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Os Sonhos Que Ficaram Por Realizar, por Martin Luther King Jr. (4)

“Acho que uma das grandes angústias da vida reside no facto de estarmos sempre a tentar terminar aquilo que não tem termo. Temos ordens para fazê-lo. Por isso nós, tal como David, nos vemos tantas vezes na situação de ter de enfrentar o facto de os nossos sonhos ficarem por realizar. A Vida é uma história contínua de sonhos destruídos. O Mahatma Gandhi trabalhou anos e anos pela independência do seu povo. Mas Gandhi teve de encarar o facto de ser assassinado e morrer com o coração despedaçado, porque aquela nação que ele queria unir acabou por ser dividida entre a Índia e o Paquistão em consequência de uma guerra entre Hindus e Muçulmanos. 

Woodrow Wilson teve o sonho de fazer uma Liga das Nações, mas morreu antes de ver o sonho concretizado. O Apóstolo Paulo falou um dia no seu desejo de ir para Espanha. O maior sonho de Paulo era ir para Espanha, levar até lá o Evangelho. Paulo nunca chegou a Espanha. Acabou numa cela de prisão em Roma. É assim a vida. Foram muitos os nossos antepassados que cantaram a liberdade. E que sonharam com o dia em que conseguiriam libertar-se do bojo da escravatura, da longa noite da injustiça. E cantavam pequenas canções: «Ninguém sabe por quanto sofrimento passei, ninguém sabe senão Jesus.»  Pensavam num dia melhor enquanto sonhavam o seu sonho. E diziam: «Estou tão feliz por o sofrimento não durar para sempre. A pouco e pouco, a pouco e pouco vou libertar-me da minha pesada carga.» E cantavam esta canção porque tinham tido um sonho muito forte. Mas muitos morreram sem ver o sonho realizado”[1]


[1] Palavras de Martin Luther King Jr., extraído na sua autobiografia, in Eu Tenho Um Sonho, p. 389, 390, Bizâncio, Lisboa, 2003. Este foi o último discurso do Pastor Baptista e Activista dos Direitos Humanos, Luther King, no templo do bispo Charles J. Mason, em Memphis. Um dia depois desta famosa alocução, 4 de Abril de 1968, foi barbaramente assinado no Motel Lorraine. 

Feminista, Eu?


«Cabem neste rótulo, segundo essas concepções, mulheres que querem ser superiores aos homens, mulheres amargas e obcecadas com todas as referências culturais de género, lésbicas, mulheres que querem ser iguais aos homens, imitando os seus comportamentos, mulheres que rejeitam todos os símbolos de feminilidade como, por exemplo, os cuidados com o corpo. Ou seja, mulheres que não se depilam, não se maquilham, não usam roupa justa, saias ou saltos altos. Esta feminista eu não sou de certeza. (…) Sei que ao nível das desigualdades de género ainda há algumas coisas a fazer, nomeadamente fomentar a representação das mulheres nos cargos de poder e garantir o acesso pleno dos homens à paternidade. E sei muitas outras coisas, não tivesse dedicado um doutoramento a estes assuntos. Quanto às diferenças culturais entre homens e mulheres, só posso dizer que também sou fruto delas. As diferenças não me apoquentam, apenas as desigualdades me chateiam. Gosto de cozinhar, passar horas na cozinha a bebericar vinho e preparar um jantar para amigos. Gosto de fazer panquecas e bolos para o meu namorado. Sou um pouco obcecada com a limpeza da casa. Não percebo nada de futebol e conduzir não é seguramente uma das minhas melhores competências. Sou vaidosa, gosto de comprar sapatos e acompanhar as tendências da moda. Isto faz de mim menos feminista?» (LER)