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O Amor Seja Sem Hipocrisia

O amor é uma das virtudes mais ricas, edificantes e importantíssimas que há do ponto de vista Cristão e no ser humano em geral. Não há nenhum atributo, merecimento, benfeitoria ou dom que se lhe possa comparar ou igualar. Ele transcende, em larga medida, as polutas aspirações do ser humano e todos os bens mundanais. O amor, nas suas várias configurações antropológicas, é mais relevante do que a fé e a esperança (LER). Destas três grandes virtudes Cristãs, que imprescindivelmente devem fazer parte do cardápio espiritual dos filhos de DEUS, o amor é a maior e a mais importante delas (1Co 13:13). 

Tanto o primeiro grande mandamento como o segundo, contidos nas Escrituras Sagradas, que são indissociáveis um do outro e indispensáveis para se entrar no Reino de DEUS, têm a ver com o amor a DEUS e o amor ao próximo.  Destes dois mandamentos, exortava peremptoriamente o Senhor Jesus Cristo, dependem toda a lei e os profetas (Mt 23:36-40). Só há valoração e completa valorização espiritual quando tudo é feito altruisticamente com base na sublime lei do amor, isto é, amor a DEUS e amor ao próximo. O cumprimento pleno e efectivo da Lei de DEUS se resume unicamente no amor. 

O amor é o oxigênio interminável das almas piedosas, habituando-as a saberem relacionar-se com quaisquer tipos de pessoas e situações de forma determinada, devotada, humilde e abnegada. É fonte inesgotável da bondade e do perdão, que brota dos corações puros, projectando-se positivamente na vida de terceiros. O amor ama na felicidade e, ao mesmo tempo, ama na dor e no sofrimento. O amor consegue sempre tudo e é capaz de fazer tudo em prol da unidade, harmonia, paz, reconciliação e felicidade. É, justamente, por tudo isto, escrevia o Apóstolo Paulo, que “o amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece”, pois “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Co 13:4-7). 

Viver o amor é encarnar diariamente, de forma deliberada e holística, a premissa da verdade, da paz, do perdão, da reconciliação, da humildade, da moderação, da empatia, da bondade e da abnegação. O amor é o único caminho para chegarmos verdadeiramente a DEUS e relacionarmo-nos saudavelmente com ELE como seus filhos amados. O amor é, em última instância, a personificação do próprio Todo-Poderoso Jeová. DEUS é amor; e quem está em amor está em DEUS, e DEUS nele (1 Jo 4:16). 

Quem não vive o amor no seu dia-a-dia jamais poderá ter qualquer tipo de intimidade ou relacionamento com o nosso Todo-Poderoso DEUS, sobretudo aquele que odeia o seu irmão. E se disser o contrário, é um autêntico mentiroso. Isto porque, admoestava sabiamente o autor sagrado, “se alguém diz que ama a Deus mas tem ódio ao seu irmão é um mentiroso. Aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a quem não vê!” (1 Jo 4:20). E, por fim, concluiu de forma exortativa: “o mandamento que Jesus nos deixou é este: aquele que ama a Deus deve também amar o seu irmão” (1 Jo 4:21). 

Só quem realmente não tem o amor no seu coração consegue abominar o seu próximo ao ponto de criar as oportunidades maléficas para prejudicá-lo e fazer-lhe mal, porque “o que ama o seu próximo não lhe faz nenhum mal. Pois o amor é o cumprimento total da lei. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13:10). O amor é a manifestação visível e real de tudo o que é mais puro e sincero no ser humano. É o maior dom espiritual que há, razão pela qual quem anda genuinamente no amor nunca cansa e nem se cansa. 

No entanto, há um risco bastante acrescido e real do amor ser beliscado, camuflado e adulterado, tendo em conta as realidades conjunturais e vicissitudes supervenientes. Há ainda o risco maior do amor ser parcelado, negligenciado e protelado por causa da insensibilidade humana e oportunismo egocêntrico. Há, acima de tudo, infelizmente, o risco do amor ser subvertido, repulsado, restringido, rejeitado e completamente bloqueado nas mentes empedernidas. Estes perniciosos riscos enumerados, consubstanciam autênticos inimigos directos do amor e venenos mortais para acabar definitivamente com o amor no coração do ser humano. 

É, justamente, por tais lamentáveis situações, que vemos pessoas a usarem e abusarem dos outros, sem dó nem piedade, como objectos de prazer, para satisfazerem os seus insaciáveis caprichos carnais. É por tais situações que, para grande tristeza nossa, estamos submergidos numa sociedade de aproveitamento, de manipulação e de violência física e verbal contra o próximo. É por tais situações que, cada vez mais, proliferam no mundo o divisionismo, o adultério, o divórcio, a corrupção, a ofensa, o abuso, a violação, a brutalidade, a guerra, a carnificina, o homicídio e toda a sorte de malignidade contra DEUS e o próximo em geral. A inevitável consequência objectiva de subtrair deliberadamente o amor de DEUS, na convivência humano-social, é atrair todas as desgraças deste mundo e uma rampa deslizante para a perdição eterna. 

Por isso, o amor de DEUS tem de fazer parte do substrato identitário do ser humano para, desta forma, convertê-lo e humanizá-lo, habilitando-lhe assim para a prática de toda a boa obra que se funda em DEUS (1 Tm 3:17) – a razão primeira e última do amor. Quem ama verdadeiramente a DEUS, e tem-No no seu coração, jamais cometerá as hediondas e detestáveis práticas acima descritas para prejudicar o seu próximo. A sua conduta, antes pelo contrário, será sempre pautada para o bem e sempre o bem-fazer. 

Vivamos, em suma, de forma genuína, a virtude do amor no nosso coração e mente durante toda a nossa momentânea peregrinação neste mundo maligno. Rejeitamos resolutamente viver um amor superficial e de hipocrisia, despidos de qualquer tipo de valor espiritual, uma vez que esta repreensível conduta não se coaduna com os elevados Princípios e Valores Cristãos. Ela é manifestamente contrária com tudo aquilo que se espera de nós, como seres humanos, criados à imagem e semelhança de DEUS. Vivamos, sim, na Lei do Amor, porque só o amor nos libertará da condenação presente e também da vindoura. Que assim seja. E assim sempre será no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. 

O Ministério do Púlpito


 Dentro de alguns minutos, querendo DEUS, estarei a dirigir o culto na minha igreja e consequentemente a pregar. A minha explanação incidirá sobre “Os Imperativos da Vida Cristã”, baseado no texto bíblico de Romanos 13:8-14. Procurarei, na medida do possível, com a ajuda do Espírito Santo, explorar o alcance teológico e teleológico do tema em apreço, bem como fazer a sua aplicação prática nas nossas vidas. 

Neste grande capítulo treze, o Apóstolo Paulo vincou manifestamente a postura que deve caracterizar e simultaneamente nortear um Cristão no Senhor Jesus Cristo, nomeadamente a sua relação com o Estado (v. 1-7), a relação com o próximo (v. 8-10) e, por fim, a sua relação com o tempo (v.11-12). Tempo passado, presente e vindouro que, em última instância, encerará definitivamente o nosso processo da salvação. No entanto, até chegarmos à glorificação final, precisamos imperativamente de rejeitar as obras das trevas (v.12), andarmos honestamente (v.13) e revestirmo-nos do Senhor Jesus (v.14). Por outras palavras, abandonar plenamente todo o tipo de pecado e revestir-se inteiramente do Senhor Jesus Cristo. Devemos, tal como formula o Pastor Hernandes Dias Lopes sobre este versículo, “andar como Jesus andou, falar como Jesus falou, agir como Jesus agiu, sentir como Jesus sentiu. Jesus deve dominar-nos da cabeça aos pés!”. 

Tudo isto, em suma, só se alcança por amar em primeiro lugar a DEUS e também ao próximo como nós mesmos (v.9), pois o amor é o cumprimento total da lei (v.10). Que assim seja. Assim sempre será. 

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (1): Escuta DEUS


Uma das vantagens assinaláveis que os círculos baptistas tradicionais têm em comparação com as outras denominações evangélico-protestantes é a importância cimeira que damos ao ensino minucioso da Palavra de DEUS, que advém da Reforma Protestante. E a nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, neste aspecto, tem acolhido na medida possível este relevante e determinante desiderato espiritual. O sucesso Cristão passa inevitavelmente pelo conhecimento das Escrituras Sagradas. É um pressuposto assente e indiscutível, razão pela qual a minha Igreja tem investido consideravelmente nesta importantíssima área do ministério eclesiástico, proporcionando pontuais acções de formação e gratuitidade da Revista da Escola Bíblica Dominical da Convenção Baptista Portuguesa para todos os seus respectivos membros. 

No domingo passado, depois de termos finalizado com bastante sucesso o estudo do livro de 1 e 2 Reis, iniciámos agora a nova revista com o estudo do Profeta Amós, Jonas, Oseias e Miqueias.  Por outras palavras, nos próximos três meses, na classe de Jovens e Adultos, estaremos a estudar estes “profetas menores”. Calhou-me dar esta primeira lição intitulada “Escuta Deus”, baseada no texto de Amós 2:4-16. Foi um juízo de DEUS para com o seu povo eleito, tendo em conta o desvio doutrinário e práticas deliberadas de inúmeros pecados em que se deixou envolver, tal como fizeram os seus antepassados, nomeadamente pecados contra os desprotegidos/pobres, a heresia doutrinária, a idolatria, a promiscuidade sexual, profanando assim o Nome do Todo-Poderoso DEUS. 

Por isso, dizia o autor sagrado sobre a sentença do Senhor sobre o povo transviado, “vos esmago como o carro carregado de feixes esmaga a calçada. As pessoas velozes não hão de encontrar refúgio, as fortes hão de perder a sua força, e os guerreiros não hão de poder salvar as suas vidas. Os arqueiros não se poderão manter de pé, os corredores velozes não hão de poder escapar e os cavaleiros não hão de poder fugir. Naquele dia, até o mais valente dos heróis deixará as suas armas e há de fugir.» Palavra do Senhor” (Amós 2:13-16). 

Os Demónios São Muitos no Mundo


Não há dúvidas que os demónios proliferam abundantemente neste maldito mundo em que estamos submergidos. Apoderam-se das criaturas e das pessoas a seu bel-prazer com a finalidade última de arruiná-las. Tornam as pessoas cativas do pecado, fazendo-as mergulhar em todo o tipo de vícios perniciosos, malefícios e malignidade. Os demónios são seres decadentes que estão às ordens de Satanás, o príncipe dos demónios (Mateus 9:34; 12:24), para subverter os planos salvíficos de DEUS com a Humanidade (LER). São muitos no mundo e conspiram articuladamente em várias frentes para destruir o ser humano, não obstante reiteradamente aliciarem-no com aparente bem-estar. Muitas pessoas, ludibriadas neste efémero e mundano sucesso, vendem deliberadamente a alma ao Diabo, mediante pactos satânicos que vão firmando com ele para singrarem rapidamente na vida e, consequentemente, terem o conhecimento, o reconhecimento, a fama, o poder e a riqueza (veja-se, por todos os exemplos, a tragédia do Doutor Fausto com o Mefistófeles de Goethe (LER)

Os demónios estão de forma camuflada em todos os domínios da nossa civilização, sociedade e socialização, através da encarnação real nos “filhos da desobediência” (Ef. 2:2), para promoverem as suas agendas maléficas em todas as dimensões da convivência humana. Os demónios, através dos seus ímpios agentes, estão na política, na governação, nos negócios, no desporto, na academia, nas igrejas, na cultura, no mercado laboral, na moda, nas instituições e nas famílias, etc., razão pela qual são muitos e trabalham unanimemente para promoverem o mal e fazê-lo triunfar na vida das pessoas e no mundo. Mesmo assim, sabemos que somos filhos de DEUS e que o mundo inteiro está sujeito ao poder do maligno (1 João 5:19). Aliás, o Diabo é o príncipe deste mundo e já está condenado pelo poder do Todo-Poderoso DEUS (João 16:11). 

O exemplo manifesto desta afirmação prende-se com o encontro do Senhor Jesus Cristo com o endemoninhado de gadarenos, que “vivia nos sepulcros e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes. Já muitas vezes o tinham apanhado e ligado com cadeias de ferro nos pés e nas mãos, mas ele rebentava tudo e ninguém conseguia dominá-lo” (Mc 5:1-4). A situação desastrosa e infeliz deste homem, que era completamente possuído pelo espírito imundo, instrumentando-o com comportamentos extremamente violentos contra si e terceiros, com o objectivo final de destruí-lo. Ele estava louco pela acção intencional do Diabo para acabar com ele. Tanto que, por esta razão, estava em constante sobressalto interior e revoltava-se contra tudo e todos à sua volta, fazendo com que tivesse isoladamente a sua morada nos sepulcros. Vivia desnorteadamente no meio dos defuntos. O espírito mau atormentava-o “continuamente, dia e noite, gritava pelos montes e por entre os túmulos, ferindo-se com pedras” (Mc 5:6).  Estava fora de si e sob inteira dependência da legião de demónios que se apoderavam dele. A força sobrenatural que ostentava, capaz de rebentar correntes de ferro e tudo o que lhe prendia, a fixação da sua morada no lugar dos mortos e gritos reiterados que dava de dia e noite sem sossego, demonstravam claramente a possessão demoníaca de que este pobre homem tinha sido objecto. 

No entanto, o autor sagrado relata-nos que, quando o endemoninhado “viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” (Marcos 5:6-7). Normalmente ele corria para os outros com fúria, escrevia o teólogo Matthey Henry, “mas ele correu para Cristo com reverência. Aquilo que não pôde ser feito com cadeias e grilhões, foi feito pela mão invisível de Cristo. A fúria dele foi subitamente contida.  Até mesmo o diabo, nessa pobre criatura, foi forçado a tremer diante de Cristo, e curvar-se a Ele”, sintetizava o insigne biblista. O indomável e possesso homem suplicou encarecidamente ao Senhor Jesus para não lhe atormentar, somando ao facto de reconhecê-Lo como Filho de DEUS (Obviamente, que era o demónio que estava a falar e a actuar nele). O Diabo e os seus demónios assustam-se com a presença gloriosa do Senhor Jesus Cristo e sabem perfeitamente que devem-Lhe temor reverencial e acto de adoração, tal como ficou manifestamente patente na passagem bíblica em apreço. 

Perante esta situação dramática de desespero, o Senhor Jesus perguntou ao endemoninhado: Como te chamas? Ele respondeu: Chamo-me multidão, porque somos muitos. Os demónios são muitos e eram muitos os que tinham ocupado indevidamente a vida deste miserável homem, desgraçando-lhe a todos os níveis. Os espíritos maus pediram ao Senhor Jesus: “«Manda-nos passar para aqueles porcos.» Jesus consentiu e os espíritos maus saíram do homem e entraram nos porcos, que eram cerca de dois mil. Puseram-se todos a correr pelo monte abaixo até ao lago e lá se afogaram” (Mc 12-13). Os porcos suicidaram-se, ilustrando o triunfo do bem e o trânsito do mal para uma natureza inferior e conspurcada, em direcção à sua derrota e eliminação. Por outras palavras, o triunfo definitivo do Senhor Jesus Cristo sobre os demónios e Diabo. 

Ao longo dos séculos tem-se especulado de forma sistemática sobre a figura dos porcos nesta milagrosa história, procurando extrair o seu significado teológico e teleológico, sobretudo por que razão os demónios imploraram ao Senhor Jesus para deixá-los entrar exclusivamente nos porcos e Este, por sua vez, consentiu. Na sua homilia vigésima-oitava sobre o Evangelho segundo São Mateus, São João Crisóstomo, citado pelo Jansenista, “esclarecerá que se trata de uma metáfora sobre a dupla natureza humana, representando os porcos a natureza bestial do homem, na qual o Diabo se insinua para nela plantar as sementes do fim da espécie. Em contraponto, Tertuliano (em Adversus Marcionem) e São Jerónimo (nos seus Comentários sobre o Evangelho segundo São Mateus) enaltecem o poder redentor de Cristo sobre as Legiões do Mal”. O Teólogo Protestante Matthey Henry, na mesma esteira do pensamento, sustentava que “imediatamente os espíritos imundos entraram nos porcos, que segundo a lei mosaica eram criaturas impuras, e gostam muito de atolar-se na lama, que era o melhor lugar para eles. Aqueles que, como os porcos, se atolam na lama dos desejos sensuais, são moradas de demônios, e abrigo de todo o espírito imundo, e refúgio de toda a ave imunda e aborrecível (Ap 18:2), assim como as almas puras são a morada do Espírito Santo”. 

É assim que o Diabo actua na vida de todos aqueles que firmam acordos satânicos com ele ou estão sujeitos ao seu reino de trevas, tornando-os inteiramente dependentes do sincretismo, ocultismo, secularismo, relativismo, materialismo, sensualismo, ateísmo e de toda a sorte do pecado contra DEUS, o seu corpo e terceiros, bem como reduzindo-os completamente a uma degradação ético-moral e miséria espiritual aviltante. Esta rampa deslizante, no mundo das trevas, tem como objectivo final a aniquilação total dos próprios indivíduos ímpios para a perdição eterna. 

É verdade que há muitos demónios no mundo e que não se cansam de promover o mal dia e noite. É verdade que os demónios procuram todos os meios para desgraçarem a vida dos seres humanos, especialmente dos filhos de DEUS. Também é verdade que muitas pessoas ímpias firmam acordos satânicos com eles para integrarem os seus reinos diabólicos e, desta forma, tentarem fazer oposição ao Reino da Luz do nosso Salvador Jesus Cristo. No entanto, tal como bem sabemos pela revelação bíblica, O Diabo, os seus demónios e todo o mal foram definitivamente derrotados pelo Poder Divino do nosso Todo-Poderoso DEUS. O reino das trevas, em circunstância alguma, poderá resistir ao Reino da Luz (João 1:5). As portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja do Senhor Jesus Cristo (Mateus 16:18), assim como as trevas não podem resistir à Luz Divina (João 1:12). 

São muitos demónios no mundo, guiados pelo Diabo para praticarem o mal, insisto. Por isso, “não é contra seres humanos que temos de combater, mas contra poderes e autoridades, que dominam este mundo de escuridão, e contra os espíritos do mal, que não se veem” (Ef. 6:12). A nossa luta é contra o Diabo, os demónios e todos os seus agentes neste perverso e decadente mundo para libertar as almas perdidas, tal como o Senhor Jesus salvou milagrosamente este endemoninhado de gadarenos (Mc 5: 15-20). Aquele que vive em nós é mais forte do que aquele que está nos que são do mundo. O mal nunca vencerá o bem, antes pelo contrário, o bem já venceu o mal, através do sangue expiatório do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário. Tem mais poder o Espírito Santo que vive em nós, filhos de DEUS, do que todos os demónios do mundo, o Diabo e os seus agentes terrenos (1 João 4:4). O Senhor Jesus venceu-os a todos e deixou-nos também a promessa de os vencer na força do Seu eterno poder. Que assim seja. E assim sempre será. 

Sinais dos Tempos


 Nestes tempos de paixões frívolas e de comportamentos ridículos; nestes tempos da cólera e da miséria colectiva; nestes tempos da brutalidade e da loucura; nestes tempos da maldade e da desumanidade, refresca-me a releitura das Escrituras Sagradas que nos antevê oportunamente de todos estes malefícios dos últimos tempos: “fica sabendo que, quando chegarem os últimos tempos, hão de vir momentos difíceis. Os homens serão egoístas, gananciosos, pretensiosos, orgulhosos, blasfemos, desobedientes aos pais, mal-agradecidos e descrentes. Serão gente sem amor nem espírito de colaboração. Serão caluniadores, desonestos, desumanos, inimigos do bem, traidores, insolentes, duros de entendimento e mais amigos dos prazeres do que de Deus. Têm aparências de piedade, mas renegam a sua verdadeira força. Foge também deles. (…). São homens de entendimento corrompido e fracos na fé. Mas não hão de chegar muito longe, pois a sua loucura será desmascarada por todos” (Apóstolo Paulo, in 2Tm 3:1.5; 8-9)

A Falsa Questão da Abertura de Igreja ao Mundo


Partilho aqui convosco este brevíssimo e improvisado vídeo que gravei no passado domingo em frente da estátua do grande Reformador Protestante Ulrich Zwingli em Zurique, Suíça, sob o tema “A Falsa Questão da Abertura de Igreja ao Mundo”. Nele refutei manifestamente este falacioso, infundado e maléfico entendimento que visa, em última instância, enfraquecer e destruir definitivamente a Igreja do Senhor Jesus Cristo. Sustentam os tais críticos do Cristianismo, coadjuvados neste diabólico propósito pelos falsos Cristãos, de que a Igreja deve abrir-se ao mundo para assim poder atrair mais pessoas para o seu seio. Abertura esta que, segundo eles, prende-se máxime com a ordenação das mulheres ao ministério pastoral, adopção do ecumenismo bíblico, aceitação da prática homossexual e o seu casamento, bem como não censurar o aborto, a eutanásia e o divórcio, etc. 

Levados por este vento de doutrina e ondas da pós-modernidade, muitas igrejas no Ocidente, sobretudo aqui na Europa, têm renegado deliberadamente as suas origens fundacionais instauradas pelo Senhor Jesus Cristo e reconfirmadas pelos Santos Apóstolos. Tanto que, por esta razão, mesmo com toda esta propalada e tautológica abertura “civilizacional” assente num liberalismo teológico sem precedentes, a Igreja não tem estado a atrair mais pessoas aqui na Europa para dentro dela, antes pelo contrário, ela está cada vez mais herética, estagnada, velha e menos comprometida com os impolutos Princípios e Valores do Evangelho. 

A título exemplificativo, para testar esta nossa afirmação, veja-se a realidade das igrejas nos países escandinavos, especialmente na Suécia, onde o mundanismo apoderou-se completamente do Cristianismo, mesmo assim só dois porcento vai à Igreja e estão parcialmente comprometidos com ela. Na Suécia as mulheres podem ser bispos, tal como os homossexuais. Estes, por sua vez, podem casar pela igreja sem problema, ou seja, aprovam o casamento homossexual e convivem bem com o ecumenismo bíblico-teológico. Apesar de toda esta grande e ampla abertura da igreja sueca aos “avanços civilizacionais” do presente século mau em que estamos submergidos, ela continua a minguar no caminho da autodestruição, tal como muitas outras igrejas aqui na Europa. 

Por isso, este entendimento minimalista e redutor de que a Igreja tem que se abrir ao mundo para poder atrair mais pessoas não passa de um falatório inútil dos ateus, agnósticos e descrentes em geral que visa, em última instância, destruir a Igreja do Senhor Jesus Cristãos. Estas pessoas, em abono da verdade, são dissimuladamente anti-Evangelho, anti-Santidade, anti-Cristianismo, anti-Igreja e anti-Cristo, que não querem ver a afirmação e o sucesso missionário da Igreja do Senhor Jesus Cristo. 

E mais, em circunstância alguma, a Igreja deve ajustar-se ao mundo. É o mundo que deve ajustar sim a mensagem do Evangelho. Quando a Igreja tenta andar ao sabor do vento e das ondas do mundo acaba sempre por cair nas heresias e, desta forma, desviar-se dos seus princípios fundacionais, tal como a História nos tem indubitavelmente provado ao longo dos séculos. A Igreja tem de abrir-se à Sã Doutrina, à Santidade, à Oração, à Evangelização, à Missões e, acima de tudo, para o Todo-Poderoso DEUS. Isto sim, é abertura que conduz à Salvação. 

Nós, em suma, os eleitos filhos de DEUS, não nos deixaremos nunca enganar por artimanhas inventadas pela esperteza daqueles que se armam profundos conhecedores daquilo que  literalmente desconhecem. Mas continuando fidedignamente a proclamar a verdade com amor, crescendo em todos os sentidos para Cristo, que é a cabeça da Igreja (Ef 4:14-15). Que assim seja. E assim sempre será pela fé no Senhor Jesus Cristo.   

O Reino de DEUS Pode ou Não Ser Tomado de Assalto Com Base na Afirmação do Senhor Jesus Cristo em Mateus 11:12?


“E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.” (O Senhor Jesus Cristo, Evangelho segundo Mateus 11:12).  



Temos, nos últimos sete anos, demorado imenso a matutar e a digerir sobre o alcance teológico desta misteriosa afirmação do Senhor Jesus Cristo. A nossa dúvida prendia-se, mais, especialmente, com o seguinte questionamento: será que o Reino de DEUS pode mesmo ser tomado de assalto, tal como fez transparecer o Senhor Jesus nessa Sua peremptória afirmação? E de que maneira? São estas pertinentes questões que nos levaram a vasculhar vários comentários bíblicos para nos tentarmos reconciliar definitivamente com esta passagem bíblica, sem prejuízo obviamente daquele que sempre foi o nosso convicto entendimento inicial sobre ela. 

Confessamos que, por razões várias, os inúmeros comentários que lemos ao longo deste tempo todo, até então, não nos convenceram na sua generalidade. Muitos deles pareceram-nos abstratos e colaterais do real cerne da questão. Por outras palavras, ficaram bastante aquém. A título exemplificativo, por todos eles, excluindo nesta abordagem a referência de teólogos e intérpretes bíblicos que também tivemos o cuidado de ler, a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, com afinidades mais com a doutrina Pentecostal, considera que existem três interpretações comuns para essa afirmação do Senhor Jesus e passa a enumerá-las: “(1) Ele pode referir-se ao esforço das pessoas para se aproximar de Deus, que havia começado com a pregação de João Baptista. (2) Pode ter usado a expectativa dos activistas judeus que de que o Reino de Deus chegaria por meio de uma violenta derrota de Roma (que representa o mundo). (3) Pode estar dizendo que, para entrar no Reino de Deus, é necessário ter coragem, fé inabalável, determinação e resignação, porque a crescente oposição se manifesta a todos os seguidores de Jesus”. Diferentemente dessas interpretações, a Bíblia de Estudo de Genebra, da ala tradicional e conservadora do protestantismo, comentando o mesmo trecho bíblico, considera que “o Reino está avançado poderosamente, embora homens violentos como Herodes, que havia aprisionado João Baptista, tentassem sobrepujá-lo pela força. Não são, porém, os fortes e poderosos que alcançam o reino, mas os fracos e humildes (vs. 28:30), que conhecem suas próprias fraquezas e estão dispostos a depender de Deus (cf. Lc 16:16, nota)”

Há, como se pode constatar, vários entendimentos e patentes divergências doutrinárias sobre esta afirmação do Senhor Jesus Cristo. De forma subsumida, há os que entendem que aqueles que tomam o Reino de DEUS à força são agentes que foram convocados pela mensagem do Reino que se iniciou com a pregação do Profeta João Baptista, razão pela qual corresponderam-na imediatamente nas suas vidas e, deste modo, pela força, se apoderam dele. São, com base neste entendimento, as pessoas que fariam parte do Reino de DEUS pela soberana vontade de DEUS – e que o tomam de assalto, beneficiando assim da salvação que foi reservada por elas antes da fundação do mundo. Diferentemente desta leitura, outros entendem que os que usam de violência para conquistar o Reino de DEUS são elementos estranhos a ele, procurando a todo o custo, com força do maligno, tomá-lo de assalto e, consequentemente, obstruir a sua vigorosa mensagem evangelístico-salvífica. Por isso, conseguiram concretizar tal diabólico plano com a decapitação do Profeta João Baptista e, posteriormente, com a horrenda morte do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário. São, de acordo com este entendimento, pessoas que querem obstruir e destruir definitivamente a mensagem do Evangelho, levando-os a humilhar, perseguir e matar todos aqueles que são os verdadeiros filhos do Reino de DEUS. Há ainda outras posições intermédias que, a nosso ver, julgamos inoportunas reproduzir aqui, uma vez que os dois importantes entendimentos opostos esboçam na íntegra a problemática teológico-doutrina de Mateus 11:12. 

Antes de manifestar a nossa humilde opinião sobre esta afirmação do Senhor Jesus, importa, desde logo, definir para os leitores o Reino de DEUS para assim poderem estar holisticamente dentro do assunto. O Reino de Deus, tal como formula inspiradamente a Declaração da Fé Baptista Portuguesa, que também subscrevemos na íntegra, “inclui a sua soberania geral sobre o universo e sobre todos os homens que espontânea e voluntariamente O reconhecem como Rei e Senhor. Todos os crentes devem orar e esforçar-se para que o reino de Deus venha em plenitude e a sua vontade seja feita sobre a Terra. A consumação plena do seu reino aguarda a segunda vinda de Jesus Cristo e o fim da era presente” (LER)

Posto isto, estamos agora em condições de responder diretamente à pergunta do título do artigo: Sim, a nosso ver, o Reino de DEUS pode ser tomado de assalto, aliás, é claramente isso que se pode depreender da afirmação do Senhor Jesus na passagem bíblica em apreço. Até aqui nada de surpreendente ou anormal, uma vez que a querela doutrinária não se prende com o facto de o Reino de DEUS ser tomado de assalto, mas sim quem são os tais “violentos” que o conquistam pela força. E isto remete-nos novamente para a exegese do texto de Mateus 11:12 e o seu alcance teológico e teleológico, isto é, para aferir com precisão quem são os ditos violentos que se apoderam do Reino de DEUS pela violência – se são ou não agentes afectos ao próprio Reino. 

Para responder a esta última questão, julgamos que é imprescindível perceber se o verbo “tomado por esforço” está na voz activa ou passiva, tal como desdobram vários biblistas com o intuito de perceber da melhor forma o alcance da afirmação do Senhor Jesus. Isto é amiúde determinante para concluirmos se o Reino de DEUS, na passagem bíblica em questão, está sendo atacado num sentido positivo ou negativo. As duas realidades são extremamente importantes para compreender o alcance prático da afirmação do Senhor Jesus, insistimos. A referida passagem bíblica, fazendo fé aos inúmeros comentários que lemos, é de difícil compressão. Não está manifestamente claro se o verbo grego “tomado por esforço” está na voz activa ou passiva. No entanto, tendo em consideração o contexto e a afirmação do Senhor Jesus, não hesitamos em concluir que o verbo “tomado por esforço” está na voz passiva, fazendo com que o Reino de DEUS seja apoderado desfavoravelmente pelos“violentos” (LER)

Na nossa leitura, respondendo agora directamente à pergunta em questão, as pessoas que fazem violência ao Reino de DEUS, e pela força se apoderam dele, são elementos estranhos a ele, que procuram pela força de Satanás controlar o Reino de DEUS. Não são filhos de DEUS, mas sim filhos da perdição. Há dois factores que nos levam a chegar esta conclusão. A primeira prende-se sobretudo com duas palavras manifestamente pejorativas do ponto de vista bíblico, que encerram a frase do Senhor Jesus no referido texto, nomeadamente a “força” e a “violência” que os violentos usam para se apoderarem do Reino de DEUS. Nós sabemos, pela revelação Divina, “não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito” que triunfaremos ou ganharemos a simpatia do Todo-Poderoso DEUS (Zacarias 4:6). E mais, a violência, seja ela qual for, é manifestamente censurada e reprovada nas Escrituras Sagradas. Por isso, o Senhor Jesus rejeitou liminarmente a visão zelota de empreender a força e a violência como meios legítimos para fazer vincar a todo o custo a vontade de DEUS. Acresce ainda ao facto de, considerando inversamente que os “violentos” que tomam de assalto o Reino de DEUS são as pessoas que se esforçaram legitimamente para se beneficiar da salvação, entrar flagrantemente com a doutrina da graça e da eleição que nos ensinam manifestamente que a salvação é toda ela fruto do trabalho exclusivo do nosso Omnisciente DEUS, excluindo qualquer tipo de colaboração humana nela (Efésios 2:8-10). Ninguém é salvo por alguma obra ou espontânea decisão sua, mas tão-somente pela imerecida graça de DEUS. O Todo-Poderoso DEUS escolhe quem ELE quer salvar e os salva. Se é assim, como é que é possível as pessoas, por iniciativa delas, conquistarem por mérito o Reino de DEUS, tal como sustenta a tese oposta? 

A par dos argumentos e contra-argumentos que acabamos de expor, há ainda um conjunto de situações que apoiam a tese que estamos a defender. A começar, desde logo, com o arbítrio aprisionamento e decapitação do Profeta João Baptista nos capítulos subsequentes (Mateus 14:1-12, Marcos 6:14-29, Lucas 9-7-9), bem como o próprio Senhor Jesus Cristo e a ininterrupta perseguição e martírio, sem precedentes, que os filhos de DEUS têm sido objecto ao longo de toda a história do Cristianismo persistindo  até à data presente, com vista a impedir a proclamação do Evangelho. E isto evidencia-se tanto para os declarados inimigos da Fé e concomitantemente com os falsos profetas e cristãos, que vêm a nós, os filhos de DEUS, disfarçadamente em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores (Mateus 7:15). Com  efeito, “eles mataram o Senhor Jesus e os profetas e perseguiram-nos também a nós. Eles não agradam a Deus e estão contra toda a gente, pois querem impedir que preguemos a salvação aos não-judeus. Isto acabou de encher completamente a medida dos seus pecados e por isso o castigo de Deus caiu finalmente sobre eles” (1 Tessalonicenses 2:15-16). São eles que tentaram tomar pela violência o Reino de DEUS e consequentemente impedir a propagação da Boa Nova da Salvação. Esta inequívoca verdade vai ganhando contornos e implicações esclarecedoras na parábola do “trigo e joio”, tendo como pano de fundo o Reino de DEUS representado soberanamente pelos seus filhos como “trigo” e os inimigos do Reino representados pelo “joio”. O Omnisciente DEUS é o semeador, ou seja, responsável máximo do Reino. Enquanto semeou a boa semente no seu campo fértil, isto é, no Reino, veio também o inimigo do Todo-Poderoso DEUS, semeando o joio no meio do trigo e foi-se embora.  Quando as plantas cresceram e se começaram a formar as espigas, diz o texto sagrado, apareceu também o joio. No entanto, o Eterno Jeová recomendou que deixassem-nos crescer os dois até ao tempo da ceifa. Nessa altura dirá aos ceifeiros: “apanhem primeiro o joio e atem-no em feixes para ser queimado no fogo, mas recolham o trigo para o meu celeiro” (Mateus 13:24-30). A mesma verdade, é ilustrada na parábola do “Bom Pastor”, que encerra vários figurantes, nomeadamente a porta, o curral, as ovelhas, o ladrão e salteador, o Bom Pastor das Ovelhas, o porteiro, o mercenário (João 10:1-18). Há nesta parábola uma usurpação do ladrão e salteador ao Reino de DEUS, coadjuvados neste premeditado assalto às ovelhinhas do Senhor Jesus pelo assalariado, isto é, os falsos profetas, os falsos pastores e falsos líderes Cristãos, com o intuito de “a roubar, a matar, e a destruir” os filhos do Reino do Reino (João 10:10). O Senhor Jesus, por conseguinte, é “o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido” (João 10:11-14). Esta passagem bíblica esboça muito bem como o Reino tem sido atacado ferozmente e tomado de assalto pelos inimigos da Cruz, que se vai traduzir com a manifestação visível do anticristo “que se revolta e se coloca acima de tudo o que se considera divino ou sagrado. Chegará mesmo a tomar assento no templo de Deus, apresentando-se a si mesmo como deus” (2 Tessalonicenses 2:4). Porém, tal como admoesta ainda as Escrituras Sagradas sobre esta diabólica figura, “o rebelde há de manifestar-se a seu devido tempo. Com efeito, as forças misteriosas do mal já estão em atividade. Mas para que tudo se realize é preciso que aquele que está a impedi-lo saia da sua frente. 8Então aparecerá o rebelde e o Senhor Jesus vai vencê-lo com o sopro da sua boca e dominá-lo com o esplendor da sua vinda. O rebelde aparecerá com a força de Satanás e fará falsos milagres, sinais e prodígios. Utilizará todas as artimanhas do mal para enganar os que se vão perder, porque não acolheram nem amaram a verdade a fim de serem salvos. Por isso, o Senhor permitiu que fossem dominados por uma força enganadora que os leva a acreditarem na mentira. Assim se faz o julgamento daqueles que não acreditam na verdade, mas preferem praticar o mal” (2 Tessalonicenses 2:6-12)

Estes inimigos da Fé Cristã tomam pela violência o Reino de DEUS, tal como os fariseus e doutores da lei se apoderavam da chave do conhecimento religioso, sentando na cadeira de Moisés (Mateus 23:2), mesmo assim não tomando posse da vida eterna, impedindo deliberadamente os que gostariam de o fazer (Lucas 11:52). Em consequência disso, “fecham-lhes na cara a porta do reino dos céus” (Mateus 23:13). São pessoas sem escrúpulos e autênticos malfeitores. Aproveitam-se das suas posições privilegiadas dentro das congregações para sedimentar e propagar heresias destruidoras de vidas humanas. Com as suas acções vergonhosas descredibilizam a imaculada imagem do Evangelho aos olhos do mundo. Esta mesma verdade aplica-se até aos dias de hoje: de pessoas que estão nas igrejas aparentando serem “nascidas de novo”, inclusive muitas delas com posições de relevo na Igreja, porém são autênticos agentes de Satanás dentro das congregações. Não fazem parte do Reino de DEUS, mas infiltrados que entram nele com o objectivo de fracassar os planos Divinos. São pessoas que não querem que se fale da santificação, da vida consagrada de oração, da denúncia do pecado, de Missões e Evangelizações. Estão nas congregações para, a todo o custo, impor uma agenda contrária aos impolutos Princípios e Valores das Escrituras Sagradas, vedando a materialização do avanço do Cristianismo. São dissimuladamente anticristos, uma vez que tentam fechar as portas das Igrejas, perseguindo os filhos de DEUS e até, em casos extremos, ceifando-lhes a vida. Usam a Igreja como antro de promiscuidade, convertendo-a em plataforma para auto-promoções, tráfico de influências, conluios, rivalidades, represálias, desvios de fundos, enriquecimentos ilícitos, imoralidade sexual, idolatria, sincretismo, liberalismo, misticismo e corrupção. Os falsos pastores e falsos cristãos apresentam-se disfarçados em ovelhas, mas por dentro não passam de patronos de fraude e lobos devoradores (Mateus 7:15). Disseminam sorrateiramente falsas doutrinas dentro das congregações, arrastando consigo os inúmeros discípulos, com o intuito de destruir, em última instância, a Igreja de Cristo (Actos 20: 29-30). São pessoas de mentes corrompidas e que andam longe da verdade. Têm a religião como um negócio e fonte de lucro, escrevia o Apóstolo Paulo a seu respeito (1 Timóteo 6:5). O Santo Pedro, seguindo a mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de considerá-los “atrevidos e arrogantes. Encontram prazer em satisfazer as suas paixões em pleno dia. Os seus olhares são imorais e os seus apetites sensuais, insaciáveis. Seduzem as pessoas menos firmes e estão cheios de cobiça. É uma gente amaldiçoada. Afastaram-se do bom caminho e perderam-se” (2 Pedro 2:10; 13-14). Leitura igualmente reforçada por Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, lamentando o comportamento deles em tom reprovador “ai deles”, traçando o seu destino final como “reservada a sombria escuridão, para sempre” (Judas 1:11; 13) (LER)

Se é verdade que estes filhos da perdição, os “violentos”, que tomam pela força o Reino de DEUS, procurando inutilmente frustrar os planos de DEUS, jamais conseguirão vencer ao ponto de travar o galopante progresso do Evangelho no mundo. O Reino de DEUS vai continuar permanentemente a expandir poderosamente em todos os cantos e direções da face da Terra, contra a vontade destes declarados inimigos da Fé Cristã. Eles usam a violência para tomar o Reino de DEUS, obviamente com a permissão Divina, mesmo assim não conseguirão ter o controlo Dele. O Autor e Consumador da nossa Fé, o Senhor Jesus Cristo (Hebreus 12:2), através do Espírito Santo, não permitirá que eles tenham sucesso nos amados filhos de DEUS, visto que somos de Deus e vencer-lhes-emos, os falsos profetas e falsos cristãos, porque aquele que vive em nós é mais forte do que aquele que está nos que são do mundo (1 João 4:4). Por isso, não tenhamos medo de nada, porque são mais os que estão connosco do que os que estão com eles (2 Reis 6:16). O Todo-Poderoso DEUS continua soberanamente a ter o efetivo e absoluto controle no Seu Reino e a guiar pela mão poderosa os seus eleitos filhos no caminho da fé, do amor, da graça, da bondade, da justiça, da humildade, do perdão, da santificação, da Evangelização e Missões, da esperança e da vida eterna. A constante oposição destes violentos, que assaltam pela força o Reino DEUS, em circunstância alguma, obstruirão os planos salvíficos Divinos e, muito menos, travarão a vitória garantida dos filhos de DEUS.  Em todas estas coisas, “somos mais que vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37). Os tais anticristos serão, em tempo oportuno, definitivamente derrotados pelo poder de DEUS e, simultaneamente, lançados para o fogo do inferno para sempre. Ao passo que a Igreja do Senhor, os verdadeiros agentes do Reino de DEUS, vai sempre sair vitoriosa em todas as ocasiões, contextos, circunstâncias e conjunturas, máxime da letargia, dos escândalos, dos pecados, das traições, das perseguições, dos falsos pastores, dos falsos líderes, dos falsos teólogos, dos falsos cristãos, dos ímpios e destes violentos que assaltam pela força o Reino de DEUS. As portas do inferno, em circunstância alguma, prevalecerão contra a Igreja de Cristo (Mateus 16:18). A predeterminada visão gloriosa se cumprirá e a Igreja Vitoriosa em paz repousará sobre as Bem-aventuranças Eternas. Que assim seja. E assim sempre será (LER). Aleluia! Aleluia! Aleluia! 

A PALAVRA DO SENHOR (36): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


«Sendo completamente livre diante de todos, fiz-me servo de todos, para poder converter para Cristo o maior número possível. Com os judeus portei-me como judeu, para os converter. Sujeitei-me à Lei de Moisés com aqueles que a cumprem, para os converter, mesmo sabendo que não estou obrigado a isso. Com gentios vivi como gentio para os converter. Mas não sou livre da lei de Deus; antes cumpro a lei de Cristo. Fiz-me fraco com os que são ainda fracos na fé, para os converter. Fiz-me tudo para todos, de modo que por todos os meios pudesse salvar alguns. Faço tudo isto por amor do evangelho, esperando ter parte nas suas promessas. 

Não sabem que no estádio todos os corredores tomam parte na corrida, mas só um é que recebe o prémio? Corram, portanto, de maneira a poderem recebê-lo. Aqueles que se preparam para uma competição privam-se de tudo. E fazem-no só para ver se conseguem um prémio que, afinal, dura pouco. Mas nós trabalhamos por um prémio que dura para sempre. É desta maneira que eu corro e não como quem corre sem saber para onde. É assim que eu luto e não como quem dá socos à toa. Mas eu luto contra o meu corpo, para o dominar, a fim de não acontecer que, andando a pregar aos outros, seja rejeitado por Deus.[1]»  


[1] Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, 1 Coríntios 9:19-27, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

OS EQUÍVOCOS TEOLÓGICO-DOUTRINÁRIOS SOBRE A CEIA DO SENHOR: (4): Um Cristão Disciplinado Pela Igreja Pode Tomar a Ceia do SENHOR?



Uma outra pertinente questão que se coloca é a seguinte: um Cristão disciplinado pela Igreja pode tomar a Ceia do Senhor? Antes de respondermos directamente a esta pertinente pergunta, julgamos oportuno manifestar previamente aqui a nossa opinião sobre a disciplina eclesiástica. 

Desde logo, a disciplina eclesiástica não é um tema consensual no meio Evangélico-protestante. Além de ser praticamente tabu há, no entanto, denominações e igrejas que não a aplicam nos seus regulamentos internos e consequentemente na vida dos seus membros. Outras denominações e Igrejas, diferentemente, aplicam-na nos seus estatutos regulamentares, concretamente na vida dos seus respectivos membros que vivem deliberadamente na prática do pecado, sem a capacidade de reconhecer a sua miserável condição espiritual. Neste diferendo doutrinário, cada ala procura esgrimir argumentos bíblicos “irrefutáveis” para fazer vincar a sua posição teológica. É verdade que a Igreja de Cristo não pode ser um espaço de “punição”, tal como, da mesma sorte, em circunstância alguma, pode ser um sítio de legitimar comportamentos indecorosos, desviantes da ética Cristã. 

Por isso, da nossa parte, sem qualquer tipo de hesitação prévia, somos manifestamente apologistas da disciplina eclesiástica, uma vez que está contemplada nas Escrituras Sagradas. A Igreja do Senhor Jesus tem toda a autoridade para aplicar sanções disciplinares aos seus membros desordeiros, que vivem sistematicamente no pecado, sem espiritualmente reconhecer as suas censuráveis condutas Cristãs, contando que não seja uma decisão discricionária e despótica. Ela deve ser, acima de tudo, justificada à luz da impoluta Palavra de DEUS. Dito por outras palavras, deve ser uma decisão espiritual tomada por deliberação comunitária, da Direcção ou Conselho da Igreja, e não se circunscrever meramente ao Pastor ou qualquer outro líder.  Tal extrema decisão deve visar, em última instância, convencer o irmão insubordinado da sua miserável condição espiritual que teima em não se retratar. É uma forma de chamá-lo para abandonar a prática do pecado, arrepender-se o mais rápido possível e procurar uma vida sacrossanta. 

A disciplina da Igreja pode passar por, entendemos nós, dependendo da situação e gravidade do pecado em questão, perder o privilégio de participar nos ministérios da Igreja, não tomar parte na Ceia do Senhor e, em casos extremos, a exclusão da membresia. Antes da Igreja considerar o infractor de “gentio”, “publicano” ou “herege” (Mateus 18:15-17; Tito 3:10) e posteriormente “entregá-lo a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus” (1 Coríntios 5:5), é preciso previamente tentar persuadi-lo das eventuais consequências eclesiásticas em que ele incorre ao permanecer resolutamente no pecado e, deste modo, continuar a confrontar as autoridades da Igreja. A Igreja é chamada a não associar “com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com os tais nem se deve comer (1 Coríntios 5:11; 2 Tessalonicenses 2:6; 14). Ao homem “faccioso”, “contencioso” ou “herege”, exortava ainda o autor sagrado, “depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tito 3:10-11). É importante apenas não o tomar como inimigo, mas admoestai-o como irmão (2 Tessalonicenses 3:15). Se, no entanto, houver por parte do disciplinado a postura de arrependimento e mudança de vida, a Igreja deve recebê-lo novamente como irmão e reintegrá-lo na comunidade, uma vez que “a punição que lhe foi imposta pela maioria é suficiente. Agora, pelo contrário, vocês devem perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja dominado por excessiva tristeza. Portanto, eu lhes recomendo que reafirmem o amor que têm por ele” (2 Coríntios 2:6-8), advertia afectuosamente o Apóstolo Paulo. 

Estamos agora em condições de responder directamente à pergunta supra-mencionada, isto é, se uma pessoa disciplinada pela Igreja pode comungar da Ceia do Senhor? Numa prespectiva geral, obviamente que não. Não pode. Não está e condições espirituais para tomar a Ceia. Uma pessoa disciplinada pela Igreja não pode tomar parte nos ministérios da Igreja, bem como comungar da sagrada Ceia do Senhor, independentemente da gravidade da situação, tendo em conta o seu testemunho manchado dentro da comunidade. Não está em condições espirituais devidas de assumir nenhum cargo na Igreja e tomar a Ceia, insistimos. Não se pode confrontar a Igreja, através da prática propositada do pecado, e concomitantemente estar bem com o Senhor Jesus ao ponto de ter responsabilidades eclesiásticas e consequentemente tomar a Ceia. Quem desafia a Igreja está a desafiar o Senhor Jesus e a Palavra de DEUS. A Igreja pertence ao Senhor Jesus, razão pela qual a partir do momento em que uma pessoa não está bem com a Igreja passa automaticamente a não estar bem também com o Senhor Jesus. Jamais ninguém poderá ter diferendo com a Igreja e, ao mesmo tempo, reclamar a pretensão de ter boas relações com o Senhor Jesus. É completamente falso e um autêntico paradoxo. O relacionamento com o Senhor é manifestamente indissociável da Sua Igreja, visto que Ele é a cabeça da Igreja (Colossenses 1:18) e os crentes fazem parte do corpo de Cristo (1 Coríntios 12:27). Caso diferente, é a pessoa que está disciplinada e que reconhece de facto a sua condição pecaminosa, aceitando de bom grado a disciplina da Igreja, dando sinais evidentes de confissão e arrependimento do seu pecado, parece-nos que não há motivos para ela não se comungar da ordenança da Ceia do Senhor. 

Julgámos desta forma porque, independentemente de a Igreja ainda não levantar a sua disciplina por razões de vária natureza, a pessoa em causa já deu sinais claros que aprendeu a lição com a disciplina e também o Todo-poderoso DEUS já lhe perdoou pelo que está em condições espirituais necessárias de poder voltar a tomar a Ceia do Senhor. Não nos parece sensato privá-lo da Ceia somente porque a Igreja ainda não decidiu levantar formalmente a sanção, até porque, em determinados casos, a disciplina pode demorar mais por causa da própria burocracia associada à Igreja. Por isso, não faz qualquer tipo de sentido um crente genuinamente arrependido continuar inutilmente a ser privado dos privilégios dos ministérios da Igreja. Com efeito, somos da opinião que o levantamento da disciplina deve respeitar as mesmas formalidades eclesiásticas da sanção. Ela não pode ser deixada à mercê do Pastor ou qualquer outro líder ou titular da Igreja. Tem que ser feita perante a comunidade, mediante uma reunião deliberativa da Direcção ou Conselho da Igreja. 

Somos, para finalizar este sub-tópico, a favor da disciplina da Igreja. Da mesma sorte, somos contra os crentes que estão na disciplina da Igreja comungarem da Ceia do Senhor, exceptuando em condições de claro arrependimento e mudança radical da sua condição pecaminosa, tal como acabámos de defender, dependendo de cada caso em concreto. 

A PALAVRA DO SENHOR (31): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Sabem muito bem, irmãos, que o acolhimento que tivemos da vossa parte não foi em vão. Mas depois de termos sofrido e de termos sido injuriados em Filipos, como sabem, o nosso Deus deu-nos a coragem de irmos pregar a boa nova de Deus na vossa terra, apesar das muitas dificuldades. A nossa pregação não está fundada no engano, nem na desonestidade, nem no erro. Ao contrário, como Deus nos considerou dignos de nos confiar o evangelho, assim nós falámos, não para agradar aos homens, mas a Deus que julga os nossos corações. Sabem também que não nos servimos de palavras agradáveis ou interesseiras. Deus é testemunha disso. Nunca procurámos honrarias humanas nem da vossa parte nem de outros. E contudo tínhamos o direito de fazer valer a autoridade de sermos apóstolos de Cristo. Mas quisemos tratar-vos com a delicadeza com que uma mãe trata os seus próprios filhos. A nossa ternura por vós era tal que estávamos dispostos não só a entregar-vos a boa nova que vem de Deus, mas também a nossa vida, de tal maneira nos afeiçoámos. 

Lembram-se, com certeza, irmãos, das nossas penas e fadigas. Trabalhámos noite e dia para não sermos pesados a ninguém e assim vos anunciámos a boa nova de Deus. Vocês são testemunhas, e Deus também, de como o nosso comportamento para convosco, os crentes, foi honesto, justo e irrepreensível. Sabem muito bem que fomos para cada um de vós como um pai para os seus filhos. Exortámo-vos, encorajámo-vos e mostrámos como deviam seguir a vontade de Deus que vos convida a tomarem parte na glória do seu reino. 

Também por isto agradecemos continuamente a Deus, porque ao receberem a nossa palavra, foi a mensagem de Deus que receberam. Pois não era simplesmente palavra de homens, mas era verdadeira palavra de Deus, aquela mesma que atua também em vós, os crentes. Irmãos, a vossa situação é semelhante à das igrejas de Deus que estão na Judeia e acreditam em Cristo Jesus. Também tiveram que sofrer da parte dos vossos compatriotas como eles sofreram. Eles mataram o Senhor Jesus e os profetas e perseguiram-nos também a nós. Eles não agradam a Deus e estão contra toda a gente, pois querem impedir que preguemos a salvação aos não-judeus. Isto acabou de encher completamente a medida dos seus pecados e por isso o castigo de Deus caiu finalmente sobre eles.[1]” 


[1]Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, 1 Tessalonicenses 2:1-15, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

Os Paradoxos do Protestantismo

Os meios evangélico-tradicionais não enfatizam o bastante a virtude da oração. Não promovem os cultos comunitários de jejuns e vigílias. Oram-se, em abono da verdade, muito pouco. O jejum e as vigílias são realidades praticamente inexistentes nestes círculos Cristãos o que, de todo, é um erro crasso. Uma falha teológica gravíssima. Fala-se da oração sempre de uma forma tautológica, abstrata e amiúde superficial, remetendo-a mais subsidiariamente para o domínio subjectivo. Não realçam fervorosamente o poderio incontornável e impacto real da oração na vida dos santos de DEUS, máxime o seu impulso catalisador na coesão e dinamismo dos ministérios da Igreja e no avanço da obra missionária (LER). As Igrejas evangélico-tradicionais, infelizmente, não oram. Há, digamos assim, uma notória insensibilidade e alheamento deliberado no que toca à oração, jejum e vigílias nestes conservadores meios evangélico-protestantes, diferentemente dos círculos pentecostais. Os círculos pentecostais nestes pontos são irrepreensíveis. São meios que priorizam manifestamente a oração, jejum e vigílias. Estas salutares realidades espirituais fazem parte do seu substrato identitário. As denominações tradicionais falam pontualmente da oração e, em consequência disso, oram bastante pouco. Do jejum e vigílias então nem sequer falaremos. 

Toda esta insensibilidade com a oração nos meios tradicionais tem alguma explicação. Desde logo, são círculos precursores da Reforma Protestante do séc. XVI, em que esta se baseava exclusivamente em distanciar-se das práticas heréticas da Igreja Católica Romana, liderada mormente por um leque de reputados teólogos e doutores da Igreja que conseguiram fazer triunfar a Reforma Protestante (LER). Com isso, acabaram por libertar parte significativa dos crentes do obscurantismo teológico a que a Igreja Católica lhes votava, passando assim a enfatizar manifestamente o princípio bíblico do “sacerdócio universal” dos Cristãos e o estudo meticuloso da Palavra de DEUS para responder satisfatoriamente o referido desafio espiritual, dando mais primazia ao estudo rigoroso das Escrituras Sagradas e à sua hermenêutica. Tanto que, por esta razão, até à data presente, há uma consciência bem apurada nestes meios tradicionais do valor importantíssimo, imprescindível e irrenunciável do conhecimento da Palavra de DEUS, porque assim foram moldados desde o começo. São Igrejas que investem consideravelmente na formação dos seus Pastores, Obreiros, Líderes e nas suas congregações em geral, através de conceituadas Escolas de Profetas, riquíssimas ofertas da literatura Cristã, pregações de excelência e ensino doutrinário consistente (LER). No entanto, descuram a virtude da oração. Concebem equivocadamente que o conhecimento teórico das Escrituras Sagradas – só por si – é suficiente para o triunfo da vida Cristã, levando-os a dar menor relevância à oração. Será que podemos dissociar o genuíno conhecimento da Palavra de DEUS com a oração? Obviamente que não. 

Se é verdade que os meios tradicionais do protestantismo negligenciam a oração nas suas actividades eclesiásticas, da mesma sorte os pentecostais-carismáticos descuram flagrantemente o estudo sério da Palavra de DEUS. Não encorajam muito a preparação cuidada e aprofundada da Teologia. O estudo demorado das Escrituras Sagradas é entendido erradamente como sendo um “descartar” da acção poderosa do Espírito Santo. Os cultos acabam por esgotar-se meramente em reiteradas exortações, falar em línguas, profecias, milagres e curas. A generalidade dos Pastores, nestes meios, não tem a mínima formação formal em Teologia e os que têm evidenciam um défice acentuado na Palavra de DEUS, ou melhor, são muito mal preparados. Por conseguinte, são meios onde se propagam cada vez mais as heresias destruidoras de vidas humanas, que se vai consubstanciando em “outro evangelho” (o da prosperidade, bem entendido). 

Também esta realidade dos meios pentecostais-carismáticos tem alguma explicação. O pentecostalismo moderno floresceu nos EUA no séc. XX, com o afro americano William Joseph Seymour, através do ressurgimento de glossolalia. O movimento surgiu num círculo fechado de oração e de grande avivamento espiritual, que se vai traduzindo naquilo que apelidam de “baptismo do Espírito Santo”, isto é, a capacidade de falar línguas estranhas, tal como aconteceu com a vinda do Espírito Santo – depois da ascensão aos céus do Senhor Jesus Cristo (Actos 2:1-13). Esta é a razão pela qual as Igrejas Pentecostais-carismáticas enfatizam bastante a oração, o Baptismo do Espírito Santo, o dom de línguas e de curas, porque fazem parte do seu substrato identitário. A questão, igualmente, que se coloca é a seguinte: pode dissociar-se a oração do conhecimento da Palavra de DEUS? A resposta é, sem dúvida, não. 

Por toda essa insuficiência Teológica, as denominações evangélicas protestantes confrontam-se com seríssimos problemas, pois há uma “parcialização teológica” de todos os lados daquilo que deveria ser holisticamente a essência da Igreja do Senhor Jesus Cristo no “presente século mau”, tal como preceituado nas Escrituras Sagradas. Os meios evangélicos tradicionais não enfatizam a oração, a vigília e o jejum, insistimos, razão pela qual as suas congregações enfrentam problemas de falta de obreiros, o racionalismo teológico, a indolência com a Evangelização e Missões e estagnação a nível do crescimento. Ao passo que os meios pentecostais-carismáticos se tornaram denominações férteis para os “vendilhões do Templo” e de toda a sorte da heresia e escândalos espirituais sem precedentes (LER), uma vez que não se aplicam seriamente no conhecimento aprofundado da Palavra de DEUS. Um autêntico dilema que somente a graça de DEUS nos pode ajudar a ultrapassar. 

A oração, em suma, só faz sentido com o conhecimento da Palavra de DEUS e vice-versa. As duas realidades são concomitantemente intrínsecas e indissociáveis uma da outra no plano da salvação. Usemos, pois, sem qualquer tipo de hesitação, as duas poderosíssimas ferramentas espirituais para a nossa edificação, da Igreja do Senhor Jesus Cristo, e do mundo em geral. Que assim seja. 

A PALAVRA DO SENHOR (29): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Pedro aproximou-se então de Jesus e fez-lhe esta pergunta: «Senhor, quantas vezes devo perdoar ao meu irmão, se ele continuar a ofender-me? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não até sete, mas até setenta vezes sete! 

Por isso, o reino dos céus pode comparar-se a um rei que decidiu arrumar as contas com os seus administradores. Quando começou a conferir as dívidas, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme quantia. Como este não tinha com que restituir, o rei deu ordens para que ele, a mulher e os filhos, e tudo quanto tinha, fossem vendidos para pagar a dívida. O tal homem pôs-se então de joelhos diante do rei e pediu: “Tem paciência comigo que eu vou restituir tudo.” O rei teve tanta pena dele que lhe perdoou a dívida e o deixou ir em liberdade. Mas quando este mesmo homem ia a sair, encontrou um colega que lhe devia algumas moedas. Deitou-lhe as mãos ao pescoço, começou a afogá-lo e dizia: “Paga-me o que me deves!” O companheiro lançou-se-lhe aos pés e suplicou: “Tem paciência comigo que eu vou restituir tudo.” Mas o outro não quis esperar. Pelo contrário, mandou meter o companheiro na cadeia até pagar a dívida. 

Quando os outros colegas viram o que se tinha passado ficaram muito tristes e foram contar tudo ao rei, seu senhor. Então o rei mandou chamar esse administrador e disse-lhe: “Servo malvado! Eu perdoei-te a dívida toda, porque mo pediste. Não devias tu ser compreensivo para com o teu companheiro como eu fui compreensivo para contigo?” E o rei ficou tão zangado com aquele servo que o meteu na prisão para ser castigado, até restituir tudo quanto devia. 

Assim também vos há de tratar o meu Pai do Céu, se cada um de vocês não perdoar de boa mente ao seu irmão[1].»”  


[1] (O Senhor Jesus Cristo, in A Bíblia Sagrada, Mateus 18:21-35, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

A PALAVRA DO SENHOR (26): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“A Tito, meu verdadeiro filho na fé que partilhamos, desejo graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Salvador. Quando te deixei em Creta, foi para acabares de organizar o que ainda faltava e para nomeares presbíteros em cada localidade, conforme as instruções que te dei. O presbítero deve ser alguém irrepreensível, marido fiel, com filhos crentes, que não sejam culpados de mau comportamento ou de rebeldia. Pois um bispo deve ser irrepreensível nas coisas de Deus e por isso não pode levar uma vida reprovável. Não deve ser orgulhoso, nem ter mau génio; não se deve embriagar, nem ser violento, nem ganancioso. Mas deve ser hospitaleiro e ser um homem de bem, prudente, justo, piedoso e disciplinado. Deve manter-se firme e fiel no ensino da palavra. Assim será capaz de encorajar os outros na verdadeira doutrina e de mostrar aos que se lhe opõem que estão no erro. 

Há muitos, principalmente dos que antes eram judeus, que são insubordinados, charlatães e enganadores. É preciso fazê-los calar, porque andam a desorientar famílias inteiras e ensinam o que não devem só para ganharem dinheiro desonestamente. (…) Pelo contrário, devem mostrar-se sempre bons e leais em tudo, para que todos vejam nas suas vidas que é boa a mensagem de Deus, nosso Salvador. Pois já se manifestou a graça de Deus, que é de salvação para toda a Humanidade. É esse amor que nos ensina a deixarmos a descrença e a abandonarmos os desejos mundanos, para levarmos neste mundo uma vida honesta, justa e piedosa. Também nos ensina a viver felizes na esperança de que se há de cumprir o que nos prometeu, que é a manifestação gloriosa do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Foi ele que se entregou à morte por nós, para nos libertar de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo que lhe pertença em exclusivo e se dedique a fazer o bem. É isto que tens de ensinar, avisando-os e repreendendo-os com toda a autoridade. E que ninguém tenha desprezo por ti”.  

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(Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, Tito 1:4-11; 2:10-15, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004).