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Luanda Leaks e a Imemorial Sabedoria da Transitoriedade do Poder


Tenho acompanhado de perto as estrondosas denúncias contidas no caso “Luanda Leaks”. Confesso que não fiquei minimamente espantado ou surpreendido com tais lamentáveis revelações, tal como julgo ser com a generalidade da opinião pública angolana e internacional. Há tantos anos que a cleptocrata família dos Santos é julgada e condenada no Tribunal Popular de ser viciadamente nepotista, mafiosa, corrupta e sanguinária. Todo o mundo sabe perfeitamente que a milionária fortuna acumulada por Isabel dos Santos, os seus irmãos, a sua família e os seus correligionários do partido MPLA resulta da expropriação indevida da riqueza do povo angolano, tendo em conta o despotismo governativo implantado há décadas pelo “arquitecto da paz” José Eduardo dos Santos. E este caso Luanda Leaks” só veio confirmar aquilo que a maioria das pessoas já sabia, infelizmente. 

Por isso, esta extraordinária história de humilhação pública  da família dos Santos, especialmente de José Eduardo dos Santos, no “Luanda Leaks”, vem, mais uma vez, lembrar como a fatalidade é uma experiência de que se podem tirar lições únicas, tanto sobre a fragilidade da vida e as contingências que a atravessam, como sobre os paradoxos do destino e os desígnios que os selam. Mas ela permite – independentemente da evolução judicial do caso – tirar algumas conclusões mais, isto é, o poder e a glória são indubitavelmente passageiros (LER)Sic transit gloria mundi, formulava inspiradamente há séculos Tomás de Kempis nas suas construções dogmáticas. De facto, sem dúvida, toda a glória do mundanal é transitória. 

Eng. José Eduardo dos Santos, O “Arquitecto da Paz” (7)


«É necessário continuar a cultivar no espírito das novas gerações a ideia de que um cidadão, que é naturalmente portador de direitos e deveres constitucionalmente consagrados, deve valer por aquilo que ele é e não apenas por aquilo que do ponto de vista material possui ou ostenta. E assim, a nossa preocupação maior deve centrar-se cada vez mais no resgate e aperfeiçoamento dos valores morais e no desenvolvimento das suas qualidades pessoais e das aptidões profissionais.» (LER)

Eng. José Eduardo dos Santos, O “Arquitecto da Paz” (6)


«“Não haverá desenvolvimento real nem modernização do país sem famílias estruturadas e saudáveis, capazes de favorecer o florescimento das novas gerações”. Nenhum esforço é demasiado para resgatar a dignidade e a integridade moral e espiritual das nossas famílias.» (LER)

Eng. José Eduardo dos Santos, O “Arquitecto da Paz” (5)


«Encara-se assim a educação física e o desporto, de um modo geral, como sendo fundamental para a formação do homem, para a manutenção da sua saúde e para promover a qualidade de vida dos cidadãos e que, por isso, deve ser ministrado e acompanhado por profissionais devidamente formados em motricidade humana. Encara-se também o desporto como um meio privilegiado de socialização da criança, do adolescente e do jovem, completando assim o papel da Escola para valorizar o convívio, a confraternização, a amizade e assimilação das normas da boa educação e o respeito ao próximo. O desporto pode ser igualmente uma via para a reintegração social de crianças e jovens sem amparo e orientação familiar. A componente moral, educativa e cívica não pode ser descurada durante a formação do jovem atleta, destacando-se dentre outros, valores como o entusiasmo, a cooperação, a lealdade, o espírito de equipa, o auto-controlo, a iniciativa, a habilidade, a firmeza de carácter, a atitude positiva e construtiva e a auto-confiança. Em suma, todos devem compreender que as vitórias na vida, tal como no desporto, só se obtêm através do trabalho árduo, do inconformismo permanente e da paciência e perseverança.» (LER)

Eng. José Eduardo dos Santos, O “Arquitecto da Paz” (4)


«Durante mais de quatro décadas conhecemos de forma quase ininterrupta as agruras e malefícios da guerra, que geraram no nosso país mortes, miséria, fome, luto, dor, destruição, inimizades, etc. Um cortejo de horrores difíceis de ser recordados e que ninguém mais quer voltar a experimentar. Só nos últimos trinta anos de guerra tivemos cerca de um milhão de mortos, duzentos mil mutilados e estropiados, mais de cinquenta mil crianças órfãs, cerca de quatro milhões e meio de deslocados e mais de seiscentos mil refugiados. Para além disso tivemos para cima de dois milhões de minas e outros engenhos explosivos implantados em território nacional e vinte mil milhões de dólares de prejuízos materiais em infra-estruturas como estradas, pontes, aeroportos, barragens, linhas de transporte de energia eléctrica e de caminho-de-ferro, etc. A isto podemos juntar dez mil milhões de dólares de prejuízos em equipamentos sociais, tais como hospitais, centros médicos, escolas, institutos, pavilhões desportivos, locais de culto religioso, etc. A conclusão que podemos tirar de todos estes horrores só pode ser uma: a guerra é uma verdadeira calamidade, cuja apologia constitui uma autêntica desumanidade. (…) As questões de natureza interna, e mesmo as que possam eventualmente ocorrer a nível internacional, não devem ser dirimidas por via da confrontação violenta, mas sim através da concertação e negociação permanentes, até se chegar a um acordo que dê resposta às aspirações de todas as partes envolvidas, mas que ao mesmo tempo se conforme com os superiores interesses nacionais, tais como a soberania, a unidade e integridade da nação e o respeito pela dignidade humana.» (LER)

Os Deveres de Ofício


Consigo compreender perfeitamente toda a celeuma criada em torno do indecoro do Primeiro-ministro António Costa na sua chegada ontem a Luanda, Angola (LER). Não esteve bem, infelizmente. Ficou bastante aquém daquilo que deveria ser a sua irrepreensível postura do homem de estado. A república de Angola não merecia, de todo, este irreflectido desdém por parte da terceira figura de Portugal. Na política, tal como se costuma dizer, o que parece é. O facto de António Costa se apresentar de maneira informal e desleixada, usando calças de ganga e mocassins à chegada a Angola, demonstra manifestamente a forma como Portugal olha ainda com alguma sobrançaria para as suas ex colónias. 

Obviamente, neste ponto, é irrelevante invocar "o princípio da subjectividade" que assisti a qualquer ser humano, sobretudo no que toca aos seus gostos indumentários, uma vez que o senhor Primeiro-ministro António Costa não estava num evento de foro particular e tão pouco efectuar uma visitinha qualquer ou encontro de café. Estava a representar Portugal num país irmão. Impunha-se-lhe, por isso, "o dever de ofício" para corresponder com todas as formalidades protocolares inerentes a essas visitas, tendo em conta a posição de relevo que ocupa. Não levar em conta essas observações consubstancia inequivocamente a falta de respeito e consideração para com o país terceiro – a república de Angola. E como alguns pertinentemente questionaram, e bem, se fosse numa visita a um país europeu o senhor Primeiro-ministro ter-se-ia apresentação desta forma desleixada? Isso é maneira de vestir numa visita de Estado? Que sentido de Estado é este? 

Pode parecer, à primeira vista, insignificante esta inobservância do senhor Primeiro-ministro António Costa. No entanto, ela diz tudo da forma como Portugal olha para Angola, insistimos. Na minha Escola, a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, a título de exemplo, os alunos apresentam-se normalmente para os exames orais – tanto de passagem como de melhoria da nota – a rigor, isto é, de forma formal, especialmente quando vão comparecer perante os Excelentíssimos Professores Catedráticos. Espera-se sempre, por parte dos alunos, uma boa apresentação, que se coadune com o nobre curso dos "obreiros da justiça". É um costume enraizado ao longo dos anos. E, neste ponto, a "doutrina" não diverge. Ela é praticamente unânime. Também, nesta óptica, à luz dos costumes e convenções internacionais, é unânime a ideia de respeito pelos outros estados. Acontece que, de forma inconsciente, o senhor Primeiro-ministro António Costa cometeu uma desnecessária gaffe protocolar. 

Não é uma questão de gosto de determinadas peças de roupas que está aqui em causa e, tão pouco, a liberdade individual ou de escolha. É muito mais que isso. Tem a ver com o cargo que se ocupa e a maneira de estar e de se apresentar. É verdade que Angola é um país que está ainda à procura da sua identidade democrática, fazendo com que tenha sido palco de corrupção de várias naturezas e tremendas violações de Direitos Humanos, mesmo assim é um país soberano que merecia mais respeito de Portugal. E não este tratamento menosprezível, que se vai desdobrando em inúmeras prepotências que em nada contribuí para consolidar as tensas relações político-diplomáticas bilaterais entre ambos os estados da CPLP. 

O Farisaísmo Caduco de “Zedu”


As palavras voam e as acções ficam, dizia sabiamente o brocardo latino. O "camarada" José Eduardo dos Santos, pelos vistos, aprendeu muito bem a arte do cinismo e da hipocrisia numa boa Escola – a dos fariseus. Estes patronos de fraude, a respeito deles professava advertidamente o Senhor Jesus, "tudo o que eles vos mandam, devem aceitá-lo e pô-lo em prática, mas não imitem o que eles fazem. É que eles dizem uma coisa e fazem outra. Arranjam fardos impossíveis de suportar e colocam-nos às costas dos outros. Mas eles mesmos nem com um dedo lhes querem tocar. Tudo o que fazem é só para os outros verem" (Mateus 23:3-5). 

Está tudo explicado, tal como explicada as caducas astucias de "Zedu". Creio que já nem os angolanos caem neste seu "cântico da sereia" meramente para "inglês ver", a não ser os seus correligionários do partido e familiares como gongoricamente foi defendido pela filha Welwitshia dos Santos (LER).

Amigo da Onça


Hoje é “Dia Mundial da Lavagem das Mãos” (LER). E para não contaminar com toda esta celeuma criada em torno do discurso do Presidente Angolano, José Eduardo dos Santos, sobre o fim da “cooperação estratégica” com Portugal (o “Zedú” deve ter aconselhado com o Engenheiro José Sócrates para usar essa expressão. Só pode ser mesmo isso [LER]), devido aos últimos acontecimentos e, sobretudo, à investigação que os altos dirigentes angolanos estão a ser alvos por parte do Ministério Público Português, revelando-se fortes indícios de estarem envolvidos no crime de corrupção e de branqueamento de capitais, somando os juízos temerários em torno de todo este processo judicial (LER)

Da minha parte, só me resta ir lavar as mãos para não conspurcar com estes assuntos interesseiros e, corresponder deste modo, com a recomendação dada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).