida dos eleitos filhos de DEUS e a confirmação da nossa salvação em Cristo Jesus (2 Co 5:17). 

No entanto, esta paz Divina não traduz necessariamente ausência de problemas e contradições na vida dos filhos de DEUS. Somos susceptíveis de passar por grandes dificuldades, adversidades e infortúnios. Esta paz apenas habilita-nos a encarar os desafios da vida, com fé, mansidão e esperança nas infalíveis promessas da vida eterna. Por outras palavras, não vivemos obcecados com a momentânea e corrupta glória deste mundo, porque a glória do mundo é passageira. Sic transit gloria mundi, já formulava há séculos o monge Tomás de Kempis. 

Os nossos horizontes e legítimas expectativas estão unicamente firmados nos valores do Evangelho e na nossa Pátria Celestial. Não andamos em permanentes frustrações, desânimos, tristezas, depressões, vícios, não obstante os reveses que possamos enfrentar no nosso quotidiano. Muitas são as aflições do justo, escrevia o salmista, mais de todas o SENHOR o livra (Sl 34:19). Temos a paz de DEUS que preenche completamente a nossa vida, dando-nos um sentido positivo na forma de estar e encarar os elevados desafios da vida em particular, e do mundo em geral. 

O mundo fala de forma reiterada de paz, mas está desprovida dela. Proliferam inimizades, ódios, guerras e matanças, por causa da ausência de paz no coração do ser humano. Só a paz do Senhor Jesus Cristo, a verdadeira paz, pode realmente criar um mundo mais harmonioso, justo e fraterno. A paz do Senhor Jesus é diferente da paz do mundo em todos os aspectos. A paz do mundo é conveniente, parcial, frágil e limitada no curso do tempo, uma vez que exigem sempre contrapartidas egocêntricas na sua manutenção que, muitas das vezes, são irrealistas do ponto de vista objectivo. Ao passo que a paz do Senhor Jesus Cristo é plena, justa, perfeita e perpétua. Ela é, acima de tudo, a presença de DEUS e galardoadora das Bem-aventuranças eternas. 

O Senhor Jesus Cristo, prestes a terminar o Seu importante sermão de antecipação pelas coisas futuras que acontecerão no mundo, depois da Sua gloriosa ascensão aos céus no capítulo 14 do Evangelho s. João, com vista a reforçar ainda mais a fé dos seus amados discípulos, fez questão de adverti-los preventivamente daquele que domina este mundo que, nas outras versões bíblicas, é apelidado de “príncipe deste mundo” (Jo 12:31). Aquele que domina o mundo está quase a chegar, exortava peremptoriamente o Senhor Jesus Cristo (Jo 14:30). Ele já chegou ao mundo há muito tempo, com todas as forças do mal, e domina os que vivem na desobediência e rebelião contra DEUS (Ef 2: 2; Cl 3:6; 2 Co 4:4). 

Quem é o príncipe deste maligno mundo? O príncipe deste mundo é o ser mais nauseabundo e execrável que existe no universo chamado diabo. Também conhecido como o grande dragão, satanás, lúcifer (Is 14:12-15; Ez 28:14-17), belzebu (Mt 12:24), o acusador (Ap 12:10), o pai da mentira (Jo 8:44), o príncipe das potestades do ar e dos demónios ou antiga serpente (Ef 2:2). O Apóstolo João sustenta que “ele é a antiga serpente, aquele a quem chamam Diabo e Satanás, o sedutor de toda a gente. Ele e os seus anjos foram atirados para a Terra” (Ap 12:9). 

O diabo é o ladrão que veio somente roubar, matar e destruir (Jo 10:10). Segundo o Apóstolo Paulo, ele é “o deus deste mundo que cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Co 4:4). O nosso Senhor Jesus Cristo qualificou-lhe, de forma peremptória, como “homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44). Na mesma esteira do pensamento, o autor sagrado vai ao ponto de considerar que “o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1 João 3:8). 

Tanto que, por esta razão, somos manifestamente exortados pelas Escrituras Sagradas a não darmos lugar ao diabo (Ef 2:27), antes pelo contrário sujeitando-se, pois, em plena obediência, a DEUS, resistindo firmemente ao diabo, e ele fugirá de nós (Tg 4:7). Devemos revestir-nos de toda a armadura de DEUS (Ef 6:10-18), para que possamos estar firmes contra as astutas ciladas do diabo, “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef 4:11-12). Cumprindo na íntegra com estas salutares disposições bíblicas, o nosso DEUS de paz não tardará a esmagar satanás debaixo dos nossos pés (Rm 16:20). Por outras palavras, o diabo já foi esmagado na Cruz do Calvário e completamente derrotado pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Cl 2:15; Ap 20:2-3;10). Aleluia! 

O diabo domina o mundo, juntamente com todos os demónios que estão ao seu serviço maquiavélico para implementar a discórdia, a guerra, a violência, o terror, a matança e a destruição no mundo. Ele é o “príncipe” no pior sentido do termo, isto é, no sentido maligno e funesto. O diabo é o príncipe de todo o engano, falsidade, mentira, traição, ganância, soberba, prostituição, crueldade, matança, desumanidade, depravação, maldade e malignidade. Ele é ainda o príncipe das potestades do ar (Ef 2:2), da mentira, do ódio, da corrupção, da traição, da vingança, da carnificina, do caos e de todo o tipo de pecado existente e reinante no mundo inteiro, bem como o príncipe das trevas e da morte (Ef 6:12). O diabo domina tudo o que é asqueroso, hediondo, mau, macabro e trágico. Ele é o príncipe da impiedade, da maldade e do mundanismo. Domina os demónios caídos, que estão ao seu serviço maligno, e também os pecadores que resistem deliberadamente a graça redentora do Senhor Jesus Cristo, vivendo deliberadamente na perversidade, na ofensa e no pecado. O diabo domina o mundo com o poder das trevas e da morte, tendo como finalidade última destruir a Humanidade inteira. 

O diabo domina este perverso e decadente mundo, juntamente com todos os demónios e filhos da perdição, que estão ao seu serviço maquiavélico para implementar o caos e a destruição, insistimos. Mas, atenção, importa ainda salientar que o diabo domina o mundo, contudo não domina o nosso Todo-Poderoso DEUS e a Sua soberania. Também não domina o Senhor Jesus Cristo, o Espírito Santo, a Santa Igreja de Cristo e, tão pouco, domina os eleitos filhos do nosso Eterno JEOVÁ. O Senhor Jesus Cristo venceu o diabo na Cruz do Calvário (Gn 3:15; Jo16:33), dando-nos igualmente o poder de vencê-lo na força do Espírito Santo e todos os seus demónios (Mc 16:17; Lc 10:19). 

Subscrevo na íntegra as sugestivas e inspiradas palavras de Hernandes Dias Lopes quando afirma que “Cristo venceu o mundo e o diabo (Jo 12.31), e Satanás não tem poder sobre ele. Não há nada em Jesus Cristo que o diabo possa controlar. Uma vez que estamos “em Cristo”, Satanás também não pode controlar nossa vida. Nem Satanás nem o mundo podem perturbar nosso coração”. 

Somos blindados por DEUS, através do Espírito Santo nas nossas vidas. O Espírito da verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. Ele está connosco e habita nos nossos corações, razão pela qual O conhecemos (Jo 14: 17). Ele ensina-nos tudo e faz com que recordemos tudo o que o Senhor Jesus Cristo outrora instruiu aos seus discípulos (Jo 14:26). Convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo (Jo 16:8).  Guiar-nos-á sempre em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e nos anunciará o que há de vir (Jo 16:13). O Espírito Santo, em suma, é o penhor da nossa salvação em Cristo Jesus (Ef 1:14). Louvado seja DEUS! 

Não ficaremos desamparados no mundo e entregues à nossa sorte. O Senhor Jesus Cristo foi para a Sua excelsa glória, depois ter sido crucificado, morto e ressuscitado ao terceiro dia, apresentando-Se com provas irrefutáveis (Mt 28:1-10; Mc 16:1-10; Lc 24:1-12; Jo 20:1-10). Era importante que Ele fosse para o céu. Se não fosse assim, o Consolador não viria até nós (Jo 16:7), tal como aconteceu logo a seguir no dia de Pentecostes (At 2:20-21). Mas Ele foi para junto de DEUS Pai, enviando-nos assim o Espírito Santo para estar connosco e nos orientar na nossa caminhada Cristã neste pervertido, cruel e injusto mundo. 

O Senhor Jesus Cristo foi para o céu, mas não nos deixou órfãos no mundo. “Não vos hei de deixar órfãos pois voltarei para junto de vós”, prometeu o nosso Salvador Jesus Cristo (Jo14:18). E assim foi. A referida promessa foi cumprida com a poderosa descida e habitação do Espírito Santo nas nossas vidas nos dias de Pentecostes (At 2:1-4). Temos o amparo permanente de DEUS, através do Espírito Santo, que impossibilita completamente o diabo de ter qualquer tipo de domínio sobre a nossa vida ou, porventura, de ter a possibilidade de nos destruir. Da mesma sorte que o diabo não tem nenhum poder sobre o Senhor Jesus Cristo, assim também não tem qualquer tipo de poder sobre nós – que somos amados e eleitos filhos de DEUS para a salvação antes da fundação do mundo (Ef 1:4-5; 2 Tm 1:9-10; 1 Ts 1:4; 2 Ts 2:13; Jo 15:17; Rm 8:29-30). 

Por estarmos inteiramente revestidos da presença permanente do Espírito Santo em nós, e com a armadura de DEUS (Ef 6:1-18), não estamos sozinhos no mundo. Não estamos desprotegidos e abandonados. Não estamos solitários nem órfãos (Jo 14:18), antes pelo contrário, temos um Pai amoroso que cuida de nós em tudo o que realmente precisamos para o nosso crescimento e vitória final. 

Sabemos que, pela experiência prática da vida, ficar órfãos dos pais é estar completamente desprotegido e vulnerável em todas as dimensões da vida, susceptível de infindáveis arbitrariedades e injustiças perante os terceiros, especialmente de ser presa fácil dos adversários. Os pais visam zelar pelos interesses legítimos dos filhos e protegê-los de qualquer tipo de tentação, ameaças e perigos em que estes incorrem, sobretudo ataques do inimigo. A orfandade é uma das piores desgraças humanas, acarretando prejuízos incalculáveis, que poderá acontecer a qualquer um. A pessoa perde uma importante cadeia de apoio incondicional, amor filial, o cuidado, a provisão e a protecção dos pais. Não sem razão costuma-se dizer popularmente que “quem tem mãe tem tudo. Quem não tem mãe não tem nada” (leia-se os pais, bem entendido). 

Por conseguinte, esta dura realidade não vai acontecer connosco, tal como ficou provado biblicamente supra. Em circunstâncias nenhumas, ficaremos órfãos aqui no mundo. O Todo-Poderoso DEUS é o nosso Pai Celestial que está nos céus para cuidar dos nossos legítimos interesses (Mt 6:9-13). Temo-Lo connosco, bem como o Senhor Jesus Cristo, e o Santo Espírito nas nossas vidas para nos habilitar a viver na graça, no amor, na santificação, no perdão, na segurança, na alegria, na paz, na reconciliação e na promessa da vida eterna. Somos salvos do pecado e do diabo para vivermos definitivamente no amor, na luz e na paz gloriosa do Senhor Jesus Cristo. A nossa vida transborda esta Divina paz, não obstante estarmos cercados pelo mundo hostil em permanentes guerras e pelos inimigos ferozes que nos querem, a todo o custo, destruir. 

Mesmo assim, não somos atingidos por estas setas incendiárias, armadilhas do diabo e dos seus agentes no mundo. Estamos completamente protegidos pela mão poderosa de DEUS, levando-nos a encarnar a paz no nosso testemunho de vida, mormente para todos aqueles que nos rodeiam que, infelizmente, ainda não abraçaram a graça salvífica do Senhor Jesus Cristo. 

Somos chamados a viver na paz de DEUS, fomentá-la, promovê-la e anunciá-la intrepidamente pelo mundo perdido em constantes guerras. Esta maravilhosa paz somente o Senhor Jesus Cristo pode graciosamente conferir, mediante o Espírito Santo. O mundo, em circunstância alguma, pode oferecer a verdadeira paz. Só se oferece aquilo que realmente se tem. O mundo não dispõe da paz do SENHOR, porque a sua natureza é conflituosa, má e pecaminosa. 

Ora, quem é pecaminoso vive deliberadamente em escândalos, ofensas e guerras intermináveis com ela e com tudo à sua volta. Só tem estas abominações para oferecer. A paz do mundo é arbitrária nos seus propósitos e fins. É frágil e despida de consistência no curso do tempo. É ainda tendenciosa é precária. E, por fim, é uma paz parcial, putrefacta, violenta e maligna: uma autêntica adulteração da verdadeira paz, pois de paz não tem certamente nada. Mundo está inteiramente despido da paz e vive completamente alheio com a sua efectivação. 

Concordo na íntegra com as sábias e inspiradoras palavras de D. A. Carson, citado por Hernandes Dias Lopes no seu comentário expositivo do Evangelho segundo João: “o mundo não tem o poder de dar paz. Há tanto ódio, egoísmo, amargura, malícia, ansiedade e medo que toda tentativa na direção da paz é rapidamente submergida. A paz de Cristo é alegria inefável no meio da luta. E a presença sobrenatural na fornalha. É a proteção segura na cova dos leões. É a coragem inabalável no vale da morte. A paz de Cristo é a paz que defende nosso coração e nossa mente da invasão da ansiedade”. 

Mesmo que estejamos a viver todas estas vicissitudes, contradições e contrariedades nas nossas vidas, inclusive passar pelo “vale da sobra da morte” (Sl 23:4), continuaremos a ter holisticamente a paz do Espírito Santo de DEUS para nos proteger, apoiar, guiar, consolar, fortificar, edificar, abençoar e conduzir para as Bem-aventuranças Eternas (Mt 5:1-12). 

Cabe, por isso, a cada um nós, com carácter de urgência, disponibilizar-se em aceitar graciosamente esta maravilhosa e Divina paz do Senhor Jesus Cristo. Só assim, estaremos capacitados para viver plenamente na paz e, deste modo, integrar definitivamente o Reino eterno do Senhor e Salvador Jesus Cristo. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no nosso Todo-Poderoso DEUS. 

Uma Guerra Pode Ser Considerada Justa?

Este foi também o tema do título do artigo de opinião que escrevemos há um ano para o jornal português Observador, a propósito da bárbara invasão da Ucrânia pela Rússia. Sentimo-nos novamente compelidos no bom sentido do termo para escrevermos sobre este mesmo pertinente tema, tendo conta a difícil, conturbada, polvorosa, explosiva e perigosa situação a que estamos a viver neste momento no mundo inteiro. 

O mundo em que vivemos está cheio de conflitos. Não precisamos de estar plenamente sintonizados com a realidade político-internacional para disso nos apercebermos. Basta constatarmos os alarmantes sinais que nos vão chegando, de perto e de longe, através dos media, para compreendermos que, de facto, vivemos num mundo bastante hostil e belicoso. Há, cada vez mais, abominações que proliferam de forma galopante no nosso mundo dito pós-moderno, fruto da mundividência jacobina e libertária que obstam o seu avanço saudável, somando ainda os radicalismos extremos tanto de direita como de esquerda, conduzindo-o para um caos absoluto e o fim apocalíptico – por causa desta postura belicosa do Homem. 

A guerra a que estamos a referir aqui é no sentido stricto sensu, isto é, do conflito armado entre os Estados ou no caso da designada guerra civil, que envolve mortes de pessoas e destruição em massa. Obviamente que este artigo não é inocente, tendo em conta a proliferação de guerras a que estamos neste momento a assistir pelo mundo inteiro, sobretudo a guerra entre o Hamas e Israel, extensível também a Palestina e o Líbano, bem como o conflito armado entre Azerbaijão e a Armênia em Nagorno-Karabakh, guerra entre a Rússia e a Ucrânia. E também a guerra civil na Síria, no Iraque, no Iêmen, na República do Congo, na Etiópia, no Camarões, no Mianmar, no Afeganistão, somando ainda as guerras do jihadismo islâmico em África, nomeadamente no Mali, na República Centro Africana, no Sudão, no Níger, na Nigéria, no Burkina Faso, na Somália e no Moçambique, etc. 

A pertinente pergunta que se coloca é: será que podemos considerar uma guerra como sendo justa? Eis a grande questão que nos interpela. Vamos tentar responder esta pergunta em duas dimensões: primeiro, numa dimensão secular e depois numa dimensão teológico-Cristã. 

Começando a nossa reflexão numa perpectiva secular, importa salientar que na doutrina do Direito Internacional há um unanime consenso a favor do conceito da guerra justa, fruto de influência do pensamento de Santo Agostinho, John Locke, Hugo Grócio, Francisco Suares e Francisco Vitória. Para estes conceituados autores mundial, que marcaram profundamente a nossa história da política internacional, a guerra justa serve para “vingar o mal, quando um Estado tem que ser atacado pela sua negligência em reparar males cometidos pelos seus cidadãos, ou em restaurar aquilo que por maldade lhe foi retirado”. As guerras justas, sustentam ainda estes ilustres pensadores, podem incluir guerras por motivos de segurança, guerras para vingar o mal, ou guerras declaradas a países que recusam a passagem a outros”. 

Por influência destes conhecidos autores, a Carta das Nações Unidas de 1945 adoptou na íntegra este postulado doutrinário, habilitando o Conselho de Segurança a recorrer ao uso da força, isto é, a implementar a acção armada contra qualquer país em caso de ameaça à paz, ruptura da paz e acto de agressão. Quanto aos Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU), a Carta consente o uso da força pelos Estados membros em apenas duas circunstâncias: 1): em caso da legítima defesa, individual ou colectiva (nos termos do artigo quinquagésimo primeiro); 2) em caso de assistência às próprias Nações Unidas (art.2.5), como a participação em acções por elas levadas a cabo ao abrigo do capítulo sétimo ou noutras, a título excepcional (as operações de paz e de ingerência humanitária, por elas determinadas ou admitidas). 

Do ponto de vista secular, sem grandes surpresas, há uma total convergência e apoio mundial dos países na defesa do conceito da Guerra Justa, contando que a referida guerra preencha os requisitos legais exigidos e estabelecidos na Carta das Nações Unidas e respeitar, igualmente, O Direito Internacional Humanitário, conhecido como “o direito da guerra” ou “o direito dos conflitos armados”, regimentado na Convenção de Genebra. No artigo três, desta mesma convenção, por todos os artigos, diz expressamente: “as pessoas que não tomem parte directamente nas hostilidades, incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto as armas e as pessoas que tenham sido postas fora de combate por doença, ferimentos, detenção, ou por qualquer outra causa, serão, em todas as circunstâncias, tratadas com humanidade, sem nenhuma distinção de carácter desfavorável baseada na raça, cor, religião ou crença, sexo, nascimento ou fortuna, ou qualquer outro critério análogo” (art.º 3:1). 

Para este efeito, são e manter-se-ão proibidas, em qualquer ocasião e lugar, relativamente às pessoas acima mencionadas: (alínea a) As ofensas contra a vida e a integridade física, especialmente o homicídio sob todas as formas, mutilações, tratamentos cruéis, torturas e suplícios;  b) A tomada de reféns;  c) As ofensas à dignidade das pessoas, especialmente os tratamentos humilhantes e degradantes; d) As condenações proferidas e as execuções efectuadas sem prévio julgamento, realizado por um tribunal regularmente constituído, que ofereça todas as garantias judiciais reconhecidas como indispensáveis pelos povos civilizados. 

O número dois ainda do artigo três termina desta forma: “os feridos e doentes serão recolhidos e tratados. Um organismo humanitário imparcial, como a Comissão Internacional da Cruz Vermelha, poderá oferecer os seus serviços às partes no conflito. As Partes no conflito esforçar-se-ão também por pôr em vigor, por meio de acordos especiais, todas ou parte das restantes disposições da presente Convenção. A aplicação das disposições precedentes não afectará o estatuto jurídico das Partes no conflito”. 

Por outras palavras, a Convenção de Genebra estabelece as regras no período de guerra, especialmente as de proteger os civis, os seus direitos e bens na decorrência do conflito armado no âmbito de Direito Internacional Humanitário. Neste ponto não há qualquer tipo de dúvidas. Estamos entendidos nesta abordagem secular. 

O Melhor e o Pior dos Tempos, de Charles Dickens


“Foram tempos magníficos, foram tempos tenebrosos, foi a era da sabedoria, foi a era da estultícia, foi a época das convicções, foi a época da incredulidade, foi a idade da luz, foi a idade das trevas, foi a Primavera da esperança, foi o Inverno do desespero, tínhamos tudo diante de nós,  nada tínhamos diante de nós, íamos todos direitos para o Céu, íamos todos direitos em sentido contrário – em suma, aquela época assemelhava-se tanto à presente que algumas das suas eminências mais exuberantes insistiam que apenas a poderíamos adjectivar, para o bem ou para o mal, lançando mão do grau superlativo” (LER) (AQUI).

O Conflito Armado à Luz do Direito Internacional


O mundo em que vivemos está cheio de conflitos e de infindáveis guerras. Vemos guerras em todo o lado, circunscrições, dimensões e relacionamentos.  E estas guerras acabam sempre por criar ainda mais o abismo de separação entre pessoas, povos e países em geral, ceifando vidas de milhares e milhões de pessoas em todo o mundo, deixando um rasto de destruição incalculáveis. 

A pertinente questão que se coloca é: podemos considerar uma guerra como sendo justa? Eis a grande questão que nos interpela, que procurei humildemente responder neste podcast à luz do Direito Internacional. 

Dia Internacional da Mulher

Hoje é o Dia Mundial da Mulher. Ser mulher no nosso hostilizado, cruento, machista e injusto mundo não é uma tarefa nada fácil. Comporta enormíssimos riscos e obstáculos que, nalgumas circunstâncias, são bastantes penosas e inultrapassáveis. O pior ainda é ser mulher africana. A mulher africana carrega dolorosamente sobre si todas as desgraças deste maldito mundo – e com todas as implicações humano-sociais que isto acarreta no seu quotidiano e na sua autodeterminação. Continua ainda arbitrariamente a ser reduzida cegamente à ignorância, à objectificação, ao abuso, à miséria, à prostituição, à violação e à violência, etc. 

Por isso num dia como o de hoje, em que celebra “O Dia Internacional da Mulher”, impõe-se uma genuína reflexão a todos os Homens de “boa vontade” no sentido de contribuir resolutamente para uma cabal melhoria da condição humilhante e deplorável em que se encontram a generalidade daquelas que constituem as nossas esposas, mães, avós, filhas, irmãs, tias, primas, companheiras e exclusivamente mulheres. 

Quero, por ocasião do nobre espírito deste dia, através das mulheres africanas, estender amigavelmente os meus profundos votos de reconhecimento e de um futuro ditoso para todas as nossas valentes mulheres em geral, esperando com fé que possam num futuro breve libertarem-se definitivamente do jugo opressor masculino em que são votadas ao longo dos séculos. Que assim seja. 

Um Ano de Barbárie Russa na Ucrânia


Faz hoje um ano que a Rússia invadiu militarmente a Ucrânia, deixando um rasto de mortandade assustadora e destruição incalculáveis. Um ano de propagação de falsas narrativas pró-Kremlin, de bombardeamentos indiscriminados e de reiteradas execuções sumárias por parte do implacável regime russo. Um ano onde impera desumanamente o ódio, o abuso, o terror e a carnificina. A Rússia escolheu o pior caminho de todos – a guerra. A guerra que vai dizimando todos os dias vidas de inúmeros inocentes, fazendo com que os filhos ficassem órfãos dos seus pais e estes perdessem os seus filhos. Há milhares de famílias completamente desfeitas e destruídas por perderam injustamente os seus entes queridos numa guerra sangrenta e sem qualquer tipo de sentido. 

A Rússia é o responsável número um pela tragédia humana que se vive na Ucrânia, sobretudo por todas as perdas registadas até à data presente. Foi a Rússia que arbitrariamente invadiu um país soberano, contrariando todas as disposições internacionais, especialmente a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional (LER). Foi a Rússia que despoticamente anexou territórios ucranianos, seguindo a mesma bitola maquiavélica que outrora empregou com a anexação ilegal da Crimeia em 2014. É a Rússia que diariamente bombardeia as cidades ucranianas à vista de todo o mundo, matando indiscriminadamente crianças, idosos, mulheres, homens e destruindo as infraestruturas importantes da Ucrânia. É ainda a Rússia no seu revisionismo histórico que tenta, a todo o custo, pela via da força armada, delimitar as novas fronteiras europeias (vede o caos que instalou na Geórgia e na Moldávia). É a mesma Rússia que está a cometer os hediondos crimes contra a Humanidade na Ucrânia perante os olhos impotentes de toda a Comunidade Internacional. 

Custa tanto assim interiorizar estas manifestas verdades e reconhecê-las na prática? Custa tanto assim admitir que há um país violado na sua soberania e que está a lutar unicamente pela sua sobrevivência? Custa assim tanto aceitar que a culpa de toda esta tragédia que se vive na Ucrânia deve-se exclusivamente ao regime de Putin? Custa assim tanto reconhecer que não há geopolítica ou geoestratégia que possam legitimar uma guerra armada? Custa assim tanto concluir que a guerra nunca deve ser solução para a resolução dos problemas? Custa assim tanto saber dissociar a invasão russa da Ucrânia de outras guerras injustas? Haja no mínimo bom senso e razoabilidade. Haja senso de justiça e de verdade. Haja, acima de tudo, humanismo e humanidade. 

É verdade que vivemos num mundo de trevas e com o aparente triunfo do mal sobre o bem. Um mundo onde impera desgraçadamente toda a sorte de violação, violência, injustiças e guerras. Aqueles que, a priori, triunfam nesta selva são os mais poderosos (LER). É verdade também que a mentira sempre quer ofuscar a verdade, tal como a realidade prática tem-nos indubitavelmente provado por inúmeras vezes. E a invasão russa na Ucrânia não é excepção a esta grande regra do apuramento, tendo em conta os falatórios tautológicos, descabidos e inúteis veiculados ao longo deste período para desresponsabilizar a Rússia da sua flagrante culpabilidade na guerra sangrenta que se trava na Ucrânia. No entanto, tenho a plena certeza que a mentira nunca triunfará sobre a verdade. A verdade sempre prevalecerá acima de qualquer tipo de mentira, falsidade, injustiça, guerra ou mortandade. Cedo ou tarde a verdade prevalecerá. 

Desde o primeiro dia que a Rússia invadiu a Ucrânia que estou solidariamente com a causa ucraniana. Estou a apoiar a Ucrânia contra o jugo opressor russo. Fi-lo por uma questão meramente de bom senso, de justiça social e de verdade. Isto porque acredito piamente nos valores da liberdade, da tolerância, da democracia, da autodeterminação e da paz. Não pactuo com a mentira, o abuso, a guerra e o derramamento de sangue (LER). Apoiar a causa ucraniana é distanciar-se completamente de tais malignidades e abraçar os elevados princípios e valores humano-sociais contra o despeito da autocracia, da ganância do poder, do terror e da guerra.  

A dor da Ucrânia é também a nossa dor. É a dor de todos aqueles que procuram viver em paz, tranquilidade e solidariedade. É a dor, acima de tudo, da Humanidade.  

A Precariedade da Vida Humana


A vida é precária em todas as suas dimensões humano-antropológicas. Tão precária que ela é que hoje estamos aqui e amanhã já não estamos. Estamos sempre a correr sérios riscos de vida a todos os níveis. Riscos que acautelamos e riscos que não conseguimos acautelar. Riscos previsíveis e riscos imprevisíveis. E, por fim, riscos visíveis e riscos invisíveis. Somos seres condicionados, vulneráveis, limitados, transitórios, mortais e finitos. A nossa vida é extremamente curta e passageira. Passa tão rápido que nos ultrapassa completamente. 

Por isso, somos meros peregrinos e forasteiros neste maldito mundo em que abundam desgraçadamente a miséria, a traição, a decepção, o ódio, a vingança, a guerra, a dor, o sofrimento e a morte. Viemos a este mundo para morrer, infelizmente (LER)Esta é a nossa pior tragédia. A tragédia das tragédias que herdámos do pecado original de Adão Eva. A nossa existência é manifestamente insignificante perante o tamanho desafio da morte que nos espera a todos, razão pela qual não nos serve de nada encarnar a soberba, a maldade e toda a sorte de desumanidade no nosso substrato identitário. É contraproducente incorporar tais malévolos vícios, tendo em conta a fugacidade da vida e a nossa finitude. O certo, e mais sensato e proveitoso, é reconhecermos a nossa inutilidade e cultivar diariamente a virtude do amor, tolerância, perdão, solidariedade e reconciliação com DEUS e com o próximo à nossa volta, preparando assim, da melhor forma possível, a nossa passagem para o além. 

A vida é realmente curta, madrasta e efémera. Tanto que, por esta razão, os autores sagrados convergiam unanimemente em adjectivar a vida de “sopro”, “neblina” e “sombra passageira”, confirmando deste modo a sua transitoriedade e finitude. O rei David, no seu famoso Salmo, considerava que “o homem é como um suspiro; a sua vida passa como uma sombra” (Sl 144:3). O servo Tiago questionava os seus leitores em tom exortativo, demonstrando-lhes a insignificância da natureza humana e a fragilidade da vida: “que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece” (Tg 4:14). Na mesma esteira do pensamento, o sábio Salomão escrevia que “nem do sábio nem do ignorante ficará recordação que dure para sempre. Com o passar dos tempos, tudo se esquece. Tanto morre o sábio como o ignorante. (…). Sim, tudo é ilusão. É correr atrás do vento!” (Ec 2:16-17). 

Não obstante esta grande verdade exposta, que todos nós conhecemos e sabemos, doem-me imensamente o coração das perdas de vidas que vamos reiteradamente assistindo e ouvindo. Perdas vindas de perto e de longe. Perdas repentinas dos nossos familiares, amigos, colegas, conhecidos, desconhecidos e semelhantes nossos. Perdas que acontecem por causas naturais e acidentais, bem como perdas precipitadas pelas acções deliberadas do Homem. Perdas, sobretudo, provocadas pelas hediondas guerras que matam milhões de pessoas em todo o mundo e deixam rastos de destruição funestas e incalculáveis. 

Entristece-me profundamente a alma todas essas sistémicas e sistemáticas catástrofes, tragédias e desgraças sem fim à vista, a que vamos impotentemente presenciando, de perto e de longe, através das notícias que nos vão chegando. Tudo isto reforça ainda, cada vez mais, a minha descrença completa no ser humano e no mundo em geral. A minha inabalável fé e esperança estão unicamente firmados no Todo-Poderoso DEUS e no Seu Unigénito Filho Jesus Cristo, o meu eterno e Senhor e Salvador. 

A vida, em suma, é demasiado passageira e nós não somos absolutamente nada sem DEUS. Eis a grande e inequívoca verdade soteriológica, que precisamos interiorizar na nossa árdua e instantânea peregrinação neste “Vale de Lágrimas”, que tem impreterivelmente os dias contados pela mortalidade no curso do tempo.

A Morte do Papa Bento XVI e o Seu Legado Religioso


Partilho aqui o vídeo que gravei hoje no final da tarde sobre “A Morte do Papa Bento XVI e o Seu Legado Religioso”. Tenha um bom proveito na sua visualização e auscultação. 

Não Nascemos Para Sofrer

Não nascemos para sofrer. Sim, não nascemos mesmo para sofrer. Nós, os seres humanos, não viemos a este mundo para sofrer. Não estamos minimamente preparados, em nenhuma fase ou circunstância, para sofrer. Não esperamos o sofrimento entrar no nosso percurso de vida. Não fazemos votos para o sofrimento ou conviver pacificamente com ele. Não folgamos ou ansiamos o sofrimento, antes pelo contrário detestamo-lo a todos os níveis. O sofrimento remete-nos, em última instância, para a fragilidade do ser humano e o prenúncio da sua degeneração, fatalidade, perecibilidade e finitude. O sofrimento está intrinsecamente ligado à debilidade, à fraqueza, à incapacidade, à doença, à dor e à morte. O sofrimento descaracteriza e mata.  Por isso, ele é “contranatura” porque afecta e coloca em causa a nossa constituição física, estrutura psicossomática e a própria existência, criando em nós atrofiamentos e lesões de personalidade insuperáveis e, em casos extremos, funestos. 

Qualquer sofrimento carrega um pesar. É um pressuposto assente em todo e qualquer tipo de sofrimento humano. Podemos infelizmente sofrer por nós próprios, pelos nossos familiares, pelos nossos amigos, pelos terceiros e pela humanidade em geral. O sofrimento indiscriminadamente atinge tudo e todos. Nenhum ser humano à face da terra é imune ao sofrimento ou lida bem com ele. O sofrimento afecta os pobres e, concomitantemente, os ricos. Também apanha pessoas doutas e pessoas indoutas. Abarca homens e mulheres. Atinge os adultos e as inofensivas criancinhas. Podemos, a título exemplificativo, sofrer pelo amor, pela injustiça, pela traição, pela decepção, pela agressão, pela discriminação, pela rejeição, pela solidão, pela doença e pela perda de um ente querido, etc. Praticamente todo o mundo vive sofrendo (naturalmente, com graduações diferentes, dependendo da situação e contexto que cada um está inserido). O objectivo do sofrimento é arruinar-nos, aliás, ele ilustra bem a condição de depravação do ser humano e da sua destruição (as almas que vão para o inferno estarão eternamente no sofrimento. Veja, por todos os exemplos, os impressionantes relatos do livro de Apocalipse e a “Divina Comédia” de Dante Alighieri[1]. Tanto que, por esta razão, numa perspectiva geral, o sofrimento não é tomado comummente como sendo algo de bom[2]

O ilustre Escritor Fernando Pessoa, no seu “Livro do Desassossego”, apelidava manifestamente o sofrimento como sendo “a dura opressão do coração”. O reputado autor alemão Johann Wolfgang von Goethe, na sua emblemática obra “Fausto”, considerava-o “ausência completa da alegria” (ALI) e (AQUI). O Salmista Hemã de Canaã classificava o sofrimento de “companhia das trevas” (Sl 88:1-18 (ALI) e (AQUI). O “sufoco permanente da alma”, definia-o desta forma o autor bíblico do livro de Job. 

Todos estes autores conotam o sofrimento com a solidão, a angústia, a dor, o quebrantamento, o fracasso, a fatalidade e o choro. No Bilhete Amarrotado de Odonato, citado pelo poeta angolano Ondjaki, em “Os Transparentes”, desabafa em tom fatídico que «acabou o tempo de lembrar/choro no dia seguinte/as coisas que devia chorar hoje» (LER)“Ninguém sabe por quanto sofrimento passei, ninguém sabe senão Jesus”, lamentavam os oprimidos escravos afro-americanos neste famoso hino Cristão[3]. Na mesma esteira do pensamento, os conhecidos sertanejos brasileiros Tonico & Tinoco, na melancólica música “Saudade de Matão”, consideravam aflitivamente que “esta dor que me consome/Não posso viver/Quero morrer/Vou partir pra bem longe daqui/Já que a sorte não quis/Me fazer feliz” (LER). Vejo, desabafa uma mulher profundamente deprimida citada no Segundo Sexo da feminista Simone de Beauvoir, “que há doze anos estou lassa, que este peito encerra uma dor inesgotável, que estas mãos foram marcadas pela tristeza e que, quando estou só, estes olhos raramente secam (LER)[4]. O sofrimento, de uma forma esboçada e subsumida, é um acidente no percurso do Homem e, simultaneamente, uma desgraça que ele vai carregando no seu dia-a-dia, culminando com a sua degeneração e morte. 

Se é verdade que todos nós, sem excepção, sofremos neste “vale de lágrimas” por razões múltiplas supramencionadas, também é verdade que somente aqueles que não se resignam conseguem usar o sofrimento para o seu aperfeiçoamento ético, moral e espiritual. Por outras palavras, não se deixar nunca vencer pelo sofrimento, mas superá-lo de forma determinada com bastante fé em DEUS. 

O Servo Sofredor, o Senhor Jesus Cristo, o Homem experimentado nos sofrimentos (Is 53:1-12), foi o maior e melhor exemplo de todos da forma como podemos sair vitoriosos em meio do sofrimento. Ele, conhecedor profundo das implicações humano-sociais do sofrimento na vida de uma pessoa, exortava categoricamente no Sermão do Monte: “bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” (Mateus 5:4 –  [VER] ). Os que semeiam em lágrimas neste mundo, asseverava o salmista no cântico da peregrinação, “segarão com alegria” (Sl 126:5 – [VER]). São os mesmos homens e mulheres de boa vontade que “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21:4). Que assim seja. E assim sempre será no nome Bendito do Senhor e Salvador Jesus Cristo. 



[1] As almas que vão para o inferno estarão eternamente no sofrimento. Vide, por todos os exemplos, os impressionantes relatos do livro de Apocalipse e a “Divina Comédia” de Dante Alighieri. 

[2] Embora haja correntes de pensamento que defendem, em determinados casos, o sofrimento como antídoto para o amadurecimento e aperfeiçoamento humano, nomeadamente o Cristianismo e o Estoicismo. Mesmo assim, estas duas correntes não o tomam de per si como um fim para o melhoramento, mas como um instrumento pontual que pode nos ajudar a ter noção real das coisas e, desta forma, ampliar os nossos horizontes na maneira de encarar os enormes desafios da vida (LER)

[3] Verso de um famoso espiritual negro, “Nobody knows the trouble i've seen”. (N. do T.), extraído in “Eu Tenho um Sonho – A Autobiografia de Martin Luther King, Jr., Bizâncio, Lisboa, 2003, p. 389. 

[4] Simone de Beauvoir, in Segundo Sexo2, Quetzal, Lisboa, 2015, p. 485 (LER)

A Caminho da Desordem Mundial


Partilho aqui o artigo de opinião que escrevi hoje no Jornal Observador intitulado “A Caminho da Desordem Mundial”. É um diagnóstico apurado da real e grave convulsão político-internacional a que estamos submergidos, tendo inclusive impactos extremamente negativos na vida de todos nós, infelizmente (LER).  

Os Demónios São Muitos no Mundo


Não há dúvidas que os demónios proliferam abundantemente neste maldito mundo em que estamos submergidos. Apoderam-se das criaturas e das pessoas a seu bel-prazer com a finalidade última de arruiná-las. Tornam as pessoas cativas do pecado, fazendo-as mergulhar em todo o tipo de vícios perniciosos, malefícios e malignidade. Os demónios são seres decadentes que estão às ordens de Satanás, o príncipe dos demónios (Mateus 9:34; 12:24), para subverter os planos salvíficos de DEUS com a Humanidade (LER). São muitos no mundo e conspiram articuladamente em várias frentes para destruir o ser humano, não obstante reiteradamente aliciarem-no com aparente bem-estar. Muitas pessoas, ludibriadas neste efémero e mundano sucesso, vendem deliberadamente a alma ao Diabo, mediante pactos satânicos que vão firmando com ele para singrarem rapidamente na vida e, consequentemente, terem o conhecimento, o reconhecimento, a fama, o poder e a riqueza (veja-se, por todos os exemplos, a tragédia do Doutor Fausto com o Mefistófeles de Goethe (LER)

Os demónios estão de forma camuflada em todos os domínios da nossa civilização, sociedade e socialização, através da encarnação real nos “filhos da desobediência” (Ef. 2:2), para promoverem as suas agendas maléficas em todas as dimensões da convivência humana. Os demónios, através dos seus ímpios agentes, estão na política, na governação, nos negócios, no desporto, na academia, nas igrejas, na cultura, no mercado laboral, na moda, nas instituições e nas famílias, etc., razão pela qual são muitos e trabalham unanimemente para promoverem o mal e fazê-lo triunfar na vida das pessoas e no mundo. Mesmo assim, sabemos que somos filhos de DEUS e que o mundo inteiro está sujeito ao poder do maligno (1 João 5:19). Aliás, o Diabo é o príncipe deste mundo e já está condenado pelo poder do Todo-Poderoso DEUS (João 16:11). 

O exemplo manifesto desta afirmação prende-se com o encontro do Senhor Jesus Cristo com o endemoninhado de gadarenos, que “vivia nos sepulcros e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes. Já muitas vezes o tinham apanhado e ligado com cadeias de ferro nos pés e nas mãos, mas ele rebentava tudo e ninguém conseguia dominá-lo” (Mc 5:1-4). A situação desastrosa e infeliz deste homem, que era completamente possuído pelo espírito imundo, instrumentando-o com comportamentos extremamente violentos contra si e terceiros, com o objectivo final de destruí-lo. Ele estava louco pela acção intencional do Diabo para acabar com ele. Tanto que, por esta razão, estava em constante sobressalto interior e revoltava-se contra tudo e todos à sua volta, fazendo com que tivesse isoladamente a sua morada nos sepulcros. Vivia desnorteadamente no meio dos defuntos. O espírito mau atormentava-o “continuamente, dia e noite, gritava pelos montes e por entre os túmulos, ferindo-se com pedras” (Mc 5:6).  Estava fora de si e sob inteira dependência da legião de demónios que se apoderavam dele. A força sobrenatural que ostentava, capaz de rebentar correntes de ferro e tudo o que lhe prendia, a fixação da sua morada no lugar dos mortos e gritos reiterados que dava de dia e noite sem sossego, demonstravam claramente a possessão demoníaca de que este pobre homem tinha sido objecto. 

No entanto, o autor sagrado relata-nos que, quando o endemoninhado “viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” (Marcos 5:6-7). Normalmente ele corria para os outros com fúria, escrevia o teólogo Matthey Henry, “mas ele correu para Cristo com reverência. Aquilo que não pôde ser feito com cadeias e grilhões, foi feito pela mão invisível de Cristo. A fúria dele foi subitamente contida.  Até mesmo o diabo, nessa pobre criatura, foi forçado a tremer diante de Cristo, e curvar-se a Ele”, sintetizava o insigne biblista. O indomável e possesso homem suplicou encarecidamente ao Senhor Jesus para não lhe atormentar, somando ao facto de reconhecê-Lo como Filho de DEUS (Obviamente, que era o demónio que estava a falar e a actuar nele). O Diabo e os seus demónios assustam-se com a presença gloriosa do Senhor Jesus Cristo e sabem perfeitamente que devem-Lhe temor reverencial e acto de adoração, tal como ficou manifestamente patente na passagem bíblica em apreço. 

Perante esta situação dramática de desespero, o Senhor Jesus perguntou ao endemoninhado: Como te chamas? Ele respondeu: Chamo-me multidão, porque somos muitos. Os demónios são muitos e eram muitos os que tinham ocupado indevidamente a vida deste miserável homem, desgraçando-lhe a todos os níveis. Os espíritos maus pediram ao Senhor Jesus: “«Manda-nos passar para aqueles porcos.» Jesus consentiu e os espíritos maus saíram do homem e entraram nos porcos, que eram cerca de dois mil. Puseram-se todos a correr pelo monte abaixo até ao lago e lá se afogaram” (Mc 12-13). Os porcos suicidaram-se, ilustrando o triunfo do bem e o trânsito do mal para uma natureza inferior e conspurcada, em direcção à sua derrota e eliminação. Por outras palavras, o triunfo definitivo do Senhor Jesus Cristo sobre os demónios e Diabo. 

Ao longo dos séculos tem-se especulado de forma sistemática sobre a figura dos porcos nesta milagrosa história, procurando extrair o seu significado teológico e teleológico, sobretudo por que razão os demónios imploraram ao Senhor Jesus para deixá-los entrar exclusivamente nos porcos e Este, por sua vez, consentiu. Na sua homilia vigésima-oitava sobre o Evangelho segundo São Mateus, São João Crisóstomo, citado pelo Jansenista, “esclarecerá que se trata de uma metáfora sobre a dupla natureza humana, representando os porcos a natureza bestial do homem, na qual o Diabo se insinua para nela plantar as sementes do fim da espécie. Em contraponto, Tertuliano (em Adversus Marcionem) e São Jerónimo (nos seus Comentários sobre o Evangelho segundo São Mateus) enaltecem o poder redentor de Cristo sobre as Legiões do Mal”. O Teólogo Protestante Matthey Henry, na mesma esteira do pensamento, sustentava que “imediatamente os espíritos imundos entraram nos porcos, que segundo a lei mosaica eram criaturas impuras, e gostam muito de atolar-se na lama, que era o melhor lugar para eles. Aqueles que, como os porcos, se atolam na lama dos desejos sensuais, são moradas de demônios, e abrigo de todo o espírito imundo, e refúgio de toda a ave imunda e aborrecível (Ap 18:2), assim como as almas puras são a morada do Espírito Santo”. 

É assim que o Diabo actua na vida de todos aqueles que firmam acordos satânicos com ele ou estão sujeitos ao seu reino de trevas, tornando-os inteiramente dependentes do sincretismo, ocultismo, secularismo, relativismo, materialismo, sensualismo, ateísmo e de toda a sorte do pecado contra DEUS, o seu corpo e terceiros, bem como reduzindo-os completamente a uma degradação ético-moral e miséria espiritual aviltante. Esta rampa deslizante, no mundo das trevas, tem como objectivo final a aniquilação total dos próprios indivíduos ímpios para a perdição eterna. 

É verdade que há muitos demónios no mundo e que não se cansam de promover o mal dia e noite. É verdade que os demónios procuram todos os meios para desgraçarem a vida dos seres humanos, especialmente dos filhos de DEUS. Também é verdade que muitas pessoas ímpias firmam acordos satânicos com eles para integrarem os seus reinos diabólicos e, desta forma, tentarem fazer oposição ao Reino da Luz do nosso Salvador Jesus Cristo. No entanto, tal como bem sabemos pela revelação bíblica, O Diabo, os seus demónios e todo o mal foram definitivamente derrotados pelo Poder Divino do nosso Todo-Poderoso DEUS. O reino das trevas, em circunstância alguma, poderá resistir ao Reino da Luz (João 1:5). As portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja do Senhor Jesus Cristo (Mateus 16:18), assim como as trevas não podem resistir à Luz Divina (João 1:12). 

São muitos demónios no mundo, guiados pelo Diabo para praticarem o mal, insisto. Por isso, “não é contra seres humanos que temos de combater, mas contra poderes e autoridades, que dominam este mundo de escuridão, e contra os espíritos do mal, que não se veem” (Ef. 6:12). A nossa luta é contra o Diabo, os demónios e todos os seus agentes neste perverso e decadente mundo para libertar as almas perdidas, tal como o Senhor Jesus salvou milagrosamente este endemoninhado de gadarenos (Mc 5: 15-20). Aquele que vive em nós é mais forte do que aquele que está nos que são do mundo. O mal nunca vencerá o bem, antes pelo contrário, o bem já venceu o mal, através do sangue expiatório do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário. Tem mais poder o Espírito Santo que vive em nós, filhos de DEUS, do que todos os demónios do mundo, o Diabo e os seus agentes terrenos (1 João 4:4). O Senhor Jesus venceu-os a todos e deixou-nos também a promessa de os vencer na força do Seu eterno poder. Que assim seja. E assim sempre será. 

Estátua da Democracia Vai Cair?

Este foi o tema da capa da reputada revista Courrier Internacional há quatro anos, denunciando que os sinais da intolerância política avolumam-se, a uma velocidade impressionante, nos últimos tempos: eleições dominadas pelo sentimento de raiva dos votantes, chegada ao poder, em diversas nações, de líderes autoritários e anti-sistema, regresso dos populismos e dos discursos nacionalistas e de ódio, etc. E, por fim, questionava: o que significam estes acontecimentos para o futuro das democracias representativas? Qual a razão da cada vez maior desconexão entre as elites e as populações? Porque cresce o discurso de ódio e o sentimento de intolerância? 

Celebra-se hoje o “Dia Internacional da Democracia”. Um dia especial para pensarmos sobre o papel da Democracia no progresso dos países e povos em especial. Na democracia participativa não existe o inexorável “estado leviathan”, tal como concebido por Thomas Hobbes, nem a despótica “razão do estado” preconizado por Nicolau Maquiavel e, muito menos, o discricionário “estado de obediência” formulado por Martinho Lutero. Existe, sim, sem dúvida, o estado de direito democrático onde as liberdades e os direitos fundamentais são realidades concretizáveis na esfera jurídica dos particulares, sobretudo o triunfo da maioria sobre a minoria. 

Nunca é tão urgente reflectirmos o papel amiúde importante e determinante da Democracia nas sociedades abertas. Nunca é tão indispensável defender a Democracia liberal com “unhas e dentes” como nos tenebrosos e assustadores dias em que vivemos. Nunca a Democracia foi tão ignorada e ameaçada como nos dias de hoje. A Democracia Representativa não é uma forma plena e garantida, antes comporta inimigos personificados no nacionalismo, radicalismo, autoritarismo, racismo, fanatismo religioso e toda a sorte de intolerância. 

O turbilhão político-governativo que o nosso mundo vive, e com implicações avassaladoras sem precedentes na vida de milhões de pessoas, é o reflexo notório de todas essas perigosas ameaças à Democracia por autoritarismo dos déspotas. Cabe-nos, por isso, todos os homens e mulheres de “boa vontade”, defender afincadamente os grandes princípios e valores da democracia participativa para, desta forma, construir um mundo mais justo, fraterno, igualitário e progressista.

O Cristão e o Trabalho


Partilho aqui este podcast sobre “O Cristão e o Trabalho”, baseado no texto sagrado de 2 Tessalonicenses 3:6-18. É parcela do estudo que ministrei este domingo na minha igreja no âmbito da Escola Bíblica Dominical (EBD). Debrucei-me sobre as implicações humano-sociais do trabalho na vida dos Filhos de DEUS, destacando casos extremos em que o trabalho pode consubstanciar uma autêntica maldição e concomitantemente uma bênção. 

Apesar de todos este prós e contras que o trabalho encerra, que veiculei pormenorizadamente no estudo em apreço, nenhum cristão deve sentir-se no direito de não trabalhar e de viver à custa dos outros (cf. 2Ts 3, 6-12). Todos os Cristãos, formula a Doutrina Social da Igreja Católica, “são exortados pelo apóstolo Paulo a tomar como um ponto de honra o trabalhar com as próprias mãos, de modo a não serem «pesados a ninguém» (1 Ts 4, 11-12) e a praticar uma solidariedade também material, compartilhando os frutos do trabalho com «necessitado» (Ef 4, 28) (…) O ócio é nocivo ao ser do homem, enquanto a actividade favorece o seu corpo e o seu espírito. O cristão é chamado a trabalhar não só para conseguir o pão, mas também por solicitude para com o próximo mais pobre, a qual o Senhor ordena dar de comer, de beber, de vestir, acolhimento, atenção e companhia (cf. Mt 25, 35-36). Cada trabalhador, afirma Santo Ambrósio, é a mão de Cristo que continua a criar e a fazer o bem]”

Judas e o Alto Preço da Traição

A traição é um vício pernicioso e com alcance poderosíssimo para destruir vidas. Ela mina os relacionamentos e cria profundas inimizades entre as pessoas. A traição tem o poder de repelir as amizades duradouras, afastar as pessoas umas das outras, arruinar relacionamentos saudáveis, cessar o amor e, por fim, em última instância, matar. A traição é um repositório fértil de toda a sorte de pecados existenciais e existentes no mundo, que se vai desdobrando na desconsideração do outro, na humilhação, na infidelidade, na hipocrisia, na mentira, na manipulação, no egoísmo, no materialismo, na cobiça, no homicídio, na maldade e na malignidade. A traição é um cancro incurável e, concomitantemente, mortal no seu substrato. Ela é diabólica, a todos os níveis, e um dos piores malefícios que o ser humano herdou do pecado original no início da criação. 

A traição, por infelicidade nossa, não anda solta e nem vive sozinha. Ela é gregária e convive com pessoas. Não se pode falar da traição sem falar dos traidores e traídos. A traição envolve sempre pessoas e terceiros – dois ou mais. Todos nós, sem excepção, em alguma fase da nossa vida, tivemos de lidar com a traição. Pode ser na qualidade passiva de traídos ou, inversamente, na qualidade activa de traidores. Não há ninguém que esteja no seu perfeito juízo que desconheça liminarmente o significado da traição e as suas nefastas implicações humano-antropológicas, mormente na vida de quem foi vítima dela. 

Podemos definir a traição, de forma abreviada e subsumida, como sendo uma atitude deliberada de deslealdade em quem se deposita a genuína confiança, mediante uma aliança. Por outras palavras, é praticar aleivosia. Chama-se traidor àquele que viola de forma consciente e prejudicial um compromisso firmado com o seu próximo ou terceiros, gerando-lhe significativos danos psicológicos, morais, religiosos, amorosos, reputacionais, patrimoniais e materiais, etc. O traído é parte vítima da infidelidade do traidor. 

Levado nesta inqualificável maldade humano-diabólica, Judas Iscariotes traiu friamente o Senhor Jesus Cristo por apenas trinta moedas de prata (Mt 26:14-16; Mc14:10-11, Lc 22:3-6), conduzindo-o a fortiori à morte na Cruz do Calvário. Judas Iscariotes, desde o princípio, sempre foi falso, ganancioso e aldrabão. O autor sagrado chamou-lhe peremtoriamente de traidor (Lc 6:16). O Evangelista João, na mesma esteira do pensamento, caracterizava-o como um autêntico dissimulado, materialista e ladrão, “pois era ele que tinha a bolsa do dinheiro e roubava do que lá se metia” (Jo 11:6-7), dando-nos conta posteriormente que “o Diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a ideia de atraiçoar Jesus” (Jo 13:2). E o próprio Senhor Jesus, aquando da Sua arbitrária prisão em Getsémani, confrontou-lhe nos olhos com a lapidar expressão: “Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?” (Lc 22:48). 

Durante três anos, sustenta Hernandes Dias Lopes no seu comentário expositivo sobre Evangelho segundo João, “Judas Iscariotes realizou a obra de Deus. Quando Jesus enviou os discípulos dois a dois, Judas Iscariotes estava no meio deles. Ele participou do grupo dos Doze e também do grupo dos Setenta. Judas Iscariotes pregou o evangelho para os outros, orou pelos enfermos e expulsou demônios em nome de Jesus. Mas agora estamos vendo esse homem possuído pelo diabo e caminhando para a destruição. Judas Iscariotes tapa os ouvidos à voz de Cristo e abre o coração aos sussurros do diabo. Ele abrigou em seu coração as sugestões do diabo; o diabo entrou nele e o levou para o inferno”. Judas Iscariotes teve excelentes oportunidades conferidas pelo Senhor Jesus Cristo para converter o seu empedernido coração e optou, mesmo assim, de forma livre e consciente, em escolher o caminho da traição e da perdição eterna. 

A história funesta de Judas, escreve ainda Hernandes Dias Lopes, nos mostra quão longe um homem pode ir em sua profissão religiosa sem ser convertido, quão profundamente uma pessoa pode se envolver com as coisas de Deus e ser apenas um hipócrita. Judas Iscariotes nos mostra a inutilidade dos maiores privilégios sem um coração sincero diante de Deus. Privilégios espirituais sem a graça de Deus não salvam ninguém. Ninguém é salvo por ser um líder religioso, por ocupar um lugar de destaque na denominação ou por exercer um ministério espetacular. Judas Iscariotes nos alerta sobre o perigo de ter apenas um conhecimento intelectual do evangelho, mas um coração ainda não convertido. Judas Iscariotes nos mostra que ser batizado ou ser membro de igreja não é garantia de que estamos certos diante de Deus”. Quem realmente desdenha, goza, ridiculiza e trai o Senhor Jesus Cristo, tal como fez Judas Iscariotes, não toma parte na promessa da vida eterna, antes pelo contrário, segue inevitavelmente uma rampa deslizante para o fogo do inferno. 

Sabemos que, por vicissitudes várias e supervenientes, os traidores jamais ficarão imunes aos seus censuráveis comportamentos. Há um preço bastante elevadíssimo a pagar para todos aqueles que vivem no crime da traição. Os traidores podem inicialmente julgar que serão beneficiados com a traição que perpetuam, saindo dela incólumes. Um prognóstico completamente equivocado. Com efeito, acabarão sempre por serem eles mesmos apanhados pela armadilha da traição que andaram a praticar durante a vida. Há consequências práticas e imputabilidade para os traidores. Todos os traidores, cedo ou tarde, serão coercivamente responsabilizados pela sua má conduta de traição. 

Judas Iscariotes não chegou a beneficiar em nada com a traição que andou a fazer ao longo da sua vida de hipocrisia descarada. Também não beneficiou do dinheiro da bolsa que reiteradamente roubava do Senhor Jesus Cristo. Da mesma sorte, não chegou a usufruir de trinta moedas de prata que recebeu dos líderes religiosos para entregar o inocente Filho de DEUS à morte. 

Durante a grande Ceia do Senhor com os seus discípulos, segundo os relatos do Evangelista João, “logo que Judas comeu o pedaço de pão, Satanás apoderou-se dele” (Jo 13:27). Satanás apossou completamente de Judas para concretizar o gigantesco plano diabólico de trair o Senhor Jesus Cristo e, consequentemente, matá-Lo. Entrou nele o poder destruidor das trevas e com todas as suas implicações maléficas que isto acarretava na vida dele. Judas foi inteiramente controlado pelo Diabo para ser malignamente usado por ele, razão pela qual saiu imediatamente da presença do Senhor Jesus ainda no decorrer da Ceia. E era noite, vinca manifestamente o Evangelista João este importante pormenor (Jo 13:27; 30). Noite temporal e também completa escuridão no coração de Judas. 

Hernandes Dias Lopes, a propósito disso, formula que “o traidor Judas Iscariotes foi mergulhado na escuridão (13.30). E era noite. Noite lá fora e também noite em seu coração. A noite trevosa da traição levou-o à noite eterna, de escuridão sem fim. A escuridão que estava em seu coração levou-o para as trevas eternas. Jesus é a luz do mundo, mas Judas rejeitou Jesus e saiu na escuridão; e, para Judas, ainda é noite!”. Um entendimento, igualmente, defendido por Joseph Ratzinger no seu livro Jesus de Nazaré, fundamentando que “Judas vai para fora num sentido mais profundo: entra na noite, vai-se embora da luz para a escuridão. O «poder das trevas» apoderou-se dele (cf. Jo 3; 19; Lc22, 53)”. Por outras palavras, Judas Iscariotes saiu de forma apressada durante a Ceia para trair o Filho do Homem na noite do pecado: no pecado da ambição, da avareza, da locupletação, da corrupção e do homicídio premeditado. Saiu da presença gloriosa do Senhor Jesus Cristo, a Luz do mundo, para entrar na noite das trevas e nele perder-se definitivamente, autodestruindo-se. 

Para reforçar ainda esta ideia da ingratidão e infidelidade de Judas, escreve Charles Erdman, que “o caráter de Judas oferece-nos o retrato mais deplorável da incredulidade que o evangelho registra. Suas oportunidades de conhecer a Cristo foram inexcedíveis, mas resistiu à luz, alimentou o pecado da avareza, não se comoveu diante da manifestação inigualável do amor do mestre, que fora a ponto de baixar-se e lavar-lhe os pés. Agora, à mesa, Jesus lhe dá o último sinal de amizade; trava-se ali, na alma de Judas, a última batalha, porém Satanás prevalece; e ele sai para dentro da noite de sua eterna desgraça e condenação”. 

O Diabo usou Judas Iscariotes para trair o inocente Filho de DEUS e depois de consumar este maléfico acto de traição descartou-lhe completamente, atormentando-lhe com todo o tipo de remorso, tal como faz com todos os filhos da perdição que resistem manifestamente a graça salvífica do Senhor Jesus Cristo. Já não valia Judas a ganância desenfreada pelo dinheiro fácil. Já não lhe valia mais as trinta moedas de prata da traição. Já não lhe valia a traição que julgava que fosse a sua salvação. E, por fim, já não lhe valia inclusive a sua vida, razão pela qual sufocou-se a autodestruiu-se na sua própria traição e miséria espiritual. Judas queria tudo e acabou por perder literalmente tudo. 

O Apóstolo Mateus narra-nos que “quando Judas, o traidor, viu que Jesus tinha sido condenado, encheu-se de remorsos e foi entregar as trinta moedas de prata aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos. E confessou: «Pequei ao entregar um inocente à morte.» Eles replicaram: «Que temos nós com isso? O problema é teu!»” (Mt 27:3-4). E, de seguida, prossegue ainda o autor sagrado no seu fidedigno relato bíblico: “então Judas atirou as moedas de prata para dentro do templo, depois afastou-se dali e foi-se enforcar” (Mt 27:5). O evangelista Lucas, por sua vez, no livro de Actos dos Apóstolos, de forma mais pormenorizada, destaca o carácter violento do suicídio de Judas, sustentando que este “caiu morto, tendo rebentado os intestinos que se espalharam pelo chão” (At 1:18). 

Para conjugar estes dois relatos sobre a morte de Judas Iscariotes, narradas por Mateus e Lucas, respectivamente, Mattthew Henry no seu comentário bíblico formula que Judas foi “estrangulado ou sufocado com aflição e horror, ele caiu impetuosamente (de cabeça no chão, segundo o Dr. Hammond) e, em parte com a inchação do próprio peito e em parte com a violência da queda, ele se arrebentou pelo meio, de forma que todos os seus intestinos saíram do corpo (v. 18). Seu enforcamento, conforme nos relata Mateus 27.5, o faria inchar até que se partisse, fato reportado por Pedro. Ele explodiu produzindo grande barulho (conforme o dr. Edwards) que foi ouvido pela vizinhança e, assim, como diz o texto, foi notório a todos os que habitam em Jerusalém (v.19), pois todas as suas entranhas se derramaram (v.18)”. A Bíblia de Estudo de Aplicação Pessoal, comentando sobre isso, explica que “Judas tentou enforcar-se, a corda se rompeu ou galho quebrou, Judas caiu, e seu corpo se despedaçou”. Aparentemente durante, ou logo depois do enforcamento, segundo a versão da Bíblia de Estudo de Genebra, o corpo de Judas “caiu no chão e foi rompido ou decomposto”. Um entendimento tradicional, igualmente, acolhido e sustentado por Augustus Nicodemus Lopes no seu estudo bíblico aqui. 

O traidor Judas, como ficou demonstrado, não conseguiu voltar para trás no sentido de remediar o seu abominável pecado e, tão pouco, acreditar na lei do amor e do perdão Divino. Joseph Ratzinger, indo mais além no seu comentário teológico, considera que “Judas não conseguia acreditar num perdão. O seu arrependimento torna-se desespero. Já só se vê a si mesmo e às suas trevas, já não vê a luz de Jesus – aquela luz que pode iluminar e vencer as próprias trevas. Deste modo faz-nos ver a forma errada do arrependimento: um arrependimento que já não consegue esperar, mas só vê a própria obscuridade, é destrutivo, não é um verdadeiro arrependimento. Faz parte do justo arrependimento a certeza da esperança – uma certeza que nasce da fé no poder maior da Luz que Se fez carne em Jesus”. Judas Iscariotes traiu o Senhor Jesus Cristo, mas acabou inevitavelmente por sufocar-se na sua própria traição e suicidou-se (Mt 27:5). O avarento judas colocou deliberadamente o termo à sua própria vida e foi definitivamente para a perdição. 

A traição tem um elevado preço a pagar. O seu galardão é a morte. Todos aqueles que vivem deliberadamente a trair, especialmente traindo o Senhor Jesus Cristo, a Sua Amada Igreja e Obra em geral, o fim deles é a perdição eterna, se previamente não se arrependerem dos seus maus caminhos. Os traidores e injustos, tal como preceitua claramente a Palavra de DEUS, não herdarão a promessa da vida eterna (1Co 6:10; Ap 21:8). Não há falso Cristão ou ninguém que consiga enganar o Senhor Jesus Cristo, com a sua vida de hipocrisia ou mentira, saindo ileso, uma vez que Ele sabe de tudo e nada se furta ao Seu raio de conhecimento. 

Judas Iscariotes, sumaria Hernandes Dias Lopes, que subscrevo na íntegra, “é um alerta para nós sobre o perfeito conhecimento que Cristo tem de todo o seu povo. Jesus pode distinguir entre uma falsa profissão de fé e a verdadeira graça. A igreja pode ser enganada, mas Jesus não. Homens maus como Judas Iscariotes podem ocupar os postos mais altos na liderança da igreja, mas nunca enganarão Jesus. Jesus conhece aqueles a quem ele escolheu (13.18,19; 2Tm 2.19). Esse conhecimento de Jesus alerta os hipócritas sobre o arrependimento. Jesus deu todas as oportunidades para Judas Iscariotes se arrepender. Ele o chamou, o ensinou, o comissionou e lhes lavou os pés. Jesus o tratou como amigo. Deu-lhe todos os privilégios que deu aos outros discípulos”. No entanto, sabemos que, mesmo assim, Judas rejeitou todas essas nobres e graciosas oportunidades da salvação oferecidas pelo Senhor Jesus Cristo. 

Que o nosso Todo-Poderoso DEUS realmente nos livre do crime da traição e de toda a sorte de pecados. Que ELE nos ajude e nos oriente para os caminhos do amor, santidade, bondade, perdão, reconciliação, fidelidade, paz e, acima de tudo, da vida eterna. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. Amém.