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Domingos Simões Pereira: Estará a Repetir-se a Tragédia de Amílcar Cabral?

Hoje é um dia profundamente triste e sombrio para a Guiné-Bissau. A prisão abusiva e manifestamente injusta do Engenheiro Domingos Simões Pereira (DSP) representa, simbolicamente, a prisão de todos os bons filhos da nossa pátria, em particular daqueles que, de forma inabalável, defendem a liberdade, a democracia, a justiça e o primado do Estado de direito (LER)

Domingos Simões Pereira está, paulatinamente, a ser sacrificado no altar da cólera, da inveja, do ódio, da vingança, da iniquidade, do terror, da perversidade e da malignidade daqueles que fizeram da violência e da arbitrariedade instrumentos de exercício do poder na Guiné-Bissau. 

Os mesmos que demonstraram a sua manifesta incompetência governativa, que chegaram ao poder por via golpista e que foram inequivocamente rejeitados pelo povo guineense nas urnas, perante a agenda reformista e progressista defendida por Domingos Simões Pereira, são precisamente aqueles que, recorrendo às armas do medo, da intimidação e do terror, procuram, a todo o custo, eliminá-lo da vida política e, receia-se, até da própria vida. 

Há muito que tenho vindo a denunciar publicamente, à semelhança de outros cidadãos guineenses, a existência de um plano cuidadosamente arquitetado por Umaro Sissoco Embaló e pelos seus aliados golpistas com o propósito deliberado de atentar contra a vida do Engenheiro Domingos Simões Pereira, tal como sucedeu com o Engenheiro Amílcar Lopes Cabral (LER). Esta denúncia encontra-se amplamente documentada em diversas publicações que tenho vindo a divulgar nas redes sociais, encontrando particular expressão no excerto de dois vídeos incorporados na presente publicação: o primeiro gravado no final do ano passado e o segundo no início do presente ano, ambos ilustrativos daquilo que, há muito, venho publicamente denunciando. 

A situação que hoje envolve o Engenheiro Domingos Simões Pereira apresenta evidentes paralelismos com aquela que envolveu o Engenheiro Amílcar Cabral. DSP é um homem humilde, afável, altamente qualificado e detentor de uma vasta experiência política e governativa. É, indiscutivelmente, um dos mais competentes quadros e dos mais prestigiados líderes políticos que a Guiné-Bissau possui, beneficiando de amplo reconhecimento e credibilidade no plano internacional. 

Apesar disso, os seus adversários persistem na construção de narrativas falsas e difamatórias destinadas a destruir a sua imagem pública. Entre essas acusações figuram a alegação de que não gosta dos muçulmanos nem das populações do interior do país, bem como a imputação de práticas de corrupção e da intenção de alienar as riquezas nacionais a interesses estrangeiros. Foi, em larga medida, devido à disseminação sistemática dessas narrativas que Domingos Simões Pereira viu frustradas, por duas vezes, as suas legítimas aspirações ao exercício do poder. 

O Engenheiro Domingos Simões Pereira não é apenas alvo da hostilidade de cidadãos menos esclarecidos, facilmente influenciáveis por boatos e campanhas de desinformação. Também em determinados sectores mais instruídos da sociedade existe uma crescente aversão à sua figura política. Esta verdadeira “Domingos-fobia” resulta, em larga medida, da inveja, do ressentimento e do ódio que frequentemente recaem sobre aqueles que se distinguem pela sua inteligência, competência e visão reformista. 

Infelizmente, uma parte significativa da sociedade guineense tende a olhar com desconfiança para homens e mulheres intelectualmente preparados, portadores de ideais progressistas, dotados de elevado sentido de Estado e genuinamente comprometidos com o desenvolvimento nacional. Quem reúne essas qualidades transforma-se, quase inevitavelmente, num alvo a eliminar política e fisicamente. 

Assim aconteceu com o Engenheiro Amílcar Cabral e, hoje, procura repetir-se o mesmo padrão em relação ao Engenheiro Domingos Simões Pereira, numa tentativa de afastar definitivamente um dos principais defensores da democracia guineense e, desse modo, consolidar um regime de natureza ditatorial na Guiné-Bissau. 

Perante este cenário, impõe-se uma convergência nacional de esforços entre os partidos políticos, as organizações da sociedade civil e todos os homens e mulheres de “boa vontade” que acreditam na liberdade e na democracia. Torna-se imperioso mobilizar todos os meios legítimos e pacíficos ao serviço da justiça, do direito e da legalidade democrática, com o objetivo de exigir a libertação incondicional e imediata do Engenheiro Domingos Simões Pereira, bem como de todos aqueles que se encontram atualmente privados da liberdade de forma arbitrária, ilegal e manifestamente injusta na Guiné-Bissau. 

É imperioso agir com urgência para salvar o nosso país das mãos dos golpistas criminosos, antes que seja demasiado tarde e a Guiné-Bissau seja precipitada para um conflito armado de consequências potencialmente irreversíveis. Impõe-se, em última instância, travar a deriva autoritária que se apoderou do Estado, resgatando-o do jugo opressor daqueles que, pela força e pela arbitrariedade, procuram subverter a ordem democrática. 

A Guiné-Bissau precisa de justiça, de tolerância, de democracia e do respeito pelos direitos humanos. Precisa, acima de tudo, de liberdade, de paz, de unidade nacional e de progresso. É esse o caminho que deve inspirar todos os guineenses comprometidos com a construção de um país mais justo, mais livre e verdadeiramente democrático. Que assim seja. 

O Trágico Acidente do Elevador da Glória em Lisboa

Há três dias que estou a tentar digerir o funesto acidente do Elevador da Glória em Lisboa, reflectindo de forma demorada e profunda na brevidade da vida e na sua fugacidade, sobretudo no sofrimento brutal e incalculável que a morte causa nas famílias enlutadas. Realmente, nunca sabemos o dia em que vamos morrer, não obstante termos a consciência plena que viemos a este mundo para morrer e que, cedo ou tarde, teremos um dia que enfrentar a morte. Todos nós, sem excepção, vamos morrer um dia. É só uma questão de tempo até chegar aquele dia. 

Mesmo assim, apesar desta inequívoca verdade humano-antropológica manifestamente conhecida por todos nós, ninguém idealiza que vai morrer na sua correria do dia-a-dia e, muito menos, num acidente ou de forma prematura. A morte é imprevisível, repentina, surpreendente, implacável, assustadora e trágica. Ela ainda é extremamente maléfica, dolorosa, injusta, impiedosa, horrorosa e diabólica. Com a morte morre com ela todas as capacidades, criatividades, potencialidades, desafios e os legítimos sonhos do ser humano, deixando a dor e o sofrimento no seio dos familiares e amigos daqueles que são vítimas dela. 

O trágico acidente do Elevador da Glória em Lisboa, no passado dia 3 do corrente mês, enquadra-se em tudo aquilo que acabei de salientar: da monstruosidade e impiedade da morte. Um terrível acidente com o histórico e famoso elétrico de Lisboa dizimou, em poucos minutos, vidas de dezasseis pessoas que estavam apenas nos seus afazeres de vida. Um devastador acidente que, de uma só vez, ceifou vidas de dezasseis pessoas. O desolador acidente matou prematuramente inocentes homens e mulheres – que tinham ainda incontáveis e legítimos sonhos de vida que, deste modo, ficaram por realizar. Um fatídico acidente, que ninguém previa, matou cinco portugueses, dois sul-coreanos, um suíço, três britânicos, dois canadianos, um ucraniano, um americano e um francês, deixando mais de duas dezenas internadas no hospital, estando alguns destes internados a correr ainda sérios riscos de vida. 

Lamento do fundo do meu coração toda esta trágica situação. Lamento profundamente a irrecuperável perda de vidas humanas que resultou do maldito acidente. Lamento imenso a condição clínica de todos aqueles que, neste momento, estão internados nos hospitais em consequência do sinistro acidente. Lamento sentidamente a situação de dor e sofrimento de todos aqueles que perderam ente-queridos no acidente e, em consequência, estão em grande pranto e sofrimento. Ninguém merece este destino fatídico. É um destino doloroso com séries implicações directas e colaterais na vida das vítimas e dos seus familiares. Ninguém merece mesmo isso: nem os que infelizmente morreram, nem os que estão hospitalizados, nem os que tiveram ferimentos ligeiros e nem mesmo a nossa cidade de Lisboa. 

Deixo aqui publicamente a minha singela e sentida homenagem a todos aqueles que foram directa e indirectamente vítimas deste mortífero acidente, rogando ao Todo-Poderoso DEUS que possa amparar, consolar, fortalecer e ajudar todos aqueles que perderam infelizmente as suas famílias, bem como curar com o Seu Poder Restaurador os que se encontram ainda hospitalizados e completamente traumatizados com o macabro acidente. Que o Eterno DEUS seja com todos que estão a sofrer com a desoladora situação e a todos abençoe na Sua graça, amor, perdão, consolação e protecção. Que assim seja.