Mostrar mensagens com a etiqueta Namorados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Namorados. Mostrar todas as mensagens

Epígrafes Sobre o Amor


“Um amor sem sonhos é um amor com medo, um amor triste e estéril que não pode dar frutos. Quem não sonha não pode amar.” (LER).  

Epígrafes Sobre o Amor.


“É inútil pensar que podemos viver uma relação amorosa sem criar alguma dependência; o corpo, o espírito e o coração habituam-se muito depressa ao prazer repetido dos pequenos gestos. Precisamos todos tanto de amor como o planeta precisa do Sol.” (LER). 

Epígrafes Sobre o Amor


“As mulheres gostam de pensar que podem mudar os homens e, às vezes, até conseguem, mas essas mudanças só resultam se, de facto, os homens quiserem mudar; porque se o tentarem fazer só para agradar, tais alterações resultam em efeito «boomerang»: mais tarde ou mais cedo, eles regressam à sua verdadeira essência. E quanto mais tarde, pior.” (LER). 

Epígrafes Sobre o Amor


“O maior inimigo de um amor pleno é o medo. O medo de não ser suficientemente amado, de não amar o suficiente, de não sermos a pessoa que pensamos que o outro quer, o medo da responsabilidade, da rotina, do compromisso, o medo de falhar, de se deixar ir, de amar e de se deixar amar” (LER).

Declaração Amorosa de Um Rapaz Muito Rico


“Sabe qual é a minha situação económica e custa-me falar dela nesta carta em que tudo deve ser espiritual. Sei que você não é uma rapariga ambiciosa, que não sonha com automóveis nem com brilhantes ou casacos de peles caros, e creio que um bem-estar e uma absoluta tranquilidade quanto aos problemas económicos pode torná-la feliz (…)

Devotadamente aguarda conhecer a sua resposta, com a impaciência e inquietação que você pode supor, o seu fiel admirador. Marcelo” (LER).

De Profundis (1)


“A maioria das relações acaba quando as pessoas não respeitam as alegrias e as tristezas uns dos outros. É kamikaze. O fim da relação amorosa conduz a uma solidão substancial e a solidão, para mim, representa a anulação da Humanidade. Fico frustrado e apetece-me ir, casal a casal, dar-lhe um par de estalos” (LER). 

O Amor é Muito Difícil, Por José Luís Peixoto


«O Amor é Muito Difícil. Penso que o amor é muito difícil. Existem muitos obstáculos a que possa ser o absoluto que é. A palavra amor é uma palavra muito gasta, muito usada, e muitas vezes mal usada, e eu quando falo de amor faço-o no sentido absoluto... há uma série de outros sentimentos aos quais também se chama amor e que não o são. No amor é preciso que duas pessoas sejam uma e isso não é fácil de encontrar. E, uma vez encontrado, não é fácil de fazer permanecer» (LER). 

Carta de Um Amante Apaixonado


«“Maria” à medida que te fui conhecendo fui criando uma grande e genuína admiração por ti e percebi que és uma pessoa diferente no bom sentido. Foi algo inesperado, mas muito bem-vindo. Fazes-me acreditar realmente que ainda há pessoas pelas quais vale a pena lutar na vida. Espero que não tomes esta minha franqueza como ofensiva, compreende que eu simplesmente não podia fingir que não sentia o que sinto por ti. Independentemente de sentires ou não o mesmo por mim não me arrependo deste sentimento, pelo contrário. De facto, és uma pessoa especial e o mínimo que mereces é o máximo que alguém possa fazer por ti. Não te contentes com menos do que isso. Gostava de saber realmente o que tens a dizer sobre isto e se de facto vislumbras a possibilidade de virmos a ter algo mais sério e profundo...[1]». 


[1] Esta carta chegou-me na semana passada, através de um amigo, para emitir um parecer, ou melhor, “visto prévio”. E assim fiz com algumas pontuais observações que, por razões óbvias, não vou reproduzir aqui. A carta em questão já seguiu para a sua destinatária “Maria” (e já agora, por questão de confidencialidade, entendi conveniente colocar ficticiamente o nome de “Maria” para assegurar a privacidade das pessoas envolvidas.

Diálogo de Apaixonados


JULIETA: Como pudeste aqui vir, diz-mo? E para que vieste? Os muros deste jardim são altos e difíceis de escalar. Este lugar será mortal para ti, se qualquer dos meus parentes der contigo. 

ROMEU: Transpus estas muralhas com as asas do amor que são leves, porque as barreiras de pedra não podem embaraçar os voos do amor. O que é que o amor quer, que não consiga? Os teus parentes podem lá servir-me de obstáculo? 

JULIETA: Se te virem, és morto. 

ROMEU:  Aí! Julieta, há mais perigos nos teus olhos do que em vinte das suas espadas. Basta que desças um desses ternos olhares para mim, que eu fico bem escudado contra a sua inimizade. 

JULIETA: Por nada deste mundo desejaria que eles te vissem aqui. 

ROMEU: Agasalha-me o manto da noite, que me esconde da vista deles. Se me não amas, que me importa que me encontrem aqui? Antes queria que o seu ódio pusesse fim à minha vida, do que a morte tardar sem o teu amor. 

JULIETA: Quem te ensinou este caminho? 

ROMEU: O amor excitou-me a descobri-lo; deu-me conselhos e eu emprestei-lhe os meus olhos. Eu não sou piloto, mas se tu estivesses afastada na mais longínqua praia do mar, eu aventurar-me-ia a ir ter contigo. 

JULIETA: (…) Amas-me? Sei que me vais dizer que sim: ficas preso por essa palavra; contudo, se juras podes tornar-te em perjuro. Dizem que Júpiter acha muita graça aos perjúrios dos amantes. Querido Romeu, se me amas, declara-mo lealmente; se pensas que fui fácil de conquistar, serei cruel, carregarei o meu sobrecenho, dir-te-ei não, para te dar ensejo a que me conquistes; de outro modo por nada deste mundo o farei. A verdade, belo Montecchio, é que estou muitíssimo apaixonada por ti; portanto, podes julgar o meu comportamento leviano, mas acredita que mostro-me sincera, porque não sou como as outras que usam de artifícios para serem reservadas. É possível que fosse mais reservada, confesso-o, se, há pouco, não tivesses surpreendido as expressões apaixonadas do meu sincero amor. Perdoa-me, não interpretes esta facilidade como leviandade deste amor, que esta tenebrosa noite assim te revelou. 

ROMEU: Senhora, juro-te por essa Lua encantadora que lá baixo toca com uma das extremidades de prata o cimo daquelas árvores de fruto… 

JULIETA: Não jures pela Lua, pela Lua inconstante que todos os dias muda de figura na sua órbita; tenho medo que o teu amor se mostre tão inconstante como ela. 

ROMEU: Pelo que jurarei eu, então? 

JULIETA: Não jures por nada deste mundo; mas se quiseres jurar, jura pela tua graciosa pessoa, divindade do meu coração idolatrado, porque eu creio em ti. 

--------------------------------------------- 
(William Shakespeare, in "Romeu e Julieta”, Mel Editores, Estarreja, págs. 78, 79 e 80, 2009).

O Que é o Amor?


Um dos momentos mais sagazes do poeta latino do séc. I a. C., Ovídio, foi o de considerar de forma peremptória que o amor, como todas as outras artes antropológicas, poderia ser ensinado às pessoas a desenvolver ao longo da vida, independentemente de quaisquer condicionalismos circunstanciais de cada indivíduo no contexto em que está inserido. Por isso, desdobrou-se num esforço desmesurado para provar tão grande intento. Fê-lo através da sua promiscua obra “Arte de Amar”; obra essa que se circunscreve em facultar aos putativos amantes as ferramentas “indispensáveis” de sedução, fetiche e conquista em última instância. Uma façanha apenas para os “mestres de amor”, tal como o próprio presunçosamente se autoproclamou. 

Feito este brevíssimo introito, deixemos agora de lado Ovídio e atentemos para o conceito terminológico do amor. Afinal de contas, o que é o amor? E quais são os seus predicados axiológicos na vida dos amantes? O amor, de forma subsumida, é uma força sobrenatural que visa aproximar e unir os seres numa relação bastante especial. No grego bíblico, onde o termo ganhou mais relevo e projecção mediática para as outras civilizações mundiais, o amor envolvia três importantíssimos significados etimológicos que são “agapé”, “philia” e “eros”, abarcando o círculo tridimensional do Homem na sua esfera inter e extra-relacional com os seus semelhantes, bem como com o Divino mediante a religião. As demonstrações do amor nestas três vertentes da cultura helénica, máxime o amor “eros”[1], comportam torrentes de sentimentos hipertrofiados que nos levam, muitas das vezes, a perder a noção do juízo. Talvez seja por este motivo que exista um consenso generalizado entre os seres humanos que o amor é irracional, visto que “o coração tem as suas razões que a mente desconhece”, sustentava Pascal na sua construção doutrinária sobre o amor. Que razões indesvendáveis são essas que não são cognoscíveis? Serão, porventura, as de amar e não ser amado? Eis as insondáveis questões que nos interpelam. 

Deixemos agora de lado as concepções dogmáticas e atentemos na realidade prática da alcova do amor, o centro nevrálgico de todas as emoções humanas. Uma das características imprescindíveis e irrenunciáveis do amor é o coração, tal como este simboliza na perfeição aquele. O coração não faz sentido sem o sustentáculo do amor. E o amor não se realiza sem a estreita colaboração do coração. Não há amor sem coração e, muito menos, o coração sem amor. Perder o coração é deixar escapar irreversivelmente o amor e vice-versa. São duas realidades visceralmente intrínsecas dentro do Homem, geradoras de sentimentos indescritíveis e indomáveis ao ponto de abalar fortemente com toda a nossa estrutura físico-emocional, deixando-nos sem autodomínio e à mercê da deriva da paixão (que o diga, por todos, Propércio, Tibulo, Catulo, Virgílio e tantas outras mulheres e homens que foram fortemente “dilacerados” pela loucura do amor). 

Deixemos agora de lado as formulações filosóficas e parábolas do amor e atentemos na sua “causa efeito” nos corações dos comuns mortais, mormente a razão última da sua existência. Uma das matrizes e pressupostos valorativos do amor é a partilha. Não uma partilha adulterada, baseada em meros caprichos individualistas, mas sim numa convivência sã, fidedigna, incondicional e perpétua, envolvendo sempre a exequibilidade sentimental que deixa marcas profundamente indeléveis na vida dos amantes. “Despedaçamos” a metade do nosso sensível coração para juntá-lo com um outro coração “partido”, que se identifica plenamente connosco, mediante o acasalamento e a consumação, passando assim a formar apenas um só corpo e um único propósito de vida. Uma completa e deliberada alienação que transcende a lógica racional. 

É justamente por tudo isto que o amor é uma submissão, inconformismo, tortura, sofrimento, prisão e escravatura consentida por aqueles que realmente amamos. Apesar de toda esta torrente de “erosão sentimental”, que o amor acarreta e encerra na vida dos amantes, ele também é indubitavelmente comunhão, protecção, partilha, beleza, doçura, afeição, arrebatamento, satisfação e felicidade. Mistério, portanto, paradoxal.  


[1] que será objecto de análise aqui. 

O Que é o Amor?


Um dos momentos mais sagazes do poeta latino do séc. I a. C., Ovídio, foi o de considerar de forma peremptória que o amor, como todas as outras artes antropológicas, poderia ser ensinado às pessoas a desenvolver ao longo da vida, independentemente de quaisquer condicionalismos exteriores e circunstanciais de cada indivíduo no contexto em que está inserido. Por isso, desdobrou-se num esforço desmesurado para provar tão grande intento. Fê-lo através da sua promiscua obra "Arte de Amar”; obra essa que se circunscreve em facultar aos putativos amantes as ferramentas "indispensáveis" de sedução, fetiche e conquista em última instância. Uma façanha apenas para os "mestres de amor", tal como o próprio presunçosamente se auto-intitulou. 

Feito este brevíssimo introito, deixemos agora de lado Ovídio e as suas construções doutrinárias, e atentemos para o conceito terminológico do amor. Afinal de contas, o que é o amor? E quais são os seus predicados axiológicos na vida dos amantes? O amor, de forma sumária, é uma força sobrenatural que visa aproximar e unir os seres numa relação bastante especial. No grego bíblico, onde o termo ganhou mais relevo e projecção mediática para as outras civilizações mundiais, o amor envolve três importantes significados etimológicos que são "agapé","philia" e "eros", respectivamente, abarcando o círculo tridimensional do Homem na sua esfera inter e extra-relacional com os seus semelhantes, bem como com o Divino mediante a religião. 

As demonstrações do amor nestas três vertentes da cultura helénica, máxime o amor "eros" (que será objecto de análise aqui), comportam torrentes de sentimentos hipertrofiados que nos levam, muitas das vezes, a perder a noção do juízo. Talvez seja por este motivo que exista um consenso generalizado, entre os seres humanos, que o amor é irracional, visto que "o coração tem as suas razões que a mente desconhece", sustentava Pascal na sua formulação conceptual sobre o tema. Que razões indesvendáveis são essas que não são cognoscíveis? Serão, porventura, as de amar e não ser amado? Eis as insondáveis questões que nos interpelam. 

Deixemos agora de lado as concepções dogmáticas e atentemos na realidade prática da alcova do amor, o centro nevrálgico de todas as emoções humanas. Uma das características imprescindíveis e irrenunciáveis do amor é o coração, tal como este simboliza na perfeição aquele. O coração não faz sentido sem o sustentáculo do amor. E o amor não se realiza sem a estreita colaboração do coração. Não há amor sem coração e, muito menos, o coração sem amor. Perder o coração é deixar escapar, irreversivelmente, o amor e vice-versa. São duas realidades visceralmente intrínsecas dentro do Homem, geradoras de sentimentos indescritíveis e indomáveis ao ponto de abalar fortemente com toda a nossa estrutura físico-emocional, deixando-nos sem auto-domínio e à mercê da deriva da paixão (que o diga, por todos, Tristão e Isolda [LER], Romeu e Julieta, Edith Piaf [VER], Jacques Brel [VER] e tantas outras mulheres e homens que foram fortemente "dilacerados" pela loucura do amor). 

Deixemos agora de lado as construções filosóficas e parábolas do amor e atentemos na sua "causa efeito" nos corações dos comuns mortais, mormente a razão última da sua existência. Uma das matrizes e pressupostos valorativos do amor é a partilha. Não uma partilha adulterada, baseada em meros caprichos individualistas, mas sim numa convivência sã, fidedigna, incondicional e perpétua, envolvendo a exequibilidade sentimental que deixa marcas profundamente indeléveis na vida dos amantes. "Despedaçamos" a metade do nosso sensível coração para juntá-lo com um outro coração "partido", que se identifica holisticamente connosco, mediante o acasalamento e a consumação, passando assim a formar apenas um só corpo e um único propósito de vida. Uma completa e deliberada alienação, que transcende a lógica racional. 

É justamente por tudo isto que o amor é uma submissão, inconformismo, tortura, prisão e escravatura consentida por aqueles que realmente amamos. Apesar de toda esta torrente de "erosão sentimental", que o amor acarreta e encerra na vida dos amantes, ele também é indubitavelmente comunhão, protecção, partilha, beleza, doçura, afeição, paixão, satisfação e felicidade. Mistério, portanto, paradoxal. 

O Que é o Amor?


Um dos momentos mais conseguidos do Poeta latino do séc. I a. C., Ovídio, foi o de considerar astutamente que o amor, como todas as outras artes antropológicas, poderia ser ensinado às pessoas a desenvolver ao longo da vida, independentemente de quaisquer condicionalismos circunstanciais de cada indivíduo no contexto em que está inserido. Por isso, desdobrou-se num esforço desmesurado para provar tão grande asseveração. Fê-lo através da sua libertária obra "A Arte de Amar”; obra essa que se circunscreve em facultar aos amantes as ferramentas "indispensáveis" de sedução, fetiche e conquista em última instância. Uma façanha apenas para os "mestres de amor", tal como o próprio orgulhosamente se auto-proclamou. 

Deixemos agora de lado Ovídio e as suas construções doutrinárias e atentemos para o conceito terminológico da palavra. Afinal de contas o que é o amor? E quais são os seus predicados axiológicos na vida dos amantes? O amor é uma força sobrenatural que visa aproximar e unir os seres numa relação bastante especial. No grego bíblico, onde o termo ganhou mais relevo e projecção mediática para as outras civilizações, o amor envolvia três importantes significados etimológicos que são "agapé","philia" e "eros", respectivamente, abarcando o círculo tridimensional do Homem na sua esfera inter e extra-relacional com os seus semelhantes, bem como com o divino mediante a"religionem". 

As demonstrações do amor nestas três vertentes da cultura helénica, mormente o amor "eros" (que será objecto de análise no artigo em apreço), comportam torrentes de sentimentos hipertrofiados que nos levam, muitas das vezes, a perder a noção do juízo. Talvez seja por este motivo que exista um consenso generalizado entre os seres humanos, que o amor é irracional, visto que "o coração tem as suas razões que a mente desconhece", sustentava Pascal na sua formulação conceitual sobre o tema. Que razões misteriosas são essas que não são cognoscíveis? Serão porventura as de amar e não ser amado? Eis as insondáveis questões que nos interpelam. 

Deixemos agora de lado as concepções exegéticas e dogmáticas e atentemos na realidade prática da alcova do amor, o centro nevrálgico de todas as emoções humanas. Uma das características imprescindíveis do amor é o coração, tal como este simboliza na perfeição aquele. O coração não faz sentido sem o sustentáculo do amor. E o amor não se realiza sem a estreita colaboração do coração. Não há amor sem coração e, muito menos, o coração sem amor. Perder o coração é deixar escapar irreversivelmente o amor e vice-versa. São duas realidades visceralmente intrínsecas dentro do Homem, geradoras de sentimentos indescritíveis e indomáveis ao ponto de abalar fortemente com toda a nossa estrutura físico-emocional, deixando-nos sem auto-domínio e à mercê da deriva da paixão (que o diga, por todos, Tristão e Isolda [LER], Romeu e Julieta, Edith Piaf [VER], Jacques Brel [VER] e tantos outras mulheres e homens que foram fortemente "dilacerados" pela loucura do amor). 

Deixemos agora de lado as construções filosóficas e parábolas do amor e atentemos na sua "causa efeito" nos corações dos comuns mortais, máxime a razão última da sua existência. Uma das matrizes e pressupostos valorativos do amor é a partilha. Não uma partilha adulterada, baseada em meros caprichos individualistas, mas sim numa convivência sã, duradoura e incondicional, envolvendo a exequibilidade sentimental que deixa marcas indeléveis na vida do amante. "Despedaçamos" a metade do nosso sensível coração para juntá-lo com um outro coração "partido", que se identifica plenamente connosco, mediante o acasalamento, passando a formar apenas um só corpo e um único propósito de vida. Uma completa alienação, que transcende a lógica racional. 

É justamente por tudo isto que o amor é uma submissão, inconformismo, tortura, prisão e escravatura consentida por aqueles que, realmente, amamos. Apesar de toda esta torrente de "erosão sentimental" que o amor acarreta na vida dos amantes ele também é, indubitavelmente, comunhão, protecção, partilha, beleza, doçura, afeição, paixão, satisfação e felicidade. Mistério, portanto, paradoxal. 

Arte de Amar, de Ovídio


«Mas tu, se alguma preocupação tens de conservar a tua amada,

faz com que pense estares espantado com a sua beleza:
se vestir a púrpura de Tiro, louva os mantos de púrpura de Tiro;
se vestir tecidos de Cós, considera que os tecidos de Cós lhe ficam bem;
enfeita-se de ouro? Tem-na por mais preciosa que o próprio ouro;
se enverga um manto, aplaude o manto que escolheu;
se apenas usar uma túnica, grita-lhe: “ateias-me labaredas”,
mas, com voz assustada, pede-lhe que tenha cuidado com o frio;
usa um penteado de risco ao meio? Louva-lhe o risco ao meio;
frisou o cabelo com ferro em brasa? Cabelo frisado, és do meu agrado!
Admira-lhe os braços quando dança, a voz quando canta,
e, quando parar, solta palavras de queixumes.
O próprio amor entre os corpos, aquilo mesmo que te dá prazer, é-te consentido
celebrá-lo e os prazeres que experimenta no segredo da noite.
Ainda que tenhas mostrado mais furor que a terrível Medusa,
há-de tornar-se doce e simpática para com o seu amante.
Tem, apenas, o cuidado de não dares mostras de fingimento nas tuas palavras,
e não deites a perder, com o teu semblante, tudo quanto disseste;
é útil a arte, se for camuflada; quando descoberta, traz consigo a vergonha
e, com razão, faz desaparecer, para sempre, a confiança». 


------------------------------------------------- 
(Poeta Romano Ovídeo, Trad. Carlos Ascenso André, Lisboa, Livros Cotovia, editora, 2006, Pg. 64 do Livro II).