Estou,
desde segunda-feira, a convite da Primeira Igreja Evangélica Guineense em
Portugal – Queluz, a ministrar, por via online, a Escola Bíblica de Férias
(EBF), diariamente, a partir das 21h00 e até às 22h00, seguindo-se um período
destinado às perguntas e respostas. O tema que estamos a estudar é “A Igreja do
Senhor Jesus Cristo no Mundo de Hoje”, tendo como texto-base o Evangelho
segundo João 17:1-26.
Esta
parcela da Escola Bíblica de Férias tem a duração de uma semana, terminando no
próximo domingo, dia em que estarei igualmente presente para pregar,
presencialmente, no culto dominical da referida Igreja-irmã.
Temos
empreendido um estudo minucioso sobre a problemática teológica da salvação, a
segurança da salvação dos filhos de Deus, a Igreja e o seu papel no mundo, bem
como a santidade e a unidade da Igreja, seladas pelo poder do Espírito Santo e
constituídas em armaduras poderosíssimas para enfrentar e derrotar o mal neste
mundo hostil, onde reina o pecado, consubstanciado na incredulidade, na
injustiça, na violência, na imoralidade, na maldade e na malignidade, entre
outras manifestações diabólicas.
A Igreja do
Senhor Jesus Cristo é chamada a viver neste mundo hostil e perigoso, dando um
vigoroso testemunho da fé e proclamando o Evangelho da graça e da salvação, sem
jamais comprometer os seus sublimes princípios e valores divinos.
No entanto,
sabemos que a Igreja tem enfrentado grandes desafios nos dias de hoje que, de
alguma forma, acabam por dificultar imenso a sua vigorosa afirmação
missionária, tendo em conta a considerável influência do mundanismo no seu
seio. Desde logo, deparamo-nos com a descaracterização de uma parte da sua
liderança, cujos membros se encontram mais comprometidos com as coisas deste
mundo do que propriamente com o serviço fiel à Igreja do Senhor Jesus Cristo;
com as heresias destruidoras de vidas humanas; com o evangelho da prosperidade;
com a corrupção sexual, moral e financeira que a constrange; com o sincretismo
religioso, que se traduz em práticas de ocultismo, feitiçaria e pactos
satânicos; com a falta de compromisso com a Evangelização e as Missões; com o
alheamento de uma vida devotada e santificada; com o sectarismo e a desunião;
e, por fim, com o apedeutismo e o relativismo bíblicos, entre tantos outros
males.
São, a
nosso ver, alguns dos grandes desafios pós-modernos que se colocam à Igreja do
Senhor Jesus Cristo. Para nossa grande tristeza, ela tornou-se, em determinados
contextos, uma espécie de mercantilismo de ilusões, onde os valores
materialistas e o evangelho da prosperidade são enfatizados e explorados até à
exaustão, em detrimento da genuína conversão, da santidade e de uma vida Cristã
verdadeiramente comprometida com os impolutos Princípios do Evangelho.
São
precisamente estes grandes desafios eclesiásticos que continuaremos a explorar
nesta Escola Bíblica de Férias, à luz da Oração Sacerdotal do Senhor Jesus
Cristo, procurando ensinar, despertar, exortar, aconselhar, mobilizar e
convocar, com a ajuda e sob o poder do Espírito Santo, a Igreja para o
cumprimento fiel da sua sagrada vocação e Missão no mundo de hoje. Que assim
seja.
O título da nossa
reflexão desta manhã é “Riqueza ou Pobreza?”. Trata-se de um tema
particularmente relevante, à semelhança de muitos outros que temos vindo a
estudar nesta revista e nas diversas publicações que têm servido de base ao
nosso aprendizado ao longo dos anos.
Todavia, quando
abordamos a questão da riqueza e da pobreza, entramos num domínio que
dificilmente reúne consenso absoluto. Cada indivíduo tende a construir a sua
própria visão do mundo, desenvolvendo conceções, interpretações e perspetivas
distintas acerca destes assuntos (LER).
A riqueza e a pobreza
constituem temas recorrentes no contexto social e na vivência quotidiana. Desde
cedo, os seres humanos são incentivados a procurar a prosperidade, a afastar-se
da pobreza e a esforçar-se por alcançar uma situação económica mais favorável.
De forma generalizada, convencionou-se que a riqueza é sinónimo de felicidade e
que aqueles que possuem abundância material desfrutam, necessariamente, de uma
vida melhor.
Esta perceção
encontra-se presente em praticamente todas as culturas. Existe a convicção de
que quanto maior for a capacidade financeira de uma pessoa, maior será também o
seu grau de felicidade. Tal entendimento decorre da ideia de que o dinheiro
proporciona poder, e que esse poder permite alcançar objetivos e adquirir bens
que, de outra forma, permaneceriam inacessíveis. É por essa razão que, desde a
infância ou desde o momento em que começamos a desenvolver consciência de nós
próprios, somos estimulados a trabalhar, a poupar e a procurar condições que
nos permitam ascender social e economicamente.
Até aqui, nada existe
de intrinsecamente errado. É natural e legítimo que o ser humano procure
melhorar as suas condições de vida, progredir e alcançar um patamar mais
estável e digno. Contudo, existe um reverso da questão: quando essa procura é
orientada por pressupostos equivocados ou por motivações desordenadas. Sabemos
que a posse de bens materiais não constitui garantia absoluta de felicidade, de
realização pessoal ou de superioridade moral. Embora a sociedade frequentemente
promova essa ideia, ela revela-se profundamente ilusória. O dinheiro, por si
só, não assegura paz interior, equilíbrio emocional, harmonia familiar nem amor
verdadeiro.
Por outro lado, a
pobreza é frequentemente encarada como uma realidade exclusivamente negativa.
Em determinadas circunstâncias, tal perceção possui fundamento. Quando uma
pessoa vive privada do mínimo indispensável à sua subsistência, encontrando-se
numa situação de pobreza extrema, estamos perante uma condição que compromete
seriamente a sua qualidade de vida. Todo o ser humano deveria ter acesso a uma
habitação digna, alimentação adequada, oportunidades de trabalho e, acima de
tudo, cuidados de saúde. Sem estas condições básicas, muitas potencialidades
permanecem por desenvolver e multiplicam-se os obstáculos à realização pessoal.
A pobreza extrema
constitui, de facto, uma ameaça à dignidade humana. Quem vive em condições de
privação severa torna-se frequentemente mais vulnerável à exclusão, à
dependência e à marginalização social. Deus não criou o ser humano para viver
destituído de dignidade; pelo contrário, a própria dignidade pressupõe a
existência das condições mínimas necessárias à sobrevivência e ao florescimento
da pessoa.
Contudo, como veremos
através do ensino do Apóstolo Paulo, o verdadeiro mérito não reside nem na
pobreza nem na riqueza. O mérito reside em Deus. Uma pessoa pode ser pobre e
plenamente realizada, assim como pode ser rica e viver uma existência
equilibrada e bem-sucedida, desde que a sua vida esteja firmemente alicerçada
em Deus. O elemento decisivo não é a condição económica, mas a presença de Deus
no coração e na conduta do indivíduo.
Não obstante, na ânsia
de alcançar riqueza, muitas pessoas tornam-se dominadas pela avareza e pela
ganância. Quando alguém passa a considerar a acumulação de bens como o objetivo
supremo da sua existência, corre o risco de ignorar princípios morais e espirituais
para atingir esse fim. É precisamente por isso que, ao longo da história, se
têm observado inúmeras fortunas construídas à custa de práticas eticamente
condenáveis e moralmente reprováveis.
A obsessão pela riqueza
gera inevitavelmente conflitos, inquietações e múltiplas formas de sofrimento.
Pelo contrário, quando vivemos no centro da vontade de Deus, deixamos de
depender das coisas materiais para alcançar felicidade e passamos a fundamentar
a nossa existência na relação com o Criador.
Se eu perguntasse a
cada um de vós se preferiria ser rico ou pobre, é provável que a maioria
respondesse que gostaria de ser rica. E não existe qualquer mal nisso, desde
que a riqueza seja procurada de forma honesta, legítima e em conformidade com
os princípios divinos. O trabalho diligente, a competência, a disciplina e uma
gestão prudente dos recursos podem conduzir ao sucesso material. Porém, o
verdadeiro crente não vive obcecado pela riqueza; para ele, a prosperidade
material é apenas uma consequência eventual, nunca a finalidade última da vida.
O problema surge quando
alguém passa a acreditar que a sua felicidade, a sua segurança e a sua paz
dependem exclusivamente do dinheiro. Nesse momento, abre-se o caminho para a
frustração e para a desilusão.
O Apóstolo Paulo
afirma, em 1 Timóteo 6, que «é grande ganho a piedade com contentamento». Esta
declaração revela uma verdade profunda: a verdadeira riqueza consiste numa vida
marcada pela piedade e pelo contentamento. Quando a fé é vivida de forma
autêntica, produz uma riqueza espiritual incomparável, caracterizada pela paz,
pela plenitude e pela harmonia interior – bens que nenhum património financeiro
pode adquirir.
Apóstolo Paulo recorda
ainda que «nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar
dele». Ao nascermos, chegamos de mãos vazias; ao partirmos desta vida, também
nada levaremos connosco. Se possuímos alimento, vestuário e os recursos
necessários para uma vida digna, já temos razões suficientes para cultivar a
gratidão. Porém, aqueles que vivem consumidos pelo desejo de enriquecer acabam
frequentemente por cair em tentações, armadilhas e desejos insensatos que
conduzem à ruína espiritual e moral. A raiz de todos os males não é o dinheiro
em si mesmo, mas o amor desordenado ao dinheiro. Em nome dele, muitos mentem,
traem, corrompem-se, exploram os seus semelhantes e chegam até a destruir
vidas.
O dinheiro pode ser um
excelente servo, mas é um péssimo senhor. O problema não está em possuir
dinheiro, mas em permitir que o dinheiro possua o coração. Quando a riqueza se
transforma no propósito fundamental da existência, o ser humano entra num caminho
espiritualmente perigoso.
Vivemos numa sociedade
que, muitas vezes, se esquece de Deus, ama as coisas e utiliza as pessoas,
quando deveria precisamente fazer o contrário: adorar a Deus, amar as pessoas e
utilizar as coisas. O verdadeiro desafio não consiste na posse de recursos materiais,
mas em impedir que a ganância domine o coração humano. É preferível possuir o
suficiente para viver com serenidade, equilíbrio e consciência tranquila do que
acumular grandes riquezas sem paz interior. Quando Deus ocupa o lugar central
da nossa vida, o dinheiro torna-se um instrumento ao serviço do bem: para
socorrer os necessitados, apoiar causas nobres e contribuir para a expansão do
Reino de Deus.
Por essa razão, ninguém
pode servir simultaneamente a Deus e ao dinheiro. Onde estiver o nosso tesouro,
aí estará também o nosso coração. O amor excessivo pelas riquezas tem levado
muitos a afastarem-se da fé, da comunhão da Igreja e do caminho de Deus, passando
a viver exclusivamente em função da acumulação material.
Que Deus nos ajude a
não “naufragarmos na fé” e a reconhecermos que a nossa verdadeira riqueza não
se encontra nos bens transitórios deste mundo, mas na pessoa do Senhor Jesus
Cristo, na Sua Palavra e no Seu glorioso Evangelho. Que assim seja.
Partilho
aqui esta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD), que ministrei na minha
Igreja, sobre a mulher que traiu deliberadamente o seu marido na Festa dos
Tabernáculos dos judeus que, contra todas as evidencias humano-sociais, achou
graça, amor e perdão por parte do Senhor Jesus Cristo (João 8:1-11). Esta
mulher acumulava simultaneamente várias infracções no seu acto pecaminoso,
fazendo com que merecesse a pena de morte, tal como preceituava a Lei de Moisés (OUVIR AQUI EM PODCAST).
Em primeiro
lugar, esta mulher era adúltera e foi apanhada em flagrante acto de adultério
numa festa religiosa (v. 4). Deixou-se levar descontroladamente pela luxúria,
sem medir as consequências práticas do seu envolvimento sexual ilícito. Também
ela era traidora. Traiu deliberadamente o marido e traiu a sua própria família,
violando assim o dever da fidelidade que vincula todos os cônjuges no âmbito
matrimonial. Ela ofendeu de forma livre e consciente o sétimo mandamento da Lei
de DEUS que proíbe, em todas as circunstâncias, o adultério (Ex 20:14).
Destruiu a sua vida, a do seu marido e da sua família. Esta mulher era uma
autêntica vergonha para a sua família, a sua comunidade e o seu povo, razão
pela qual humilharam-na publicamente e puseram-na à chacota perante tudo e
todos. A única sentença para o cúmulo de todos estes abomináveis pecados era a
pena de morte por apedrejamento. Tinha que ser apedrejada até à morte. Era isso
que a Lei mandava fazer em tais situações (Lv 20:10; Dt 22:22-24). Não havia
outra solução viável para remediar o censurado pecado desta desgraçada mulher.
Ela estava condenada a morrer. Morrer de forma bárbara pelo apedrejamento
público. Ela não tinha como fugir ou negar o seu envolvimento sexual com outro
homem, porque foi apanhada no próprio acto de adultério. Há muitas pessoas que
mentem, roubam, traem, enganam, matam e, mesmo assim, escapam ilesas. Não era o
caso dessa mulher. Havia provas irrefutáveis do seu manifesto pecado que ela
não podia desculpar. Foi apanhada em pleno acto de adultério, insisto.
Os escribas
e fariseus aproveitaram este mediático caso de adultério para poderem apanhar
em falso o Senhor Jesus Cristo, que se encontrava empenhadamente a ensinar no
templo e, desta forma, poderem aleivosamente acusá-Lo. Fizeram-Lhe uma pergunta
sorrateira, que encerra uma rasteira, com vista a apanhá-Lo em contradição e,
deste modo, arruiná-Lo completamente. Estes doutores da Lei eram também
autênticos doutores em tramoia, conspiração e da maldade! Qualquer resposta que o Filho de DEUS desse
seria facilmente apanhada em armadilha e, consequentemente, “esmagado” – podia
ser por judeus ou pelas autoridades romanas. Os escribas e doutores da Lei,
escreve Hernandes Dias no seu Comentário Expositivo sobre o Evangelho João em
concordância com Charles Erdman, “queriam encontrar um motivo para acusá-lo e
matá-lo. E assim intentaram três coisas contra ele. Em primeiro lugar, tentaram
jogar Jesus contra a lei de Moisés; segundo, tentaram jogar Jesus contra a lei
romana; terceiro; tentaram jogar Jesus contra o povo. O alvo dos fariseus era
colocar Jesus diante de um dilema: se ele perdoasse e absolvesse a mulher,
estaria em oposição à lei de Moisés e contra ele se poderia argumentar que
estava fomentando as pessoas a cometer adultério (Lv 20.10; Dt 22.22-24); se
ele a condenasse à morte, estaria usurpando atribuições do governo romano
(18.28-31), porque os romanos haviam retirado dos judeus o poder de infligir
penas capitais”.
Colocaram
assim o Senhor Jesus perante um grande dilema e como juiz num caso que Ele não
tinha nada a ver. Não era testemunha ou parte visada no vergonhoso pecado da
mulher adúltera. Também não era juiz e, tão pouco, fazia parte da cúria das
autoridades judaicas. Eles puseram-Lhe esta questão, relata-nos o evangelista
João, “porque queriam apanhá-lo em falso para depois o acusarem” (v.6). Eles
tinham a inveja e o ódio declarado contra o Senhor Jesus, desde o começo do Seu
ministério, tendo em conta a autoridade com que Ele ensinava e o amplo
acolhimento favorável que a Sua mensagem salvífica despertava no seio do povo.
William Hendriksen, citado ainda por Hernandes Dias Lopes, na mesma esteira do
pensamento, sustenta “que o interesse principal dos acusadores não era a
mulher. Eles apenas a estavam usando como um laço para pegar Jesus. Este, sim,
era a verdadeira vítima! E, para realizarem esse propósito diabólico contra
Jesus, jogaram para o alto qualquer gentileza ou vergonha que tivessem. A
vergonha e os temores da mulher, ao ser exposta publicamente, não lhes
significava nada, conquanto alcançassem o objetivo que tinham proposto. Assim
eram os líderes religiosos de Jerusalém”.
O Senhor Jesus
Cristo, conhecedor da mente dos pecadores e a sua verdadeira intenção, não se
precipitou em responder a esta astuta e rasteira pergunta dos escribas e
fariseus. Limitou-Se apenas a escrever no chão com o dedo. Mesmo assim, eles
não se desarmaram e continuaram a interroga-Lo de forma insistente, querendo a
todo o custo ter uma resposta por parte Dele. O Senhor Jesus, diz-nos o Evangelista
João, “levantou-se e disse-lhes: Aquele de entre vós que nunca pecou, atire-lhe
a primeira pedra” (v.7). Quem não tiver pecado que seja o primeiro a atirar a
pedra. Por outras palavras, se houver algum entre vós que esteja sem pecado,
sem pecado desta natureza, que não tenha nunca, em nenhuma ocasião, sido
culpado de fornicação, adultério ou maculado, que atire a primeira pedra sobre
ela. Que seja o primeiro, tal como manda a Lei de Moisés, a atirar a primeira
pedra (Dt 17.7).
O Senhor
Jesus confrontou-os abertamente com a sua miséria espiritual, através da
autoanálise que faziam da Sua interpelação, deitando por terra a hipocrisia, a
soberba, a vingança, a maldade, a injustiça e o pecado em que se encontravam
mergulhados. Estes acusadores eram injustos, parciais e autênticos pecadores.
Cometeram, desde logo, uma tamanha injustiça objectiva no caso em apreço, ilibando
o homem que estava a praticar relações sexuais ilícitas com a mulher adúltera,
contrariando assim as disposições da Lei que expressamente diz: “se um homem
for apanhado em adultério com uma mulher casada devem morrer tanto ele como
ela. Assim acabarás com este escândalo em Israel” (Dt 22:22; Lv 20:10). Eles
limitaram apenas a sua fúria para com a pobre mulher por ser a parte mais fraca
nesta história, desculpando-se o homem. Não estavam minimamente preocupados com
a espiritualidade sacrossanta, a moralidade pública exemplar e o zelo pelos
nobres princípios e valores da família. A preocupação deles, antes pelo
contrário, era vingar-se da mulher, condenando-a à morte e posteriormente apanhar
o Senhor Jesus em falso para O acusar.
Perante
esta situação, isto é, ao ouvirem as desafiantes palavras do Senhor Jesus,
“foram saindo dali um a um, a começar pelos mais velhos, e só lá ficou Jesus e
a mulher ao pé dele” (v.9). Fugiram todos. Os falsos moralistas e religiosos de
conveniência, foram frustrados nas suas maléficas intenções e fugiram de forma
apressada. Não ficou ninguém. Desde o mais velho até ao mais novo, fugiram
todos. O Senhor Jesus, diferentemente da reprovável conduta destes escribas e
doutores da Lei, “não expõe os próprios acusadores ao opróbrio (8.79). Ele age
de maneira diferente daqueles que expuseram a mulher ao ridículo. Jesus
conhecia os seus pensamentos. Sabia do plano abominável deles. Ele poderia ter
exposto esses acusadores à execração. Podia denunciar o segredo do coração
deles. A derrota dos acusadores foi patentíssima. Acusados pela consciência,
retiraram-se, começando a debandada pelos mais velhos, que evidentemente
idearam o plano, seguindo-se os mais moços, até o último”, escrevia Charles
Erdman citado por Hernandes Dias Lopes. E o Senhor Jesus, por Sua vez,
levantou-Se e perguntou a humilhada mulher: “Mulher, onde estão eles? Ninguém
te condenou? Ninguém, Senhor!, respondeu ela. Também eu te não condeno, disse
Jesus. Vai-te embora e daqui em diante não tornes a pecar.” (v.10-11). Vai em
paz, os teus pecados são perdoados, bem entendido.
O Senhor
Jesus contra tudo e todos absolveu esta pobre mulher da morte certa a que ela
estava destinada perante a turba ululante e os hipócritas escribas e doutores
da Lei, perdoando de forma amorosa os seus pecados, mandando-lhe depois ir
embora e não voltar a pecar. Jesus, de acordo com Hernandes Dias Lopes, “age
com misericórdia com a mulher (8.10,11). Ele veio não para condenar, mas para
salvar. A mulher merecia morrer, mas ele usa seu poder para restaurar. Ele veio
buscar e salvar o que se havia perdido. Ele veio para os doentes. O perdão não
é barato. Jesus deu sua vida. Ele valoriza aquela mulher, chamando-a por um
título honroso, o mesmo que usou para sua mãe: Mulher”, concluindo depois que
“Jesus a encorajou. (…). Vai. Volta à vida. Não fique carregando seus traumas,
recalques e culpa. Ela vai livre, perdoada, restaurada e com dignidade”.
Em suma, o
amor venceu o legalismo hipócrita, a misericórdia a religiosidade, a verdade a
mentira, a vida a morte. O Senhor Jesus conferiu um novo estatuto a esta pobre
mulher, restaurando-lhe a dignidade plena, tal como faz com todos aqueles que
beneficiam da Sua graça redentora. Ele veio ao mundo para salvar e justificar
os miseráveis pecadores. Que assim seja. E assim sempre será. Aleluia!
A vida é
feita de esperança. A esperança é um combustível necessário e indispensável
para continuarmos a lutar pelos nossos legítimos sonhos de vida. Sem esperança
a vida não faria qualquer tipo de sentido e levar-nos-ia inevitavelmente para
um estado de permanente tristeza, depressão, sofrimento e, em última instância,
ao suicídio. As pessoas que normalmente se suicidam são pessoas que não
vislumbram a esperança e o sentido real para as suas vidas e, consequência
disso, põem funestamente termo à sua própria vida. A esperança está
intrinsecamente ligada à felicidade e esta é a meta primordial de todos os seres
humanos neste “vale de lágrimas”. A esperança é a primeira virtude do Homem nas
suas várias ambições e também o reduto último das suas aspirações. A esperança
é a última a morrer, formula a sabedoria popular.
Obviamente que
é importante ter esperança naquilo que realmente vale a pena no futuro e que tem
sustentáculo no curso do tempo. Sabemos, por realidade prática, que
muitas pessoas depositam a confiança na superficialidade e acabam por colher a
ilusão, ficando desapontadas, frustradas e infelizes com as suas decepcionantes
expectativas de vida. No entanto, para nós Cristãos, a nossa esperança está única
e inteiramente no Todo-Poderoso DEUS e não nos valores efémeros deste corrupto mundo.
A nossa esperança não está na nossa vida, na nossa família, no nosso estatuto
social, no nosso trabalho, nos nossos amigos, nas nossas riquezas materiais,
nos nossos méritos pessoais ou qualquer outro tipo de valor mundanal, mas sim
no Senhor Jesus Cristo e na Sua infalível promessa da vida eterna para
connosco.
É claro que
há muitos Cristãos que, em situações de grandes turbulências e adversidades, não
conseguem absorver de forma plena esta grande verdade soteriológica e hesitam em
confiar plenamente em DEUS, tendo em conta as distrações espirituais que vão
tendo. Mas, somos advertidos nesta lição da Escola Bíblica Dominical, para
continuarmos sempre a ter a esperança no nosso Todo-Poderoso DEUS, mesmo nos
momentos dificílimos de problemas, contradições, tentações e provações, porque
ELE vai estar sempre connosco para nos orientar e, em tempo oportuno, providenciar-nos
o auto-escape para todos os desafios que vamos enfrentando neste maldito mundo.
Que assim seja. E assim será pela fé no Senhor Jesus Cristo.
Ao longos de
dois trimestres, na minha Igreja, estivemos a estudar na Escola Bíblica
Dominical (EBD) da classe de Jovens e Adultos os livros do Antigo Testamento,
nomeadamente 1 e 2 Reis, e depois neste último trimestre Amós, Jonas, Oseias e
Miqueias. Findámos, com bastante sucesso, no domingo passado, esta importante
secção dos livros proféticos e introduziremos já amanhã uma nova revista da
Escola Bíblica Dominical da Convenção Baptista Portuguesa sobre os primeiros
onze capítulos do Evangelho segundo João.
Nesta
última lição, que me coube dar, abordámos os reiterados desvios do povo e a
misericórdia de DEUS perante os seus escolhidos filhos, tendo em conta a
promessa de fidelidade que outrora firmou com os patriarcas Abraão, Jacob e os
demais ao longo do Antigo e Novo Testamento (Miqueias 7:1-20).
Por isso,
partilho este brevíssimo excerto deste estudo (foi uma lição de 45 minutos, mas
que recortei para ficar em apenas12 minutos, a fim de partilhar aqui). Tenha um
bom proveito na sua auscultação.
O homem é um ser
gregário e, nesta convivência gregária, constrói profundos laços de
sociabilização, que se vão traduzindo na inteira dependência e interdependência
uns dos outros. Por isso, somos aconselhados pelos terceiros e também
aconselhamos aqueles que precisam da nossa ajuda. Damos constantemente
conselhos e, da mesma sorte, estamos sempre a receber conselhos. Não há nenhum
ser humano neste “vale de lágrimas” que não vive dos conselhos – quer dando
quer recebendo. Todos nós, sem excepção, na generalidade das situações,
fundamentamos as nossas decisões com base nos conselhos que vamos recebendo
daqueles que nos são mais queridos ou que, de alguma certa forma, reconhecemos
autoridade na matéria em que precisamos de orientação.
Não há ninguém que
possa prescindir dos bons conselhos e ser bem-sucedido na vida. Os conselhos
tocam tudo e todos: envolvem todos os estratos sociais. Todas as idades. Todos
os géneros. Todas as classes de pessoas e todas as pessoas no geral. Precisam
deles os ricos e os pobres. Os doutos e indoutos. Os velhos e as crianças. Os
detentores da autoridade e os subalternos. Os homens e as mulheres. Tanto que,
por esta razão, o aconselhamento reveste-se de carácter importantíssimo na
nossa civilização ao longo dos séculos, permanecendo esta inquestionável
verdade até aos nossos dias pós-modernos.
No entanto, por
preconceito doentio e soberba perniciosa, sabemos que nem todas as pessoas são
predispostas a ouvir conselhos de terceiros e, muito menos, a pedi-los, tendo
em conta o orgulho exacerbado e a falsa percepção da realidade que tais pessoas
têm de si mesmas, julgando-se superiores aos outros. Em consequência disso,
fecham-se completamente a qualquer tipo de conselhos, optando meramente por se
refugiarem nas suas próprias ideias e opções de escolha. A idade, o estatuto
social, a origem social, o poder, a fama, o dinheiro e a qualificação não devem
ser causas impeditivas para não recebermos os conselhos daqueles que,
porventura, podemos achar objectivamente que estamos numa posição superior. Os
pais devem estar abertos a ouvir conselhos dos seus filhos e vice-versa. Os
pastores devem aceitar ser admoestados pelos membros da igreja, tal como fazem
com eles. Da mesma forma, os patronos devem ter a humildade suficiente para
ouvir os seus empregados; os governantes para com os governados, etc.
Ora, isto não quer
dizer que temos imperativamente de acatar todos os conselhos que vamos
recebendo, uma vez que nem todos os conselhos são realistas e justos. Há muitos
conselhos adulterados, injustos e maléficos. O objectivo é, acima e tudo,
termos a humildade de saber solicitar ou ouvir oportunamente os conselhos e,
com base nesta audição, examinar tudo e reter o que é mais correcto para a
nossa vida. Já é um grande passo estar inteiramente disponível para ouvir
conselhos, chamadas de atenção e advertências, independentemente da sua
proveniência e do seu interlocutor. É sinal de grande abertura, maturidade,
humildade e sabedoria da nossa parte.
O rei Salomão, um dos
homens mais sábios da história da Humanidade, considerava peremptoriamente
“insensato” o velho que não sabe ouvir conselhos (v.13), julgando-os
inconvenientes por causa da sua idade, diferentemente das pessoas prudentes que
estão sempre abertas aos conselhos, sobretudo os conselhos sábios e valiosos. É
sobre esta verdade soteriológica que procurei explorar aqui nesta lição da
Escola Bíblica Dominical (EBD).
Que o Todo-Poderoso DEUS nos abençoe e nos ajude a procurar os conselhos
da Sua Santa Palavra para, deste modo, podermos tomar decisões correctas,
sensatas e irrepreensíveis neste perverso mundo em que estamos submergidos. Que
assim seja. E assim sempre será pela fé no Senhor Jesus Cristo.
O sexo e a sexualidade
são temas completamente tabu no meio Cristão, especialmente nos círculos
evangélico-tradicionais. Praticamente não se fala do sexo do ponto de vista
eclesiástico, excepto estrita e esporadicamente nos encontros de casais. Esta
posição ultraconservadora sobre o sexo no seio dos evangélicos é altamente
influenciada pela Igreja Católica Romana que, tal como sabemos, tem uma posição
sui generis nesta matéria.
Santo Agostinho, um dos
maiores teólogos Cristãos de todos os tempos, formulou na sua magistral obra
“Confissões” o conceito do “pecado original”, que posteriormente desenvolveu na
“Cidade de Deus”.O Pecado original,
segundo o insigne Doutor da Igreja, entrou no mundo por via do sexo. A libido e
os cuidados redobrados que o ser humano normalmente tem com as regiões pudendas
são as manifestações visíveis da vergonha que procedem do castigo (LER), defendia peremptoriamente o reputado
teólogo. E toda esta construção doutrinária vai tendo fortes implicações
práticas na forma peculiar como a Igreja Católica encara e aborda o sexo,
sobretudo negando implicitamente o seu carácter de fruição, reduzindo-o lato
sensu à procriação. Por isso, a problemática sobre a intransigente oposição do
Vaticano ao uso de métodos contraceptivos entre os casais no âmbito matrimonial
só poderá ser holisticamente compreendida no “pecado original” de Santo
Agostinho.
Este
ultraconservadorismo sexual da Igreja Católica Romana, embora com algumas
nuances, vai ganhado um amplo acolhimento no protestantismo tradicional,
arrastando concomitantemente os movimentos pentecostais e neopentecostais.
Obviamente, não se pode banalizar o sexo. É um facto. Da mesma sorte, não se
pode torná-lo um tema tabu, particularmente no nosso mundo pós-moderno onde se
explora o sexo até à exaustão em todas as dimensões da convivência social.
E mais, tal como
sustenta correctamente a Declaração da Fé Baptistas Portuguesa, “Deus não
condena o ato sexual em si, mas a prática sexual desgovernada, sem limites e
sem princípios divinos.Deus não deixa a
sexualidade ao critério de cada um, até mesmo aos casados lhes adverte e
aconselha para que nenhum dos cônjuges negue o sexo, antes procedam com
consentimento mútuo. A atração física, emocional e o verdadeiro amor no
casamento são condições indispensáveis para uma sexualidade abençoada. Todas as
práticas sexuais desviadas dos padrões das Escrituras se inscrevem no mundo do
abrasamento e das perversões (parafilias), degradantes da vida e da sua
dignidade, a saber: prostituição, homossexualidade, pedofilia, pornografia,
incesto, violação e bestialidade»” (LER).
É preciso reforçar,
cada vez mais, nas nossas igrejas, um ensino doutrinário consistente sobre o
sexo e a sexualidade saudável para, deste modo, poder munir os nossos
adolescentes, jovens e adultos a responderem satisfatoriamente aos presentes e
exigentes desafios a esse nível. Só assim, deixaremos de ser presas fáceis da
fornicação, pornografia, adultério e todo o tipo de imoralidade sexual. E tudo
isto, em última instância, só se alcança vivendo na pureza sexual.
Ora, é esta verdade
salvífica que procurei abreviadamente desenvolver nesta lição da Escola Bíblica
Dominical (EBD). Tenha um bom proveito na sua auscultação.
Uma das vantagens
assinaláveis que os círculos baptistas tradicionais têm em comparação com as
outras denominações evangélico-protestantes é a importância cimeira que damos
ao ensino minucioso da Palavra de DEUS, que advém da Reforma Protestante. E a
nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, neste aspecto, tem acolhido na
medida possível este relevante e determinante desiderato espiritual. O sucesso
Cristão passa inevitavelmente pelo conhecimento das Escrituras Sagradas. É um
pressuposto assente e indiscutível, razão pela qual a minha Igreja tem
investido consideravelmente nesta importantíssima área do ministério
eclesiástico, proporcionando pontuais acções de formação e gratuitidade da
Revista da Escola Bíblica Dominical da Convenção Baptista Portuguesa para todos
os seus respectivos membros.
No domingo passado,
depois de termos finalizado com bastante sucesso o estudo do livro de 1 e 2
Reis, iniciámos agora a nova revista com o estudo do Profeta Amós, Jonas, Oseias
e Miqueias.Por outras palavras, nos
próximos três meses, na classe de Jovens e Adultos, estaremos a estudar estes
“profetas menores”. Calhou-me dar esta primeira lição intitulada “Escuta Deus”,
baseada no texto de Amós 2:4-16. Foi um juízo de DEUS para com o seu povo
eleito, tendo em conta o desvio doutrinário e práticas deliberadas de inúmeros
pecados em que se deixou envolver, tal como fizeram os seus antepassados,
nomeadamente pecados contra os desprotegidos/pobres, a heresia doutrinária, a
idolatria, a promiscuidade sexual, profanando assim o Nome do Todo-Poderoso
DEUS.
Por isso, dizia o autor
sagrado sobre a sentença do Senhor sobre o povo transviado, “vos esmago como o
carro carregado de feixes esmaga a calçada. As pessoas velozes não hão de encontrar
refúgio, as fortes hão de perder a sua força, e os guerreiros não hão de poder
salvar as suas vidas. Os arqueiros não se poderão manter de pé, os corredores
velozes não hão de poder escapar e os cavaleiros não hão de poder fugir.
Naquele dia, até o mais valente dos heróis deixará as suas armas e há de
fugir.» Palavra do Senhor” (Amós 2:13-16).
Partilho aqui este
podcast sobre “O Cristão e o Trabalho”, baseado no texto sagrado de 2
Tessalonicenses 3:6-18. É parcela do estudo que ministrei este domingo na minha
igreja no âmbito da Escola Bíblica Dominical (EBD). Debrucei-me sobre as
implicações humano-sociais do trabalho na vida dos Filhos de DEUS, destacando
casos extremos em que o trabalho pode consubstanciar uma autêntica maldição e
concomitantemente uma bênção.
Apesar de todos este
prós e contras que o trabalho encerra, que veiculei pormenorizadamente no
estudo em apreço, nenhum cristão deve sentir-se no direito de não trabalhar e
de viver à custa dos outros (cf. 2Ts 3, 6-12). Todos os Cristãos, formula a
Doutrina Social da Igreja Católica, “são exortados pelo apóstolo Paulo a
tomar como um ponto de honra o trabalhar com as próprias mãos, de modo a não
serem «pesados a ninguém» (1 Ts 4, 11-12) e a praticar uma solidariedade também
material, compartilhando os frutos do trabalho com «necessitado» (Ef 4, 28) (…)
O ócio é nocivo ao ser do homem, enquanto a actividade favorece o seu corpo e o
seu espírito. O cristão é chamado a trabalhar não só para conseguir o pão, mas
também por solicitude para com o próximo mais pobre, a qual o Senhor ordena dar
de comer, de beber, de vestir, acolhimento, atenção e companhia (cf. Mt 25,
35-36). Cada trabalhador, afirma Santo Ambrósio, é a mão de Cristo que continua
a criar e a fazer o bem]”.
Eu, informalmente, numa
pose dominical em casa. Estava a ultimar a lição da Escola Bíblica Dominical
(EBD) de Jovens e Adultos da minha Igreja, que será ministrada por mim, logo às
19h:00, através do Zoom, resolvi fazer um interlúdio para este momento de “narcisismo”. Votos de uma excelente semana a todos.
Os Oficiais da Igreja devem ser irrepressíveis na sua
postura eclesiástica, familiar, social, relacional e em toda a sua convivência
diária. Não devem ser pessoas, tal como exorta expressamente a Palavra de DEUS,
dadas ao vinho, nem a levantarem conflitos ou serem interesseiras, orgulhosas,
nem ter mau génio ao ponto de levarem uma vida reprovável. Devem, antes pelo
contrário, ser sujeitos de boa reputação, fiéis na vida conjugal e bons pais de
família, sóbrios, prudentes, equilibrados, hospitaleiros e terem capacidades
suficientes para ensinar (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:6-9). Os
Pastores, os diáconos e as diaconisas devem ser exemplos na comunidade e na
vida fora, especialmente os Pastores. Estes não podem, em circunstância alguma,
descurar a sua espiritualidade. Devem estar sempre na linha da frente na
intransigente defesa da Sã Doutrina, da Ética Cristã, da Moral e dos Bons
Costumes. O ministério pastoral dos Pastores não está dissociado dos seus
familiares, entendemos nós, isto é, no caso de serem casados, das suas esposas,
filhos e todos aqueles que estão sob os seus cuidados.
Por esta ordem de ideias, a mulher do Pastor deve
apresentar-se com dignidade, modéstia, sem grandes penteados, nem ouro, nem
jóias nem vestidos luxuosos, mas sim como convém à mulher que se preocupa
principalmente em agradar a Deus pelas boas obras (1 Timóteo 2:9-10),
evitando sobretudo o pecado do materialismo, da bisbilhotice, da
murmuração, da sensualidade e sumptuosidade. Da mesma sorte, espera-se um
comportamento decente e congruente dos filhos dos Pastores com os impolutos
Princípios e Valores Cristãos, uma vez que fazem parte essencial do ministério
pastoral. A família Pastoral deve ser modelo para todas as famílias da Igreja –
tanto na espiritualidade, na oração, no serviço aos santos, na hospitalidade,
na solidariedade, na visitação e na Evangelização e Missões. A mulher do Pastor
deve ser – particularmente – exemplo para toda a comunidade e concomitantemente
os filhos dos Pastores, com vista a “aliviarem” o ministério
do Pastor e, deste modo, colaborarem de forma edificada no ofício pastoral,
livrando assim o Pastor de “não se tornar motivo de difamação nem
cair na armadilha preparada pelo Diabo (1 Timóteo 3:1-9). Isto porque, como
dizem as Escrituras Sagradas, “se alguém não é capaz de ser um bom
chefe da sua própria família como pode assumir responsabilidades na Igreja de
DEUS?” (1 Timóteo 3:1-5). Obviamente que não está habilitada para ser
Pastor do rebanho do Senhor Jesus Cristo. A mesma verdade se aplica também aos
diáconos, diaconisas e demais responsáveis da Igreja.
Acontece que, por vicissitudes várias, infelizmente,
tem havido uma manifesta negligência no que toca à “postura
irrepreensível” que deveria nortear a família pastoral e de todos os
Oficiais da Igreja. Há cada vez mais um esforço de tentar dissociar o
ministério do Pastor da sua família, praticamente desvinculando a mulher do
Pastor e os seus filhos como parte fundamental do referido ministério, através
de um discurso tautológico aparentemente “consistente” de
vitimização sobre a demasiada pressão que as comunidades colocam na família
Pastoral. Apercebemo-nos claramente disso quando estávamos a estudar no
Instituto Bíblico das Assembleias de DEUS e posteriormente no Seminário
Teológico Baptista, bem como nas conversas que temos mantido com inúmeros
Pastores e Líderes de várias denominações Evangélico-protestantes. Jamais
poderemos compactuar com este discurso redutor e sem qualquer sustentáculo
bíblico.
É verdade que o Diabo tem usado muitas pessoas na
Igreja para propositadamente caluniar, humilhar, magoar e ofender o Pastor e a
sua família. Também é verdade que, nalgumas igrejas, tem havido uma agenda
direcionada a colocar em causa a reputação da família pastoral, através de
suspeitas infundadas, maledicências, inverdades grosseiras e toda a sorte de
ataques vis contra o bom nome do Pastor e da sua família. É verdade ainda que
há uma utópica visão dos Cristãos que julgam que a família Pastoral deve ser
perfeitíssima em tudo, sem possibilidade de humanamente falhar. Qualquer
recaída é motivo para colocar logo em causa todo o bom trabalho e reputação do
Pastor. Não estamos a desvalorizar tais subjacentes realidades nas nossas
congregações e, nem tão pouco, as pressões descabidas que parte significativa
dos Pastores e as suas famílias vivem. Estamos plenamente cientes disso. No
entanto, esses ataques do adversário fazem parte do ministério pastoral e a
família do Pastor deve saber muito bem conviver com eles, procurando na medida
do possível não ofender a consciência dos ímpios e nem da igreja de DEUS. Ser,
acima de tudo, delicado para com todos, não pelo seu interesse, mas pelo bem de
todos, para que possam salvar-se (1 Coríntios 10:32-33). Por
isso, o Pastor “deve tratar toda a gente com delicadeza, deve saber
ensinar e ser capaz de suportar o mal. Deve saber corrigir os seus adversários
com mansidão, pois talvez Deus os leve a arrependerem-se para reconhecerem a
verdade. E assim escapam da armadilha do Demónio que os traz amarrados para
fazerem o que ele quer (2 Timóteo 2:24-26). E tudo isto passa, em
última instância, por Pastor ser um exemplo de testemunho para todos os fiéis,
juntamente com toda a sua família. Eis o maior e melhor remédio para todas
essas artimanhas do Diabo. Que assim seja.