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ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (3): Saber Ouvir os Conselhos (Ec 4:13-16).


O homem é um ser gregário e, nesta convivência gregária, constrói profundos laços de sociabilização, que se vão traduzindo na inteira dependência e interdependência uns dos outros. Por isso, somos aconselhados pelos terceiros e também aconselhamos aqueles que precisam da nossa ajuda. Damos constantemente conselhos e, da mesma sorte, estamos sempre a receber conselhos. Não há nenhum ser humano neste “vale de lágrimas” que não vive dos conselhos – quer dando quer recebendo. Todos nós, sem excepção, na generalidade das situações, fundamentamos as nossas decisões com base nos conselhos que vamos recebendo daqueles que nos são mais queridos ou que, de alguma certa forma, reconhecemos autoridade na matéria em que precisamos de orientação. 

Não há ninguém que possa prescindir dos bons conselhos e ser bem-sucedido na vida. Os conselhos tocam tudo e todos: envolvem todos os estratos sociais. Todas as idades. Todos os géneros. Todas as classes de pessoas e todas as pessoas no geral. Precisam deles os ricos e os pobres. Os doutos e indoutos. Os velhos e as crianças. Os detentores da autoridade e os subalternos. Os homens e as mulheres. Tanto que, por esta razão, o aconselhamento reveste-se de carácter importantíssimo na nossa civilização ao longo dos séculos, permanecendo esta inquestionável verdade até aos nossos dias pós-modernos. 

No entanto, por preconceito doentio e soberba perniciosa, sabemos que nem todas as pessoas são predispostas a ouvir conselhos de terceiros e, muito menos, a pedi-los, tendo em conta o orgulho exacerbado e a falsa percepção da realidade que tais pessoas têm de si mesmas, julgando-se superiores aos outros. Em consequência disso, fecham-se completamente a qualquer tipo de conselhos, optando meramente por se refugiarem nas suas próprias ideias e opções de escolha. A idade, o estatuto social, a origem social, o poder, a fama, o dinheiro e a qualificação não devem ser causas impeditivas para não recebermos os conselhos daqueles que, porventura, podemos achar objectivamente que estamos numa posição superior. Os pais devem estar abertos a ouvir conselhos dos seus filhos e vice-versa. Os pastores devem aceitar ser admoestados pelos membros da igreja, tal como fazem com eles. Da mesma forma, os patronos devem ter a humildade suficiente para ouvir os seus empregados; os governantes para com os governados, etc. 

Ora, isto não quer dizer que temos imperativamente de acatar todos os conselhos que vamos recebendo, uma vez que nem todos os conselhos são realistas e justos. Há muitos conselhos adulterados, injustos e maléficos. O objectivo é, acima e tudo, termos a humildade de saber solicitar ou ouvir oportunamente os conselhos e, com base nesta audição, examinar tudo e reter o que é mais correcto para a nossa vida. Já é um grande passo estar inteiramente disponível para ouvir conselhos, chamadas de atenção e advertências, independentemente da sua proveniência e do seu interlocutor. É sinal de grande abertura, maturidade, humildade e sabedoria da nossa parte. 

O rei Salomão, um dos homens mais sábios da história da Humanidade, considerava peremptoriamente “insensato” o velho que não sabe ouvir conselhos (v.13), julgando-os inconvenientes por causa da sua idade, diferentemente das pessoas prudentes que estão sempre abertas aos conselhos, sobretudo os conselhos sábios e valiosos. É sobre esta verdade soteriológica que procurei explorar aqui nesta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD). 

Que o Todo-Poderoso DEUS nos abençoe e nos ajude a procurar os conselhos da Sua Santa Palavra para, deste modo, podermos tomar decisões correctas, sensatas e irrepreensíveis neste perverso mundo em que estamos submergidos. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no Senhor Jesus Cristo. 

Sabedoria Cristã


Uma vez que todos os homens são filhos de DEUS, num conceito lato sensu, e o Senhor Jesus Cristo veio para todos salvar, a universalidade dos fundamentos e da mensagem Cristã tem como consequência a afirmação de uma regra de igualdade entre todos os Homens. O Apóstolo Paulo, comungando holisticamente da referida ideia, vai vincar peremptoriamente que “não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher” (Gálatas 3:28). Por isso, ainda, na mesma esteira do pensamento, esboçava o impreterível carácter missionário que deve assistir a todos os fiéis seguidores do Senhor Jesus, considerando “devedor, tanto a gregos quanto a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Romanos 1:14). 

O Poder Destruidor da Língua


A língua é um minúsculo órgão do nosso corpo com aptidões avassaladoras. Tem o poder para disseminar as desconfianças, rivalidades, invejas, heresias, discórdias, blasfémias e ódios entre pessoas e terceiros. Consegue efeitos gigantescos que, por razões naturais, a generalidade dos órgãos do ser humano não consegue alcançar. Com ela resvalamos deliberadamente em mentiras, bisbilhotices, intrigas e inimizades, colocando em causa o bom nome e a reputação das pessoas, instituições e países, com finalidade última de arruiná-las. Da mesma sorte, com as malévolas palavras que torpemente proferimos magoamos, ofendemos, humilhamos e, em casos extremos, matamos. A língua é um mundo infindável de malignidade. 

Tanto que, por esta razão, consciente deste poder indomável e altamente demolidor da língua, os autores sagrados se desdobraram a admoestar os efeitos perniciosos da má-língua, bem como apresentando concomitantemente os antídotos necessários para refreá-la. O líder Tiago, por todos, falando directamente para os Cristãos, sustentava que “têm-se domesticado animais de todas as espécies. Mas a língua, ninguém é capaz de a domesticar. É um mal incontrolável; está cheia de veneno mortal. Com ela bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos as pessoas que foram criadas à imagem de Deus. Da mesma boca saem palavras de bênção e de maldição” (Tiago 3:7-10).  Isto não devia ser assim, censurava esta postura incongruente com os impolutos Princípios e Valores Cristãos, concluindo ilustrativamente que “uma nascente de água salgada nunca pode dar água doce” (Tiago 3:12)

De facto, é um desafio para todos nós no sentido de sabermos dominar a nossa língua, especialmente usá-la para promover a união entre pessoas, concórdia e edificação. Só assim confirmaremos, com este nobre procedimento, que somos realmente pessoas transformadas, maduras, sábias e habilitadas paras prática de toda a boa obra. 

A Sabedoria é Retardada


«As longas travessias não se fazem sem momentos de sobressalto, sem uns achaques, sem desânimos. Depois regressa, muito lentamente, a serenidade, e voltamos a respirar. Nenhum manual de ética nos instila a sabedoria para esperarmos com serenidade que a turbulência termine: quando estamos imersos perdemos o norte, e só recobrada a normalidade ousamos meditar no que deveríamos ter pensado e sentido. A sabedoria é de facto uma coisa retardada.» (LER).   

Sabedoria Guineense


Denunciando a dissimulada hipocrisia do ser humano, máxime no contexto social guineense, diz analogicamente o adágio crioulo: "findjimentu di kombé kuma i kata bibi iagu salgadu ma lá gora ki mora nel" – (bivalve fingidamente afirma que não bebe a água salgada, contudo é ali mesmo o seu habitat natural).