O Homem é um ser genial, dotado de excelentes virtudes
espirituais, morais, intelectuais, susceptível de realizar extraordinários
prodígios em favor da sua espécie. É a ideia, segundo os reputados Teólogos
Cristãos, de Imago Dei graciosamente
imputado nele aquando da sua impoluta criação no jardim do Éden. Apesar destes
excelsos atributos intrínsecos ao seu substrato, o Homem também é um ser capaz
de praticar as piores barbáries que, muitas das vezes, sobrepujam a lógica da
razão em detrimento da Raça Humana. Por isso, depois de um estudo minucioso, os
Antropólogos e Psicanalistas modernos concluíram de forma peremptória que o
Homem é visceralmente paradoxo no seu arbitrário procedimento.
Partindo do quadro ilustrado, lidar com as pessoas é um
exercício árduo que requer bastante cuidado e prudência a todos os níveis.
Tanto que, por esta razão, já formulava há séculos Marco Túlio Cícero o
brocardo "praestat cautela quam
medela". Por haver vicissitudes comportamentais manifestamente
imprevisíveis na conduta do ser humano torna-se imperativo criar prima facie barreiras de precaução, não
somente para não prejudicarmos ninguém com os legítimos propósitos que
almejamos, mas também para não sermos pisados por meros caprichos dos urubus que
usam os outros como objecto de prazer para satisfazerem os seus insaciáveis
objectivos de vida.
Nos relacionamentos que vamos acumulando, ao longo da
nossa peregrinação terrena, não há margem de dúvida de que nos cruzaremos com
um número infindável de pessoas extraordinariamente cordiais, tal como, da
mesma sorte, encontraremos pessoas desprovidas de Princípios e Valores
ético-morais; pessoas, inclusive, que fazem parte do nosso círculo restrito de
amizade e que às vezes nem damos conta que são autênticas hipócritas,
insensíveis, pretensiosas, individualistas, gananciosas, interesseiras,
materialistas, desonestas, mentirosas, caluniadoras, intriguistas, traidoras,
invejosas, mal-agradecidas, desumanas e tantos outros adjectivos pejorativos
que se lhes podem aplicar na perfeição.
É justamente por tudo isto que "o mundo é um lugar perigoso de se viver", encerrava Albert
Einstein na sua construção dogmática sobre a conduta do ser humano. E o
Filosofo inglês, Thomas Hobbes, na sua
afamada obra Leviatã, vai mesmo ao ponto de considerar que “o homem é o lobo do
homem”, tendo em conta as infindáveis injustiças que abafam e abundam
este tenebroso Universo. De facto por mais experientes, doutos e precavidos que
sejamos, jamais conseguiremos aferir na íntegra quem é realmente um verdadeiro
amigo. E todo o cuidado é pouco nesta busca incessante do âmago das coisas.
Somos praticamente incapazes de prevenir holisticamente as astúcias daqueles
que aparentam ser os nossos achegados, mas que não passam de temíveis
inimigos... dói esta permanente incerteza de desconhecer o que é, em termos
objectivos, cognoscível por todos. Descodificar os profundos enigmas subjacentes
ao ser humano. Saber distinguir correctamente "o trigo do joio”. Divisar, com olhos de lince, pessoas boas e
pessoas más.
Por isso, mergulhando no meu cepticismo antropológico, e
parafraseando o "Jansenista", rendo-me definitivamente à evidência de que
vivemos mesmo num mundo cão! (que expressão tão preconceituosa e anti canídeo,
Térsio Vieira, logo os pobres cães que são, na sua esmagadora maioria,
exemplares no trato e demonstração de afecto e fidelidade para com o seu dono,
não obstante a sua condição amoral para com a sociedade, conseguindo, muitas
das vezes, ser os melhores amigos dos seres humanos do que propriamente alguns
biltres que infortunadamente entram na nossa vida).
É este rol de iniquidades que me leva cada vez mais a perder
o entusiasmo generalizado, que outrora depositava nas pessoas, e cingir-me
unicamente à minha postura Evangélico-Cristã, isto é, estar mais predisposto a
dar o melhor de mim, sem esperar nada em troca; de nunca ficar cansado de praticar
o bem, em todas as circunstâncias da vida, mesmo por aqueles indivíduos ingratos
que não merecem a minha preciosa ajuda; de amar sempre de forma genuína e
incondicional; de contar, a priori,
que o ser humano pode falhar a qualquer momento pelo que não posso depositar
inteiramente a confiança nele. Continuar, acima de tudo, um autêntico Cristão
na forma de estar e encarar os relacionamentos nas suas várias configurações
antropológicas (LER).
Restam, pois, aos puros de coração, os que verão a DEUS,
encarnar inabalavelmente as nobres virtudes humanas e marcar com elas
positivamente a diferença neste "Vale
de Lágrimas", com a beleza do seu carácter interior que poderá influenciar
decisivamente as mentes empedernidas.