Eu, Ivânia Mateus Tavares, cidadã portuguesa, de 21 anos de idade, portadora de licenciatura em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa com média final de 16 valores, venho por este meio solicitar a Galp admissão da minha candidatura para o estágio profissional. Este pedido deve-se, acima de tudo, ao facto de ver e reconhecer na Galp uma Empresa prestigiada que poderá enriquecer imenso o meu curriculum vitae e ajudar-me a ampliar de forma consistente os meus horizontes profissionais. Cheguei essa esclarecida conclusão porque o meu estimado Professor, o Catedrático Eduardo Paz Ferreira, recomendou-me vivamente a vossa instituição e deu-me a plena autorização de usar o seu nome nesta minha Carta de Motivação como sendo o responsável que indicou-me a vossa prestigiada Empresa. Ele, desde o início da licenciatura, acompanhou sempre o meu percurso académico, dando-me incondicional apoio para aplicar e continuar a tirar excelentes notas, tal como tenho feito, razão pela qual procuro sempre acolher de bom grado as suas sábias sugestões. Não tenho a margem de dúvidas que esta recomendação de tentar realizar um estágio na Galp seria a mais-valia no meu percurso profissional.         
Sou um pouco novinha, no entanto, já tive algumas formações na área do Direito Financeiro, nomeadamente no XV Curso Pôs-Graduação de Aperfeiçoamento em Direito do Consumo pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, XIV Curso de Pós-graduação de Especialização em Direito Fiscal 2016/2017, bem como a participação na 10º edição da Spring School da VdA e participação na 2º Edição Moot Court de Direito Administrativo, realizado pela Associação Académica da Faculdade de Direito, com apoio da Sociedade de Advogados Uría Menendez, ficando em 2º lugar. Nas referidas pós-graduações, destaquei sempre como uma das melhoras alunas do curso tendo em conta a ética do estudo e do trabalho, que os meus países sempre me incutiram desde a mais tenra idade.
Por isso, não somente é uma grande oportunidade poder fazer o estágio na vossa Empresa como também procurarei dar o máximo de mim para que sinta, de facto, que o investimento que vão fazer por mim não foi em vão. Prometo mesmo surpreender-vos pela positiva.
Ciente da atenção que este pedido certamente merecerá por parte da vossa Empresa, agradeço desde já a atenção dispensada e aguardo com muitas expectativas a vossa decisão final.

Cordialmente

Consciência Missionária


A Grande Comissão é um dos imperativos mais importantes do ponto de vista eclesiástico. Ela concretiza-se nos sacramentos do Baptismo e na Ceia do Senhor  (Marcos 16:15-16; 1 Coríntios 11:23-26). Foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo para os seus discípulos, aquando da Sua gloriosa ascensão aos céus, para aumentar o número dos que vão sendo salvos  (Mateus 28:16-18; Actos 2:47). O foco principal da Igreja no mundo é fazer discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todos os cânones sagrados da Palavra de DEUS. 

Por isso, a fé Cristã é intrinsecamente missionária. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, há um certo tipo de indolência espiritual que mina cada vez mais as lideranças das igrejas e os crentes em particular, obstando a uma holística visão evangelizadora. No círculo Evangélico dito "tradicional" quase não se realizam missões, salvo algumas raras excepções, devido a um falso pretexto teológico de exacerbada ênfase na "graça irresistível" de DEUS. Uma interpretação extremamente abusiva das Sagradas Escrituras, estorvando assim o melhor avanço da Boa Nova da Salvação. No meio pentecostal e carismático vislumbra-se uma maior abertura e sensibilidade missionária. No entanto, em abono da verdade, muitas igrejas fazem-no de forma flagrantemente errada, devido à impreparação e apedeutismo teológico, somando ainda "os vendilhões do templo” (LER) que procuram tirar astutamente dividendos pessoais, enriquecendo inescrupulosamente à custa do Evangelho, despoletando, com o seu péssimo testemunho de vida, os maiores escândalos, que só envergonham o bom nome do Cristianismo. Todo este dilema consubstancia a profunda crise de fé em que estamos submergidos, ganhando cada vez mais contornos bastante preocupantes no impacto positivo do Evangelho no mundo. 

Há que admitir que muitos crentes e igrejas, no presente século mau em que vivemos, não estão comprometidos com a causa missionária. Não faz parte da sua agenda prioritária de vida. E para ludibriar o bom senso de alguns fiéis inconformados com a lamentável situação, lançam-se nas arengas tautológicas sobre missões que acabam por não ter quaisquer implicações e resultados espirituais. Temos, para vergonha nossa, mais teóricos de missões nas nossas congregações do que propriamente autênticos missionários devidamente comprometidos com a propagação do Evangelho e, consequentemente, salvação de almas perdidas para Cristo. 

O Senhor Jesus deu-nos um belo testemunho nesta imprescindível área da Igreja, "andando por todas as cidades e aldeias, ensinava nas sinagogas, anunciava a boa nova do reino de Deus" (Mateus 9:35). O Apóstolo Paulo, interiorizando bem esta grande verdade soteriológica, vai ao ponto de considerar "ai de mim se não anunciar a boa nova" (1 Coríntios 9:16). Foi por isso, na mesma esteira do pensamento, que os primeiros discípulos intensificaram fortemente os seus esforços missionários na propagação do Evangelho pelo mundo, honrando a sagrada missão que lhes foi outorgada pelo Senhor Jesus. Graças a DEUS, conseguimos, através do significativo esforço deles, beneficiar da preciosa Graça Redentora. Recai, da mesma sorte, sobre nós, a mesma responsabilidade de partilhá-la com o mundo perdido. Haverá consequências se negligentemente não o fizermos, tal como nos é requerido pelas Escrituras Sagradas, porque "este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei”(2 Reis 7:9 [LER]). Que assim seja.  

Os Inimigos do Povo

Faz hoje precisamente 19 anos que alguns insubordinados militares guineenses, coadjuvados por politiqueiros que grassam na nossa praça pública (ndaures!), fizeram a sublevação militar que ceifou prematuramente a vida de inúmeras pessoas, deixando sequelas indeléveis no país que ainda hoje se repercutem negativamente na vida dos pobres guineenses. 7 de Junho de 1998 ficará definitivamente registado nos anais da História da Guiné-Bissau como uma data funesta, que contribuiu decisivamente para agravar o elevado índice de pobreza e de mortalidade que já vinham afectando drasticamente o nosso povo. 

Quero, do fundo do meu coração, prestar uma singela homenagem a todos os guineenses e não guineenses que tombaram nesta fratricida guerra, bem como aos que foram prejudicados por ela e continuam ainda hoje a carregar o enorme fardo dos seus efeitos colaterais. Quero, da mesma sorte, agradecer profundamente ao meu Eterno DEUS por me ter poupado a vida juntamente com toda a minha família. Ficámos em Bissau, a título de exemplo, nos momentos mais intensos e críticos da guerra, nomeadamente a violação do cessar-fogo de 31 de Janeiro do ano seguinte e posteriormente o massacre perpetrado deliberadamente no campo eclesiástico do CIFAB, que acolhia aproximadamente cinco mil pessoas, aquando da tomada de Bissau e o triunfo final dos rebeldes da Junta Militar sobre o governo. Foram lançadas ali quatro bombas, três delas caíram literalmente em cima dos inofensivos refugiados, matando um número bastante significativo de pessoas. Eu e parte considerável da minha família estávamos abrigados no referido local da Igreja Católica. Presenciámos todo este horror humano, para não falar de outras flagrantes situações em que nos encontrávamos mesmo perante "o vale da sombra da morte". Mesmo assim, pela maravilhosa graça de DEUS, nenhum mal nos aconteceu confirmando assim a célebre afirmação do salmista que "muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas" (Salmos 34:19). O SENHOR protegeu-nos e livrou-nos da morte certa que se teria abatido sobre nós no decorrer da guerra. Por isso, estou-Lhe penhoradamente grato por tudo o que fez por mim e pela minha família. Aleluia!

Um Dia, Uma Fotografia

(Os meus queridos sobrinhos, filhos do Evaristo Vieira (LER)  e da Marta Vieira, a celebrar, ontem, em Bissau, na escola em que estão inscritos, a festa do 1 de Junho. A princesinha desta primeira fotografia chama-se Ana Ester Gomes Vieira). 

(Filipe Gomes Vieira [o que está com a camisa de riscas vermelha, azul e branco à direita] "perdido" no meio dos colegas). 

(E, por fim, David Aleluia Gomes Vieira (VER) com a maninha Ana Ester).  

O Escriba Predestinado


Este pulo de publicar no Observador foi, de facto, um salto bastante inovador para um eremita como eu. Sinto-me, hoje, como quem "saiu do armário literário" (não costumo aventurar-me nestes efémeros mediatismo). Sempre resisti à tentação de demasiada exposição pública nos jornais desde que tenho vindo a escrever, mas desta vez cometi um deliberado "delito de opinião" e deixei-me seduzir intelectualmente para fora dos portões das "As Verdades". Ainda vou a tempo de me redimir e regressar, sem lesões psicossomáticas, ao meu discreto e aconchegado casulo de anonimato. 

O prolixo artigo enquadra-se no "Dia de África", que se celebra hoje. Procurei fazer um diagnóstico abrangente e apurado sobre a patente realidade política, económica e social do nosso famigerado Continente, através de um enquadramento histórico-sociológico para depois aferir na íntegra o âmago do problema e apresentar soluções exequíveis. Não me distanciei da posição que assumi nas recentes palestras em que fui convidado como perorador para falar da situação vigente em África. A primeira foi com o Núcleo de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (NEAFDUL) para abordar a "História e Cultura dos Países Africanos". A segunda foi na semana passada com a Comunidade Evangélica Guineense da Igreja de Benfica, em Lisboa, subordinada ao tema: "A Idolatria em África". Fui congruente em tudo aquilo que falei nas duas palestras. Não somente denunciei intrepidamente a "Herança de Injustiças" que se vive em África como procurei carregar as suas dores. Foi, por assim dizer, um misto de sentimentos que inundou o meu pobre coração. Não é tarefa fácil falar e escrever sobre África, tendo em conta as vicissitudes várias que encerra. É muito pano para mangas, tal como diz sabiamente o adágio popular. 

No entanto, como sustentei no artigo, não obstante os recuos que África experimentou durante a sua História de auto-determinação, a data de 25 de Maio de 1963 jamais será esquecida pelos nativos do Continente, porque contribuiu decisivamente para abolir, de forma definitiva, a marginalização e a escravatura que outrora marcaram profundamente a vida de milhões de africanos ao longo dos séculos. 

Sem entrar mais em prolegómenos, recomendo vivamente a leitura do artigo  (LER). Tenha um bom proveito. Obrigado. 

Um Dia, Uma Fotografia


O irénico Professor Marcelo Rebelo de Sousa (LER) no meio de alguns elementos do Núcleo de Estudantes Africanos da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (VER)A foto foi tirada no dia 24 de Maio de 2013. 

A PALAVRA DO SENHOR (10): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Ouça


«Com efeito, Deus manifesta a sua ira divina contra toda a impiedade e injustiça cometida por aqueles que, pela sua injustiça, não deixam que se conheça a verdade. Deus castiga-os porque eles conhecem bem aquilo que se pode conhecer a respeito de Deus. Pois também a eles Deus se deu a conhecer. De facto, desde a criação do mundo, Deus que é invisível mostrou claramente o seu poder eterno e a sua divindade nas suas obras. Por isso não têm desculpa. Eles sabiam que Deus existe mas não o adoraram nem lhe deram graças como é devido. Pelo contrário, os seus raciocínios tornaram-se vazios e os seus corações insensatos perderam-se na escuridão. Dizem-se sábios mas não têm juízo. Em vez de darem glória ao Deus imortal, adoraram imagens do homem mortal e até adoraram imagens de aves, serpentes e outros animais. 
Por isso Deus abandonou-os às paixões dos seus corações e caíram em ações vergonhosas desonrando os seus próprios corpos. Trocaram o verdadeiro conhecimento de Deus pela mentira. Adoraram e serviram coisas criadas em vez de adorarem e servirem o próprio Criador, ele que deve ser adorado eternamente! Ámen. 
Por isso Deus os abandonou às paixões vergonhosas. Até as mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza. Da mesma maneira, os homens deixaram as relações normais com a mulher para arderem de paixão uns pelos outros. Caíram em ações vergonhosas uns com os outros e eles mesmos receberam o castigo dos seus erros. 
Uma vez que não tiveram em consideração o conhecimento de Deus, o próprio Deus os abandonou ao seu entendimento corrompido para fazerem o que não deviam. Encheram-se de toda a espécie de injustiças, perversidades, ambições, maldades, invejas, crimes, desordens, mentiras, falsidades e calúnias. Tornaram-se maldizentes, inimigos de Deus, insolentes, orgulhosos, arrogantes, intriguistas, rebeldes para com os pais, sem consciência, desleais, sem amor e desumanos uns para com os outros. Eles sabem muito bem que é lei de Deus que todos os que vivem assim merecem a morte. E não só fazem tais coisas mas até aprovam os outros que fazem o mesmo.» 

(Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, Romanos 1:18-32, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004).

Cântico dos Degraus, do Rei Salomão


«Se não for o Senhor a edificar a casa,
em vão trabalham os construtores.
Se não for o Senhor a guardar a cidade,
em vão vigiam as sentinelas.
De nada vos serve trabalhar de sol a sol
e comer um pão ganho com tanta fadiga,
quando Deus é que dá a prosperidade aos seus fiéis. 

Os filhos são uma dádiva do Senhor,
eles são uma verdadeira bênção.
Os filhos nascidos na nossa juventude
são como flechas nas mãos dum guerreiro.
Feliz o homem que tem muitas dessas flechas!
Não será envergonhado pelos seus inimigos,
quando tiver de se defender diante dos juízes.» 

(in A Bíblia Sagrada, Salmo 127:1-5, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

Convívio de Despedida


Estivemos hoje a despedir-nos do nosso prezado Bruno Mendes (VER), que estará a viajar dentro de algumas horas para Itália. Foi um tempo agradável de comunhão, partilha e meditação na Palavra de DEUS. O irmão Rogério Bastos, além de conduzir-nos no estudo bíblico que fizemos antes de cearmos, foi quem nos brindou com um delicioso jantar de confraternização. Incidiu a sua meditação no Salmo 116:12-13, exortando sobre a importância de estarmos sempre no centro da vontade do Senhor. Durante o estudo aproveitámos ainda a ocasião para orar uns pelos outros, especialmente pelo viajante. 

Da minha parte, estimado irmão Bruno Mendes, renovo os votos que tenho vindo a fazer para que sejas bem-sucedido nesta nova empresa. Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam sempre contigo no teu percurso de vida (2 Coríntios 13:14)

Mais um Ano do Blogue


Este espaço completa hoje onze anos de existência. Agradecemos imensamente ao nosso Eterno DEUS pelo Seu Amor, Cuidado e Protecção, sobretudo por nos conferir a Graça de poder partilhar as nossas convicções politico-teológicas e, deste modo, dar a conhecer aos leitores a Boa Nova da Salvação. Estamos penhoradamente agradecidos e felizes por este nobre ministério que temos abraçado. Ebenézer! 

Um Dia, Uma Fotografia


O lindo Eddy e a linda Tina celebram hoje quatro anos de matrimónio. Prezados irmãos, do fundo do meu coração, faço votos que o vosso lar continue a superabundar de amor, harmonia, respeito, jóias preciosas (filhos) e ricas bênçãos celestiais. Muitos Parabéns. Que sejam, de facto, felizes para o resto da vossa vida.  

A Via-sacra da Vida Cristã, Pelo Pastor Manuel Alexandre Jr.


«Estamos a chegar a um ponto crítico de viragem na brevíssima história dos evangélicos em Portugal. Num tempo em que o cristianismo tão abismalmente se seculariza e o materialismo com maior força impera assumindo contornos de uma cristandade cada vez mais profana, os sinais dos tempos apontam para formas mais radicais de ecumenismo e liberalismo teológico. Lá vai o tempo em que devotada e reverentemente se cuidava dos mais sagrados princípios e valores da doutrina e da moral evangélica. Profanou-se de tal maneira o sagrado que até parece que é pecado uma pessoa bater-se pela causa da verdade e da justiça, proclamar a santidade da vida, tentar reabilitar os pilares fundamentais da ética cristã. 

A lúcida leitura da história e a consciente avaliação da realidade presente claramente nos mostram que é tempo de agir, seguindo e proclamando a verdade em amor, buscando, se necessário, vias alternativas de revitalização espiritual. Dói-me ver uma nova geração de crentes desmotivados, desencantados face ao panorama espiritual dos nossos dias. Uns, desligam-se do sistema e seguem a via mais fácil do conformismo. Já têm problemas que lhes baste na gestão do seu dia-a-dia tanto no seio da família, como no do trabalho e dos relacionamentos externos. Vão adoptando fórmulas de um cristianismo soft e descafeinado, cada vez menos comprometidos com a igreja e mais acomodados aos modelos profanos da contracultura do ‘presente século mau’. Outros, porventura desviados dos valores fundamentais da fé bíblica que um dia abraçaram, vão-se armando em livres-pensadores, enredados numa amálgama confusa de ideias que não raro os transvia pela vereda ideológica de um cinismo cáustico e muitas vezes induz a cometer o gravíssimo pecado de impiedade e sacrilégio. Outros ainda, por falta de exemplos motivadores, nunca chegaram a assimilar a essência da fé cristã, nutrindo-se de querelas e ressentimentos, e esgotando na maledicência as poucas energias espirituais que ainda têm, sem conseguirem sequer cultivar ou saborear a beleza e a doçura do amor, da bondade e da misericórdia. 

Felizes os santos de Deus que teimam em cultivar a vida cristã real, amando, servindo e adorando o seu Senhor, alimentados na sua caminhada espiritual por uma gratidão infinita ao Senhor Jesus por tão grande salvação; gratidão que lhes tempera a alma e permanentemente os motiva a amar, servir, abençoar e bendizer, até mesmo aqueles que os difamam, perseguem ou maltratam. 

A via-sacra da vida cristã é sempre uma via dolorosa, tal como foi a do Senhor Jesus. Mas é a única via em que o crente se realiza e prepara para o céu. Permaneçamos, pois, fiéis a Cristo e sua Palavra, não obstante as contradições e adversidades desta vida. Unamos as nossas forças espirituais para tornar bela e santa a sua igreja, colaborando nela com o Senhor Jesus para estabelecer na terra o seu reino de amor.». 

(Pensamento extraído no perfil do facebook da estimada irmã Maria José Alexandre [LER])

O Cristianismo e o Sofrimento



O Homem é um ser frágil no seu substrato. Tanto que, por esta razão, é susceptível às doenças, à dor, ao envelhecimento e à mortalidade. A sua constituição física e estrutura psicossomática estão condenadas à degeneração. Esta debilidade, no seu arcaboiço, deve-se à sentença que lhe foi imputada aquando da sua impoluta criação no jardim do Éden, tendo em conta as desastrosas consequências do "pecado original" (LER). A partir daí, no percurso do Homem, entraram todas as desgraças mundanais que vão culminando na sua funesta morte. Estes flagelos humano-naturais não estavam previstos no perfeito mundo em que ele vivia no início e, tão pouco, no seu ADN. Foi tudo acidental. Ele apenas fora criado para viver em plena felicidade e usufruir da agradável companhia do seu Criador. Por isso, nunca estará preparado para encarar o insucesso, a enfermidade, a desgraça, o sofrimento e a morte. Apenas conta com o estado de felicidade e idealiza-o em todos os ciclos e vertentes da sua momentânea vida. O que é completamente natural, visto que para isso fora criado. Acontece que, pelas razões sublinhadas, o outrora imaculado destino do Homem ficou obliterado por culpa superveniente do próprio, dando assim lugar à calamidade no mundo, isto é, a inimizade, a tragédia, o sofrimento e a morte passaram definitivamente a fazer parte do nosso quotidiano (LER)

Ora, tais calamitosas situações agravam-se consideravelmente quando se trata dos eleitos de DEUS. O Cristianismo é uma religião pautada pela renúncia, intensos combates espirituais e sofrimento para, deste modo, ganhar a imarcescível Coroa da Glória  (1 Pedro 5:4; 2 Timóteo 4:8). O símbolo dele é a Cruz e esta, em última instância, representa o sofrimento tal como foi o do Messias (ALI) e (AQUI). E quem quer ser fiel discípulo do Senhor Jesus deve, acima de tudo, estar preparado para carregar a sua Cruz e segui-Lo determinadamente até ao fim  (Mateus 16:24). A Fé bíblica e o sofrimento estão visceralmente ligados e completamente indissociáveis, pois somos chamados soberanamente para o sofrimento  (1 Tessalonicenses 3:3) [Ler] e também [AQUI]. Consciente desta grande e inequívoca verdade soteriológica, o Apóstolo Paulo vai ao ponto de vincar que "nós sentimos alegria nos nossos sofrimentos, porque o sofrimento produz a perseverança; a perseverança provoca a firmeza de caráter nas dificuldades e a firmeza produz a esperança. Esta esperança não nos engana, porque Deus encheu-nos o coração com o seu amor, por meio do Espírito Santo que é dom de Deus" (Romanos 5:3-5). 

O sofrimento, diferentemente de uma visão epicurista e mundana, é uma virtude Cristã. O sucesso de uma vida piedosa, bem-sucedida e feliz passa inevitavelmente por ele, caso contrário é tudo fachada religiosa que consubstancia "o evangelho da prosperidade", que não tem qualquer tipo de acolhimento nas Escrituras Sagradas. Isto não quer dizer que os Cristãos são masoquistas, tal como alguns indoutos e inconstantes distorcem para a sua própria condenação  (2 Pedro 3:16). É, simplesmente, demonstrar a identificação e comunhão plena do crente com a essência da mensagem do Evangelho, mormente "conhecer a Cristo e experimentar o poder da sua ressurreição, tomar parte nos seus sofrimentos, chegando a ser como ele na morte, com a esperança de alcançar a ressurreição de entre os mortos" (Filipenses 3:10-11). O sofrimento é um precioso instrumento que o nosso Eterno DEUS usa para moldar a vida dos seus eleitos, e deste modo prepará-los para entrar no Céu, como aconteceu com os heróis da fé (Hebreus 11:1-40). 

É verdade que há sofrimento resultante do pecado como tem acontecido ao longo da História do Cristianismo. Apesar disso, sabemos que, independentemente do pecado, o sofrimento é algo que faz parte da vida do crente. Ele é manifestamente inevitável e indispensável, porque "é preciso passar muitos sofrimentos até entrar no reino de Deus" (Actos 14:22). Razão pela qual não temos qualquer medo de sofrer e encarámo-lo com bastante fé e coragem, visto que maior é o que está em nós do que o que está no mundo e nas adversidades em particular  (1 João 4:4). Por isso, "sofremos em tudo dificuldades, mas não ficamos angustiados. Sentimos insegurança, mas não nos deixamos vencer. Perseguem-nos, mas não nos sentimos abandonados. Deitam-nos por terra, mas não nos destroem. Trazemos continuamente no nosso próprio corpo o sofrimento mortal de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nós" (2 Coríntios 4:8-10). 

O sofrimento, importa ainda frisar, não tem a palavra final na vida do crente. Os mensageiros de Satanás podem nos lançar vários "espinhos na carne", levando-nos inclusive a atravessar o "vale da sombra da morte", mas temos a certeza absoluta que o Todo-poderoso DEUS estará sempre connosco para nos auxiliar naquilo que eventualmente precisamos, porque "muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas" (Salmo 34:19). Somos mais que vencedores por Aquele que nos amou e "estamos certos de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8:38-39). É nesta inabalável certeza de fé que vivemos, todos os dias, aguardando, paciente e esperançosamente, a bendita Bem-aventurança eterna nos Céus  (Tito 2:13; Filipenses 3:20-21). Louvado seja DEUS agora e para todo o sempre! Que assim seja!

O Homem Também Chora. Chorar é Humano

Um Epílogo Sentimental de Quem Muito Sofre V


«O homem está na terra a cumprir duro serviço,
os seus dias são semelhantes aos de um assalariado.
Como um escravo, suspira pela sombra,
como um assalariado, anseia pela paga.
A sorte que me coube foram meses a esperar em vão,
o que me deram foram noites e noites de sofrimento.
Quando me deito, penso:
“Quando conseguirei levantar-me?”
A noite é longa e farto-me de dar voltas até de manhã.
O meu corpo está coberto de vermes e pó,
a minha pele, cheia de chagas purulentas.
Os meus dias passam mais rápidos que uma lançadeira
e chegam ao fim sem qualquer esperança. 

Lembra-te de que a minha vida é como o vento
e nunca mais voltarei a ver a felicidade.
Quem olhar para mim deixará de me ver,
porque o teu olhar caiu sobre mim e me aniquilou.
Como nuvem que se desfaz e desaparece,
também o que desce ao sepulcro não volta a subir.
Não regressa mais à sua casa
e a sua morada nunca mais o reconhecerá.
Por isso, não vou deixar de falar;
falarei da angústia que me oprime,
darei a conhecer a minha amargura.
Será que sou algum dos monstros marinhos,
para voltares contra mim o teu olhar?  
Ainda pensei que, se me deitasse, estaria sossegado,
que isso aliviaria as minhas queixas.
Mas tu aterrorizas-me com pesadelos,
fazes-me ver coisas que me metem medo,
de modo que eu preferia morrer estrangulado
a viver com este meu horrível esqueleto
Não posso viver para sempre;
deixa-me, que os meus dias não passam de uma ilusão!» 

(Queixa de Job a DEUS, in A Bíblia Sagrada, Job 7:16, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

A Aniversariante


A minha estimada irmã na Fé, Maria José Alexandre, faz anos hoje. Uma pessoa genuína, delicada e bastante fina no trato. Tem dedicado a sua vida à causa do Evangelho, servindo com amor e fervor a Igreja de Cristo e as pessoas. É neste quadro que nos conhecemos e consolidámos a nossa amizade ao longo dos anos. Sempre procurou inteirar-se da minha situação juntamente com o marido, o Pastor Manuel Alexandre Jr., bem como ajudar-me na medida do possível. Devo-lhes imensos favores, que jamais esquecerei. Não hesito mesmo em afirmar categoricamente que a família Alexandre foi um instrumento de DEUS para me abençoar. Por isso, estou-lhes bastante grato, tal como sublinhei aqui há quatro anos (LER). Espero um dia ter oportunidade de retribuir-lhes todo o bem que me têm feito. 

Prezada irmã Maria José Alexandre, desejo-lhe as maiores bênçãos e realizações a todos os níveis. Que o nosso Todo-poderoso DEUS continue a preservá-la com longa vida e saúde robusta para cuidar da sua amada família, bem como a Igreja de Cristo. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam sempre consigo agora e para todo o sempre. Feliz aniversário e eternas felicidades com o Salmo 23:1-6.

O Homem Também Chora. Chorar é Humano

O Aniversariante


O meu sobrinho Jorge Roberto Vieira comemora hoje quinze primaveras. Querido Jó, tal como o menino Jesus, que possas continuar a crescer em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens (Lucas 2:52). Muitos parabéns e feliz aniversário. 

Um Epílogo Sentimental de Quem Muito Sofre IV


«Aqui estou eu: Filosofia,
Medicina e Jurisprudência, (…)
Estudei a fundo, com paciência.
E reconheço, pobre diabo,
Que sei o mesmo, ao fim e ao cabo!
Chamam-me Mestre, Doutor, sei lá quê,
E há dez anos que o mundo me vê
Levando atrás de mim a eito
Fiéis discípulos a torto e a direito –
E afinal vejo: nosso saber é nada!
É de ficar com alma amargurada.
Sei mais, é claro, que todos os patetas,
Mestres, doutores, escribas e padrecas;
Nem escrúpulos nem dúvidas eu temo,
E não receio nem Inferno nem demo –
Mas não me resta réstia de alegria,
Nem me iludo com vã sabedoria,
Nem creio que tenha nada a ensinar
À humanidade, que a possa salvar.
Também não tenho bens nem capitais,
Nem glórias ou honras mundanais.
Até um cão desta vida fugia!
Por isso me entreguei à magia,
Para ver se por força da mente
Tanto mistério se abre à minha frente;
Para que não tenha, com o fel que suei,
De dizer mais aquilo que não sei;
Para conhecer os segredos que o mundo
Sustentam no seu âmago mais fundo,
Para intuir forças vivas, sementes,
E largar as palavras indigentes. 

Ah, visses tu, doce luar,
Envolver minha última dor!
Tu, que por noites adentro
Esperei a esta banca, atento:
Sobre a livralhada babilónica
Vinhas, amiga melancólica!
Ah, pudesse eu por esses cumes
Andar sob teus brandos lumes,
Pairar em grutas com seres alados,
Ao teu crepúsculo errar pelos prados,
E, livre das névoas do saber,
Em teu orvalho renascer!

Horror! Estou ainda encarcerado,
Neste maldito antro abafado.
Até a luz celestial
Se turva ao entrar pelo vitral!
Por pilhas de livros limitado,
Que o pó recobre e as traças roem,
E até ao tecto abobado
É só papel que fumos corroem;
À minha volta há caixas, redomas,
Instrumentos já não cabem mais,
Quinquilharias ancestrais –
É este o teu mundo! Um mundo lhe chamas! 

E ainda estranhas que o coração
No peito se te aperte angustiado?
E que uma dor assim sem razão
Da vida te traga apartado?
Em lugar da vida Natura,
Das criaturas por Deus criadas,
Cercam-te a podridão mais escura,
Bichos mortos e humanas ossadas.» 

(Johann W. Goethe, in Fausto, Relógio D'Água Editores, Lisboa, 2013, p. 45, 46). 

O Homem Também Chora. Chorar é Humano

Um Epílogo Sentimental de Quem Muito Sofre III


«Não sei o que quero ou o que não quero. Deixei de saber querer, de saber como se querer, de saber as emoções ou os pensamentos com que ordinariamente se conhece que estamos querendo, ou querendo querer. Não sei quem sou ou o que sou. Como alguém soterrado sob um muro que se desmoronasse, jazo sob a vacuidade tombada do universo inteiro. E assim vou, na esteira de mim mesmo, até que a noite entre e um pouco do afago de ser diferente ondule, como uma brisa, pelo começo da minha inconsciência de mim. (…) 

A tragédia principal da minha vida é, como todas as tragédias, uma ironia do Destino. Repugno a vida real como uma condenação; repugno o sonho como uma libertação ignóbil. Mas vivo o mais sórdido e o mais quotidiano da vida real; e vivo o mais intenso o mais constante do sonho. Sou como um escravo que se embebeda à sesta – duas misérias em um corpo só. (…) E assim arrasto, a fazer o que não quero, e a sonhar o que não posso ter, a minha vida, absurda como um relógio público parado.» 

(Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego, Assírio & Alvim, Lisboa, 2012, p. 177, 178, 179).