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Viver Para Contá-la (4)

Nunca me tinha passado pela cabeça um dia adoptar a austeridade no meu cardápio alimentar. Nunca fui de dietas e não me lembro de, alguma vez, ter feito uma na minha vida. Sempre fui de comer desafogadamente e sem quaisquer tipos de cuidados especiais. No entanto, nos últimos anos, por imperativo de consciência, depois de uma profunda e discernida reflexão a que me propus, decidi deliberadamente arrepiar caminho, cultivando cada vez mais hábitos alimentares saudáveis e integrando, ao mesmo tempo, a prática regular de exercícios físicos no meu quotidiano. Em consequência disso, perdi imenso gosto pelas comezainas e tudo o que tem a ver com as guloseimas. Perdi vontade pelos excessos alimentares. Perdi, igualmente, peso de forma significa e notória. 

Por sua vez, apesar de todas estas “perdas”, ganhei mais equilíbrio emocional, mais qualidade de saúde e de vida também. Tornei-me mais leve e saudável – tanto do ponto de vista físico como mental e espiritual. 

Faz hoje dois anos que não como arroz. Dois corridos anos em que me desvinculei completamente do arroz no meu cardápio alimentar. Renunciei ao arroz, tal como a um conjunto assinalável de alimentos que me eram bastantes familiares. Não sinto nenhum arrependimento ou saudade com esta minha esclarecida opção alimentar. O arroz neste momento não é uma prioridade para mim. Pode ser por resignação, cansaço, capitulação e conformação que eu venha um dia a voltar a comer a tão apreciada “bianda” dos guineenses. Mas, para já, sem qualquer tipo de hesitação, não quero liminarmente nada com o arroz (LER).  

Escalada da Famosa Montanha de Ütliberg em Zurique



Há coisas que são imprescindíveis quando um estrangeiro visita qualquer cidade de Suíça. Uma delas é trepar os afamados alpes. Foi exactamente isso que fiz no sábado passado, juntamente com os meus amigos Hugo e a Christina. Logo de manhã tomámos um “robusto” pequeno-almoço e partimos para a aventura, contando a priori com as imensas calorias que íamos perder durante o percurso para escalar a conhecida montanha de Ütliberg da cidade de Zurique.  Foi realmente muito cansativa a caminhada até chegarmos ao topo da montanha. 

Fizemos a trajetória mais complicada e difícil comparativamente às outras opções. Fomos para a direcção de “Zielweg”, isto é, o “Caminho do Destino”, percorrendo um terreno bastante íngreme e cercado praticamente de “mato-cerrado”. Quase desfalecemos no percurso. Com vontade e determinação conseguimos, finalmente, todos juntos, atingir o pico mais elevado da montanha – que é de 800 metros de altitude. E de seguida, fizemos o percurso inverso, e mais fácil, de descida. Foram praticamente três horas de intensa caminhada. Confesso que nunca tinha antes subido, a pé, uma montanha tão elevada como a de Ütliberg. No seu cume dá para vislumbrar toda a bonita cidade de Zurique. Por outras palavras, dá-nos um cenário magnífico de Zurique e além-fronteiras. 

Voltámos para casa, almoçando e fomos novamente andar de barco no famoso lago de Zurique. Uma viagem de sessenta minutos, alternado com mergulhos no meio do lago do romântico casal Hugo e Christina (não entrei na água porque estava a conduzir o barco. Alguém tinha que fazer isso, não é?). Desfrutámos deste descontraído e agradável tempo e depois seguimos novamente de bicicleta para casa. 

Foi, sem qualquer tipo de exagero, um dia bem passado e com grandes aventuras, tal como tinham sido os dias anteriores. DEUS Obrigado pela oportunidade e por tudo. Que assim seja.  

Viver Para Contá-la (3)


Faz hoje um ano que não ingeri literalmente arroz. Um ano que deixei completamente de comer arroz. Um ano em que, por mera opção pessoal, renunciei deliberadamente ao cardápio do arroz na minha dieta alimentar. Não foi uma decisão impingida ou recomendada por questões de saúde, mas sim livre, esclarecida e unilateral. Deixei esclarecidamente de comer arroz, à semelhança de muitos alimentos, para assim reconciliar-me com o meu substrato de austeridade Cristã e, deste modo, reforçar ainda mais a comunhão com a abstinência (autocontrolo, bem entendido). 

Esta decisão não é de somenos para um guineense típico, tal como eu. O arroz está intrinsecamente ligado aos guineenses e os guineenses ao arroz. A nossa estrutura física e psicossomática está formatada com o arroz. Tudo aquilo que somos hoje deve-se ao arroz. A nossa essência identitária é o arroz. O arroz acompanha-nos do início da vida até ao seu fim. Comemos ininterruptamente o arroz desde tenra idade à idade adulta. Da mesma sorte, comemo-lo na festa e no infortúnio; na pobreza e na riqueza; na vida e na morte. O arroz está presente em todos os ciclos e solenidades do nosso povo. Os nossos pais, quando estamos doentes, é arroz que nos dão para recuperar e superar definitivamente a doença, que se vão desdobrando na típica ementa de “candjá”, “badagui”,“pitchi-patchi”, etc. O arroz, para os guineenses, a nível alimentar, representa tudo e é concomitantemente um cordão umbilical irrenunciável. Ora, a partir do momento em que abandonei o arroz na minha dieta alimentar, pode implicitamente ser entendido como renegar a “guineendadi” – e com a agravante ainda maior de eu ser da etnia pepel que tanto devota o arroz, considerando-o em última instância como antídoto para a robustez, a saúde, a beleza e bem-estar (LER)

E mais, esta decisão visa acima de tudo testar até que ponto vai a minha capacidade de abstinência e de autocontrolo. Felizmente, com a ajuda Divina, consegui superar-me na alimentação que eventualmente julgasse oportuna no futuro (o arroz é a comida mais importante para um guineense. E aqui aplica-se perfeitamente o argumento a fortiori: quem pode o mais, também pode o menos). Digo isto porque, em abono da verdade, não tinha nenhuma necessidade de enveredar por esta opção radical de deixar de comer arroz. O arroz não me faz mal, antes pelo contrário, aprecio imenso este fundamental cereal. Não me cria quaisquer transtornos ou desequilíbrios. Também não foi uma decisão motivada exclusivamente para perder peso, visto que há muito tempo que estou com o peso ideal. Foi meramente uma opção para testar, até ao limite, a minha capacidade de austeridade, de abnegação e abstinência. 

E mais, não sou e nunca fui um homem de descontrolo e de excessividade. Sempre fui comedido e moderado na minha forma de estar e encarar os desafios da vida. Considero-me um homem equilibrado e imune aos corrosivos vícios carnais, aliás orgulhosamente não tenho vícios, graças a DEUS. E esta decisão de abdicar de comer o arroz, e tantas outras apetitosas comezainas, veio apenas reforçar esta minha ideologia austero-Cristã (LER)

De há uns tempos para cá perdi o entusiasmo nos alimentos que tanto apreciava. Perdi vontade de estar reiteradamente a comer por tudo e por nada. Perdi o fervor pela vida hedonista e desafogada. Perdi significativamente a massa gorda no corpo e consequentemente diminuí o peso. Perdi as coisas que entendia dever perder para ganhar coisas maiores e melhores, razão pela qual ganhei ainda mais o despertamento de que tenho que viver para comer, e não comer para viver. Despertei-me da suma importância de que tenho que integrar a prática regular de exercício físico na minha rotina diária. Despertei-me igualmente para continuar a cultivar, cada vez mais, os hábitos sóbrios e vigilantes na minha vida, sobretudo a nível da prevenção. Se é verdade que “perdi” muitas coisas com esta postura de austeridade e abstinência, também é inquestionável verdade que ganhei muito mais do que aquilo que deliberadamente renunciei. Ganhei mais equilíbrio, mais qualidade de saúde e de vida. Tornei-me mais leve tanto do ponto de vista físico, mental e espiritual (a isto chama-se virtude). 

Sem mais delongas, em suma, pode ser por resignação, capitulação e conformação que eu venha um dia a voltar a comer a apreciada “bianda” dos guineenses. Mas, para já, sem qualquer tipo de hesitação, não quero liminarmente nada com o arroz. 

Eng. José Eduardo dos Santos, O “Arquitecto da Paz” (5)


«Encara-se assim a educação física e o desporto, de um modo geral, como sendo fundamental para a formação do homem, para a manutenção da sua saúde e para promover a qualidade de vida dos cidadãos e que, por isso, deve ser ministrado e acompanhado por profissionais devidamente formados em motricidade humana. Encara-se também o desporto como um meio privilegiado de socialização da criança, do adolescente e do jovem, completando assim o papel da Escola para valorizar o convívio, a confraternização, a amizade e assimilação das normas da boa educação e o respeito ao próximo. O desporto pode ser igualmente uma via para a reintegração social de crianças e jovens sem amparo e orientação familiar. A componente moral, educativa e cívica não pode ser descurada durante a formação do jovem atleta, destacando-se dentre outros, valores como o entusiasmo, a cooperação, a lealdade, o espírito de equipa, o auto-controlo, a iniciativa, a habilidade, a firmeza de carácter, a atitude positiva e construtiva e a auto-confiança. Em suma, todos devem compreender que as vitórias na vida, tal como no desporto, só se obtêm através do trabalho árduo, do inconformismo permanente e da paciência e perseverança.» (LER)