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A Mulher Adúltera e a Sua Absolvição pelo Senhor Jesus Cristo


Partilho aqui esta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD), que ministrei na minha Igreja, sobre a mulher que traiu deliberadamente o seu marido na Festa dos Tabernáculos dos judeus que, contra todas as evidencias humano-sociais, achou graça, amor e perdão por parte do Senhor Jesus Cristo (João 8:1-11). Esta mulher acumulava simultaneamente várias infracções no seu acto pecaminoso, fazendo com que merecesse a pena de morte, tal como preceituava a Lei de Moisés (OUVIR AQUI EM PODCAST)

Em primeiro lugar, esta mulher era adúltera e foi apanhada em flagrante acto de adultério numa festa religiosa (v. 4). Deixou-se levar descontroladamente pela luxúria, sem medir as consequências práticas do seu envolvimento sexual ilícito. Também ela era traidora. Traiu deliberadamente o marido e traiu a sua própria família, violando assim o dever da fidelidade que vincula todos os cônjuges no âmbito matrimonial. Ela ofendeu de forma livre e consciente o sétimo mandamento da Lei de DEUS que proíbe, em todas as circunstâncias, o adultério (Ex 20:14). Destruiu a sua vida, a do seu marido e da sua família. Esta mulher era uma autêntica vergonha para a sua família, a sua comunidade e o seu povo, razão pela qual humilharam-na publicamente e puseram-na à chacota perante tudo e todos. A única sentença para o cúmulo de todos estes abomináveis pecados era a pena de morte por apedrejamento. Tinha que ser apedrejada até à morte. Era isso que a Lei mandava fazer em tais situações (Lv 20:10; Dt 22:22-24). Não havia outra solução viável para remediar o censurado pecado desta desgraçada mulher. Ela estava condenada a morrer. Morrer de forma bárbara pelo apedrejamento público. Ela não tinha como fugir ou negar o seu envolvimento sexual com outro homem, porque foi apanhada no próprio acto de adultério. Há muitas pessoas que mentem, roubam, traem, enganam, matam e, mesmo assim, escapam ilesas. Não era o caso dessa mulher. Havia provas irrefutáveis do seu manifesto pecado que ela não podia desculpar. Foi apanhada em pleno acto de adultério, insisto. 

Os escribas e fariseus aproveitaram este mediático caso de adultério para poderem apanhar em falso o Senhor Jesus Cristo, que se encontrava empenhadamente a ensinar no templo e, desta forma, poderem aleivosamente acusá-Lo. Fizeram-Lhe uma pergunta sorrateira, que encerra uma rasteira, com vista a apanhá-Lo em contradição e, deste modo, arruiná-Lo completamente. Estes doutores da Lei eram também autênticos doutores em tramoia, conspiração e da maldade! Qualquer resposta que o Filho de DEUS desse seria facilmente apanhada em armadilha e, consequentemente, “esmagado” – podia ser por judeus ou pelas autoridades romanas. Os escribas e doutores da Lei, escreve Hernandes Dias no seu Comentário Expositivo sobre o Evangelho João em concordância com Charles Erdman, “queriam encontrar um motivo para acusá-lo e matá-lo. E assim intentaram três coisas contra ele. Em primeiro lugar, tentaram jogar Jesus contra a lei de Moisés; segundo, tentaram jogar Jesus contra a lei romana; terceiro; tentaram jogar Jesus contra o povo. O alvo dos fariseus era colocar Jesus diante de um dilema: se ele perdoasse e absolvesse a mulher, estaria em oposição à lei de Moisés e contra ele se poderia argumentar que estava fomentando as pessoas a cometer adultério (Lv 20.10; Dt 22.22-24); se ele a condenasse à morte, estaria usurpando atribuições do governo romano (18.28-31), porque os romanos haviam retirado dos judeus o poder de infligir penas capitais”. 

Colocaram assim o Senhor Jesus perante um grande dilema e como juiz num caso que Ele não tinha nada a ver. Não era testemunha ou parte visada no vergonhoso pecado da mulher adúltera. Também não era juiz e, tão pouco, fazia parte da cúria das autoridades judaicas. Eles puseram-Lhe esta questão, relata-nos o evangelista João, “porque queriam apanhá-lo em falso para depois o acusarem” (v.6). Eles tinham a inveja e o ódio declarado contra o Senhor Jesus, desde o começo do Seu ministério, tendo em conta a autoridade com que Ele ensinava e o amplo acolhimento favorável que a Sua mensagem salvífica despertava no seio do povo. William Hendriksen, citado ainda por Hernandes Dias Lopes, na mesma esteira do pensamento, sustenta “que o interesse principal dos acusadores não era a mulher. Eles apenas a estavam usando como um laço para pegar Jesus. Este, sim, era a verdadeira vítima! E, para realizarem esse propósito diabólico contra Jesus, jogaram para o alto qualquer gentileza ou vergonha que tivessem. A vergonha e os temores da mulher, ao ser exposta publicamente, não lhes significava nada, conquanto alcançassem o objetivo que tinham proposto. Assim eram os líderes religiosos de Jerusalém”. 

O Senhor Jesus Cristo, conhecedor da mente dos pecadores e a sua verdadeira intenção, não se precipitou em responder a esta astuta e rasteira pergunta dos escribas e fariseus. Limitou-Se apenas a escrever no chão com o dedo. Mesmo assim, eles não se desarmaram e continuaram a interroga-Lo de forma insistente, querendo a todo o custo ter uma resposta por parte Dele. O Senhor Jesus, diz-nos o Evangelista João, “levantou-se e disse-lhes: Aquele de entre vós que nunca pecou, atire-lhe a primeira pedra” (v.7). Quem não tiver pecado que seja o primeiro a atirar a pedra. Por outras palavras, se houver algum entre vós que esteja sem pecado, sem pecado desta natureza, que não tenha nunca, em nenhuma ocasião, sido culpado de fornicação, adultério ou maculado, que atire a primeira pedra sobre ela. Que seja o primeiro, tal como manda a Lei de Moisés, a atirar a primeira pedra (Dt 17.7). 

O Senhor Jesus confrontou-os abertamente com a sua miséria espiritual, através da autoanálise que faziam da Sua interpelação, deitando por terra a hipocrisia, a soberba, a vingança, a maldade, a injustiça e o pecado em que se encontravam mergulhados. Estes acusadores eram injustos, parciais e autênticos pecadores. Cometeram, desde logo, uma tamanha injustiça objectiva no caso em apreço, ilibando o homem que estava a praticar relações sexuais ilícitas com a mulher adúltera, contrariando assim as disposições da Lei que expressamente diz: “se um homem for apanhado em adultério com uma mulher casada devem morrer tanto ele como ela. Assim acabarás com este escândalo em Israel” (Dt 22:22; Lv 20:10). Eles limitaram apenas a sua fúria para com a pobre mulher por ser a parte mais fraca nesta história, desculpando-se o homem. Não estavam minimamente preocupados com a espiritualidade sacrossanta, a moralidade pública exemplar e o zelo pelos nobres princípios e valores da família. A preocupação deles, antes pelo contrário, era vingar-se da mulher, condenando-a à morte e posteriormente apanhar o Senhor Jesus em falso para O acusar. 

Perante esta situação, isto é, ao ouvirem as desafiantes palavras do Senhor Jesus, “foram saindo dali um a um, a começar pelos mais velhos, e só lá ficou Jesus e a mulher ao pé dele” (v.9). Fugiram todos. Os falsos moralistas e religiosos de conveniência, foram frustrados nas suas maléficas intenções e fugiram de forma apressada. Não ficou ninguém. Desde o mais velho até ao mais novo, fugiram todos. O Senhor Jesus, diferentemente da reprovável conduta destes escribas e doutores da Lei, “não expõe os próprios acusadores ao opróbrio (8.79). Ele age de maneira diferente daqueles que expuseram a mulher ao ridículo. Jesus conhecia os seus pensamentos. Sabia do plano abominável deles. Ele poderia ter exposto esses acusadores à execração. Podia denunciar o segredo do coração deles. A derrota dos acusadores foi patentíssima. Acusados pela consciência, retiraram-se, começando a debandada pelos mais velhos, que evidentemente idearam o plano, seguindo-se os mais moços, até o último”, escrevia Charles Erdman citado por Hernandes Dias Lopes. E o Senhor Jesus, por Sua vez, levantou-Se e perguntou a humilhada mulher: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Ninguém, Senhor!, respondeu ela. Também eu te não condeno, disse Jesus. Vai-te embora e daqui em diante não tornes a pecar.” (v.10-11). Vai em paz, os teus pecados são perdoados, bem entendido. 

O Senhor Jesus contra tudo e todos absolveu esta pobre mulher da morte certa a que ela estava destinada perante a turba ululante e os hipócritas escribas e doutores da Lei, perdoando de forma amorosa os seus pecados, mandando-lhe depois ir embora e não voltar a pecar. Jesus, de acordo com Hernandes Dias Lopes, “age com misericórdia com a mulher (8.10,11). Ele veio não para condenar, mas para salvar. A mulher merecia morrer, mas ele usa seu poder para restaurar. Ele veio buscar e salvar o que se havia perdido. Ele veio para os doentes. O perdão não é barato. Jesus deu sua vida. Ele valoriza aquela mulher, chamando-a por um título honroso, o mesmo que usou para sua mãe: Mulher”, concluindo depois que “Jesus a encorajou. (…). Vai. Volta à vida. Não fique carregando seus traumas, recalques e culpa. Ela vai livre, perdoada, restaurada e com dignidade”. 

Em suma, o amor venceu o legalismo hipócrita, a misericórdia a religiosidade, a verdade a mentira, a vida a morte. O Senhor Jesus conferiu um novo estatuto a esta pobre mulher, restaurando-lhe a dignidade plena, tal como faz com todos aqueles que beneficiam da Sua graça redentora. Ele veio ao mundo para salvar e justificar os miseráveis pecadores. Que assim seja. E assim sempre será. Aleluia! 

O Casamento à Luz do Cristianismo


Partilho aqui a minha pregação no domingo passado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, intitulada “O Casamento à Luz do Cristianismo”, baseada no texto sagrado do evangelho segundo Mateus 19:1-12. Abordei, com ajuda Divina, as grandes problemáticas teológico-doutrinárias em torno do divórcio, refutando biblicamente os inúmeros arbítrios libertinos a que o matrimónio é votado nos nossos dias pós-modernos, bem como apresentei o propósito original de DEUS para um casamento fecundo e feliz – livre de qualquer tipo de coação, humilhação, abuso, violência e divórcio. 

A Natalidade: Uma Questão de Humanismo e de Humanidade



Partilho aqui, mais uma vez, caros leitores, o vídeo que gravei intitulado “A Natalidade: Uma Questão de Humanismo e de Humanidade” (LER). Esta reflexão vem na sequência da celebração do décimo quarto aniversário deste espaço – a “As Verdades” (LER)

O Valor Sagrado do Casamento


O meu grandíssimo amigo e irmão Dénis Andrade casou oficialmente pelo Civil e pela Igreja na semana passada com a agora mulher Odelma Andrade. Amigo e irmão de todas as horas, momentos e circunstâncias. Uma autêntica amizade recheada de significativa partilha e cumplicidade mútua (LER). O Dénis é um jovem inteligente, formado, equilibrado, culto, religioso e altamente bem-educado. Vive, a par de todas essas virtudes humano-sociais, uma espiritualidade vincada e esclarecida à luz da Palavra de DEUS. Foi com o Dénis, juntamente com a nossa irmã Carla, que nos lançámos num estudo aprofundado e minucioso das Escrituras Sagradas quando ainda morávamos na residência Universitária de Egas Moniz, em Lisboa. Eram dois capítulos a cada duas sessões semanais que escrupulosamente mantínhamos, correspondendo um capítulo a cada sessão em termos rotativos, ou seja, cada um ia ministrando o estudo e havia sempre tempo para debates e contraditório. Começámos com o Evangelho segundo Mateus até 2 Tessalonicenses. Foi um tempo de comunhão, partilha, edificação e crescimento no conhecimento da Palavra de DEUS. Foi ainda com o Dénis e o Hugo Silva que viajámos juntos para o Médio Oriente, concretamente Israel e Cisjordânia (LER), bem como posteriormente para a Grécia, Bulgária e Espanha (LER). Sempre, desde que nos conhecemos, fomos próximos um do outro. Vivemos experiências profundas e marcantes nos mais variados domínios que não são oportunos aqui evidenciar. 

Por isso, o Dénis convidou-me para ser o seu padrinho de casamento. Um convite que muito me honrou e que penhoradamente lhe agradeço. Também fico contentíssimo que o meu amigo e irmão Dénis tenha encontrado o verdadeiro amor da sua vida, a nossa querida Engenheira Odelma D'alva Teixeira Andrade, que lhe fará feliz e vice-versa. Ambos, julgo eu, tal como se costuma dizer, foram feitos um para o outro. Acredito, da mesma sorte, que os dois vão estar à altura de honrar o solene compromisso que publicamente fizeram diante de DEUS e dos Homens, sobretudo traduzindo na prática os Direitos e Deveres conjugais no seu lar, pois o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha” (LER), escrevia peremptoriamente o Apóstolo Paulo para lembrar os Cristãos (1 Coríntios 13:7-8)

Espero que a promessa bíblica do Salmo 128:1-6  seja uma realidade viva e permanente no vosso matrimónio (LER), prezados irmãos em Cristo, para nossa alegria e satisfação. Eternas felicidades na graça e paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Que assim seja. 

O Valor Sagrado do Casamento


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O casamento é o substrato identitário da família. Não é um romantismo momentâneo, nem baseado em conveniências de fachada ou individualismo mero circunstancial dos nubentes. Não é também um berbicacho que se vai consubstanciando numa “prisão” ou “enforcamento” dos cônjuges, tal como jocosamente se costuma dizer por aí fora. Ele é, apropriando-me da Declaração da Fé Baptista Portuguesa, “o vínculo voluntário e legalmente assumido entre um homem e uma mulher que se amam, constituindo uma união espiritual, psíquica e física. Esta unidade é monogâmica, heterossexual e indissolúvel, segundo o plano de Deus, expresso na Sua Palavra. No pleno gozo de igualdade de valor e dignidade pessoal, cada um dos cônjuges desenvolve todo o seu potencial humano dentro da especificidade de funções de cada um”. E na mesma esteira do pensamento, o Código Civil Português vem expressamente dizer que “o casamento baseia-se na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges” e estes estão “reciprocamente vinculados pelos deveres de respeito, fidelidade, coabitação, cooperação e assistência” (artigo 1671.1; 1672.º). E isto, em última instância, traduz-se o amor no seu autêntico sentido etimológico e teológico (LER). Um amor que transcende, de longe, a mera inclinação erótica e superficial, a qual, fomentada egoisticamente, rápida e miseravelmente se desvanece. Os cônjuges, portanto, devem procurar encarnar no seu quotidiano o genuíno e puro amor. Amor esse, ratificado legalmente pela promessa de ambos, “é indissoluvelmente fiel, de corpo e de espírito, na prosperidade e na adversidade; exclui, por isso, toda e qualquer espécie de adultério e divórcio”[1]

E por tudo o que foi exposto, e mais se poderia acrescentar sobre éste grande instituto milenar, estive no sábado passado de “corpo e alma” no casamento da minha queridíssima prima Astrides Gomes Vieira Costa, que a minha família carinhosamente apelida “Antchontchi”, com o Bernardino Ambrosio da Costa. Foi uma cerimónia bonita, tal como o amor incondicional que ambos têm evidenciado ao longo de todo este tempo. Acompanhei, desde o início, o percurso da minha prima “Antchontchi” até quando deixei a nossa cidade natal, Bissau, para o exterior do país. Sempre fomos próximos, não obstante eu ser consideravelmente mais velho. Fomos incontidos os mesmos princípios, valores e forma de estar e encarar os desafios da vida. Recebemos, em suma, praticamente a mesma educação. Por isso, na minha intervenção, na cerimónia, lembrei do nobre legado da nossa família que sempre apostou seriamente na nossa educação, formação, qualificação  e afirmação como homens e mulheres dignos de qualquer sociedade em que estamos inseridos (LER), bem como os pressupostos intrínsecos e irrenunciáveis que devem caracterizar um casamento bem-sucedido e a sentida ausência dos país da minha prima na festa, nomeadamente Duarte Vieira (“Duvi”) e a saudosa Teresa Gomes. E, por fim, invoquei a bênção Divina sobre a minha prima e o seu marido, fazendo votos que sejam eternamente felizes no seu lar para a imensa alegria e satisfação de toda a nossa família. Tenham mesmo, prima “Antchontchi” e cunhado Bernardino, um casamento frutuoso e feliz em todas as dimensões da vida. Que assim seja. 



[1] Concílio Ecuménico Vaticano II [Documentos Conciliares e Pontifícios], p. 381 e 382, Editorial A. O – Braga. 

A PALAVRA DO SENHOR (27): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Quando Jesus acabou de pronunciar estas palavras, saiu da Galileia e foi para a região que fica do outro lado do Jordão, perto da Judeia. Seguia-o uma grande multidão e ele curou os doentes. Alguns fariseus foram ter com ele e fizeram-lhe esta pergunta para o experimentar: «Será permitido a um homem divorciar-se da mulher por qualquer razão?» Jesus perguntou-lhes por sua vez: «Nunca leram nas Escrituras que, no princípio, Deus os criou homem e mulher? Por essa razão está escrito que o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher, e os dois se tornarão como uma só pessoa. Assim já não são dois, mas um só. Portanto, não queira o homem separar aquilo que Deus uniu.» Os fariseus insistiram: «Então por que é que Moisés ordenou que se passasse uma declaração de divórcio à mulher para se separar dela?» Jesus respondeu: «Moisés permitiu-vos deixar as vossas mulheres por saber que vocês têm coração duro. Mas no princípio não era assim. Portanto, digo-vos: o homem que se divorciar da sua mulher e casar com outra comete adultério, a não ser no caso de união ilegítima.» Os discípulos disseram-lhe: «Se é essa a situação do homem relativamente à mulher, então vale mais não se casar.» Jesus porém observou: «Nem todos podem compreender isto, mas apenas os que receberam esse dom. Há quem não se case por razões que vêm de nascença; e há outros que é por causas provocadas pelos homens; e há também os que decidem eles mesmos não se casar por causa do reino dos céus. Aquele que puder compreender, compreenda.»” 

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(O Senhor Jesus Cristo, in A Bíblia Sagrada, Mateus 19:1-12, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

O Valor Sagrado do Matrimónio



O casamento é o substrato identitário da família. Não é um romantismo momentâneo, nem baseado em conveniências de fachada ou individualismo mero circunstancial dos nubentes. Não é também um berbicacho que se vai consubstanciando numa "prisão" ou "enforcamento" dos cônjuges, tal como jocosamente se costuma dizer por aí fora. Ele é, apropriando-me da Declaração da Fé Baptista, "o vínculo voluntário e legalmente assumido entre um homem e uma mulher que se amam, constituindo uma união espiritual, psíquica e física. Esta unidade é monogâmica, heterossexual e indissolúvel, segundo o plano de Deus, expresso na Sua Palavra. No pleno gozo de igualdade de valor e dignidade pessoal, cada um dos cônjuges desenvolve todo o seu potencial humano dentro da especificidade de funções de cada um". E na mesma esteira do pensamento, o Código Civil Português vem expressamente dizer que "o casamento baseia-se na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges” e estes estão “reciprocamente vinculados pelos deveres de respeito, fidelidade, coabitação, cooperação e assistência" (artigo 1671.1; 1672.º). E isto, em última instância, traduz-se o amor no seu autêntico sentido etimológico e teológico (LER). Um amor que transcende, de longe, a mera inclinação erótica e superficial, a qual, fomentada egoisticamente, rápida e miseravelmente se desvanece. Os cônjuges, portanto, devem procurar encarnar no seu quotidiano o genuíno e puro amor. Amor esse, ratificado legalmente pela promessa de ambos, "é indissoluvelmente fiel, de corpo e de espírito, na prosperidade e na adversidade; exclui, por isso, toda e qualquer espécie de adultério e divórcio"[1].  

E por tudo o que foi exposto, e mais se poderia acrescentar, estive no sábado passado, de "corpo e alma", no casamento dos meus grandíssimos amigos Hugo Silva e Christina Rossi Silva. Foi uma cerimónia bonita, tal como o amor incondicional que ambos têm evidenciado ao longo de todo este tempo. Acompanhei, desde o início, o seu processo de namoro e não podia ficar mais feliz com este gigantesco passo de compromisso. Espero, caros amigos Christina e Hugo, que o nosso Todo-poderoso DEUS possa continuar a abençoar-vos e a solidificar cada vez mais a vossa união matrimonial em todos os aspectos, sobretudo que a promessa do Salmo 127 e 128 seja uma realidade viva na vossa vida. Que sejam, em suma, eternamente felizes e tenham muitos filhos e netos e bisnetos. Amém. 



[1] Concílio Ecuménico Vaticano II [Documentos Conciliares e Pontifícios], p. 381 e 382, Editorial A. O – Braga.

Os Cristãos Baptistas e a Sexualidade


«Deus criou o homem, concedendo-lhe a prerrogativa de fecundidade, fertilidade e natalidade, permitindo-lhe a multiplicação da espécie humana, povoando e dominando a Terra. Deus não condena o ato sexual em si, mas a prática sexual desgovernada, sem limites e sem princípios divinos.  Deus não deixa a sexualidade ao critério de cada um, até mesmo aos casados lhes adverte e aconselha para que nenhum dos cônjuges negue o sexo, antes procedam com consentimento mútuo. A atração física, emocional e o verdadeiro amor no casamento são condições indispensáveis para uma sexualidade abençoada. Todas as práticas sexuais desviadas dos padrões das Escrituras se inscrevem no mundo do abrasamento e das perversões (parafilias), degradantes da vida e da sua dignidade, a saber: prostituição, homossexualidade, pedofilia, pornografia, incesto, violação e bestialidade».

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(Extraído in Declaração de Fé Baptista [LER].).

Um Dia, Um Casamento


Este lindo casal, Rogério Bastos (LER) e Gilca Bastos (LER), comemora hoje "Bodas de Renda ou Linho", isto é, treze anos de casamento. Prezados irmãos em Cristo, espero de facto, que o vosso lar continue a ser pautado pelo temor do SENHOR e que Ele seja constantemente sentinela, sustentáculo e timoneiro das vossas vidas, pois "se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam" (Salmo 127:1). Muitos parabéns pelo abençoado matrimónio. Sejam sempre felizes. 

Um Dia, Uma Fotografia


O lindo Eddy e a linda Tina celebram hoje quatro anos de matrimónio. Prezados irmãos, do fundo do meu coração, faço votos que o vosso lar continue a superabundar de amor, harmonia, respeito, jóias preciosas (filhos) e ricas bênçãos celestiais. Muitos Parabéns. Que sejam, de facto, felizes para o resto da vossa vida.  

O Vínculo Umbilical


Pertenço a uma família bastante numerosa, tal como a generalidade dos meus conterrâneos Guineenses. Tenho oito preciosos germanos, sendo eu praticamente a caçula do grupo, e muitos primos e sobrinhos. O Juelson Vieira Gomes (Juca), na foto ilustrada, é um deles. Já era tio antes de nascer, tendo em conta os três meses de diferença que ele me leva a mais. É o primogénito da minha dilecta irmã Alda Vieira (Aldinha), curiosamente, também ela morgada. Nasceu no dia onze de Outubro e eu somente a três de Janeiro do ano seguinte (ALI) (AQUI). Sempre tivemos, desde meninice, relações de grande cumplicidade e proximidade, à semelhança do meu primo Euclides Domingos Vieira (Didi) e Watson Aila Gomes, por sermos da mesma idade, até quando deixei Bissau há anos atrás para prosseguir a formação superior. Eles, conseguiram, posteriormente, também, a bolsas de estudo para o exterior do país. 

O Juca foi estudar para Moscovo, Rússia, tendo terminado com sucesso o curso e regressado a Bissau. No dia 30 de Janeiro casou-se, oficialmente, com a sua agora mulher Nicandra Siverina Pereira, depois de algum tempo de namoro que resultou no nascimento do seu rebento Sebastião, em Novembro do ano transacto. Toda a família ficou muito feliz com este importante passo na vida que ambos decidiram livremente trilhar, especialmente a minha estimada irmã Alda Vieira que ficou demasiadamente emocionada (korçon di padida...)

Eu, na qualidade de tio, embora ausente fisicamente mas presente espiritualmente, reitero aqui os meus profundos votos de maiores bênçãos celestiais e felicidades para o vosso casamento. Que DEUS vos ajude e vos oriente a construir um lar repleto de Amor, Paz, Alegria, Solidariedade, Respeito e, sobretudo, de temor reverencial à Sua Santa Palavra. Sejam eternamente felizes! 

O Que é o Amor?


Um dos momentos mais sagazes do poeta latino do séc. I a. C., Ovídio, foi o de considerar de forma peremptória que o amor, como todas as outras artes antropológicas, poderia ser ensinado às pessoas a desenvolver ao longo da vida, independentemente de quaisquer condicionalismos exteriores e circunstanciais de cada indivíduo no contexto em que está inserido. Por isso, desdobrou-se num esforço desmesurado para provar tão grande intento. Fê-lo através da sua promiscua obra "Arte de Amar”; obra essa que se circunscreve em facultar aos putativos amantes as ferramentas "indispensáveis" de sedução, fetiche e conquista em última instância. Uma façanha apenas para os "mestres de amor", tal como o próprio presunçosamente se auto-intitulou. 

Feito este brevíssimo introito, deixemos agora de lado Ovídio e as suas construções doutrinárias, e atentemos para o conceito terminológico do amor. Afinal de contas, o que é o amor? E quais são os seus predicados axiológicos na vida dos amantes? O amor, de forma sumária, é uma força sobrenatural que visa aproximar e unir os seres numa relação bastante especial. No grego bíblico, onde o termo ganhou mais relevo e projecção mediática para as outras civilizações mundiais, o amor envolve três importantes significados etimológicos que são "agapé","philia" e "eros", respectivamente, abarcando o círculo tridimensional do Homem na sua esfera inter e extra-relacional com os seus semelhantes, bem como com o Divino mediante a religião. 

As demonstrações do amor nestas três vertentes da cultura helénica, máxime o amor "eros" (que será objecto de análise aqui), comportam torrentes de sentimentos hipertrofiados que nos levam, muitas das vezes, a perder a noção do juízo. Talvez seja por este motivo que exista um consenso generalizado, entre os seres humanos, que o amor é irracional, visto que "o coração tem as suas razões que a mente desconhece", sustentava Pascal na sua formulação conceptual sobre o tema. Que razões indesvendáveis são essas que não são cognoscíveis? Serão, porventura, as de amar e não ser amado? Eis as insondáveis questões que nos interpelam. 

Deixemos agora de lado as concepções dogmáticas e atentemos na realidade prática da alcova do amor, o centro nevrálgico de todas as emoções humanas. Uma das características imprescindíveis e irrenunciáveis do amor é o coração, tal como este simboliza na perfeição aquele. O coração não faz sentido sem o sustentáculo do amor. E o amor não se realiza sem a estreita colaboração do coração. Não há amor sem coração e, muito menos, o coração sem amor. Perder o coração é deixar escapar, irreversivelmente, o amor e vice-versa. São duas realidades visceralmente intrínsecas dentro do Homem, geradoras de sentimentos indescritíveis e indomáveis ao ponto de abalar fortemente com toda a nossa estrutura físico-emocional, deixando-nos sem auto-domínio e à mercê da deriva da paixão (que o diga, por todos, Tristão e Isolda [LER], Romeu e Julieta, Edith Piaf [VER], Jacques Brel [VER] e tantas outras mulheres e homens que foram fortemente "dilacerados" pela loucura do amor). 

Deixemos agora de lado as construções filosóficas e parábolas do amor e atentemos na sua "causa efeito" nos corações dos comuns mortais, mormente a razão última da sua existência. Uma das matrizes e pressupostos valorativos do amor é a partilha. Não uma partilha adulterada, baseada em meros caprichos individualistas, mas sim numa convivência sã, fidedigna, incondicional e perpétua, envolvendo a exequibilidade sentimental que deixa marcas profundamente indeléveis na vida dos amantes. "Despedaçamos" a metade do nosso sensível coração para juntá-lo com um outro coração "partido", que se identifica holisticamente connosco, mediante o acasalamento e a consumação, passando assim a formar apenas um só corpo e um único propósito de vida. Uma completa e deliberada alienação, que transcende a lógica racional. 

É justamente por tudo isto que o amor é uma submissão, inconformismo, tortura, prisão e escravatura consentida por aqueles que realmente amamos. Apesar de toda esta torrente de "erosão sentimental", que o amor acarreta e encerra na vida dos amantes, ele também é indubitavelmente comunhão, protecção, partilha, beleza, doçura, afeição, paixão, satisfação e felicidade. Mistério, portanto, paradoxal.