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O Conservadorismo Caduco


O paradoxo e a manifesta hipocrisia do conservadorismo caduco da sociedade saudita, sobretudo a recusa incompreensível de permitir as mulheres conduzirem em pleno século XXI (AQUI)

Vale a pena ler infra a intrépida denuncia feita pela activista Akram Khoja sobre este assunto. 

«Ora, estamos em 2016, num mundo em que as mulheres, apesar dos obstáculos que a sociedade lhes coloca, têm marcado presença em todos os campos: científico, económico, político, desportivo, da comunicação social. Não entendo porque se arrasta o debate sobre esta questão. Ainda não há muito tempo, os defensores do conservadorismo recusavam dar estudos às raparigas; exactamente os mesmos que, hoje, põem as filhas nas melhores escolas, para assegurarem o seu futuro. Combateram a instalação de antenas parabólicas [acusadas de levar a imoralidade para dentro de casa]; hoje, servem-se dos canais por satélite para transmitir os seus discursos pelo mundo. Advertiram contra os efeitos nocivos dos telemóveis; a maioria usa-os. São as mesmas pessoas que persistem em manter na lista negra [os defensores da permissão de condução às mulheres], usando argumentos religiosos e alegando que isso levará a família saudita à destruição e a sociedade à perda. Segundo eles é uma heresia um homem e uma mulher sem vínculos de casamento ou de família ficarem sozinhos. Isso não os impede de empregar um motorista [frequentemente paquistanês] para levar a esposa ou as filhas à escola, à faculdade, ao emprego, a visitar parentes ou as compras… Quando um estrangeiro me pergunta a razão pela qual no meu país as mulheres não têm o direito de conduzir, não sei que dizer».

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(in Revista Courrier Internacional, Lisboa, p. 36, Edição, Julho 2016, Número 245). 

O Azar de C4 Pedro


Não podia deixar de concordar com Rita Ferro Rodrigues pela sua intrepidez em denunciar veementemente o teor misógino da canção do afamado C4 Pedro que, de forma explicita, incita a violência sexual contra as vulneráveis mulheres (LER). Não acredito que a letra da música tenha o intuito pedagógico de alertar a consciência social para o drama e o risco que milhões de mulheres correm diariamente neste âmbito, tal como poderá induzir à primeira vista uma leitura descuidada. O objectivo subjacente na intenção do artista angolano é mesmo chocar o público e ganhar, com isso, ainda mais notoriedade. Foi, sem margem de dúvida, um acto propositado e ignóbil. 

Já há muitos anos que me desprendi do kizomba. Não faz parte da minha rotina musical, bem como dos meus estilos favoritos. Raramente o ouço. Não sei dança-lo e nem faço questão disso, tendo em conta o seu carácter demasiadamente lascivo. 

A música está associada à poesia, à harmonia e à beleza (LER), razão pela qual espera-se que se revista de conteúdo valorativo para enriquecer a sociedade e não, inversamente, resvalar na vacuidade moral como tem sucedido nos nossos tenebrosos dias. 

C4 Pedro foi extremamente infeliz com a sua machista música – o azar foi dele e não da inofensiva Belita. A única forma que dispõe agora para redimir-se deste escusado imbróglio é pedir, humildemente, desculpa as mulheres pelos danos causados. Ainda vai a tempo de fazê-lo.