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Nasceu O Redentor!



“Ó noite santa de estrelas fulgurantes

Ó linda noite em que o Cristo nasceu.
Estava o mundo pecador errante
Até que o Cristo na terra apareceu 

As almas vivem nova esperança
Em clara aurora a nova luz se ergueu 

Ajoelhai, ouvi a voz dos anjos
Natal, Natal
Nasceu O Vosso Rei 

Natal, Natal
Nasceu O redentor! 

Com os corações alegres nos curvamos
Aqui no berço de Cristo Jesus
Os Magos também do Oriente chegam
Guiados por uma estrela de luz 

O grande Rei nascido tão pobremente
Eterno amigo vindo nos revelar 

Ajoelhai, ouvi a voz dos anjos
Natal, Natal
Nasceu O Rei dos reis 

Natal, Natal
Nasceu O redentor! 

Ajoelhai, ouvi a voz dos anjos
Natal, Natal
Nasceu O Vosso Rei 

Natal, Natal
Nasceu O redentor!” 

O MINISTÉRIO DO PÚLPITO (9): O Impreterível Percurso da Salvação


Foi o tema da minha pregação no passado dia nove de Setembro na Igreja Evangélica Baptista da Amadora (LER), onde sempre comunguei como membro, baseado no texto bíblico do Evangelho segundo Lucas 9:51-62 (ALI) (AQUI). O primeiro versículo desta porção das Escrituras Sagradas é-me bastante caro. Tem-me, por vicissitudes várias e supervenientes, edificado e despertado concomitantemente inúmeras inspirações. Dito por outras palavras, o Todo-poderoso DEUS tem-me falado de forma tremenda através dele. E, tanto que, por esta razão, ainda no ano passado, desdobrei-me a escrever cinco prolixos artigos sobre a teologia soteriológica que encerra, sob o título mortificador: "Considerações Pascais: A Via Dolorosa Para o Calvário (I)(II)(III)(IV)(V)", concentrando-me especialmente numa abordagem Cristocêntrica e com todas as implicações teológico-doutrinárias que isto representa no processo da salvação da Humanidade. Já na pregação em apreço procurei, humildemente, com ajuda do Espírito Santo, fazer uma análise mais prática, conjugando os onze versículos numa cadeia horizontal da realidade vivencial do Cristianismo (VER)

“Aproximando-se o tempo em que seria elevado aos céus”, escrevia o autor sagrado, o Senhor Jesus “partiu resolutamente em direção a Jerusalém” (Lucas 9:51). O Filho de DEUS tomou, de forma deliberada e esclarecida, a intrepidez de peregrinar para a Terra Santa, cumprindo assim com a impoluta vontade de DEUS na Sua vida. Esta não foi uma decisão qualquer e, tão pouco, fácil. Ela envolvia tremendas dificuldades, ricos associados, incompreensões, oposições dos homens e, por fim, a morte na Cruz do Calvário. Aliás, num contexto diferente desse, mais concretamente na região de Cesária de Filipe, o Senhor Jesus predizia abertamente a Sua morte expiatória em Jerusalém, informando aos seus discípulos "que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e dos mestres da lei, e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia” (Mateus 16:21). Mesmo assim, era o caminho que Ele tinha impreterivelmente que percorrer para a nossa redenção. Perante este facto, o Senhor Jesus não desobedeceu a orientação Divina da pungente trajectória que tinha de enfrentar. 

Levando determinadamente avante esta árdua e íngreme tarefa – de se deslocar a Jerusalém – deu instruções aos mensageiros para irem preparar-Lhe atempadamente o lugar para pousar em Samaria, porque era necessário atravessar aquela circunscrição territorial, e também aproveitar ao mesmo tempo para descansar ali temporariamente, com os seus discípulos (Lucas 9:52). Acontece que, por razões de rivalidades raciais e religiosas, entre os judeus e os samaritanos (João 4:9; 20-26), estes declinaram-Lhe redondamente a solicitação com a esfarrapada desculpa que “o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém” (Lucas 9:53). Tal deve-se, além dos motivos acabados de mencionar, mormente, ao facto dessas pessoas perceberem que Ele era judeu e ia devotamente adorar em Jerusalém ao DEUS vivo, a verdadeira adoração, e não no profano e descaraterizado monte Gerizim como eles equivocadamente faziam (João 4:20), razão pela qual desdenharam-Lhe. 

Há ainda uma outra agravante nesta rejeição do Messias, patente nas profecias de Isaías e nos Salmos: o Filho do Homem “não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos”. Por isso, “era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum” (Isaías 53:2-3). Um “verme”, em suma, “e não mais um homem, motivo de zombaria do povo, humilhado e desprezado pela humanidade (Salmo 22:6). São cúmulos de motivos para, de forma grotesca e preconceituosa, o "Servo Sofredor", ser rejeitado por estes maus samaritanos (LER)

Importa ainda salientar que o Senhor Jesus não foi apenas insensivelmente rejeitado, desde o início da Sua encarnação, pelo Seu próprio povo (Lucas 2:7; João 1:11), mas também pelas pessoas de todas as raças do mundo – a Humanidade em geral. E esta incredulidade, em não querer deliberadamente recebê-Lo em suas vidas persiste, infelizmente, ainda hoje nos nossos tenebrosos dias ditos “pós-modernos”. Cada um dá as suas desculpas, para não querer nada com Ele, tal como veremos nos versículos subsequentes.  E esta nega dos samaritanos foi logo a primeira barreira inicial que surgiu abrupta e repentinamente no longo percurso do Senhor Jesus, com intuito de obstaculizá-Lo no Seu nobre propósito de ir a Jerusalém. 

Tudo isto remete-nos para o cálculo objectivo de que, ao procurar conformar-se à vontade de DEUS, surgirão sempre oposições ferozes e diversificadas para nos distrair, desanimar e desviar do nosso foco espiritual de prosseguir para Jerusalém Celestial. Vamos, máxime, ser objecto de preconceito, humilhação, chacota, desprezo e perseguição por parte de terceiros. O Diabo e os seus demónios usam camufladamente todos os artifícios ao seu dispor, até mesmo pessoas próximas, amigas e familiares, para nos tentar afastar da soberana vontade de DEUS. E, em determinados casos, para executar o seu obstinado plano maléfico, depois de debalde tentativas, lança-nos, inclusive, os “espinhos na carne”. Foi, por todos, o que fez com o Apóstolo Paulo (2 Coríntios 12:7) e, da mesma sorte, instrumentalizando o Apóstolo Pedro para colocar a “pedra do tropeço” no caminho do Senhor Jesus quando este tinha revelado abertamente aos seus discípulos o maravilhoso plano da salvação, usando as falinhas mansas "tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá” (Mateus 16:22; Marcos 8:32-33). Precisamos, por isso, de discernimento espiritual suficiente e da preciosa ajuda do Espírito Santo para revestirmo-nos das armaduras de DEUS. Só assim, estaremos preparados para “apagar todos os dardos inflamados do maligno” (Efésios 6:18), com a peremptória e triunfante repreensão formulada pelo Senhor Jesus: “para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mateus 16:23). 

Mesmo com esta oposição inicial, o Senhor Jesus não perdeu de vista a Sua sagrada Missão. Além de não pagar o mal pelo mal, aliás, como Tiago e João, “filhos de trovão” (Marcos 3:17), instaram-Lhe efusivamente a fazer, isto é, para mandar descer o fogo do céu para destruir os samaritanos, tal como outrora o profeta Elias fez com os servos do ímpio rei Acazias (Lucas 9:54; 2 Reis 1:1-18). Vemos, por sua vez, a postura amorosa e tolerante do Senhor Jesus com os inimigos, mostrando-lhes o substrato da Sua obra missionária no mundo –  que não é destruir as vidas dos homens, mas sim salvá-las do pecado (Lucas 9:56; 19:10). Ser Cristão é encarnar holisticamente a mensagem do amor, em todas as suas vertentes humano-teológicas, e produzir com ele os frutos do Espírito, que são: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gálatas 5:22). Quando o crente encarna estes excelsos atributos jamais pactuará com atitudes vingativas para com o próximo e, nem tão pouco, lançará anátemas sobre o seu inimigo, dizendo: “feliz aquele que pegar teus filhos e esmagá-los contra a pedra” (Salmo 137:9); ou almejar para os que passam não lhe bendiga com "a bênção do Senhor seja convosco! Nós vos abençoamos em nome do Senhor” (Salmo 129:8), visto que a vingança pertence ao Senhor (Deuteronómio 32:35; Romanos 12:19; Hebreus 10:30). No devido tempo, ELE dará cada um aquilo que bem merece (2 Timóteo 4:14). E o próprio Senhor Jesus já lhes havia dado a devida instrução neste sentido – em caso de provocação, rejeição e até mesmo agressão –, exortando-lhes a abençoar aos que lhes amaldiçoem, orando pelos que os acusam falsamente. Ao que lhes bater numa face, oferecer-lhe igualmente a outra; e, ao que tirar-lhes a capa, não lhes impedir de tirar também a túnica (Lucas 6:28-29). E se, porventura, forem rejeitados ao ponto de ninguém lhes receber, nem escutar as suas palavras, apenas sair de forma ordeira, sacudindo a poeira dos seus pés (Mateus 10:14), deixando depois o juízo final nas mãos do Eterno DEUS. E foi exactamente isso que o Senhor Jesus congruentemente traduziu em prática: saiu dali, discretamente, e seguiu para outra aldeia (Lucas 9:56), tendo sempre presente o Seu grande objectivo final, que era ir a Jerusalém morrer pelo pecado da Humanidade. 

E quando iam a caminho, o Senhor Jesus não descurou o Seu substrato missionário. Estava bastante determinado em chegar à Cidade Santa e concomitantemente anunciava durante o percurso a Boa Nova da Salvação. Nos versículos 57 a 62 do capítulo em apreço, o autor sagrado relata-nos três impressionantes histórias missionárias protagonizadas pelo Senhor Jesus. O primeiro, escrevia o Evangelista Lucas, “houve alguém que disse a Jesus: irei contigo para onde quer que fores” (Lucas 9:57). Numa análise desatenta poderemos ser induzidos a afirmar: uau, que grande afirmação! Mas o Senhor Jesus, que é o conhecedor de todas as coisas visíveis e invisíveis, sabia de antemão que tal afirmação não correspondia à realidade, ou seja, foi dita sem noção plena do que significa autenticamente segui-Lo de “corpo e alma”. Por isso, desdobrou-Se a admoestar à pessoa voluntariosa todas as implicações humano-espirituais que envolvem ser Seu discípulo, uma vez que “as raposas têm tocas e as aves têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde encostar a cabeça" (Lucas 9:58). Por outras palavras, o Senhor Jesus estava a mostrar-lhe que comungar da Sua Redentora mensagem não se traduz automaticamente em ser bem-sucedido do ponto de vista material, como muitos equivocadamente pregam através do “evangelho da prosperidade”, antes pelo contrário requeria o “despojar-se” de tudo, estando, inclusive, preparado para sofrer fome, sede, nudez, bofetadas e não dispor da morada certa (1 Coríntios 4:11), tal como foi humilhantemente com Ele e com os seus discípulos. Jamais podemos contar com o tesouro aqui na Terra, mas sim no céu onde Ele foi-nos preparar o lugar (João 14:1-3). Ele que criou tudo o que existe no Céu e na Terra, mesmo assim não tinha aqui no mundo dos homens "para onde reclinar a cabeça”. Humilhou-se da Sua natureza Divina, e de tudo aquilo que os humanos consideram como sendo o ideal de vida, tomando a forma de escravo (Filipenses 2:5-8). Nasceu fora de Jerusalém, onde residia a fina flor judaica, em condições extremamente precárias e de uma família bastante pobre. Foi, igualmente, crucificado fora dos portões de Jerusalém com dois malfeitores (Hebreus 13:12; Lucas 23:33). Exerceu provavelmente a carpintaria, uma profissão que não era da nobreza. Não tinha qualquer tipo de propriedade privada (Mateus 8:20), bem como não desposou a ponto de ter filhos e deixar herdeiros. Vivia da esmola dos outros, sobretudo das mulheres que, na altura, não tinham qualquer tipo de reputação social (Lucas 8:2-3). Não teve uma formação religiosa destacada, tal como os escribas e fariseus. Veio de uma região onde nem sequer havia um profeta (João 7:52) e, muito menos, se esperava alguma coisa de boa (João 1:46). Viveu como um marginal e acabou como um criminoso na Cruz do Calvário. No entanto, é este homem de “dores e experimentado nos sofrimentos” (Isaías 53:3)“irrelevante" e "fracassado" aos olhos do prepotente mundo, que habita toda a plenitude de DEUS "e foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades” (Colossenses 1:15-17)

Tudo isto para nos mostrar que o nosso foco não deve ser nos transitórios ornamentos e corruptíveis riquezas deste “presente século mau" (Gálatas 1:4), como foi  incongruentemente com Demas que abandonou o Apóstolo Paulo no momento crítico do seu ministério, preferindo as coisas deste mundo, indo para Tessalónica (2 Timóteo 4:10), mas sim nos incorruptíveis valores espirituais. E a pessoa que havia manifestado o forte desejo de segui-Lo, infelizmente, não tinha acautelado previamente essas importantes verdades. É o que acontece, em inúmeras situações, com os ditos Cristãos que negligenciam deliberadamente todo o Conselho de DEUS (Actos 2:27), acabando assim por ficar desapontados na sua equivocada mundividência espiritual, levando-os a naufragar na fé. Himineu e Alexandre, por todos os exemplos, pertencem ao número desses (1 Timóteo 1:19-20). Por isso, é extremamente importante elucidar pacientemente as pessoas dos prós e contras que envolvem aderir ao Evangelho para assim poderem decidir de forma deliberada, livre e esclarecida. Foi isso que o Senhor Jesus fez aqui para com a pessoa em causa. 

Na segunda história foi o próprio Senhor Jesus que tomou a iniciativa de formular o convite da salvação a um pecador, através de simples e poderosas palavras: “Segue-me" (Lucas 9:59). Foram precisamente as mesmas palavras que o Senhor Jesus usou para evangelizar o publicano Mateus. E este, por sua vez, diz o autor sagrado, “levantando-se, o seguiu” (Mateus 9:9). Já esta segunda pessoa não se prontificou de imediato a seguir o Senhor Jesus. A resposta dele foi: “Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai” (Lucas 9:59). Ele não estava nada pronto para seguir o Senhor Jesus. Queria, de antemão, aos olhos dele, cuidar do seu pai para depois vir aderir ao Evangelho. Acontece que, esta sua resposta, não convenceu o Senhor Jesus pelo que lhe respondeu insistentemente: “deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém vai e anuncia o reino de Deus” (Lucas 9:60). Podemos extrair nessas sábias palavras do Senhor Jesus a urgência que envolve em confessá-Lo como Único Salvador das nossas vidas, pois não sabemos o que poderá acontecer à nossa vida caso não aproveitemos os apelos da salvação. A nossa vida, desde logo, não está nas nossas mãos.  Enquanto é dia é importante reconciliarmo-nos cedo com Ele, caso contrário a noite vem quando ninguém mais poderá trabalhar (João 9:4), evitando assim correr o risco de vislumbrar o sol a declinar. A urgência em aceitar o Senhor Jesus sobrepõe-se a qualquer outro tipo de realidade terrena. Está acima das nossas polutas aspirações e todos os contextos humano-sociais que nos cercam. É extremamente urgente e indispensável buscar “primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mateus 6:33), porque “quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim”, exorta[va] o Senhor Jesus (Mateus 10:37)

Com isso, importa ainda salientar, que o Senhor Jesus não estava a recomendar que devêssemos ser insensíveis à realidade dos nossos progenitores a ponto de desprezá-los. Não, não é nada disso. A própria palavra de DEUS ensina-nos a honrar o nosso pai e a nossa mãe, para que se prolonguem os nossos dias na terra que o Senhor nosso Deus nos vai dando (Êxodo 20:12). É o primeiro mandamento com promessa, vincava o Apóstolo Paulo (Efésios 6:2). A questão fulcral nesta afirmação do Senhor Jesus é a de nunca darmos primazia a nada que não seja o Evangelho. Tudo o que nos possa levar a afastar do Evangelho, devemos estar manifestamente prontos a renunciá-lo – não importa se são os nossos pais, conjugues, filhos, familiares, amigos, conhecidos e qualquer outro tipo de laços de afinidade. DEUS e a Sua Santa obra estão em primeiro lugar e devem também estar em primeiro lugar nas nossas vidas. Infelizmente, por razões várias e cognoscíveis, não é isso que temos vindo a assistir ao longo da milenar história do Cristianismo. Há crentes que colocam as suas egocêntricas prioridades e “ídolos” em primeiro, em detrimento do Evangelho, sendo manifestamente incongruentes com a profissão de fé que outrora abraçaram. Este individuo a que o Senhor Jesus gentilmente formulou o convite, fazendo fé à sua resposta, o funeral do seu pai era mais importante e premente do que seguir imediatamente o Evangelho. Não é assim, desta forma, que muita gente se comporta quando é evangelizada? 

E, por fim, na terceira história, quase similar ao segundo, “disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa” (Lucas 9:61). Foi, praticamente, o mesmo pedido que Eliseu fez ao profeta Elias solicitando-lhe: “Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei” ( 1 Reis 19:19-20). E isto lhe foi permitido (1 Reis 19:20-21). Mas o ministério do Evangelho, escrevia um reputado biblista, “tem a preeminência sobre qualquer outra actividade, e o seu serviço é mais urgente do que o dos profetas” A pessoa em causa queria seguir Jesus, mas não queria fazê-lo sem previamente despedir-se dos que estão em sua casa. Demonstrava afinidade com a mensagem do Evangelho e simultaneamente com a sua família. Dava primazia à sua família e queria fazê-lo também com o Evangelho. Ora, do ponto de vista teológico-espiritual, as duas realidades são incompatíveis e irreconciliáveis, uma vez que “ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mateus 6:24). O Senhor Jesus quer de nós disponibilidade total, dedicação e compromisso, caso contrário “ninguém que coloca a mão no arado, e fica contemplando as coisas que deixou para trás, é apto para o Reino de Deus” (Lucas 9:62). 

Nestas últimas duas histórias vimos como é que as pessoas arranjam facilmente desculpas para não se comprometerem com a mensagem do Evangelho. Foi uma táctica antiga e recorrente ao longo História do Cristianismo. Aplica-se aos crentes como aos não crentes. Aqueles desdobram-se em vários pretextos para não aderir à Boa Nova da Salvação, preferindo continuar na sua vida saturada e cheia de pecado. E estes, por sua vez, inventam várias justificações para não se vincularem na Seara do Mestre. E, nalguns casos, tal como nos relatos aqui invocados, as justificações transparecem, numa leitura descuidada, “atendíveis”, visto que procuram ardilosamente arranjar argumentos aparentemente “consistentes” e “inquestionáveis” para não se comprometerem com a obra de DEUS. Mas essas justificações acabam sempre por revelar no seu âmago a insuficiência, descomprometimento, superficialidade, indolência e miséria espiritual de tais pessoas que as invocam. A família, os amigos, o trabalho e os nossos afazeres jamais poderão ser obstáculo para aqueles que verdadeiramente querem seguir fielmente o Senhor Jesus, porque DEUS, a Sua Sagrada Palavra, a Igreja, o compromisso, a santidade da vida Cristã, a Evangelização e as Missões são prioridades máximas na vida de um devoto Cristão. Que DEUS nos ajude, de facto, a interiorizar tais inegociáveis e inadiáveis verdades soteriológicas nos nossos corações, procurando viver única e exclusivamente através da Sua Soberana Vontade. Só assim, estaremos a demonstrar com os nossos actos que somos genuinamente filhos de DEUS e estamos a caminhar determinadamente para Jerusalém Celestial. Que assim seja. 

Era Uma Vez em Paris



Dá-me uma agradável e inexplicável sensação que brevemente estarei em Paris. Não sei o porquê. Passei fugazmente seis vezes em Paris que, praticamente, não deu para desfrutar plenamente do encantador "balsamo" da célebre "cidade das luzes". Agora, nos últimos dias, tenho sentido uma arrebatadora nostalgia do regresso. Somente este harmonioso som do compositor e pianista Éric Alfred Leslie Satie para me despertar ainda mais o misterioso ímpeto para com a romântica cidade. As experiências únicas sempre serão as únicas, feliz ou infelizmente. 

Onde Está o Espírito do Senhor Há liberdade



Qualquer Cristão Protestante que veio dos bancos da Escola Bíblica Dominical (EBD), desde a mais tenra idade, seguramente conhece esta música infantil. É um clássico Evangélico. Aprendi-a ainda no longínquo tempo da classe primária da minha Igreja, em Bissau, e até hoje continuo saudosamente a cantá-la. A generalidade das crianças das nossas Igrejas conhecem-na e, enquanto o Senhor Jesus não voltar, as próximas gerações vão certamente aprendê-la e entoá-la de forma sucessiva nos seus devocionais. É um cântico que nos remete indubitavelmente para a liberdade que os crentes no Senhor Jesus têm de manifestarem, sem qualquer tipo de reserva ou inibição, o seu louvor e adoração diante de DEUS, pois "onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade", exortava o Apóstolo Paulo (2 Coríntios 3:17). Foi, aliás, a postura espiritual que o salmista David adoptou durante todo o seu percurso de vida (2 Samuel 6:16; Salmo 103:122; Salmo 145:1-21) e inúmeros heróis da fé ao longo da milenar história do Cristianismo. 

No início do século passado, mais propriamente com o aparecimento do movimento pentecostal, tem surgido querelas doutrinárias entre os teólogos sobre o modelo ideal de uma liturgia Cristã, levando as igrejas tradicionais a censurar todas as manifestações de "excentricidades" nos cultos públicos, tendo em conta a ênfase peculiar que os movimentos carismáticos dão à espiritualidade de ostentação. Há, a nosso ver, nestas duas leituras opostas, um défice acentuado de interpretação sobre o decoro cultual que se espera dos autênticos Cristãos. As igrejas tradicionais pecam pelo excesso de zelo neste ponto, bem como os pentecostais por defeito. Nem oito nem oitenta, diz a sabedoria popular. O pressuposto aferidor para um louvor e adoração ser aceite aos olhos de DEUS é um espírito quebrantado e contrito (Salmos 51:17), uma vez que DEUS "é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4:24). 

É o Espírito Santo que, em última instância, deve ser o arbítrio do nosso louvor e adoração em qualquer circunstância, razão pela qual se sentimos por parte do mesmo Espírito de DEUS motivação para dançar, pular, gritar, bater palmas e levantar as mãos e fazer qualquer outra coisa temos toda a liberdade de fazê-lo sem constrangimentos, contando que tudo seja feita com decência e moderação, tal como requerem as Escrituras Sagradas (1 Coríntios 14:40). Não podemos reduzir, em circunstância alguma, a nossa espiritualidade às convenções e preceitos polutos dos homens, sob pena de cairmos em vários riscos espirituais. 

Por isso, o Pastor Manuel Alexandre Júnior, consciente desta problemática teológica, sobretudo dos sérios riscos e insensibilidade espiritual que se correm na prática da adoração, sustenta que "o culto pelo culto, o culto desalinhado da razão mais forte que nos prende a Deus, o culto vazio de expressão sobrenatural, o culto rendido ao espectáculo como simulacro de um materialismo encapotado ou de mera satisfação carnal, pode ter aparência atractiva de alguma relevância, mas não passa de uma expressão religiosa sem alma, sem o vinculo de um genuíno relacionamento com Deus, pela fé viva no Senhor Jesus. Esse foi o problema que o profeta Isaías enfrentou na sua confrontação com a triste realidade religiosa do seu próprio povo; um povo que se dizia crente, temente e piedoso, mas que na prática vivia radicalmente afastado do culto que a Deus agrada. As palavras que o profeta veicula da parte de Deus são bem pesadas: “Ai de vós, nação pecadora, povo cheio de crimes, raça de malfeitores, filhos desnaturados! Abandonaram o SENHOR, desprezaram o Santo de Israel e voltaram-lhe as costas (…) As práticas religiosas daquele povo representavam problemas espirituais bem profundos: problemas de insensibilidade e autoconfiança religiosa, problemas de conformismo e acomodação, problemas de um materialismo atroz, que de Deus tudo espera, e que apenas a si próprio adora"[1]

Que o Todo-poderoso DEUS nos ajude a não cair nesta falsa adoração. Que, de facto, possamos ser instrumentos nas suas poderosíssimas mãos para Glória do Seu Grande Nome. Que assim seja. 



[1] Manuel Alexandre Júnior, in "Adoração [Tudo para a Glória de Deus"], p. 20, Cebapes, Lisboa, 2015). 

60 Segundos do Feminismo, por Camila Pitanga

O SENHOR é o Meu Pastor



O Salmo 23 é inquestionavelmente um dos Salmos que mais inspirou os santos de DEUS ao longo dos séculos, tendo em conta a poderosíssima mensagem teológica que encerra. Perfila-se também como um dos meus favoritos versículos bíblicos. Memorizei-o desde tenra idade, nos bancos da Escola Bíblica Dominical (EBD), e permanece perfeitamente gravado na minha mente até aos dias de hoje. É um Salmo a que recorro reiteradamente nos meus devocionais, mormente nos momentos mais cruciais, e vai continuar sempre assim durante toda a minha peregrinação neste "vale de lágrimas". Ele é o prenúncio da Igreja Triunfante, razão pela qual deve fazer parte do cardápio espiritual de todos os fiéis no Senhor Jesus Cristo. 

O Salmo 23 expressa o cuidado especial que o Todo-poderoso DEUS tem para com o seu eleito povo, ilustrado na ternurenta e amorosa figura do Bom Pastor que o Filho de DEUS vai reclamar na Sua humilde encarnação (João 10:11-16). O Bom Pastor que está pronto a morrer pelas suas ovelhas, tal como o Senhor Jesus fez connosco, diferentemente do "assalariado" que não se importa minimamente com as ovelhas (João 10-12-13). O Sumo Pastor (1 Pedro 5:4) proporciona às suas ovelhas provisão, direcção e protecção, saciando-lhes assim todas as suas necessidades físico-espirituais. Apesar de todo este amparo e reconforto que o Bom Pastor proporciona para as suas ovelhas na longa trajectória à "Terra Prometida", acontece que surgirão pontualmente os "vales da sombra da morte" que teremos de enfrentar. Mesmo assim, usando "o escudo da fé" (Efésios 6:16), não temos que ter medo de nada, porque o Senhor estará sempre connosco. Os "vales" são inevitáveis provações que o Omnisciente DEUS permite para moldar o nosso carácter e, deste modo, preparar-nos para entrar no Céu (LER)

Esta soteriológica verdade remete-nos indubitavelmente para o percurso peculiar do povo de DEUS no deserto e a sua milagrosa passagem pelo mar vermelho (Êxodo 14:15-31), bem como dos grandes heróis da fé (Hebreus 11:1-40). Tal como Baraque venceu os cananeus no vale de Jezreel, Josafá os amonitas, os moabitas e habitantes dos montes de Seir no vale de Beraca (2 Crónicas 20:26-27), Gideão os midianitas no vale de Moré (Juízes 7: 1), David os edomitas no vale do sal (2 Samuel 8:13; 1 Crónicas 18:12), etc., assim também venceremos todos os "vales" que aparecerão no nosso caminho.  Isto porque, tal como expressamente dizia a profecia messiânica, "todos os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas, serão niveladas" para a libertação definitiva do povo de DEUS (Isaías 40:4; Mateus 3:3; Marcos 1:3; João 1:23). E, assim, em todas estas coisas, escrevia peremptoriamente o Apóstolo Paulo, "somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37). Venceremos todos os nossos inimigos, sobretudo o Diabo, com a força e unção do Espírito Santo, evidenciado pelo salmista através de um banquete de vitória a frente dos nossos inimigos (Salmo 23:5), concluindo, com a grande promessa, que a bondade e a misericórdia seguir-nos-ão todos os dias da nossa vida e habitaremos na Casa do Senhor para toda a eternidade (Salmo 23:6). Que assim seja. 

A Páscoa do Senhor Jesus Cristo na Teologia da Salvação



Hoje é um dia bastante especial para todo o Mundo Cristão. Celebra-se a Páscoa, isto é, o triunfo do Senhor Jesus Cristo sobre a morte e consequentemente a libertação da Raça Humana outrora perdida pelo lamaçal do pecado (LER). Partilho, por isso, convosco, este vídeo onde procuro abordar tão importante temática nas suas várias vertentes teológicas dentro das Escrituras Sagradas. Tenha um bom proveito na visualização e uma boa Páscoa. 

I Remember Calvary



Como não lembrar da Via-Sacra do Senhor Jesus para a nossa redenção? Espero, com a ajuda do Santo Espírito Santo, nunca esquecer esta Grande Verdade soteriológica na minha vida e poder permanentemente partilhá-la com os meus familiares, amigos, conhecidos, desconhecidos e o mundo em geral. 

A Fronteira entre a Prostituição, Violação e Pedofilia na Guiné-Bissau



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(Este último vídeo, a pedido da moderadora Sali Mané Semedo, falei em crioulo).

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Partilho aqui o vídeo do debate que tive ontem com a nossa "Dama de Ferro" Sali Mané Semedo, sob o tema: "Qual é a Fronteira entre a Prostituição, Violação e Pedofilia na Guiné-Bissau?" A fronteira é bastante ténue. Por isso, procurei fazer um enquadramento cultural daquilo que é a mundividência da sociedade guineense sobre as três complexas realidades. 

Na temática da prostituição fiz a destrinça entre a prostituição num conceito lato sensu e o lenocínio/proxenetismo. Na Violação abordei a problemática de "bafa mindjer", os apalpões com que, infelizmente, algumas mulheres se confrontam no espaço público e o assédio sexual (tanto no plano laboral como no plano social), demonstrando que a sociedade não concebe os dois últimos como crimes, isto é, os apalpões e o assédio sexual. Já na questão da Pedofilia, que foi a parte que mais gerou querelas dos intervenientes, falei das implicações jurídicas da idade da maioridade civil, a idade de consentimento sexual e a maioridade sexual, bem como a definição que a sociedade guineense atribui à pedofilia, concluindo que a envolvência sexual com as ditas "catorzinhas" não consubstanciam na nossa sociedade um acto de pedofilia, tal como é entendido na generalidade do mundo Ocidental. Isto porque, a autodeterminação sexual, na sociedade guineense, afere-se com as transformações fisiológicas que os meninos e as meninas vão tendo no seu percurso de vida. Naqueles através do aparecimento de pelos púbicos e alteração da voz. Nestas com o período da menstruação e as mudanças significativas que se vão notando no seu corpo, máxime na protuberância dos seios, etc. São factores que determinam a sexualidade na sociedade guineense (a autodeterminação sexual, bem entendido) e não propriamente uma idade em concreto para qualificar um menino ou uma menina como sendo livre de decidir com quem queira manter uma relação sexual. Partindo deste pressuposto cultural, razão pela qual, nesta fase, o usufruto sexual não é qualificado como sendo crime de pedofilia. 

Obviamente que esta concepção é passível de vários questionamentos, tal como manifestei veemente no vídeo em apreço. Sou, inteiramente, e sem qualquer tipo de reservas, contra esta redutora forma de estar e encarar a vida. No entanto é, infelizmente, a nossa realidade. Por isso, a prática das "catorzinhas" é amplamente tolerada no nosso país. 

Sem entrar mais em prolegómenos, disse mais coisas que poderão ouvir no vídeo e tirar também as vossas ilações. Tenham um bom proveito. Obrigado. 

Remedi Ku Kata Kura



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Nos últimos dias tenho-me desdobrado em vários debates sobre a situação política que se vive na Guiné-Bissau. Não somente nos artigos de opinião que tenho veiculado  aqui e  no Facebook, como também vídeos que tenho produzido e publicado no meu canal no youtube (VER). Na sexta-feira passada fui convidado pela direcção do Núcleo de Estudantes Africanos da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (NEAFDL) como um dos oradores da tertúlia submetida ao tema "Actual Crise Política na Guiné-Bissau: Implicações Sociais, Investimento Estrangeiro e Futuros Desafios". Depois de fazer um diagnóstico apurado do marasmo obstrutivo que o país tem vivido ininterruptamente desde a sua história de autodeterminação, e apresentar soluções exequíveis para ultrapassá-lo, imputei todo este colapso político-governativo ao PAIGC e PRS, tendo aquele naturalmente a maior quota de responsabilidade na situação. 

Já ontem tive novamente a grata oportunidade de participar como um dos oradores no programa da nossa "Dama de Ferro" Sali Mané Semedo, juntamente com três ilustres conhecidos da nossa praça, sob o tema: "Até que Ponto o Modelo Constitucional Guineense é um Entrave ao Desenvolvimento do País?". Na minha humilde explanação, tal como se pode constatar no vídeo incorporado à publicação, fiz primeiramente um enquadramento jurídico do modelo constitucional que nos norteia, que é o semipresidencialismo, bem como o regime de separação de poderes entre os órgãos de soberania. Entendi que o tema em apreço nos remete para duas leituras concomitantemente, isto é, não consubstancia entrave ao desenvolvimento do país como, da mesma sorte, tem sido entrave ao desenvolvimento do nosso país. Uma aparente contradição, a priori, insanável. 

Começando com a primeira leitura: não me parece, em abono de verdade, que o nosso modelo esteja mal. É um modelo normal que encarna os grandes Princípios e Valores da Democracia Participativa, nomeadamente no que toca à Dignidade da Pessoa Humana nas suas várias vertentes dentro do Estado, a Laicidade do Estado, a Soberania Nacional residir no Povo e este por sua vez exercendo o Poder Político directamente ou através dos órgãos de Poder Eleitos Democraticamente, à Legitimidade Governativa, à Separação de Poderes entre os Órgãos da Soberania, ao Exercício do Poder pelos Titulares de Cargos Públicos e à sua Limitação de acordo com as regras e trâmites da Constituição, à Liberdade Individual e à Igualdade de todos perante a Lei, bem como aos Direitos Fundamentais Inerentes à condição Humano-social de cada cidadão, a Liberdade de Expressão, o Pluralismo de Ideais, etc. 

Ora, com estes elevados Princípios e Valores civilizacionais temos todos os ingredientes necessários para fazer avançar o nosso país. Mas, tendo em conta a cultura anti- democrática dos nossos sucessivos actores políticos, razão pela qual tem havido reiteradas usurpações de competências e consequentemente atropelos à Constituição da República, acabando assim por criar sérios entraves ao desenvolvimento do país ao longo dos anos. Não propriamente porque a nossa Constituição seja ambígua, contraditória ou má, insisto, mas tão-simplesmente há um défice acentuado de cultura democrática dos nossos políticos e governantes em particular. 

Por isso, na minha segunda abordagem, concluí que o modelo em questão tem sido obstáculo ao desenvolvimento do nosso país. E com base nisto avancei com uma proposta para mudarmos do semipresidencialismo, que actualmente temos, para o modelo presidencialista, uma vez que o maior foco do problema reside mais na incapacidade de coabitação entre o Presidente da República e o Primeiro-ministro, sobretudo por aquele abusar demasiadamente dos seus "poderes implícitos" e querer todo o protagonismo governativo para ele o que, de todo, entra flagrantemente em contradição com o substrato do regime semi-presidencial. Isto aconteceu com todos os Presidentes da República, que a Guiné-Bissau desgraçadamente teve, obviamente com graduação diferente entre eles, ou seja, uns piores que outros. Mas, sem excepção, todos eles acabaram por ficar além daquilo que são as suas prerrogativas constitucionais. É verdade que os sucessivos governos também têm a sua quota parte no problema. Não podemos concluir que são “virgens ofendidas”, uma vez que todos eles foram e são corruptos e não possuem qualquer tipo de agenda progressista para dinamizar o nosso pobre país. Foram governos permeáveis ao clientelismo, nepotismo, partidarismo, mediocridade e a corrupção. É este conjunto de factores conjugados que me levam a optar neste momento por um outro modelo governativo, nomeadamente o Presidencial. Mesmo que não alteremos o modelo actual ao menos que confiramos aos próximos Presidentes da República poderes executivos, dando-lhes mais protagonismo como os antecessores têm implicitamente reclamado nos seus actos. O modelo francês ajustar-se-ia bem à nossa realidade ou, em última instância, o modelo russo. E porque não o presidencialismo angolano? 

Sei muito bem que há pessoas que discordam deste entendimento, invocando o argumento que o país estaria a abrir caminho à ditadura do Presidente da República. Este argumento, a meu ver, não colhe pelas seguintes razões: em primeiro lugar, se houver alguma alteração no nosso sistema tem que haver igualmente mecanismos constitucionais para travar os possíveis ímpetos ditatoriais do Presidente da República. O poder não ficaria a seu bel-prazer para ele fazer aquilo que lhe dá na gana. E mais, refutando ainda este argumento esgrimido, pergunto: o que temos vivido até à data presente é Democracia? Porque chamam então o actual presidente de ditador? Não estou com isso a advogar que se mudarmos o modelo resolveremos definitivamente os nossos problemas. Não, não é nada disso, visto que já salientei em cima que o problema tem mais a ver com o défice democrático dos nossos políticos. Simplesmente, é tentar outras alternativas para ver se poderão ajudar-nos a minimizar o nosso crónico problema de que continuamos sistematicamente a tomar debalde "remedi ku kata kura"

Sem entrar mais em prolegómenos, disse mais coisas que poderão ouvir no vídeo e tirar também as vossas ilações. Tenham um bom proveito. Obrigado. 

Praise God From Whom All Blessings Flow



Um magnífico e profundíssimo hino de adoração. Estive hoje praticamente todo o dia na minha igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, a cultuar com os meus prezados irmãos na fé. Primeiro na Escola Bíblica Dominical (EBD), às 10:h30, onde estudámos sobre "Respondendo aos Críticos", baseado no texto bíblico de Actos 26:1-32. E, de seguida, tivemos um maravilhoso tempo de Louvor e Proclamação do Evangelho. 

Já esta tarde, às 17:h00, tive o grato prazer de dirigir o culto e simultaneamente pregar. O tema objecto da minha pregação foi “O Impreterível Percurso da Salvação” (Lucas 9: 51-62). Depois do cumprimento desta nobre tarefa eclesiástica estive, ainda, juntamente com alguns irmãos, a ensaiar o hino que vamos entoar na celebração do aniversário da nossa Igreja no próximo mês. Foi, realmente, um dia intenso, produtivo e bastante abençoado. Alegrei-me, escrevia devotamente o salmista David, "quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor" (Salmo 122:1). 

Iniciei o dia em classe e estou, igualmente, a terminá-lo em classe. O meu DEUS é mesmo Bom. ELE é eternamente Bom. 

A Crise Político-jurídica na Guiné-Bissau e as Sanções da CEDEAO



Está aqui o meu novo vídeo em defesa do futuro da Guiné-Bissau. Procurei fazer uma retrospectiva geral da crise político-jurídica vigente no país nos últimos anos, bem como a actuação do Presidente da República sobre ela, a postura dos Partidos da oposição, especialmente, do PRS, a nomeação do novo Primeiro-ministro, as sanções da CEDEAO e o futuro do país nos próximos anos. Um diagnostico imparcial, holístico e bem apurado do crónico imbróglio político a que estamos infelizmente votados. 

Amar é Dar Tudo



A sublime figura de estilo usada pelo Apóstolo Paulo para caracterizar o Amor em 1 Coríntios 13:1-13 (LER) não encontra paralelismo em lado algum, bem como em nenhum outro pensador clássico, moderno ou dos nossos dias. Nem nas argutas formulações poéticas de Ovídio, o grande "Mestre de Amor", e nem nas heróicas obras literárias de William Shakespeare ou pomposas canções românticas de Edith Piaf, Jacques Brell, Whitney Houston, respectivamente, e tão pouco encontrada na mitologia de Tristão e Isolda (LER). É um Amor holístico e sacrificial em todas as suas dimensões humano-espirituais. Transcende, em larga medida, o mero altruísmo pessoal. Não envolve contrapartidas. Colide com as injustiças, as inverdades, o egoísmo, a jactância, o moralismo hipócrita, o falso saber e a espiritualidade de fachada. Não é passível de arbitrariedades ou mudanças circunstanciais. Ele é constante, incondicional e sempiterno. É mais precioso do que todos os bens mundanais, os dons espirituais e a própria vida. É um Amor que, sendo encarnado pelos Homens de "Boa Vontade", procura compreender mais do que ser compreendido, consolar do que ser consolado, amar do que ser amado. É um Amor omnipotente que nos remete indubitavelmente para o Todo-poderoso DEUS – a razão primária e última do próprio Amor. Por isso tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Derruba os preconceitos, supera os impossíveis, constrói pontes e projecta-se para a eternidade. Este Amor merece ser fervorosamente enaltecido, cantado, proclamado, partilhado e sobretudo vivido diariamente. Que assim seja sempre nas nossas vidas, isto é, de viver sempre no Amor, pelo Amor e para o Amor.