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Os Abusos Sexuais na Igreja Católica Romana


Não fiquei nada surpreendido com a estimativa avassaladora avançada pela Comissão Independente criada para averiguar os abusos sexuais cometidos na Igreja Católica Portuguesa (LER). Estes números de abusos sexuais eram de esperar. Eles retratam parcialmente aquilo que tem sido a obstrução deliberada a que a Igreja Católica Romana tem sido negligentemente votada ao longo dos séculos. A Igreja Católica Romana, para tristeza nossa, é um antro de aglomeração de pedófilos, homossexuais, tarados sexuais e abusadores. E tudo isto acaba por ter influências extremamente nefastas na dinâmica ministerial da igreja e na forma como lida com os seus membros, sobretudo com as crianças. 

Os abusos são completamente condenados na Bíblia Sagrada. Toda a Doutrina Bíblica é manifestamente contra os abusos. Nenhum tipo de abuso tem amparo na Palavra de DEUS. A coação, o abuso, a violação, a violência, o suicídio e homicídio são do Diabo e dos seus agentes espalhados pelo mundo fora. O nosso Todo-Poderoso não coage ninguém a fazer nada contra a sua livre vontade. Por isso, nenhum Cristão pode ser abusador ou compactuar com o abuso seja de criança ou adulto. Todo o abuso é profundamente contrário aos postulados Cristãos: há uma incompatibilidade axiológica e teológica entre Cristianismo e abuso – nenhum Cristão mesmo pode ser abusador e nenhum abusador se pode dizer Cristão. O abuso sexual desconfigura, atrofia a personalidade, deixa marcas indeléveis na alma, retira a felicidade e, em última instância, mata a vítima. É um dos cancros da pós-modernidade, abarcando todas as esferas da nossa moribunda sociedade (LER).  

Abusos Sexuais na Igreja


 Não fiquei nada surpreendido com a estimativa avassaladora avançada hoje pela Comissão Independente criada para averiguar os abusos sexuais cometidos na igreja católica portuguesa. Estes números de abusos sexuais eram de esperar. Eles retratam parcialmente aquilo que tem sido a obstrução deliberada a que a Igreja Católica Romana tem sido negligentemente votada ao longo dos séculos. Não se podia esperar outra coisa. É a realidade nua e crua da miséria espiritual que reina no seio do Vaticano, repercutindo negativamente nas elites da igreja católica espalhadas pelo mundo. A Igreja Católica Romana, para tristeza nossa, é um antro de aglomeração de pedófilos, homossexuais, tarados sexuais e abusadores. E tudo isto acaba por ter influências extremamente nefastas na dinâmica ministerial da igreja e na forma como lida com os seus membros, sobretudo com as crianças. 

Não comungo literalmente da opinião das pessoas que atribuem os abusos sexuais cometidos pelos padres à imposição do celibato ao clero. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ser obrigado a viver em abstinência sexual não se traduz literalmente em ser pedófilo ou tarado sexual e, muito menos, abusador. Os padres que não têm o dom do celibato normalmente refreiam os seus ímpetos sexuais com a masturbação ou, em determinados casos, recorrem às mulheres da má vida. Há muitos padres assim, infelizmente, que vivem uma vida paralela, porque não têm a permissão do Vaticano para desposarem, preferindo viver na clandestinidade. Outra coisa, e bem diferente, são os padres pedófilos e homossexuais que continuam secretamente no “armário”, usando depois a sua posição privilegiada dentro da igreja para cometerem abusos sexuais contra os menores. 

É verdade que há também padres heterossexuais que acabam por enveredar deliberadamente por caminhos de homossexualidade e pedofilia, molestando as pessoas vulneráveis que estão à sua disposição. Só que, em abono da verdade, estes casos são inferiores comparativamente com os padres que são pedófilos e homossexuais. Mesmo assim, as duas flagrantes situações são comportamentos aberrantes e de repudiar. O abuso sexual, a prática da pedofilia e da homossexualidade são manifestamente condenadas e não têm qualquer tipo de acolhimento nas Escrituras Sagradas, especialmente o hediondo abuso contra as inofensivas criancinhas. Nenhum autêntico Cristão pode compactuar com tais hediondos crimes, sob pena de ser cúmplice no pecado da promiscuidade sexual. E a Igreja Católica Romana sabe muito bem desta grande verdade bíblica. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, faz vista grossa para continuar a perpetuar os abusos contra os menores. 

Encontro, a meu ver, duas explicações para a prática reiterada de abusos sexuais na Igreja Católica Romana e o seu deliberado encobrimento pelas lideranças. A primeira explicação prende-se com a afamada revolução sexual dos anos sessenta do século passado (promiscuidade sexual, bem entendido), encabeçada particularmente pelos jacobinos, que teve como apologia viver a sexualidade de forma desapegada, descomprometida e despida de todo o pudor ou tradicionalismo que, até então, estava profundamente enraizado nas sociedades. Em consequência disso, nesta patente devassidão, começou-se a legitimar socialmente o uso desenfreado de métodos contraceptivos, o consumo da pornografia, a defesa da ideologia de género e da homossexualidade, a despenalização e legalização do aborto, etc. Esta libertinagem, no que toca ao sexo e à sexualidade, acabou por arrastar fortemente a Igreja Católica Romana, atraindo para o seu seio seminaristas homossexuais, pedófilos e pessoas frigidas que não estavam de todo comprometidas com a causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Essas pessoas fizeram careira na igreja, passando posteriormente a ocupar posições de relevo na hierarquia do Vaticano como oficiais, padres, bispos e cardeais. São estes tarados que abusam impunemente de menores, contando com o beneplácito dos seus superiores para o encobrir tais monstruosos crimes. 

A segunda explicação tem a ver com o Segredo Pontifício da Santa Sé – que só há três anos foi revogado para os casos de abuso sexual pelo Papa Francisco (LER)O Segredo Pontifício, segundo Vatican New, “é um segredo que é imposto aos destinatários em assuntos de particular gravidade. O mesmo não surge por simples omissão ou negligencia, pelo contrário, através do segredo se pretende proteger uma instituição, respeitar a intimidade das pessoas, manter a autonomia da Igreja Católica, facilitar o normal funcionamento das instituições ou o bem comum” (LER)E a questão que se coloca é a seguinte: como é que se pode guardar um gravíssimo pecado que destrói vidas e concomitantemente afecta a reputação da Igreja? Obviamente que não se pode encobrir pecados que poem em causa o bom nome da Igreja e a incorruptibilidade da mensagem do Evangelho. 

Desde o antigo Direito Romano que havia um entendimento assente que qualquer sigilo cessava automaticamente quando envolvia a prática de um crime, sob pena de se ser cúmplice com o criminoso. O referido postulado recebeu um acolhimento amplamente favorável nas Escrituras Sagradas, com ênfase mais acentuado no Novo Testamento e nas sociedades democráticas. O Vaticano, para ocultar muitas das suas misérias espirituais, refugia-se no Direito Canónico para esconder os incontáveis abusos sexuais a que as inofensivas crianças e mulheres são submetidos nos orfanatos católicos ao longo dos anos. Os pedófilos ditos Cristãos e abusadores em geral não devem apenas ser julgados pela Igreja, mas também pelos tribunais civis. Este entendimento não entra em contradição com a orientação bíblica. Acredito piamente que há muita boa gente que oculta os abusos sexuais com o intuito de “proteger” a Igreja das bocas do mundo. Só que essas pessoas inocentemente estão mais a prejudicar a Igreja com o seu encobrimento do que propriamente a defendê-la, visto que “nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia”, exortava peremptoriamente o Senhor Jesus Cristo (Mc 4:22). 

Os abusos são completamente condenados na Bíblia Sagrada. Toda a doutrina bíblica é manifestamente contra os abusos. Nenhum tipo de abuso tem amparo na Palavra de DEUS. A coação, o abuso, a violência, o suicídio e homicídio são do Diabo e dos seus agentes espalhados pelo mundo fora. O nosso Todo-Poderoso não coage ninguém a fazer nada contra a sua livre vontade. Por isso, nenhum cristão pode ser abusador ou compactuar com o abuso seja de criança ou adulto. Todo o abuso é profundamente contrário aos postulados Cristãos: há uma incompatibilidade axiológica e teológica entre Cristianismo e abuso – nenhum cristão pode ser abusador e nenhum abusador se pode dizer cristão. O mais grave ainda é abusar das pobres e inofensivas criancinhas, submetendo-lhes forçosamente a prática sexual. Isto é um cúmulo de depravação que ultrapassa o limite do bom senso e da razoabilidade. Ultrapassa a decência e a dignidade. Ultrapassa a moral e os bons costumes. Ultrapassa, acima de tudo, os valores do humanismo e da humanidade. É estragar a vida da criança que ainda não viveu, condicionando significativamente a sua forma de encarar o sexo e a sexualidade na idade adulta. O abuso sexual desconfigura, atrofia a personalidade, deixa marcas indeléveis na alma, retira a felicidade e, em última instância, mata a vítima. É um dos cancros da pós-modernidade, abarcando todas as esferas da nossa moribunda sociedade. 

No entanto, o abuso sexual não deveria existir no seio da Igreja ou ser perpetrado contra as criancinhas, principalmente por pessoas que têm o dever moral e espiritual de cuidar de vidas que procuram o refúgio na Igreja. As crianças são parte integrante do Reino de DEUS. Por esta razão, o Reino de DEUS é dos que são como crianças, enfatizava o Senhor Jesus Cristo (Mt 19:14-15. Abusar de uma criança na Igreja é declarar abertamente guerra ao Senhor Jesus Cristo, o dono da Igreja, e com todas as implicações espirituais que isto representa para o infractor. E a liderança da Igreja Católica sabe muito bem deste primado bíblico. Com efeito, não o toma em consideração porque está comprometida com uma outra agenda que não a da Palavra de DEUS. Infelizmente. 

Em suma, sabemos de acordo com o ensino do Senhor Jesus Cristo que não se pode evitar que haja ocasiões de pecado, “mas ai de quem for responsável por elas! Seria melhor para essa pessoa ser atirada ao mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço, do que ela fazer cair em pecado um destes pequeninos” (Lc 17:1-2). Que DEUS nos perdoe e nos livre de infringir este preceito sagrado. Que assim seja. 

O Vaticano e os Abusos Sexuais


Nada de especial nesta nova disposição do Papa Francisco sobre os abusos sexuais (LER). Desde o antigo Direito Romano que havia um entendimento claro que qualquer sigilo cessava automaticamente quando envolvia a prática do crime, sob pena de ser cúmplice com o criminoso. O referido postulado recebeu um acolhimento amplamente favorável nas Escrituras Sagradas, com ênfase mais acentuada no Novo Testamento, e nas sociedades democráticas. O Vaticano para ocultar muitas das suas misérias espirituais refugia-se no Direito Canónico para esconder os incontáveis abusos sexuais que as inofensivas crianças e mulheres são submetidas nos orfanatos católicos ao longo dos anos. Os pedófilos ditos Cristãos e abusadores em geral não devem apenas ser julgados pela Igreja, mas também pelos tribunais civis. Este entendimento não entra em contradição com a orientação bíblica. 

A Problemática Teológico-Doutrinária Sobre a Permanente Virgindade de Maria: Argumentos e Contra-argumentos


A Igreja Católica Romana sempre surpreendeu teologicamente pela negativa. É uma instituição eclesiástica com profundíssimos desvios doutrinários. Incorpora no seu âmago tremendas heresias, arrastando consigo milhões dos seus fiéis ao longo dos séculos para o obscurantismo espiritual. O exemplo manifesto disso prende-se sobretudo com a prática do culto mariano, a veneração dos santos, o baptismo das crianças, o ecumenismo e liberalismo teológico, a interpretação lato sensu das Escrituras Sagradas, a imposição do celibato ao clero, a inflexibilidade sobre o divórcio em caso de adultério (LER), a infalibilidade da autoridade papal e toda a capa no sentido de considerá-lo hereticamente como o sumo representante de DEUS na Terra. 

Valeu-nos, felizmente, a intrépida correção dos Reformadores Protestantes para recolocar a Igreja no caminho certo da verdade salvífica (LER). A intransigente apologia sobre a permanente virgindade de Maria, superveniente ao nascimento do Senhor Jesus Cristo, bem como a sua divinização são dogmas que não têm qualquer tipo de suporte bíblico. E para o caro leitor entender melhor as duas ardilosas doutrinas da Igreja Católica Romana, é preciso conhecer os pressupostos teológicos que caracterizam ambas, para assim chegar à verdade da Palavra de DEUS. Por isso, ater-nos-emos, em primeiro lugar, à temática da permanente virgindade de Maria para depois abordar os raciocínios falazes sobre a sua divinização. 

A concepção do Senhor Jesus Cristo, tal como é unanimemente acolhido em todas as denominações Cristãs, foi um acto miraculoso que não teve qualquer tipo de participação humana. Foi exclusivamente fruto da vontade soberana de DEUS para fazer cumprir o Seu soberano propósito salvífico para com a Humanidade outrora decaída pelo pecado original de Adão e Eva (Genesis 3:1-15). Ora, como ficou bem registado nos evangelhos sinópticos, depois do anjo Gabriel ter terminado a conversa com José, que estava tomado no seu profundo sonho, este “recebeu Maria por esposa; sem terem tido antes relações conjugais” (Mateus 1:24). Acontece que, por vicissitudes várias, depois do nascimento do Senhor Jesus Cristo, não temos mais nenhuma passagem bíblica que sustente a continuidade da virgindade de Maria, antes pelo contrário, há indicações e relatos claros que nos mostram que Maria se envolveu maritalmente com José, o seu marido, tendo em consequência disso outros tantos filhos e filhas.  O exemplo manifesto disso foi narrado por Mateus e Marcos ao referirem-se à incredulidade e, simultaneamente, admiração que o Senhor Jesus suscitava perante a multidão aquando do seu regresso à cidade de Nazaré, levando-o a interrogar-se de forma surpreendente: “donde lhe vem a sabedoria e o poder de fazer milagres? Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria a sua mãe? E não são seus irmãos Tiago, José Simão e Judas? Não vivem cá também todas as suas irmãs? Donde lhe vem então tudo isto?” (Mateus 13:54-56; Marcos 6:2-3). São estes mesmos irmãos do Senhor Jesus, que ao aproximar-se a “Festa dos Tabernáculos” dos judeus, “não criam nele” (João 7:5). Os tais, ao ressuscitar dos mortos, juntamente com os Seus discípulos e algumas mulheres, acabaram finalmente por crer Nele “preservando unânimes em oração e súplicas” (Actos 1:14). O “abortivo” Apóstolo Paulo, volvidos três anos da sua milagrosa conversão no caminho de Damasco e consolidado três anos nas regiões das arábias, voltou a Jerusalém, tendo apenas a oportunidade de se cruzar com o Apóstolo Pedro e também “Tiago, o irmão do Senhor” (Gálatas 1:17-19). 

Pese embora a divergência doutrinária entre os teólogos católicos e protestantes, levando aqueles a considerar que “os seus irmãos e suas irmãs” não são de facto irmãos verdadeiros do Senhor Jesus, isto é, irmãos de sangue, mas sim aquilo a que podemos denominar “primos-irmãos”. Cingindo-se à linha condutora da interpretação dos versículos em apreço, a fundamentação dos biblistas Católicos não corresponde à mínima verdade, por razões muito simples: desde logo, a multidão começa por mencionar os pais terrenos do Senhor Jesus, o carpinteiro José e Maria, aludindo depois aos seus irmãos e irmãs. Ou seja, vimos aqui o cuidado especial da multidão a dar primazia à família mais directa do Senhor Jesus, que traduzia o grau de parentesco mais próximo, começando com a linha recta para depois entrar na primeira linha colateral. Se de facto estes “seus irmãos e suas irmãs” fossem mesmo primos-irmãos do Senhor Jesus, tal como sustentam os teólogos Católicos, obviamente que a multidão teria igualmente o cuidado de enumerar também os seus tios e tias, como fizeram questão com os primos-irmãos, se verdadeiramente considerarmos que estes assim o são, uma vez que deveriam viver outrossim estas pessoas na mesma localidade de Nazaré. Falando à multidão do pai e da mãe do Senhor Jesus para depois saltar e referir unicamente os seus primos-irmãos sem, no entanto, fazer qualquer tipo de menção aos seus tios e tias não tem qualquer tipo de lógica e coerência interpretativa. Afirmamos isto porque, objectivamente, os tios e tias do Senhor Jesus, são mais próximos Dele em termos de parentesco do que propriamente os seus primos-irmãos. Por que razão, então, a multidão relevaria os primos-irmãos do Senhor Jesus Cristo em detrimento dos seus tios e tias? Logicamente não faz qualquer tipo de sentido a multidão omitir a primeira linha colateral do Senhor Jesus, dando primazia à segunda linha colateral. Isto somente reforça a convicção que sempre perfilhámos de que realmente “os seus irmãos e suas irmãs” são mesmo irmãos de sangue do Senhor Jesus e não meros “primos irmãos”, tal como equivocadamente faz crer a Igreja Católica Romana. 

Acresce ainda o facto de, depois de Maria ter dado à luz ao Senhor Jesus Cristo em Belém de Judeia, o Evangelista Mateus e Lucas usaram a expressão seu “filho primogénito” (Mateus 1:25; Lucas 2:7), contrastando com o termo do filho “Unigénito de Deus” empregue em João 3:16 e em inúmeros outros trechos sagrados. Atentando no significado etimológico da palavra “primogénito”, concluir-se-á que difere do sentido e alcance de “Unigénito”. Dito de outra forma, a palavra primogénito advém de que ou aquele que nasceu antes dos outros irmãos; filho mais velho, ao passo que o “unigénito” traduz o único gerado por seus pais; Filho único. Nas Escrituras Sagradas, o Senhor Jesus Cristo encarnou as duas denominações em simultâneo. O termo “Filho de Deus” tem quatro grandes significados bíblicos que, de forma elucidativa e subsumida, procuraremos descortinar. 

Segundo o reputado Teólogo George Eldon Ladd, na sua afamada obra Teologia do Novo Testamento, formalizou “que uma criatura de Deus pode ser denominada filho de Deus em um sentido nativista, em virtude de dever sua existência à atividade criativa imediata de Deus (Êxodo 4:22; Ml. 2:10; At. 17:28)”, isto é, na primeira formulação. Na segunda maneira, a expressão filho de Deus “pode ser usada para descrever a relação que os homens podem manter com Deus como objetos peculiares de seu cuidado amoroso. Este é o uso moral-religioso e pode ser aplicado tanto às pessoas em geral como à nação de Israel (Êxodo 4:22; Jo. 3:3; 1:12; Rm. 8:14-19; Gl. 3:26; 4:5)”. Um terceiro significado “é messiânico; o rei da linhagem de Davi é designado como filho de Deus (2 Sm. 7:14). Esse uso não envolve uma implicação necessária quanto à natureza divina do personagem messiânico; o termo refere-se à posição oficial de Messias”. Um quarto significado “é teológico. Na revelação contida no Novo Testamento e na teologia cristã que se desenvolveu posteriormente, a expressão Filho de Deus veio a ter um significado mais elevado: Jesus é o Filho de Deus porque Ele é Deus e participa da natureza divina. O propósito do Evangelho de João é demonstrar que Jesus é tanto Cristo como o Filho de Deus, e fica claro, de uma análise do prólogo de João, que Jesus, como o Filho de Deus, o Logos, era pessoalmente preexistente; Ele próprio era Deus, e encarnou-se com o propósito de revelar Deus à humanidade (Romanos 8:3; Gl. 4:4; Hb. 4:14)”[1]

Subscrevemos na íntegra esta tese defendida pelo teólogo canadiano. E salientamos ainda que, para efeitos de maior e melhor esclarecimento do assunto em questão, em relação ao facto do Senhor Jesus Cristo ser o Filho Unigénito de DEUS revela a Sua eterna divindade como a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Aqui não se colocam grandes dificuldades de interpretação, nem tão pouco há divergência sobre isso. A querela doutrinária prende-se mais com a expressão “filho primogénito” de Mateus 1:25; Lucas 2:7, levando a Igreja Católica a entender que o primogénito não é necessariamente o primeiro duma série em sucessão. Por todos os exemplos, o agora Papa Emérito Bento XVI vai ao ponto de sustentar que “o termo primogénito não alude a uma numeração em ato, mas indica uma qualidade teológica expressa nas mais antigas coleções de leis de Israel”. É, assim, enfatizando “que o conceito de primogenitura adquire uma dimensão cósmica: Cristo, o Filho encarnado, é por assim dizer, o primeiro de Deus e antecede toda a criatura, que está ordenada para Ele e a partir d´Ele”. Por isso, sumaria, “é também princípio e fim da nova criação, que teve início com a ressurreição”[2]

Não comungamos deste entendimento redutor do Papa Bento XVI, não obstante algumas verdades parcelares que astutamente encerra. Julgamos que parte de uma pressuposição equivocada na sua construção teológica. O primogénito a que o evangelista alude no texto sagrado é referente ao recém-nascido filho de Maria. Não hesitamos em admitir que a mesma expressão vai ganhando outros significados nas epístolas sagradas sobre o papel amiúde preponderante e determinante do Messias no processo da Criação e Salvação da Humanidade. Desde logo, o facto de o Senhor Jesus Cristo ser “o primogénito entre muitos irmãos (Romanos 8:29)”, não somente consubstancia a Sua primazia na ordem da dignidade, mas Aquele que inaugura uma nova Humanidade – o primogénito de toda a criação. Ele é antes de todas as coisas e nele subsistem todas as coisas, e ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o Princípio, o primogénito dentre os mortos para que em todas as coisas tenha a primazia (Colossenses 1:17-18). É através Dele que herdamos a vida eterna, mediante o Seu sacrifício expiatório na Cruz do Calvário, ou seja, todos aqueles que no baptismo morreram e ressuscitaram com Ele. Uma coisa é o Senhor Jesus Cristo ser o nosso irmão mais velho pela Graça de DEUS. Outra coisa, e bem diferente, é Ele ser o “primogénito” do casal Maria e José. 

Para objectar ainda à ideia de que Maria não chegou a ter mesmo filhos, como já provámos biblicamente que ela de facto teve, alguns usam o texto sagrado de João 19:25-27 para demonstrar que se ela tivesse tido filhos eles estariam certamente na crucificação do irmão, caso contrário o Senhor Jesus não teria dito para o seu discípulo amado: “Mulher, eis aí teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”, ficando Maria assim definitivamente sob os cuidados do Apóstolo João[3]. Antes de refutarmos o esgrimido argumento apoiado no texto bíblico, importa transcrever primeiramente o referido trecho em apreço, que versa da seguinte forma: “junto da cruz de Jesus estavam a sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus viu a sua mãe e junto dela o discípulo que ele amava. E disse à sua mãe: «Mulher, aí tens o teu filho.» Depois disse ao discípulo: «Aí tens a tua mãe.» E, desde esse momento, aquele discípulo recebeu-a em sua casa” (João 19:25-27). A postura que o Senhor Jesus teve para com o Seu “discípulo amado” – de incumbi-lo a responsabilidade plena da Sua mãe – é praticamente normal na antiguidade e ainda recorrente nos nossos dias. Ademais, se atentarmos cuidadosamente no ministério terreno do Senhor Jesus nos Evangelhos concluiremos que este discípulo esteve sempre presente nos momentos determinantes da vida e morte do Senhor Jesus (João 13:23; 19:25-27; 21:7;21:20-23), razão pela qual ganhou a alcunha especial de “discípulo amado”. É manifestamente normal estando o Senhor Jesus à beira da morte confiar à Sua mãe este preciosíssimo amigo, uma vez que “há um amigo mais chegado do que um irmão” (Provérbios 18:24). 

Nesta ordem de ideias, e de acordo com o comentário da Bíblia de Estudo MacArthur sobre esta nobre postura do Filho de DEUS, formula que “Jesus sendo o primogénito e o provedor de sustento para a família antes de iniciar seu ministério, não entregou a responsabilidade aos seus irmãos porque estes não foram simpáticos ao seu ministério e nem creram nele (João 7.3-5). Possivelmente os irmãos nem estivessem presentes na ocasião (ou seja, eles moravam em Cafarnaum – veja João 2:12)”. Os irmãos do Senhor Jesus somente acreditaram Nele como Messias depois da Sua ressurreição e ascensão aos céus. Talvez fosse por esta mesma razão que deve ser entendida a possível ausência deles na crucificação do irmão na Cruz do Calvário, bem como parte significativa dos seus discípulos. “Todos vocês vão Me abandonar”, vaticinava-lhes o Senhor Jesus durante a última Ceia, “porque Deus declarou por meio dos profetas: 'Eu matarei o Pastor, e as ovelhas se dispersarão” (Marcos 14:27). E assim foi. 

Ora, não estando os irmãos ao pé da Cruz é completamente normal o Senhor Jesus, como sendo “o filho primogénito” da família, assegurar o amparo da mãe antes da Sua partida como um bom filho faria em situações semelhantes (importa ainda salientar que, nesta altura, José, marido de Maria, teria morrido. Ela já se encontrava viúva). E mais, de forma analógica, o Direito Sucessório e o Testamento do “de cujus” (falecido) muitas vezes não contemplam os herdeiros legitimados sem, contudo, traduzir automaticamente que o falecido não tenha tido filhos ou outros elementos familiares que possam ter um papel preponderante nos seus negócios ou património. Por isso, a postura que o Senhor Jesus tomou na Cruz para proteger a Sua debilitada e desamparada mãe não deve ser entendida como se não tivesse outros familiares, ou irmãos, para cuidar dela, mas tão simplesmente pela força das circunstâncias e, deste modo, reforçar definitivamente o amparo da Sua pobre mãe. 

A Igreja Católica, refugiando-se no seu preconceito teológico-doutrinário, não quer reconhecer esta manifesta verdade, mesmo indo contra todas as evidências teológicas. Sabe que a partir do momento em que admitisse a união marital de Maria e José colocaria em causa a sua divinização. Isto porque o sexo em muitos círculos católicos é algo visto com bastante reservas. “O pecado original”, como é designado primeiramente pelo santo Agostinho, entrou no mundo por via da sexualidade. A libido e os desvelos que o ser humano normalmente tem com as regiões pudendas são as manifestações visíveis da vergonha que procedem do castigo, encerrava peremptoriamente o Doutor da Igreja na sua afamada obra “Cidade de Deus”. E para justificar esta sua tese com a ordem dada a Adão e Eva no sentido de frutificarem e multiplicarem a Terra em Genesis 1:28, através do sexo e da sexualidade, santo Agostinho sustentava o seguinte para fazer valer a sua questionável doutrina: «está muito longe de nós o pensamento de que aqueles esposos colocados no Paraíso teriam de realizar, mediante esta paixão libidinosa (libido), de que viriam a envergonhar-se tapando as regiões pudendas, aquilo que Deus prometeu na sua bênção: Crescei a multiplicai-vos e enchei a terra. (…) Na ordem natural a alma sobrepõe-se ao corpo; todavia, a alma tem mais fácil domínio sobre o corpo do que sobre a si própria. Todavia, esta paixão libidinosa, de que agora estamos a tratar, excita a vergonha tanto mais quanto mais o espírito nem se mostra capaz de a si próprio se dominar eficazmente para se não deixar deleitar inteiramente nessa paixão, nem sobre o corpo tem pleno domínio para que seja precisamente a vontade (e não a paixão) a excitar as regiões vergonhosas: se assim fosse já nem seriam vergonhosas.»[4]

Há assim uma carga bastante negativa do sexo e a sexualidade na teologia do bispo de Hipona, levando-lhe inclusive a associá-lo com a libidinosidade, e consequentemente a censurá-lo. E toda esta doutrina vai ter fortes implicações práticas na forma peculiar como a Igreja Católica encara e aborda o sexo, sobretudo negando em última instância o seu carácter de fruição, reduzindo-o stricto sensu à procriação. Portanto, a problemática sobre a intransigente oposição do Vaticano ao uso de métodos contraceptivos entre os casais, no âmbito matrimonial, só poderá ser holisticamente compreendida no “Pecado Original” formalizado por santo Agostinho. E para ilibar Maria do referido “pecado original”, elevando-a ao título de “Virgem Santíssima” e “Mãe de Deus” era importante dissociá-la do vírus do pecado de Adão e Eva, que se contrai no sexo segundo o Vaticano, caso contrário ela não seria merecedora de tais proeminentes títulos celestiais. Não subscrevemos tais heresias. Não há margem para dúvidas, usando as acertadas palavras da Declaração de Fé Baptista Portuguesa, que “Deus criou o homem, concedendo-lhe a prerrogativa de fecundidade, fertilidade e natalidade, permitindo-lhe a multiplicação da espécie humana, povoando e dominando a Terra. Deus não condena o ato sexual em si, mas a prática sexual desgovernada, sem limites e sem princípios divinos. (...) A atração física, emocional e o verdadeiro amor no casamento são condições indispensáveis para uma sexualidade abençoada” (LER)

A Igreja Católica, através dos seus documentos oficiais ratificados em vários concílios ao longo dos séculos, vai mesmo ao ponto de sustentar que “a Virgem Imaculada” foi preservada imune de toda a mancha da culpa original. O Concílio Ecuménico Vaticano II, um dos mais importantes concílios do catolicismo, reduzia que “a Virgem Maria, que na anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho; é, por isso, filha predilecta do Pai e templo do Espírito Santo, e, por este insigne dom da graça, leva a vantagem a todas as demais criaturas do céu e da terra”[5]. Por isso, terminado o seu curso da vida terrena, ela “foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como rainha, para assim se conformar mais plenamente com seu Filho, Senhor dos senhores (cfr. Apoc. 19, 16) e vencedor do pecado e da morte (…) exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial”[6]. Ela, Maria, de forma abreviada, segundo ainda a tradição Católica, não teve pecado algum e consequentemente não esteve sujeita à corrupção carnal, razão pela qual foi levada directamente ao Céu, sem passar pela morte. 

É isto, em suma, a descabida doutrina da divinização de Maria, que se vai traduzindo no culto mariano. Vemos assim, que a Igreja Católica para concretizar esta falaciosa doutrina desdobra-se, em primeiro lugar, a tentar justificar o injustificável, isto é, considerando que Maria é uma criatura completamente diferente dos outros eleitos filhos de DEUS, por não herdar o “pecado original” e, por sua vez, não ter qualquer tipo de relação sexual depois do nascimento do Senhor Jesus, bem como adornando-a com o título de “Santíssima Mãe de Deus” e merecedora do culto e veneração de todos os Cristãos. Para cobrir ainda esta flagrante inverdade com a revelação bíblica vai ao ponto de colocar na oração de “Ave Maria” acrescentar palavras que o anjo não disse no texto sagrado de Lucas 1-26-38 – para, deste modo, ajustar este mito do culto mariano a doxologia “Santa Maria, mãe de Deus, / Rogai por nós pecadores, / Agora e na hora de nossa morte. /Amém”. Esta doxologia não está em lado algum na Palavra de DEUS. 

Todas essas formulações doutrinárias e dogmas não têm qualquer tipo de base bíblica, insistimos. Não passam de ardilosas construções teológicas da Igreja Católica para ludibriar as pessoas que desconhecem holisticamente a revelação da Palavra de DEUS, tal como supra sublinhámos. É verdade que Maria teve um papel importantíssima e determinante no ministério terreno do Senhor Jesus, sendo escolhida por entre todas as mulheres (Lucas 1:28), passando assim a ser chamada em todas as gerações “bem-aventurada” (Lucas 1:48). Nada mais que isso. A própria Maria teve completa noção disso. Tanto que, por esta razão, ao longo da sua peregrinação neste “presente século mau”, ela “guardava todas estas coisas no seu coração e meditava nelas, (Lucas 2:19), dando assim um poderosíssimo testemunho de fé. Maria foi um verdadeiro exemplo para todos nós, os santos filhos de DEUS. Esteve incondicionalmente com o Senhor Jesus desde o começo até ao fim. Sofreu terrivelmente ao ver o seu filho a ser humilhado e morto de formam horrenda (Lucas 2:35), mesmo assim não perdeu a compostura e, tão pouco, a fé nas infalíveis promessas Divinas. Mostrou-nos, com o seu grande testemunho de vida, que vale a pena confiar e saber esperar em DEUS a nossa salvação, mesmo quando estivermos a atravessar o “vale da sombra da morte” ELE estará sempre connosco para nos dar a vitória, tal como prometeu na Sua Palavra (Romanos 8:31-39). E todos os filhos de DEUS, os autênticos Cristãos, têm a obrigação de seguir o belo exemplo de vida de Maria e reconhecê-la como uma verdadeira heroína da fé. Agora, transcender este raio de compreensão e querer colocá-la na posição da Santíssima Trindade, como faz a Igreja Católica, é uma tamanha heresia e grande fraude espiritual que jamais compactuaremos. 

Que o nosso Eterno DEUS nos ajude a não cair nessas desgraças espirituais, mas sim que a palavra de Cristo possa continuar sempre a habitar em nós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-nos e admoestando-nos, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em nosso coração. E tudo quanto fizermos por palavras ou por obras, façamos unicamente em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai (Colossenses 3:16-17). Que assim seja. E assim sempre será pela fé no nome Bendito de Jesus Cristo. 


[1] George Eldon Ladd, in Teologia do Novo Testamento, p. 212 e 213, Editora, Hagnos, São Paulo, 2003. 

[2] Joseph Aloisius Ratzinger, in Jesus de Nazaré [Infância de Jesus], p. 62 e 63, Editora, Planeta, 2013.

[3] Segundo alguns testemunhos recolhidos diziam que Maria viveu sob cuidados do Apóstolo João, em Jerusalém, durante onze anos, e morreu. Outros dizem que ela viveu mais tempo, chegando a acompanhá-lo até Éfeso.

[4] Santo Agostinho, in A Cidade de Deus [Volume II], p. 1299; 1304, Fundação Calouste Gulbenkian.

[5] Concílio Ecuménico Vaticano II [Documentos Conciliares e Pontifícios], p. 107, Editorial. A. O – Braga, 1992

[6] Concílio Ecuménico Vaticano II [Documentos Conciliares e Pontifícios], p. 110 e 112, Editorial. A. O – Braga, 1992.

O Papa Calvinista (III)


“Depois desta exortação à vigilância, Jesus afasta-Se um pouco. Começa verdadeira e propriamente a oração do monte das Oliveiras. Mateus e Marcos dizem-nos que Jesus caiu de rosto por terra: é a posição de oração que exprime a extrema submissão à vontade de Deus, o abandono mais radical a Ele; uma posição que a liturgia ocidental prevê ainda na Sexta-Feira Santa, na Profissão Monástica e também na Ordenação Diaconal e nas Ordenações Presbiteral e Episcopal. Diversamente, Lucas diz que Jesus reza de joelhos. Deste modo, tomando por base a posição de oração, insere esta luta nocturna de Jesus no contexto da história da oração cristã: Estevão, durante a lapidação, dobra os joelhos e reza. (cf. Act 7, 60); Pedro ajoelha-se antes de ressuscitar Tábita da morte (cf. Act 9, 40); Paulo ajoelha-se quando se se despede dos anciãos de Éfeso (cf. Act 20, 36), e outra vez quando os discípulos lhe dizem para não subir a Jerusalém (cf. Act 21, 5). A propósito, diz A. Stoer: «Todos eles, perante a morte, rezam de joelhos; o martírio não pode ser superado senão através da oração. Jesus é o modelo dos mártires.” 

(Papa Bento XVI – Joseph Ratzinger, in Jesus de Nazaré (Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição), p. 129 e 130; Principia; Cascais, 2011). 
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Orar, especialmente de joelhos, é uma boa prática que a ala tradicional do protestantismo postergou na sua liturgia público-congregacional. Praticamente não se ensina na Escola Bíblica Dominical (EBD), fazendo com que a generalidade dos fiéis não o coloque em prática nas suas orações rotineiras. Somente se verifica esporadicamente nos cultos da ordenação pastoral e de casamento, tendo em conta a oração de imposição das mãos do presbitério perante os consagrados. Mesmo nos círculos pentecostais ou neo-pentecostais, onde se costumam enfatizar efusivamente o conceito de oração, acabam sempre por esvaziar este importantíssimo pressuposto espiritual e ficar bastante aquém na postura correcta que se deve seguir quando de joelhos diante do SENHOR para orar. Todo este dilema consubstancia a profunda crise de fé em que estamos submergidos, ganhando cada vez mais contornos preocupantes na nossa espiritualidade. 

Quem Pode o Mais Pode o Menos


A Igreja Católica está reiteradamente a surpreender pela negativa (LER). E esta nota para a recepção do capítulo VIII da exortação apostólica 'Amoris Laetitia' é o exemplo manifesto disso (LER). Como é que uma pessoa casada pode ser obrigada adoptar a continência sexual? Não faz qualquer tipo de sentido. É um autêntico paradoxo. O sexo está intrinsecamente ligado ao matrimónio. Mesmo o Apóstolo Paulo, um assumido defensor do celibato, vai ao ponto de aconselhar para que nenhum dos cônjuges negue o sexo ao outro, antes procedam com consentimento mútuo, "porque é melhor casar do que abrasar-se" (I Coríntios 7:2-9). Esta disposição do Cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai mesmo cair em desuso. Não tenho margem de dúvida disso.  

A Lenta Peregrinação Para Casa


Esta comovida afirmação do Papa Bento XVI encerra a postura serena como os servos de DEUS lidam e encaram a morte (LER). O velho Simeão, homem justo e temente a Deus, esperou longos anos pela "consolação de Israel"; mas ao avistar e tomar nos seus braços o menino Jesus, sentindo realizada a profecia de que não morreria sem ver Cristo, exclama: "agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra" (Lucas, 2:25-32 [LER]). O Apóstolo Paulo, prevendo a sua eminente morte, escreveu uma das mais belas e inspiradoras profissões de fé, nestes termos: “quanto a mim, chegou a hora de oferecer a minha vida em sacrifício e o tempo da minha morte aproxima-se. Lutei pela boa causa, percorri o meu caminho e guardei a fé. Só me resta agora receber a merecida recompensa, que o Senhor me dará no dia do juízo. Ele é o juiz justo e há de dar-me essa recompensa não só a mim, mas também a todos aqueles que esperaram com amor a sua manifestação (2 Timóteo 4:6-8). A morte para os Cristãos não é o fim, mas o começo de uma nova dimensão da vida – a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador (Romanos 6:23).

Apesar do Emérito Papa Bento XVI estar a viver "um lento declínio das forças físicas", tal como o próprio afirma, espero que o seu homem interior continue a renovar diariamente (2 Coríntios 4:16); e que este "último troço de estrada" em "peregrinação para Casa” seja realmente bastante suave. 

Os Dogmas Que Não Têm Acolhimento nas Escrituras Sagradas (II)


Acresce ainda o facto de, depois de Maria ter dado à luz Jesus Cristo em Belém de Judeia, o Evangelista Mateus usar a expressão seu “filho primogénito”, contrastando com o termo do filho “Unigénito de Deus” empregue por João 3:16 e em inúmeros outros trechos sagrados. Atentando no significado etimológico da palavra “primogénito”, concluir-se-á que difere do sentido e alcance com o de “Unigénito”. Dito de outra forma, a palavra "primogénito" advém de “que ou aquele que nasceu antes dos outros irmãos; filho mais velho”, ao passo que o “Unigénito” traduz "o Único gerado por seus pais; Filho único". Nas Escrituras Sagradas, o Senhor Jesus Cristo encarnou as duas denominações concomitantemente. O termo “Filho de Deus” tem quatro grandes significados bíblicos que, de forma elucidativa, procuraremos descortinar. 

Segundo o reputado Teólogo George Eldon Ladd, na sua afamada obra "Teologia do Novo Testamento", formalizou sabiamente que uma criatura de Deus pode ser denominada filho de Deus em um sentido nativista, em virtude de dever sua existência à atividade criativa imediata de Deus (Êxodo 4:22; Ml. 2:10; At. 17:28). Na segunda maneira, a expressão “filho de Deus” pode ser usada para descrever a relação que os homens podem manter com Deus como objetos peculiares de seu cuidado amoroso. Este é o uso moral-religioso e pode ser aplicado tanto às pessoas em geral como à nação de Israel (Êxodo 4:22; Jo. 3:3; 1:12; Rm. 8:14-19; Gl. 3:26; 4:5). Um terceiro significado é messiânico; o rei da linhagem de Davi é designado como filho de Deus (2 Sm. 7:14). Esse uso não envolve uma implicação necessária quanto à natureza divina do personagem messiânico; o termo refere-se à posição oficial de Messias. Um quarto significado é teológico. Na revelação contida no Novo Testamento e na teologia cristã que se desenvolveu posteriormente, a expressão “Filho de DEUS” veio a ter um significado mais elevado: Jesus é o Filho de Deus porque Ele é Deus e participa da natureza divina. O propósito do Evangelho de João é demonstrar que Jesus é tanto Cristo como o Filho de Deus, e fica claro, de uma análise do prólogo de João, que Jesus, como o Filho de Deus, o Logos, era pessoalmente preexistente; Ele próprio era Deus, e encarnou-se com o propósito de revelar Deus à humanidade (Rm. 8:3; Gl. 4:4; Hb. 4:14). 

Subscrevemos na íntegra esta tese defendida pelo conceituado teólogo canadiano. E salientamos ainda que, para efeitos de maior e melhor esclarecimento do assunto em apreço, em relação ao facto do Senhor Jesus Cristo ser o Filho Unigénito de DEUS revela a Sua eterna divindade como a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Aqui não se colocam grandes dificuldades de interpretação, nem tão pouco há divergência sobre isso. A querela doutrinária prende-se mais com a expressão “filho primogénito”, de Lucas 2:7, levando a Igreja Católica a entender que o primogénito não é necessariamente o primeiro duma série em sucessão. Por todos, o agora Papa Emérito Ratzinger vai ao ponto de sustentar que “o termo primogénito não alude a uma numeração em ato, mas indica uma qualidade teológica expressa nas mais antigas coleções de leis de Israel”. E, assim, enfatizando “que o conceito de primogenitura adquire uma dimensão cósmica: Cristo, o Filho encarnado, é por assim dizer, o primeiro de Deus e antecede toda a criatura, que está ordenada para Ele e a partir d´Ele”. Por isso, sumaria, “é também princípio e fim da nova criação, que teve início com a ressurreição” (Joseph Aloisius Ratzinger, in Jesus de Nazaré, Editora, Planeta, 2013). 

Não comungamos deste entendimento redutor do agora emérito Papa Bento XVI, não obstante algumas verdades parcelares que astutamente encerra. Julgamos que parte de uma pressuposição equivocada na sua construção teológica. O primogénito a que o Evangelista alude no texto sagrado é referente ao recém-nascido filho de Maria. Não hesitamos em admitir que a mesma expressão vai ganhando outros significados nas epístolas sagradas sobre o papel preponderante e determinante do Messias no processo da Criação e Salvação da Humanidade. Desde logo, o facto do Senhor Jesus Cristo ser “o primogénito entre muitos irmãos (Romanos 8:29)”, não somente consubstancia a Sua primazia na ordem da dignidade, mas Aquele que inaugura uma nova Humanidade – o primogénito de toda a criação. Ele é antes de todas as coisas e nele subsistem todas as coisas, e ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o Princípio, o primogénito dentre os mortos para que em todas as coisas tenha a primazia (Colossenses 1:17-18). É através Dele que herdamos a vida eterna, mediante o Seu sacrifício expiatório na Cruz do Calvário, ou seja, todos aqueles que no Baptismo morreram e ressuscitaram com Ele. 

Uma coisa é Jesus Cristo ser o nosso irmão mais velho pela Graça de DEUS. Outra coisa, e bem diferente, é Ele ser o "primogénito” de Maria e José. A Igreja Católica, refugiando-se no seu preconceito doutrinário, não quer reconhecer esta manifesta verdade, mesmo indo contra todas as evidências teológicas. Sabe que a partir do momento em que admitisse a união marital de Maria e José colocaria automaticamente em causa a divinização de Maria, apelidada nos documentos oficiais da Igreja ao longo dos séculos como sendo a "mãe de Deus Redentor”

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(O artigo em apreço terá continuidade nas próximas publicações, querendo DEUS). 

Os Dogmas que Não Têm Acolhimento nas Escrituras Sagradas (I)


A Igreja Católica Romana sempre surpreendeu teologicamente pela negativa. É uma instituição eclesiástica com profundos desvios doutrinários. Incorpora no seu âmago tremendas heresias, arrastando consigo milhões dos seus fiéis ao longo dos séculos para a cegueira espiritual. O exemplo manifesto disso prende-se sobretudo com a prática do culto mariano, a veneração dos santos, o baptismo das crianças, o ecumenismo teológico, a interpretação lato sensu das Escrituras Sagradas, a imposição do celibato ao clero, a inflexibilidade sobre o divórcio em caso de adultério (LER), a infalibilidade da autoridade papal e toda a capa no sentido de considerá-lo como o sumo representante de DEUS na Terra. Valeu-nos, felizmente, a intrépida correção dos Reformadores Protestantes para recolocar a Igreja no caminho certo da verdade soteriológica (LER). A intransigente apologética sobre a virgindade de Maria, superveniente ao nascimento do Senhor Jesus Cristo, bem como a sua divinização são dogmas que não têm qualquer tipo de suporte bíblico. E para o caro leitor entender melhor as duas ardilosas doutrinas da Igreja Católica, é preciso conhecer os pressupostos teológicos que caracterizam ambos, para assim chegar à verdade da Palavra de DEUS. Por isso, ater-nos-emos, em primeiro lugar, à temática da virgindade de Maria para depois abordar os raciocínios falazes sobre a sua divinização. 

A concepção do Senhor Jesus Cristo, tal como é unanimemente acolhido em várias denominações do Cristianismo, foi um acto miraculoso que não teve qualquer tipo de cobertura humana. Foi fruto da vontade soberana de DEUS para fazer cumprir o Seu eterno propósito salvífico para com a Humanidade, outrora decaída pelo pecado original de Adão e Eva. Ora, como ficou bem registado nos sinópticos, depois do Anjo Gabriel ter terminado a conversa com José, que estava tomado no seu profundo sonho, este "recebeu Maria por esposa; sem terem tido antes relações conjugais" (Mateus 1:24). Acontece que, por vicissitudes várias, depois do nascimento do Senhor Jesus Cristo não temos mais nenhuma passagem bíblica que sustente a continuidade da virgindade de Maria, antes pelo contrário, há indicações e relatos que nos mostram manifestamente que Maria se envolveu maritalmente com José, o seu marido, tendo em consequência disso outros tantos filhos e filhas.  O exemplo disto foi narrado pelos evangelistas Mateus e Marcos, ao referirem-se à incredulidade e concomitante admiração que Jesus suscitava perante a multidão aquando do seu regresso à cidade de Nazaré, levando-os a interrogar-se de forma surpreendente: "donde lhe vem a sabedoria e o poder de fazer milagres? Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria a sua mãe? E não são seus irmãos Tiago, José Simão e Judas? Não vivem cá também todas as suas irmãs? Donde lhe vem então tudo isto?" (Mateus 13:54-56; Marcos 6:2-3). São estes mesmos irmãos do Senhor Jesus, que ao aproximar-se a "Festa dos Tabernáculos" dos judeus, "não criam nele" (João 7:5). Com efeitoao ressuscitar dos mortos os tais, juntamente com os Seus discípulos e algumas mulheres, entre as quais a Sua própria mãe, acabaram finalmente por crer Nele, “preservando unânimes em oração e súplicas” (Actos 1:14). O Apóstolo Paulo, volvidos três anos da sua milagrosa conversão no caminho de Damasco e consolidado três anos nas regiões das Arábias, voltou a Jerusalém tendo apenas a oportunidade de se cruzar com o Apóstolo Pedro e também "Tiago, o irmão do Senhor" (Gálatas 1:17-19). 

Pese embora a divergência doutrinária entre os exegetas Católicos e Protestantes, levando aqueles a considerar que "os seus irmãos e suas irmãs” não são de facto irmãos verdadeiros do Senhor Jesus, isto é, “irmãos de sangue” mas sim aquilo que podemos denominar "meios-irmãos" ou, caso prefiram a expressão comummente usada na nossa sociedade, de "primos-irmãos". Cingindo-se à linha condutora da interpretação dos versículos em apreço, a fundamentação dos biblistas Católicos não corresponde à mínima verdade, por razões muito simples: desde logo, a multidão começa por mencionar os pais terrenos do Senhor Jesus, o carpinteiro José e Maria, aludindo depois aos seus irmãos e irmãs. Ou seja, vimos aqui o desvelo da multidão a dar primazia à família mais directa de Jesus – que traduz o grau de parentesco mais próximo, começando com a linha recta para depois entrar na primeira linha colateral. Se de facto estes "seus irmãos e suas irmãs” fossem mesmo primos-irmãos de Jesus, tal como sustentam os teólogos Católicos, obviamente que a multidão teria igualmente o cuidado de enumerar também os seus tios e suas tias como fizeram questão com os primos-irmãos, se verdadeiramente considerarmos que estes assim o são, uma vez que deveriam viver outrossim estas pessoas na mesma localidade de Nazaré. Falando a multidão do pai e da mãe de Jesus para depois saltar e referir unicamente os seus primos-irmãos sem, no entanto, fazer qualquer tipo de menção aos seus tios e tias não tem qualquer tipo de lógica e coerência interpretativa. Afirmamos isto porque, objectivamente, os tios e tias de Jesus são mais próximos Dele em termos de parentesco do que propriamente os seus primos-irmãos. Porque razão então a multidão relevaria os primos-irmãos do Senhor Jesus Cristo em detrimento dos seus tios e tias? Logicamente, não faz qualquer tipo de sentido a multidão omitir a primeira linha colateral do Senhor Jesus, dando primazia à segunda linha colateral. Isto somente reforça a convicção que sempre perfilhamos de que realmente “os seus irmãos e "suas irmãs” são mesmo irmãos de sangue do Senhor Jesus e não "primos irmãos", tal como erradamente faz crer debalde a Igreja Católica Romana. 

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(O artigo em apreço terá continuidade nas próximas publicações). 

O Vaticano: Uma Vergonha Para o Cristianismo


O Vaticano é uma instituição eclesiástica com profundos desvios doutrinários. Incorpora no seu seio tremendas heresias que não têm qualquer tipo de suporte bíblico, arrastando consigo milhões dos seus fiéis ao longo dos séculos. O exemplo manifesto disso prende-se sobretudo com a prática do culto mariano, a veneração dos santos, o baptismo das crianças, o ecumenismo teológico, a interpretação lato sensu sobre a inerrância da revelação bíblica, a imposição do celibato ao clero, a inflexibilidade sobre o divórcio em caso de adultério (LER), o dogma da infalibilidade papal e toda a capa no sentido de o considerar como sendo representante máximo de DEUS na Terra. Valeu-nos a intrépida correção dos Reformadores Protestantes para recolocar-nos holisticamente no caminho certo da verdade soteriológica (LER)

A última toada vinda do Vaticano, dando conta que o Papa estendeu a todos os padres o poder de perdoar abortos (ALI AQUI), é o exemplo manifesto do profundo desvio doutrinário da Igreja Católica. Tanto o Papa, bispos, sacerdotes, freiras, missionários e todos os cristãos, ninguém tem a prerrogativa de perdoar os pecados cometidos contra o corpo, a natureza e a Trindade. A única pessoa que dispõe desse poder absoluto é DEUS. O Senhor Jesus, na sua encarnação, perdoou os pecados porque Ele é DEUS. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, o Vaticano sempre se arrogou de bom anfitrião espiritual, baseando-se numa errada interpretação da afirmação de Jesus ao Apóstolo Pedro em Mateus 16:13-20, usurpando assim poderes que as Escrituras Sagradas não lhe conferem. 

E mais, não há nenhuma novidade no facto de o Papa ter autorizado os padres a absolver as mulheres que se arrependeram de terem praticado o aborto, antes pelo contrário é motivo de tamanha preocupação para quem conhece as Escrituras Sagradas. Digo isto porque esta decisão põe em causa, de forma flagrante, o Sacerdócio Universal dos crentes (1 Pedro 2:5; 2:9; Apocalipse 1:6; 5:9-10). Todos os Cristãos têm acesso livre e directo ao Trono Celestial de DEUS, sem necessitarem de intermediários humanos para que tal aconteça (Efésios 3:11-12; Romanos 5:2). A mesma realidade aplica-se, igualmente, na confissão dos pecados. Qualquer pessoa, seja qual for a sua condição ou cadastro social, pode recorrer unilateralmente a DEUS o perdão dos seus pecados, uma vez que um coração quebrantado e contrito ELE jamais desprezará (Salmo 51:17). Acresce ainda o facto que, aos olhos de DEUS, todos os pecados são perdoados aos homens, excepto a blasfémia contra o Espírito Santo (Mateus 12:31-32; Marcos 3:28-30; Lucas 12:10). E este pecado apenas será cometido por aqueles que não herdarão a vida Eterna. Do resto, todos os outros pecados, independentemente da sua natureza, gravidade ou monstruosidade, o sangue do Senhor Jesus tem poder para os purificar (Salmo 32:5; Hebreus 10:18). 

É verdade que o aborto é um autêntico crime. É tirar a vida de um inocente que merecia sobreviver. Não há justificações "plausíveis" a que se possa recorrer para fazer valer tão vil desumanidade (LER). Mesmo assim, ele é perdoado pelo nosso Amoroso DEUS, tal como os pecados da pedofilia, homossexualidade, roubo, infidelidade, mentira, assassinato, idolatria, corrupção, adultério, ateísmo, agnosticismo, matricida, patricida, fratricida, soberba, chulos, lenocínio, terrorismo, injustiças, ofensas e todos os restantes pecados que não foram enumerados, contando que haja apenas um genuíno arrependimento e conversão a DEUS por parte do pecador, mostrando pelo seu comportamento que está de facto arrependido (Actos 26:20)

A virtude do perdão é um dos excelsos atributos comunicáveis de DEUS, razão pela qual está encerrada na Oração do Pai Nosso (LER) e em inúmeras outras passagens bíblicas. Somos encorajados a perdoar sempre o nosso próximo como DEUS nos perdoou e continua a perdoar (Mateus 6:12; 18:21-23). Tal significa, em termos objectivos, que o perdão deve ser ilimitado, pois DEUS faz exactamente isso connosco (1 João 1:9). O nosso perdão não pode extravasar o seu domínio próprio, isto é, somente podemos perdoar aqueles que nos ofendem e não assumir o protagonismo de perdoar os que pecam contra DEUS como os Papas arbitrariamente costumam fazer. 

Por isso, atendendo à verdade exposta, é completamente inoportuno este propalado anúncio do Vaticano. O Papa Francisco já nos deu a conhecer a sua verdadeira faceta pontifícia. É um calculista irenista, que se desdobra em desvelos alimentados por uma mercenária ânsia de legitimação popular. Uma vergonha para o Cristianismo, bem como o Vaticano. Resta-me, como Cristão, suplicar a DEUS para perdoá-lo juntamente com os seus correligionários da instituição que lidera, porque não sabem o que fazem. 

O Santo que Sistematizou o Pecado Original


Quando se diz na gíria Evangélico-protestante que “Deus ama o pecador, mas abomina o pecado” raramente sabemos que estamos a pagar tributo a Santo Agostinho que já formulava o referido brocardo na sua célebre obra “A Cidade de Deus”. Foi, igualmente, o Bispo de Hipona que sistematizou o conceito do “Pecado Original” há 1616 anos atrás na sua magistral “Confissões” (LER). Nós, os Protestantes, em abono da verdade, somos mais Católicos do que aquilo que porventura julgamos ou admitimos publicamente. 

O amor incondicional de DEUS para com a Humanidade outrora decaída é visceralmente ligado ao “Pecado Original”. E este, por sua vez, segundo o Doutor da Igreja, entrou no mundo por via do sexo e da sexualidade. A libido e os cuidados redobrados que o ser humano normalmente tem com as regiões pudendas são as manifestações visíveis da vergonha que procedem do castigo, encerrava peremptoriamente o reputado Teólogo Católico (LER). E toda esta doutrina vai ter fortes implicações práticas na forma peculiar como a Igreja Católica encara e aborda o sexo, máxime negando implicitamente o seu carácter de fruição, reduzindo-a lato sensu à procriação. Por isso, a problemática sobre a intransigente oposição do Vaticano ao uso de métodos contraceptivos entre os casais no âmbito matrimonial só poderá ser holisticamente compreendida no “Pecado Original” de Santo Agostinho. 

O Papa Calvinista (II)


«Aquilo de que mais precisamos neste momento da história é de homens que, por meio de uma fé iluminada e vivida, tornem Deus credível neste mundo. O testemunho negativo de cristãos que falavam de Deus e viviam contra Ele ensombrou a imagem de Deus e abriu a porta à incredulidade. Precisamos de homens que mantenham o olhar voltado para Deus e aí aprendam a verdadeira humanidade. Temos necessidade de homens cujo intelecto seja iluminado pela luz de Deus e aos quais Deus abra o coração, de modo a que o seu intelecto possa falar ao intelecto dos outros e o seu coração possa abrir o coração dos outros. Só através de homens tocados por Deus, Deus pode voltar para junto dos homens.»

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(Papa Emérito Joseph Ratzinger, in "A Europa de Bento [Na Crise de Culturas"], Alêtheia Editores, Lisboa, 2005).