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Quem Pode o Mais Pode o Menos


A Igreja Católica está reiteradamente a surpreender pela negativa (LER). E esta nota para a recepção do capítulo VIII da exortação apostólica 'Amoris Laetitia' é o exemplo manifesto disso (LER). Como é que uma pessoa casada pode ser obrigada adoptar a continência sexual? Não faz qualquer tipo de sentido. É um autêntico paradoxo. O sexo está intrinsecamente ligado ao matrimónio. Mesmo o Apóstolo Paulo, um assumido defensor do celibato, vai ao ponto de aconselhar para que nenhum dos cônjuges negue o sexo ao outro, antes procedam com consentimento mútuo, "porque é melhor casar do que abrasar-se" (I Coríntios 7:2-9). Esta disposição do Cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai mesmo cair em desuso. Não tenho margem de dúvida disso.  

Os Dogmas Que Não Têm Acolhimento nas Escrituras Sagradas (II)


Acresce ainda o facto de, depois de Maria ter dado à luz Jesus Cristo em Belém de Judeia, o Evangelista Mateus usar a expressão seu “filho primogénito”, contrastando com o termo do filho “Unigénito de Deus” empregue por João 3:16 e em inúmeros outros trechos sagrados. Atentando no significado etimológico da palavra “primogénito”, concluir-se-á que difere do sentido e alcance com o de “Unigénito”. Dito de outra forma, a palavra "primogénito" advém de “que ou aquele que nasceu antes dos outros irmãos; filho mais velho”, ao passo que o “Unigénito” traduz "o Único gerado por seus pais; Filho único". Nas Escrituras Sagradas, o Senhor Jesus Cristo encarnou as duas denominações concomitantemente. O termo “Filho de Deus” tem quatro grandes significados bíblicos que, de forma elucidativa, procuraremos descortinar. 

Segundo o reputado Teólogo George Eldon Ladd, na sua afamada obra "Teologia do Novo Testamento", formalizou sabiamente que uma criatura de Deus pode ser denominada filho de Deus em um sentido nativista, em virtude de dever sua existência à atividade criativa imediata de Deus (Êxodo 4:22; Ml. 2:10; At. 17:28). Na segunda maneira, a expressão “filho de Deus” pode ser usada para descrever a relação que os homens podem manter com Deus como objetos peculiares de seu cuidado amoroso. Este é o uso moral-religioso e pode ser aplicado tanto às pessoas em geral como à nação de Israel (Êxodo 4:22; Jo. 3:3; 1:12; Rm. 8:14-19; Gl. 3:26; 4:5). Um terceiro significado é messiânico; o rei da linhagem de Davi é designado como filho de Deus (2 Sm. 7:14). Esse uso não envolve uma implicação necessária quanto à natureza divina do personagem messiânico; o termo refere-se à posição oficial de Messias. Um quarto significado é teológico. Na revelação contida no Novo Testamento e na teologia cristã que se desenvolveu posteriormente, a expressão “Filho de DEUS” veio a ter um significado mais elevado: Jesus é o Filho de Deus porque Ele é Deus e participa da natureza divina. O propósito do Evangelho de João é demonstrar que Jesus é tanto Cristo como o Filho de Deus, e fica claro, de uma análise do prólogo de João, que Jesus, como o Filho de Deus, o Logos, era pessoalmente preexistente; Ele próprio era Deus, e encarnou-se com o propósito de revelar Deus à humanidade (Rm. 8:3; Gl. 4:4; Hb. 4:14). 

Subscrevemos na íntegra esta tese defendida pelo conceituado teólogo canadiano. E salientamos ainda que, para efeitos de maior e melhor esclarecimento do assunto em apreço, em relação ao facto do Senhor Jesus Cristo ser o Filho Unigénito de DEUS revela a Sua eterna divindade como a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Aqui não se colocam grandes dificuldades de interpretação, nem tão pouco há divergência sobre isso. A querela doutrinária prende-se mais com a expressão “filho primogénito”, de Lucas 2:7, levando a Igreja Católica a entender que o primogénito não é necessariamente o primeiro duma série em sucessão. Por todos, o agora Papa Emérito Ratzinger vai ao ponto de sustentar que “o termo primogénito não alude a uma numeração em ato, mas indica uma qualidade teológica expressa nas mais antigas coleções de leis de Israel”. E, assim, enfatizando “que o conceito de primogenitura adquire uma dimensão cósmica: Cristo, o Filho encarnado, é por assim dizer, o primeiro de Deus e antecede toda a criatura, que está ordenada para Ele e a partir d´Ele”. Por isso, sumaria, “é também princípio e fim da nova criação, que teve início com a ressurreição” (Joseph Aloisius Ratzinger, in Jesus de Nazaré, Editora, Planeta, 2013). 

Não comungamos deste entendimento redutor do agora emérito Papa Bento XVI, não obstante algumas verdades parcelares que astutamente encerra. Julgamos que parte de uma pressuposição equivocada na sua construção teológica. O primogénito a que o Evangelista alude no texto sagrado é referente ao recém-nascido filho de Maria. Não hesitamos em admitir que a mesma expressão vai ganhando outros significados nas epístolas sagradas sobre o papel preponderante e determinante do Messias no processo da Criação e Salvação da Humanidade. Desde logo, o facto do Senhor Jesus Cristo ser “o primogénito entre muitos irmãos (Romanos 8:29)”, não somente consubstancia a Sua primazia na ordem da dignidade, mas Aquele que inaugura uma nova Humanidade – o primogénito de toda a criação. Ele é antes de todas as coisas e nele subsistem todas as coisas, e ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o Princípio, o primogénito dentre os mortos para que em todas as coisas tenha a primazia (Colossenses 1:17-18). É através Dele que herdamos a vida eterna, mediante o Seu sacrifício expiatório na Cruz do Calvário, ou seja, todos aqueles que no Baptismo morreram e ressuscitaram com Ele. 

Uma coisa é Jesus Cristo ser o nosso irmão mais velho pela Graça de DEUS. Outra coisa, e bem diferente, é Ele ser o "primogénito” de Maria e José. A Igreja Católica, refugiando-se no seu preconceito doutrinário, não quer reconhecer esta manifesta verdade, mesmo indo contra todas as evidências teológicas. Sabe que a partir do momento em que admitisse a união marital de Maria e José colocaria automaticamente em causa a divinização de Maria, apelidada nos documentos oficiais da Igreja ao longo dos séculos como sendo a "mãe de Deus Redentor”

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(O artigo em apreço terá continuidade nas próximas publicações, querendo DEUS). 

Os Dogmas que Não Têm Acolhimento nas Escrituras Sagradas (I)


A Igreja Católica Romana sempre surpreendeu teologicamente pela negativa. É uma instituição eclesiástica com profundos desvios doutrinários. Incorpora no seu âmago tremendas heresias, arrastando consigo milhões dos seus fiéis ao longo dos séculos para a cegueira espiritual. O exemplo manifesto disso prende-se sobretudo com a prática do culto mariano, a veneração dos santos, o baptismo das crianças, o ecumenismo teológico, a interpretação lato sensu das Escrituras Sagradas, a imposição do celibato ao clero, a inflexibilidade sobre o divórcio em caso de adultério (LER), a infalibilidade da autoridade papal e toda a capa no sentido de considerá-lo como o sumo representante de DEUS na Terra. Valeu-nos, felizmente, a intrépida correção dos Reformadores Protestantes para recolocar a Igreja no caminho certo da verdade soteriológica (LER). A intransigente apologética sobre a virgindade de Maria, superveniente ao nascimento do Senhor Jesus Cristo, bem como a sua divinização são dogmas que não têm qualquer tipo de suporte bíblico. E para o caro leitor entender melhor as duas ardilosas doutrinas da Igreja Católica, é preciso conhecer os pressupostos teológicos que caracterizam ambos, para assim chegar à verdade da Palavra de DEUS. Por isso, ater-nos-emos, em primeiro lugar, à temática da virgindade de Maria para depois abordar os raciocínios falazes sobre a sua divinização. 

A concepção do Senhor Jesus Cristo, tal como é unanimemente acolhido em várias denominações do Cristianismo, foi um acto miraculoso que não teve qualquer tipo de cobertura humana. Foi fruto da vontade soberana de DEUS para fazer cumprir o Seu eterno propósito salvífico para com a Humanidade, outrora decaída pelo pecado original de Adão e Eva. Ora, como ficou bem registado nos sinópticos, depois do Anjo Gabriel ter terminado a conversa com José, que estava tomado no seu profundo sonho, este "recebeu Maria por esposa; sem terem tido antes relações conjugais" (Mateus 1:24). Acontece que, por vicissitudes várias, depois do nascimento do Senhor Jesus Cristo não temos mais nenhuma passagem bíblica que sustente a continuidade da virgindade de Maria, antes pelo contrário, há indicações e relatos que nos mostram manifestamente que Maria se envolveu maritalmente com José, o seu marido, tendo em consequência disso outros tantos filhos e filhas.  O exemplo disto foi narrado pelos evangelistas Mateus e Marcos, ao referirem-se à incredulidade e concomitante admiração que Jesus suscitava perante a multidão aquando do seu regresso à cidade de Nazaré, levando-os a interrogar-se de forma surpreendente: "donde lhe vem a sabedoria e o poder de fazer milagres? Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria a sua mãe? E não são seus irmãos Tiago, José Simão e Judas? Não vivem cá também todas as suas irmãs? Donde lhe vem então tudo isto?" (Mateus 13:54-56; Marcos 6:2-3). São estes mesmos irmãos do Senhor Jesus, que ao aproximar-se a "Festa dos Tabernáculos" dos judeus, "não criam nele" (João 7:5). Com efeitoao ressuscitar dos mortos os tais, juntamente com os Seus discípulos e algumas mulheres, entre as quais a Sua própria mãe, acabaram finalmente por crer Nele, “preservando unânimes em oração e súplicas” (Actos 1:14). O Apóstolo Paulo, volvidos três anos da sua milagrosa conversão no caminho de Damasco e consolidado três anos nas regiões das Arábias, voltou a Jerusalém tendo apenas a oportunidade de se cruzar com o Apóstolo Pedro e também "Tiago, o irmão do Senhor" (Gálatas 1:17-19). 

Pese embora a divergência doutrinária entre os exegetas Católicos e Protestantes, levando aqueles a considerar que "os seus irmãos e suas irmãs” não são de facto irmãos verdadeiros do Senhor Jesus, isto é, “irmãos de sangue” mas sim aquilo que podemos denominar "meios-irmãos" ou, caso prefiram a expressão comummente usada na nossa sociedade, de "primos-irmãos". Cingindo-se à linha condutora da interpretação dos versículos em apreço, a fundamentação dos biblistas Católicos não corresponde à mínima verdade, por razões muito simples: desde logo, a multidão começa por mencionar os pais terrenos do Senhor Jesus, o carpinteiro José e Maria, aludindo depois aos seus irmãos e irmãs. Ou seja, vimos aqui o desvelo da multidão a dar primazia à família mais directa de Jesus – que traduz o grau de parentesco mais próximo, começando com a linha recta para depois entrar na primeira linha colateral. Se de facto estes "seus irmãos e suas irmãs” fossem mesmo primos-irmãos de Jesus, tal como sustentam os teólogos Católicos, obviamente que a multidão teria igualmente o cuidado de enumerar também os seus tios e suas tias como fizeram questão com os primos-irmãos, se verdadeiramente considerarmos que estes assim o são, uma vez que deveriam viver outrossim estas pessoas na mesma localidade de Nazaré. Falando a multidão do pai e da mãe de Jesus para depois saltar e referir unicamente os seus primos-irmãos sem, no entanto, fazer qualquer tipo de menção aos seus tios e tias não tem qualquer tipo de lógica e coerência interpretativa. Afirmamos isto porque, objectivamente, os tios e tias de Jesus são mais próximos Dele em termos de parentesco do que propriamente os seus primos-irmãos. Porque razão então a multidão relevaria os primos-irmãos do Senhor Jesus Cristo em detrimento dos seus tios e tias? Logicamente, não faz qualquer tipo de sentido a multidão omitir a primeira linha colateral do Senhor Jesus, dando primazia à segunda linha colateral. Isto somente reforça a convicção que sempre perfilhamos de que realmente “os seus irmãos e "suas irmãs” são mesmo irmãos de sangue do Senhor Jesus e não "primos irmãos", tal como erradamente faz crer debalde a Igreja Católica Romana. 

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(O artigo em apreço terá continuidade nas próximas publicações). 

A Doutrina (2): O Pecado Original de Santo Agostinho


«A própria união conjugal que se realiza em conformidade com os preceitos das leis matrimoniais[1] para gerar filhos, não procura, embora seja lícita e honesta, um quarto afastado e sem testemunhas? Um cônjuge, antes de começar as carícias ao outro cônjuge, não despede todos os seus familiares e até os próprios paraninfos e todos os que qualquer parentesco autorizava a estarem presentes? É certo que, como diz o maior orador romano, como alguém lhe chamou, todos os actos legítimos pretendem realizar-se em plena luz, isto é, pretendem ser conhecidos; mas este acto tão legitimamente realizado, embora aspire a ser conhecido, envergonha-se, todavia, se for contemplado.» 



(Santo Agostinho, in “A Cidade de Deus [Volume II]”, p. 1293, 1294, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2011). 

[1] A frase matrimonialium praescripta tabularum (preceitos das «tábuas» matrimoniais), bem como a referencia à procriação de filhos, constituem uma clara alusão à Lei das doze tábuas que impunha ao marido a declaração perante o censor de que contraía casamento liberum quaesendum causa para ter filhos).