«Cabem neste rótulo, segundo
essas concepções, mulheres que querem ser superiores aos homens, mulheres
amargas e obcecadas com todas as referências culturais de género, lésbicas,
mulheres que querem ser iguais aos homens, imitando os seus comportamentos, mulheres
que rejeitam todos os símbolos de feminilidade como, por exemplo, os cuidados
com o corpo. Ou seja, mulheres que não se depilam, não se maquilham, não usam
roupa justa, saias ou saltos altos. Esta feminista eu não sou de certeza. (…) Sei
que ao nível das desigualdades de género ainda há algumas coisas a fazer,
nomeadamente fomentar a representação das mulheres nos cargos de poder e
garantir o acesso pleno dos homens à paternidade. E sei muitas outras coisas,
não tivesse dedicado um doutoramento a estes assuntos. Quanto às diferenças
culturais entre homens e mulheres, só posso dizer que também sou fruto delas.
As diferenças não me apoquentam, apenas as desigualdades me chateiam. Gosto de
cozinhar, passar horas na cozinha a bebericar vinho e preparar um jantar para
amigos. Gosto de fazer panquecas e bolos para o meu namorado. Sou um pouco
obcecada com a limpeza da casa. Não percebo nada de futebol e conduzir não é
seguramente uma das minhas melhores competências. Sou vaidosa, gosto de comprar
sapatos e acompanhar as tendências da moda. Isto faz de mim menos feminista?» (AQUI).
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A Lei de Quotas na Guiné-Bissau: Do Delírio Eleitoralista à Utopia
É inquestionável reconhecer que o povo
guineense é bastante sofredor. É um facto notório. As mulheres muito mais,
tendo em conta a cultura "di machundadi" e de
objectificação a que elas têm sido reduzidas desde os primórdios da nossa
História (LER).
Se há, por isso, camada na Guiné-Bissau que merece beneficiação e primazia é
seguramente a das mulheres, razão pela qual somos apologistas que haja uma
maior e melhor Justiça Social para a dignificação e libertação definitiva das
nossas inofensivas mulheres. Somos também defensores da integração das mulheres
em todos os quadrantes da sociedade, especialmente que se emancipem e ganhem
autonomia intelectual, financeira, política e sexual; que se valorizem e saibam
valorizar-se perante terceiros, máxime que não se conformem em estar subjugadas
aos caprichos individualistas dos grunhos homens a troco de um dote
efémero. Queremos que elas disponham suficientemente do livre-arbítrio, ganhando assim plenamente a liberdade e a
independência. Tudo o que é genuinamente para defender, apoiar, valorizar e
enaltecer a Mulher somos manifestamente a favor (LER).
No entanto, não contem connosco para alimentar "o politicamente
correcto", que se consubstancia no falso moralismo hipócrita
do tão propalado "princípio da igualdade",
que acaba por não resultar em nada, antes pelo contrário visa meramente
coadjuvar os interesses contrários à República, apenas para o "inglês
ver", tal como tem sido prática reiterada no nosso país. A aprovação
da recente lei de quotas no país é um exemplo manifesto disso (LER).
Foi uma aprovação oportunista, inoportuna, irrealista e ferido de tamanha
ilegalidade. Uma utopia sem precedente.
Não estamos, com isso, contra as mulheres. Não
estamos contra as difíceis lutas de várias associações, ONGs e Homens de "boa
vontade" para empoderar a mulher guineense. Não estamos contra as
legitimas expectativas de todas as nossas pobres mulheres. Não estamos contra
que haja igualdade de género e de oportunidades entre ambos os sexos no
exercício dos cargos públicos. Não somos, da mesma sorte, insensíveis aos
horripilantes dramas quotidianos que as nossas mulheres enfrentam no seu
quotidiano. Longe de nós tais torpezas machistas e sexistas. Somos
manifestamente pró-mulheres em todos os aspectos, insistimos (VER).
Porém, o que realmente somos contra é a hipocrisia, o cinismo, o aproveitamento
político e os nossos corruptos governantes e políticos em geral. E a aprovação
desta ardilosa lei de quotas encerra todos estes malefícios. Afirmamos
convictamente isto por que ela vai ser inexequível no país, tendo em conta
vários factores conjugados que obstaculizarão a sua vigorosa asserção. Por
outras palavras, a aprovação desta nova lei, "é pôr a carroça à frente
dos bois".
Desde logo, não foi uma "lei
genuína". Ela foi baseada meramente no oportunismo
político-eleitoralista dos biltres deputados, com vista a atraírem mais votos
da ala feminina, somando ao facto de ser completamente inoportuna. Neste
momento, em abono da verdade, não nos parece ser prioritário estar a aprovar
uma lei deste calibre, visto que envolve sérios pressupostos sociais,
culturais, políticos e jurídicos e um levantamento exaustivo que não foram
atendidos nos trabalhos preparatórios do anteprojeto lei. Ademais, a
generalidade do país está toda focada na realização das próximas eleições
legislativas marcadas para o próximo Novembro, tendo praticamente todas as
instituições do Estado paralisadas, pelo que não é o momento ideal para
deliberar sobre uma lei desta envergadura. É uma imprudência. Entendemos ainda
que a lei em apreço é, acima de tudo, irrealista. Não propriamente irrealista
por aquilo que promove, mas sim por aquilo que não vai ser nos próximos tempos.
Ela não se coaduna com a mundividência da sociedade guineense, uma
vez que esta continua altamente machista a todos os níveis da convivência, com
todas as implicações político-sociais que isso acarreta na marginalização das
mulheres, ou seja, vai apenas ficar reduzida ao mero formalismo legislativo,
sem qualquer tipo de expressividade e exequibilidade[1].
Vejamos, meus caros leitores, a título de
exemplo: tem havido a punição dos promotores da hedionda excisão feminina no
país? Aboliu-se o cancro do casamento forçado, a pedofilia galopante praticada
contra as nossas desprotegidas meninas e a violência doméstica? Erradicou-se,
porventura, o assédio sexual, o abuso e a violação contra as mulheres? Sabiam
que todas essas abominações sociais foram criminalizadas nas nossas leis da
República, especialmente no Código Penal? Estas leis têm vincado? Obviamente
que não (uma clara inconstitucionalidade por omissão). E acham que esta
fantoche lei de quotas vai triunfar? Se temos ainda abusos flagrantes cometidos
contra a Dignidade e os Direitos Fundamentais das mulheres que, infelizmente,
não têm merecido uma atenção especial das nossas autoridades, acham que esta
lei de quotas vai ter desfecho diferente das restantes? Acresce
ainda, além de todas estas derivas denunciadas, o facto dos actuais deputados
não disporem de legitimidade constitucional para aprovar esta importante lei,
visto que cessaram os seus mandatos há cinco meses. Somente têm que se
conformar em assegurar a gestão corrente do país, sem comprometer a próxima
legislatura. Por isso, este projecto lei viola flagrantemente a Constituição da
República. Qualquer cidadão que eventualmente no futuro se sentir prejudicado
por ela pode simplesmente impugná-la nos tribunais, sob pena de verem estes
declará-la inconstitucional com força obrigatória geral, pois está ferida de
ilegalidade.
São todos estes factores que, lucidamente, nos
levam a concluir que esta lei de quotas na Guiné-Bissau não passa de um delírio
eleitoralista. Uma, em suma, utopia para infelicidade de todos nós.
[1] Acresce
ainda o facto de esta putativa lei de quotas circunscrever-se unicamente ao
poder Legislativo, sem englobar o poder Executivo e Judiciário, entrando assim
em flagrante contradição com a "universalidade" das leis de quotas e com o argumento a fortiori
de "quem pode o mais, pode o
menos".
O Dia da Mulher Africana
Hoje é o "Dia da Mulher Africana". Ser mulher,
no nosso hostilizado, cruento, machista e injusto mundo, não é uma tarefa nada
fácil. Comporta vários obstáculos e riscos em simultâneo. O pior ainda é ser
mulher africana. Ela carrega dolorosamente sobre si todas as desgraças
mundanais, e com todas as implicações sociais que isto acarreta no seu
quotidiano e na sua autodeterminação. Continua ainda arbitrariamente a ser reduzida e votada cegamente à ignorância,
à objectificação, ao abuso, à miséria, à prostituição, à violência e à violação, etc. Por
isso, num dia como o de hoje, Dia da Mulher Africana, impõe-se uma genuína
reflexão a todos os Homens de "boa vontade" no sentido de contribuir
resolutamente para uma cabal melhoria da condição humilhante e deplorável em que
se encontram a generalidade das nossas marginalizadas mulheres.
Advertência de Uma Feminista às Outras Feministas (IV)
“Oponho-me a uma
proteção especial para as mulheres. Sou contra regras que permitam às
raparigas, por exemplo nos campus universitários, queixarem-se do que acontece
num encontro com um rapaz. Exijo que as mulheres tenham total responsabilidade
de si mesmas. Não acredito em proteções especiais quando alguém lhes diz alguma
coisa ofensiva, a não ser que seja no domínio profissional. Acredito, sim, que
as mulheres têm de falar por elas próprias e travar as suas batalhas (…) Nem
tudo na nossa vida pode ser controlado, nem tudo na nossa vida é politicamente
correto. Há todo o tipo de problemas e de instabilidades entre os dois sexos
que têm que ser tratados individualmente e com os quais o Governo não deve ter
nada que ver. O feminismo para mim devia ser um programa de ativismo social. O
feminismo não tem o direito de intrometer-se na vida privada das pessoas. O
modo como os homens e as mulheres se comportam nas suas relações pessoais é uma
questão apenas da sua livre escolha.”
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(Camille Paglia, in entrevista a Revista Expresso (LER). Conteúdo disponibilizado, por enquanto, apenas para os assinantes
do jornal).
Advertência de Uma Feminista às Outras Feministas (III)
REVISTA EXPRESSO: As mulheres são hoje demasiado exigentes?
Camille Paglia: “São, mas mais importante do que isso é que são miseráveis. As mulheres de classe alta com sucesso no trabalho são infelizes. As feministas sabem-no. E culpam os homens de tudo. Dizem que são eles que têm de mudar de comportamento. Acho que as mulheres têm de ser neste momento mais conscientes e pararem de culpar os homens pela sua infelicidade! Olhem para o sistema laboral e alterem o que tem de ser alterado.
REVISTA EXPRESSO: Está a dizer que as mulheres não praticam tanto sexo com os homens como costumavam fazer?
Camille Paglia: Não é bem isso. É uma questão de tudo ser muito familiar, das regras não se quebrarem, sobretudo nos casamentos burgueses. Há um sentimento de fadiga, não há nada interessante a acontecer ou a permitir que aconteça. Não há o tal mistério. Mas acredito que as mulheres latinas, como as portuguesas, italianas, espanholas e brasileiras têm muito mais criatividade, energia sexual, noção de elegância, sendo ao mesmo tempo grandes empresárias, economistas ou administradoras. Os casamentos de hoje, na América, são aborrecidos sexualmente e o homem corre o perigo de se tornar mais uma criança lá em casa”.
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(Camille Paglia, in entrevista a Revista Expresso (LER). Conteúdo disponibilizado, por enquanto, apenas para os assinantes do jornal).
Advertência de Uma Feminista às Outras Feministas (II)
“Sou descendente
de uma família de emigrantes italianos. Nessa altura, lembro-me perfeitamente,
tudo estava organizado à volta de dois mundos, o das mulheres e o dos homens.
As mulheres cozinhavam. Ficavam em casa, tratavam dos filhos. Os homens saíam e
ganhavam dinheiro. Este foi um sistema que funcionou durante milhares de anos.
REVISTA EXPRESSO: Porque é que o sistema atual não está a
funcionar?
Porque estamos
neste período urbano e industrial, estamos em plena era tecnológica, em que as
tarefas profissionais se tornaram exatamente as mesmas para homens e mulheres.
E ainda por cima trabalha-se com a cabeça, não com o corpo. As diferenças
sexuais esbateram-se. As mulheres pensam que como têm igualdade no local de
trabalho e no mundo da política, acham que as coisas vão mudar também em termos
da forma como comunicam com os homens nas suas relações privadas. E estão
infelizes. Não se sentem realizadas. Sentem-se sozinhas.
REVISTA EXPRESSO: Qual a
verdadeira razão para isso?
A perda da
solidariedade entre elas com a competição profissional. Perderam a partilha dos
problemas de cada uma. Perderam o desabafo sobre o fardo que é ter um filho e
criá-lo. Perderam a companhia umas das outras, o apoio umas das outras, e até
coscuvilhice — a minha mãe e a minha avó tinham tudo isso — e agora querem que
os homens, os maridos, as satisfaçam de todas as maneiras."
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(Camille Paglia, in entrevista a Revista Expresso (LER). Conteúdo disponibilizado, por enquanto, apenas para os assinantes
do jornal).
Advertência de Uma Feminista às Outras Feministas (I)
“Sou uma feminista
que defende a igualdade de oportunidades. Com isto quero dizer que exijo que
sejam retiradas todas as barreiras existentes às mulheres em campos como a
política e o mundo profissional. No entanto, oponho-me a uma proteção especial
para as mulheres (…) As mulheres deste país pedem e querem uma proteção
especial. Isto não é feminismo. Isto é materialismo burguês. Privilégios
burgueses. Estas mulheres querem que o mundo seja tão seguro como as salas de
estar dos seus pais. É um verdadeiro retrocesso relativamente ao que o
feminismo dos anos 60 conseguiu alcançar (…) O que quero dizer é que a maneira
como nos vestimos é uma forma de comunicação. Apoio qualquer mulher que queira
sair à rua meio despida. Mas tem de estar consciente das consequências disso e
acatar as responsabilidades. O problema destas mulheres é que se vestem de uma
forma muito sexy e não percebem e negam mesmo que estão a enviar mensagens.
Acham que nenhum homem tem o direito de se sentir atraído por elas e de lho
dizer... Já o disse há algum tempo: as mulheres têm todo o direito de se vestir
como a Madonna, no entanto, se se estão a publicitar, têm de estar prontas para
se vender! É preciso que percebam de uma vez por todas que estão a comunicar
sexo e apetite por sexo. Se não estão preparadas para se proteger nem têm ideia
de que é perigoso aquilo que estão a fazer não saímos de uma imbecilidade”.
(Camille Paglia, in entrevista a Revista Expresso (LER). Conteúdo disponibilizado, por enquanto, apenas para os assinantes do jornal).
Advertência de Uma Feminista às Outras Feministas
«Acho que está errado o
feminismo querer dizer que o género se constrói. Não. O género tem uma base
biológica incontornável, que se vê até na maneira como comunicam entre eles.
(…) As mulheres precisam uma das outras, conversam de modo único, têm uma
linguagem muito própria que só os gays poderão entender. Mas a pressão que
estão a colocar sobre os homens hoje está errada. Chegam os dois do trabalho e,
sobretudo as mulheres de classe alta, exigem que os homens falem com elas
utilizando a linguagem que é só delas (…). O homem hoje está a passar por uma
grande crise de identidade. Não sabe exatamente qual é o seu papel. E as
mulheres têm de ter mais empatia para com eles. Os homens têm impulsos
diferentes. As suas hormonas não são iguais às nossas e fazem com que os seus
cérebros funcionem de outra maneira. E é por isso que a pornografia é tão
importante hoje em dia. Porque é o único escape que eles têm para o mundo da
sexualidade e da fantasia.»
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(Camille Paglia, in
entrevista a Revista Expresso (LER). Conteúdo
disponibilizado, por enquanto, apenas para os assinantes do jornal).
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