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Os Cristãos Baptistas e a Sexualidade
«Deus criou o homem,
concedendo-lhe a prerrogativa de fecundidade, fertilidade e natalidade,
permitindo-lhe a multiplicação da espécie humana, povoando e dominando a Terra.
Deus não condena o ato sexual em si, mas a prática sexual desgovernada, sem
limites e sem princípios divinos. Deus não deixa a sexualidade ao
critério de cada um, até mesmo aos casados lhes adverte e aconselha para que
nenhum dos cônjuges negue o sexo, antes procedam com consentimento mútuo. A
atração física, emocional e o verdadeiro amor no casamento são condições
indispensáveis para uma sexualidade abençoada. Todas as práticas sexuais
desviadas dos padrões das Escrituras se inscrevem no mundo do abrasamento e das
perversões (parafilias), degradantes da vida e da sua dignidade, a saber: prostituição,
homossexualidade, pedofilia, pornografia, incesto, violação e bestialidade».
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O Que é o Amor?
Um
dos momentos mais sagazes do reputado poeta latino do séc. I a. C., Ovídio, foi
o de considerar peremptóriamente que o amor, como todas as outras artes
antropológicas, poderia ser ensinado às pessoas a desenvolver ao longo da vida,
independentemente de quaisquer condicionalismos exteriores e circunstanciais de
cada indivíduo no contexto em que está inserido. Por isso, desdobrou-se num
esforço desmesurado para provar tão grande intento. Fê-lo através da sua
promiscua obra “Arte de Amar”; obra
essa que se circunscreve em facultar aos putativos amantes as ferramentas indispensáveis
de sedução, fetiche e conquista em última instância. Uma façanha apenas para os
mestres de amor, tal como o próprio presunçosamente se auto-intitulou.
Feito
este brevíssimo introito, deixemos agora de lado Ovídio e as suas construções
doutrinárias e atentemos para o conceito terminológico do amor. Afinal de
contas, o que é o amor? E quais são os seus predicados axiológicos na vida dos
amantes? O amor, de forma subsumida, é uma força sobrenatural que visa
aproximar e unir os seres numa relação bastante especial. No grego bíblico,
onde o termo ganhou mais relevo, proeminência e projecção mediática para as
outras civilizações mundiais, o amor envolvia três importantes significados
etimológicos que são “agapé”, “philia” e “eros”, respectivamente, abarcando o círculo tridimensional do
Homem na sua esfera inter e extra-relacional com os seus semelhantes, bem como
com o Divino mediante a religião. As
demonstrações do amor nestas três vertentes da cultura helénica, máxime o amor "eros"[1], comportam
torrentes de sentimentos hipertrofiados que, na generalidade das situações, levam
os amantes a perder a noção do juízo. Talvez seja por este motivo que exista um
consenso praticamente universal entre os seres humanos que o amor é irracional,
visto que “o coração tem as suas razões
que a mente desconhece”, sustentava Pascal na sua formulação conceptual
sobre o tema. Que razões indesvendáveis são essas que não são cognoscíveis?
Serão, porventura, as de amar e não ser amado? Eis as insondáveis questões que
nos interpelam.
Deixemos
agora de lado as concepções dogmáticas e atentemos na realidade prática da
alcova do amor, o centro nevrálgico de todas as emoções humanas. Uma das
características imprescindíveis e irrenunciáveis do amor é o coração, tal como
este simboliza na perfeição aquele. O coração não faz sentido sem o
sustentáculo do amor. E o amor não se realiza sem a estreita colaboração do
coração. Não há amor sem coração e, muito menos, o coração sem amor. Perder o
coração é deixar escapar, irreversivelmente, o amor e vice-versa. São duas realidades
visceralmente intrínsecas dentro do Homem, geradoras de sentimentos
indescritíveis e indomáveis ao ponto de abalar fortemente com toda a nossa
estrutura físico-emocional, deixando-nos sem auto-domínio e à mercê da deriva
da paixão (que o diga, por todos, Tristão e Isolda [LER], Romeu e Julieta, Edith Piaf [VER], Jacques Brel [VER] e tantas outras mulheres e homens que foram
fortemente “dilacerados” pela loucura
do amor).
Deixemos
agora de lado as construções filosóficas e parábolas do amor e atentemos na sua
“causa e efeito” nos corações dos
comuns mortais, mormente a razão última da sua existência. Uma das matrizes e
pressupostos valorativos do amor é a partilha. Não uma partilha adulterada,
baseada em meros caprichos calculistas, individualistas e interesseiras, mas sim
numa convivência sã, fidedigna, incondicional, indissolúvel e perpétua,
envolvendo sempre a exequibilidade sentimental que deixa marcas profundamente
indeléveis na vida dos amantes. “Despedaçamos”
a metade do nosso sensível coração para juntá-lo com um outro coração “partido”, que se identifica
holisticamente connosco, mediante o acasalamento e a consumação, passando assim
a formar apenas um só corpo e um único propósito de vida. Uma completa e
deliberada alienação, que transcende a lógica racional.
É
justamente por tudo isto que o amor é manifestamente uma submissão,
inconformismo, tortura, prisão e escravatura consentida por aqueles que genuinamente
amamos. Apesar de toda esta torrente de “erosão
sentimental”, que o amor acarreta e encerra na vida dos amantes, ele também
é indubitavelmente comunhão, protecção, partilha, beleza, doçura, afeição,
paixão, satisfação, contentamento e, em suma, felicidade. Mistério, portanto, paradoxal.
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