Não Censuremos nos Outros Aquilo que Também nos Atinge


Não censuremos nos outros aquilo que também nos atinge, diz sabiamente o brocardo popular. Seguindo na mesma esteira do pensamento escrevia Plutarco na sua célebre obra "Como Tirar Proveito dos Inimigos" que Platão, ao encontrar-se com homens que agiam torpemente, costumava perguntar a si mesmo: «por acaso, serei igual a eles?». Todo aquele que censura a vida de outro, e em seguida olha para a sua própria vida e a modifica, orientando-a e corrigindo-a, retirará algum proveito da censura que, de contrário, parece ser, e é, inútil e vazia. Por isso, prosseguia advertidamente, a maioria das pessoas ri-se se um calvo ou um corcunda censuram e troçam de outros pelas mesmas razões, e, em geral, é risível censurar e troçar de qualquer coisa que pode devolver-lhe a censura. 

E, de seguida, vai dando especificamente o exemplo do Leão, o Bizantino, que tendo sido injuriado por um corcunda pela enfermidade dos seus olhos, lhe disse: «Deitas-me em cara uma desgraça humana, quando levas aos ombros a vingança divina». E também, não injurieis outro por ser adúltero, se tu mesmo fores louco pelos jovens; nem por ser desregrado, se tu mesmo és ruim: «És da mesma estirpe da mulher que matou o marido», disse Alcmeão a Adrasto. Que fazia aquele, na verdade? Não deitava em cara a injúria de outro, mas a sua própria: «E tu és o assassino da mãe que te gerou». 

E Domicio[2] disse a Craso[3]: «Não choraste tu pela moreia[4] que alimentavas no teu viveiro?». E Craso respondeu-lhe: «Não enterraste tu três mulheres sem derramares uma única lágrima?». Não é necessário que aquele que vai injuriar seja gracioso, de voz potente e audaz, deve, contudo, ser irrepressível e inatacável. Pois, o conselho da divindade «conhece-te a ti mesmo» parece aplicar-se sobretudo àquele que vai censurar outro, para que, ao dizer o que quer, não vá escutar o que não quer. Certamente  pessoa deste tipo «quer», segundo Sófocles, soltando a sua língua em vão, ouvir involuntariamente aquelas palavras que diz voluntariamente, sentencia o Filósofo. 

(Inspirado no livro de Plutarco, in "Como Tirar Proveito dos Inimigos", Coisas de Ler, p. 9,18,19, Lisboa, 2008). 

Dia do Pastor


(O Pastor Marcos Mendes Ferraz, a mulher e os seus rebentos. Na foto, em ordem crescente: Isaque, Jónatas, Rubem, Mateus, Margarida e o Pastor. A foto foi extraída no facebook da irmã Margarida). 


Dentro de algumas horas estaremos na nossa igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, a celebrar peculiarmente o "Dia do Pastor". Nunca tive nenhumas reservas sobre as datas comemorativas que as sociedades e instituições de várias ordens estabelecem para homenagear publicamente determinadas classes de pessoas pela importância cimeira que representam, contando que não se extravasem os limites do bom senso e da razoabilidade. Cumprindo estes nobres pressupostos sociais não encontro qualquer pretexto ou oposição para não dar a minha anuência a essas efemérides, antes pelo contrário. Dito por outras palavras, enquadro-o sempre no brocardo bíblico de "a quem temor, temor; a quem honra, honra" (Romanos 13:7). 

No meu percurso de vida Cristã, desde a mais tenra idade, tive oficial e formalmente quatro pastores, nomeadamente o Pastor Luís Baptista, António Cabral, Manuel Alexandre Júnior e Marcos Mendes Ferraz, respectivamente. Os dois primeiros são guineenses. Pastorearam-me na Igreja Evangélica de Bandim onde, pela soberana vontade Divina, actualmente o meu irmão Evaristo Vieira é Pastor adjunto do Pastor António Cabral na referida congregação (LER). Estes quatro pastores tiveram um papel amiúde preponderante na minha vida espiritual, bem como a minha querida família e tantos outros servos e servas que o Altíssimo DEUS colocou no meu caminho para me ajudar a consolidar a minha fé no Senhor Jesus Cristo. 

O meu primeiro Pastor foi Luís Baptista. Converti-me, aos 17 anos de idade, em 2001, com o Pastor António Cabral, na Igreja Evangélica de Bandim, em Bissau. Fui Baptizado pelo Pastor Manuel Alexandre Júnior, no templo da Igreja Evangélica Baptista da Amadora, em 2006 (LER). O Pastor Marcos Mendes Ferraz é, actualmente, o meu Pastor. Guardo, como se pode notar, boas memórias destes preciosíssimos servos do SENHOR e poderia lançar-me em prolegómenos para confirmar esta afinidade eclesiástica. No entanto, julgo inoportuno fazê-lo. Talvez, quem sabe, no futuro, venha a fazê-lo num outro artigo. Por agora, cingir-me-à a minha consideração meramente ao Pastor Marcos Mendes Ferraz, uma vez que é actualmente o meu Pastor. 

Conheci o Pastor Marcos Mendes Ferraz no Seminário Teológico Baptista, em Queluz. Mais tarde veio a assumir o pastorado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, como adjunto do Pastor Manuel Alexandre Júnior, passando assim por inerência a ser também o meu Pastor (LER). Posteriormente foi meu Professor no Seminário Teológico Baptista, dando-me a cadeira de Teologia do Novo Testamento. Foi, da mesma sorte, meu Professor na Escola Bíblica Dominical e pude ainda trabalhar com ele em alguns ministérios da nossa Igreja, máxime na área da Educação Cristã, na Direcção da Igreja (LER) e no Evangelismo e Missões. O Pastor Marcos Mendes Ferraz é uma pessoa inteligente, discreta, humilde e bastante comprometida com a causa do Evangelho. Qualidades cada vez mais raras "no presente século mau" a que estamos adstritos. A nossa Igreja tem vindo cada vez mais a beneficiar da sua sapiência e riquíssimos sermões que tem pregado. 

A todos vós, meus estimados pastores, espero que continuem a evidenciar os excelentes atributos espirituais do "obreiro aprovado", pastoreando saudavelmente "o rebanho que Deus vos confiou, não por obrigação, mas de boa vontade, tal como Deus quer; não por espírito de ganância, mas com dedicação; não como quem se impõe sobre os que lhe foram confiados, mas como modelo para todos. E quando o chefe dos pastores vier, ser-vos-á entregue a coroa de glória que nunca perderá o seu brilho", exortam vigorosamente as Escrituras Sagradas  (1 Pedro 5: 2-4). 

Quero aproveitar ainda, em suma, para homenagear todos os autênticos pastores, missionários, evangelistas, líderes espirituais, teólogos, mulheres e homens que estão na linha da frente na difusão da Boa Nova da Salvação para o mundo perdido. Que a Graça do Senhor, nosso Deus, pouse sobre vós, fazendo prosperar as obras das vossas mãos; sim, ELE confirmará a obra das vossas mãos em tempo oportuno para Honra e Louvor do Seu Grande Nome. Que assim seja. 

Cantanhez – Onde Tudo Deveria Ter Começado

   
É já este sábado, dia 30, às 14h:00, no Hotel Fenix, em Lisboa, que "O Movimento Cantanhez – Salvar o Povo da Guiné" estará a dar a conhecer ao público o seu ambicioso manifesto cívico-patriótico, bem como procurar, com a ajuda dos reputados convidados que farão parte do painel, fazer um diagnóstico apurado sobre a holística situação da Guiné-Bissau ao longo destas quatro décadas da sua autodeterminação e apresentar soluções exequíveis para salvar o mal-afamado país. Em Cantanhez, no sul profundo da Guiné-Bissau, onde tudo deveria ter começado com o país e não em Medina do Boé, tal como foi pela desgraça nossa. 

Estão todos convidados a comparecer neste importante evento patriótico – mulheres, homens, velhos e mais novos, em especial os guineenses de boa vontade. Esta ocasião não apenas servirá para reflectirmos juntos sobre a nossa amada Guiné, mas também para confraternizarmos uns com os outros. Agradeço desde já a vossa atenção e participação. Até sábado. Cordialmente.     

A Ler


Ando bastante empenhado numa aventura livresca. Fiz inúmeras requisições nos últimos tempos para aplacar a minha insaciável curiosidade intelectual. Nos momentos vagos preciso de distracções (e de que maneira!). É uma forma peculiar que disponho para soltar um pouco e reconciliar comigo próprio, mormente nas horas nocturnas. Um, digamos assim, escapismo momentâneo que vai fazendo parte da minha rotina diária. Um "aperitivo" ideal para trilhar a senda da sabedoria, dizem os entendidos. 

Depois ter lido "As Origens do Totalitarismo", de Hannah Arendt, fiquei muito fascinado com a sapiência da reputada autora, razão pela qual estou a repetir a dose com esta sua extraordinária obra "Responsabilidade e Juízo". Um clássico de leitura obrigatória. 

Um Epílogo Sentimental de Quem Muito Sofre VII


«Salva-me, ó Deus, porque estou quase a afogar-me;
estou a afundar-me num pântano profundo,
não tenho onde apoiar os pés.
Vim parar em águas muito fundas
e a corrente está a arrastar-me.
Estou rouco de gritar, dói-me a garganta;
os meus olhos cansaram-se de esperar, ó meu Deus!
São mais os que me odeiam sem razão
do que os cabelos da minha cabeça;
mais numerosos são ainda os inimigos
que mentem contra mim.
Terei então de restituir aquilo que não roubei? 

Tu, ó Deus, conheces bem a minha insensatez;
não posso esconder de ti as minhas culpas.
Que não passem vergonha por minha causa
os que confiam em ti, ó Senhor, Deus todo-poderoso.
Que aqueles que te procuram
não fiquem desiludidos por causa de mim, ó Deus de Israel.
Por amor de ti tenho sofrido insultos;
a minha cara cobriu-se de vergonha.
Sou como um estranho para os meus irmãos;
sou um desconhecido para os filhos da minha mãe. 

O zelo da tua casa me consome;
as ofensas dos que te insultam caíram sobre mim.
Mesmo quando eu choro e jejuo
eles fazem troça de mim;
mesmo quando me visto de luto
eles escarnecem de mim.
Falam de mim pelas ruas da cidade
e os bêbedos cantam cantigas sobre mim. 

Eu, porém, Senhor, dirijo-me a ti em oração;
responde-me, ó Deus, quando achares oportuno,
responde-me, pelo teu grande amor!
Tu que és ajuda fiel,
tira-me do lodo para que não me afunde!
Salva-me dos que me odeiam e das águas profundas!
Não deixes que a corrente me arraste;
não deixes que o abismo me engula,
nem que a boca do poço se feche sobre mim! 

Responde-me, Senhor, porque o teu amor é bondade;
olha para mim, pela tua grande compaixão.
Não desvies o olhar deste teu servo;
responde-me depressa, porque estou em perigo!
Aproxima-te de mim e salva-me;
livra-me dos meus inimigos!
Tu sabes as ofensas, a vergonha e a desonra, que sofri;
tu conheces os meus inimigos!
As ofensas e a doença despedaçam-me o coração.
Esperei compaixão de alguém, mas foi em vão;
não encontrei ninguém que me confortasse.
Deram-me fel, em vez de comida
e, quando tive sede, deram-me vinagre. 

Que os seus banquetes se transformem em armadilha,
para ele e para os seus convidados.
Escurece-lhes a vista, para que não vejam;
enfraquece-lhes os músculos, para que tremam.
Descarrega sobre eles a tua indignação;
Sejam atingidos pelo furor da tua ira!
Que o seu acampamento fique deserto
e que não haja quem habite nas suas tendas,
pois perseguem aqueles que tu castigaste
e troçam das dores dos que tu feriste.
Deixa que aumentem o rol dos seus pecados
e não permitas que alcancem o teu perdão.
Risca-os do livro da vida!
Não os ponhas na lista dos justos!
Mas a mim, que estou aflito e triste,
levanta-me, ó Deus, e salva-me. 

Louvarei com cânticos o nosso Deus;
glorificá-lo-ei, com ações de graças.
Isto será mais agradável para o Senhor
do que sacrifícios de touros e novilhos.
Que os humildes vejam isto e se alegrem
e os que procuram a Deus se encham de coragem,
porque o Senhor escuta os necessitados
e não despreza o seu povo na aflição. 

Louvem o Senhor os céus e a terra,
o mar e todos os seres que o habitam!
Na verdade, Deus há de restaurar Sião,
e reconstruir as cidades de Judá,
e hão de regressar os que tinham sido expulsos.
Os descendentes dos seus servos são herdeiros de Sião
e lá hão de habitar aqueles que o amam.» 

(Ao regente do coro, um Salmo de David, para ser entoado com a melodia de “Os Lírios”, in Salmo 69:1-36, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

Um Epílogo Sentimental de Quem Muito Sofre VI


“Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou. Uma réstia de parte do sol, um campo próximo, um bocado de sossego com um bocado de pão, [o] não me pesar muito o conhecer que existo, o não exigir nada dos outros nem exigirem eles nada de mim… Isto mesmo me foi negado, como quem nega a esmola não por falta de boa alma, mas para não ter que desabotoar o casaco. Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas, submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo mais porque vivo maior. Sinto na minha pessoa uma força religiosa, uma espécie de oração, uma semelhança de clamor. Mas a reacção contra mim desce-me da inteligência…” 

(Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego, Assírio & Alvim, Lisboa, 2012, p. 44). 

Um Dia, Uma Fotografia


Com os meus estimados amigos Dénis Andrade, Hugo Silva e eu em Sófia, capital da Bulgária, a celebrar a amizade. Depois de termos estado primeiramente por Israel, Grécia e terminando a aventura em Espanha. Foi mesmo uma experiência gratificante, formidável e sem precedentes. 

O Aniversariante


O meu querido sobrinho Romildo Vieira comemora hoje 12 primaveras. Na qualidade de tio, tenho procurado na medida do possível acompanhá-lo ao longo destes gratificantes anos, notando, sobretudo, o seu acentuado crescimento nos mais variados domínios da fase petiz em que se encontra. Alegro-me imenso com a postura decorosa, obediente e irrepressível que o meu sobrinho tem perfilhado até aos dias de hoje. Espero que continue sempre assim. 

Estimado Romildo, muitos parabéns e feliz aniversário. Faço votos que sejas bem-sucedido em tudo quanto fazes. Que a Graça, o Amor, a Paz e a Bondade do nosso Eterno e Todo-poderoso DEUS te sigam todos os dias da tua vida.        

A Equivocada Mundividência dos Dissolutos


Há uma tremenda confusão ideológica que grassa cada vez mais na consciência dos autoproclamados "progressistas modernos" dos nossos tenebrosos dias que tentam a todo o custo impor socialmente as suas libertinas apologias, baseando-se no falso pretexto do "avanço civilizacional" (LER). Misturam o conceito do género, do feminismo, da sexualidade e da homossexualidade num mesmo cardápio de ideias. As quatro realidades são manifestamente dissociáveis e concomitantemente cognoscíveis. O género tem uma base biológica incontornável, reflectindo-se na forma peculiar de estar do homem e da mulher, razão pela qual ambos são diferentes em termos fisiológicos e iguais em dignidade por serem criados à imagem e semelhança do Eterno DEUS. O feminismo tradicional, defendido no século XIX por Elizabeth Cady Stanton e parcialmente por Simone de Beauvoir sobre a emancipação da Mulher, é totalmente legítimo e justo. Comungo dele, não obstante não perfilhar holisticamente do exacerbado feminismo apregoado nos dias de hoje nem do descabido machismo, visto que ambas as ideologias são redutoras na sua mundividência, pois exprimem apenas parcelarmente aquilo que é a verdadeira essência do ser humano na sua plenitude. Detesto o sexismo a todos os níveis. E mais, entendo que a defesa da liberdade e a afirmação do Principio da Igualdade entre o homem e a mulher deveria ser a causa de todos os comuns dos mortais, independentemente de outras realidades exteriores (LER). No entanto, esta luta não pode ser subvertida para dar lugar à imoralidade, tal como temos vindo toleradamente a assistir. A sexualidade é a consequência natural da diferenciação do género. Tanto que, por esta razão, os homens têm pénis e as mulheres a vagina, com todas as implicações antropológicas que isto representa, sobretudo na perpetuação da raça humana (LER). A homossexualidade é um desvio sexual extremamente preocupante. É uma adulteração da ordem natural de viver a sexualidade (ALI) e (AQUI). É, em suma, um atentado gravíssimo à continuação da raça humana (já se viram se essas aberrações comportamentais um dia triunfarem o que será da Humanidade?). Em vez do Homem procurar soluções viáveis para sanear, de forma definitiva, o cancro da homossexualidade está cada vez mais a promovê-la como sendo algo idóneo. São mesmo os sinais dos tempos, ou melhor, os dias do fim (LER)

Um Dia, Uma Fotografia


Nesta foto está bem ilustrada por que razão vou encarnando pontualmente a "veia proustiana" de nostalgia do regresso ao meu longínquo passado. Tal como escrevi aqui em tempos, o passado será sempre presente quando recordámo-lo, sobretudo aquele passado aprazível que encerra marcas indeléveis que jamais conseguiremos extinguir da comunhão da memória. Quando lembro da minha feliz e saudosa infância em Bissau desperta-me sempre um sentimento de gozo indescritível (LER). É como um verdadeiro regresso ao "espírito do tempo". Uma momentânea redenção soteriológica que inunda o meu pobre ser. 

Le Plus Important Est Toujours Aimer


O essencial é que a virtude do Amor esteja sempre presente no nosso relacionamento diário para com o próximo. O mais importante é sempre amar.  
O Importante é que a Virtude do Amor Esteja Sempre Presente nos Nossos Relacionamento para/com o Próximo 

O Ministério do Púlpito (6): Saber Discernir o Tempo


Estivemos no passado domingo a pregar no culto da manhã da nossa igreja, a Evangélica Baptista da Amadora. O título da mensagem foi "Saber Discernir o Tempo" (LER), tendo como texto de apoio Mateus 24:1-14. Este capítulo, segundo alguns reputados biblistas, é um dos mais difíceis de interpretar do Novo Testamento, tal como o livro de Apocalipse, visto que envolve complexos temas escatológicos. Mesmo assim, procurámos não entrar demasiadamente em especulações teológicas e atermo-nos apenas aos aspectos práticos de cada um dos versículos em apreço. 

Talvez o texto mais decisivo para compreendermos holisticamente toda a teologia por detrás das afirmações proféticas do Senhor Jesus Cristo foi o facto d`Ele ter livremente saído do templo (Mateus 24:1). Esta saída coincidiu com a Nova Aliança pré-estabelecida por DEUS, desde os primórdios do mundo, e revelado no Antigo Testamento. Por isso, não foi uma saída qualquer como Ele fez em outras ocasiões do Seu ministério terreno. O Filho do Homem retirou-se definitivamente do templo para nunca mais voltar a entrar nele. Abandonou-o triste com a adulteração do culto a que ele foi infelizmente reduzido pelas polutas autoridades judaicas, permitindo assim o sacrilégio dos vendilhões dentro dele (LER), somando a incredulidade do povo em relação à Sua pessoa, não obstante as inúmeras tentativas do Senhor Jesus em congregá-los como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas. No entanto, eles deliberadamente não quiseram (Mateus 23:37), confirmando-se as palavras do Evangelista João sobre o Messias que "veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (João 1:11). São factores determinantes que condicionaram esta inevitável saída do Filho de DEUS do templo, mormente a concretização plena do Seu Reino na Terra. Podemos extrair, de forma cristalina, esta conclusão nos últimos dois versículos do capítulo anterior que expressamente diz: "eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; porque eu vos digo que, desde agora, me não vereis mais" (Mateus 23:38-39). A Glória do Senhor foi-se embora do pomposo templo  (Marcos 13:1-2). O outrora espaço sagrado de "shekiná" ficou definitivamente desabitado pelo Eterno Jeová. Já não é mais a casa do Eterno DEUS, tal como inúmeras vezes foi apelidado nas Escrituras Sagradas, mas sim "a vossa casa", isto é, dos incrédulos judeus e as suas ímpias autoridades. Em consequência disso, o anátema templo foi completamente destruído nos anos 70 d. C pelo império romano. 

E tal como sustenta o agora emérito papa Bento XVI: "Jesus amara o templo como propriedade do Pai (cf. 2, 49) e comprazera-Se em ensinar nele. Defendera-o como casa de oração para todas as nações e tinha procurado prepará-lo para tal fim. Mas sabia também que o período desse templo terminara e que algo de novo chegaria, relacionado com a sua morte e ressurreição" (in Jesus de Nazaré [Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição], Principia, Cascais, p. 39, 2011).Com efeito, este algo novo é a instauração da "era dos gentios", que se traduz na universalidade do Evangelho para todos os povos à face da Terra e a inauguração espiritual do novo templo (não feito pelas mãos humanas) no coração dos eleitos filhos de DEUS. O judaísmo passaria assim para um estado de desuso religioso em detrimento da ascensão universal do Cristianismo. 

Os discípulos, de acordo com o texto sagrado, perguntaram-Lhe: "dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?" (Mateus 24:3). Fazia-lhes imensa confusão a sentença do Senhor Jesus sobre o templo, pois tal sentença advém da sequência imediata dos discípulos lhe chamarem a atenção para a beleza da construção do templo (Mateus 24:1). Extraímos aqui, nesta curiosidade dos discípulos, três importantíssimas perguntas feitas ao Senhor Jesus, diferentemente de alguns biblistas que têm outra leitura. A primeira pergunta prende-se com os acontecimentos anunciados por Jesus sobre a destruição do templo; a segunda que sinal haverá da Sua vinda e, a última, o tempo exacto do fim do mundo. Aliás, os discípulos voltaram a interrogá-Lo sobre esta mesma temática momentos antes da sua ascensão aos céus  (Actos 1: 6). Apesar de toda esta natural curiosidade humana sobre os arcanos ocultos, o Senhor Jesus não revelou com total precisão o dia e a hora em que Ele há-de vir  (Mateus 25:13), porque ninguém mesmo sabe: nem os anjos no céu, nem o Filho. Só o Pai é que conhece este recôndito mistério  (Mateus 24:36)

O Senhor Jesus sentado no Monte das Oliveiras com autoridade divina para ensinar, e não como a dos doutores da lei (Mateus 7:29), respondeu sabiamente às referidas questões com as seguintes advertências: "acautelai-vos, que ninguém vos engane" (Mateus 24:4). A constante vigilância espiritual é fundamental para o sucesso da vida Cristã. Ela é, sem margem para dúvida, o antídoto para discernirmos correctamente os pseudo-messias e concomitantemente saber compreender plenamente em que tempo estamos de facto a viver  (Mateus 24:42; Romanos 13:11), bem como detectar os dissimulados profetas. Isto porque surgirão falsos cristos e profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos de DEUS  (Mateus 24:24; Marcos 13:7; 22; 2 Tessalonicenses 2:9-11). E, de seguida, o palco será de guerras e rumores de guerras ao redor do mundo, máxime a implacável perseguição e o martírio dos Cristãos. Por aumentar, de forma galopante, a iniquidade o amor de muitos esfriará. Nesta altura inúmeras pessoas apostatarão a fé. A galopante traição, o ódio, a heresia, o escândalo, a falsidade, as guerras, serão comuns no seio dos seres humanos, inclusive dentro das igrejas. Podemos constatar essas inequívocas verdades na pandemia que o mal exercerá na vida das pessoas, através dos versículos 5, 10, 11 e 12 do mesmo capítulo. A palavra "muitos" vai-se repetindo seis vezes nos primeiros doze versículos, sempre com a conotação pejorativa, com intuito de dar ênfase as calamidades daqueles tenebrosos dias. Os autênticos Cristãos sentirão na pele o preço de ser o testemunho fiel do Senhor Jesus Cristo. Mesmo assim, a Igreja triunfará e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mateus 16:18 ; 2 Tessalonicenses 2:8)

O discurso escatológico do Senhor Jesus já se cumpriu parcialmente. Nos anos 70, tal como supra mencionado, Jerusalém foi conquistada pelos romanos, e, consequentemente, o templo profanado e destruído. Segundo o historiador judaico Flávio Josefo, mais de 1 100 000 pessoas perderam a vida com a estrondosa queda de Jerusalém. Outros historiadores entenderam que o número dos mortos é um pouco inferior relativamente ao que Josefo registou. De qualquer das maneiras, não deixa de ser uma autêntica carnificina. Por conseguinte, tudo isto configura apenas "o princípio das dores", que terá o seu ápice com o grande acontecimento da Segunda Vinda do Senhor Jesus e do fim do mundo. O cenário geral será tremendamente catastrófico. A Humanidade assistirá ainda aos piores horrores, que cairão sobre a face da Terra. A começar com fomes, pestes e terramotos em vários lugares (Mateus 24:7). As potências dos céus serão profundamente abaladas (Mateus 24:29). O livro de Apocalipse relata, com maior alcance prático-teológico, esta monstruosa situação, sendo óbvio que tudo procederá com a soberana permissão Divina. E se o Senhor não abreviasse aqueles dias, escrevia inspiradamente o Evangelista Marcos, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, que escolheu, abreviou aqueles dias (Marcos 13:20).  Neste cenário maquiavélico, da era dos gentios, próximo já do fim do mundo, coincidirá também com a predestinada salvação dos judeus, pois todo o Israel será salvo  (Romanos 11:26-27; Isaías 59:20-21). O povo hebreu acabará por converter-se ao Cristianismo e reconhecerá o Messias como "bendito o que vem em nome do Senhor" (Mateus 23:39). 

Uma outra pertinente questão que se levanta neste importante discurso escatológico prende-se, sobretudo, com a forma como vai acontecer a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo. Dito por outras palavras, quando e como será a volta do Messias? Poderá Ele, porventura, voltar a qualquer momento? Sobre estas difíceis perguntas, tem havido profundas divergências doutrinárias no meio dos teólogos de várias denominações dentro do Cristianismo. Uns entendem que o Senhor Jesus não pode voltar a qualquer momento, porque faltam ainda cumprir determinados sinais preditos nas Escrituras Sagradas, nomeadamente a pregação do Evangelho a todas as nações (Mateus 24:1-14; Marcos 13:10), os abalos dos céus (Mateus 24:29-30; Marcos 13:24-26; Lucas 21:25-27), o aparecimento visível do anticristo (1 João 2:18; 2Tessaloninceses 2:1-10), a grande tribulação (Mateus 24:15-22; Marcos 13:7-8; Lucas 21:20-24), a salvação de Israel (Romanos 11:12; 25-26). Outros, de forma peremptória, discordam deste entendimento, invocando que os referidos sinais já ocorreram, razão pela qual apelam aos crentes a permanente vigilância no sentido que o Senhor Jesus poderá voltar a qualquer momento. 

De facto, à luz das Escrituras Sagradas, há passagens bíblicas que concorrem para sustentar as duas posições em simultâneo. Como, então, harmonizar as duas apologias teológicas? Julgamos que, para um maior engajamento espiritual, devemos estar mentalizados todos os dias que o Senhor Jesus poderá voltar a qualquer momento. Ademais, somos inteiramente da opinião que dificilmente os crentes estarão completamente cientes da concretização plena dos eventos futuros que precederão a Segunda Vinda do Senhor Jesus, razão pela qual a nossa ignorância nesta matéria não invalida o regresso repentino do Filho do Homem. Desde logo, não se pode refugiar nos sinais supra invocados para objectar a vinda momentânea do Senhor Jesus, nomeadamente o facto do Evangelho ainda não ter sido pregado a todas as nações, uma vez que o Apóstolo Paulo vai ao ponto mesmo de sustentar que o referido Evangelho “já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade” (Colossenses 1:5-6). E no versículo 23 do mesmo capítulo foi ainda mais categórico em afirmar que o "evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda a criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro”. O caro leitor perguntar-se-á: como é possível o Evangelho já ter chegado a todo o mundo e a toda a criatura logo no início do primeiro século? A resposta prende-se com o facto dos céus manifestarem a glória de DEUS e o firmamento anunciar a obra das suas mãos, fazendo com que a sua proclamação chegasse até ao fim do mundo e a sua mensagem fosse ouvida nos confins da Terra (Salmos 19:1-4). É a própria revelação universal de DEUS que acaba por ser a portadora fiel do Evangelho para toda a criatura, razão pela qual os homens são manifestamente indesculpáveis diante do Todo-poderoso DEUS (Romanos 1:18-21)

A nossa segunda objecção em relação ao cepticismo sobre a ocorrência da grande tribulação, é entendermos que jamais conseguiremos conceber na íntegra a medida proporcional deste sinal. Descortinar as linhas divisoras entre a tribulação e a grande tribulação não é, de todo, tarefa de somenos. No entanto, não será grande tribulação a constante e feroz perseguição que a Igreja de Cristo tem sofrido ao longo dos tempos por parte de alguns imperadores romanos e, posteriormente, pela União Soviética, os países muçulmanos e a China? Como é que o leitor qualificaria esta implacável hostilização dos Cristãos, inclusive de um inúmero incontável que vão sendo martirizados todos os dias pelo seu nobre testemunho do Evangelho? 

Quanto aos abalos literais das potências dos céus temos, em abono da verdade, algumas dúvidas sobre a sua ocorrência. Com efeito, somos da opinião que este sinal não será obstáculo à vinda repentina do Senhor Jesus, no sentido que ele poderá possivelmente ocorrer num curto espaço do tempo da Segunda Vinda do Filho de DEUS. Chegámos a esta conclusão em analogia com a forma como os céus foram drasticamente afectados aquando da crucificação do Senhor Jesus. A partir do meio-dia, escrevia o evangelista Mateus, “toda a terra ficou na escuridão até às três horas da tarde (…) A terra tremeu a as rochas estalaram. Os túmulos abriram-se e muitos dos justos falecidos ressuscitaram. Saíram dos seus túmulos e, depois da ressurreição de Jesus, entraram na Cidade Santa, onde muita gente os viu” (Mateus 27:45; 51-53). Este abalo cósmico durou apenas três horas até à morte do Senhor Jesus. Por que razão, caro leitor, não podem os sinais assombrosos no céu durar igualmente pouco tempo de intervalo com a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo? Já parou para pensar nisso? 

Entrando no sinal concernente à manifestação visível do homem da iniquidade, o filho da perdição, o anticristo (1 João 2:18; 2 Tessalonicenses 2:1-10) – não temos margem para dúvidas que tem havido vários anticristos ao longo da História. No entanto, não são estes a que as passagens bíblicas especificamente se referem. É a rebelião em pessoa, o último e pior da série de anticristos, a besta relatada no capítulo treze do Apocalipse. Muitos distintos teólogos e Cristãos não hesitaram em considerar os antigos imperadores romanos, sobretudo Nero, Domiciano, como sendo autênticas figuras de anti-cristo, uma vez que autoproclamaram-se DEUS e exigiram culto aos seus súbditos. Outros julgaram que poderá ter sido Adolf Hitler, Joseph Stalin e até mesmo um dos papas da igreja católica, tendo em conta a perseguição que esta infringiu severamente aos Cristãos Evangélicos com a Reforma Protestante e a forma como o papa é venerado por muitos fiéis católicos, sem este pôr em causa tal flagrante idolatria. E a pertinente questão que se levanta é a seguinte: será, de facto, que uma dessas figuras poderá ser mesmo o anti-cristo? Eis o mistério que nos interpela. 

E, por fim, o sinal da salvação de Israel. Não entraremos nas várias especulações de que este sinal tem sido objecto pelos vários teólogos ao longo dos tempos, contudo comungamos inteiramente da opinião expressa nas Escrituras Sagradas que “todo Israel será salvo” (Romanos 11:26). E entendemos ainda este "todo Israel será salvo" como os eleitos judeus, que DEUS decretou soberanamente para a salvação – tanto os que foram salvos no passado como nos dias de hoje, ou os que vão sendo salvos depois da plenitude da "era dos gentios", que acima destacamos. Depois disso, o povo judeu reconhecerá definitivamente o Senhor Jesus como “bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mateus 23:39). E, assim, confirmar-se-ão as inspiradas palavras do Apóstolo Paulo sobre esta realidade: “se o pecado dos judeus foi para proveito do mundo e a sua perda serviu para riqueza dos outros povos, quanto maior não será a bênção de Deus quando os judeus se converterem” (Romanos 11:12). A expressão “todo Israel será salvo” não deve ser entendida literalmente, visto que “nem todos os descendentes de Israel são o povo de Israel. Nem todos os descendentes de Abraão são seus verdadeiros filhos (…) Quer isto dizer que não são filhos de Deus os que nascem segundo a natureza. Apenas os que nascem conforme a promessa de Deus é que são considerados como seus verdadeiros filhos (Romanos 9:6-8). É nesta óptica espiritual que se deve entender e encarar a expressão “todo Israel será salvo”, isto é, apenas os judeus que fazem parte da promessa de DEUS para a salvação. Isto porque muitos judeus não passam de filhos do diabo, estando ao serviço dele, tal como o Senhor Jesus vai intrepidamente denunciar (João 8:41-44). Em suma, não entendemos a frase “todo Israel será salvo” como sendo todas as pessoas eleitas para a salvação (judeus e os gentios), nem tão pouco uma conversão em massa dos judeus no futuro, tal como muitos teólogos acerrimamente alegam, mas sim como os judeus que o Eterno DEUS predestinou para a salvação – podem ser poucos ou muitos. Podem, igualmente, vir a converter em massa muitos judeus no futuro como poderão ser um número bastante reduzido. Tudo dependerá da eleição de DEUS para com este povo. Por isso, a nosso ver, julgamos que este sinal não deve servir de pretexto para concluirmos que ele ainda não se concretizou; e que o Senhor Jesus não poderá ainda vir a qualquer momento. É uma realidade que transcende os nossos horizontes de conhecimentos. 

Partindo dos argumentos e contra-argumentos expostos, reiteramos a nossa humilde convicção que a Segunda Vinda do Senhor Jesus poderá acontecer a qualquer momento, não somente alicerçamos em inúmeros textos sagrados que apontam nesse sentido, mas também porque “sabemos em que tempo estamos a viver. Sabemos que já são horas de despertarmos do sono. A nossa salvação está agora mais próxima do que na altura em que recebemos a fé. A noite já vai longa e o dia está próximo” (Romanos 13: 11-12). Portanto, “Saber Discernir o Tempo”, de acordo com a Santa Palavra de DEUS, é o melhor antídoto para se triunfar espiritualmente. E isto passa por nos consciencializarmos das oposições, lutas, tribulações, perseguições, inclusive mortes, que muitos de nós poderemos sofrer por amor ao Evangelho. Mesmo assim, tais forças do mal não poderão pôr em causa a nossa já garantida salvação, bem como obstaculizar a propagação do Evangelho até aos confins do mundo. Ele, o Evangelho, de acordo com a Santa Palavra de DEUS, será poderosamente "pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim" (Mateus 24:14). Louvado seja DEUS agora e para todo o sempre. Que assim seja. 

Consciência Missionária


A Grande Comissão é um dos imperativos mais importantes do ponto de vista eclesiástico. Ela concretiza-se nos sacramentos do Baptismo e na Ceia do Senhor  (Marcos 16:15-16; 1 Coríntios 11:23-26). Foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo para os seus discípulos, aquando da Sua gloriosa ascensão aos céus, para aumentar o número dos que vão sendo salvos  (Mateus 28:16-18; Actos 2:47). O foco principal da Igreja no mundo é fazer discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todos os cânones sagrados da Palavra de DEUS. 

Por isso, a fé Cristã é intrinsecamente missionária. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, há um certo tipo de indolência espiritual que mina cada vez mais as lideranças das igrejas e os crentes em particular, obstando a uma holística visão evangelizadora. No círculo Evangélico dito "tradicional" quase não se realizam missões, salvo algumas raras excepções, devido a um falso pretexto teológico de exacerbada ênfase na "graça irresistível" de DEUS. Uma interpretação extremamente abusiva das Sagradas Escrituras, estorvando assim o melhor avanço da Boa Nova da Salvação. No meio pentecostal e carismático vislumbra-se uma maior abertura e sensibilidade missionária. No entanto, em abono da verdade, muitas igrejas fazem-no de forma flagrantemente errada, devido à impreparação e apedeutismo teológico, somando ainda "os vendilhões do templo” (LER) que procuram tirar astutamente dividendos pessoais, enriquecendo inescrupulosamente à custa do Evangelho, despoletando, com o seu péssimo testemunho de vida, os maiores escândalos, que só envergonham o bom nome do Cristianismo. Todo este dilema consubstancia a profunda crise de fé em que estamos submergidos, ganhando cada vez mais contornos bastante preocupantes no impacto positivo do Evangelho no mundo. 

Há que admitir que muitos crentes e igrejas, no presente século mau em que vivemos, não estão comprometidos com a causa missionária. Não faz parte da sua agenda prioritária de vida. E para ludibriar o bom senso de alguns fiéis inconformados com a lamentável situação, lançam-se nas arengas tautológicas sobre missões que acabam por não ter quaisquer implicações e resultados espirituais. Temos, para vergonha nossa, mais teóricos de missões nas nossas congregações do que propriamente autênticos missionários devidamente comprometidos com a propagação do Evangelho e, consequentemente, salvação de almas perdidas para Cristo. 

O Senhor Jesus deu-nos um belo testemunho nesta imprescindível área da Igreja, "andando por todas as cidades e aldeias, ensinava nas sinagogas, anunciava a boa nova do reino de Deus" (Mateus 9:35). O Apóstolo Paulo, interiorizando bem esta grande verdade soteriológica, vai ao ponto de considerar "ai de mim se não anunciar a boa nova" (1 Coríntios 9:16). Foi por isso, na mesma esteira do pensamento, que os primeiros discípulos intensificaram fortemente os seus esforços missionários na propagação do Evangelho pelo mundo, honrando a sagrada missão que lhes foi outorgada pelo Senhor Jesus. Graças a DEUS, conseguimos, através do significativo esforço deles, beneficiar da preciosa Graça Redentora. Recai, da mesma sorte, sobre nós, a mesma responsabilidade de partilhá-la com o mundo perdido. Haverá consequências se negligentemente não o fizermos, tal como nos é requerido pelas Escrituras Sagradas, porque "este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei”(2 Reis 7:9 [LER]). Que assim seja.