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O Vaticano: Uma Vergonha Para o Cristianismo


O Vaticano é uma instituição eclesiástica com profundos desvios doutrinários. Incorpora no seu seio tremendas heresias que não têm qualquer tipo de suporte bíblico, arrastando consigo milhões dos seus fiéis ao longo dos séculos. O exemplo manifesto disso prende-se sobretudo com a prática do culto mariano, a veneração dos santos, o baptismo das crianças, o ecumenismo teológico, a interpretação lato sensu sobre a inerrância da revelação bíblica, a imposição do celibato ao clero, a inflexibilidade sobre o divórcio em caso de adultério (LER), o dogma da infalibilidade papal e toda a capa no sentido de o considerar como sendo representante máximo de DEUS na Terra. Valeu-nos a intrépida correção dos Reformadores Protestantes para recolocar-nos holisticamente no caminho certo da verdade soteriológica (LER)

A última toada vinda do Vaticano, dando conta que o Papa estendeu a todos os padres o poder de perdoar abortos (ALI AQUI), é o exemplo manifesto do profundo desvio doutrinário da Igreja Católica. Tanto o Papa, bispos, sacerdotes, freiras, missionários e todos os cristãos, ninguém tem a prerrogativa de perdoar os pecados cometidos contra o corpo, a natureza e a Trindade. A única pessoa que dispõe desse poder absoluto é DEUS. O Senhor Jesus, na sua encarnação, perdoou os pecados porque Ele é DEUS. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, o Vaticano sempre se arrogou de bom anfitrião espiritual, baseando-se numa errada interpretação da afirmação de Jesus ao Apóstolo Pedro em Mateus 16:13-20, usurpando assim poderes que as Escrituras Sagradas não lhe conferem. 

E mais, não há nenhuma novidade no facto de o Papa ter autorizado os padres a absolver as mulheres que se arrependeram de terem praticado o aborto, antes pelo contrário é motivo de tamanha preocupação para quem conhece as Escrituras Sagradas. Digo isto porque esta decisão põe em causa, de forma flagrante, o Sacerdócio Universal dos crentes (1 Pedro 2:5; 2:9; Apocalipse 1:6; 5:9-10). Todos os Cristãos têm acesso livre e directo ao Trono Celestial de DEUS, sem necessitarem de intermediários humanos para que tal aconteça (Efésios 3:11-12; Romanos 5:2). A mesma realidade aplica-se, igualmente, na confissão dos pecados. Qualquer pessoa, seja qual for a sua condição ou cadastro social, pode recorrer unilateralmente a DEUS o perdão dos seus pecados, uma vez que um coração quebrantado e contrito ELE jamais desprezará (Salmo 51:17). Acresce ainda o facto que, aos olhos de DEUS, todos os pecados são perdoados aos homens, excepto a blasfémia contra o Espírito Santo (Mateus 12:31-32; Marcos 3:28-30; Lucas 12:10). E este pecado apenas será cometido por aqueles que não herdarão a vida Eterna. Do resto, todos os outros pecados, independentemente da sua natureza, gravidade ou monstruosidade, o sangue do Senhor Jesus tem poder para os purificar (Salmo 32:5; Hebreus 10:18). 

É verdade que o aborto é um autêntico crime. É tirar a vida de um inocente que merecia sobreviver. Não há justificações "plausíveis" a que se possa recorrer para fazer valer tão vil desumanidade (LER). Mesmo assim, ele é perdoado pelo nosso Amoroso DEUS, tal como os pecados da pedofilia, homossexualidade, roubo, infidelidade, mentira, assassinato, idolatria, corrupção, adultério, ateísmo, agnosticismo, matricida, patricida, fratricida, soberba, chulos, lenocínio, terrorismo, injustiças, ofensas e todos os restantes pecados que não foram enumerados, contando que haja apenas um genuíno arrependimento e conversão a DEUS por parte do pecador, mostrando pelo seu comportamento que está de facto arrependido (Actos 26:20)

A virtude do perdão é um dos excelsos atributos comunicáveis de DEUS, razão pela qual está encerrada na Oração do Pai Nosso (LER) e em inúmeras outras passagens bíblicas. Somos encorajados a perdoar sempre o nosso próximo como DEUS nos perdoou e continua a perdoar (Mateus 6:12; 18:21-23). Tal significa, em termos objectivos, que o perdão deve ser ilimitado, pois DEUS faz exactamente isso connosco (1 João 1:9). O nosso perdão não pode extravasar o seu domínio próprio, isto é, somente podemos perdoar aqueles que nos ofendem e não assumir o protagonismo de perdoar os que pecam contra DEUS como os Papas arbitrariamente costumam fazer. 

Por isso, atendendo à verdade exposta, é completamente inoportuno este propalado anúncio do Vaticano. O Papa Francisco já nos deu a conhecer a sua verdadeira faceta pontifícia. É um calculista irenista, que se desdobra em desvelos alimentados por uma mercenária ânsia de legitimação popular. Uma vergonha para o Cristianismo, bem como o Vaticano. Resta-me, como Cristão, suplicar a DEUS para perdoá-lo juntamente com os seus correligionários da instituição que lidera, porque não sabem o que fazem. 

A Doutrina (4): O Pecado Original de Santo Agostinho


«É por isso que até os filósofos que mais perto estiveram da verdade reconheceram que a ira e a voluptuosidade (libido) são as partes viciosas da alma pois se lançam em agitada desordem mesmo para actos que a sabedoria não permite que se realizem – e por isso precisam de ser dirigidas pela mente e pela razão. (…) É isto o que causa vergonha; e isto que, corando perante os olhares dos espectadores, se procura evitar. O homem suporta mais facilmente uma multidão de espectadores, quando injustificadamente se irrita contra o homem, do que o olhar de um só quando mesmo licitamente se une a sua mulher.» 

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(Santo Agostinho, in A Cidade de Deus [Volume II], p. 1295 e 1296, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2011). 

A Doutrina (2): O Pecado Original de Santo Agostinho


«A própria união conjugal que se realiza em conformidade com os preceitos das leis matrimoniais[1] para gerar filhos, não procura, embora seja lícita e honesta, um quarto afastado e sem testemunhas? Um cônjuge, antes de começar as carícias ao outro cônjuge, não despede todos os seus familiares e até os próprios paraninfos e todos os que qualquer parentesco autorizava a estarem presentes? É certo que, como diz o maior orador romano, como alguém lhe chamou, todos os actos legítimos pretendem realizar-se em plena luz, isto é, pretendem ser conhecidos; mas este acto tão legitimamente realizado, embora aspire a ser conhecido, envergonha-se, todavia, se for contemplado.» 



(Santo Agostinho, in “A Cidade de Deus [Volume II]”, p. 1293, 1294, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2011). 

[1] A frase matrimonialium praescripta tabularum (preceitos das «tábuas» matrimoniais), bem como a referencia à procriação de filhos, constituem uma clara alusão à Lei das doze tábuas que impunha ao marido a declaração perante o censor de que contraía casamento liberum quaesendum causa para ter filhos).

A Doutrina (1): O Pecado Original de Santo Agostinho


«No próprio acto levado a cabo sob o impulso da referida paixão (libido), não só em certas desonestidades em que se procuram lugares escondidos para se evitar a justiça humana, mas também no trato com meretrizes (torpeza que a cidade terrena tornou lícita), embora se faça o que nenhuma lei desta cidade pune, todavia, mesmo a paixão (libido) permitida e impune evita os olhares públicos e, por vergonha natural, os próprios lupanares estão providos de lugares secretos. Pôde assim a impudicícia desfazer-se mais facilmente das peias proibitórias do que o impudor suprimir os covis desta vergonha. Os próprios libertinos chamam a isto torpeza e, embora se lhe entreguem, não se atrevem a fazê-lo ostensivamente.» 

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(Santo Agostinho, in A Cidade de Deus [Volume II], Fundação Calouste Gulbenkian, 2011, p. 1293). 

Os Vendilhões do Templo


O Cristianismo coevo vive uma das suas piores crises existenciais – tanto a nível interno como externo. Aqui nada que se surpreende. O mundo, desde os primórdios, foi sempre um lugar tenebroso e de asquerosas práticas contra DEUS, a natureza, o corpo e o próximo (LER). Ali que esta realidade não deveria, em circunstância alguma, suceder e tão-pouco ser tolerada. A Igreja de Cristo não é um sítio de estimular expectativas mundanas ou de locupletação, tal como tem sido sistematicamente usada ao longo dos séculos. Ela é a Casa de Adoração para anunciar todo o Plano de DEUS (Actos 20:27). Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, esta inequívoca verdade soteriológica não tem tido um acolhimento favorável em muitos círculos Cristãos, devido a ganância desenfreada de certos camuflados líderes e pastores. 

O que temos estado a assistir hoje no seio do Cristianismo é uma autêntica aberração e completa adulteração do real ensino das Escrituras Sagradas. Um escândalo espiritual sem precedentes. A Igreja é usada como antro de promiscuidade, convertendo-se em auto-promoções, tráfico de influências, conluios, rivalidades, represálias, desvios de fundos, enriquecimentos ilícitos, imoralidade sexual e corrupção. Ela tornou-se num mercantilismo de ilusões onde os valores materialistas e o evangelho da prosperidade são enfatizados e explorados até à exaustão, em detrimento da genuína conversão e santidade da vida Cristã. Não há apelo para o sincero arrependimento e consequente transformação do carácter interior, que envolve um compromisso sério com os impolutos mandamentos bíblicos, mas sim uma valorização do "aparecer" do que propriamente o importante "ser". Sob a falsa capa do amor Cristão encobrem e legitimam tremendos pecados... Qualquer pessoa que entrasse na Igreja e aparentemente se assumisse como um crente no Senhor Jesus, não importa quão carnalmente viva no seu dia-a-dia, é logo tido como um precioso irmão, contando que pactue depois com artimanhas fraudulentas e caprichos egocêntricos dos presunçosos líderes e pastores. E, assim, a Casa de DEUS é transformada descaradamente num espaço de futrica e caverna de ladrões. 

Astutamente estes prepotentes líderes e pastores apresentam-se disfarçados em ovelhas, mas por dentro não passam de patronos de fraude e lobos devoradores (Mateus 7:15). Disseminam sorrateiramente falsas doutrinas dentro das congregações, arrastando consigo os inúmeros discípulos, com o intuito de destruir em última instância a Igreja de Cristo (Actos 20: 29-30). São pessoas de "mentes corrompidas e que andam longe da verdade. Têm a religião como um negócio e fonte de lucro”, escrevia o Apóstolo Paulo a seu respeito (1 Timóteo 6:5). O Santo Pedro, seguindo a mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de considerá-los "atrevidos e arrogantes. Encontram prazer em satisfazer as suas paixões em pleno dia. Os seus olhares são imorais e os seus apetites sensuais, insaciáveis. Seduzem as pessoas menos firmes e estão cheios de cobiça. É uma gente amaldiçoada. Afastaram-se do bom caminho e perderam-se” (2 Pedro 2:10; 13-14). Leitura igualmente reforçada por Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, lamentando o comportamento deles em tom reprovador "ai deles”, traçando o seu destino final como "reservada a sombria escuridão, para sempre" (Judas 1:11; 13). 

Tal como os fariseus e doutores da lei se apoderavam da chave do conhecimento religioso, não tomando posse da vida eterna, impedindo deliberadamente os que gostariam de o fazer (Lucas 11:52), assim também estes falsos líderes e pastores lidam com as pessoas que desconhecem a Palavra de DEUS. Em consequência disso, "fecham-lhes na cara a porta do reino dos céus” (Mateus 23:13). São pessoas sem escrúpulos e autênticos malfeitores. Aproveitam-se das suas posições privilegiadas dentro das congregações para sedimentar e propagar heresias destruidoras de vidas humanas. Com as suas acções vergonhosas descredibilizam a imaculada imagem do Evangelho aos olhos do mundo. Estão inteiramente desprovidos da piedade Cristã. Somente se movem por motivos interesseiros, gerando danos imprevisíveis do ponto de vista espiritual. Usam a religião apenas para satisfazer as suas concupiscências, profanando assim o Santuário do SENHOR. 

Esta trapaça, felizmente, não vai demorar por muito tempo. Logo, a seguir, virá o dono da Igreja, o Senhor Jesus Cristo, que ajustará contas com os detestáveis hereges. Tal como ELE foi manifestamente intransigente contra os abusos cometidos no Templo, expulsando os que lá vendiam e compravam, purificando-o totalmente do sacrilégio (João 2:13-17; Mateus 21:12-17; Lucas 19:45-48), da mesma sorte expulsará os actuais e fututos vendilhões do templo para o castigo eterno que lhes é reservado (Mateus 7:21-23). Foram demasiadamente injustos com DEUS e, por isso, terão a justa paga das suas abomináveis injustiças (2 Pedro 2:12-13).  

O Papa Ecuménico


Logo que chegou ao píncaro do Vaticano Jorge Mario Bergoglio despertou-me uma atenção muito especial, por causa do seu desprendimento materialista e indiscutível sensibilidade humano-social, somando a inexcedível postura de simplicidade que ostenta como pessoa. Apesar da minha rígida concepção Evangélico-protestante passei benevolentemente a olhar à Igreja Católica com elevada expectativa, no sentido que a nova liderança expurgasse a série de heresias que foram desnecessariamente introduzidas no seu seio ao longo dos séculos, tal como oportunamente manifestei na altura (LER). Afinal de contas tinha resvalado, sem dar conta disso, numa fanfarra de ilusão. Rapidamente o Papa Francisco passou para um figurino de imprevisibilidade, numa debalde tentativa soteriológica de atrair a ala outrora proscrita da koinonia da igreja, pregando subtilmente o ecumenismo bíblico. Em consequência disso, a sã doutrina foi manifestamente postergada em detrimento dos interesses e lobbies poderosos. O recente sínodo dos bispos no Vaticano, máxime o ponto concernente à comunhão dos homossexuais na igreja (LER), a interpretação lato sensu sobre a inerrância da revelação bíblica (LER) são alguns exemplos ilustrativos das manobras perigosas que este papa tem vindo a enveredar sorrateiramente. 

Com o pontificado de Joseph Ratzinger sabíamos perfeitamente com o que podíamos contar, diferentemente do Papa Francisco que é ambivalente e imprevisível em tudo quanto faz. Aquele jamais teria hesitado ao ponto de abrir um debate sobre a homossexualidade no Vaticano e, muito menos, desdobrar-se em desvelos alimentados por uma mercenária ânsia de legitimação secular. O velho intelectual bávaro personificava tudo de bom que o papado representa em termos dogmáticos, inclusive na sua peculiar forma de estar e relacionar com os fiéis. Um homem invulgarmente articulado e irredutível nas suas convicções doutrinárias: humilde, discreto, intrépido, verve e carismático. Teólogo de reconhecido mérito internacional, que não se verga às pressões e expectativas mundanas. Aversivo à corrente do racionalismo e liberalismo teológico que mina, de forma galopante, o catolicismo. Debatia intransigentemente na defesa dos grandes Princípios e Valores Cristãos, que fez dele um papa controverso (LER). Manteve-se neste registo "polémico" até à sua abrupta e incompreensível resignação no ano passado (LER) e (AQUI). Refugia-se, agora, numa austeridade espiritual, aguardando, com sentido do dever cumprido, a sua hora de partida para o além. 

O Papa Francisco além de ser um fervoroso irenista é também demasiado amigo do mundo, ignorando o preceito sagrado que se alguém quer ser amigo do mundo torna-se automaticamente inimigo de Deus (Tiago 4:4). Por ser tanto amigo do mundo despoletou a simpatia e o consenso generalizado em torno da sua pessoa ao ponto de lhe ser outorgado, no ano passado, o prémio da figura do ano pela revista Time (LER) e revista gay The Advocate (LER)

Ora, sabemos que nada disto coaduna com a Palavra de DEUS, mormente para um arauto do Evangelho. "Ai de vós, quando todos vos louvarem”, advertia peremptoriamente o Senhor Jesus no Sermão do Monte (Lucas 6:26). Tanto os Profetas do Antigo Testamento, os grandes Heróis da Fé, o próprio Senhor Jesus Cristo, os santos Apóstolos e demais servos de DEUS ao longo da História, nunca tiveram aceitação. As suas pregações não geraram anuência perante os seus ouvintes, antes pelo contrário, foram motivos de hostilidade e chacota. É justamente por esta razão, que alguns deles sofreram escárnio, foram vergastados, atados e postos na cadeia, apedrejados, serrados ao meio e mortos à espada. O mundo não era digno deles (Hebreus 11:33-39). Isto para concluir de forma categórica que a mensagem do Evangelho não é de consenso, mas sim de completa ruptura; ruptura com a velha natureza, com o pecado e com tudo que obsta à genuína conversão. 

Ademais os Cristãos não foram chamados a conformar com o curso tenebroso deste "presente século mau", porém transformá-lo com a renovação viva da Palavra de Deus (Romanos 12:2). Quando estes imperativos bíblicos são postos em causa, consubstancia abertamente uma fraude espiritual e um péssimo augúrio para aqueles que se auto-intitulam filhos de DEUS. Por isso, urge o papa Francisco reconsiderar seriamente a sua posição doutrinária e ajustá-la aos impolutos cânones sagrados com vista a salvar a si próprio e consequentemente a Igreja Católica. 

A Persistência no Erro


A Igreja Católica Romana sempre surpreendeu teologicamente pela negativa. E a apologética sobre a virgindade de Maria, ulterior ao nascimento do Senhor Jesus Cristo, é o exemplo manifesto da heresia predominante no seio do catolicismo. A concepção de Jesus Cristo foi um acto miraculoso que não teve qualquer tipo de cobertura humana. Foi, isso sim, fruto da vontade soberana de DEUS para fazer cumprir o Seu Eterno propósito salvífico para com a Humanidade outrora decaída pelo pecado original de Adão e Eva. 

Ora, como ficou registado nos sinópticos, depois do Anjo Gabriel ter terminado a conversa com José, que estava tomado no profundo sonho, este “recebeu Maria por esposa; sem terem tido antes relações conjugais” (Mateus 1:24). Acontece que, em abono da verdade, depois do nascimento do Senhor Jesus Cristo não temos mais nenhuma passagem bíblica que sustenta a continuidade da virgindade de Maria, antes pelo contrário, há indicações e relatos que nos mostram que Maria envolveu-se maritalmente com José, o seu marido, tendo inclusive outros tantos filhos e filhas. O exemplo disto foi narrado pelos evangelistas Mateus e Marcos ao referirem-se à incredulidade e concomitante admiração que Jesus suscitava perante a multidão aquando do seu regresso à cidade de Nazaré, levando-os a interrogarem-se de forma surpreendente: “donde lhe vem a sabedoria e o poder de fazer milagres? Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria a sua mãe? E não são seus irmãos Tiago, José Simão e Judas? Não vivem cá também todas as suas irmãs? Donde lhe vem então tudo isto?” (Mateus 13:54-56; Marcos 6:2-3). 

São estes mesmos irmãos do Senhor Jesus, que ao aproximar-se a "Festa dos Tabernáculos" dos judeus, "não criam nele" a priori (João 7:5), contudo ao ressuscitar dos mortos os tais juntamente com os Seus discípulos e algumas mulheres, entre as quais a Sua própria mãe, acabaram finalmente por crer Nele, “preservando unânimes em oração” (Actos 1:14). O Apóstolo Paulo, volvidos três anos da sua conversão nas regiões das Arábias e Damasco, voltou a Jerusalém tendo apenas a oportunidade de se cruzar com o Apóstolo Pedro e também "Tiago, o irmão do Senhor" (Gálatas 1:17-19). Pese embora a divergência doutrinária entre os teólogos Católicos e Protestantes, levando aqueles a considerar que “os seus irmãos e suas irmãs” não são de facto irmãos verdadeiros de Jesus, isto é, “irmãos de sangue”, mas sim aquilo que podemos chamar "meios-irmãos" ou, caso preferirem a expressão comumente usada, de "primos-irmãos". Cingindo à linha condutora da interpretação dos versículos em apreço, a fundamentação dos biblistas Católicos não corresponde à mínima verdade, por razões muito simples: em primeiro lugar, a multidão começa por falar dos pais terrenos de Jesus, o carpinteiro José e Maria, falando depois dos seus irmãos e suas irmãs. Ou seja, vimos aqui o cuidado especial da multidão a dar primazia à família mais directa de Jesus – que traduz o grau de parentesco mais próximo, começando com a linha recta para depois entrar na primeira linha colateral. Se de facto estes “seus irmãos e suas irmãs” fossem mesmo primos-irmãos de Jesus, tal como alegam os teólogos Católicos, obviamente que a multidão teria igualmente o cuidado de enumerar também os seus tios e suas tias como fizeram questão com os primos-irmãos, se verdadeiramente considerarmos que estes assim o são, uma vez que deveriam viver também estas pessoas na mesma localidade de Nazaré. Falando a multidão do pai e da mãe de Jesus para depois saltar e falar dos seus primos-irmãos sem, no entanto, fazer qualquer tipo de referência aos seus tios e tias, a nosso ver, não tem qualquer tipo de lógica e coerência interpretativa. 

E mais, os tios e tias de Jesus são mais próximos Dele em termos de parentesco do que propriamente os seus primos-irmãos. Porque razão a multidão relevará os primos-irmãos do Senhor Jesus Cristo em detrimento dos seus tios e tias? Objectivamente não faz qualquer tipo de sentido a multidão omitir a primeira linha colateral do Senhor Jesus, dando contraditoriamente primazia à segunda linha colateral. Isto somente reforça a convicção que sempre perfilhamos de que, realmente, “os seus irmãos e “suas irmãs” são mesmo germanos do Senhor Jesus. 

Acresce ainda o facto de, depois de Maria ter dado à luz Jesus Cristo em Belém de Judeia, o Evangelista Mateus usa a expressão seu “filho primogénito”, contrastando com o termo do filho “Unigénito de Deus” empregue por João 3:16 e em inúmeros outros trechos sagrados. Atentando no significado etimológico da palavra “primogénito” tem-se por certo que difere no sentido e alcance com o de “Unigénito”. Dito de outra forma, a palavra "primogénito" advém de “que ou aquele que nasceu antes dos outros irmãos; filho mais velho”, ao passo que o “Unigénito” traduz "o Único gerado por seus pais; Filho único". Nas Escrituras Sagradas, o Senhor Jesus Cristo encarnou as duas denominações em simultâneo. O termo “Filho de Deus” tem quatros grandes significados bíblicos, que não interessa estar agora a descortinar. Em relação ao facto do Senhor Jesus Cristo ser o Filho Unigénito de DEUS, revela a Sua eterna divindade como a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Aqui não se colocam grandes dificuldades de interpretações, nem tão pouco há divergência doutrinária sobre isso. A querela doutrinária prende-se mais com a expressão “filho primogénito” de Lucas 2:7, levando os católicos a entender que o primogénito não é necessariamente o primeiro duma série em sucessão. Por todos, o agora Papa Emérito Joseph Aloisius Ratzinger, vai ao ponto de sustentar que “o termo primogénito não alude a uma numeração em ato, mas indica uma qualidade teológica expressa nas mais antigas coleções de leis de Israel. E, assim, enfatizando “que o conceito de primogenitura adquire uma dimensão cósmica: Cristo, o Filho encarnado, é por assim dizer, o primeiro de Deus e antecede toda a criatura, que está ordenada para Ele e a partir d´Ele”. Por isso, sumaria, “é também princípio e fim da nova criação, que teve início com a ressurreição” (in Jesus de Nazaré, Editora, Planeta, 2013). 

Não comungamos deste entendimento redutor do Papa Emérito Bento XVI, não obstante algumas verdades que astutamente encerra. Julgamos que parte de um pressuposto errado na sua construção dogmática. O primogénito a que o Evangelista alude no texto sagrado é referente ao recém-nascido filho de Maria. Não hesitamos em admitir que a mesma expressão vai ganhando contornos mais abrangentes e esclarecedores nas epístolas paulinas sobre o papel determinante do Messias no processo da Criação e Salvação da Humanidade. Desde logo, o facto do Senhor Jesus Cristo ser “o primogénito entre muitos irmãos (Romanos 8:29)”, não somente consubstancia a Sua primazia na ordem da dignidade, mas Aquele que inaugura uma nova Humanidade – o primogénito de toda a criação. Ele é antes de todas as coisas e nele subsistem todas as coisas, e ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogénito dentre os mortos para que em todas as coisas tenha a primazia (Colossenses 1:17-18). É através Dele que herdamos a vida eterna, mediante o Seu sacrifício expiatório na cruz do Calvário – todos aqueles que, no Batismo, morreram e ressuscitaram com Ele. 

Uma coisa é Jesus Cristo ser o nosso irmão mais velho pela Graça de DEUS. Outra coisa, e bem diferente, é Ele ser o "primogénito” de Maria e José. A igreja católica, refugiando-se no seu preconceito doutrinário, não quer reconhecer esta manifesta verdade, mesmo indo contra todas as evidências teológicas. Sabe que a partir do momento em que admitisse a união marital de Maria e José colocaria automaticamente em causa a divinização dogmática de Maria, apelidada como sendo a verdadeira “mãe de Deus Redentor”, tal como foi doutrinalmente acolhido e legitimado nos concílios da igreja ao longo dos séculos. 

O Senhor Jesus Cristo, em suma, não foi O único filho de Maria e José como O foi em relação a DEUS Pai, diferentemente da equivocada tese teológica que a Igreja Católica procura defender a todo custo, mas sim primogénito entre muitos irmãos, visto que José e Maria se envolveram conjugalmente depois do nascimento de Jesus e tiveram filhos e filhas, como ficou bem patente e demonstrado nos Evangelhos, Actos dos Apóstolos e nas epístolas paulinas. 

Considerando os argumentos expostos, perguntamos: como é possível a Igreja Católica continuar ainda a negar esta grande verdade e persistir teimosamente no erro? Se Maria teve outros filhos e filhas como já ficou biblicamente provado, e pelos vistos não da mesma forma como foi em relação a Jesus Cristo, como é que ela poderá permanecer virgem tendo-se envolvido com José seu marido? Caso para dizer que a Igreja Católica continua fiel a si mesma, ignorando sempre a maioria das revelações Bíblicas, não obstante as evidências teológicas claras em sentido contrário.