Dia dos Meus Anos
Um Dia, Um Aniversariante
O meu irmão Evaristo Vieira faz anos hoje. Completa mais uma primavera na vida. Está a comemorar uma importante data de aniversário. É um dia repleto de alegria, festa e, sobretudo, gratidão a DEUS pelo dom inefável da vida que Lhe concedeu, tendo fé que tal estender-se-á ainda por longos, saudáveis, vitoriosos e felizes anos de vida.
O Evaristo Vieira é abençoado por DEUS em todos os aspectos. Abençoado do ponto de vista espiritual, familiar, profissional, relacional e material. Sempre foi muito diligente, aplicado, determinado e altamente competente nas coisas que se propõe realizar ou que lhes são incumbidas a fazer. É um homem íntegro a nível de carácter, justo no seu procedimento, vertical na forma de estar e bastante elegante no relacionamento com os outros. O Evaristo é também educado, prestável, humilde, devotado e desprendido. Não tem vícios e nem se desdobra em artimanhas ou desvelos alimentados por uma ânsia legitimação secular. Não vive de sobressaltos ou vaidades do mundo. Da mesma forma, não vive de bajulação ou rasteirice. Não é uma pessoa materialista ou corruptível, antes pelo contrário, é insuspeita e completamente irrepreensível.
O Evaristo Vieira é ainda uma pessoa honesta, polida e de bom trato. Trabalhador incansável e com bastantes atributos e enormes pergaminhos. Acumula várias funções em simultâneo: Pastor Evangélico pela chamada Divina e consagração da mesma, diplomata de carreira (Ministro-Conselheiro) e docente universitário. O Evaristo é chefe de família e, acima de tudo, um fiel seguidor e servo do Senhor Jesus Cristo. Ele é um grande orgulho para toda a nossa família (LER).
Por tudo que ficou exposto, e poderia sempre acrescentar mais coisas, desejo parabéns para o meu irmão. Muitos parabéns e feliz aniversário, querido irmão Evaristo Vieira. Votos de maiores e melhores bênçãos de DEUS a todos os níveis da tua vida. Que sejas sempre saudável, bem-sucedido, realizado e feliz nas tuas opções diárias e percurso de vida. Estou certo de que a graça, o amor, o perdão, a misericórdia e a bondade do nosso Todo-Poderoso DEUS cercar-te-ão sempre ao longo de toda a tua vida, juntamente com toda a nossa família. Parabéns pelos preciosos, abençoados e felizes anos celebrados na graça e paz de DEUS. Todas as felicidades do tempo e da eternidade.
A Precariedade da Vida Humana
Mais um Ano de Vida
Começo sempre o ano novo civil a fazer anos. Celebro hoje 39 anos de idade, graças a DEUS. Mais um ano para comemorar o dom inefável da vida. Mais um ano de júbilo e de festa. Mais um ano de gratidão a DEUS pela vida e saúde que ELE graciosamente tem-me concedido ao longo dos tempos, tendo fé que tal estender-se-á ainda por longos e bons anos.
Estes 39 anos são coroados de autênticos altos e baixos a todos os níveis, encerrando paradoxalmente prós e contras. Mesmo assim, são anos de bastante assimilação, amadurecimento, crescimento, reconciliação e felicidade. São anos vividos com bastante fé, amor, paz, gratidão, entusiasmo e esperança em DEUS. Aquilo que sou hoje é resultado dessas simbioses de experiências gratificantes. Experiências profundamente marcantes e que moldaram o meu substrato identitário e mundividência, habilitando-me simultaneamente a reconhecer a precariedade da vida, a sua fugacidade e finitude. Estou tranquilamente em paz com DEUS, comigo e procuro, na medida do possível, no que depender de mim, estar em paz com o próximo à minha volta.
Sinto cada vez mais o peso da idade. Sinto que estou, de forma galopante, a ficar mais velho. Sinto, acima de tudo, a paixão contagiante da vida a entrelaçar-me diariamente. Que esta paulatina odisseia à velhice me habilite a ter plenamente a consciência dos meus defeitos e virtudes, depurando aqueles e aperfeiçoando estes. Por outras palavras, ter a capacidade suficiente de corrigir as minhas imperfeições e consolidar as minhas qualidades.
Espero que, em circunstância alguma, se aparte de mim a sabedoria, a humildade, a gratidão, a autenticidade, o discernimento, a liberdade, a autonomia, a frontalidade, o bom-senso e a espiritualidade, sobretudo de nunca me folgar com as injustiças ou reduzir-me em desvelos alimentados por uma mercenária ânsia de legitimação secular. Longe de mim toda a sorte de cólera, torpeza, soberba, complexos, bajulação, superficialidades, ingratidão, vingança, malignidade e vaidade do mundo.
Que continue a ser uma pessoa estavelmente bem-disposta, alegre no Espírito Santo em todo e qualquer momento, satisfeito com aquilo que legalmente tenho e com muita fé no Senhor Jesus Cristo. Espero ainda continuar a ser amante de comida, da música (dos hinos Cristãos em particular), dos livros e de um bom debate. Que continue a falar alto e efusivamente, a cultivar mais a virtude do amor, do perdão, da tolerância, da misericórdia e da humildade na maneira de estar e encarar os elevados desafios da vida, especialmente que a promessa bíblica do Salmo 91:1-16 seja manifestamente uma realidade vivo-concreta na minha vida. Por fim, espero continuar a espalhar por toda a parte o bom perfume do conhecimento de Cristo para as pessoas que precisam encarecidamente da Sua graça redentora.
Fechou-se, ontem, felizmente, um ciclo de vida e abre-se um novo a partir de hoje com elevadas expectativas no horizonte por concretizar. Até aqui me ajudou o SENHOR. A ELE, através do Senhor Jesus Cristo, seja dado todo o Poder, a Honra, a Glória pelos séculos dos séculos. Que assim seja. Assim sempre será.
Desumanização da Eutanásia
Não Nascemos Para Sofrer
Não nascemos para sofrer. Sim, não nascemos mesmo para sofrer. Nós, os seres humanos, não viemos a este mundo para sofrer. Não estamos minimamente preparados, em nenhuma fase ou circunstância, para sofrer. Não esperamos o sofrimento entrar no nosso percurso de vida. Não fazemos votos para o sofrimento ou conviver pacificamente com ele. Não folgamos ou ansiamos o sofrimento, antes pelo contrário detestamo-lo a todos os níveis. O sofrimento remete-nos, em última instância, para a fragilidade do ser humano e o prenúncio da sua degeneração, fatalidade, perecibilidade e finitude. O sofrimento está intrinsecamente ligado à debilidade, à fraqueza, à incapacidade, à doença, à dor e à morte. O sofrimento descaracteriza e mata. Por isso, ele é “contranatura” porque afecta e coloca em causa a nossa constituição física, estrutura psicossomática e a própria existência, criando em nós atrofiamentos e lesões de personalidade insuperáveis e, em casos extremos, funestos.
Qualquer sofrimento carrega um pesar. É um pressuposto assente em todo e qualquer tipo de sofrimento humano. Podemos infelizmente sofrer por nós próprios, pelos nossos familiares, pelos nossos amigos, pelos terceiros e pela humanidade em geral. O sofrimento indiscriminadamente atinge tudo e todos. Nenhum ser humano à face da terra é imune ao sofrimento ou lida bem com ele. O sofrimento afecta os pobres e, concomitantemente, os ricos. Também apanha pessoas doutas e pessoas indoutas. Abarca homens e mulheres. Atinge os adultos e as inofensivas criancinhas. Podemos, a título exemplificativo, sofrer pelo amor, pela injustiça, pela traição, pela decepção, pela agressão, pela discriminação, pela rejeição, pela solidão, pela doença e pela perda de um ente querido, etc. Praticamente todo o mundo vive sofrendo (naturalmente, com graduações diferentes, dependendo da situação e contexto que cada um está inserido). O objectivo do sofrimento é arruinar-nos, aliás, ele ilustra bem a condição de depravação do ser humano e da sua destruição (as almas que vão para o inferno estarão eternamente no sofrimento. Veja, por todos os exemplos, os impressionantes relatos do livro de Apocalipse e a “Divina Comédia” de Dante Alighieri[1]. Tanto que, por esta razão, numa perspectiva geral, o sofrimento não é tomado comummente como sendo algo de bom[2].
O ilustre Escritor Fernando Pessoa, no seu “Livro do Desassossego”, apelidava manifestamente o sofrimento como sendo “a dura opressão do coração”. O reputado autor alemão Johann Wolfgang von Goethe, na sua emblemática obra “Fausto”, considerava-o “ausência completa da alegria” (ALI) e (AQUI). O Salmista Hemã de Canaã classificava o sofrimento de “companhia das trevas” (Sl 88:1-18 (ALI) e (AQUI). O “sufoco permanente da alma”, definia-o desta forma o autor bíblico do livro de Job.
Todos estes autores conotam o sofrimento com a solidão, a angústia, a dor, o quebrantamento, o fracasso, a fatalidade e o choro. No Bilhete Amarrotado de Odonato, citado pelo poeta angolano Ondjaki, em “Os Transparentes”, desabafa em tom fatídico que «acabou o tempo de lembrar/choro no dia seguinte/as coisas que devia chorar hoje» (LER). “Ninguém sabe por quanto sofrimento passei, ninguém sabe senão Jesus”, lamentavam os oprimidos escravos afro-americanos neste famoso hino Cristão[3]. Na mesma esteira do pensamento, os conhecidos sertanejos brasileiros Tonico & Tinoco, na melancólica música “Saudade de Matão”, consideravam aflitivamente que “esta dor que me consome/Não posso viver/Quero morrer/Vou partir pra bem longe daqui/Já que a sorte não quis/Me fazer feliz” (LER). Vejo, desabafa uma mulher profundamente deprimida citada no Segundo Sexo da feminista Simone de Beauvoir, “que há doze anos estou lassa, que este peito encerra uma dor inesgotável, que estas mãos foram marcadas pela tristeza e que, quando estou só, estes olhos raramente secam (LER)[4]”. O sofrimento, de uma forma esboçada e subsumida, é um acidente no percurso do Homem e, simultaneamente, uma desgraça que ele vai carregando no seu dia-a-dia, culminando com a sua degeneração e morte.
Se é verdade que todos nós, sem excepção, sofremos neste “vale de lágrimas” por razões múltiplas supramencionadas, também é verdade que somente aqueles que não se resignam conseguem usar o sofrimento para o seu aperfeiçoamento ético, moral e espiritual. Por outras palavras, não se deixar nunca vencer pelo sofrimento, mas superá-lo de forma determinada com bastante fé em DEUS.
O Servo Sofredor, o Senhor Jesus Cristo, o Homem experimentado nos sofrimentos (Is 53:1-12), foi o maior e melhor exemplo de todos da forma como podemos sair vitoriosos em meio do sofrimento. Ele, conhecedor profundo das implicações humano-sociais do sofrimento na vida de uma pessoa, exortava categoricamente no Sermão do Monte: “bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” (Mateus 5:4 – [VER] ). Os que semeiam em lágrimas neste mundo, asseverava o salmista no cântico da peregrinação, “segarão com alegria” (Sl 126:5 – [VER]). São os mesmos homens e mulheres de boa vontade que “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21:4). Que assim seja. E assim sempre será no nome Bendito do Senhor e Salvador Jesus Cristo.
[1] As almas que vão para o inferno estarão eternamente no sofrimento. Vide, por todos os exemplos, os impressionantes relatos do livro de Apocalipse e a “Divina Comédia” de Dante Alighieri.
[2] Embora haja correntes de pensamento que
defendem, em determinados casos, o sofrimento como antídoto para o
amadurecimento e aperfeiçoamento humano, nomeadamente o Cristianismo e o
Estoicismo. Mesmo assim, estas duas correntes não o tomam de per si como
um fim para o melhoramento, mas como um instrumento pontual que pode nos ajudar
a ter noção real das coisas e, desta forma, ampliar os nossos horizontes na
maneira de encarar os enormes desafios da vida (LER).
[3] Verso de um famoso espiritual
negro, “Nobody knows the trouble i've seen”. (N. do T.), extraído
in “Eu Tenho um Sonho – A Autobiografia de Martin Luther King, Jr.,
Bizâncio, Lisboa, 2003, p. 389.
[4] Simone de Beauvoir, in Segundo Sexo2, Quetzal, Lisboa, 2015, p. 485 (LER).
ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (1): O Suicídio à Luz da Palavra de DEUS (1Rs 19:1-18)
O Valor Sagrado da Vida Humana
Viver Para Contá-la (5)
Anteontem, por imperativo da consciência, depois de uma profunda e demorada reflexão, dei por encerradas todas as restrições alimentares que tenho vindo a adoptar escrupulosamente nos últimos anos (LER). Nos próximos tempos que se avizinham, querendo DEUS, já não vou privar-me dos alimentos que outrora comia antes de ser vegano. Voltarei a comer tudo o que estiver à minha disposição.
Esta radical mudança prende-se sobretudo com o facto de entender que já não é oportuno continuar a ser vegano e aplicar fortes privações no meu cardápio alimentar. Obviamente que esta minha decisão não foi, em circunstância alguma, motivada por razões de saúde. Também não tem nada a ver com questões de estética e, muito menos, pressões exercidas por terceiros. Foi um acto manifestamente livre, esclarecida e unilateral da minha parte. Da mesma sorte, quando decidi ser vegano e cortar drasticamente com a parte significativa dos alimentos que faziam parte da minha rotina alimentar, até então, não me baseava em sectarismo ideológico-filosófico ou questões religiosas e, muito menos, de estético-física, tal como a generalidade das pessoas costuma fazer (LER). Dei esse enorme passo de “reeducação alimentar”, depois de um levantamento exaustivo que fiz sobre o nutricionismo e da consciência apurada que assimilei sobre a importância cimeira de jogar pela prevenção, para testar a mim mesmo e reconciliar-me definitivamente a nível alimentar. E assim foi naturalmente.
É verdade que, a partir do momento que adoptei esta postura alimentar austera, acabei concomitantemente por colher os benefícios dela a todos os níveis. Ganhei mais equilíbrio emocional, mais qualidade de saúde e de vida também. Tornei-me mais leve e saudável – tanto do ponto de vista físico, como mental e espiritual (LER). E todos estes significativos ganhos não podem ser irresponsavelmente desperdiçados, razão pela qual vou continuar vigilante com a salutar postura Cristã de “viver para comer” e não hedonisticamente “comer para viver”. Não me vou entregar mais às comezainas e, muito menos, desleixar-me. Vou continuar, na medida do possível, com a graça de DEUS, a alimentar-me bem, cuidando convenientemente do meu corpo, mente e espírito.
Os próximos tempos serão bastantes importantes e determinantes na clarificação definitiva da alimentação que incorporarei num futuro mais distante. Ajudar-me-á, sem dúvida, a definir melhor a alimentação que melhor me ajustará. Até lá, enquanto esta questão está ainda por decidir, vou voltar moderadamente a comer tudo o que estiver à minha disposição.
Viver Para Contá-la (4)
Nunca me tinha passado pela cabeça um dia adoptar a austeridade no meu cardápio alimentar. Nunca fui de dietas e não me lembro de, alguma vez, ter feito uma na minha vida. Sempre fui de comer desafogadamente e sem quaisquer tipos de cuidados especiais. No entanto, nos últimos anos, por imperativo de consciência, depois de uma profunda e discernida reflexão a que me propus, decidi deliberadamente arrepiar caminho, cultivando cada vez mais hábitos alimentares saudáveis e integrando, ao mesmo tempo, a prática regular de exercícios físicos no meu quotidiano. Em consequência disso, perdi imenso gosto pelas comezainas e tudo o que tem a ver com as guloseimas. Perdi vontade pelos excessos alimentares. Perdi, igualmente, peso de forma significa e notória.
Por sua vez, apesar de todas estas “perdas”, ganhei mais equilíbrio emocional, mais qualidade de saúde e de vida também. Tornei-me mais leve e saudável – tanto do ponto de vista físico como mental e espiritual.
Faz hoje dois anos que não como arroz. Dois corridos anos em que me desvinculei completamente do arroz no meu cardápio alimentar. Renunciei ao arroz, tal como a um conjunto assinalável de alimentos que me eram bastantes familiares. Não sinto nenhum arrependimento ou saudade com esta minha esclarecida opção alimentar. O arroz neste momento não é uma prioridade para mim. Pode ser por resignação, cansaço, capitulação e conformação que eu venha um dia a voltar a comer a tão apreciada “bianda” dos guineenses. Mas, para já, sem qualquer tipo de hesitação, não quero liminarmente nada com o arroz (LER).
O Abominável Acto da Legalização da Eutanásia
Não Nascemos Para Sofrer
Não nascemos para sofrer. Sim, não nascemos para sofrer. Nós, os seres humanos, não viemos a este mundo para sofrer. Não estamos minimamente preparados, em nenhuma fase da nossa vida, para sofrer, insisto. Não esperamos o sofrimento. Não fazemos votos para o sofrimento. Da mesma sorte não folgamos ou ansiamos o sofrimento, antes pelo contrário detestamo-lo a todos os níveis. O sofrimento remete-nos, em última instância, para a fragilidade do ser humano e o prenúncio da sua degeneração e perecibilidade. O sofrimento está intrinsecamente ligado à debilidade, à incapacidade, à doença, à dor e à morte. O sofrimento, sem dúvida, descaracteriza e mata. Por isso, ele é “contranatura” porque afecta e coloca em causa a nossa constituição física, estrutura psicossomática e a própria existência, criando em nós atrofiamentos e lesões de personalidade insuperáveis e, em casos extremos, funestos.
Todo o sofrimento carrega um pesar. É um pressuposto assente em todo e qualquer tipo de sofrimento humano. Podemos infelizmente sofrer por nós próprios, pelos nossos familiares, amigos e terceiros. O sofrimento indiscriminadamente atinge tudo e todos. Nenhum ser humano é imune ao sofrimento ou lida bem com ele. Afecta os pobres e os ricos. Também apanha pessoas doutas e indoutas. Abarca homens e mulheres. Podemos, a título exemplificativo, sofrer pelo amor, pela injustiça, pela agressão, pela discriminação, pela rejeição, pela doença e pela perda de um ente querido. Praticamente todo o mundo vive sofrendo (naturalmente com graduações diferentes, dependendo da situação e contexto de cada um). O objectivo do sofrimento é arruinar-nos, aliás, ele ilustra bem a condição de depravação do ser humano e da sua destruição (as almas que vão para o inferno estarão eternamente no sofrimento. Vide, por todos os exemplos, os impressionantes relatos do livro de Apocalipse e a “Divina Comédia” de Dante Alighieri).
Tanto que, por esta razão, numa perspectiva geral, o sofrimento não é tomado commumente como sendo algo de bom[1]. O ilustre escritor Fernando Pessoa, no seu livro do Desassossego, apelidava-o como sendo “a dura opressão do coração”. O reputado autor alemão Johann Wolfgang von Goethe, na sua emblemática obra Fausto, considera o sofrimento como a “ausência completa da alegria” (LER). O Salmista Hemã de Canaã chamava-o de “companhia das trevas” (Salmo 88:1-18 (VER)). O “sufoco permanente da alma”, definia-o desta forma o autor bíblico do livro de Job.
Todos estes autores conotam o sofrimento com a solidão, a angústia, a dor, o quebrantamento, o fracasso, a fatalidade e o choro persistente. No bilhete amarrotado de Odonato, citado pelo renomado Poeta angolano Ondjaki, em Os Transparentes, desabafa em tom fatídico e de prolongamento que «acabou o tempo de lembrar/choro no dia seguinte/as coisas que devia chorar hoje» (LER). “Nobody knows the trouble I've seen”/“Ninguém sabe por quanto sofrimento passei, ninguém sabe senão Jesus”, denunciavam os escravos afro-americanos neste famoso hino Cristão. Na mesma esteira do pensamento, os famosos sertanejos brasileiros Tonico & Tinoco, na melancólica música Saudade de Matão, consideravam que “ninguém conhece a razão porque eu choro no mundo assim” (VER). Vejo, desabafa uma mulher deprimida citada no Segundo Sexo da feminista Simone de Beauvoir, “que há doze anos estou lassa, que este peito encerra uma dor inesgotável, que estas mãos foram marcadas pela tristeza e que, quando estou só, estes olhos raramente secam” (LER). O sofrimento, de forma esboçada, é um acidente no percurso do Homem e concomitantemente uma desgraça que vai carregando no seu dia-a-dia, culminando com a sua degeneração e morte.
Se é verdade que todos nós, sem excepção, sofremos neste “vale de lágrimas” por razões múltiplas, também é verdade que somente aqueles que não se resignam conseguem usar o sofrimento para o seu aperfeiçoamento Ético, Moral e Espiritual. Por outras palavras, não se deixar vencer pelo sofrimento, mas superá-lo de forma determinada. O Servo Sofredor, o Senhor Jesus Cristo, o Homem experimentado nos sofrimentos (Isaías 53:1-12), foi o maior e melhor exemplo de todos da forma como podemos sair vitoriosos em meio do sofrimento. ELE, conhecedor profundo das implicações humano-sociais do sofrimento na vida de uma pessoa, exorta peremptoriamente no Sermão do Monte que “bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” (Mateus 5:4. (VER). Os que semeiam em lágrimas neste mundo, asseverava o salmista, “segarão com alegria” (Salmos 126:5). São os mesmos homens e mulheres de boa vontade que “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21:4). Que assim seja. E assim sempre será no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo.
[1] Embora haja correntes de pensamento que defendem, em determinados casos, o sofrimento como antídoto para o amadurecimento e aperfeiçoamento humano, nomeadamente o Cristianismo e o Estoicismo. Mesmo assim, estas duas correntes, não o tomam de per si como um fim para o melhoramento, mas como um instrumento pontual que pode nos ajudar a ter noção real das coisas e, desta forma, ampliar os nossos horizontes na maneira de encarar os enormes desafios da vida (LER).
Viver Para Contá-la (2)
No entanto, reformulei um pouco a minha opinião conservadora a esse nível quando o meu irmão mais velho, Roberto Vieira, que exerce uma enorme influência em mim, decidiu radicalmente mudar o seu estilo de vida. Deixou de beber álcool. Deixou de comer o arroz, a carne, o peixe e adoptou de forma austera e literal o veganismo no seu cardápio alimentar do dia-a-dia, abstendo-se assim de ingerir as proteínas provindas do mundo animal, somando ainda à prática do exercício que faz reiteradamente. Além de reformular um pouco esta minha convicção, procurei igualmente fazer um levantamento exaustivo sobre o estilo de vida saudável – tanto do ponto de vista secular como teológico. Daí que, depois de me sentir consolidado nele, lancei-me no grande desafio de reeducar os meus hábitos alimentares e, da mesma sorte, ajustá-los a um estilo de vida mais sóbrio. E era necessário, numa primeira fase, eliminar por completo determinado tipo de alimentos e também perder o mais rápido possível a massa gorda que detinha (embora não tinha propriamente um peso anormal relativamente à minha altura). Mas, mesmo assim, decidi que iria, num curto espaço de tempo, perder vinte cinco e quilos. E assim foi. Em aproximadamente três meses consegui atingir esta assinável proeza, graças a DEUS.
As Folhas de Outono: Libertar Para Melhor Renascer
O Coronavírus e a Mutabilidade da Vida
Se há grande lição que esta pandemia do coronavírus nos vem reconfirmar é que nada é definitivamente garantido na vida, tal como alguns julga(va)m. Tudo é dinâmico, maleável e efémero. A política e a governação são efémeras. O trabalho e a estabilidade são efémeros. A democracia participativa e a liberdade dos cidadãos são efémeras. A comodidades e o bem-estar do dia-a-dia são efémeros. A família e os relacionamentos são efémeros. Da mesma sorte, a saúde e a vida são efémeras. Estamos sempre em constante mudança no espaço e no tempo – tanto para o bem como para o mal. Tudo é mutável, transitório e, em última instância, perecível.
Há cinco meses, antes de germinar propriamente esta maldita praga do coronavírus, milhares e milhões de pessoas em todo o mundo organizaram as suas vidas de acordo com a condição expectável de cada um. No entanto, viram repentinamente tais expectativas alterarem-se drasticamente e com as profundas implicações práticas a que estamos impotentemente a assistir todos os dias: recessão económico-financeira em todos os países do mundo, desemprego galopante, famílias e amigos forçosamente separados, somando a milhares de pessoas que estão neste momento entre a vida e a morte e os que infelizmente já morreram e vão continuar a morrer paulatinamente, bem como muitas outras calamitosas situações colaterais que se auguram ainda num futuro breve. Tudo se alterou subitamente num abrir e fechar de olhos, deixando-nos reduzidos ao confinamento social e condicionados significativamente no nosso modo de viver.
Há, para além da verdade acabada de se mencionar, ainda uma outra importantíssima lição que podemos extrair com este maldito coronavírus, nomeadamente que o interesse público deve sempre prevalecer em detrimento do interesse privado. Digo isto porque tem havido uma grande querela doutrinária ao longo dos tempos, persistindo até aos nossos dias, entre os defensores do Individualismo e do Colectivismo. Aqueles, de forma subsumida, dão demasiada primazia à liberdade individual e autodeterminação em detrimento do corporativismo. Ao passo que estes assentam nos pressupostos da realização do individuo dentro da colectividade em que ele está inserido.
A meu ver, julgo que tem de haver a interdependência entre as duas distantes mundividências da vida, contando que não se ponha em causa a sobrevivência do Homem. E, justamente, por isso, nesta esteira do pensamento, oponho-me manifestamente à legalização da hedionda prática do aborto, do casamento homossexual, da eutanásia e das outras práticas aberrantes que colocam em causa a natureza da vida humana (LER). Com a pandemia do coronavírus, máxime as medidas preventivamente excepcionais que têm sido adoptadas pelos países, vem reforçar ainda mais a verdade de que a sobrevivência humana está acima da democracia, da liberdade e da auto-determinação, razão pela qual somos duramente afectados na nossa autonomia privada em nome da inquestionável sobrevivência colectiva.
Tudo isto remete-nos primeiramente sobre a ideia cimeira da mutabilidade e transitoriedade da madrasta vida. Somente quando temos a consciência plena da volubilidade da vida e da sua fugacidade é que realmente estamos em condições necessárias de cultivar a sábia arte de viver bem, isto é, reconhecer acima de tudo a nossa insuficiência, fragilidade, finitude, depositar a nossa confiança e esperança exclusivamente em DEUS, amar o próximo como a nós mesmos e consequentemente preparar da melhor forma possível a nossa instantânea morte (LER). Infelizmente, muitas vezes, esquecemo-nos desta importante realidade, optando por nos refugiarmos inutilmente nas garantias ilusórias que não proporcionam uma vida bem-sucedida e feliz. Só quando nos chegam desgraças, tal como a do coronavírus, é que nos lembramos da nossa insignificância, mutabilidade, transitoriedade e perecibilidade. Em suma, nada neste mundo é garantido. De facto, excepto a morte, nada é garantido.
O Valor Sagrado da Vida Humana
A vida humana é sagrada em todas as suas várias configurações antropológicas. Uma premissa que recebeu primeiramente um amplo acolhimento no pensamento Judaico-Cristão, acabando posteriormente por influenciar decisivamente a Magna Carta Inglesa do século XIII, a Revolução Francesa do século XVIII e todas as outras civilizações mundiais. Um valor sagrado que é intrinsecamente indissociável da dignidade, da liberdade, da segurança e da auto-determinação. A todos os seres humanos, sem excepção, são garantidos os Direitos Fundamentais para se auto-realizarem na sociedade, aliás, este também é o entendimento abraçado na disposição da Declaração Universal dos Direitos Humanos e na generalidade das constituições dos países.
Este valor sagrado da vida não é compatível com as discriminações negativas, independentemente das condições biológico-naturais de cada cidadão no seu círculo de convivência diária ou estatuto social. Ele assegura a todos os cidadãos o princípio da igualdade e das oportunidades. A partir da concepção, período em que começa a vida, até à morte, todos devem beneficiar destes importantíssimos direitos e serem protegidos pela sociedade e o Estado em particular. A começar, desde logo, pelos nascituros, as crianças, os adultos, as mulheres, os homens, os doutos e indoutos, pessoas portadoras de deficiências, nomeadamente os inabilitados e interditos. Em suma, pessoas capacitadas e incapacitadas. Não podemos, em circunstância alguma, beneficiar uns em detrimento dos outros. Todas estas pessoas têm direito à vida, à dignidade, à segurança, à protecção e ao usufruto dos Direitos Fundamentais.
Por comungar holisticamente com estes postulados axiológicos, razão pela qual sou inteira e manifestamente contra a hedionda prática do aborto (LER), da eutanásia (LER), da barriga de aluguer (LER), da manipulação de células estaminais, da pena de morte, da escravatura, da xenofobia e do racismo (LER), porque não condizem minimamente com os nobres valores da vida e da dignidade da pessoa humana. Sabemos que a “ditadura do relativismo” em que estamos infelizmente mergulhados, sob a capa da modernidade, não valoriza a vida humana na sua verdadeira acepção, não obstante passar inutilmente a ideia de se preocupar com ela. É um relativismo que nada reconhece como absoluto e que deixa como última medida apenas o próprio eu, as suas vontades e libertinagens.
Os mesmos países que estão hoje empenhados em proteger as pessoas contra a pandemia do coronavírus, são os mesmos países que não medem esforços para promover a “cultura da morte”, através da legalização da prática do aborto, da eutanásia, da pena de morte e infindáveis guerras que ceifam diariamente a vida de milhares e milhões de pessoas em todo o mundo. São, da mesma sorte, países que criam barreiras entre as pessoas e raças, mediante políticas deliberadas de discriminação, exploração, segregação, racismo. Onde está o valor sagrado da vida e da dignidade da pessoa humana com tudo isto? Um autêntico paradoxo.








