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O Poder Destruidor da Língua


A língua é um minúsculo órgão do nosso corpo com aptidões avassaladoras. Tem o poder para disseminar as desconfianças, rivalidades, invejas, heresias, discórdias, blasfémias e ódios entre pessoas e terceiros. Consegue efeitos gigantescos que, por razões naturais, a generalidade dos órgãos do ser humano não consegue alcançar. Com ela resvalamos deliberadamente em mentiras, bisbilhotices, intrigas e inimizades, colocando em causa o bom nome e a reputação das pessoas inocentes, com finalidade última de arruiná-las. Da mesma sorte, com as malévolas palavras que torpemente proferimos magoamos, ofendemos, humilhamos e, em casos extremos, matamos. A língua é um mundo infindável de malignidade. 

Tanto que, por esta razão, consciente deste poder indomável e altamente demolidor da língua, os autores sagrados se desdobraram a admoestar os efeitos perniciosos da má-língua, bem como apresentando concomitantemente os antídotos necessários para refreá-la. O líder Tiago, por todos, falando directamente para os Cristãos, sustentava que “têm-se domesticado animais de todas as espécies. Mas a língua, ninguém é capaz de a domesticar. É um mal incontrolável; está cheia de veneno mortal. Com ela bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos as pessoas que foram criadas à imagem de Deus. Da mesma boca saem palavras de bênção e de maldição” (Tiago 3:7-10).  Isto não devia ser assim, censurava esta postura incongruente, concluindo ilustrativamente que “uma nascente de água salgada nunca pode dar água doce" (Tiago 3:12)

De facto, é um desafio para todos nós no sentido de sabermos dominar a nossa língua, especialmente usá-la para promover a união entre pessoas, concórdia e edificação. Só assim confirmaremos, com este nobre procedimento, que somos realmente pessoas transformadas, maduras, sábias e habilitadas para toda a boa obra.  

A Vernaculidade do Crioulo



Uma das características distintivas da mítica banda guineense Super Mama Djombo foi a de preservar a originalidade do crioulo nas suas construções musicais, seguindo nesta esteira artística o saudoso José Carlos Schwarz, Aliu Bari, etc. O crioulo é uma língua que assenta em metáforas, ditos e provérbios de elevados significados ético-morais. E isto reflecte-se sobretudo na nossa híbrida música, poesia e mosaico sociocultural. 


Não obstante o realismo exposto sucede que, por vicissitudes várias e supervenientes, o crioulo enfrenta cada vez mais enormes desafios na sua vernaculidade e afirmação. Está, de forma galopante, a aproximar-se do português fruto da tão propalada "evolução linguística", perdendo assim o seu brilho peculiar o do crioulo de "djibá".