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Os Inimigos do Povo


Faz hoje precisamente 19 anos que alguns insubordinados militares guineenses, coadjuvados por politiqueiros que grassam na nossa praça pública, fizeram a sublevação militar que ceifou prematuramente a vida de inúmeras pessoas, deixando sequelas indeléveis e rastos de destruição que ainda hoje se repercutem negativamente na vida quotidiana da generalidade dos guineenses. 7 de Junho de 1998 ficará definitivamente registado nos anais da História da Guiné-Bissau como uma data funesta, que contribuiu decisivamente para agravar o elevado índice de pobreza e de mortalidade que já vinham afectando o nosso povo. 

Apesar do despotismo político-governativo implementado por João Bernardo Vieira (Nino) ao longo dos anos no país era, de todo, dispensável a hedionda guerra civil. Não fazia qualquer tipo de sentido. Foi uma opção irresponsável e errada por parte dos nossos broncos militares e políticos, tal como os anos subsequentes vieram manifestamente a provar. A pacóvia classe castrense imbuída pelos seus egocêntricos caprichos – como sempre – decidiu enveredar unilateralmente pelo caminho da violência sem, no entanto, dispor de agenda patriótica e alternativa política credível para fazer avançar o país. Usurparam o poder pela força e locupletaram-se ilicitamente, fazendo no curto espaço do tempo pior do que o regime anterior tinha feito. Em suma, eis abreviadamente a penosa receita da guerra 7 de Junho de 1998: a mortandade sem precedentes, o anarquismo absoluto, o esvaziamento do poder e autoritarismo governativo, a corrupção generalizada dentro e fora do aparelho do estado, tremendas desigualdades sociais, miséria galopante, nulidade das instituições do país, o abuso de poder, a inexistência de classes sociais e o triunfo da mediocridade. Retrocedemos, como se pode ver, a todos os níveis. Perdemos literalmente tudo, inclusive a esperança média de vida e ficamos cada vez mais vulneráveis, sem qualquer tipo de benefício concreto para o povo. Que má sorte a nossa! 

Quero, do fundo do meu coração, prestar uma singela homenagem a todos os guineenses e não guineenses que tombaram nesta fratricida guerra, bem como aos que foram prejudicados por ela e continuam ainda hoje a carregar o enorme fardo dos seus efeitos colaterais. Agradeço profundamente ao meu Eterno e Todo-Poderoso DEUS por me ter poupado a vida, juntamente com toda a minha família e amigos[1]. DEUS seja eternamente louvado!



[1]Ficámos em Bissau, a título de exemplo, nos momentos mais intensos e críticos da guerra, nomeadamente a violação do cessar-fogo de 31 de Janeiro do ano seguinte e posteriormente o massacre perpetrado deliberadamente no campo eclesiástico do CIFAB, que acolhia aproximadamente cinco mil pessoas, aquando da tomada de Bissau e o triunfo final dos rebeldes da Junta Militar sobre o governo. Foram lançadas ali quatro bombas. Três delas caíram literalmente em cima dos inofensivos refugiados, matando um número bastante significativo de pessoas. Eu e parte considerável da minha família estávamos abrigados no referido local da Igreja Católica. Presenciámos todo este horror humano – para não falar de outras flagrantes situações em que nos encontrávamos mesmo perante "o vale da sombra da morte". Mesmo assim, pela maravilhosa graça de DEUS, nenhum mal nos aconteceu, confirmando assim a célebre afirmação bíblica que expressamente diz: "muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas" [Salmos 34:19]. O SENHOR, de facto, protegeu-nos e livrou-nos da morte certa que se teria abatido sobre nós no decorrer da guerra. Por isso, estou-Lhe penhoradamente grato por tudo o que fez por mim e pela minha família e amigos.

O Balanço do Ano Transacto e as Legítimas Expectativas do Novo em Curso


A nível geral o ano transacto foi bastante tenebroso em múltiplos aspectos, nomeadamente na reiterada violação dos Direitos Humanos em diferentes pontos do globo; o perigo real que o autoproclamado estado islâmico passou a representar para a Humanidade, sob a quimera pretensão de instaurar um califado universal; o turbilhão político-armado que se vive no Médio Oriente e sem horizonte de paz à vista; o terrorismo galopante que mina cada vez mais os países, ameaçando consideravelmente o estilo de vida das sociedades abertas; o drama dos refugiados e migrantes que procuram clandestinamente chegar à Europa, tornando o Mediterrâneo e o Egeu num cemitério líquido de milhares de vidas humanas, somando à insensibilidade dos governos europeus e aos "muros das lamentações" que têm vindo a ser erguidos no Velho Continente para impedir a entrada dos mesmos desamparados nos seus territórios; a deterioração preocupante das alterações climatéricas e as incertezas envolvidas na aplicação do recente acordo histórico de Paris; a ameaça nuclear na Ásia, mormente entre a Índia e o Paquistão, estendendo-se à Coreia do Norte e do Sul; o autoritarismo russo no leste da Ucrânia e a instabilidade político-económica vigente em África, traduzindo-se numa pobreza extrema e em milhares de vítimas mortais; as maras no Salvador, Honduras, Guatemala, Nicarágua, Venezuela, México e Colômbia, incluindo a degradação do processo de paz israelo-palestiniano e a fratricida guerra na Síria, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na República Centro Africana e em diversas regiões do Sahel, consubstanciando-se, em determinados casos, em hediondos crimes de guerra, genocídios, limpezas étnicas e religiosas. Práticas extremamente repugnantes que se tornaram praticamente vulgares nos dias coevos. 

O meu ardente desejo é que este ano, 2016, possa ser de harmonização e pacificação do Mundo. Que, de facto, os ideais da Paz, da Igualdade, da Liberdade, da Fraternidade e da Solidariedade possam ser uma realidade viva e efectiva na vida dos povos, sobretudo que os problemas supra mencionados sejam definitivamente solucionados para o bem-estar da Humanidade. 

Esperamos ainda que o Cristianismo continue a reforçar o seu papel transformador no mundo e que milhões de almas se rendam ao senhorio de Jesus Cristo; que África possa emergir e encontrar o seu caminho ideal do desenvolvimento sustentável, e, consequentemente, melhorar de forma significativa o nível de vida dos seus povos; que a Guiné-Bissau supere o mais rapidamente possível os sérios obstáculos de governação com que se tem deparado nas últimas décadas, proporcionando a paz social aos nossos sofridos patrícios. 

Obviamente que não somos assim tão ingénuos ao ponto de julgar que tudo isto se vai processar da melhor forma possível. Haverá, certamente, vários obstáculos e resistências que vão surgir para obstar ao Equilíbrio e à Concórdia no mundo, motivado por razões de oportunismo político-económico e geoestratégico, postergando o bem-comum. Mesmo assim, temos enorme fé no triunfo das acções determinantes dos Homens de boa Vontade para mudar o curso funesto do nosso decadente mundo. 

Em suma, agradecemos imensamente a DEUS pelo ano que findou, especialmente por nos ter conservado com vida e saúde ao lado da nossa amada família. Esperamos, da mesma sorte, que continue a fazer o mesmo durante este ano e nos vindouros. E para si, caro leitor, desejamos-lhe as maiores felicidades do mundo e um bem-sucedido ano 2016 em todas as vertentes da vida. Que assim seja. 

Pessoas Tóxicas


Uma interessante entrevista que vale a pena ler (AQUI). Procura ver se tem no seu círculo de amizade ou relacionamento próximo "pessoas tóxicas" ou "altamente tóxicas" e previna-se com as recomendações dadas pelos especialistas no artigo. Um bom proveito na leitura.

O Islão: A Paz ou Espada?


A imagem que o islão projecta para o exterior é a de uma religião obsoleta, intolerante, apoiante de regimes teocráticos e ditatoriais, que oprime as pessoas, sobretudo as mulheres, e assaz violenta. Justamente por esta razão, o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1350-1425), no seu famoso diálogo com um muçulmano erudito persa, sobre a religião, reduziu o Islão, de forma peremptória, a estes termos: "mostra-me o que Maomé trouxe de novo. Só encontrarás coisas más e desumanas, como o direito a defender pela espada a fé que ele persegue". Na mesma esteira do pensamento, Samuel Huntington, o conceituado politólogo americano, chegou em 1939 à seguinte conclusão: “as fronteiras do Islão estão manchadas de sangue.”[1] São, infelizmente, estas pejorativas marcas a que as várias denominações dentro do Islão nos têm habituado ao longo dos tempos, fazendo com que  ganhasse, no Ocidente, a alcunha de "imagem do inimigo”

Não é preciso ser um perito religioso para compreender esta grande verdade. A realidade dos factos fala por si. O islão não está inocente em todo este imbróglio do fundamentalismo islâmico que tem estado a ameaçar, de forma galopante, as sociedades abertas. Isto porque, desde a sua génesis, é uma religião pautada pela violência. O mote lançado por Maomé no séc. VII era o de fazer uma guerra santa sob o pretexto de, quem nela perdesse a vida, ter lugar reservado junto a Deus no paraíso. A guerra santa é contra qualquer tipo de infiel que se recusa submeter aos preceitos islâmicos. Os quatro primeiros califas, ditos "os bem guiados" (entre 632 e 661, ou seja, desde a morte de Maomé até ao estabelecimento da dinastia dos Omíadas, apesar das constantes rivalidades internas que tiveram) adoptaram esta maléfica máxima e projectaram-na nas suas posteriores conquistas e escrupulosamente seguida até aos dias coevos. 

Esta teologia de combate está subjacente em muitos textos do alcorão, principalmente no que diz respeito ao ódio declarado aos Judeus e Cristãos, tais como: "combatei [os cristãos e os judeus] até eles pagarem directamente o tributo, depois de se terem submetido.” (Corão, 9:29); «… [os judeus] as palavras dos seus antepassados [isto é, são politeístas]. Que Alá os combata! Como se afastam da verdade!» (Alcorão 9:30); “Não tomeis os judeus e os cristãos como aliados: são aliados uns dos outros. Se algum de vós os tomar por aliados será um deles. Deus não guia os traidores (Corão, 5:51); "Já sabeis o que aconteceu àqueles, de entre vós, que profanaram o sábado. A esses dissemos: “que sejais transformados em símios desprezíveis! E foi um castigo que servirá de exemplo para os seus contemporâneos e para os seus descendentes, e uma exortação para os tementes a Deus (Corão, 2:25 e 66). O alcorão está repleto de inúmeros textos deste género, que instigam manifestamente a violência. Os islamitas radicais não hesitam em citá-los para justificar as suas acções terroristas. 

A nosso ver o problema do fundamentalismo islâmico não reside apenas nos crentes radicais, mas sobretudo em certos líderes e teólogos muçulmanos que deviam ter uma hermenêutica pacifista sobre o alcorão, enquadrando-o nos cânones do mundo pós-moderno em que vivemos. Sucede, infelizmente, que tal realidade não tem vingado, por vicissitudes várias e/ou supervenientes. São as pessoas que mais instigam, disfarçadamente, a mensagem do ódio e do terrorismo, tal como literalmente está encerrado no alcorão. 

Um dos piores males do islão prende-se com a jihad  (palavra que na sua raiz etimológica significa empenho, consubstanciando a luta interior e exterior em nome de Alá) e a sharia (legislação – o primado da lei islâmica face a qualquer tipo de Direito). Para superar as forças dos ímpios, pode ser necessário lançar mão da jihad contra os infiéis, o que por sua vez pode significar, em casos extremos, recorrer à guerra santa. O martírio está na essência do estado de pureza religiosa. Como afirma Hassan al-Banna, fundador e líder da Irmandade Muçulmana, assassinado em 1949: "o Corão é a nossa constituição, o Profeta é o nosso guia; a morte em nome da glória de Alá é a nossa maior ambição”[2]. O principal objectivo de todas as acções humanas, escreve ainda Manuel Castells, deve ser o estabelecimento da lei de Deus para toda a humanidade, colocando assim um ponto final na actual oposição entre Dar al-islam (o mundo muçulmano) e Dar al-Harb (o mundo não muçulmano). Verificado este processo "natural”  de harmonização deixa, automaticamente, de haver subjectividade e tudo se passa a desenrolar por meio de umma  (comunidade de fiéis, em que todos são iguais na sua submissão perante Alá): o individuo torna-se parte da comunidade dos fiéis, um mecanismo básico de igualdade que oferece apoio mútuo, solidariedade e significados compartilhados. Tudo isto fundando-se com base na sharia, que prevalece sobre a ideia do Estado-Nação e vincula toda a comunidade muçulmana. 

jihad e a sharia são conceitos maleáveis, objecto de múltiplas interpretações dos teólogos muçulmanos ao longo da história da religião islâmica. Talvez seja por esta razão que não há um único documento oficial que aborda, de forma nítida, as duas realidades, fazendo com que o islão enveredasse por uma deriva doutrinária e profunda crise de fé, com sérias repercussões negativas na vida das pessoas, bem como num radicalismo religioso sem precedentes. 

O austríaco Karl Popper (1902-1994), considerado por muitos intelectuais como um dos grandes pensadores do séc. XX, na sua emblemática obra "A Sociedade Aberta e os seus Inimigos" rejeita o uso da violência, proclamando a tolerância nos domínios político, religioso e ético. No entanto, adverte, como meio de prevenção, que a sociedade aberta não é uma forma plena e garantida, antes comporta inimigos, personificados nos nomes de Platão, Hegel e Marx, e nas ideias do historicismo, colectivismo e o naturalismo ético[3]. Afinal de contas, ele estava completamente equivocado nas suas redutoras previsões. De facto a miscigenada sociedade Ocidental confronta-se com inúmeros inimigos, quer a nível interno, quer a nível externo. Ali, desde logo, a relativização de grandes Princípios e Valores que outrora nortearam-na, especialmente a sua identidade Cristã que há muito foi posta em causa, somando isto às ideologias extremistas – tanto de Esquerda como de Direita, que têm vindo a crescer paulatinamente no seu seio. Aqui a ameaça real vem mesmo do islão e na maioria dos seus alucinados seguidores. 

Parece-nos, em abono da verdade, que o islão não está minimamente preparado para conviver num mundo globalizado e civilizado. É uma religião que marginaliza a Liberdade, a Democracia e os Direitos Fundamentais. Não folga com as diferenças ideológicas e o pluralismo de ideias. Quer sempre impor-se a todo custo, mesmo que para isso haja derramamento de sangue. Guia-se, acima de tudo, pelos princípios e valores autoritários e absolutistas. Os países mais atrasados do mundo são, na sua esmagadora maioria, muçulmanos não obstante disporem de enormes recursos naturais e serem objectivamente ricos. Rejeitam o secularismo a pretexto de ser um produto Ocidental – uma maldição, afirmam vivamente. Contudo, os produtos que consomem, até à exaustão, chegam-lhe do Ocidente. Um autêntico paradoxo! 

A liminar recusa em aceitar o modelo da laicidade do Estado, faz com que muitas pessoas de outras confissões religiosas sejam permanentemente perseguidas nos países islâmicos. Negam-lhes os Direitos Fundamentais que lhes assistem e, em determinados casos, são injustamente colocadas na cadeia ou mortos de forma arbitrária. Tal realidade é notória no Paquistão, Arábia Saudita, Irão, Eritreia, Egipto, Afeganistão, Sudão e Iraque (LER). O nível da intolerância religiosa vai ganhando contornos preocupantes quando um crente muçulmano pode livremente desposar uma Cristã, ao passo que as mulheres muçulmanas não podem, em circunstância alguma, ter um caso amoroso com um Cristão, tão pouco casar com ele, pois isso constitui uma tremenda apostasia e é digno de punição vigorosa. Esta limitada forma de pensar faz com que um forasteiro que viva num país islâmico seja obrigado a viver, praticamente, como um muçulmano, condicionando-o significativamente na sua liberdade e autonomia privada. Em sentido contrário, tal já não se pode verificar: um fiel muçulmano pode livremente viver no estrangeiro, sem qualquer tipo de constrangimento, professando a sua fé. Os Cristãos são impedidos de evangelizar nos países islâmicos e, muito menos, construir igrejas sob pena de incorrerem em infracções graves. Já um muçulmano sente-se no pleno direito de propagar a sua fé noutros países, nomeadamente aqui na Europa. 

De Paz o islão está inteiramente desprovido, apesar de se autoproclamar debalde pacifista e apropriar-se do sentido etimológico da palavra árabe "salam" (LER). É uma religião associada à violência e ao derramamento de sangue. E como justificava sabiamente o imperador bizantino Manuel II, "tal violência é contrária à natureza de Deus e à natureza da alma. Deus não ama o sangue e agir de maneira irracional é contrário à natureza de Deus. A fé é o fruto da alma e não do corpo. Aquele que quiser conduzir outros na fé deve ser capaz de falar bem e pensar de forma justa e não pela violência e ameaça", encerra advertidamente. Cada ser humano deve ser livre de pensar e de professar a religião que bem entender, uma vez que a religião forçada não é mais religião mas sim uma arbitrária imposição. E mais, quem prega a Paz e o Amor jamais é intolerante ao ponto de matar insensivelmente pessoas em nome de um "deus", tal como faz a religião islâmica. 

Obviamente que nem todos os muçulmanos adoptam esta maléfica forma de estar na vida. Felizmente. Há muitos fiéis que remam contra a maré, procurando, na medida do possível, ter uma abordagem religiosa de tolerância e de amor para com o próximo, nomeadamente com as pessoas que professam outra crença religiosa. Mesmo assim, não conseguem com o seu testemunho de vida "cobrir" os tremendos horrores dos fundamentalistas islâmicos. 

Os apologistas que defendem que o islão não é responsável pelas atrocidades cometidas em seu nome não são, de todo, razoáveis. Enquanto os líderes islâmicos não propuserem uma interpretação substancialmente pacifista do alcorão, parafraseando Hicham Bou Nassif, tanto os Judeus como os Cristãos e os Ocidentais (tidos como infiéis) continuarão a ser perseguidos e assassinados, como, aliás, têm sido reiteradamente. É este o motivo pelo qual os argumentos que proclamam a "inocência do islão" são inexactos e contraproducentes [4]. Não fazem mais do que atrasar o exame de consciência que os muçulmanos têm de fazer imperativamente, por si e pelos outros, para o supremo bem da Humanidade. 

Por isso, é preciso uma impreterível reconversão do Islão no sentido de abandonar, definitivamente, a cultura da intolerância religiosa e ajustar a sua hermenêutica corânica aos avanços civilizacionais do séc. XXI: respeitar, acima de tudo, os Valores da Democracia Participativa e a Vida Humana na sua verdadeira essência. Só assim estaremos em condições necessárias de construir um Mundo mais Justo, Harmonioso e Pacífico, onde todos, sem excepção, possam viver em clima de Amor e Fraternidade uns para com os outros, independentemente da mundividência que cada um adopta e ostenta na sua rotina de vida diária. 



[1] Hans Küng, Islão [Passado, Presente, e Futuro], Edições 70, Lisboa, 2010, p. 25
[2] Manuel Castells, O Poder Da Identidade [A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura], Fundação Calouste Gulbenkian, 2007, p. 14.
[3] Paulo Otero, Instituições Políticas e Constitucionais [Volume I], Almedina, Coimbra, 2007, p. 416
[4] Estará o Islão Inocente, título do artigo de Hicham Bou Nassif publicado na Revista Courrier Internacional, p. 52, Número 225, Novembro, 2014.

Juízo Inconsequente


«E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?» (Mateus 7:3), diz expressamente o Senhor Jesus Cristo em tom de admoestação. Os brasileiros não têm moral de criticar os portugueses por serem preconceituosos e racistas no trato que dão às pessoas de outras proveniências, como reiteradamente fazem (LER). Da mesma sorte, estes não podem atacar aqueles pela discriminação dos seus concidadãos (LER,  LER e também AQUI). Ambos são farinha do mesmo saco na matéria de justiça social. 

Portanto, não censuremos nos outros aquilo que também nos atinge (LER).

Reflexão Proustiana


Li algures, em tom de assentimento, que toda a existência e o percurso do Homem se baseiam no factor tempo. É um entendimento bastante redutor e discutível do ponto de vista antropológico. Confesso publicamente que não sou proustiano. Não lamento a nostalgia do tempo e nem tão pouco fico ansioso por ele. Para mim, não existe o tempo perdido” e “o tempo reencontrado”. Da mesma sorte, “o tempo medido” e “o tempo contado”, tal como convencionado unanimemente pelos seres humanos, são configurações diferentes da mesma realidade, consubstanciando meros fenómenos naturais, que o próprio tempo encarna e processa no seu âmago. Qualquer tempo é tempo. Logo, nesta ordem de ideias, tudo é tempo. Considero-me mais salomónico a nível do tempo, máxime na sua pré-determinada implicação teleológica. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”, observava inspiradamente o sábio Qohelet (Eclesiastes 3:1)

Não tenho preferência por nenhuma estação do ano em concreto – nem pelos fusos horários que se vão alternando no universo. Gosto da manhã, da tarde e da noite. Maravilho-me com o Inverno, a Primavera, o Verão e o Outono. Gosto, igualmente, de períodos de chuva e de seca.  As mudanças climatéricas não passam, a meu ver, de meras ocorrências cíclicas resultantes do movimento de rotação e de translação da Terra. Nada mais. Tudo o que extravasa este raio de compreensão é pura especulação e raciocínios falazes. Por isso, aprecio imenso todas as épocas do ano, procurando na medida do possível ajustar as suas cómodas e incómodas particularidades naturais. 

É o destino que marca a hora e esta, por sua vez, traça o tempo. Sem o destino não há horas e, tão pouco, agendas temporais. São as duas primeiras conjugações que formam e caracterizam o tempo. A existência do Homem é o produto da providência Divina que se veio concretizar, de forma milagrosa, no âmago do tempo. Talvez seja por esta mesma razão que damos demasiada primazia ao tempo, sem nos apercebermos disso. Ansiamo-lo a cada momento que passa e vivemos toda a nossa vida dependente dos seus sinais e condicionalismos, conformando-nos com a subtil ideia de que somos produtos casuísticos do tempo, até ao dia que o tempo nos consuma para sempre no curso infinito do tempo. 

A Sociedade Aberta e os seus Inimigos


Faz hoje 20 anos sobre o desaparecimento físico de Karl Popper (1902-1994), considerado por muitos intelectuais como um dos grandes pensadores do séc. XX. Ler a sua emblemática obra "A Sociedade Aberta e os seus Inimigos" é uma sensação única. O socialismo marxista-leninista é pura utopia, tal como a sociedade idealizada por Tomás More. "Os volumes de Lénine (Obras Escolhidas)" e "O Capital" de Marx são obras cheias de ambiguidades e bastante paradoxais. Preconizam uma ideologia híbrida, completamente aversiva ao modelo liberal da sociedade que, como sabemos, trouxe consideráveis ganhos à Humanidade, no que toca aos ideais da Democracia Participativa, da Igualdade, da Justiça Social, da Liberdade, da Tolerância e da Propriedade Privada. 

Popper rejeitava, numa primeira abordagem, o uso da violência proclamando a tolerância nos domínios político, religioso e ético. No entanto, advertia, como meio de prevenção, que a sociedade aberta não é uma forma plena e garantida, antes comporta inimigos personificados nos nomes de Platão, Hegel e Marx, e nas ideias do historicismo, colectivismo e o naturalismo ético. Afinal de contas, ele estava parcialmente equivocado nas suas redutoras previsões. De facto, a miscigenada sociedade Ocidental confronta-se com inúmeros inimigos, quer a nível interno, quer a nível externo. Ali, desde logo, a relativização de grandes Princípios e Valores que outrora nortearam-na, especialmente a sua identidade judaico-Cristã que há muito foi posta em causa, somando isto às ideologias extremistas – tanto de Esquerda como de Direita, que têm vindo a crescer paulatinamente no seu seio. Aqui, a nível externo, a ameaça real vem mesmo do radicalismo islâmico e na maioria dos seus alucinados seguidores. 

Ó Morte, Onde Está Agora a tua Vitória?


Temos demorado imenso nos últimos tempos a ponderar seriamente sobre a precariedade da vida, na sua multiforme configuração antropológica, e na funesta realidade da morte, máxime no que toca ao seu profundo impacto humano-sociológico na vida de inúmeras famílias que sofrem pesarosamente todos os dias com a perda prematura e irreparável dos seus entes queridos. A morte é o pior inimigo do Homem a todos os níveis. Um pesadelo que persegui-lo-á para o resto da vida. Mistério que jamais conseguirá desvendar ou compreender holisticamente. É um mundo praticamente incognoscível para ser explorado e consequentemente possibilitar a concepção de antídotos necessários para a sua definitiva erradicação no seio dos seres humanos (LER). Condiciona decisivamente os ambiciosos projectos do Homem, reduzindo-o ao pó da terra, confirmando assim a sua frágil e momentânea passagem neste "Vale de Lágrimas"

Por vicissitudes várias e supervenientes, sobejamente conhecidas pelos Cristãos, a morte foi algo acidental no percurso do Homem. Resulta, tão-simplesmente, da sua manifesta desobediência no início da criação no jardim do Éden. Ele não tinha sido criado para morrer, mas sim com o único propósito de usufruir a plenitude da vida eterna que lhe fora soberanamente outorgada pelo Omnipotente Jeová (Génesis 1:26-30). Foi o próprio Homem que, na sua exacerbada presunção, provocou, de forma deliberada e consciente, esta sua sentença condenatória. Originou-a sem estar minimamente preparado para encarar posteriormente a sua trágica implicação prática, razão pela qual não aceita em circunstância alguma a ideia de morrer. Acontece que, por imperativo das leis naturais resultantes do pecado original de Adão e Eva, temos todos que morrer um dia (Génesis 3:1-24). É um facto consumado. Cada um de nós terá que acertar contas com esta inexorável dizimadora de vidas, pois ela é completamente insensível à dor e ao sofrimento humano. Não quer saber absolutamente nada das nossas legítimas aspirações. Não familiariza com ninguém. Detesta o nosso progresso e bem-estar social. É o nosso pior carrasco. Por isso, desde os velhos até aos mais novos, sem excepção, colocará todos debaixo do seu domínio. Seremos todos consumidos por ela. 

Apesar desta aparente vitória da morte sobre o Homem também será destruída pelo poder do Todo-Poderoso DEUS num abrir e fechar de olhos. É o último inimigo a ser vencido e, deste modo, cumprir-se-á o que dizem as Sagradas Escrituras, "a morte foi destruída numa vitória completa. Ó morte, onde está agora a tua vitória? Onde está o teu poder de matar? O poder da morte é o pecado e o que dá poder ao pecado é a lei. Graças a Deus que nos deu a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo!” (1 Coríntios 15:55-57, Isaías 25:8). 

Até lá, neste compasso de espera da consumação dos séculos, todos nós, teremos que confrontar-nos com este fatídico destino das nossas vidas de múltiplas formas. Cada um à sua sorte. Uns mais cedo que os outros. Queiramos ou não. Somos destinados a morrer – voltar novamente ao pó da terra de onde outrora proviemos (Génesis 2:7; 3:19). 

A única solução exequível que nos resta para alcançarmos a perfeita redenção soteriológica passa, acima de tudo, em mentalizarmo-nos plenamente com o pesadelo da morte e prepararmos da melhor forma possível a sua repentina chegada. E isto se traduz em depositarmos inteiramente o destino da nossa vida aos supremos cuidados do nosso Único Senhor e Suficiente Salvador Jesus Cristo, estando em harmonia com tudo e todos à nossa volta. E assim, com o espírito do dever cumprido, partir tranquilamente em Paz para as Bem-aventuranças Eternas (Mateus 25:31-40; Apocalipse 21:1-7; 22:1-5). Que assim seja. 

Piroga Fantasma (13): O Império da Futilidade


As nações são reflexos visíveis das sociedades que emanam. Da mesma sorte estas espelham a imagem dos seus respectivos cidadãos. Mede-se o calibre de um país mediante as pessoas que dele fazem parte. E a Guiné-Bissau não está fora desta inequívoca regra de apuramento. 

Por vicissitudes várias e supervenientes, mormente pelo esmagamento sistemático a que o nosso humilde Povo foi reiteradamente submetido ab initio, isto acabou por arrastá-lo forçosamente para um estado de letargia social e de série complexidades. E não estamos a falar de uma situação que surgiu acidentalmente, mas sim que foi propositadamente criada pela vileza moral dos sucessivos governantes (kabalidus) que conduziram os destinos sociopolíticos do país ao longo dos tempos. 

Há um vício maléfico e extremamente degenerativo que ameaça cada vez mais  a sociedade Guineense de forma galopante. Não há hierarquia de Princípios e Valores e as pessoas, tão-simplesmente, postergam-nos para segundo plano nas suas opções de escolhas. Ninguém respeita as regras estabelecidas, e muito menos preocupam-se em aplicá-las no seu quotidiano. Vende-se, facilmente, a dignidade a troco de qualquer preço com o intuito de sobressair rapidamente na vida. Os compromissos com a ética, a moral, a verdade exauriram-se. Perdemos a noção do respeito e do bom senso de uma sociedade que se preze. Não temos referências de pessoas que possam emergir como modelos inspiradores para a nossa carente adolescente-jovens. O modelo passou a ser o dos valores materialistas, traduzindo-se num completo relativismo moral, virado para a avidez do lucro fácil, na ostentação da riqueza, na corrupção generalizada dentro e fora do aparelho de Estado e no vício insaciável pelo poder. 

As nobres virtudes da honra, do respeito, da decência, da humildade, da dignidade, da honestidade, da tolerância  e de tudo aquilo que outrora foram as grandes Regras-Condutas norteadoras da nossa genuína sociedade foram postas em causa, sem que surgissem quaisquer alternativas credíveis para preencher o vazio das referências que foram obliteradas. E assim, de forma flagrante, a força vai-se sobrepondo ao Direito, o interesse à Verdade, o dinheiro à Consciência. Ipso facto assiste-se indiferentemente ao triunfo da futilidade, que nos direcciona cada vez mais para um precipício social irreversível. 

O grande desafio que se coloca neste momento à Guiné-Bissau é o da possibilidade de uma mudança drástica em todos os domínios da sociedade e, sobretudo, na sua mundividência e postura para encarar as elevadas exigências da pós-modernidade. O estado calamitoso que está patente aos olhos de todos remete-nos, sem excepção, para um cálculo objectivo, no sentido de readoptar medidas exequíveis a curto, médio e longo prazo a fim de expurgar definitivamente estes flagelos ameaçadores da nossa unidade, coesão e desígnio nacional. 

Banhos Públicos: Voluntarismo ou Autopromoção?


O Voluntarismo é um termo bastante rico nos seus múltiplos significados que atraiu ao longo dos tempos. Talvez seja esta a razão pela qual tem despertado o interesse dos grandes pensadores mundiais que marcam, e marcaram, profundamente a nossa História Universal. 

O debate sobre as implicações práticas do termo começou, precisamente, com Santo Agostinho de Hipona e demais filósofos coevos. Posteriormente, ganhou mais relevo e projecção com o Teólogo Escolástico Guilherme de Ockham, que "santificava" completamente a vontade humana, e concomitantemente a liberdade individual, em detrimento de qualquer tipo de realidades subjacentes ao ser humano. Com os moralistas do séc. XVII e XVIII ficou tudo diferente. O Voluntarismo passou a ser objecto de rigorosa avaliação, não apenas por aquilo que representa do ponto de vista filosófico, mas também pelo fim que visa atingir e como este é atingido. 

É no âmbito destas construções dogmáticas que surge Immanuel Kant, que veio relançar decisivamente o debate, rejeitando a priori a enfase perfeccionista do conceito. Para Kant "a boa vontade não é boa por aquilo que promove ou realiza, pela aptidão para alcançar qualquer finalidade proposta, mas tão-somente pelo querer, isto é em si mesma, e, considerada em si mesma, deve ser avaliada em grau muito muito mais alto do que tudo o que por seu intermédio possa ser alcançado em proveito de qualquer inclinação, ou mesmo, se se quiser, da soma de todas as inclinações" (In Fundamentação da Metafisica dos Costumes, pág. 23, Edições 70, Lisboa, Portugal, 2005). Com efeito, vai traçar o conceito do Dever Ser como a única máxima de todo o conteúdo moral, concluindo peremptoriamente que qualquer acção que não seja revestida do Imperativo Categórico não passa de uma intenção meramente egoísta, desprovida de qualquer significado valorativo do ponto de vista humano-social. 

Da minha parte, não se pode falar do Voluntarismo sem primeiro se falar do Livre-arbítrio e, consequentemente, da Autodeterminação (LER). E falar destes três conceitos em simultâneo torna o problema ainda mais complexo e de difícil posicionamento, uma vez que envolve vários mistérios e enigmas que, as mais das vezes, não conseguimos penetrar e muito menos decifrar. Do Livre-arbítrio e Autodeterminação do homem pode-se esperar tudo, desde a encarnação de excelentes virtudes morais, que traduzem as práticas de boas obras, até aos actos individualistas que visam apenas autopromoção, ou até mesmo, em circunstâncias anormais, de actos bárbaros. 

Vem todo este intróito a propósito dos banhos públicos. A grande questão que se coloca é a seguinte: será que a generalidade de pessoas que têm aderido em massa a esta nobre campanha de solidariedade e de sensibilização, mormente as figuras públicas, com vista angariar dinheiro em favor da associação ALS, que visa ajudar pacientes e investigadores no combate da doença esclerose lateral amiotrófica (ELA), também conhecida por Lou Gehrig, estão verdadeiramente a praticar um acto voluntário, ou um mero acto de autopromoção (LER)? A resposta desta pergunta não é nada pacifica. Há profundas divergências de opiniões sobre o assunto. E cada parte tem algum pano de verdade por detrás. Jamais conseguiremos aferir na íntegra onde acaba o Voluntarismo e começa a Autopromoção. É uma linha bastante ténue. 

Sem querer propriamente assumir uma posição no debate instalado, confesso que sou ainda mais céptico em relação à boa vontade humana. Não acredito minimamente nela, ou seja, na sua impoluta moralidade na prática dos actos. Razão pela qual me identifico plenamente com a concepção pré-determinista de João Calvino, da Depravação Total, posteriormente abraçada pelo bispo de Ypres, Cornelius Jansen, conhecido por Jansenismo, que consiste na impossibilidade do homem só por si ter suficientes capacidades de praticar o bem na sua imaculada essência. O Livre-arbítrio do homem, está inteiramente manchada pelo pecado original de Adão e Eva no início da criação no jardim do Éden, ao ponto dele ficar muito aquém do ideal da sua boa vontade. Se avaliarmos, cuidadosamente, no ínfimo pormenor todas as acções do homem, chegaremos à sábia conclusão de que ela está sempre viciada de egoísmo, realização pessoal, calculismo, vaidade, autopromoção e outros adjectivos pejorativos que se lhes pode aplicar, sem prejuízo, obviamente, de se ter em conta os pressupostos valorativos que as sociedades convencionam e traçam como modelo a seguir nos relacionamentos que as pessoas vão desenvolvendo uns com os outros ao longo da transitória vida terrena, que podemos apelidar de acções legítimas (LER)

Sobre a verdadeira motivação das pessoas que estão aderir os banhos públicos há um facto indesmentível que importa salientar, quer queiramos, quer não: o desafio lançado com intuito de ajudar a causa da esclerose lateral amiotrófica tem tido um impacto mediático universal positivo. Não interessa se as pessoas que aderiram a proeza estão a fazê-la com intuito de ajudar a referida causa, ou estão, tão-simplesmente, a querer dar nas vistas por outras razões ocultas, desde que isso não prejudique o trabalho  que se propõem fazer. E parafraseando o Molomil, o que importa são os resultados. Se, no terreno, a autopromoção fizer algo de bom por quem precisa, então, viva a autopromoção (LER)

Piroga Fantasma (11): A Impreterível [Re] construção Política da Guiné-Bissau


E se de repente a Guiné-Bissau desse um sobressalto abismal de reconversão na sua degradada imagem, tanto a nível interno como externo? E se o fizesse ao ponto de superar definitivamente os graves problemas de governação que vêm confrontando ao longo da sua história de independência nacional, através da adopção de políticas exequíveis a curto, a médio, a longo prazo para o desenvolvimento sustentável do País? 

Há muito que chegou o momento de os militares ganharem a devida consciência e se submeterem inteiramente ao Poder Político nos termos consagrados na Constituição da República; há muito que chegou o momento de se acabar, definitivamente, com as sucessivas conspirações, golpes de estados e atentados ao Estado de Direito Democrático; há muito que chegou o momento de se melhorar, de forma progressiva, a qualidade do Ensino em todos os ciclos, e de se erradicar o surto da mortalidade, seja ela materno-infantil ou adulta; há muito que chegou o momento de por um fim à corrupção generalizada no aparelho de Estado, à exclusão social, à pobreza extrema, ao narcotráfico que a tem assolado desmesuradamente, e de alcançar a Paz Social, a Harmonia, a Justiça, ao Desenvolvimento. E para concretizar este desígnio nacional, é necessário que surja uma conjugação de esforços de todas as forças vivas do País, com a finalidade última de o fazer trilhar o caminho do avanço económico-social. 

Dando este gigantesco passo qualificativo de governação, obviamente que não haveria mais fome para os nossos patrícios: poria um fim às ininterruptas instabilidades governativas, aos assassinatos de pessoas e de altas figuras de Estado, à falta de justiça nos tribunais, à impunidade desmedida, ao abuso e à usurpação de poder, ao nepotismo, ao tráfico de influências e aos desvios de erários públicos; da mesma sorte, dissipava-se completamente a celeuma étnico-tribal que tem pairado nos horizontes de alguns Guineenses nos últimos tempos e tantas outras querelas desnecessárias, que em nada abonam para a nossa maturidade colectiva. A Guiné-Bissau seria uma nação em que reinava apenas a Paz perpétua, a Fraternidade, a Solidariedade e o Bem-estar para todos os seus filhos. Ninguém teria suficientes razões de queixas, e, muito menos, ficar aborrecido com o curso galopante que o País prosseguiria. Qualquer Guineense, sem excepção, sentir-se-ia bastante honrado por pertencer um povo trabalhador. 

Oh, como seria bom alcançar estes sublimes ideais! Seria tudo diferente para o nosso humilde povo. Ter-nos-ia poupado de imensos sacrifícios vãos que fizemos, e continuamos a fazer, ao longo dos tempos. Teríamos poupado vida de milhares de inocentes que pereceram por coisas insignificantes. Não haveria margem de dúvida que viveríamos, de facto, num Estado de Direito Democrático, onde todos ficariam bastante satisfeitos e felizes com a condição da vida espectável. Entraríamos numa excitação nacional tal que, subconscientemente, encarnar-mos-íamos a máxima um só povo, um só caminho, uma só causa e único objectivo de vida. Pára de viver na utopia, Térsio Vieira! Deixa de sonhar! Desperta para a realidade...! 

Dói-nos voltar à realidade! Atermo-nos àquilo que nenhum cidadão patriótico quer para seu País. Não há outro remédio senão o próprio remédio curável que ninguém neste momento quer vislumbrar na Guiné-Bissau. As coisas são o que são, dizia sabiamente Heráclito. E porque razão não encará-las de uma vez por todas ao invés de estarmos permanentemente a evitá-las e a adiá-las? Mais cedo ou mais tarde elas acabam sempre por se impor. 

Por isso, da nossa parte, não estamos de modo nenhum resignados com o estado calamitoso que nô terra se encontra impotentemente mergulhada. E jamais estaremos nesse estado. Rejeitamos peremptoriamente esta sépia conjuntura de sufoco nacional. A única realidade que aceitamos de muito bom agrado, e sem hesitação prévia, é esta: A Guiné-Bissau não pode continuar a ser um País falhado como tem sido sistematicamente até aqui. Chega de infindáveis ziguezagues políticos, que configuram manifestamente manobras dilatórias. Abaixo a demagogia reinante. Basta dos urubus políticos e militares foleiros que abundam as nossas praças públicas. Chega de esmagamento metódico ao nosso povo sofredor. Estamos cansados das inimizades e séries instabilidades político-governativas que não nos levam a lado algum. Estamos fartos de promessas irrealistas. Que sejam confundidos todos os malfeitores que não querem o progresso da Guiné-Bissau. Ficam inutilizados todos os seus maléficos intentos. Devolvam-nos a dignidade outrora perdida. Não podemos continuar num experimentalismo fanático. Já falhámos o suficiente. Queremos a Paz, a Unidade, a Reconciliação e um futuro Venturoso para os nossos estimados irmãos. 

A Guiné-Bissau precisa urgentemente de um "saneamento" sucessivo, com vista a reencontrar-se consigo mesmo num novo registo de identidade. Um reencontro que visa apenas imprimir uma nova dinâmica governativa, através das reformas estruturais nas importantes áreas da Educação, Saúde, Justiça, Defesa, Segurança, Economia, Infra-estruturas, Cultura, Turismo, Desporto, tal como defendemos pormenorizadamente aqui (LER). É hora de todos nós arregaçarmos as mangas e trabalharmos arduamente para cumprir este imperativo nacional. Só trabalhando com coragem, com dedicação e com excelência é que estaremos em condições necessárias de reescrever positivamente uma história diferente e muito bem-sucedida para o nosso famigerado País. E tal deve, impreterivelmente, começar Já!

Os Perigo nos Relacionamentos


O Homem é um ser genial, dotado de excelentes virtudes espirituais, morais, intelectuais, susceptível de realizar extraordinários prodígios em favor da sua espécie. É a ideia, segundo os reputados Teólogos Cristãos, de “Imago Dei” graciosamente imputado nele aquando da sua impoluta criação no jardim do Éden. Apesar destes excelsos atributos intrínsecos ao seu substrato, o Homem também é um ser capaz de praticar as piores barbáries que, muitas das vezes, sobrepujam a lógica da razão em detrimento da Raça Humana. Por isso, depois de um estudo minucioso, os Antropólogos e Psicanalistas modernos concluíram peremptoriamente que o Homem é visceralmente paradoxo no seu arbitrário procedimento. 

Partindo do quadro ilustrado, lidar com as pessoas é um exercício árduo que requer bastante cuidado e prudência a todos os níveis. Tanto que, por esta razão, já formulava há séculos Marco Túlio Cícero o brocardo "praestat cautela quam medela". Por haver vicissitudes comportamentais manifestamente imprevisíveis na conduta do ser humano torna-se imperativo criar prima facie barreiras de precaução, não somente para não prejudicarmos ninguém com os legítimos propósitos que almejamos, mas também para não sermos pisados por meros caprichos dos urubus que usam os outros como objecto de prazer para satisfazerem os seus insaciáveis objectivos. 

Nos relacionamentos que vamos acumulando, ao longo da nossa peregrinação terrena, não há margem de dúvida de que nos cruzaremos com um número infindável de pessoas extraordinariamente cordiais, tal como, da mesma sorte, encontraremos pessoas desprovidas de Princípios e Valores ético-morais; pessoas, inclusive, que fazem parte do nosso círculo restrito de amizade e que às vezes nem damos conta que são autênticas hipócritas, insensíveis, pretensiosas, individualistas, gananciosas, interesseiras, materialistas, desonestas, mentirosas, caluniadoras, intriguistas, traidoras, invejosas, mal-agradecidas, desumanas e tantos outros adjectivos pejorativos que se lhes podem aplicar na perfeição. 

É justamente por tudo isto que "o mundo é um lugar perigoso de se viver", encerrava Albert Einstein na sua construção dogmática sobre a conduta do ser humano. E o Filosofo inglês, Thomas Hobbes, na sua afamada obra "Leviatã", vai mesmo ao ponto de considerar que "o homem é o lobo do homem", tendo em conta as infindáveis injustiças que abafam e abundam este tenebroso Universo. De facto por mais experientes, doutos e precavidos que sejamos, jamais conseguiremos aferir na íntegra quem é realmente um verdadeiro amigo. E todo o cuidado é pouco nesta busca incessante do âmago das coisas. Somos praticamente incapazes de prevenir holisticamente as astúcias daqueles que aparentam ser os nossos achegados, mas que não passam de temíveis inimigos... dói esta permanente incerteza de desconhecer o que é, em termos objectivos, cognoscível por todos. Descodificar os profundos enigmas subjacentes ao ser humano. Saber distinguir correctamente "o trigo do joio”. Divisar, com olhos de lince, pessoas boas e pessoas más. 

Por isso, mergulhando no meu cepticismo antropológico, e parafraseando o "Jansenista", rendo-me definitivamente à evidência de que vivemos mesmo num mundo cão! (que expressão tão preconceituosa e anti canídeo, Térsio Vieira, logo os pobres cães que são, na sua esmagadora maioria, exemplares no trato e demonstração de afecto e fidelidade para com o seu dono, não obstante a sua condição amoral para com a sociedade, conseguindo, muitas das vezes, ser os melhores amigos dos seres humanos do que propriamente alguns biltres que infortunadamente entram na nossa vida). 

É este rol de iniquidades que me leva cada vez mais a perder o entusiasmo generalizado, que outrora depositava nas pessoas, e cingir-me unicamente à minha postura Evangélico-Cristã, isto é, estar mais predisposto a dar o melhor de mim, sem esperar nada em troca; de nunca ficar cansado de praticar o bem, em todas as circunstâncias da vida, mesmo por aqueles indivíduos ingratos que não merecem a minha preciosa ajuda; de amar sempre de forma genuína e incondicional; de contar, a priori, que o ser humano pode falhar a qualquer momento pelo que não posso depositar inteiramente a confiança nele. Continuar, acima de tudo, um autêntico Cristão na forma de estar e encarar os relacionamentos nas suas várias configurações antropológicas (LER)

Restam, pois, aos puros de coração, os que verão a DEUS, encarnar inabalavelmente as nobres virtudes humanas e marcar com elas positivamente a diferença neste "Vale de Lágrimas", com a beleza do seu carácter interior que poderá influenciar decisivamente as mentes empedernidas.