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Para Onde Vai o Nobel?


Foi o título da Revista Expresso do dia 22 de Setembro, destacando as regiões e todos os países laureados com um prémio Nobel em mais de 100 anos da sua existência (LER). Os EUA lideram em todas as categorias, excepto a nível da Literatura onde é superado por três escassos votos da França. O Continente africano é o mais "penalizado" pelos conceituados júris da academia sueca e norueguesa, obtendo apenas umas míseras 19 atribuições ao longo destas dez décadas do prémio. As mulheres, por género, à semelhança da avaliação negativa de África, só conseguiram obter 49 atribuições contra as expressivas 847 dos homens (o mundo, por razões do machismo camuflado e consentido, continua ainda a ser dominado exclusivamente pelos homens, infelizmente). 

Um dado curioso ainda que importa salientar prende-se com o Brasil, as Filipinas e a Etiópia. Estes três colossos nunca conseguiram ganhar um prémio Nobel o que, a meu ver, parece-me estranhíssimo, uma vez que representam parte significativa da população mundial – fazem parte do rating da restrita lista de 13 países mais populoso do mundo. Como é possível não estarem devidamente a formar mulheres, homens e/ou instituições competentes "que realiza(ra)m pesquisas, descobertas ou contribuições notáveis para a humanidade", especialmente no âmbito da Química, Física, Paz, Medicina, Economia e Literatura?  É concebível a hegemonia dos EUA e a Europa para serem galardoados com mais de 90% de todos os prémios conferidos até à data presente? Sou eu que não estou a ver bem ou alguma coisa não está mesmo a bater certo com os discricionários "critérios imparciais" de atribuição do reputado prémio Nobel? 

O Jovem Cristão e o Mundo



A vida de um jovem nos dias que correm não é nada fácil. A situação agrava-se ainda mais quando se trata de um devoto Cristão, tendo em conta a predominante cultura do "presente século mau" que entra flagrantemente em contradição com os impolutos Princípios e Valores da Palavra de DEUS. A começar, desde logo, com a ênfase exacerbada que se vai dando ao relativismo moral, ao ateísmo obscurantista, ao materialismo desenfreado, às paixões libidinosas, à avidez pelo lucro fácil, à corrupção generalizada e ao vício insaciável pelo poder, consubstanciam as manifestas marcas distintivas do nosso tenebroso mundo dito "pós-moderno". E, assim, nesta adulteração comportamental, a força vai-se sobrepondo ao Direito, o interesse à Verdade, o dinheiro à Consciência, e com todas as profundas implicações que isto acarreta do ponto de vista humano-social. Sabemos que, por razões cognoscíveis, os jovens acabam por ser as presas mais fáceis destas profanas concupiscências. 

É neste contexto de deboche que o jovem Cristão é chamado para afirmar intrepidamente a sua fé, sem quaisquer tipos de complexos, sendo "sal e luz do mundo" (Mateus 5:13-16), no meio duma geração corrompida e perversa (Filipenses 2:15). Mas, para isso, ele precisa conservar sadiamente a fé e a boa consciência (1 Timóteo 1:19), isto é, uma consciência que não é manchada por nenhum vício ou pecado, dando convictamente o testemunho do Evangelho "dentro e fora do tempo" – repreendendo, corrigindo, exortando com toda a paciência e doutrina (2 Timóteo 4:2). No entanto, para que isso se concretize, tal como admoestam as Escrituras Sagradas, tem impreterivelmente que fugir das paixões da mocidade, seguindo a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor (2 Timóteo 2:22). As nobres virtudes da justiça, fé, amor e paz são excelentes e eficazes antídotos contra os desejos da mocidade, que combatem contra a alma (1 Pedro 2:11), bem como habilitando o jovem Cristão a apresentar irrepreensivelmente como "obreiro aprovado", que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade (2 Timóteo 2:15). 

Acontece que, para tristeza nossa, alguns jovens Cristãos em vez de serem portadores do "bom cheiro de Cristo" em todo o lugar (2 Coríntios 2:14), transviaram-se do caminho da Verdade e deixaram-se influenciar pelos ímpios princípios e valores do mundo, sob o falso pretexto de terem uma "mente aberta" e/ou "progressista", levando-lhes deste modo "a naufragar na fé" (1 Timóteo 1:19). Esperamos, com a graça Divina, que os nossos jovens não estejam nesta promíscua e lamentável situação espiritual. Mas que, acima de tudo, tenham capacidade suficiente para aguentar a pressão do mundo e permanecer resolutamente na Sã Doutrina, uma vez que "toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Timóteo 3:16-17). Que assim seja.

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(Artigo da nossa autoria. Publicado primeiramente no Boletim Oficial da Igreja Evangélica Baptista da Amadora, no dia 27 de Maio de 2017, tal como está ilustrado nas imagens supra, a propósito do culto dominical dirigido pelos Jovens da referida congregação). 

O Drama Sírio


«Por mim vai-se à cidade que é dolente,
por mim se vai até à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu supremo autor: (…)
Deixai toda a esperança, vós que entrais.» 

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(Dante Alighieri, in “A Divina Comédia”, Quetzal, Lisboa, 2013, p. 47). 

Uma Guerra Pode Ser Considerada Justa?


O mundo em que vivemos está cheio de conflitos. Não precisamos de estar plenamente sintonizados com a realidade político-internacional para disso nos apercebermos. Basta constatarmos os alarmantes sinais que nos vão chegando, de perto e de longe, através dos media, para compreendermos que de facto vivemos num mundo bastante hostilizado. Por isso, o grande pensador francês, Eustache Deschamps, antevendo de longe as abomináveis mutações enfatizadas pelo Iluminismo do séc. XVIII, máxime na sua vertente jacobina, aversivo ao conceito da Moral e dos Bons Costumes, expressava um sentimento geral de desânimo e melancolia face à depravação político-social que observava nos seres humanos do seu tempo, afirmando peremptoriamente que existiam apenas "fêmeas e machos estúpidos", apontando para o fim apocalíptico do mundo como sendo corolário desta postura belicosa do homem. 

A guerra que estamos a referir é no sentido stricto sensu, isto é, do conflito armado entre Estados, ou no caso da denominada guerra civil, o terrorismo dos radicais islâmicos, que envolve mortes de pessoas e destruição em massa. Obviamente que o título do artigo não é inocente, tendo em conta as circunstâncias adversas que se vive há muito na Síria, mormente a decisão unilateral dos EUA e os seus aliados de atacar o regime de Asad, sob pretexto que este terá possivelmente usado as armas químicas contra o seu próprio povo, sendo considerada por muitos reputados intelectuais e politólogos como sendo uma "Guerra Justa”  (ALI) e (AQUI). Perante esta atitude dos EUA, que actuou à revelia do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a pertinente questão que se levanta é a seguinte: será que podemos considerar uma guerra como sendo justa? A nosso ver, numa perspectiva meramente subjectivista, a resposta é manifestamente negativa por razões várias que pormenorizaremos infra. 

Temos demorado imenso a ponderar sobre essa problemática questão, de difícil posicionamento, procurando na medida do possível formular publicamente uma opinião sensata que vai ao encontro com os ideais bíblicos que abraçamos. E isto levou-nos a vasculhar a doutrina Jus Internacionalista e Cristã para inteirar, de forma aprofundada, do assunto. Naquela doutrina os seus defensores são completamente a favor da Guerra Justa, fruto de influência do pensamento do Santo Agostinho, nomeadamente John Locke, Hugo Grócio, Francisco Suares e Francisco Vitória. Para estes conceituados autores, que marcaram profundamente a nossa História, a Guerra Justa serve para "vingar o mal, quando um Estado tem que ser atacado pela sua negligência em reparar males cometidos pelos seus cidadãos, ou em restaurar aquilo que por maldade lhe foi retirado (…) as guerras justas podem incluir guerras por motivos de segurança, guerras para vingar o mal, ou guerras declaradas a países que recusam a passagem a outros”. 

Por influência destes autores a Carta das Nações Unidas adoptou na integra este postulado, habilitando o Conselho de Segurança a recorrer ao uso da força em caso de ameaça à paz, ruptura da paz e acto de agressão. Quanto aos Estados membros da ONU, a Carta consente o uso da força pelos Estados membros em apenas duas circunstâncias: a) em caso da legítima defesa, individual ou colectiva (artigo 51.º); b) em caso de assistência às próprias Nações Unidas (Artigo 2.º, nº5), como a participação em acções por elas levadas a cabo ao abrigo do capítulo VII ou noutras, a título excepcional (as operações de paz e de ingerência humanitária, por elas determinadas ou admitidas. 

Com algumas surpresas, a doutrina dos autores Cristãos, seguindo a mesma esteira do pensamento do Santo Agostinho, embora com algumas atenuantes consideráveis, advogam que “a guerra deve ser declarada só quando é necessário, e para reduzir a injustiça; e para que através dela Deus possa livrar os homens da necessidade e preserva-los em paz. Mesmo na guerra, o espírito do pacificador deve ser estimado (…) a sua conduta deve ser justa – manter a fé com o inimigo, cumprir promessas, evitar a violência desnecessária, o espólio, o massacre, a vingança, as atrocidades e as represálias”, a começar por Santo Tomas de Aquino, arrastando posteriormente pelos grandes Reformadores Protestantes, sobretudo Martinho Lutero, João Calvino. O Anabaptista Menno Simões, um dos consagrados precursores da Reforma, distanciou-se radicalmente deste entendimento, defendendo uma posição mais equilibrada à luz dos Princípios Valorativos da revelação bíblica, na qual aderimos sem nenhumas reservas. Menno Simões, sustentando a sua oposição ao conceito da Guerra Justa, baseou-se no facto de “o cristão ser seguidor do Príncipe da Paz, tendo recebido a ordem expressa de amar os seus inimigos e fazer bem aos perseguidores, dando a outra face a quem lhe bater”, para rejeitar categoricamente a possibilidade de um Cristão participar na guerra ou mesmo defendê-la, independentemente de qualquer tipo de situação ou justificação. 

Feito este brevíssimo enquadramento geral cabe dizer que nada nos surpreende quando vemos pessoas não crentes no Senhor Jesus a defenderem ideologicamente a legitimidade da Guerra Justa. É natural que eles tenham esse entendimento de "ajustes de contas", visto que não têm o temor de DEUS nos seus corações, diferentemente dos Cristãos. Congruentemente com aquilo que acabamos de dizer, e que defendemos também noutros fóruns da nossa convivência diária, somos inteiramente contra o conceito da Guerra Justa e espanta-nos ver certos Cristãos a defenderem uma posição contrária. Por mais chocante que possa ser uma situação, como tem acontecido múltiplas vezes, de vermos pessoas inocentes a serem maltratas, mortas de forma bruta e injusta, precisamos sempre de consciencializar que o nosso Eterno DEUS está sempre no controle da situação e que no devido tempo manifestará o Seu soberano poder para repor a Justiça e punir os malfeitores. Nada do que é feito neste mundo transcende o Seu domínio de acção ou, porventura, que ELE não saiba. O papel que nos cabe como seus filhos é, simplesmente, a de dobrar os nossos joelhos em oração, intercedendo incessantemente a favor destes flagelos humanos, pedindo a ajuda Divina e intervenção para a sua eficaz resolução. Jamais esperançando que a guerra é solução ideal dos problemas. Não é com a guerra que se faz a Paz, mas sim com o espírito do diálogo, procurando humildemente alcançar os consensos das partes beligerantes. Só assim poderemos fazer pontes e construir solidamente o caminho da tão ambicionada Paz entre os seres humanos e os povos em geral. 

Perante o exposto, consideramos extremamente desprovido do fundamento bíblico a tese dos grandes teólogos que supra mencionamos e de tantos outros Cristãos que ainda hoje continuam a defender convictamente o conceito da Guerra Justa como sendo solução para os reais problemas que afectam a Humanidade. Tal como o Teólogo Menno Simões, perguntamos a estes nossos irmãos na fé: “Digam-me, como é que um cristão pode defender biblicamente a retaliação, a rebelião, a guerra, o golpear, o matar, o torturar, o roubar, o espoliar e o queimar cidades e vencer países? … Toda a rebelião é da carne e do diabo … Oh abençoado leitor, as nossas armas não são espadas nem lanças, mas a paciência, o silêncio e a esperança e a Palavra de Deus”. 

O Mundo em Crise e as Legítimas Expectativas


A nível geral o ano transacto foi bastante tenebroso em múltiplos aspectos, nomeadamente na sistemática violação dos Direitos Humanos em diferentes pontos do globo; o perigo real que o autoproclamado estado islâmico passou a representar para a Humanidade, sob a quimera pretensão de instaurar um califado universal; o turbilhão político-armado que se vive no Médio Oriente e sem horizonte de paz à vista; o terrorismo galopante que mina cada vez mais os países, ameaçando consideravelmente o estilo de vida das sociedades abertas; o drama dos refugiados e migrantes que procuram clandestinamente chegar à Europa, tornando o Mediterrâneo e o Egeu num "cemitério líquido" de milhares de vidas humanas, somando à insensibilidade dos governos europeus e aos "muros das lamentações" que têm vindo a ser erguidos no Velho Continente para impedir a entrada dos mesmos foragidos nos seus territórios; a preocupante deterioração das alterações climáticas e as incertezas envolvidas na aplicação do acordo histórico de Paris, bem como a proliferação de enclaves islâmicos na Europa e o apogeu do fascismo como resposta da nova realidade; a ameaça nuclear na Ásia, mormente entre a Índia e o Paquistão, estendendo-se à Coreia do Norte e do Sul; o autoritarismo russo na geopolítica internacional e a instabilidade político-económica vigente em África, traduzindo-se numa pobreza extrema e em milhares de vítimas mortais. 

E ainda as maras no Salvador, Honduras, Guatemala, Nicarágua, Venezuela, México e Colômbia, incluindo a degradação do processo de paz israelo-palestiniano e a fratricida guerra na Síria, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na República Centro Africana e em diversas regiões do Sahel, consubstanciando-se em determinados casos em hediondos crimes de guerra, genocídios, limpezas étnicas e religiosas. Práticas extremamente repugnantes, que se tornaram vulgares nos nossos empedernidos dias. 

O nosso ardente desejo é que este novo ano, 2017, possa ser de harmonização e pacificação do Mundo. Que, de facto, os ideais da Paz, da Igualdade, da Liberdade, da Fraternidade e da Solidariedade possam ser uma realidade viva e efectiva na vida dos povos, principalmente que os problemas descritos sejam definitivamente solucionados para o supremo bem da Humanidade. 

Obviamente que não somos assim tão ingénuos ao ponto de julgar que tudo isto se vai processar da melhor forma possível. Haverá certamente vários obstáculos e resistências que vão surgir para obstar ao Equilíbrio e à Concórdia no mundo, motivado por razões de oportunismo político-económico e geoestratégico, postergando o bem-estar comum. Mesmo assim, temos enorme fé nas acções poderosas dos "Homens de boa Vontade" para inverter o curso funesto que o nosso mundo está a caminhar. 

E para si, caro amigo, conhecido e leitor, fazemos votos que tenha um feliz e bem-sucedido ano de 2017. Que DEUS atenda todos os desejos do seu coração. Eternas felicidades. 

A Caminho da Desordem Mundial


A Revista Courrier Internacional, na sua edição especial do passado Setembro, deu mote à futurologia do Mundo depois de 2040, traçando um panorama extremamente apocalíptico daquilo que será a vida dos seres humanos, destacando relevantes aspectos políticos, económicos, sociais, religiosos, tecnológicos, climatéricos, geopolíticos. Prevê-se, de forma sintética, relações internacionais tensas, conflitos pelo controlo dos recursos naturais, dezenas de milhões de refugiados em várias partes do globo, impotência e declínio da ONU, paralisação das instituições judiciárias internacionais, guerras religiosas, fome, epidemias, genocídios, pirataria, terrorismo e tráfico humano à escala planetária. Augura ainda a falência dos Estados e a criação de novas entidades, a proliferação de empresas militares privadas, aumento exponencial do tráfico de droga, alterações climáticas e catástrofes naturais, bem como a destruição dos ecossistemas, profundas alterações demográficas, corrida desenfreada aos armamentos e fracassos dos tratados de não proliferação abrangendo actualmente os trinta países que possuem armas nucleares. 

Diante destes preocupantes "Sinais dos Tempos" (LER) não há margem de dúvida que os dias do amanhã serão bastantes desafiantes a todos os níveis, gerando grande imprevisibilidade e um clima de desconfiança na geopolítica e geoestratégia mundial. Nada auspicioso para o futuro da Humanidade. Os ditos sete países mais industrializados do mundo, segundo a reputada Revista, entrarão em colapso total confirmando assim o declínio dos EUA e a ascensão da China como primeira superpotência mundial. O Velho Continente, a Europa, afundar-se-á numa crise económico-financeira e de identidade ideológica sem precedentes. Surgirão novos estados no seu seio e alguns deixarão de existir e concomitantemente a propagação do Islão, transportando com ele as rivalidades internas existentes entre xiitas e sunitas. A desintegração da União Europeia proporcionará a proliferação de enclaves islâmicos na Europa e o apogeu do fascismo como resposta a nova realidade. 

O cenário em África não será também nada salutar, máxime verificará a explosão demográfica e a crónica escassez de recursos. Nesta marginalizada região da Terra haverá desintegração e perdas significativas de soberania, fruto de importantes alterações das fronteiras pós-coloniais. Germinará o aparecimento de territórios não reconhecidos internacionalmente e a corrida ao armamento, incluindo nuclear, somando à fixação territorial do islamismo radical e à "guerra santa" entre este e os Cristãos. Do Cáucaso e Ásia Central, Sudoeste Asiático e Pacifico, Médio Oriente até à América Latina, estarão em "alvoroço político" perante as profundas mudanças que ocorrerão no Mundo num futuro breve. 

É neste prisma oscilante de insegurança, que devem ser lidas e vistas as belicosas tensões internacionais que temos vindo impotentemente assistir. Mesmo assim, este caos que possivelmente enfrentaremos, não representará, em circunstância alguma, o fim da História. Tal como a Humanidade conseguiu resistir às sucessivas crises cíclicas ao longo da sua existência, da mesma sorte superará este fenómeno desolador da desordem mundial. O Homem é o autêntico produto da História e esta simplesmente depende dele. Por isso, enquanto subsistir um remanescente à face da Terra, não haverá o fim da História, mesmo contra todas as evidências devastadoras em sentido contrário. 

Uma Antevisão das Eleições Norte-americanas e o Futuro do País


A escassas horas de conhecermos o próximo Presidente dos EUA sentimo-nos compelidos em prognosticar o vencedor das renhidas disputas eleitorais, e, concomitantemente, traçar alguns pertinentes desafios governativos que espera o novo inquilino da Casa Branca. Desde logo, em abono da verdade, não é preciso ser politólogo para augurar o candidato preferido dos americanos, bem como a complexa agenda política que este terá em mãos logo que tomar posse. 

Sem qualquer grande surpresa, e por maioria de razão, Hillary Diane Rodham Clinton será provavelmente o próximo Presidente da República dos EUA. Ganha, sobretudo, por manifesto desmérito do seu adversário, o populista radical Donald John Trump. Ela representa um "mal menor", tal como reiteradamente assinala a imprensa internacional (LER). Clinton vai enfrentar inúmeros desafios ao longo do seu mandato – tanto a nível interno como externo. Ali, precisa conjugar os esforços para unir o país completamente dividido em torno dos importantes desígnios nacionais. A começar com a consolidação do programa Obamacare, a alteração da politica de imigração, a flexibilização do mercado laboral, a restrição à venda e porte de armas (LER), etc. Ao passo que aqui, a nível externo, é extremamente fulcral a nova presidente pautar a sua diplomacia nos ideais do "equilíbrio mundial". E para isto é essencial redobrar os esforços dos EUA junto dos seus parceiros internacionais para pôr cobro a convulsão política no Médio Oriente, máxime a desoladora guerra na Síria, no Iraque, no Afeganistão, somando a crise israelo-palestiniana e conter o terrorismo galopante dos radicais islâmicos. É, da mesma sorte, premente consolidar o acordo de Paris sobre combate às alterações climáticas (LER), o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) [LER] e zelar pelo um clima de apaziguamento com a Rússia. Só assim o mundo estará bastante seguro e, tudo isto, contribuirá decisivamente para resolver a crise ucraniana, a constante provocação da Coreia do Norte, bem como colmatar as fratricidas guerras em África, os fluxos migratórios e quem sabe até erradicar definitivamente a fome no mundo. No entanto, para que tudo isto aconteça, é imprescindível o inequívoco apoio do Congresso e o Senado do país, sem prejuízo obviamente da subtileza político-diplomática da nova administração Clinton para, deste modo, conseguir materializar os tais nobres intentos. 

A vitória de Clinton esta noite representará, acima de tudo, um grande triunfo da Democracia Americana e um reencontro justo da sua História com as mulheres que, ao longo dos séculos, foram manifestamente marginalizadas e relegadas para o segundo plano na condução do destino político do país. Não haverá, por enquanto, o fim da história tal como precipitadamente profetizou Francis Fukuyama. 

A Grande Guerra Pela Civilização


Os dias que correm não são nada fáceis para o comum dos mortais. Desafiam a nossa lógica racional até aos limites. Mostram-nos, através da realidade tenebrosa corrente, o quão desumana a humanidade é. Vivemos tempos de ansiedade, incerteza, desconfiança, desânimo e medo, confirmando assim a sentença do afamado Albert Einstein de que "o mundo é um lugar perigoso de se viver", encerrava. O exemplo manifesto disto são as aterradoras notícias que nos chegam dos media, reportando as maléficas situações de abuso de poder, a marginalização, os escândalos, as injustiças, o terrorismo islâmico, as guerras, o ódio, o racismo, as violações, a aversão aos desamparados refugiados, as mortes dos inofensivos migrantes no Mediterrâneo, etc.

Perante estas hediondas e reiteradas transgressões a que temos assistido impotentemente, não há margem para dúvida que é a sobrevivência da civilização humana que está em causa. Jamais poderemos consentir, em circunstância alguma, com tais aberrantes práticas, porque constituem ferozes inimigos das sociedades abertas. E elas não podem triunfar, sob pena de ficarmos completamente reféns da tirania. Por isso, somos todos intimados, os amantes da liberdade e democracia pluralista, a participar nesta justa guerra civilizacional. É uma guerra que visa afirmar, de forma inequívoca, os sublimes valores da igualdade entre os seres humanos e povos, da paz, da justiça social, da tolerância, da fraternidade, da democracia, dos Direitos Fundamentais, em detrimento do preconceito, da discriminação, do radicalismo, da subjugação, do absolutismo, do fanatismo religioso, do ódio e da barbárie. Eis a peleja que nos espera a todos, sem excepção.

O Balanço do Ano Transacto e as Legítimas Expectativas do Novo em Curso


A nível geral o ano transacto foi bastante tenebroso em múltiplos aspectos, nomeadamente na reiterada violação dos Direitos Humanos em diferentes pontos do globo; o perigo real que o autoproclamado estado islâmico passou a representar para a Humanidade, sob a quimera pretensão de instaurar um califado universal; o turbilhão político-armado que se vive no Médio Oriente e sem horizonte de paz à vista; o terrorismo galopante que mina cada vez mais os países, ameaçando consideravelmente o estilo de vida das sociedades abertas; o drama dos refugiados e migrantes que procuram clandestinamente chegar à Europa, tornando o Mediterrâneo e o Egeu num cemitério líquido de milhares de vidas humanas, somando à insensibilidade dos governos europeus e aos "muros das lamentações" que têm vindo a ser erguidos no Velho Continente para impedir a entrada dos mesmos desamparados nos seus territórios; a deterioração preocupante das alterações climatéricas e as incertezas envolvidas na aplicação do recente acordo histórico de Paris; a ameaça nuclear na Ásia, mormente entre a Índia e o Paquistão, estendendo-se à Coreia do Norte e do Sul; o autoritarismo russo no leste da Ucrânia e a instabilidade político-económica vigente em África, traduzindo-se numa pobreza extrema e em milhares de vítimas mortais; as maras no Salvador, Honduras, Guatemala, Nicarágua, Venezuela, México e Colômbia, incluindo a degradação do processo de paz israelo-palestiniano e a fratricida guerra na Síria, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na República Centro Africana e em diversas regiões do Sahel, consubstanciando-se, em determinados casos, em hediondos crimes de guerra, genocídios, limpezas étnicas e religiosas. Práticas extremamente repugnantes que se tornaram praticamente vulgares nos dias coevos. 

O meu ardente desejo é que este ano, 2016, possa ser de harmonização e pacificação do Mundo. Que, de facto, os ideais da Paz, da Igualdade, da Liberdade, da Fraternidade e da Solidariedade possam ser uma realidade viva e efectiva na vida dos povos, sobretudo que os problemas supra mencionados sejam definitivamente solucionados para o bem-estar da Humanidade. 

Esperamos ainda que o Cristianismo continue a reforçar o seu papel transformador no mundo e que milhões de almas se rendam ao senhorio de Jesus Cristo; que África possa emergir e encontrar o seu caminho ideal do desenvolvimento sustentável, e, consequentemente, melhorar de forma significativa o nível de vida dos seus povos; que a Guiné-Bissau supere o mais rapidamente possível os sérios obstáculos de governação com que se tem deparado nas últimas décadas, proporcionando a paz social aos nossos sofridos patrícios. 

Obviamente que não somos assim tão ingénuos ao ponto de julgar que tudo isto se vai processar da melhor forma possível. Haverá, certamente, vários obstáculos e resistências que vão surgir para obstar ao Equilíbrio e à Concórdia no mundo, motivado por razões de oportunismo político-económico e geoestratégico, postergando o bem-comum. Mesmo assim, temos enorme fé no triunfo das acções determinantes dos Homens de boa Vontade para mudar o curso funesto do nosso decadente mundo. 

Em suma, agradecemos imensamente a DEUS pelo ano que findou, especialmente por nos ter conservado com vida e saúde ao lado da nossa amada família. Esperamos, da mesma sorte, que continue a fazer o mesmo durante este ano e nos vindouros. E para si, caro leitor, desejamos-lhe as maiores felicidades do mundo e um bem-sucedido ano 2016 em todas as vertentes da vida. Que assim seja. 

A Incongruência Ideológico-politica dos Cristãos


A perfilhação ideológico-política de um Cristão não é um tema consensual. Tanto que, por esta razão, tem sido exaustivamente objecto de infindáveis debates entre os fiéis ao longo dos últimos seis séculos, com vista a procurar situar a ideologia que se ajusta melhor às ordenanças bíblicas. As próprias Escrituras Sagradas não tomam uma posição linear sobre que orientação política o crente deve seguir. Podem servir-se delas para defender uma concepção de Direita e concomitantemente de Esquerda. Da mesma sorte podem usá-las para sustentar o Conservadorismo, o Reacionarismo, o Progressismo, o Liberalismo e o Radicalismo, bem como a Democracia Cristã, o Socialismo, a Social-democracia e o Comunismo. A Palavra de DEUS não se esgota unicamente numa ideologia política. Ela transcende, em larga medida, as redutoras mundividências do Homem e as suas polutas aspirações sociais. Por isso, há espaço para albergar parcialmente cada uma das ideologias naquilo que se destacam em termos positivos (LER). Talvez seja por esta razão que tem havido mal-entendidos, e até mesmo um certo tipo de aproveitamento, por parte de muita gente sobre esta sensível matéria. 

No "presente século mau" em que vivemos não há praticamente diferença assinável entre ser de Esquerda ou de Direita, tal como existia noutros tempos. Os temas ditos "fracturantes" tornam-se cada vez mais residuais. A tendência natural que os partidos têm vindo a adoptar é, tão-simplesmente, agradar ao eleitorado nas suas aliciantes propostas populistas e deste modo chegar ao poder o mais rápido possível. Apenas vamos notando algumas diferenças pontuais entre polos opostos. As opções socio-económicas dos partidos têm ganho mais relevo no eleitorado em detrimento de preferências ético-morais, que são relegadas para segundo plano. Ademais, nenhum partido político procura honrar a DEUS nas suas agendas políticas, antes pelo contrário afastam-No do seu programa, preocupando-se unicamente em satisfazer o eleitorado, mesmo aqueles que se auto-intitulam inutilmente "Cristãos"

Nada disto deve ser uma surpresa para o Cristão. Sabemos que tudo isso tem inevitavelmente de acontecer um dia. São manifestações visíveis dos "sinais dos tempos" (LER), que precederão a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo ao Mundo (Mateus 24:1-51 e 25:1-46). A tendência é de as coisas piorarem à medida que o tempo vai passando. O Cristão jamais conseguirá mudar, de forma unilateral, o curso funesto que a Humanidade toma paulatinamente através da sua política profana e, muito menos, julgar que consegue operar alguma alteração em sentido inverso. Deve, tal como bem ensina a Palavra de DEUS, orar pelas autoridades estabelecidas e os seus súbditos. A verdadeira mudança política, se tiver mesmo que acontecer, terá que vir das elites governativas transformadas pelo poder do Espírito Santo. É por meio dos políticos autenticamente regenerados, e dos seus respectivos partidos, que pode surgir uma autêntica mudança social. E julgamos, objectivamente, que, sem qualquer tipo de preconceito, os partidos mais equilibrados são os do centro – tanto de Esquerda como de Direita – sem prejuízo, obviamente, de reconhecer algum mérito nos outros. No entanto, todos estes partidos estão comprometidos com agendas malévolas e lobbies contrários aos sublimes Princípios e Valores das Escrituras Sagradas. 

Por isso, entendemos que não há solução viável que não seja a solução de não defender nenhum partido, ficando-se apenas neutro perante as opções ideológico-políticas que são apresentadas. O Cristão deve apenas trabalhar arduamente pelo bem das cidades em que esteja circunscrito, orando continuamente por elas (Jeremias 29:7). E o Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, na mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de advertir os seus leitores a "submeter às autoridades públicas, pois não há autoridade que não venha de Deus", pagando-lhes os devidos impostos e simultaneamente honrando-lhes naquilo que for necessário (Romanos 13:1;7). É imperioso cumprir essas obrigações cívico-políticas, sem perder de vista o nosso foco principal neste "Vale de Lágrimas", que é promover o Reino de DEUS e glorificar o Seu Santo Nome. "Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", encerrava inequivocamente esta grande verdade soteriológica expressa pelo Senhor Jesus (Mateus 22:21; Marcos 12:17; Lucas 20:25). 

Partindo de tudo o que ficou exposto, e em abono da verdade, o Cristão jamais poderá votar num partido ou candidato que defende o aborto (LER), a homossexualidade (LER), a eutanásia, a barriga de aluguer, a adulteração da família, a relativização da Moral e os Bons Costumes, etc. Tal conduta entra flagrantemente em contradição com a Bíblia Sagrada. É claro que o Cristão, igualmente, não pode ser conivente com os partidos que promovem e acentuam as assimetrias sociais, a corrupção, a marginalização, as desigualdades, o sexismo, a xenofobia, o ostracismo, a delapidação do meio ambiente, o liberalismo económico que beneficia os poderosos em detrimento dos pobres, etc. A orientação de voto de um Cristão deve ser pautada, acima de tudo, pela coerência com os sagrados Princípios e Valores do Evangelho. Não podemos professar uma coisa e posteriormente legitimar, por sufrágio secreto, algo em sentido contrário. Seria um autêntico paradoxo. 

E perante este grande dilema com que, infelizmente, estamos confrontados coloca-se uma pertinente questão para o Cristão: dos dois males destacados qual seria o menor? Obviamente o segundo. Jamais podemos comparar a hedionda legalização do aborto, a homossexualidade[1] com qualquer outro tipo de injustiça ou despotismo governativo. Contudo, tal não deve servir de desculpa para validar políticas iníquas e/ou imorais a pretexto de serem "males menores", até porque não existe hierarquização de pecados para DEUS, não obstante terem implicações e penalidades diferentes. 

Somos inteiramente da opinião que o Cristão deve votar sempre em branco quando se confronta com os dois males supra mencionados que, aliás, como é cognoscível, é uma realidade praticamente transversal a todos os países do mundo. É verdade que o voto em branco não tem consequências políticas imediatas, tal como votar numa determinada lista ou num candidato em particular. O Cristão não deve ficar sumamente preocupado por não estar a "alterar nada" em termos políticos. O factor determinante é sermos fiéis, máxime coerentes com a profissão de fé que abraçamos no Senhor Jesus. Mais vale não "alterar nada" do ponto de vista humano-social e agradar a DEUS com o nosso nobre testemunho de vida do que contribuir para validar asquerosas injustiças e ser manifestamente desobediente para com os mandamentos bíblicos. 

E mais, o voto em branco consubstancia uma falta de alternativa nos programas eleitorais apresentados pelos candidatos/partidos, contrariamente à abstenção que implica o não exercício do direito de voto e uma clara violação do dever politico-cívico. O Cristão que vota em branco exerceu, pelo menos, condignamente, o seu dever de cidadania. Não é menos preocupado ou desleixado com a situação política do seu país do que aquele que vota numa determinada plataforma. Tão simplesmente não se identifica ou comunga com nenhum projecto eleitoral que se propõe a sufrágio. 

Temos constatado uma efusiva manifestação de muitos Cristãos, que fazem a apologia de determinadas ideologias políticas, mormente apelando afincadamente ao voto em certos partidos/candidatos, não obstante estes já se terem provado publicamente aversivos aos ideais do Evangelho e serem em determinados casos anticristo. Tais Cristãos estão a ser claramente incongruentes com o seu testemunho de fé, esquecendo-se que a conversão que fizeram significa dar primazia à Palavra de DEUS em todos os domínios da vida – quer seja a nível familiar, relacional, profissional, social e político. Temos imensa pena dessas pessoas. Muita pena mesmo. Resta-nos, somente, usando a virtude do amor Cristão, pedir ao SENHOR que não lhes impute esta evitável falha espiritual, porque não sabem realmente o que fazem. 


[1] este último considerado um pecado "abominável" e passível de morte à luz das Escrituras Sagradas [vide o Levítico 18:22 e 20:13; Romanos 1:32].

A Impreterível Reforma do Islão


Uma das piores ameaças que o mundo Pós-moderno enfrenta vem, sem margem para dúvidas, do Islão. É uma religião hostil que não conseguiu evoluir ao longo dos tempos. Permanece estaticamente refém de um passado integrista e de uma ideologia retrógrada, desprovida de qualquer tipo de sentido nos dias de hoje. Opõe liminarmente aos valores do secularismo, da democracia, da globalização, da modernidade, sob pretexto de serem produtos Ocidentais e maldições diabólicas. Propala, sobretudo, uma mensagem autoritária que emprega explicitamente o ódio e a violência como sendo meios legítimos para se afirmar o primado da "Sharia" em todas as esferas da sociedade, através de um fundamentalismo exacerbado, que consubstancia manifestamente práticas do terrorismo. E assim, de forma fanática, resvala numa deriva doutrinária e profunda crise de fé sem retorno previsível. 

Por isso, em suma, os apologistas que defendem que o Islão não é responsável pelas atrocidades cometidas em seu nome não são, de todo, razoáveis. Enquanto os líderes islâmicos não propuserem uma interpretação substancialmente pacifista do Alcorão, parafraseando Hicham Bou Nassif, tanto os Judeus como os Cristãos e pessoas tidas como "infiéis" continuarão a ser perseguidas e assassinadas, como, aliás, têm sido reiteradamente. É este o motivo pelo qual os argumentos que proclamam a "inocência do Islão" são inexactos e contraproducentes. Não fazem mais do que atrasar o exame de consciência que os muçulmanos têm de fazer impreterivelmente para o supremo bem da Humanidade. 

Astúcia da Razão


Exercitava a memória a propósito da tão propalada dívida grega que tem sido exaustivamente comentada pelos governos europeus e objecto de inúmeros debates pelos “donos da opinião” nos media. Até aqui nada que se afigure anormal. A poluta postura dos credores internacionais e dos tendenciosos analistas prende-se, sobretudo, com a prepotência que têm ostentado nos seus comentários, arrogando-se de "visionários políticos" que tudo sabem e ensinam na matéria das finanças públicas, conotando, explicitamente, a Grécia de prodigalidade orçamental. 

Longe de mim tal pretensão de querer julgar o governo helénico sobre os seus desequilíbrios financeiros. Não apenas não tenho autoridade moral para isso, como tenho imensas dívidas de gratidão para com a Grécia. Na minha passagem por aquele maravilhoso país recebi benesses que jamais tive em muitas terras pelas quais passei. Primeiramente estive em Atenas e posteriormente em Corinto. Durante a minha estadia nessas duas magnificas cidades, fui poupado a gastar aquilo que realmente deveria. Visitei os fabulosos monumentos gregos à borla. Comi na cantina da Universidade de Atenas sem pagar nenhum tostão. Andei de transportes públicos de forma praticamente gratuita, pagando apenas metade do preço do custo das viagens. Tudo saboreado à grande e à francesa. Na Grécia os alunos beneficiam de muitas isenções que, da mesma sorte, abrangem também os estudantes estrangeiros. E como transporto sempre o meu cartão de estudante para qualquer sítio que vou (que serve também de multibanco) acabei por aproveitar as regalias do "estatuto especial do aluno" consagrado na lei do país. 

Acresce ainda o facto que, para além dos “débitos” pessoais elencados, tenho ainda uma dívida religiosa e cultural para com a Grécia, nomeadamente a herança Judaico-cristã e Greco-romana de que sou produto. Da mesma forma, os Cristãos e o mundo Ocidental são aquilo que são graças à genialidade dos gregos. Reconhecendo esta grande verdade, o P. Gonçalo Portocarrero sustenta que "se a herança judaica situa a mensagem cristã no contexto da história de um povo, o pensamento helénico prepara o espírito humano para a compreensão da doutrina de Cristo como verdadeiro conhecimento" (LER), enfatiza. 

Subscrevo na íntegra esta inequívoca leitura. De facto a nossa espiritualidade seria mais pobre em todos os aspectos se não tivéssemos as epístolas de Paulo às igrejas de Tessalonicenses, Coríntios e Filipenses para sedimentar as nossas convicções doutrinárias. Não seriamos aquilo que somos hoje e tão-pouco a Europa teria granjeado o prestígio internacional ao ponto de ser considerada uma grande civilização ao longo da História. E tudo isto deve-se, em última instância, à sagacidade e argúcia dos gregos, a começar pelos seus distintos filósofos e a importância que tiveram no pensamento Ocidental, o contributo inegável da Democracia na valorização e afirmação do Princípio da Igualdade entre os seres humanos e a língua grega como trampolim e projecção do Cristianismo na Europa e no mundo inteiro. 

Obviamente que o tratamento especial que recebi na Grécia e a "formatação helénica" de que sou produto não se traduzem na dívida pecuniária, mas sim no espírito de enorme gratidão que guardo comigo. É verdade que a Grécia precisa fazer reformas estruturais para relançar a sua débil economia e, deste modo, saldar a exorbitante dívida pública para com os credores internacionais. No entanto, os governos europeus coadjuvados pelas ululantes vozes de "fazedores de opinião", não precisam de estar permanentemente a marginalizar os gregos e a lançar anátemas contra o seu país. Tal postura não se coaduna com os Princípios e Valores da União Europeia. É preciso compreensão e solidariedade para com o governo helénico, bem como ajudá-lo, com enorme paciência, a superar crise que a tem tornado refém dos mercados financeiros. 

Muitos países podem julgar-se neste momento justos credores da Grécia, mas se fizerem um esforço de memória e forem sinceros na sua auto-analise concluirão, de facto, que são eles os eternos devedores da Grécia e não vice-versa. Não é dívida em dinheiro, tal como ficou patente. É muito mais que isso. Não há nenhum valor pecuniário que consiga pagar a nossa identidade. É esta dívida que todos os cidadãos e países europeus têm com a Grécia.

Adeus à Razão


É com muita preocupação e incessante  tristeza no coração que tenho vindo a seguir as sérias atrocidades cometidas pelos fundamentalistas islâmicos no Médio Oriente e em alguns pontos de África (ALI e AQUI), somando à instrumentalização russa no leste da Ucrânia, que tem degenerado numa escalada de violência sem precedentes, dizimando vidas de milhares de inocentes, perante a inoperância da Comunidade Internacional (LER e também AQUI)

Os terroristas do autodenominado Estado Islâmico (EI) e Boko Haram estão a praticar gritantes crimes contra a Humanidade em plena luz do dia. Executam cruelmente pessoas como se fossem animais, usando métodos extremamente violentos para intimidar os eventuais opositores que possam surgir (ALI e AQUI)

Os mais visados desses repugnantes actos são as minorias Cristãs, que estão a ser barbaramente assassinadas no norte da Nigéria (LER), no território iraquiano e na Síria, incluindo a comunidade Yazidi e outras minorias étnicas/religiosas (LER) e todos aqueles que se opõem à leitura literal do Alcorão apelidados de “infiéis” e dignos de morte (LER)

Como é possível tanta crueldade, tanto ódio e desumanidade contra os próprios semelhantes feitos, supostamente, em nome de deus? Parece que há uma vontade deliberada de matar por parte destes fanáticos islâmicos. Matam por prazer, por conveniência e, sobretudo, pela ideologia religiosa, tal como assistimos praticamente todos os dias: indivíduos a serem decapitados (LER), crucificados (LER), linchamentos públicos, imolação (LER)  e crianças escravizadas e enterradas vivas (ALI e AQUI), etc. Uma autêntica deploração. São pessoas que não têm amor ao próximo, nem espírito de compaixão e tolerância. A loucura apoderou-se deles de tal forma que não conseguem enxergar a tamanha malignidade que praticam. A brutalidade dos seus actos apenas comprova o quão inteiramente estão desprovidos de razão e sensibilidade humana. Tiram vidas por tudo e por nada sob pretexto do Islão. Só de pensar nisso dá-me horror e náuseas... Apenas a Graça e Misericórdia de DEUS para nos libertar. Dias do fim. 

As Legítimas Expectativas para o Novo Ano


A nível global o ano passado foi muito negativo em múltiplos aspectos, nomeadamente a nível da valorização dos Direitos Humanos em vários pontos do mundo; o perigo real que o fundamentalismo islâmico representa para a Humanidade, sob a quimera pretensão de instaurar um califado universal; o turbilhão político-armado que se vive no Médio Oriente; o terrorismo galopante que cada vez mais mina os países; o agravamento preocupante das alterações climáticas; a ameaça nuclear na Ásia, mormente entre a Índia e o Paquistão, estendendo-se à Coreia do Norte e Coreia do Sul; o autoritarismo russo no leste da Ucrânia e a instabilidade político-económica vigente em África, traduzindo-se numa autêntica miséria e pobreza extrema das populações do Continente. 

A epidemia da ébola, as maras no Salvador, Honduras, Guatemala, Nicarágua, Venezuela, Brasil, México e Colômbia, somando a degradação do processo de paz israelo-palestiniana e a fratricida guerra na Síria, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na República Centro Africana e em diversas regiões do Sahel, consubstanciando-se, em muitas das vezes, em hediondos crimes de guerra, genocídios, limpezas étnicas e religiosas. Práticas extremamente repugnantes que se tornaram praticamente vulgares nos dias coevos. São um conjunto de questões que nos devem inquietar a todos como seres humanos que somos. 

Por isso, o nosso ardente desejo é que este ano, 2015, possa ser de harmonização e pacificação no Mundo. Que os ideais da Paz, da Liberdade, da Igualdade, da Democracia e da Fraternidade entre os Povos possam ser uma realidade viva e efectiva na vida dos países, sobretudo que os problemas supra mencionados sejam definitivamente erradicados para o bem-estar da Humanidade. 


Obviamente que não somos assim tão ingénuos ao ponto de julgar que tudo isto se vai processar da melhor forma possível. Haverá, certamente, vários obstáculos e resistências que vão surgir para impedir o equilíbrio no Mundo, motivado por razões de oportunismo político-económico e da geoestratégia de certos países que olham mais para os seus respectivos umbigos do que propriamente para o bem comum. 

Esperamos ainda, que o Cristianismo possa reforçar o seu papel no Mundo e que milhões de almas se rendam ao senhorio de Jesus Cristo; que África se possa erguer e encontrar o seu caminho do desenvolvimento sustentável e, consequentemente, melhorar de forma significativa o nível de vida dos seus povos; que o nosso país, a Guiné-Bissau, supere o mais rapidamente possível os sérios obstáculos de governação com que se tem deparado nas últimas décadas. Que as suas autoridades envidem os esforços para garantir, eficazmente, a boa governação, proporcionando assim a concretização plena da Democracia e dos Direitos Fundamentais dos Guineenses. 

Agradecemos imensamente a DEUS pelo ano que findou, e sobretudo por nos ter conservado com vida e saúde. Esperamos, da mesma sorte, que continue a abençoar-nos poderosamente e a guiar-nos na Sua Santa Verdade e Justiça, bem como à nossa família e amigos. E para si, caro leitor, desejamos-lhe as maiores felicidades do Mundo e um bem-sucedido ano de 2015. Esta é a nossa singela expectativa e oração em nome de Jesus Cristo. Ámen.