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A Igualdade Diferenciada (5)


«No século XXI, temos assistido a muitos movimentos associados à condição feminina e à libertação sexual, descendentes do feminismo clássico e dos movimentos dos direitos civis e da igualdade, iniciados na América dos anos 60. (…) E em Portugal, o cantinho sem história, um juiz acolitado por uma juíza considera que um criminoso socialmente integrado tem todo o direito a violar uma mulher embriagada e desmaiada numa casa de banho, num processo de “sedução mútua”, segundo o repugnante acórdão que a dupla consagrou. Este acórdão, que vem na cauda do da “coutada do macho ibérico”, e inventa o conceito jurídico de “mediana ilicitude”, não é uma anomalia. Neste país marialva onde a violência dos homens sobre as mulheres permanece impune ou é desculpabilizada, até pelas outras mulheres, a sentença reflete um primitivo pensamento dominante. Aqui chegará um dia, atrasada como sempre, a revolução americana». 

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Pensamento da Jornalista Clara Ferreira Alves, in a Revista Expresso (LER).

A Igualdade Diferenciada (4)


«As mulheres marcham simbolicamente contra anos de dominação, violência sexual e silêncio envergonhado e culpado. As mulheres contam tudo. E a primeira sentença judicial de prisão, a do violador Bill Cosby, esse guia moral dos pais na televisão, demonstra que a revolução está apenas a começar. As mulheres deixaram de ter medo. E estão a ser ouvidas. Com todos os exageros e deformações do #Metoo, como os houve no feminismo, estamos a assistir a um dos grandes momentos da história dos direitos civis e da igualdade de direitos. As mulheres estão em marcha, não apenas nas ruas mas na internet, nos media e nas redes sociais. As mulheres deixaram de estar caladas, e é preciso não perceber a coragem que existe em enfrentar o sistema e denunciar publicamente um abuso sexual antigo e silenciado pela moral e a hipocrisia vigentes. Eu saúdo a coragem. Saúdo as mulheres que desafiam o poder do Estado, da Casa Branca e dos republicanos, sofrendo as ameaças de morte, as acusações e as perseguições. A sua vida nunca mais será a mesma». 

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Pensamento da Jornalista Clara Ferreira Alves, in a Revista Expresso (LER)

A Igualdade Diferenciada (3)


«O mundo ainda está organizado como um clube exclusivo de homens onde mandam os homens. É assim há muito tempo. Não existe um Bach mulher. Um Mozart mulher. Um Shakespeare mulher. Um Freud mulher. Um Einstein mulher. (…) Logo na infância, e sobretudo na adolescência, uma mulher é classificada em função do seu grau de atração, do seu corpo, e não da sua cabeça. E logo, em modo darwinista acelerado, a mulher começa a competir com as outras mulheres, meninas, em função da beleza. Não espanta que as adolescentes tenham uma preocupação fundamental com a dieta, a magreza, a aparência e os modos sociais que servem estes atributos e os expandem. A inteligência ou o desempenho intelectual são relegados para segundo plano aos olhos dos outros e, na primeira idade consciente, os olhos dos outros são sempre os dos homens, dos rapazes. A ditadura da aparência começa muito cedo e nunca cessa. E nela está implícita a cedência ao desejo masculino. A mulher tem que agradar ou será uma bruxa».

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Pensamento da Jornalista Clara Ferreira Alves, in a Revista Expresso (LER).

O Dia da Mulher Africana


Hoje é o "Dia da Mulher Africana". Ser mulher, no nosso hostilizado, cruento, machista e injusto mundo, não é uma tarefa nada fácil. Comporta vários obstáculos e riscos em simultâneo. O pior ainda é ser mulher africana. Ela carrega dolorosamente sobre si todas as desgraças mundanais, e com todas as implicações sociais que isto acarreta no seu quotidiano e na sua autodeterminação. Continua ainda arbitrariamente a ser reduzida e votada cegamente à ignorância, à objectificação, ao abuso, à miséria, à prostituição, à violência e à violação, etc. Por isso, num dia como o de hoje, Dia da Mulher Africana, impõe-se uma genuína reflexão a todos os Homens de "boa vontade" no sentido de contribuir resolutamente para uma cabal melhoria da condição humilhante e deplorável em que se encontram a generalidade das nossas marginalizadas mulheres. 

Quero, em suma, através das mulheres guineenses (ALI) e (AQUI), estender os meus profundos votos de um futuro ditoso para todas as nossas valentes mulheres africanas. Bem merecem. 

Advertência de Uma Feminista às Outras Feministas (III)


REVISTA EXPRESSO: As mulheres são hoje demasiado exigentes? 

Camille Paglia: “São, mas mais importante do que isso é que são miseráveis. As mulheres de classe alta com sucesso no trabalho são infelizes. As feministas sabem-no. E culpam os homens de tudo. Dizem que são eles que têm de mudar de comportamento. Acho que as mulheres têm de ser neste momento mais conscientes e pararem de culpar os homens pela sua infelicidade! Olhem para o sistema laboral e alterem o que tem de ser alterado. 

REVISTA EXPRESSO: Está a dizer que as mulheres não praticam tanto sexo com os homens como costumavam fazer? 

Camille PagliaNão é bem isso. É uma questão de tudo ser muito familiar, das regras não se quebrarem, sobretudo nos casamentos burgueses. Há um sentimento de fadiga, não há nada interessante a acontecer ou a permitir que aconteça. Não há o tal mistério. Mas acredito que as mulheres latinas, como as portuguesas, italianas, espanholas e brasileiras têm muito mais criatividade, energia sexual, noção de elegância, sendo ao mesmo tempo grandes empresárias, economistas ou administradoras. Os casamentos de hoje, na América, são aborrecidos sexualmente e o homem corre o perigo de se tornar mais uma criança lá em casa”. 

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(Camille Paglia, in entrevista a Revista Expresso (LER). Conteúdo disponibilizado, por enquanto, apenas para os assinantes do jornal). 

A PALAVRA DO SENHOR (19): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Mulher exemplar não é fácil de encontrar; 
ela vale muito mais que as jóias! 
O seu marido confia inteiramente nela, 
não lhe faltando com nada.
Ela só lhe dá satisfação e nunca desgostos,
todos os dias da sua vida.
Ela procura lã e linho
e trabalha de boa vontade com as suas mãos.
Tal como um navio mercante,
ela traz as suas provisões de muito longe.
Levanta-se antes de romper o dia,
prepara de comer para a família
e distribui as tarefas pelas suas criadas.
Examina um terreno e compra-o
e planta uma vinha com o produto do trabalho.
Põe-se ao trabalho com toda a energia;
os seus braços nunca estão parados.
Vigia bem os seus negócios;
durante a noite, a sua lâmpada mantém-se acesa.
As suas mãos trabalham com a roca de fiar
e os seus dedos, com o fuso.
Estende a mão segura aos infelizes
e é generosa para com os pobres.
Não receia a neve para os seus familiares,
porque todos eles trazem roupa suficiente.
Ela faz as suas próprias mantas
e os tecidos de linho e púrpura com que se veste.
O seu marido é conhecido e considerado na assembleia,
quando toma assento no conselho dos anciãos da terra. 
Ela faz tecidos de linho fino para vender
e fornece cintos aos mercadores.
Reveste-se de força e dignidade
e sorri a pensar no futuro.
Fala sempre com sabedoria
e dá conselhos com bondade.
Vigia tudo o que se passa na sua casa
e não prova o pão da ociosidade.
Os seus filhos levantam-se para a felicitar
e o seu marido, para a elogiar:
«Muitas mulheres foram exemplares,
mas tu és a melhor de todas.»
Encantos são enganos e beleza é ilusão,
mas uma mulher que respeita o Senhor é digna de elogio.
Recompensem-na com o fruto das suas mãos
e louvem-na diante da assembleia pelo seu trabalho.” 

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(Rei Salomão, in A Bíblia Sagrada, Provérbios 31:10-33, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

A Fronteira entre a Prostituição, Violação e Pedofilia na Guiné-Bissau



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(Este último vídeo, a pedido da moderadora Sali Mané Semedo, falei em crioulo).

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Partilho aqui o vídeo do debate que tive ontem com a nossa "Dama de Ferro" Sali Mané Semedo, sob o tema: "Qual é a Fronteira entre a Prostituição, Violação e Pedofilia na Guiné-Bissau?" A fronteira é bastante ténue. Por isso, procurei fazer um enquadramento cultural daquilo que é a mundividência da sociedade guineense sobre as três complexas realidades. 

Na temática da prostituição fiz a destrinça entre a prostituição num conceito lato sensu e o lenocínio/proxenetismo. Na Violação abordei a problemática de "bafa mindjer", os apalpões com que, infelizmente, algumas mulheres se confrontam no espaço público e o assédio sexual (tanto no plano laboral como no plano social), demonstrando que a sociedade não concebe os dois últimos como crimes, isto é, os apalpões e o assédio sexual. Já na questão da Pedofilia, que foi a parte que mais gerou querelas dos intervenientes, falei das implicações jurídicas da idade da maioridade civil, a idade de consentimento sexual e a maioridade sexual, bem como a definição que a sociedade guineense atribui à pedofilia, concluindo que a envolvência sexual com as ditas "catorzinhas" não consubstanciam na nossa sociedade um acto de pedofilia, tal como é entendido na generalidade do mundo Ocidental. Isto porque, a autodeterminação sexual, na sociedade guineense, afere-se com as transformações fisiológicas que os meninos e as meninas vão tendo no seu percurso de vida. Naqueles através do aparecimento de pelos púbicos e alteração da voz. Nestas com o período da menstruação e as mudanças significativas que se vão notando no seu corpo, máxime na protuberância dos seios, etc. São factores que determinam a sexualidade na sociedade guineense (a autodeterminação sexual, bem entendido) e não propriamente uma idade em concreto para qualificar um menino ou uma menina como sendo livre de decidir com quem queira manter uma relação sexual. Partindo deste pressuposto cultural, razão pela qual, nesta fase, o usufruto sexual não é qualificado como sendo crime de pedofilia. 

Obviamente que esta concepção é passível de vários questionamentos, tal como manifestei veemente no vídeo em apreço. Sou, inteiramente, e sem qualquer tipo de reservas, contra esta redutora forma de estar e encarar a vida. No entanto é, infelizmente, a nossa realidade. Por isso, a prática das "catorzinhas" é amplamente tolerada no nosso país. 

Sem entrar mais em prolegómenos, disse mais coisas que poderão ouvir no vídeo e tirar também as vossas ilações. Tenham um bom proveito. Obrigado. 

A Misteriosa Figura da Mulher


«Mistério vivente, por virtude do qual o homem nasce, vive e morre, a mulher não pode ser circunscrita a uma definição. E, no entanto, porque será que tantos filósofos, psicólogos, ensaístas, moralistas, teólogos, e poetas escreveram em todas as épocas sobre a mulher e não sobre o homem? (…) Muito se tem escrito sobre as mulheres e seria difícil dar uma ideia de todos os géneros e publicações de que foram objecto. Os poetas, diz Cérise, exaltaram as qualidades, os moralistas colocaram a nu os defeitos, os publicistas discutiram os direitos, os médicos descreveram as doenças, os fisiologistas mostraram os mais íntimos segredos da sua organização.» 

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(A. Miranda Santos, in Polís, 4º volume de Letra  M a P, p. 467, Lisboa/São Paulo, 1983).

Um Epílogo Sentimental de Quem Muito Sofre I


«Sinto a solidão do meu próprio corpo. Abaixo os olhos para as pernas nuas que estico, para a doçura dos meios seios, para os meus braços que nunca se imobilizam, mas flutuam sem cessar em doces ondulações, e vejo que há doze anos estou lassa, que este peito encerra uma dor inesgotável, que estas mãos foram marcadas pela tristeza e que, quando estou só, estes olhos raramente secam.» 

(Simone de Beauvoir, in “O Segundo Sexo 2” (LER), Quetzal, Lisboa, 2015, p. 485). 

A Narcisista do Segundo Sexo VII


«Estou decidida a criar para mim uma encenação considerável. Vou construir uma residência mais bela que a de Sarah e ateliês maiores…». 

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(Simone de Beauvoir, in “O Segundo Sexo 2” (LER), Quetzal, Lisboa, 2015, p. 479). 

A Narcisista do Segundo Sexo VI


«Amei e amo-a agora… Por isso mesmo pude muitas vezes tranquilizar os amigos que temiam importunar-me por causa do número dos convivas, com esta confissão sincera: não gosto de representar diante de bancos vazios.» 

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(Simone de Beauvoir, in “O Segundo Sexo 2” (LER), Quetzal, Lisboa, 2015, p. 479). 

A Narcisista do Segundo Sexo V


«Da robusta menina que eu era, de membros delicados mas bem-feitos, de faces rosadas, fiquei com este carácter físico mais frágil, mas nebuloso, que fez de mim uma adolescente patética, a despeito da fonte da vida que pode jorrar do meu deserto, da minha fome, das minhas breves e misteriosas mortes tão estranhamente como do rochedo de Moisés. Não me vangloriarei da minha coragem, como teria o direito de fazê-lo. Assimilo-a às minhas forças e possibilidades. Poderia descrevê-la como se diz: tenho olhos verdes, cabelos pretos, mão pequena e forte…». 

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(Simone de Beauvoir, in “O Segundo Sexo 2” (LER), Quetzal, Lisboa, 2015, p. 476). 

A Narcisista do Segundo Sexo IV


«Adorável, acho-me adorável» 

(Simone de Beauvoir, in “O Segundo Sexo 2” (LER), Quetzal, Lisboa, 2015, p. 472).