Mostrar mensagens com a etiqueta Morte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Morte. Mostrar todas as mensagens

A Morte de Um Justo

Tomei conhecimento ontem, com muita tristeza no coração, do desaparecimento físico do meu estimado irmão em Cristo, o Pastor José Seleiro Gonçalves. Era um homem devotado e profundamente comprometido com as nobres causas do Reino de DEUS. Procurou servir fielmente o Senhor Jesus Cristo, da melhor forma possível, durante a sua peregrinação neste mundo. Sentia muito orgulho em ser pastor e em ser chamado pastor. 

O Pastor Seleiro Gonçalves amava genuinamente as pessoas e gostava, com humildade, de servir. Relacionava-se com qualquer pessoa que se cruzasse no seu caminho; não era indiferente a ninguém. Tinha um trato fino e sincero, bem patente no seu demorado aperto de mão e/ou abraço. Era um homem afável e completamente desprovido de preconceitos ou de tiques de superioridade. Dava-se bem com qualquer pessoa, independentemente da sua origem, proveniência, estatuto social ou condição de vida. Era, por assim dizer, amigo de toda a gente. Para além de todas estas qualidades distintivas, manifestas na sua vida, o Pastor Seleiro era também um homem de serviço e profundamente comprometido com a Causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. 

Conheci o Pastor José Seleiro Gonçalves através do meu irmão Evaristo Vieira. Ambos eram amigos e colegas no Seminário Teológico Baptista (STB). Não obstante a assinalável diferença de idade entre ele e o meu irmão, nada o impediu de ser um amigo próximo, primeiro do meu irmão e, posteriormente, meu. O meu irmão chamava-lhe carinhosamente “the president of America”, alcunha que ele aceitava de bom grado. 

O Pastor José Seleiro Gonçalves era meu amigo e também amigo da minha família. Era, da mesma forma, amigo de muitos africanos; aliás, não se cansava de vincar constantemente a sua forte ligação a África, através da sua mãe. O Pastor Seleiro esteve depois na Guiné-Bissau e, mais tarde, em Angola, reforçando assim os laços de proximidade com o nosso continente. Sentia os problemas e as dores de África como se fossem seus. Tal como a sua mãe estendia a mão para ajudar os necessitados e os pobres em geral, sem fazer acepção de pessoas, o Pastor Seleiro herdou essas características humano-sociais. Ajudou muitas pessoas, inclusive a mim, sem fazer alarido dessas benfeitorias. 

O Pastor José Seleiro Gonçalves era um homem bom e humilde. Amava a DEUS acima de todas as coisas e demonstrava, pelas suas obras, que era um fiel discípulo do Senhor Jesus Cristo. Deixava-se usar pelo Espírito Santo. Era pastor de ovelhas e, simultaneamente, um fervoroso missionário. Tinha uma noção clara do seu propósito de vida nesta terra, que era glorificar o Senhor Jesus Cristo através do seu testemunho de vida. 

Por isso, estou profundamente triste com o seu desaparecimento físico, não obstante saber que foi promovido à glória. O Pastor José Seleiro Gonçalves, servo bom e fiel, foi chamado à Casa do nosso Pai Celestial. “Bem-aventurados”, dizem as Sagradas Escrituras, “os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham” (Ap 14:13). Que as piedosas obras do Pastor José Seleiro Gonçalves o acompanhem na eternidade, entrando com elas no gozo do nosso Salvador Jesus Cristo (Mt 25:21). Que assim seja. 

O Trágico Acidente do Elevador da Glória em Lisboa

Há três dias que estou a tentar digerir o funesto acidente do Elevador da Glória em Lisboa, reflectindo de forma demorada e profunda na brevidade da vida e na sua fugacidade, sobretudo no sofrimento brutal e incalculável que a morte causa nas famílias enlutadas. Realmente, nunca sabemos o dia em que vamos morrer, não obstante termos a consciência plena que viemos a este mundo para morrer e que, cedo ou tarde, teremos um dia que enfrentar a morte. Todos nós, sem excepção, vamos morrer um dia. É só uma questão de tempo até chegar aquele dia. 

Mesmo assim, apesar desta inequívoca verdade humano-antropológica manifestamente conhecida por todos nós, ninguém idealiza que vai morrer na sua correria do dia-a-dia e, muito menos, num acidente ou de forma prematura. A morte é imprevisível, repentina, surpreendente, implacável, assustadora e trágica. Ela ainda é extremamente maléfica, dolorosa, injusta, impiedosa, horrorosa e diabólica. Com a morte morre com ela todas as capacidades, criatividades, potencialidades, desafios e os legítimos sonhos do ser humano, deixando a dor e o sofrimento no seio dos familiares e amigos daqueles que são vítimas dela. 

O trágico acidente do Elevador da Glória em Lisboa, no passado dia 3 do corrente mês, enquadra-se em tudo aquilo que acabei de salientar: da monstruosidade e impiedade da morte. Um terrível acidente com o histórico e famoso elétrico de Lisboa dizimou, em poucos minutos, vidas de dezasseis pessoas que estavam apenas nos seus afazeres de vida. Um devastador acidente que, de uma só vez, ceifou vidas de dezasseis pessoas. O desolador acidente matou prematuramente inocentes homens e mulheres – que tinham ainda incontáveis e legítimos sonhos de vida que, deste modo, ficaram por realizar. Um fatídico acidente, que ninguém previa, matou cinco portugueses, dois sul-coreanos, um suíço, três britânicos, dois canadianos, um ucraniano, um americano e um francês, deixando mais de duas dezenas internadas no hospital, estando alguns destes internados a correr ainda sérios riscos de vida. 

Lamento do fundo do meu coração toda esta trágica situação. Lamento profundamente a irrecuperável perda de vidas humanas que resultou do maldito acidente. Lamento imenso a condição clínica de todos aqueles que, neste momento, estão internados nos hospitais em consequência do sinistro acidente. Lamento sentidamente a situação de dor e sofrimento de todos aqueles que perderam ente-queridos no acidente e, em consequência, estão em grande pranto e sofrimento. Ninguém merece este destino fatídico. É um destino doloroso com séries implicações directas e colaterais na vida das vítimas e dos seus familiares. Ninguém merece mesmo isso: nem os que infelizmente morreram, nem os que estão hospitalizados, nem os que tiveram ferimentos ligeiros e nem mesmo a nossa cidade de Lisboa. 

Deixo aqui publicamente a minha singela e sentida homenagem a todos aqueles que foram directa e indirectamente vítimas deste mortífero acidente, rogando ao Todo-Poderoso DEUS que possa amparar, consolar, fortalecer e ajudar todos aqueles que perderam infelizmente as suas famílias, bem como curar com o Seu Poder Restaurador os que se encontram ainda hospitalizados e completamente traumatizados com o macabro acidente. Que o Eterno DEUS seja com todos que estão a sofrer com a desoladora situação e a todos abençoe na Sua graça, amor, perdão, consolação e protecção. Que assim seja. 

A Prematura Morte do Meu Querido Tio Duarte Vieira

Nos últimos tempos, mais precisamente de há sete meses para cá, a minha família tem sido fustigada penosamente com situações dramáticas de perdas, sobretudo de pessoas cruciais e determinantes que, até então, eram baluartes da nossa família. Ainda recentemente, no mês de Julho do ano passado, perdemos o nosso querido tio Domingos Vieira – que era chefe da nossa família. Estamos, por enquanto, num processo de luto, a digerir esta importante e irremediável perda (LER). E novamente fomos surpreendidos no dia 25 de Janeiro com a morte prematura do nosso estimado tio Duarte Vieira, que carinhosamente era apelidado pelos familiares e amigos de “Duvi”. 

Em poucos meses, contra todas as previsões e expectativas, perdemos duas pessoas relevantes e imprescindíveis no seio da nossa família: o tio Domingos Vieira e agora o tio Duarte Vieira. Ambos eram os únicos patriarcas que nos restavam ainda na família, sendo irmãos mais novos do meu falecido pai Jorge Vieira. Infelizmente, com a morte dos dois, deixámos definitivamente de ter patriarcas na família, visto que da parte da minha saudosa e falecida mãe, Andjepo Có, já não tínhamos nenhum tio nem tia de vida. Todos, sem excepção, morreram. 

Da mesma sorte, por parte do meu pai Jorge Vieira, dos seis irmãos que tinha, isto é, quatro homens e duas mulheres, morrerem todos, restando apenas a nossa tia Fina Indi (LER). Os mesmos destinos funestos tiveram todos os meus avós – tanto do lado paterno como do lado materno. Por outras palavras, estamos órfãos no mundo e a orfandade tem sido o grande flagelo do nosso desassossego ao longo dos anos. 

A precoce e repentina morte do nosso tio Duarte Vieira (“Duvi”) só veio agravar, ainda mais, de forma drástica e considerável, a nossa condição de orfandade, retirando-nos a fortiori a figura do patriarca na família. Ou seja, por outras palavras, já não temos praticamente “garandis” e “firkidjas” na família – com todas as implicações que tais importantes ausências comportam do ponto de vista humano-social no seio da nossa família. Morreram todos, restando apenas a tia Fina Indi, para grande tristeza nossa. 

O tio Duarte Vieira era o filho caçula (“codé”) dos meus avós paternos. Foi sempre um homem responsável e de família. Desde muito cedo, assumiu proeminentes responsabilidades, principalmente com a morte do meu pai Jorge Vieira e da minha mãe Andjepo Có. Eu, inclusive, depois da morte da minha mãe Andjepo Có, em 1992, fiquei sob os seus cuidados no que toca ao meu sustento, juntamente com o meu irmão mais velho Ginésio Diabelito Vieira (“Ngunga”), durante alguns anos. 

Por isso, estou-lhe eternamente grato pela enorme bênção e cuidado que tem sido na minha vida e dos meus irmãos em geral. O tio Duarte Vieira serviu sempre a nossa família até ao fim da sua momentânea vida, seguindo neste aspecto o exemplo do meu pai Jorge Vieira e dos seus respectivos irmãos e irmãs. Aliás, a coexistência, a coesão, a unidade, a solidariedade e o espírito de entreajuda são os nobres princípios e valores sedimentados no seio da nossa família, fruto da orientação visionária do meu pai Jorge Vieira, que era o mais velho dos irmãos. 

Tanto que, por esta razão, esta unidade e vínculo umbilical teve reflexos bastantes positivos em toda a nossa família, fazendo com que nos relacionássemos todos como irmãos e família. Crescemos todos juntos e recebemos praticamente a mesma educação, uma vez que a nossa casa, as casas dos meus tios e da tia Fina Indi estão localizadas e delimitadas na mesma zona e circunscrição territorial em Bissau, concretamente em Bandim. Somos realmente uma família unida, forte e grande, graças a DEUS (LER)

Por força do destino, o nosso querido tio Duarte Vieira faleceu no passado dia 25 de Janeiro no Ceará, capital da Fortaleza, Brasil, vítima de doença prolongada. Estava neste país lusófono há cinco meses a fazer o tratamento médico, sob os cuidados do seu filho primogénito Crucires Duarte Vieira, depois de ter deixado a sua terra natal, Bissau, no dia16 de Agosto do ano passado. Não conseguiu resistir e sucumbiu à brutalidade da doença. Tinha 63 anos de idade. Era casado e pai de seis filhos, nomeadamente Astrides Vieira da Costa, Crucires Vieira, Heine Vieira, Euler Vieira, Tales Vieira, Elen, e avô de quatro netos. 

O nosso tio Duarte Vieira formou-se na área da Matemática pela Escola Normal Superior “Chico Té” e, posteriormente, também em Gestão Empresarial na Universidade Católica de Bissau, dando aulas na disciplina da Matemática e Estatística – primeiramente no liceu e depois como docente universitário na Universidade Colinas de Boé, em Bissau. Serviu como funcionário público em Bissau por aproximadamente quatro décadas, lecionando sempre Matemática em várias escolas e também na universidade mencionada, formando milhares de homens e mulheres ao longo de todo o seu percurso de vida. 

O corpo do nosso querido tio Duarte Vieira foi transladado para Bissau e foi sepultado esta tarde no cemitério de Antula, em Bissau, seguindo assim o mesmo destino dos seus antepassados, mais concretamente dos meus avós paternos e do meu pai Jorge Vieira, bem como todos os seus respectivos irmãos e irmãs já falecidos. Até sempre, querido tio Duarte Vieira (“Duvi”). 

Vida e Obra do Meu Querido Tio Domingos Vieira


O meu estimado tio, Domingos Vieira, aquando da sua vinda aqui à Europa passar férias em 2018, nomeadamente em Lisboa e em Hamburgo (LER). A foto foi tirada nesta última cidade alemã. 


Falar do meu querido tio Domingos Vieira tem muito que se lhe diga. Era o irmão mais novo do meu saudoso pai Jorge Vieira numa lista de sete irmãos, nomeadamente três homens e quatro mulheres. O meu pai era o primogénito dos meus avós paternos. A nossa família, desde o começo, sempre foi bastante unida e mantém-se intactamente assim até à data presente, não obstante pontuais tensões e querelas que normalmente vão surgindo, como é comumente natural no seio de qualquer família, sobretudo em famílias numerosas como a minha. Esta unidade familiar e coesão deve-se, acima de tudo, à determinação e sentido de responsabilidade do meu pai e, posteriormente, do meu tio Domingos Vieira e os seus irmãos. Tanto que, por esta razão, depois do prematuro falecimento do meu pai Jorge Vieira foi o tio Domingos Vieira quem assumiu, por completo, as rédeas e liderança de toda a nossa família, coadjuvado pela minha tia Fina Indi (LER) e o meu tio Duarte Vieira (Duvi). 

O meu querido tio Domingos Vieira, também que era carinhosamente cognominado por “Baúnhá” nos círculos da nossa etnia papel, que eu particularmente chamava de “pape de Didi” – por ser o pai do meu primo com o mesmo nome – destacava-se pela sua verticalidade, honorabilidade, desprendimento, humildade, cultura e amor incondicional pela família. Assim sendo, depois da morte do meu pai Jorge Vieira, carregou a nossa família sem qualquer tipo de hesitação ou lamúrias, e com todas as implicações que isto teve na sua vida. Foi um homem de família e viveu em torno da família até ao fim dos seus dias. 

O tio Domingos Vieira, desde muito cedo, destacou-se perante tudo e todos. Destacou-se na vida familiar, relacional, social e profissional. Foi um alto funcionário do Ministério dos Recursos Naturais da Guiné-Bissau, desempenhando ininterruptamente o cargo de director financeiro daquela instituição estatal por muitos anos, trabalhando com mais diversificados ministros e secretários de estados até se reformar, apesar de ser um homem apartidário e equidistante do ponto de vista político. Digo isto porque na Guiné-Bissau, infelizmente, tudo é instrumentalizado pela política. É praticamente impossível estar num cargo de topo por muito tempo, sem ter filiação partidária ou sujeitar-se a determinadas artimanhas de subjugação e rasterice à moda guineense. O meu tio era antítese de todo este servilismo decadente e falta de carácter. Mesmo assim, recebia a confiança dos seus superiores hierárquicos, tendo em conta a sua postura pacifista, diligente, competente, agregadora e incorruptível. 

O meu tio Domingos Vieira lidava com bastante dinheiro, mas nunca foi suspeito ou acusado de desviar algum fundo do Ministério dos Recursos Naturais da Guiné-Bissau. Sempre teve carros por causa da função que exercia e nunca os usou para fins que não fosse profissionais. Não era esbanjador. Não fazia paródia. Nunca andou na imoralidade ou envolveu-se com mulheres, tal como é costume por homens que têm algum estatuto social no nosso país.  Fazia os pagamentos no ministério e devolvia o dinheiro que sobrava. Víamos reiteradamente este nobre exemplo com ele. Esta atitude não é de somenos para quem conhece muito bem a imoral e corrupta realidade da Guiné-Bissau que é bastante permeável a desvios de dinheiro público para fins pessoais, branqueamento de capitais e de enriquecimento ilícito, sem quaisquer responsabilidades jurídico-penais para os infractores. Procurou viver na descrição e simplicidade. Era um homem inatacável e com grandes virtudes. Viveu pelo trabalho e com aquilo que ganhava de forma honesta. Viveu uma vida de abnegado servidor público e do próximo em geral, especialmente da família que ele tanto amava. 

Domingos Vieira, o meu tio, era mais do que um tio. Era como um pai para nós e para todos os meus primos do lado paterno. Encarregou-se da minha educação e formação, juntamente com os meus irmãos, depois da morte prematura do nosso pai Jorge Vieira, bem como dos meus primos e da parentela que estão na nossa casa que ele era chefe (família alargada, bem entendido). Foi um homem altamente educado e apostou seriamente na educação ao longo de toda a sua vida. Foi o caminho que ele nos demonstrou e nos ensinou pelo seu próprio exemplo de vida. Não poupava em nada que tenha a ver com a educação e formação. Fazia avultados investimentos na nossa educação. A começar, desde logo, pelos próprios filhos, sobrinhos e demais elementos familiares que estavam sob a sua inteira dependência. Sustentava muita gente e formou muitas pessoas – por causa do seu sentido apurado a nível da educação e entrega incondicional à família. 

A marca indelével que a minha família é manifestamente conhecida no nosso bairro Bandim II, em Bissau, é o primado da escola, formação, intelectualidade e qualificação. Tal proeza deve-se primeiramente ao meu pai Jorge Vieira, que foi precursor destes nobres valores humo-sociais e este legado foi continuado, com maior alcance, pelo nosso tio Domingos Vieira. Graças à visão inovadora destes dois grandes homens, a nossa família está repleta de homens e mulheres altamente formados e qualificados em várias áreas profissionais. 

O nosso tio Domingos Vieira, apesar de apostar na educação e intelectualidade, cedo se apercebeu dos riscos e perigos do falso saber e da descaracterização da política na Guiné-Bissau. E, justamente, por isso, nunca estimulou nenhum de nós a entrar na política partidária ou fazer política activa, apesar de, modéstia à parte, sermos objectivamente homens e mulheres altamente preparados naquilo que é o padrão comum da Guiné-Bissau. Quem, no entanto, posteriormente, entrou na política foi por sua livre iniciativa e opção pessoal. Ele reiteradamente advertia-nos “pa tira boca na política” e não se iludir com a leveza do luxo e o materialismo decadente do nosso país. Dizia-nos também que a nossa família é pobre e nós também éramos “fidjos di coitadi”, razão pela qual devíamos procurar viver como filhos realmente de pessoas humildes, renunciando ao vício da ostentação, corrupção, materialismo, prepotência, elitismo, futilidade e vaidades da vida. Felizmente, estes elevados princípios e valores estão bastantes impregnados e presentes na nossa família, sobretudo na forma como nós encaramos e respondemos aos desafios da vida. 

Com o tio Domingos Vieira aprendemos inúmeras coisas. Inúmeras coisas que fazem de nós portadores de elevadíssimos princípios e valores. Ele tinha a premissa que os estudos, o trabalho digno, o carácter são inevitáveis caminhos para sermos homens e mulheres bem-sucedidos na sociedade. Por isso, não poupava os esforços e investimentos na educação e formação de carácter para nos habilitar com estas imprescindíveis ferramentas humano-sociais. Além destes manifestos valores que ele evidenciava, também o tio Domingos Vieira era um homem de paz e não votado aos confrontos e conflitos. Sempre procurou, na medida do possível, evitar dos problemas. Era um homem que não estava metido em problemas, visto que a vida dele era apenas trabalho e casa. E em casa mitigava qualquer tipo de possíveis ímpetos que possam degenerar-se para a confrontação e conflitos entre os familiares e terceiros. Era pacifista, agregador e de família.  Tentou incutir estes postulados entre os filhos e para toda a nossa família. E assim foi. 

Tenho muitas dívidas com o tio Domingos Vieira. Foi o mentor da minha educação. Acompanhou, desde a primeira hora, todo o meu processo de formação. Estou-lhe eternamente grato por todo o investimento que fez na minha vida. Agradeço ao meu Todo-Poderoso DEUS por permitir ao tio Domingos Vieira ser instrumento de bênçãos na minha vida. Era bastante ligado à família e a nossa família era-lhe também muito ligado. 

A última vez que estive com o meu tio Domingos Vieira foi aquando da sua vinda para a Europa passar férias, junto dos filhos e netos, em 2018, durante aproximadamente dois meses. Primeiro em Lisboa na casa do seu primogénito filho Gervásio Domingos Vieira (Djoi) e, de seguida, em Hamburgo, Alemanha, na casa da filha Narcisa Domingos Vieira (Nacy) (LER)  e, inversamente, em Lisboa. Depois de um tempo de confraternização, despedimo-nos com dois calorosos abraços de familiaridade na promessa de nos encontrarmos ainda num futuro breve. Disse-me em crioulo: “fica diritu bó” e eu respondi-lhe: “fassi bom biás. Manda nha mantenhas pá titia Fina Indi, tio Duarte i pá tudu djintis lá na casa. Pá DEUS abençoa-bós tudu”. E assim, partamo-nos nostalgicamente um do outro e, ao mesmo tempo, continuando unidos pelo mesmo cordão umbilical de sempre (LER)

O tio Domingos Vieira, para grande surpresa e enorme tristeza nossa, morreu repentinamente na passada quarta-feira, dia 17, em Bissau, e foi sepultado esta tarde no cemitério de Antula, em Bissau. Tinha 75 anos de idade. Era pai de quatro filhos, nomeadamente os meus primos Gervásio Domingos Vieira (Djoi - LER), Narcisa Domingos Vieira (Nacy), Euclides Domingos Vieira (Didi - LER), Duília Domingos Vieira (Dú) e avô de catorze netos. Deixou definitivamente este mundo com o dever cumprido, tal como aconteceu com os meus avós, pai, tios e tias. No entanto, o seu legado de vida vai continuar permanentemente vivo nos nossos corações e transmitido pelos nossos filhos e gerações vindouras da família Vieira. Muito obrigado por tudo o que fez por mim e pela nossa família em geral, tio Domingos Vieira! Louvado seja eternamente o nosso Todo-Poderoso DEUS!   

Os Últimos Momentos de Vida do Senhor Jesus Cristo


Partilho aqui este excerto do estudo que dei num passado recente na minha Igreja sobre a crucificação e morte do Senhor Jesus Cristo. O Filho de DEUS foi rejeitado pelo mundo, preso, humilhado, açoitado e morto na Cruz do Calvário, mas ao terceiro dia ressuscitou dos mortos apresentando-Se com provas irrefutáveis, rompendo assim todas as barreiras de inimizades que outrora existiam entre DEUS e os seres humanos. Sem a morte do Senhor Jesus Cristo não teríamos a reconciliação com DEUS e, muito menos, a salvação. Graças a morte e ressurreição gloriosa do Senhor Jesus Cristo que passamos a ser chamados filhos de DEUS.

O Meu Coração Está Com o Sofrido Povo Palestiniano

Eu, Térsio Vieira, e mais duas crianças palestinianas na cidade de Hebrom, Cisjordânia, em Março de 2013.       


É com o coração dilacerado que tenho estado a acompanhar os bombardeamentos indiscriminados na Faixa de Gaza pelas tropas israelitas, vitimando milhares dos inocentes, sob pretexto de “eliminar” completamente os terroristas do Hamas. O mal não se combate praticando um outro mal. O mal combate-se com o bem. 

É verdade que nada justificava os atentados macabros do Hamas perpetuado no dia 07 de Outubro do ano passado no território israelita, que ceifou vidas de inúmeros inofensivos judeus e de outras nacionalidades (LER). É verdade que este acto ignóbil, bárbaro e deliberado do Hamas configura um flagrante desrespeito pela vida humana (LER). É verdade ainda que Israel, à luz do Direito Internacional, tinha todo o direito de se defender por legítima defesa pelo traiçoeiro e sanguinário ataque que sofreu por parte dos terroristas do Hamas (LER)

No entanto, esta legítima defesa não pode esvaziar o Direito Internacional Humanitário contemplado na Convenção de Genebra e, muito menos, a legitima defesa ser manifestamente desproporcional com a agressão sofrida. A verdade é que, desde início da invasão da Faixa de Gaza, as autoridades israelitas não têm respeitado estes postulados axiológicos da Carta das Nações Unidas, optando por via de confrontação da Comunidade Internacional, não obstante os reiterados apelos e pressões constantes dos países para que Israel protegesse os civis palestinianos, sobretudo que cessasse o conflito armado, e negociasse a libertação dos seus reféns que estão ainda nas mãos dos terroristas do Hamas. 

Da mesma forma que não hesitei em condenar o hediondo acto do Hamas para com Israel, também não deixarei de condenar a mortandade promovida pelas autoridades israelitas nos territórios palestinianos. Estão a matar, de forma indiscriminada e sem piedade, os palestinianos. Não podemos fechar os olhos com as chocantes imagens que nos chegam todos os dias da Faixa de Gaza. Estão a morrer civis inocentes que não mereciam morrer. A começar, desde logo, por bebés, doentes, mulheres, idosos, mulheres e homens. São seres humanos como nós, independentemente das suas origens e crenças. É imprescindível, com carácter de urgência, terminar com este desumano derramamento de sangue, libertar os reféns israelitas e negociar a paz para o bem-estar de todos. Todo o povo palestiniano não pode ser esmagado pela barbaridade do Hamas. É uma questão de bom senso e da razoabilidade, ou melhor, é uma questão do humanismo e humanidade. 

Sou, tal como oportunamente manifestei aqui publicamente, um convicto sionista (LER). Rejeito qualquer tipo de antissemitismo. Julgo que Israel merece ser protegido contra os hostis países do Médio Oriente que, a todo o custo, querem a sua aniquilação total. Há um ódio declarado dos países circunvizinhos para com Israel o que, em circunstância nenhuma, não posso subscrever. Agora, uma coisa é ser pró-Israel. Outra coisa, e bem diferente, é apoiar cegamente Israel, mesmo quando não está certo. Sim, sou defensor acérrimo de Israel, mas muito mais defensor da Verdade, pois só a Verdade libertar-nos-á, já dizia o Senhor Jesus Cristo (Jo 8:32). E a única e exequível verdade neste momento é a de Israel cessar a guerra e negociar um cordo de paz, com vista a formação do estado palestiniano.  Sou apologista da existência do estado palestiniano, sobretudo no que toca à sua coexistência pacífica com o estado hebreu, sem este contudo abdicar da parte dos territórios que actualmente ocupa, especialmente na cidade de Jerusalém. 

Visitei Israel e Palestina alguns anos atrás onde constatei in loco as tremendas rivalidades existentes e existenciais entre ambos, mormente o manifesto ódio que os dois povos nutrem um pelo outro (LER). Marcou-me profundamente a mundividência e idiossincrasias tanto dos judeus como dos palestinianos (LER). Estes estão completamente desprovidos dos elementos básicos de sobrevivência, vivendo num limiar da pobreza aviltante que não deixa qualquer pessoa indiferente. Foi neste contexto humilde que conheci pessoas fantásticas que abençoaram a minha vida e das pessoas que estavam comigo na viagem. Lembro-me, particularmente, da família Cristã Abu Sa'id que foi muito acolhedor, cordial e simpático connosco durante a nossa estadia na Cisjordânia. 

Há ainda, tal como a família Abu Sa'id, milhares de Cristãos palestinianos que estão neste momento a sofrer com efeitos colaterais e nefastos da guerra na Faixa de Gaza. O meu coração está com o sofrido povo palestiniano em geral, especialmente com estes nossos irmãos na fé Cristã que certamente alguns já perderam a vida e outros os seus ente-queridos. Que o nosso Todo-Poderoso DEUS console as almas destas pessoas e renove as suas esperanças unicamente Nele, principalmente que faça terminar a guerra e restaure definitivamente a paz para o bem-estar dos dois povos vizinhos. Que assim seja. 

Já Não Temos Mais o Hugo Connosco


O meu grandíssimo amigo e irmão em Cristo Hugo Alexandre Pereira Mendes morreu no passado dia 28 de Dezembro (LER). Morreu de forma súbita contra qualquer tipo de previsão clínica ou sinal convergente nesse sentido. Morreu para grande tristeza nossa que gostávamos imenso dele. O Hugo não resistiu à surpreendente e maldita doença que lhe ceifou a vida. Ele estava praticamente bem, na medida do possível, aos nossos olhos, e de repente morreu. Morreu de forma inesperada e apressada, deixando-nos completamente consternados com a sua prematura morte. Foi tudo surpreendente, rápido, inacreditável e definitivo. Não há mais outra volta a dar: o grande Hugo Mendes realmente morreu. 

O Hugo foi primeiramente amigo do meu irmão mais velho, o Evaristo Vieira. Ouvia falar tanto do Hugo em Bissau, através do Evaristo, sem conhecê-lo pessoalmente. Depois, com a minha vinda para Lisboa, acabou por ser também meu amigo e amigo dos meus amigos mais próximos. Fazia parte do meu círculo restrito de amizade e dos mais destacados amigos que tinha. O Hugo era mais do que um amigo. Era, sim, um verdadeiro irmão em Cristo. O Hugo foi grande amigo do Evaristo. Também foi meu grandíssimo amigo. Mais, o Hugo não ficou somente nestas dimensões. O Hugo foi também amigo dos meus irmãos, da minha família e da parcela dos meus bons e restritos amigos. Foi o Hugo que acompanhou o Evaristo para me buscar ao aeroporto, aquando da minha vinda para Lisboa estudar, bem como posteriormente as minhas cunhadas e os meus sobrinhos. 

O Hugo foi bastante importante e determinante na minha integração na Igreja Evangélica Baptista da Amadora (não só a mim como também alguns estrangeiros que se filiaram na nossa igreja). Estava sempre comigo para tudo o que é lado: nos convívios, nos aniversários, na minha casa, nos almoços ou a jantar fora. Quando eu estava doente, nos casos que inspirava cuidados redobrados, em que não conseguia deslocar-me sozinho, era sempre o Hugo que me acompanhava para o hospital. Se precisasse de dinheiro emprestado era sempre ao Hugo que pedia emprestado e dava-me sempre sem reclamar ou cobrar. O Hugo era uma pessoa de confiança em quem eu inteiramente confiava. Falávamos sobre as várias coisas. Era um irmão presente – tanto nos maus como nos bons momentos. Estava sempre disponível para ajudar quem fosse. Não tinha qualquer tipo de tiques de preconceito, arrogância, polémica ou vaidade do mundo. Era uma pessoa bastante humilde, prestativa, agregadora, apaziguadora, altruísta, solidária e amorosa. Dava-se bem com tudo e todos à sua volta. Fazia ponte entre as pessoas, sobretudo de sensibilidades diferentes. O Hugo era simultaneamente amigo dos portugueses, dos africanos, dos brasileiros e de todos aqueles que cruzavam o seu caminho. Não fazia acepções de pessoas e, muito menos, contribuía para discriminar ou desqualificar quem fosse. Tratava todo o mundo por igual e com amor Cristão, que a Palavra de DEUS nos insta a fazer, independentemente da condição da pessoa em questão ou do seu merecimento. 

O Hugo Mendes, a par de todas estas qualidades e virtudes, era também uma pessoa de bastante fé e inteiramente comprometido com a Causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Tinha um conceito bem apurado de Missões e Evangelização. Tanto que, por esta razão, esteve algum tempo na cidade de Chaves a fazer Missões a tempo integral, encarnando assim na íntegra o pepel do "Missionário Itinerante". Depois continuou a servir como professor da Escola Bíblica Dominical (EBD), na nossa igreja, ao longo de mais de duas décadas. Foi, em tempos, um dos líderes da Juventude da nossa Igreja. Actualmente, era professor da Escola Bíblica Dominical (EBD) e membro da Comissão de Exame de Contas. Nunca recusou servir. Correspondia sempre com o pedido para fazer parte dos ministérios da Igreja, não obstante ter motivos suficientes para não assumir nenhumas responsabilidades na Igreja. O Hugo era realmente uma pessoa de fé incrível e devotada a DEUS, insisto. Viveu a fé no Senhor Jesus Cristo até ao fim da sua brevíssima vida. Estava sempre presente na Igreja e permanentemente ligado à Igreja. Não faltava à Escola Bíblica Dominical e aos cultos em geral. O seu testemunho foi crucial na conversão do seu irmão Bruno Mendes e, posteriormente, dos seus pais – irmão Florêncio Mendes e a irmã Joana Mendes. 

O Hugo sempre foi orgulhosamente da nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora. Quando comecei a congregar também na referida Igreja, o Hugo já servia diligentemente ao Senhor Jesus Cristo. Serviu sem pausas ou intervalos. Serviu sem questionamentos ou lamúrias. Serviu de forma intensa e abnegada. Serviu ininterruptamente até ao fim da sua vida. Esteve connosco no último culto dominical, e também no culto de Natal das 11 horas, antes de morrer. Nas conversas que mantivemos, no fim da Escola Bíblica Dominical (EBD) e do culto, tal como era sempre costume, convidou-me para ir passar o Natal com eles. Contou-me que ele e a família iriam passar a consoada em Campo de Ourique, em Lisboa, no entanto, no dia 25, estariam em casa e podia estar perfeitamente com eles na celebração. Disse-lhe que, por outras razões, não me seria conveniente, agradecendo-lhe na mesma pelo honroso convite. 

Já no culto do dia de Natal perguntei-lhe como é que tinha corrido a ceia do dia anterior, brincando com ele se “esteve ou não à altura do grande desafio” da noite, isto é, se comeu muito ou não. Disse-me que não comeu assim grande coisa. E achei estranho o facto de ele não comer tanto, ainda por cima no Natal, uma vez que o Hugo gostava de comer bem. No dia anterior tinha-me confessado que estava a ter agora algumas precauções nas coisas que comia – por causa de recomendação médica, etc. Concordei com ele e encorajei-o ainda a adoptar mesmo uma postura de austeridade com a alimentação, evitando alimentos que não são benéficos à saúde. E ele, por sua vez, como sempre, concordou plenamente comigo neste sentido. Perguntei-lhe ainda a que horas saíram de Campo de Ourique para casa. Respondeu-me que só chegaram a casa por voltas das 6 e tal da manhã. Às 11h00, ele e os pais, já estavam novamente na Igreja para assistirem ao culto natalício. Dei-lhe os parabéns pelo facto de praticamente fazerem “directa” para estarem presentes no culto do dia de Natal que, por vicissitudes várias e supervenientes, muitos Cristãos não dão a devida importância. Convergimos no mesmo parecer sobre a importância cimeira do culto no dia 25 de Dezembro e falámos ainda sobre as demais coisas e, desta forma, despedimo-nos um do outro com votos de um feliz Natal – na certeza de que nos encontraríamos nos próximos dias que se avizinhavam. Mal sabíamos que era o nosso último encontro. Trocámos ainda mensagem pelo whatsapp na quarta-feira e na quinta-feira de manhã recebi a inesperada mensagem de que o Hugo morreu. É isso mesmo: o Hugo realmente morreu contra todas as previsões e expectativas. Já não está mais connosco no mundo dos vivos. Não está e jamais estará connosco neste sofrido e pecaminoso mundo, mas estará sempre nos nossos corações e lembrá-lo-emos pela sua maravilhosa passagem nesta vida. Cedo ou tarde, encontrá-lo-emos no céu e juntos estaremos a adorar o nosso Altíssimo DEUS, o dono da vida, para toda a eternidade. Amém. 

O Hugo morreu a servir ao nosso Todo-poderoso DEUS. Morreu estando sempre na Casa do Senhor e, concomitantemente, a servir. Sentia-se bem em estar na Igreja. A Igreja era tudo para ele. É na Igreja que o Hugo mais se movimentava desde quando abraçou a fé Cristã. A morte prematura do Hugo vem nos lembrar, mais uma vez, que a vida é precária, limitada e passageira. Passa tão rápido que nos ultrapassa. Hoje estamos aqui e amanhã já não estamos. Por isso, devemos investir naquilo que realmente importa. Investir os nossos dons e talentos na Causa do Reino de DEUS. Investir nas pessoas através dos valores do humanismo e humanidade. Investir na vida do compromisso, entrega, serviço, santidade e santificação. Investir, acima de tudo, no nosso relacionamento com o Senhor Jesus Cristo, a Sua amada Igreja e com o próximo à nossa volta. O nosso estimado amigo e irmão Hugo Mendes correspondeu a estas expectativas espirituais durante a sua curta peregrinação aqui na Terra, dando o testemunho poderoso do Senhor Jesus Cristo na sua vida. Apesar de, cada vez mais, se acentuarem as suas limitações físicas e debilidades a nível de saúde, o Hugo nunca se resignou a prosseguir em frente com fé e alegria no coração. Não andava murmurado, carrancudo, mal-humorado, revoltado com a sua condição e, tão pouco, questionava DEUS pelas provações que estava a enfrentar. Sempre estava bem-disposto, humorado, satisfeito, alegre, feliz e grato a DEUS pela vida que vivia. Aceitava de bom grado a vontade de DEUS na sua vida e encarava tudo o que lhe acontecia como um desafio e processo de aperfeiçoamento espiritual. Nas longas conversas que tínhamos inúmeras vezes, vislumbrei nele sempre bastante fé e esperança em DEUS. O Hugo, tal como o Apóstolo Paulo, combateu o bom combate, acabou a carreira, guardou a fé. (2 Tm 4:7), razão pela qual voltou muito cedo para a Casa do Pai, o nosso DEUS, e de todos aqueles que abraça(r)am a fé no Senhor Jesus Cristo como único Salvador das suas vidas. O Hugo Mendes já ouviu as promovidas palavras de glória ditas pelo nosso Senhor Jesus Cristo: “muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25:21). 

Em suma, temos somente de agradecer profundamente a DEUS pelo facto de dar-nos a grata oportunidade de cruzar o caminho do Hugo Mendes, convivendo com ele e sermos sobremaneira abençoados por ele. Fomos todos abençoados pelo seu belo e rico testemunho de vida. Por isso, temos de agradecer a soberania de DEUS sobre a vida do nosso estimado irmão Hugo Mendes e reafirmar com fé e esperança a salvífica verdade bíblica sobre o quão “preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Sl 116:15). E assim, desta forma, reconhecer humildemente que “o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21). Amém. 

A Impiedade do Ser Humano


É com o coração dilacerado que tenho estado a acompanhar a barbárie que chega de Israel através dos media. A carnificina promovida pelo grupo terrorista Hamas, contra os inofensivos civis judeus, ultrapassa todos os limites do bom senso e da razoabilidade. Ultrapassa os valores do humanismo e da humanidade. Não há razão, por mais que seja manifesta, que possa legitimar matar indiscriminadamente civis, inclusive pessoas inocentes. Instaurar um clima de terror nunca é solução plausível para resolver os problemas de fundo, antes pelo contrário, contribui ainda mais para agravar o diferendo e radicalizar as posições. A guerra só traz o desgosto, o sofrimento e a matança. 

Lamento profundamente este derramamento de sangue deliberado promovido pelo Hamas contra a nação israelita e o seu território Israel. Lamento, igualmente, de forma profunda, pelas pessoas que perderam a vida de ambos os lados do conflito e, seguramente, vão continuar a morrer inocentes nas próximas horas, dias, semanas e meses. Oro para que o Todo-Poderoso DEUS possa derramar a paz nos corações dos homens e mulheres que têm um papel importante e determinante neste conflito, com vista a minimizar os efeitos devastadores que uma guerra sempre comporta. Estou completamente solidário com o povo judeu. 

Um Ano de Barbárie Russa na Ucrânia


Faz hoje um ano que a Rússia invadiu militarmente a Ucrânia, deixando um rasto de mortandade assustadora e destruição incalculáveis. Um ano de propagação de falsas narrativas pró-Kremlin, de bombardeamentos indiscriminados e de reiteradas execuções sumárias por parte do implacável regime russo. Um ano onde impera desumanamente o ódio, o abuso, o terror e a carnificina. A Rússia escolheu o pior caminho de todos – a guerra. A guerra que vai dizimando todos os dias vidas de inúmeros inocentes, fazendo com que os filhos ficassem órfãos dos seus pais e estes perdessem os seus filhos. Há milhares de famílias completamente desfeitas e destruídas por perderam injustamente os seus entes queridos numa guerra sangrenta e sem qualquer tipo de sentido. 

A Rússia é o responsável número um pela tragédia humana que se vive na Ucrânia, sobretudo por todas as perdas registadas até à data presente. Foi a Rússia que arbitrariamente invadiu um país soberano, contrariando todas as disposições internacionais, especialmente a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional (LER). Foi a Rússia que despoticamente anexou territórios ucranianos, seguindo a mesma bitola maquiavélica que outrora empregou com a anexação ilegal da Crimeia em 2014. É a Rússia que diariamente bombardeia as cidades ucranianas à vista de todo o mundo, matando indiscriminadamente crianças, idosos, mulheres, homens e destruindo as infraestruturas importantes da Ucrânia. É ainda a Rússia no seu revisionismo histórico que tenta, a todo o custo, pela via da força armada, delimitar as novas fronteiras europeias (vede o caos que instalou na Geórgia e na Moldávia). É a mesma Rússia que está a cometer os hediondos crimes contra a Humanidade na Ucrânia perante os olhos impotentes de toda a Comunidade Internacional. 

Custa tanto assim interiorizar estas manifestas verdades e reconhecê-las na prática? Custa tanto assim admitir que há um país violado na sua soberania e que está a lutar unicamente pela sua sobrevivência? Custa assim tanto aceitar que a culpa de toda esta tragédia que se vive na Ucrânia deve-se exclusivamente ao regime de Putin? Custa assim tanto reconhecer que não há geopolítica ou geoestratégia que possam legitimar uma guerra armada? Custa assim tanto concluir que a guerra nunca deve ser solução para a resolução dos problemas? Custa assim tanto saber dissociar a invasão russa da Ucrânia de outras guerras injustas? Haja no mínimo bom senso e razoabilidade. Haja senso de justiça e de verdade. Haja, acima de tudo, humanismo e humanidade. 

É verdade que vivemos num mundo de trevas e com o aparente triunfo do mal sobre o bem. Um mundo onde impera desgraçadamente toda a sorte de violação, violência, injustiças e guerras. Aqueles que, a priori, triunfam nesta selva são os mais poderosos (LER). É verdade também que a mentira sempre quer ofuscar a verdade, tal como a realidade prática tem-nos indubitavelmente provado por inúmeras vezes. E a invasão russa na Ucrânia não é excepção a esta grande regra do apuramento, tendo em conta os falatórios tautológicos, descabidos e inúteis veiculados ao longo deste período para desresponsabilizar a Rússia da sua flagrante culpabilidade na guerra sangrenta que se trava na Ucrânia. No entanto, tenho a plena certeza que a mentira nunca triunfará sobre a verdade. A verdade sempre prevalecerá acima de qualquer tipo de mentira, falsidade, injustiça, guerra ou mortandade. Cedo ou tarde a verdade prevalecerá. 

Desde o primeiro dia que a Rússia invadiu a Ucrânia que estou solidariamente com a causa ucraniana. Estou a apoiar a Ucrânia contra o jugo opressor russo. Fi-lo por uma questão meramente de bom senso, de justiça social e de verdade. Isto porque acredito piamente nos valores da liberdade, da tolerância, da democracia, da autodeterminação e da paz. Não pactuo com a mentira, o abuso, a guerra e o derramamento de sangue (LER). Apoiar a causa ucraniana é distanciar-se completamente de tais malignidades e abraçar os elevados princípios e valores humano-sociais contra o despeito da autocracia, da ganância do poder, do terror e da guerra.  

A dor da Ucrânia é também a nossa dor. É a dor de todos aqueles que procuram viver em paz, tranquilidade e solidariedade. É a dor, acima de tudo, da Humanidade.  

A Precariedade da Vida Humana


A vida é precária em todas as suas dimensões humano-antropológicas. Tão precária que ela é que hoje estamos aqui e amanhã já não estamos. Estamos sempre a correr sérios riscos de vida a todos os níveis. Riscos que acautelamos e riscos que não conseguimos acautelar. Riscos previsíveis e riscos imprevisíveis. E, por fim, riscos visíveis e riscos invisíveis. Somos seres condicionados, vulneráveis, limitados, transitórios, mortais e finitos. A nossa vida é extremamente curta e passageira. Passa tão rápido que nos ultrapassa completamente. 

Por isso, somos meros peregrinos e forasteiros neste maldito mundo em que abundam desgraçadamente a miséria, a traição, a decepção, o ódio, a vingança, a guerra, a dor, o sofrimento e a morte. Viemos a este mundo para morrer, infelizmente (LER)Esta é a nossa pior tragédia. A tragédia das tragédias que herdámos do pecado original de Adão Eva. A nossa existência é manifestamente insignificante perante o tamanho desafio da morte que nos espera a todos, razão pela qual não nos serve de nada encarnar a soberba, a maldade e toda a sorte de desumanidade no nosso substrato identitário. É contraproducente incorporar tais malévolos vícios, tendo em conta a fugacidade da vida e a nossa finitude. O certo, e mais sensato e proveitoso, é reconhecermos a nossa inutilidade e cultivar diariamente a virtude do amor, tolerância, perdão, solidariedade e reconciliação com DEUS e com o próximo à nossa volta, preparando assim, da melhor forma possível, a nossa passagem para o além. 

A vida é realmente curta, madrasta e efémera. Tanto que, por esta razão, os autores sagrados convergiam unanimemente em adjectivar a vida de “sopro”, “neblina” e “sombra passageira”, confirmando deste modo a sua transitoriedade e finitude. O rei David, no seu famoso Salmo, considerava que “o homem é como um suspiro; a sua vida passa como uma sombra” (Sl 144:3). O servo Tiago questionava os seus leitores em tom exortativo, demonstrando-lhes a insignificância da natureza humana e a fragilidade da vida: “que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece” (Tg 4:14). Na mesma esteira do pensamento, o sábio Salomão escrevia que “nem do sábio nem do ignorante ficará recordação que dure para sempre. Com o passar dos tempos, tudo se esquece. Tanto morre o sábio como o ignorante. (…). Sim, tudo é ilusão. É correr atrás do vento!” (Ec 2:16-17). 

Não obstante esta grande verdade exposta, que todos nós conhecemos e sabemos, doem-me imensamente o coração das perdas de vidas que vamos reiteradamente assistindo e ouvindo. Perdas vindas de perto e de longe. Perdas repentinas dos nossos familiares, amigos, colegas, conhecidos, desconhecidos e semelhantes nossos. Perdas que acontecem por causas naturais e acidentais, bem como perdas precipitadas pelas acções deliberadas do Homem. Perdas, sobretudo, provocadas pelas hediondas guerras que matam milhões de pessoas em todo o mundo e deixam rastos de destruição funestas e incalculáveis. 

Entristece-me profundamente a alma todas essas sistémicas e sistemáticas catástrofes, tragédias e desgraças sem fim à vista, a que vamos impotentemente presenciando, de perto e de longe, através das notícias que nos vão chegando. Tudo isto reforça ainda, cada vez mais, a minha descrença completa no ser humano e no mundo em geral. A minha inabalável fé e esperança estão unicamente firmados no Todo-Poderoso DEUS e no Seu Unigénito Filho Jesus Cristo, o meu eterno e Senhor e Salvador. 

A vida, em suma, é demasiado passageira e nós não somos absolutamente nada sem DEUS. Eis a grande e inequívoca verdade soteriológica, que precisamos interiorizar na nossa árdua e instantânea peregrinação neste “Vale de Lágrimas”, que tem impreterivelmente os dias contados pela mortalidade no curso do tempo.

A Morte do Papa Bento XVI e o Seu Legado Religioso


Partilho aqui o vídeo que gravei hoje no final da tarde sobre “A Morte do Papa Bento XVI e o Seu Legado Religioso”. Tenha um bom proveito na sua visualização e auscultação. 

Desumanização da Eutanásia


Partilho aqui, mais uma vez, o vídeo que gravei no ano passado intitulado “A Desumanização da Eutanásia”. A legalização da eutanásia, tal como oportunamente escrevi (LER), é uma das piores aberrações comportamentais contemporâneas. Uma autêntica abominação em todas as suas dimensões humano-antropológicas. É um acto monstruoso e inqualificável. A eutanásia é a provocação deliberada da morte antes do seu tempo natural. É matar literalmente, sob o pretexto de “boa morte” ou “morte suave”. Também configura um insulto à razão conotar a eutanásia como um ato de compaixão e de respeito pela liberdade dos outros. A eutanásia é claramente incompatível com o personalismo ético e quaisquer valores axiológicos da Dignidade da Pessoa Humana e do Direito à Vida (VER)

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (1): O Suicídio à Luz da Palavra de DEUS (1Rs 19:1-18)


Nunca foi tão premente reflectir sobre a saúde mental dos Cristãos como nos dias de hoje. Nunca foi tão oportuno redimensionar a teologia e as pregações bíblicas sobre esta calamidade público-social que afecta, cada vez mais, de forma drástica e funesta, milhões de pessoas em todo o mundo. A doença mental é um dos grandes cancros do nosso mundo pós-moderno, penetrando com bastante alcance nos círculos Cristãos. Por isso, a Igreja do Senhor Jesus Cristo não pode, em circunstância alguma, ignorá-la como se ela não existisse, tal como tem feito. 

Há muitos Cristãos que sofrem cronicamente com os problemas de ansiedade, depressão e tantos outros distúrbios cognitivos, ficando consideravelmente prejudicados a nível do seu crescimento espiritual, por causa da ausência completa do ensino bíblico nas igrejas e falta de apoio sobre a saúde mental. Muitos crentes, por vicissitudes várias e supervenientes, acabam por sofrer sozinhos, escondendo inclusive a doença da Igreja e terceiros, tendo em conta o estigma elevado e o preconceito generalizado de que a doença mental é objecto no meio Cristão. 

A temática sobre os distúrbios e doenças mentais não é propriamente consensual entre os Cristãos. Há uma grande querela doutrinária em saber se um genuíno filho de DEUS pode ser passível de contrair doenças mentais incapacitantes, levando-o, como consequência de tais patologias, em última instância, a suicidar-se. Não é o meu objectivo aqui destacar as várias posições em torno deste polémico assunto. No entanto, sou da inteira opinião que um autêntico Cristão pode sim sofrer de doença do foro mental, não obstante reconhecer concomitantemente que a generalidade das doenças mentais é de procedência maligna. Por outras palavras, não tenho nenhuma hesitação em afirmar peremptoriamente que as doenças do foro mental são o meio mais apelativo para o Diabo infiltrar-se na vida das pessoas e, consequentemente, destruí-las. O exemplo manifesto disso é a loucura do suicídio. 

Julgo, em suma, que nenhum Cristão “nascido de novo” pode atentar contra a sua própria vida ao ponto de pôr termo a ela, independentemente da situação de aflição que possa estar a viver no seu quotidiano. A presença do Espírito Santo na vida dos filhos de DEUS é um travão poderosíssimo para que estes não ponham termo à própria vida, não obstante poderem legitimamente, em determinados casos das suas vidas, querer morrer. Uma coisa é querer legitimamente morrer. Outra coisa, e bem diferente, é pôr termo à própria vida. São realidades completamente distintas uma da outra. Nenhum ser humano ou Cristão tem a prerrogativa para conspirar contra a própria vida. É esta grande e inequívoca verdade bíblica que enfatizei nesta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD). 

Que DEUS nos abençoe e nos livre de todo e qualquer tipo de doenças. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no Senhor Jesus Cristo. 

A Efemeridade da Vida e a Morte da Rainha Isabel II


Atribui-se ao monge agostiniano Tomás de Kempis a autoria da célebre frase latina “sic transit gloria mundi”, que numa tradução aberta significa “toda glória do mundo é passageira” ou “o quão rapidamente passa a glória do mundo”. Os filósofos antigos interligavam simultaneamente a noção da glória, poder e prazer como sendo corolário axiológico da suma felicidade do Homem e do seu triunfo final nesta vida, sobretudo no pensamento utilitarista de Jeremy Bentham, John Stuart Mill. Tomás Hobbes vai ao ponto mesmo de considerar que somente o soberano detém realmente o poder – seja ele um homem ou uma assembleia de homens –, razão pela qual deve exercê-lo de forma coerciva e absoluta. 

Sabemos, no entanto, pela experiência prática, que o poder é limitado. A glória do mundo e seus prazeres são efémeros. A vida um dia terminará com a funesta morte. Os moralistas Cristãos nas suas visões deterministas sobre a natureza da vida obser(va)vam que se o homem se apercebesse com prematura sabedoria do facto de a vida terminar numa radical inutilização e de todo o poder e riqueza acumulada em vida não poupar ninguém da decadência e da morte, veria o absurdo do esforço e a natureza pírrica de todo o triunfo – e cairia, por isso, na contemplação e na indolência, contente, resignado com a pobreza resultante da sua sábia improdutividade. 

Consciente a priori desta manifesta e inequívoca verdade antropológica, o rei Salomão qualificava peremptoriamente o poder humano e toda a glória do mundo de “vaidade de vaidades! Tudo é vaidade e aflição do espírito”, concluindo que “nem do sábio nem do ignorante ficará recordação que dure para sempre. Com o passar dos tempos, tudo se esquece. Tanto morre o sábio como o ignorante (…) o destino dos humanos e o dos animais é o mesmo; tanto morrem uns como os outros; o sopro da vida é o mesmo para todos. O homem não tem melhor sorte do que o animal: é tudo uma ilusão” (Eclesiastes 1:2; 2:16; 26; 3:19). 

A vida é vulnerável, frágil e fugaz. Tanto que, por esta razão, os autores sagrados convergiam em apelidar a vida de “sopro”, “neblina” e “sombra passageira”, confirmando assim a sua transitoriedade e finitude. O rei David, no seu famoso salmo, considerava que “o homem é como um suspiro; a sua vida passa como uma sombra” (Salmo 144:3). O servo Tiago questionava os seus leitores em tom exortativo: “que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece” (Tiago 4:14). Por isso, somos reiteradamente advertidos a deixarem “de confiar no homem! Ele não é mais que um sopro. Que valor tem ele, então?” (Isaías 2:22). 

A morte é uma garantia certa na vida de todos os seres humanos. Viver é sinonimo de morrer. Temos todos que morrer um dia, infelizmente (Génesis 3:1-24). É um facto assente e consumado. Cada um de nós terá de acertar contas com esta inexorável dizimadora de vidas. Por isso, desde os velhos até aos mais novos, sem excepção, a morte colocará todos debaixo do seu domínio. Seremos todos consumidos por ela. Teremos que confrontar-nos com este fatídico destino das nossas vidas de múltiplas formas. Cada um à sua sorte. Uns mais cedo que os outros. Queiramos ou não. Somos destinados a morrer um dia – voltar novamente ao pó da terra de onde outrora proviemos (Génesis 2:7; 3:19). Somente a graça redentora de DEUS, através do sacrifício expiatório do Seu Filho Unigénito Jesus Cristo, poderá conferir-nos a vitória definitiva sobre a morte. 

Ontem à tarde a rainha Isabel II morreu para a surpresa de praticamente todo o mundo, visto que na terça-feira estava aparentemente bem na investidura da nova Primeira-Ministra do Reino Unido e com sorriso rasgado, tal como do costume. A querida, "consensual", famosa, influente e poderosa “rainha das rainhas” sucumbiu perante a morte. Não conseguiu resistir a tragedia da morte.  A matriarca da família real britânica morreu. “A Rainha morreu tranquilamente em Balmoral, esta tarde”, referia o curto comunicado oficial do Palácio de Buckingham. A rainha Isabel II morreu para ser julgado pelo seu legado político e pela História universal. É mesmo fim de um longo ciclo político. Era um desfecho previsível. Assim passa a glória do mundo. A vida e a glória do mundo são realmente passageiras... 

O Valor Sagrado da Vida Humana


A vida humana é sagrada em todas as suas dimensões. É o bem mais precioso de que dispomos. Não há nada que se lhe possa igualar neste mundo ou substituir. Ela é imanente e concomitantemente transcendente. Esta inequívoca verdade recebeu primeiramente um amplo acolhimento no pensamento Judaico-cristão, acabando posteriormente por influenciar decisivamente a Magna Carta inglesa do século XIII, a Revolução Francesa e todas as outras civilizações mundiais. Um valor sagrado que é intrinsecamente indissociável da dignidade, da liberdade, da segurança e da auto-determinação. A todos os seres humanos, sem excepção, são garantidos os Direitos Fundamentais e a protecção de viverem livremente, sem qualquer tipo de coação. Aliás, este também é o entendimento abraçado na disposição da Declaração Universal dos Direitos Humanos e na generalidade das constituições contemporâneas. Este valor sagrado da vida é incompatível com o atentado contra ela e discriminações negativas, independentemente das condições biológico-naturais de cada cidadão no seu círculo de convivência ou estatuto social. 

A partir da concepção, período em que começa a vida, e até à morte, todos devem beneficiar do direito de viverem seguros e serem protegidos pela sociedade e pelo Estado em particular. A começar pelos nascituros, as crianças, os idosos, as mulheres, os homens, os doutos e indoutos, pessoas sãs e portadoras de deficiências, capacitadas e incapacitadas. Não podemos selectivamente, em circunstância alguma, beneficiar uns em detrimento dos outros. Todas estas pessoas têm direito à vida, à dignidade, à segurança, à protecção e ao usufruto pleno de Direitos, Liberdades e Garantias. Estes postulados axiológicos entram manifestamente em contradição com a legalização do aborto e da eutanásia. 

Por isso, a legalização da eutanásia é uma das piores aberrações comportamentais contemporâneas. Uma inqualificável abominação em todas as suas dimensões antropológicas. É um acto monstruoso e inqualificável. A eutanásia é a provocação deliberada da morte antes do seu tempo natural. É matar literalmente, sob o pretexto de “boa morte” ou “morte suave”. Configura um insulto à razão conotar a eutanásia como um acto de compaixão e de respeito pela liberdade dos outros. A prática da eutanásia não tem nada a ver com as virtudes do humanismo, da compaixão pelos doentes terminais, do respeito ao próximo e da autonomia privada. Antes, pelo contrário, ela é completamente o oposto de tais virtudes humanas. Logo, não obstante tantos eufemismos que são usados para legitimá-la perante a sociedade, ela é claramente incompatível com o personalismo ético e quaisquer valores axiológicos da dignidade da pessoa humana. 

O direito à vida no ordenamento jurídico português colide flagrantemente com a liberdade e autonomia privada. Constata-se, desde logo, a consagração expressa na Constituição da República do princípio basilar de que a vida humana é inviolável, tal como a sua integridade física e moral (art.º 24.º, n. º1 e 25.º n. º1 da CRP). O direito à vida é o mais importante dos Direitos Fundamentais constitucionalmente consagrados. Daí que o legislador constituinte tenha deixado bem claro que ele não comporta qualquer excepção. O direito à vida, como sustenta um ilustre Jurisconsulto da nossa praça, “não é um direito de pessoa sobre ela mesma: se assim fosse, se cada individuo detivesse um direito sobre si próprio, consequentemente legitimaria o suicídio. Se o direito à vida não é um direito subjectivo então também se deve entender que não há um “direito à morte”, mas apenas o direito de recusar o prolongamento artificial da vida. Assim, juridicamente, face à Constituição da República Portuguesa, não existe um direito à eutanásia activa, através do qual alguém possa exigir de outrem que lhe provoque a morte para acabar com o seu sofrimento”. O respeito da vida dos outros, mesmo no caso de padecerem de doença incurável, não legitima o “homicida por piedade”. Apesar de a relação do Direito ser o domínio da vontade livre, no que diz respeito à vida, não há nem pode haver um domínio da vontade livre. O direito à vida – ao contrário, por exemplo, do direito de propriedade – exige que o próprio titular do direito o respeite, porque mesmo ele não dispõe de uma vontade juridicamente soberana. 

Não obstante estas manifestas verdades patentes na letra e no espírito do artigo 24.º, n. º1 e 25.º n. º1 da CRP, respectivamente, o Tribunal Constitucional, no seu Acórdão n.º 123/2021 que declarou inconstitucional a primeira lei da eutanásia, não se opõe objectivamente ao direito à eutanásia em si mesmo. Apenas considerou “que o direito a viver não pode transfigurar-se num dever de viver em quaisquer circunstâncias”. Sustentaram ainda os juízes do Palácio Ratton que “a conceção de pessoa própria de uma sociedade democrática, laica e plural dos pontos de vista ético, moral e filosófico, que é aquela que a Constituição da República Portuguesa acolhe, legitima que a tensão entre o dever de proteção da vida e o respeito da autonomia pessoal em situações-limite de sofrimento possa ser resolvida por via de opções político-legislativas feitas pelos representantes do povo democraticamente eleitos como a da antecipação da morte medicamente assistida a pedido da própria pessoa”. Assim sendo, concluíram que “a antecipação da morte medicamente assistida a pedido da vítima é admissível”, contando que as condições para a sua concretização sejam “claras, precisas, antecipáveis e controláveis”

Este entendimento do Tribunal Constitucional, a nosso ver, é influenciado sobretudo por um fortíssimo lobby radicalmente liberal que, cada vez mais, tenta a todo o custo impor-nos um modelo subversivo de sociedade. A “ditadura do relativismo”, em que estamos infelizmente mergulhados, sob a falsa capa da modernidade, não valoriza a vida humana na sua verdadeira acepção, apesar de passar inutilmente a ideia de se preocupar com ela. É um relativismo que nada reconhece como absoluto e que deixa como última medida apenas o próprio eu, as suas vontades e libertinagens, pondo mesmo em causa o valor sagrado da vida humana, tal como no caso concreto da legalização da eutanásia – que é uma autêntica legitimação da cultura da morte. 

Todos os indivíduos, ainda que muito doentes ou em estado terminal, não deixam de ser humanos nem a sua vida deixa de merecer o máximo de respeito e protecção. O bem jurídico da vida caracteriza-se, acima de tudo, pela sua peculiar inviolabilidade, razão pela qual a legalização da eutanásia é manifestamente contrária aos postulados axiológicos do humanismo e do direito à vida. 

A Geopolítica de Sangue da Rússia de Putin


Qualquer ser humano que prime genuinamente pelo valor sagrado da vida humana não pode ficar indiferente às tremendas chacinas que a Rússia está a cometer neste momento na Ucrânia e, muito menos, hesitar em condenar firmemente o tal despotismo e posicionar-se ao lado do bombardeado povo ucraniano. Não há nenhuma geopolítica ou geoestratégia que possa servir de pretexto para legitimar uma hedionda guerra e consequentemente validar a cultura da morte dos inocentes. A guerra é a pior faceta que o ser humano herdou do pecado original de Adão e Eva. Ela é exclusivamente do Diabo e de todos aqueles que são da perdição eterna. É a manifestação visível do poder destruidor das trevas e o triunfo momentâneo da maldade no mundo. A guerra é a perfeita personificação dos filhos do Diabo na sua actuação com os terceiros. Por isso, é claramente oposta à razão, à paz, à vida, ao humanismo e à humanidade. 

Confesso que fico completamente estupefacto e triste quando vejo determinadas pessoas a procurarem esgrimir argumentos falaciosos, tautológicos e inúteis para justificar o injustificável, isto é, consentir com o massacre da Rússia de Putin na Ucrânia, apontando falsamente a culpa da guerra aos Estados Unidos de América (EUA), NATO, União Europeia (UE). E pergunto: onde ficam então nesta história todos os inocentes e indefesos que todos os dias estão a morrer à nossa vista de forma injusta? Há, porventura, alguma desconfiança ou provocação que possa legitimar uma guerra armada? Será que a geopolítica ou geoestratégia é mais importante do que a vida humana? 

Toda esta fatídica realidade só reforça a decadência ético-moral em que a Humanidade vive há bastante tempo, convergindo cada vez mais para a sua completa ruína e autodestruição. Estamos mesmo a caminhar, paulatinamente, em várias frentes, para os dias do fim: fim do amor, fim da verdade, fim da paz, fim da sobrevivência, fim da humanidade e o fim do mundo. 

O Preço da Traição e a Via Dolorosa do Senhor Jesus Cristo Para o Calvário

 

Partilho aqui, mais uma vez, uma breve reflexão intitulada “O Preço da Traição e a Via Dolorosa do Senhor Jesus Cristo Para o Calvário”. Nele procurei centralizar a minha abordagem na postura gananciosa, traidora e repugnante de Judas Iscariotes, bem como na forma confiante como o Senhor Jesus enfrentou o Seu destino traçado por Todo-Poderoso DEUS, superando todas as barreiras, oposições, conspirações, injustiças, humilhações e inclusive a morte. O ímpio Judas desperdiçou a oportunidade especial de confessar o seu pecado ao Senhor Jesus, a Luz do Mundo, durante a Ceia. Judas, escrevia o autor sagrado a seu respeito, “assim que comeu o pedaço de pão, saiu apressadamente. E era noite” e perdeu-se definitivamente na noite, autodestruindo-se posteriormente (João 13:30; Mateus 27:5). O preço da traição é a perdição eterna.

Os traidores, à semelhança de Judas, não são filhos de DEUS. Por isso, não herdarão a promessa da vida eterna. Podem de forma camuflada autointitularem-se inutilmente de discípulos do Senhor Jesus e Cristãos, sobretudo estarem na Igreja e terem posições de relevo nela, mesmo assim jamais farão parte dos eleitos santos de DEUS, caso não se convertam genuinamente e, deste modo, coadunarem a sua vida aos impolutos ensinos do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. 

O Abominável Acto da Legalização da Eutanásia

 

Partilho aqui, mais uma vez, o vídeo que gravei esta noite intitulado “O Abominável Acto da Legalização da Eutanásia”. A legalização da eutanásia, tal como oportunamente escrevi, é uma das piores aberrações comportamentais contemporâneas. Uma autêntica abominação em todas as suas dimensões humano-antropológicas. É um acto monstruoso e inqualificável. A eutanásia é a provocação deliberada da morte antes do seu tempo natural. É matar literalmente, sob o pretexto de “boa morte” ou “morte suave”. Também configura um insulto à razão conotar a eutanásia como um ato de compaixão e de respeito pela liberdade dos outros. A eutanásia é claramente incompatível com o personalismo ético e quaisquer valores axiológicos da Dignidade da Pessoa Humana e do Direito à Vida (LER)

Até Um Dia, Estimado Irmão Domingues


A vida é precária e efémera. Passa tão rápido que transcende a nossa lógica e compreensão humana. Nunca conseguiremos viver plenamente, tendo em conta os achaques e sobressaltos da madrasta vida que, em última instância, sentenciam-nos à morte. A morte é uma coisa assustadora, implacável e horrível. Acontece que, por imperativo das leis naturais resultantes do pecado original de Adão e Eva, temos todos que morrer um dia (Génesis 3:1-24). É um facto consumado. Cada um de nós terá que acertar contas com esta inexorável dizimadora de vidas. Desde os velhos até aos mais novos, sem excepção, colocará todos debaixo do seu domínio. Seremos todos consumidos por ela (LER). Mas para os autênticos Cristãos, que esperam ansiosamente a promessa da ressurreição, a morte não configura qualquer tipo de perigo, apavoramento e/ou fatalidade. A nossa vida – tanto neste mundo como no outro – está bem segura nas potentes mãos do Omnipresente JEOVÁ e “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:38-39). Por isso, para nós Cristãos, o viver é Cristo e o morrer é ganho (Filipenses 1:21). 

Vem todo este introito a propósito do desaparecimento físico hoje do estimado irmão Carlos Alberto Domingues. Fiquei bastante surpreendido com tal notícia. Tomei conhecimento do seu internamento no culto vespertino da minha Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, no passado domingo, onde estivemos inclusive a orar pela sua rápida recuperação. Ainda ontem, por voltas das 18 horas, tive a grata oportunidade de falar  telefonicamente com ele para inteirar-me melhor do seu estado de saúde. Ele, por sua vez, de forma lúcida e sorridente, como de costume, garantiu-me que estava bem e pronto para receber alta. Acontece que, por algumas alterações supervenientes, só teria alta na segunda-feira. Respondi-lhe que o essencial era a sua saúde e o facto de estar bastante melhor. Ele, por sua vez, concordou redundantemente comigo no seu peculiar estilo. Perguntou-me depois como é que eu estava, os meus irmãos e a Igreja. Disse-lhe que estávamos todos bem. Antes de terminarmos a conversa, prometi-lhe que ia continuar a orar por ele, desejando-lhe boa sorte. E ele retorquiu-me com um obrigado. E assim acabámos a conversa. 

Não imaginava que estava a ter a última conversa com o meu mais velho irmão na Fé. Tanto que, por esta razão, duas horas depois dessa conversa, por ficar completamente satisfeito com o seu positivo estado clínico, publiquei a foto que tirámos na Igreja para enaltecer a nossa longa amizade (LER). Já hoje, por volta da hora do almoço, dei conta surpreendidamente que o irmão Domingues tinha acabado de falecer há momentos. 

Guardo boas recordações do irmão Domingues, sobretudo pelo cuidado especial que tem tido para comigo na efectivação da minha integração na nossa Igreja e edificantes conversas teológicas e políticas que temos tido ao longo dos anos. Um irmão que conseguiu devotamente combater o bom combate da fé (2 Timóteo 4:7-8), honrando o Senhor Jesus no seu congruente testemunho de vida durante a sua peregrinação neste descrente e corrupto mundo. Resta, pois, ao irmão Domingues ouvir do Senhor Jesus as galardoadas palavras: “muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:21). 

A toda a família enlutada, especialmente à irmã Rita Domingues e seus filhos, as minhas sentidas condolências. Que o nosso Eterno e Todo-poderoso DEUS vos abençoe e vos ajude a superar esta ausência do irmão Domingues. Que a Graça e Paz do SENHOR Jesus esteja com todos vós.