Mostrar mensagens com a etiqueta EBD. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta EBD. Mostrar todas as mensagens

A Igreja do Senhor Jesus Cristo no Mundo de Hoje

Estou, desde segunda-feira, a convite da Primeira Igreja Evangélica Guineense em Portugal – Queluz, a ministrar, por via online, a Escola Bíblica de Férias (EBF), diariamente, a partir das 21h00 e até às 22h00, seguindo-se um período destinado às perguntas e respostas. O tema que estamos a estudar é “A Igreja do Senhor Jesus Cristo no Mundo de Hoje”, tendo como texto-base o Evangelho segundo João 17:1-26. 

Esta parcela da Escola Bíblica de Férias tem a duração de uma semana, terminando no próximo domingo, dia em que estarei igualmente presente para pregar, presencialmente, no culto dominical da referida Igreja-irmã. 

Temos empreendido um estudo minucioso sobre a problemática teológica da salvação, a segurança da salvação dos filhos de Deus, a Igreja e o seu papel no mundo, bem como a santidade e a unidade da Igreja, seladas pelo poder do Espírito Santo e constituídas em armaduras poderosíssimas para enfrentar e derrotar o mal neste mundo hostil, onde reina o pecado, consubstanciado na incredulidade, na injustiça, na violência, na imoralidade, na maldade e na malignidade, entre outras manifestações diabólicas. 

A Igreja do Senhor Jesus Cristo é chamada a viver neste mundo hostil e perigoso, dando um vigoroso testemunho da fé e proclamando o Evangelho da graça e da salvação, sem jamais comprometer os seus sublimes princípios e valores divinos. 

No entanto, sabemos que a Igreja tem enfrentado grandes desafios nos dias de hoje que, de alguma forma, acabam por dificultar imenso a sua vigorosa afirmação missionária, tendo em conta a considerável influência do mundanismo no seu seio. Desde logo, deparamo-nos com a descaracterização de uma parte da sua liderança, cujos membros se encontram mais comprometidos com as coisas deste mundo do que propriamente com o serviço fiel à Igreja do Senhor Jesus Cristo; com as heresias destruidoras de vidas humanas; com o evangelho da prosperidade; com a corrupção sexual, moral e financeira que a constrange; com o sincretismo religioso, que se traduz em práticas de ocultismo, feitiçaria e pactos satânicos; com a falta de compromisso com a Evangelização e as Missões; com o alheamento de uma vida devotada e santificada; com o sectarismo e a desunião; e, por fim, com o apedeutismo e o relativismo bíblicos, entre tantos outros males. 

São, a nosso ver, alguns dos grandes desafios pós-modernos que se colocam à Igreja do Senhor Jesus Cristo. Para nossa grande tristeza, ela tornou-se, em determinados contextos, uma espécie de mercantilismo de ilusões, onde os valores materialistas e o evangelho da prosperidade são enfatizados e explorados até à exaustão, em detrimento da genuína conversão, da santidade e de uma vida Cristã verdadeiramente comprometida com os impolutos Princípios do Evangelho. 

São precisamente estes grandes desafios eclesiásticos que continuaremos a explorar nesta Escola Bíblica de Férias, à luz da Oração Sacerdotal do Senhor Jesus Cristo, procurando ensinar, despertar, exortar, aconselhar, mobilizar e convocar, com a ajuda e sob o poder do Espírito Santo, a Igreja para o cumprimento fiel da sua sagrada vocação e Missão no mundo de hoje. Que assim seja. 

Ser Pobre ou Rico: Qual é o Caminho Certo Segundo o Cristianismo?


O título da nossa reflexão desta manhã é “Riqueza ou Pobreza?”. Trata-se de um tema particularmente relevante, à semelhança de muitos outros que temos vindo a estudar nesta revista e nas diversas publicações que têm servido de base ao nosso aprendizado ao longo dos anos. 

Todavia, quando abordamos a questão da riqueza e da pobreza, entramos num domínio que dificilmente reúne consenso absoluto. Cada indivíduo tende a construir a sua própria visão do mundo, desenvolvendo conceções, interpretações e perspetivas distintas acerca destes assuntos (LER)

A riqueza e a pobreza constituem temas recorrentes no contexto social e na vivência quotidiana. Desde cedo, os seres humanos são incentivados a procurar a prosperidade, a afastar-se da pobreza e a esforçar-se por alcançar uma situação económica mais favorável. De forma generalizada, convencionou-se que a riqueza é sinónimo de felicidade e que aqueles que possuem abundância material desfrutam, necessariamente, de uma vida melhor. 

Esta perceção encontra-se presente em praticamente todas as culturas. Existe a convicção de que quanto maior for a capacidade financeira de uma pessoa, maior será também o seu grau de felicidade. Tal entendimento decorre da ideia de que o dinheiro proporciona poder, e que esse poder permite alcançar objetivos e adquirir bens que, de outra forma, permaneceriam inacessíveis. É por essa razão que, desde a infância ou desde o momento em que começamos a desenvolver consciência de nós próprios, somos estimulados a trabalhar, a poupar e a procurar condições que nos permitam ascender social e economicamente. 

Até aqui, nada existe de intrinsecamente errado. É natural e legítimo que o ser humano procure melhorar as suas condições de vida, progredir e alcançar um patamar mais estável e digno. Contudo, existe um reverso da questão: quando essa procura é orientada por pressupostos equivocados ou por motivações desordenadas. Sabemos que a posse de bens materiais não constitui garantia absoluta de felicidade, de realização pessoal ou de superioridade moral. Embora a sociedade frequentemente promova essa ideia, ela revela-se profundamente ilusória. O dinheiro, por si só, não assegura paz interior, equilíbrio emocional, harmonia familiar nem amor verdadeiro. 

Por outro lado, a pobreza é frequentemente encarada como uma realidade exclusivamente negativa. Em determinadas circunstâncias, tal perceção possui fundamento. Quando uma pessoa vive privada do mínimo indispensável à sua subsistência, encontrando-se numa situação de pobreza extrema, estamos perante uma condição que compromete seriamente a sua qualidade de vida. Todo o ser humano deveria ter acesso a uma habitação digna, alimentação adequada, oportunidades de trabalho e, acima de tudo, cuidados de saúde. Sem estas condições básicas, muitas potencialidades permanecem por desenvolver e multiplicam-se os obstáculos à realização pessoal. 

A pobreza extrema constitui, de facto, uma ameaça à dignidade humana. Quem vive em condições de privação severa torna-se frequentemente mais vulnerável à exclusão, à dependência e à marginalização social. Deus não criou o ser humano para viver destituído de dignidade; pelo contrário, a própria dignidade pressupõe a existência das condições mínimas necessárias à sobrevivência e ao florescimento da pessoa. 

Contudo, como veremos através do ensino do Apóstolo Paulo, o verdadeiro mérito não reside nem na pobreza nem na riqueza. O mérito reside em Deus. Uma pessoa pode ser pobre e plenamente realizada, assim como pode ser rica e viver uma existência equilibrada e bem-sucedida, desde que a sua vida esteja firmemente alicerçada em Deus. O elemento decisivo não é a condição económica, mas a presença de Deus no coração e na conduta do indivíduo. 

Não obstante, na ânsia de alcançar riqueza, muitas pessoas tornam-se dominadas pela avareza e pela ganância. Quando alguém passa a considerar a acumulação de bens como o objetivo supremo da sua existência, corre o risco de ignorar princípios morais e espirituais para atingir esse fim. É precisamente por isso que, ao longo da história, se têm observado inúmeras fortunas construídas à custa de práticas eticamente condenáveis e moralmente reprováveis. 

A obsessão pela riqueza gera inevitavelmente conflitos, inquietações e múltiplas formas de sofrimento. Pelo contrário, quando vivemos no centro da vontade de Deus, deixamos de depender das coisas materiais para alcançar felicidade e passamos a fundamentar a nossa existência na relação com o Criador. 

Se eu perguntasse a cada um de vós se preferiria ser rico ou pobre, é provável que a maioria respondesse que gostaria de ser rica. E não existe qualquer mal nisso, desde que a riqueza seja procurada de forma honesta, legítima e em conformidade com os princípios divinos. O trabalho diligente, a competência, a disciplina e uma gestão prudente dos recursos podem conduzir ao sucesso material. Porém, o verdadeiro crente não vive obcecado pela riqueza; para ele, a prosperidade material é apenas uma consequência eventual, nunca a finalidade última da vida. 

O problema surge quando alguém passa a acreditar que a sua felicidade, a sua segurança e a sua paz dependem exclusivamente do dinheiro. Nesse momento, abre-se o caminho para a frustração e para a desilusão. 

O Apóstolo Paulo afirma, em 1 Timóteo 6, que «é grande ganho a piedade com contentamento». Esta declaração revela uma verdade profunda: a verdadeira riqueza consiste numa vida marcada pela piedade e pelo contentamento. Quando a fé é vivida de forma autêntica, produz uma riqueza espiritual incomparável, caracterizada pela paz, pela plenitude e pela harmonia interior – bens que nenhum património financeiro pode adquirir. 

Apóstolo Paulo recorda ainda que «nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele». Ao nascermos, chegamos de mãos vazias; ao partirmos desta vida, também nada levaremos connosco. Se possuímos alimento, vestuário e os recursos necessários para uma vida digna, já temos razões suficientes para cultivar a gratidão. Porém, aqueles que vivem consumidos pelo desejo de enriquecer acabam frequentemente por cair em tentações, armadilhas e desejos insensatos que conduzem à ruína espiritual e moral. A raiz de todos os males não é o dinheiro em si mesmo, mas o amor desordenado ao dinheiro. Em nome dele, muitos mentem, traem, corrompem-se, exploram os seus semelhantes e chegam até a destruir vidas. 

O dinheiro pode ser um excelente servo, mas é um péssimo senhor. O problema não está em possuir dinheiro, mas em permitir que o dinheiro possua o coração. Quando a riqueza se transforma no propósito fundamental da existência, o ser humano entra num caminho espiritualmente perigoso. 

Vivemos numa sociedade que, muitas vezes, se esquece de Deus, ama as coisas e utiliza as pessoas, quando deveria precisamente fazer o contrário: adorar a Deus, amar as pessoas e utilizar as coisas. O verdadeiro desafio não consiste na posse de recursos materiais, mas em impedir que a ganância domine o coração humano. É preferível possuir o suficiente para viver com serenidade, equilíbrio e consciência tranquila do que acumular grandes riquezas sem paz interior. Quando Deus ocupa o lugar central da nossa vida, o dinheiro torna-se um instrumento ao serviço do bem: para socorrer os necessitados, apoiar causas nobres e contribuir para a expansão do Reino de Deus. 

Por essa razão, ninguém pode servir simultaneamente a Deus e ao dinheiro. Onde estiver o nosso tesouro, aí estará também o nosso coração. O amor excessivo pelas riquezas tem levado muitos a afastarem-se da fé, da comunhão da Igreja e do caminho de Deus, passando a viver exclusivamente em função da acumulação material. 

Que Deus nos ajude a não “naufragarmos na fé” e a reconhecermos que a nossa verdadeira riqueza não se encontra nos bens transitórios deste mundo, mas na pessoa do Senhor Jesus Cristo, na Sua Palavra e no Seu glorioso Evangelho. Que assim seja.  

Ter Esperança em DEUS


A vida é feita de esperança. A esperança é um combustível necessário e indispensável para continuarmos a lutar pelos nossos legítimos sonhos de vida. Sem esperança a vida não faria qualquer tipo de sentido e levar-nos-ia inevitavelmente para um estado de permanente tristeza, depressão, sofrimento e, em última instância, ao suicídio. As pessoas que normalmente se suicidam são pessoas que não vislumbram a esperança e o sentido real para as suas vidas e, consequência disso, põem funestamente termo à sua própria vida. A esperança está intrinsecamente ligada à felicidade e esta é a meta primordial de todos os seres humanos neste “vale de lágrimas”. A esperança é a primeira virtude do Homem nas suas várias ambições e também o reduto último das suas aspirações. A esperança é a última a morrer, formula a sabedoria popular. 

Obviamente que é importante ter esperança naquilo que realmente vale a pena no futuro e que tem sustentáculo no curso do tempo. Sabemos, por realidade prática, que muitas pessoas depositam a confiança na superficialidade e acabam por colher a ilusão, ficando desapontadas, frustradas e infelizes com as suas decepcionantes expectativas de vida. No entanto, para nós Cristãos, a nossa esperança está única e inteiramente no Todo-Poderoso DEUS e não nos valores efémeros deste corrupto mundo. A nossa esperança não está na nossa vida, na nossa família, no nosso estatuto social, no nosso trabalho, nos nossos amigos, nas nossas riquezas materiais, nos nossos méritos pessoais ou qualquer outro tipo de valor mundanal, mas sim no Senhor Jesus Cristo e na Sua infalível promessa da vida eterna para connosco. 

É claro que há muitos Cristãos que, em situações de grandes turbulências e adversidades, não conseguem absorver de forma plena esta grande verdade soteriológica e hesitam em confiar plenamente em DEUS, tendo em conta as distrações espirituais que vão tendo. Mas, somos advertidos nesta lição da Escola Bíblica Dominical, para continuarmos sempre a ter a esperança no nosso Todo-Poderoso DEUS, mesmo nos momentos dificílimos de problemas, contradições, tentações e provações, porque ELE vai estar sempre connosco para nos orientar e, em tempo oportuno, providenciar-nos o auto-escape para todos os desafios que vamos enfrentando neste maldito mundo. Que assim seja. E assim será pela fé no Senhor Jesus Cristo.  

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (4): Os Desvios do Povo e a Misericórdia de DEUS


Ao longos de dois trimestres, na minha Igreja, estivemos a estudar na Escola Bíblica Dominical (EBD) da classe de Jovens e Adultos os livros do Antigo Testamento, nomeadamente 1 e 2 Reis, e depois neste último trimestre Amós, Jonas, Oseias e Miqueias. Findámos, com bastante sucesso, no domingo passado, esta importante secção dos livros proféticos e introduziremos já amanhã uma nova revista da Escola Bíblica Dominical da Convenção Baptista Portuguesa sobre os primeiros onze capítulos do Evangelho segundo João. 

Nesta última lição, que me coube dar, abordámos os reiterados desvios do povo e a misericórdia de DEUS perante os seus escolhidos filhos, tendo em conta a promessa de fidelidade que outrora firmou com os patriarcas Abraão, Jacob e os demais ao longo do Antigo e Novo Testamento (Miqueias 7:1-20). 

Por isso, partilho este brevíssimo excerto deste estudo (foi uma lição de 45 minutos, mas que recortei para ficar em apenas12 minutos, a fim de partilhar aqui). Tenha um bom proveito na sua auscultação.  

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (3): Saber Ouvir os Conselhos (Ec 4:13-16).


O homem é um ser gregário e, nesta convivência gregária, constrói profundos laços de sociabilização, que se vão traduzindo na inteira dependência e interdependência uns dos outros. Por isso, somos aconselhados pelos terceiros e também aconselhamos aqueles que precisam da nossa ajuda. Damos constantemente conselhos e, da mesma sorte, estamos sempre a receber conselhos. Não há nenhum ser humano neste “vale de lágrimas” que não vive dos conselhos – quer dando quer recebendo. Todos nós, sem excepção, na generalidade das situações, fundamentamos as nossas decisões com base nos conselhos que vamos recebendo daqueles que nos são mais queridos ou que, de alguma certa forma, reconhecemos autoridade na matéria em que precisamos de orientação. 

Não há ninguém que possa prescindir dos bons conselhos e ser bem-sucedido na vida. Os conselhos tocam tudo e todos: envolvem todos os estratos sociais. Todas as idades. Todos os géneros. Todas as classes de pessoas e todas as pessoas no geral. Precisam deles os ricos e os pobres. Os doutos e indoutos. Os velhos e as crianças. Os detentores da autoridade e os subalternos. Os homens e as mulheres. Tanto que, por esta razão, o aconselhamento reveste-se de carácter importantíssimo na nossa civilização ao longo dos séculos, permanecendo esta inquestionável verdade até aos nossos dias pós-modernos. 

No entanto, por preconceito doentio e soberba perniciosa, sabemos que nem todas as pessoas são predispostas a ouvir conselhos de terceiros e, muito menos, a pedi-los, tendo em conta o orgulho exacerbado e a falsa percepção da realidade que tais pessoas têm de si mesmas, julgando-se superiores aos outros. Em consequência disso, fecham-se completamente a qualquer tipo de conselhos, optando meramente por se refugiarem nas suas próprias ideias e opções de escolha. A idade, o estatuto social, a origem social, o poder, a fama, o dinheiro e a qualificação não devem ser causas impeditivas para não recebermos os conselhos daqueles que, porventura, podemos achar objectivamente que estamos numa posição superior. Os pais devem estar abertos a ouvir conselhos dos seus filhos e vice-versa. Os pastores devem aceitar ser admoestados pelos membros da igreja, tal como fazem com eles. Da mesma forma, os patronos devem ter a humildade suficiente para ouvir os seus empregados; os governantes para com os governados, etc. 

Ora, isto não quer dizer que temos imperativamente de acatar todos os conselhos que vamos recebendo, uma vez que nem todos os conselhos são realistas e justos. Há muitos conselhos adulterados, injustos e maléficos. O objectivo é, acima e tudo, termos a humildade de saber solicitar ou ouvir oportunamente os conselhos e, com base nesta audição, examinar tudo e reter o que é mais correcto para a nossa vida. Já é um grande passo estar inteiramente disponível para ouvir conselhos, chamadas de atenção e advertências, independentemente da sua proveniência e do seu interlocutor. É sinal de grande abertura, maturidade, humildade e sabedoria da nossa parte. 

O rei Salomão, um dos homens mais sábios da história da Humanidade, considerava peremptoriamente “insensato” o velho que não sabe ouvir conselhos (v.13), julgando-os inconvenientes por causa da sua idade, diferentemente das pessoas prudentes que estão sempre abertas aos conselhos, sobretudo os conselhos sábios e valiosos. É sobre esta verdade soteriológica que procurei explorar aqui nesta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD). 

Que o Todo-Poderoso DEUS nos abençoe e nos ajude a procurar os conselhos da Sua Santa Palavra para, deste modo, podermos tomar decisões correctas, sensatas e irrepreensíveis neste perverso mundo em que estamos submergidos. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no Senhor Jesus Cristo. 

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (2): A Pureza Sexual (1 Ts 4:1-12)


O sexo e a sexualidade são temas completamente tabu no meio Cristão, especialmente nos círculos evangélico-tradicionais. Praticamente não se fala do sexo do ponto de vista eclesiástico, excepto estrita e esporadicamente nos encontros de casais. Esta posição ultraconservadora sobre o sexo no seio dos evangélicos é altamente influenciada pela Igreja Católica Romana que, tal como sabemos, tem uma posição sui generis nesta matéria. 

Santo Agostinho, um dos maiores teólogos Cristãos de todos os tempos, formulou na sua magistral obra “Confissões” o conceito do “pecado original”, que posteriormente desenvolveu na “Cidade de Deus”.  O Pecado original, segundo o insigne Doutor da Igreja, entrou no mundo por via do sexo. A libido e os cuidados redobrados que o ser humano normalmente tem com as regiões pudendas são as manifestações visíveis da vergonha que procedem do castigo (LER), defendia peremptoriamente o reputado teólogo. E toda esta construção doutrinária vai tendo fortes implicações práticas na forma peculiar como a Igreja Católica encara e aborda o sexo, sobretudo negando implicitamente o seu carácter de fruição, reduzindo-o lato sensu à procriação. Por isso, a problemática sobre a intransigente oposição do Vaticano ao uso de métodos contraceptivos entre os casais no âmbito matrimonial só poderá ser holisticamente compreendida no “pecado original” de Santo Agostinho. 

Este ultraconservadorismo sexual da Igreja Católica Romana, embora com algumas nuances, vai ganhado um amplo acolhimento no protestantismo tradicional, arrastando concomitantemente os movimentos pentecostais e neopentecostais. Obviamente, não se pode banalizar o sexo. É um facto. Da mesma sorte, não se pode torná-lo um tema tabu, particularmente no nosso mundo pós-moderno onde se explora o sexo até à exaustão em todas as dimensões da convivência social. 

E mais, tal como sustenta correctamente a Declaração da Fé Baptistas Portuguesa, “Deus não condena o ato sexual em si, mas a prática sexual desgovernada, sem limites e sem princípios divinos.  Deus não deixa a sexualidade ao critério de cada um, até mesmo aos casados lhes adverte e aconselha para que nenhum dos cônjuges negue o sexo, antes procedam com consentimento mútuo. A atração física, emocional e o verdadeiro amor no casamento são condições indispensáveis para uma sexualidade abençoada. Todas as práticas sexuais desviadas dos padrões das Escrituras se inscrevem no mundo do abrasamento e das perversões (parafilias), degradantes da vida e da sua dignidade, a saber: prostituição, homossexualidade, pedofilia, pornografia, incesto, violação e bestialidade»” (LER)

É preciso reforçar, cada vez mais, nas nossas igrejas, um ensino doutrinário consistente sobre o sexo e a sexualidade saudável para, deste modo, poder munir os nossos adolescentes, jovens e adultos a responderem satisfatoriamente aos presentes e exigentes desafios a esse nível. Só assim, deixaremos de ser presas fáceis da fornicação, pornografia, adultério e todo o tipo de imoralidade sexual. E tudo isto, em última instância, só se alcança vivendo na pureza sexual. 

Ora, é esta verdade salvífica que procurei abreviadamente desenvolver nesta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD). Tenha um bom proveito na sua auscultação. 

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (1): O Suicídio à Luz da Palavra de DEUS (1Rs 19:1-18)


Nunca foi tão premente reflectir sobre a saúde mental dos Cristãos como nos dias de hoje. Nunca foi tão oportuno redimensionar a teologia e as pregações bíblicas sobre esta calamidade público-social que afecta, cada vez mais, de forma drástica e funesta, milhões de pessoas em todo o mundo. A doença mental é um dos grandes cancros do nosso mundo pós-moderno, penetrando com bastante alcance nos círculos Cristãos. Por isso, a Igreja do Senhor Jesus Cristo não pode, em circunstância alguma, ignorá-la como se ela não existisse, tal como tem feito. 

Há muitos Cristãos que sofrem cronicamente com os problemas de ansiedade, depressão e tantos outros distúrbios cognitivos, ficando consideravelmente prejudicados a nível do seu crescimento espiritual, por causa da ausência completa do ensino bíblico nas igrejas e falta de apoio sobre a saúde mental. Muitos crentes, por vicissitudes várias e supervenientes, acabam por sofrer sozinhos, escondendo inclusive a doença da Igreja e terceiros, tendo em conta o estigma elevado e o preconceito generalizado de que a doença mental é objecto no meio Cristão. 

A temática sobre os distúrbios e doenças mentais não é propriamente consensual entre os Cristãos. Há uma grande querela doutrinária em saber se um genuíno filho de DEUS pode ser passível de contrair doenças mentais incapacitantes, levando-o, como consequência de tais patologias, em última instância, a suicidar-se. Não é o meu objectivo aqui destacar as várias posições em torno deste polémico assunto. No entanto, sou da inteira opinião que um autêntico Cristão pode sim sofrer de doença do foro mental, não obstante reconhecer concomitantemente que a generalidade das doenças mentais é de procedência maligna. Por outras palavras, não tenho nenhuma hesitação em afirmar peremptoriamente que as doenças do foro mental são o meio mais apelativo para o Diabo infiltrar-se na vida das pessoas e, consequentemente, destruí-las. O exemplo manifesto disso é a loucura do suicídio. 

Julgo, em suma, que nenhum Cristão “nascido de novo” pode atentar contra a sua própria vida ao ponto de pôr termo a ela, independentemente da situação de aflição que possa estar a viver no seu quotidiano. A presença do Espírito Santo na vida dos filhos de DEUS é um travão poderosíssimo para que estes não ponham termo à própria vida, não obstante poderem legitimamente, em determinados casos das suas vidas, querer morrer. Uma coisa é querer legitimamente morrer. Outra coisa, e bem diferente, é pôr termo à própria vida. São realidades completamente distintas uma da outra. Nenhum ser humano ou Cristão tem a prerrogativa para conspirar contra a própria vida. É esta grande e inequívoca verdade bíblica que enfatizei nesta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD). 

Que DEUS nos abençoe e nos livre de todo e qualquer tipo de doenças. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no Senhor Jesus Cristo. 

Um Dia, Uma Fotografia


Eu, informalmente, numa pose dominical em casa. Estava a ultimar a lição da Escola Bíblica Dominical (EBD) de Jovens e Adultos da minha Igreja, que será ministrada por mim, logo às 19h:00, através do Zoom, resolvi fazer um interlúdio para este momento de “narcisismo”. Votos de uma excelente semana a todos. 

Onde Está o Espírito do Senhor Há liberdade



Qualquer Cristão Protestante que veio dos bancos da Escola Bíblica Dominical (EBD), desde a mais tenra idade, seguramente conhece esta linda música infantil. É um clássico Evangélico que encerra uma profundíssima mensagem de louvor e adoração. Aprendi-a ainda no longínquo tempo da classe primária da minha Igreja, em Bissau, e até hoje continuo saudosamente a cantá-la. A generalidade das crianças das nossas Igrejas conhecem-na perfeitamente. Enquanto o Senhor Jesus Cristo não voltar as próximas gerações vão certamente aprendê-la e entoá-la de forma sucessiva nos seus devocionais Cristãos. É um cântico que nos remete indubitavelmente para a liberdade plena que os crentes no Senhor Jesus têm de manifestarem, sem qualquer tipo de reserva ou inibição, o seu louvor e adoração diante do Altíssimo DEUS. Onde está o Espírito do Senhor, formulava o Apóstolo Paulo em tom exortativo, aí há liberdade (2 Co 3:17). Foi, aliás, a postura espiritual que o salmista David adoptou durante todo o seu percurso de vida (2 Sm 6:16; Sl 103:122; 145:1-21), assim como inúmeros heróis da fé ao longo da milenar história do Cristianismo. 

Nos finais do século XIX, mais precisamente com o advento do movimento pentecostal, tem surgido insanáveis querelas doutrinárias entre os biblistas protestantes sobre o modelo ideal de uma liturgia Cristã à luz das Escrituras Sagradas, levando as igrejas tradicionais a censurarem todas as manifestações que rotulam preconceituosamente de “ostentação” nos cultos públicos, tendo em conta a ênfase exacerbada que os movimentos carismáticos dão à espiritualidade de exposição. 

Há, a nosso ver, nestas duas leituras antagónicas, um défice bastante acentuado de interpretação das Escrituras Sagradas sobre o decoro cultual que se espera dos autênticos Cristãos no seu louvor e adoração ao Eterno DEUS. As igrejas tradicionais pecam pelo excesso de zelo neste ponto, bem como os pentecostais por defeito. Os primeiros traçam inflexivelmente um padrão universal de louvor e adoração para todas os países, culturas, sociedades e civilizações, reprimindo depois qualquer tipo de peculiaridade que possa eventualmente surgir nos cultos. E nesta visão ultra puritana e autoritária, despedida de qualquer fundamento bíblico, descuram factores sociológicos e da própria personalidade de cada um na forma de encarar a Fé e consequentemente manifestar a sua espiritualidade. Os segundos, de forma exagerada e desordeira, transformam os cultos, em determinadas situações, em autênticos espectáculos degradantes com vista alimentar a carnalidade e legitimação de uma falsa espiritualidade. Nem oito nem oitenta, diz a sabedoria popular. O pressuposto aferidor para um louvor e adoração ser aceite aos olhos do nosso Eterno DEUS é um espírito quebrantado e contrito (Sl 51:17), uma vez que DEUS “é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:24). 

É o Espírito Santo que, em última instância, deve ser o arbítrio do nosso louvor e adoração em qualquer circunstância, razão pela qual se sentimos por parte do mesmo Espírito de DEUS motivação para dançar, pular, gritar, bater palmas, levantar as mãos e fazer qualquer outra coisa temos toda a liberdade de fazê-lo, sem quaisquer tipos de constrangimentos da Igreja e de terceiros, contando que tudo seja feita com decência e moderação, tal como requerem ordeiramente as Escrituras Sagradas (1 Co 14:26-40). Não podemos reduzir, em circunstância alguma, a nossa espiritualidade às convenções e preceitos polutos dos homens, sob pena de cairmos em vários riscos espirituais. Assim concebo. Assim entendo. Assim, acima de tudo, que penso. 

Que o nosso Todo-poderoso DEUS nos ajude a não cairmos nestes condicionalismos denominacionais e tradições dos homens que, em última instância, consubstancia uma falsa adoração. Que, de facto, possamos ser instrumentos nas Suas poderosíssimas mãos para Glória do Seu Grande Nome. Que assim seja.