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Viver Para Contá-la (5)

Anteontem, por imperativo da consciência, depois de uma profunda e demorada reflexão, dei por encerradas todas as restrições alimentares que tenho vindo a adoptar escrupulosamente nos últimos anos (LER). Nos próximos tempos que se avizinham, querendo DEUS, já não vou privar-me dos alimentos que outrora comia antes de ser vegano. Voltarei a comer tudo o que estiver à minha disposição. 

Esta radical mudança prende-se sobretudo com o facto de entender que já não é oportuno continuar a ser vegano e aplicar fortes privações no meu cardápio alimentar. Obviamente que esta minha decisão não foi, em circunstância alguma, motivada por razões de saúde. Também não tem nada a ver com questões de estética e, muito menos, pressões exercidas por terceiros. Foi um acto manifestamente livre, esclarecida e unilateral da minha parte. Da mesma sorte, quando decidi ser vegano e cortar drasticamente com a parte significativa dos alimentos que faziam parte da minha rotina alimentar, até então, não me baseava em sectarismo ideológico-filosófico ou questões religiosas e, muito menos, de estético-física, tal como a generalidade das pessoas costuma fazer (LER). Dei esse enorme passo de “reeducação alimentar”, depois de um levantamento exaustivo que fiz sobre o nutricionismo e da consciência apurada que assimilei sobre a importância cimeira de jogar pela prevenção, para testar a mim mesmo e reconciliar-me definitivamente a nível alimentar. E assim foi naturalmente. 

É verdade que, a partir do momento que adoptei esta postura alimentar austera, acabei concomitantemente por colher os benefícios dela a todos os níveis. Ganhei mais equilíbrio emocional, mais qualidade de saúde e de vida também. Tornei-me mais leve e saudável – tanto do ponto de vista físico, como mental e espiritual (LER). E todos estes significativos ganhos não podem ser irresponsavelmente desperdiçados, razão pela qual vou continuar vigilante com a salutar postura Cristã de “viver para comer” e não hedonisticamente “comer para viver”. Não me vou entregar mais às comezainas e, muito menos, desleixar-me. Vou continuar, na medida do possível, com a graça de DEUS, a alimentar-me bem, cuidando convenientemente do meu corpo, mente e espírito. 

Os próximos tempos serão bastantes importantes e determinantes na clarificação definitiva da alimentação que incorporarei num futuro mais distante. Ajudar-me-á, sem dúvida, a definir melhor a alimentação que melhor me ajustará. Até lá, enquanto esta questão está ainda por decidir, vou voltar moderadamente a comer tudo o que estiver à minha disposição. 

Viver Para Contá-la (4)

Nunca me tinha passado pela cabeça um dia adoptar a austeridade no meu cardápio alimentar. Nunca fui de dietas e não me lembro de, alguma vez, ter feito uma na minha vida. Sempre fui de comer desafogadamente e sem quaisquer tipos de cuidados especiais. No entanto, nos últimos anos, por imperativo de consciência, depois de uma profunda e discernida reflexão a que me propus, decidi deliberadamente arrepiar caminho, cultivando cada vez mais hábitos alimentares saudáveis e integrando, ao mesmo tempo, a prática regular de exercícios físicos no meu quotidiano. Em consequência disso, perdi imenso gosto pelas comezainas e tudo o que tem a ver com as guloseimas. Perdi vontade pelos excessos alimentares. Perdi, igualmente, peso de forma significa e notória. 

Por sua vez, apesar de todas estas “perdas”, ganhei mais equilíbrio emocional, mais qualidade de saúde e de vida também. Tornei-me mais leve e saudável – tanto do ponto de vista físico como mental e espiritual. 

Faz hoje dois anos que não como arroz. Dois corridos anos em que me desvinculei completamente do arroz no meu cardápio alimentar. Renunciei ao arroz, tal como a um conjunto assinalável de alimentos que me eram bastantes familiares. Não sinto nenhum arrependimento ou saudade com esta minha esclarecida opção alimentar. O arroz neste momento não é uma prioridade para mim. Pode ser por resignação, cansaço, capitulação e conformação que eu venha um dia a voltar a comer a tão apreciada “bianda” dos guineenses. Mas, para já, sem qualquer tipo de hesitação, não quero liminarmente nada com o arroz (LER).  

Viver Para Contá-la (3)


Faz hoje um ano que não ingeri literalmente arroz. Um ano que deixei completamente de comer arroz. Um ano em que, por mera opção pessoal, renunciei deliberadamente ao cardápio do arroz na minha dieta alimentar. Não foi uma decisão impingida ou recomendada por questões de saúde, mas sim livre, esclarecida e unilateral. Deixei esclarecidamente de comer arroz, à semelhança de muitos alimentos, para assim reconciliar-me com o meu substrato de austeridade Cristã e, deste modo, reforçar ainda mais a comunhão com a abstinência (autocontrolo, bem entendido). 

Esta decisão não é de somenos para um guineense típico, tal como eu. O arroz está intrinsecamente ligado aos guineenses e os guineenses ao arroz. A nossa estrutura física e psicossomática está formatada com o arroz. Tudo aquilo que somos hoje deve-se ao arroz. A nossa essência identitária é o arroz. O arroz acompanha-nos do início da vida até ao seu fim. Comemos ininterruptamente o arroz desde tenra idade à idade adulta. Da mesma sorte, comemo-lo na festa e no infortúnio; na pobreza e na riqueza; na vida e na morte. O arroz está presente em todos os ciclos e solenidades do nosso povo. Os nossos pais, quando estamos doentes, é arroz que nos dão para recuperar e superar definitivamente a doença, que se vão desdobrando na típica ementa de “candjá”, “badagui”,“pitchi-patchi”, etc. O arroz, para os guineenses, a nível alimentar, representa tudo e é concomitantemente um cordão umbilical irrenunciável. Ora, a partir do momento em que abandonei o arroz na minha dieta alimentar, pode implicitamente ser entendido como renegar a “guineendadi” – e com a agravante ainda maior de eu ser da etnia pepel que tanto devota o arroz, considerando-o em última instância como antídoto para a robustez, a saúde, a beleza e bem-estar (LER)

E mais, esta decisão visa acima de tudo testar até que ponto vai a minha capacidade de abstinência e de autocontrolo. Felizmente, com a ajuda Divina, consegui superar-me na alimentação que eventualmente julgasse oportuna no futuro (o arroz é a comida mais importante para um guineense. E aqui aplica-se perfeitamente o argumento a fortiori: quem pode o mais, também pode o menos). Digo isto porque, em abono da verdade, não tinha nenhuma necessidade de enveredar por esta opção radical de deixar de comer arroz. O arroz não me faz mal, antes pelo contrário, aprecio imenso este fundamental cereal. Não me cria quaisquer transtornos ou desequilíbrios. Também não foi uma decisão motivada exclusivamente para perder peso, visto que há muito tempo que estou com o peso ideal. Foi meramente uma opção para testar, até ao limite, a minha capacidade de austeridade, de abnegação e abstinência. 

E mais, não sou e nunca fui um homem de descontrolo e de excessividade. Sempre fui comedido e moderado na minha forma de estar e encarar os desafios da vida. Considero-me um homem equilibrado e imune aos corrosivos vícios carnais, aliás orgulhosamente não tenho vícios, graças a DEUS. E esta decisão de abdicar de comer o arroz, e tantas outras apetitosas comezainas, veio apenas reforçar esta minha ideologia austero-Cristã (LER)

De há uns tempos para cá perdi o entusiasmo nos alimentos que tanto apreciava. Perdi vontade de estar reiteradamente a comer por tudo e por nada. Perdi o fervor pela vida hedonista e desafogada. Perdi significativamente a massa gorda no corpo e consequentemente diminuí o peso. Perdi as coisas que entendia dever perder para ganhar coisas maiores e melhores, razão pela qual ganhei ainda mais o despertamento de que tenho que viver para comer, e não comer para viver. Despertei-me da suma importância de que tenho que integrar a prática regular de exercício físico na minha rotina diária. Despertei-me igualmente para continuar a cultivar, cada vez mais, os hábitos sóbrios e vigilantes na minha vida, sobretudo a nível da prevenção. Se é verdade que “perdi” muitas coisas com esta postura de austeridade e abstinência, também é inquestionável verdade que ganhei muito mais do que aquilo que deliberadamente renunciei. Ganhei mais equilíbrio, mais qualidade de saúde e de vida. Tornei-me mais leve tanto do ponto de vista físico, mental e espiritual (a isto chama-se virtude). 

Sem mais delongas, em suma, pode ser por resignação, capitulação e conformação que eu venha um dia a voltar a comer a apreciada “bianda” dos guineenses. Mas, para já, sem qualquer tipo de hesitação, não quero liminarmente nada com o arroz. 

Viver Para Contá-la (1)


 Faz hoje precisamente sete meses que deixei, por mera opção pessoal, de comer arroz. Sete meses de abstinência e de completa abdicação de um dos mais relevantes e importantíssimos cardápios alimentares dos guineenses. Sete sucessivos meses de austeridade alimentícia sem precedentes. Inspirado sobretudo na determinada postura vegan do meu irmão mais velho, Roberto Vieira (LER), decidi cortar também o “cordão umbilical” com arroz. 

Procurei, ao longo destes sete meses, indagar com alguns guineenses que são mais próximos de mim sobre esta minha livre e esclarecida decisão. Todas as respostas que recebi foram de reprovação por ter retirado o arroz da minha dieta alimentar. Alguns, inclusive, reagiram com manifesta indignação. A começar, desde logo, com a expressão “és i kal tipu di dieta, ermom?”. “Homi, tem pacênça pará es. Buna prejudica bu saúde rissu”. “Arruz i tá kura mangas di tipu di doenças…”. “Arruz gorah i di nos. I nô cultura”, etc. São conjuntos de várias respostas de repúdio que recebi por parte dos meus conterrâneos guineenses, com o intuito de persuadir-me a voltar a comer arroz. 

Confesso que compreendo muito bem o alcance prático destas reações. O arroz está intrinsecamente ligado aos guineenses e os guineenses ao arroz. A nossa estrutura física e psicossomática estão formatadas com o arroz. Tudo aquilo que somos hoje deve-se ao arroz. O nosso substrato identitário é o arroz. O arroz acompanha-nos do início da vida até ao fim. Desde tenra idade à idade adulta. Está presente em todas as solenidades do nosso povo. Comemos o arroz na festa, no infortúnio e na morte; na pobreza e na riqueza. Os nossos pais, quando estamos doentes, é o arroz que nos dão para recuperar e superar a doença, que se vão desdobrando na típica ementa “candjá”, “badagui”,pitchi-patchi”, etc. Por isso, nesta esteira de pensamento, todos os guineenses, sem excepção, têm um vínculo indissociável e irrenunciável para com o arroz, razão pela qual não é fácil convencê-los a deixar de comer o arroz e, tão pouco, fazer apologia contra este apreciado cereal para eles. 

Esta minha opção de não comer arroz constitui uma dupla incompatibilidade identitária: Primeiro por ser guineense (não faz parte do imaginário guineense renunciar ao arroz, tal como acabei de explicar). Segundo por eu ser da etnia pepel. Isto porque há todo um mito urbano que se atribui à minha etnia que associa à beleza, à robustez, à saúde e bem-estar ao arroz. Ora, não estando eu a comer arroz pode ser entendido como uma forma de renegar a identidade e colocar em causa o paradigma alimentar guineense assente na convicção de obrigatoriedade.  No entanto, mesmo assim, importa salientar que não estou vinculado a nenhum tipo de hábitos, convenções, costumes e padrões humanos a todos os níveis. O único e permanente vínculo que tenho é com o Senhor Jesus Cristo e o Seu Evangelho da Salvação. Sou um homem inteiramente livre para fazer as opções que julgar serem mais oportunas para melhorar a minha vida. 

Em suma, pode ser por resignação, capitulação e conformação que eu venha um dia a voltar a comer a “bianda” dos guineenses. Mas, para já, sem qualquer tipo de hesitação, não quero liminarmente nada com o arroz.

A Questão do Carnivorismo e do Vegetarismo à Luz das Escrituras Sagradas



Partilho convosco, mais uma vez, caros leitores, o vídeo que gravei intitulado “A Questão do Carnivorismo e do Vegetarismo à Luz das Escrituras Sagradas” (LER). Esta reflexão, tal como as últimas que tenho feito aqui, vem na sequência da celebração do décimo quarto aniversário deste espaço – “As Verdades” (LER)

Teologia de Alimentação: A Questão do Carnivorismo e do Vegetarismo à Luz das Escrituras Sagradas


A temática da “doutrinação alimentar” tem ganhado nas últimas três décadas um destaque cimeiro praticamente em todas as culturas e sociedades, entrando também esta problemática na hermenêutica bíblica. Até aqui nada de anormal ou mal. É bastante pertinente que os filhos de DEUS tenham as noções fundamentais sobre alimentação e adoptem, com isso, nas suas rotinas diárias, hábitos alimentares equilibro-balanceados, tal como sadiamente prescrevem as Escrituras Sagradas, evitando deliberadamente cair no pecado de comezainas e glutonarias que afectam drasticamente a saúde física, mental e espiritual do corpo – o templo do Espírito Santo. O problema prende-se máxime com o facto de alguns teólogos extrapolarem na sua exegese bíblica, veiculando equivocamente que no início da criação o propósito original de DEUS para o Homem era que ele perfilhasse exclusivamente as dietas vegetarianas no seu cardápio diário, sustentando esta tese com base em Génesis 1:30. O referido texto versa da seguinte forma: “Deus continuou: «Dou-vos todas as plantas que produzem semente e que existem em qualquer parte da terra e todas as árvores de fruto, com a sua semente própria. É isso que devem comer”. Só posteriormente, formulam ainda os tais teólogos, que o Homem passou a incorporar o mundo animal na sua alimentação” (Génesis 9:3)

Da nossa parte, refutamos manifestamente este entendimento redutor. Não comungamos dele. Jamais podemos subscrevê-lo, uma vez que não tem qualquer tipo de suporte ou acolhimento bíblico. O preceito sagrado em apreço, circunscreve uma sugestão meramente facultativa de DEUS para com o Homem e não vinculo-imperativa. Isto porque tudo aquilo que DEUS tinha criado era muito bom (Génesis 1:31) e não havia qualquer problema que o Homem desfrutasse daquilo que achasse mais conveniente para a sua alimentação quotidiana, excepto “a árvore do conhecimento do bem e do mal” (Génesis 2:9). No dia em que dela comer, advertia peremptoriamente o Eterno Jeová, fica condenado a morrer (Gênesis 2:17). Do resto, o Homem podia perfeitamente comer de tudo, uma vez que tudo estava sob o seu domínio, inclusive a carne, “pois tudo aquilo que Deus fez é bom. E nada merece desprezo, se nos servirmos disso dando graças a Deus. Com a oração e a palavra de Deus, tudo fica santificado (1 Timóteo 4:4-5)

E mais, logo depois da queda do Homem no jardim do Éden, DEUS planeou salvá-lo dos seus pecados, proporcionando-lhe concomitantemente as túnicas de peles para vesti-lo com vista a ocultar a sua nudez do pecado (Génesis 3:9-24). O sacrifício de alguns animais fora preciso para tal providência Divina, tal como ficou implicitamente em Génesis 3:21. Para alguns biblistas isto significava a providência de DEUS por meio do Messias em face da Sua obra redentora na Cruz do Calvário. O Todo-Poderoso DEUS vai usar assim, desta forma, um animal para concretizar os seus soberanos propósitos salvíficos para com a Humanidade outrora decaída. Animal este que, em última instância, representa o Senhor Jesus Cristo e o Seu sacrifício expiatório na Cruz do Calvário, simbolizado no pão e no vinho da Santa Ceia do Senhor, que todos precisam comer e beber para alcançarem realmente a salvação (Mateus 26:26-30; 1 Coríntios 11:23-26).  “Aquele que come o meu corpo e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois o meu corpo é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer o meu corpo e beber o meu sangue vive unido a mim e eu a ele”, formula o Senhor Jesus Cristo aquando da Sua encarnação (João 6:54-56). A carne sempre fez parte dos hábitos alimentares dos seres humanos desde os primórdios, estendendo tal realidade até aos dias coevos e projectando-se na eternidade, através da festa das “bodas do Cordeiro” (Apocalipse 19-7-10), obviamente numa outra dimensão alimentar, isto é, a espiritual. 

Naturalmente que, depois da queda do Homem no Jardim do Éden, toda a natureza ficou deteriorada por causa do pecado original. Perdeu-se significativamente o brilho, a perfeição e a harmonia inicial que havia no universo, ficando a terra amaldiçoada por causa de Adão e Eva, passando também a produzir espinhos e cardos (Génesis 3:17-19). Por isso, nesta mesma esteira do pensamento, “sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:22-23), razão pela qual, “segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13). O Homem ficou drasticamente atingido pelo cancro do pecado, bem como pelo universo e tudo o que nele há, criando assim um desequilíbrio estrutural na natureza sem precedentes. E justamente por isso, a comida que extraímos na natureza para comermos encerra fungos, parasitas, bactérias e vírus perniciosos à saúde. Da mesma forma, o ar que respiramos está também poluído e contaminado, independentemente de acção directa do Homem, tal como temos vindo a assistir mais acentuadamente nos últimos séculos, mormente com a revolução industrial do séc. XVIII. Toda a obra da criação passou a ser significativamente contaminada pelo vírus do pecado, fazendo com que as coisas que precisamos para a nossa sobrevivência sejam susceptíveis de criar-nos danos colaterais na nossa saúde físico-mental. E esta realidade se aplica também em dimensões alimentares, infelizmente. Somente a comida vegetariana não dispõe de nutrientes suficientes para garantir uma boa saúde. Da mesma forma, a dieta exclusiva do mundo animal está desprovida de garantir a uma pessoa a estabilidade desejada a nível da sua saúde. Mesmo conjugadas as duas dietas no cardápio alimentar, elas continuam a ficar bastante aquém daquilo que realmente o nosso organismo espera, tendo em conta a contaminação que ambas incorporam, por causa do “pecado original”, insistimos. 

No início da criação o Homem tinha toda a liberdade para comer aquilo que lhe aprouvesse, exceptuando a árvore do conhecimento do bem e do mal. Não havia “exclusão” dele optar pelo carnivorismo, tal como sustentam erradamente alguns teólogos. Ele podia perfeitamente adoptar unicamente a comida do mundo animal, bem como optar somente pelo vegetarismo ou, inclusive, conjugar os dois regimes alimentares na sua dieta, pois tudo o que DEUS tinha feito era bom e não havia qualquer tipo de inconveniências, desequilíbrios, falta, vírus, aversões e malignidade na obra da criação. Foi o pecado que trouxe todos estes cancros no mundo, criando assim patentes inimizades entre o Homem e a natureza, culminando funestamente com a morte. 

Mesmo assim, o Omnipresente JEOVÁ delineou o projecto da salvação desde a eternidade, partilhando-o com a Humanidade. Nesta partilha evidenciou aquilo que era a condição original que se esperava do Homem – tanto a nível da sua imaculabilidade espiritual, moral, ética e forma de viver e consequentemente cuidar do seu próprio corpo. E neste último ponto, tal como se pode verificar nos textos sagrados sobre as ofertas alçadas ao SENHOR que reflectem o processo da salvação, estavam incluídas as ofertas da vertente vegetariana e também do mundo animal. Naquela através da apelidada “oferta de cereais” composta por flor da farinha, azeite, incenso aromático e sal (Levítico 2:1-16; 6:14-15; 24:5-9). E nesta, conhecida por sacrifícios de holocaustos, que envolvem pombos, rolas, cabrito, cordeiro e vaca (Levítico 1:5-17; 6-13; 12:6-8; 22:17-19). Todas essas ofertas eram “para ser queimada em honra do Senhor e que será do seu agrado” (Levítico 2:2; 6:14-23)

Tudo isto para concluir que as dietas vegetarianas e do mundo animal, desde os primórdios da Humanidade, estavam inteiramente à disposição do Homem para ele deliberadamente optar por aquilo que bem entendesse, mantendo esta opção no seu estado de pós queda e, ao mesmo tempo, na eternidade junto com o nosso Soberano e Todo-Poderoso Jeová. Por isso, não temos de ficar espantados com estas artimanhas e heresias dos homens que induzem ao erro, antes pelo contrário, devemos continuar sóbrios, vigilantes doutrinalmente e esperar pacientemente no Senhor Jesus Cristo. E mais, sabemos que há pessoas que de forma ignorante e inconsciente caem nestas heresias, fazendo a apologia de doutrinas que não têm apoio bíblico. Outros, de forma deliberada e consciente, adulteram as Escrituras Sagradas com o intuito de confundir os santos Filhos de DEUS. 

De qualquer das maneiras, temos de nos consciencializar que tudo isto evidencia os “sinais dos tempos” que precederão o fim do mundo. Tal como oportunamente nos advertem as Escrituras Sagradas, para finalizar, “que, nos últimos tempos, alguns deixarão a fé, para prestar atenção a espíritos mentirosos e seguir doutrinas de demónios. Hão de seguir os que lhes ensinam a mentira como se fosse verdade, que abafaram a voz da sua consciência e impedem as pessoas de casar e proíbem certos alimentos. Mas Deus criou todos os alimentos para que os crentes que aceitaram a verdade se pudessem servir deles, dando graças a Deus. Pois tudo aquilo que Deus fez é bom. E nada merece desprezo, se nos servirmos disso dando graças a Deus. Com a oração e a palavra de Deus, tudo fica santificado” (1 Timóteo 1-5). Que assim seja. 

Teologia de Alimentação (4): Viver Para Comer



É manifestamente indiscutível, nos dias de hoje, a importância cimeira que o peso corporal assume na qualidade da nossa saúde. O peso revela, na generalidade das situações, o estado de saúde de uma pessoa. Também é irrefutável o fator pernicioso que o sedentarismo e a alimentação desregulada representam para a saúde físico-emocional de qualquer indivíduo. Praticar exercício físico, adotar uma dieta equilibrada e cultivar hábitos de vida sóbrios são receitas garantidas para o bem-estar — fazendo fé nas prescrições que médicos e nutricionistas convencionam e recomendam, de forma ortodoxa, aos seus pacientes. 

Naturalmente, apesar de tudo isto, não se pode negar a influência da herança e da constituição genética em todo este processo. Há pessoas que aparentam um exterior saudável e estão em excelente forma física — à luz dos decadentes padrões do nosso mundo pós-moderno —, mas que, interiormente, padecem de doenças. Dispõem de um arcaboiço débil, suscetível de atrair inúmeras doenças. Por outro lado, existem pessoas que aparentam ter um aspeto físico menos saudável ou, em determinados casos, acumulam excesso de peso, mas ainda assim permanecem imunes a várias enfermidades. 

São indivíduos robustos, sãos e incólumes às doenças, em virtude da boa genética herdada dos seus progenitores. Pode acontecer que pessoas com excesso de peso não reflictam, necessariamente, aquilo que consomem diariamente. Da mesma forma, há quem seja dado às comezainas, mas que, mesmo assim, se mantenha magro e elegante. Um autêntico paradoxo, não é? De facto, é isso mesmo. 

Não obstante estes prós e contras, é importante que cada um cumpra cabalmente a sua responsabilidade e deixe a natureza cuidar da sua parte. A herança genética não pode — nem deve — servir de pretexto para negligenciarmos os cuidados com a saúde. Uma vida proactiva, pautada por disciplina no exercício físico e por uma alimentação saudável, tem sempre impacto positivo na vida de quem a pratica. 

Acontece que, por diversas razões, a maioria das pessoas acaba por não corresponder a estes desafios tão importantes, optando pelo conformismo, o sedentarismo, a glutonaria e tantos outros vícios prejudiciais à saúde. 

Ora, jamais um devoto Cristão deve enveredar por tais desregramentos. O filho de DEUS deve procurar ser comedido em tudo o que faz, cuidando bem do seu corpo e, consequentemente, da sua saúde. Não devemos comer para viver, mas viver para comer. Este importante princípio coloca-nos perante o desafio de procurar, na medida do possível, ser responsáveis nas opções diárias que tomamos relativamente ao nosso cardápio alimentar, a fim de sermos saudáveis — tanto espiritual como fisicamente. 

Por isso, convém recordar, em nome da harmoniosa saúde física, mental e espiritual de todos os fiéis em Cristo Jesus, que “os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos. Mas o Senhor há de fazer com que tanto o estômago como os alimentos se desfaçam, um dia. O corpo humano, porém, não é para a imoralidade. Ele é para o Senhor e o Senhor é para o corpo” (1 Co 6:13). 

Teologia de Alimentação (3): Viver para Comer

A vida Cristã converge, indubitavelmente, para o equilíbrio saudável do ser interior e exterior, contribuindo efetivamente para a harmonia de todo o corpo. A nossa saúde espiritual é extremamente importante, tal como a saúde física. É apenas necessário encontrar o ponto de equilíbrio entre essas duas realidades indissociáveis e igualmente indispensáveis da existência humana. 

Acontece que, por razões compreensíveis — sobretudo devido à cultura predominante que confere demasiada primazia à estética e à exterioridade em detrimento da interioridade do ser — muitos Cristãos acabam por negligenciar deliberadamente esta última, optando por abraçar a moda de viver exclusivamente das aparências e do culto desenfreado da imagem. Ludibriados pela tendência de “manter a linha”, através da falsa ideia de alcançar o “corpo perfeito”, esses Cristãos lançam-se num esforço desmedido para se enquadrarem nos decadentes padrões deste “presente século mau” em que estamos submersos. 

São pessoas capazes de adoptar uma dieta alimentar austera, passar horas a fio no ginásio e privar-se de várias comodidades do dia a dia, com o único intuito de não perder “a linha”. Contudo, ao mesmo tempo, têm intencionalmente descurado os preceitos mais importantes da Palavra de DEUS — nomeadamente a santidade, a fidelidade, a obediência e o compromisso. Paradoxalmente, são os mesmos Cristãos que se aborrecem rapidamente quando a pregação se prolonga por mais alguns minutos, não assumem qualquer tipo de responsabilidade na Igreja, não priorizam as coisas sagradas e permanecem alheios a tudo o que diz respeito ao Reino de DEUS. Limitam-se a vestir disfarçadamente a capa de “bons cristãos” ao domingo — e nada mais. Parecem, por fora, tal como os hipócritas fariseus, “muito bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de podridão” (Mt 23:27-28). 

O ponto de equilíbrio encontra-se, acima de tudo, no exercício permanente da piedade Cristã, pois nela reside o segredo da verdadeira felicidade, que conduz à vida eterna. Trata-se de um exercício que nos habilita a viver plena e dignamente — tanto numa perspetiva secular como espiritual. Habilita-nos a nutrir, da melhor forma possível, o nosso corpo e a nossa alma. Habilita-nos, por fim, a ter uma vivência sã, equilibrada, plena e harmoniosa à luz da impoluta Revelação Divina. 

Por isso, convém recordar, em nome da harmoniosa saúde física, mental e espiritual de todos os fiéis em Cristo Jesus: “O exercício físico, por si mesmo, tem pouco valor. Mas a vida piedosa vale tudo, pois leva consigo uma promessa de vida, tanto para agora como para o futuro” (1 Tm 4:8). 

Teologia de Alimentação (2): Viver Para Comer


Se somos, à luz das Escrituras, encorajados a zelar pela nossa saúde espiritual, da mesma forma somos exortados a cuidar bem do nosso corpo. Essas duas realidades são concomitantemente intrínsecas e indissociáveis do ponto de vista teológico. Aliás, como bem afirma a sabedoria popular para confirmar esta grande verdade: “mente sã, corpo são”. 

Sabemos que, por razões amplamente conhecidas, a inércia, a preguiça, o desregramento, as comezainas, a glutonaria e as concupiscências carnais são hábitos extremamente perniciosos e prejudiciais à saúde do corpo. Todos esses vícios são reprovados e condenados nas Sagradas Escrituras. O nosso corpo é templo do Espírito Santo (1 Co 6:19); ele é, por assim dizer, sagrado em todos os níveis. 

Por ser sagrado, merece da nossa parte cuidados especiais, por meio de hábitos saudáveis de alimentação, repouso e prática regular de exercícios físicos. Devemos evitar escolhas que possam conduzir a alma a desequilíbrios emocionais e perturbações mentais, a fim de mantermos um estado de saúde integral — física, emocional e espiritual. 

Caso contrário, se deliberadamente negligenciarmos essas prescrições salutares, seremos responsabilizados diante do Todo-Poderoso DEUS por todas as malfeitorias cometidas contra o nosso corpo durante a nossa breve peregrinação neste mundo. 

Por isso, convém recordar, em nome da harmoniosa saúde física, mental e espiritual de todos os fiéis em Cristo Jesus: “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1 Co 3:17).

Teologia de Alimentação (1): Viver Para Comer


Cuidar escrupulosamente do nosso corpo e cultivar diariamente hábitos de sobriedade fazem parte das salutares prescrições bíblicas. O nosso corpo é o templo do Espírito Santo, exortava perentoriamente o Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 6:19, sublinhando esta inequívoca verdade teológica. Devemos, portanto, procurar afastar-nos de todos os vícios nocivos que são perniciosos para a nossa saúde física, mental e espiritual. 

Para o nosso próprio bem, é essencial tomarmos decisões sábias que se reflitam positivamente no nosso bem-estar. Essas decisões passam, acima de tudo, por comer bem e viver bem. O cardápio alimentar que adotamos no quotidiano desempenha um papel amiúde importante e determinante no nosso equilíbrio, saúde e qualidade de vida. 

Tanto é assim que, conscientes desta realidade, poderíamos afirmar que não comemos apenas para viver, mas, de certo modo, vivemos também para comer. 

Por isso, convém recordar, em nome da harmoniosa saúde física, mental e espiritual de todos os fiéis em Cristo Jesus, que “o Reino de Deus não consiste em comer e beber, mas em justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). Que assim seja. 

Quem Diz que Cachupa Não se Come com o Arroz?


Num evento anteontem em Massamá de apresentação da autobiografia do atleta cabo-verdiano António Bruno da Silva Araújo, intitulado "Percurso e Memórias" (LER), depois de assistir a brilhante apresentação feita pelo Advogado António Neves e o meu pupilo Robert Neves (VER), bem como do prefaciador da obra o Dr. Francisco Fragoso e uma breve descrição do autor, seguiu-se o período de confraternização entre os presentes. 

Como seria de esperar, as comezainas que faziam parte dos aperitivos estava a tradicional cachupa cabo-verdiana. É uma comida deliciosa, que dispensa apresentação e de inquestionável qualidade gastronómica (LER). Só que tudo isto não chega para o vernáculo guineense. O "guigui" para alimentar e sentir plenamente satisfeito tem, acima de tudo, que saborear a almejada bianda. Ela não pode faltar no cardápio. Bianda é a conjugação de arroz com qualquer tipo de acompanhamento, que pode ser de peixe, carne ou macrobiótico. Apenas é imprescindível o arroz no prato, a base fundamental da nossa dieta alimentar. O arroz que faz a verdadeira bianda. E o guineense pode comer de tudo que há, no entanto, se não encher o estômago com a bianda é como se não experimentasse nada de facto. 

Foi o que aconteceu comigo. Como sabia que não iria ficar plenamente saciado se não comesse bianda, resolvi pedir para misturarem-me arroz com a cachupa. Acontece que, por razões várias, a cachupa não se come com o arroz, ou melhor, os cabo-verdianos não mesclam ambos. E como não tinha outra alternativa no momento, resolvi quebrar o protocolo, misturando os dois. Alguns, da maioria dos cabo-verdianos presentes no evento, ficaram "escandalizados" com a minha intrépida postura, e de imediato replicaram-me em tom pedagógico: a cachupa não se entremeia com arroz. Procurei, de forma paciente, justificar-lhes por que razão estava a agir daquela forma peculiar, tal como supra mencionei. Foi debalde a minha tentativa de redenção, exceptuando duas das minhas patrícias que me compreenderam muito bem. 

Qualquer prato pode ser consumido de múltiplas formas, independentemente da convenção que lhe é dado pelos comuns dos mortais. Até porque, tal como fui ensinado, "não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca"  (Mateus 15:11). E a deliciosa cachupa não foge, igualmente, a este brocardo gastronómico.