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Lula Livre e o Brasil Preso

A inédita decisão do juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil Edson Fachin de anular, com força obrigatória geral, as condenações que imperavam sobre o ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva consubstancia uma reviravolta gigantesca na jurisprudência brasileira. Sem querer propriamente pronunciar-me sobre o complexo processo há, desde o começo, sem dúvida, futrica jurídica e falta de imparcialidade no referido processo patrocinado pelo juiz Sergio Moro para prejudicar deliberadamente Lula da Silva e (LER), deste modo, vedando-lhe a possibilidade de ser candidato nas eleições presidenciais brasileiras de 2018, tal como foi (LER)

Com esta surpreendente decisão forense de anular as condenações de Lula da Silva vai ter fortes repercussões jurídicas e políticas no país. Ali, em abono da verdade, vai contribuir ainda mais para enfraquecer as descredibilizadas instituições da república do país aos olhos do povo brasileiro e do mundo geral. Ao passo que aqui esta opção judicial, a fortiori, catapultará Lula como um dos candidatos favoritos nas eleições presidências do próximo ano. Em suma, Lula ficou livre para ser possivelmente o futuro Presidente da República e o Brasil continua preso no seu marasmo obstrutivo.  

Um Dia, Uma Fotografia


Estive ontem no Hotel VIP Executive Art's em Lisboa num jantar palestra conjunta do Rotary Club Lisboa Parque das Nações com o Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL), subordinado ao tema “Portugal: Uma Plataforma Para a Globalização”, no âmbito dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, tendo como oradores o Presidente do IPDAL, o Deputado Paulo Neves e o Embaixador do Chile em Portugal. 

Ocasião serviu também para projectar, juntamente com a direcção da Rotary Club Lisboa Parque das Nações, uma mega organização deste ano do dia de África que se celebra já no próximo mês de Maio (LER). Tencionamos, com este evento cultural, convocar vários dirigentes africanos para debatermos os reais problemas que afectam o nosso Continente

O Despotismo Esclarecido de Fidel Castro


É com bastante preocupação que temos estado a acompanhar as reacções vindas de diferentes partes do mundo sobre a morte de Fidel Alejandro Castro Ruz (ALI) e (AQUI). Até aqui nada de anormal. A morte de qualquer ser humano, independentemente da sua condição, é sempre de lamentar. No entanto, não podemos deixar de nos demarcar de tão infeliz posicionamento de inúmeras pessoas que, imbuídas meramente pelo preconceito ideológico ou por interesses sombreados, pretendem a todo o custo endeusar e branquear o legado político de Fidel Castro (LER) e (ALI) e (AQUI)

Cumpre-nos informar que Fidel Castro foi em vida um ditador (LER). E um ditador, em última instância, é um carrasco em todos os sentidos do termo (LER). Uma pessoa que encarna na perfeição a máxima maquiavélica "que os fins justificam sempre os meios". Mesmo que seja necessário, de forma déspota, restringir as liberdades político-individuais, perseguir, prender, torturar, matar e cometer crimes contra a Humanidade. Para ele tudo é licito, contando que se concretizem os seus tiranos propósitos. Foi exactamente isso que Castro fez inexoravelmente ao longo da sua sanguinária presidência em Cuba, usando apenas o eufemismo "pela revolução, tudo; contra a revolução, nada" (LER). A revolução foi o abominável pretexto que o ditador usou para usurpar o poder e, deste modo, materializar os seus maléficos intentos. 

É verdade que todos os seres humanos à face da Terra, mesmo os da pior estirpe, têm alguma coisa de boa no seu substrato. E o ditador Castro não foi excepção a esta regra de apuramento. E aquilo de bom que se pode destacar da sua aparente "qualidade social” foi o de procurar coadjuvar o povo cubano a sair do lamaçal de pobreza em que se encontra(va), bem como apoiar a emancipação e autodeterminação de alguns países africanos, para assim credibilizar a revolução além-fronteiras. 

É curioso notar que, dos longínquos séculos XVI ao XVIII, a Europa Continental era igualmente governada pelos monarcas absolutistas que procuravam, numa mundividência paternalista, aplicar a lógica do desenvolvimento dos seus povos e concomitantemente praticavam flagrantes violações dos Direitos Humanos. É o tacticismo político de delimitar significativamente as liberdades individuais dos cidadãos e, em contrapartida, promover as realizações sociais do Estado. E os irmãos Castros foram grandes Mestres nisso. Todos os ganhos sociais que a República de Cuba obteve ao longos destas penosas décadas de opressão foram, e são, fruto do despotismo esclarecido implementado com mão de ferro sobre a ilha. 

E mais, em circunstância alguma podemos trocar a vida e a liberdade por quaisquer outros bens mundanais. Não há nada neste mundo que se lhes possam igualar. Julgamos que a maioria dos acérrimos defensores de Castro subscreveria esta inequívoca verdade antropológica, razão pela qual presumimos que dão primazia à Vida, à Dignidade da Pessoa Humana e à Democracia Participativa. São dos Direitos Fundamentais mais importantes que a Humanidade tem à sua disposição. Acontece, infelizmente, que aos marginalizados cubanos foram violentamente negados estes superiores direitos em nome do inquestionável "ideal político"

Por isso, entristece-nos imenso ver tanta gente inteligente a glorificar Fidel Castro e o seu abominável legado político, considerando-o um grande homem e estadista, indo contra toda a lógica do bom senso e da razoabilidade. E pior ainda é vermos os nossos estimados irmãos na fé, os Cristãos, a enveredar nessa asquerosa procissão, exaltando um assumido anticristo em vida (ALI) e (AQUI). Lamentamos profundamente esta indecorosa postura, que não se coaduna com os impolutos Princípios e Valores do Evangelho. 

Ainda salientar, em suma, que os tão propalados ganhos político-sociais que se imputam a Fidel durante o seu cruento regime em Cuba não o ilibarão do Julgamento Final, e tão pouco a História o absolverá das horripilantes atrocidades que cometeu contra o seu inofensivo povo, porque foi um ditador. Eis a mais pura das verdades, que merecem ser reiteradamente ditas e recordadas, pois somente a Verdade nos libertará. 

Cadê o Futuro, Brasil?


Nos idos tempos da “década perdida para a América Latina”, a de despótica oitenta, a famosa e malograda cantora brasileira, Elis Regina, em jeito patriótico, tal como impregnado na veia da generalidade dos brasileiros, editava o seu inconfundível álbum “Saudade do Brasil”, em plena ditadura militar, onde denunciava de forma intrépida a corrupção político-social que mina(va) galopantemente o país na famosa canção “Alô, Alô, Marciano”. Desabafava na letra da icónica música que o Brasil estava em guerra e “a crise tá virando zona”, apontando como causa deste descalabro “down the high society” (LER) e (VER)

O Brasil é grande, bonito, rico, demasiado populoso e com uma diversidade peculiar. Possui um clima tropical bastante atractivo a todos os níveis, paisagens formidáveis e pessoas deveras simpáticas. É um país onde há enormes assimetrias sociais, imperando resignadamente o nepotismo, o abuso, a marginalização, a discriminação, a injustiça, a corrupção, a pobreza e um alto índice de criminalidade urbana. O Brasil encerra paradoxos praticamente em tudo – tanto no bom como no mau sentido. Convive devotamente com DEUS e, concomitantemente, com o diabo. Por isso, incorpora no seu âmago o “Cristo Redentor” e, da mesma sorte, o esoterismo de umbanda, o espiritismo, a bruxaria, o candomblé e múltiplas outras perniciosas denominações do paganismo. 

A crise actual que afecta dramaticamente o país é o manifesto reflexo de tais contradições. As elites políticas não estão a conseguir mobilizar a sociedade civil para as reformas estruturais prementes, com vista à dinamização definitiva do país para a senda do desenvolvimento sustentável e sustentado. As leis da República, em certos aspectos, são praticamente ineficazes. Os políticos estão completamente impunes e, simultaneamente, desprovidos da autoridade requerida para governar, tendo em conta os flagrantes casos de corrupção que têm surgido ao longo dos tempos. Há um patente divórcio entre os governantes e governados que, de certa forma, acaba por obstar decisivamente ao progresso nacional. 

O Brasil tinha, em termos objectivos, tudo para ser um país bem-sucedido, próspero e uma potência mundial. Acontece que a realidade prática tem demonstrado o contrário, infelizmente, devido à miopia dos políticos e a fragilidade das instituições da República. E perante tudo isto, a pertinente questão que se coloca é: até quando mais o país continuará refém deste marasmo obstrutivo? Eis o grande mistério que nos interpela.