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As Redes Sociais e as Fake News


Um dia depois de ter sido lançado oficialmente o primeiro jornal português de fact-checking cognominado “Polígrafo” (LER) para depurar, dizem os seus fundadores, as falsas notícias que têm pululado impunemente nas várias plataformas de comunicação social, sinto-me compelido novamente a posicionar sobre os reiterados diferendos em torno do uso das redes sociais. Confesso publicamente que não tenho uma mundividência minimalista sobre as redes sociais e, tão pouco, catastrofista, tal como algumas pessoas da nossa praça pública (ALI) (AQUI). As redes sociais configuram, sem margem para dúvidas, uma das maiores e melhores conquistas do presente século. Veio democratizar o debate e a opinião pública, acabando, deste modo, com o elitismo secular e monopolista dos afamados “fazedores de opinião”, que privilegiadamente dominam restritivamente os medias tradicionais. Além deste assente e incontestável ganho humano-social, as redes sociais proporcionam extraordinárias interações que, de outro modo, seriam completamente difíceis de conseguir, somando a um rigoroso escrutínio público sobre a realidade política, governativa, social, religiosa, cultural e tudo aquilo que se passa no mundo (ah, já estava a esquecer, e também da intimidade da vida privada, que vai configurando a sedutora bisbilhotice de sempre da vida alheia). 

As redes sociais vieram naturalmente revolucionar e outorgar uma outra dimensão a liberdade de expressão, conferindo a todos, sem execpção, de forma igualitária e justa, as ferramentas indispensáveis para se dar a conhecer ao mundo – quer seja no aspecto positivo ou negativo. Hoje qualquer ser humano pode ser dono da sua própria opinião, construir a sua exclusiva narrativa dos acontecimentos e catapultar-se para a ribalta, com as profundas implicações sociais que isso encerra. Tudo isto, no cômputo geral, é um bom sinal e bastante benéfico para a sociedade. É a melhor “pulsação” da Democracia Participativa. 

Naturalmente que todos estes benefícios comportam também alguns riscos e desvantagens, tal como a generalidade dos ganhos (LER). Há sempre prós e contras praticamente em tudo. É nesta óptica que devem ser vistas e enquadradas as falsas notícias que têm estado a ser deliberadamente veiculadas nas redes sociais e, em determinados casos, nos medias tradicionais. E de facto, elas têm-se disseminado com um alcance sem precedentes, pondo em causa a reputação dos países, o bom nome das pessoas, instituições, com o claro objectivo de prejudicar os visados. Acresce ainda, a tudo isto, o acolhimento bastante favorável no seio das redes sociais da mensagem de intolerância de várias ordens, do autoritarismo, de ódio declarado, do racismo, do sexismo, da violação de direitos da personalidade no seu conceito latu sensu, da manipulação da opinião pública e toda a sorte de despotismo que por aí prolifera. 

Surge, perante tudo isto, mutatis mutandis. É importante, com carácter de urgência, alterar este malévolo e assustador cenário das redes sociais. Apostar sobretudo em outros meios mais exequíveis para combater definitivamente estes galopantes males e não continuar no mesmo discurso tautológico, conspirativo e de vitimização das redes sociais por vários relevantes acontecimentos mundiais, nomeadamente a ascensão ao poder dos partidos extremistas e o Brexit (LER), culpando em última instância as falsas notícias das redes sociais por isso. É preciso reforçar a fiscalização preventiva e segurança das plataformas informáticas, apertando o rastreio das informações que consubstanciam uma clara violação dos Direitos Humanos, chamando a responsabilidade jurídico-penal aos putativos infractores. Só assim haverá condições propícias para banir as notícias atentatórias da dignidade da pessoa humana. 

No que toca às falsas notícias não há outra alternativa viável que não seja a sensibilização da opinião pública para veemente repudiá-las, através de um consumo esclarecido e recensão crítica das notícias que vão aparecendo na “rede”. As falsas notícias, em abono da verdade, traduzem uma clara manifestação da liberdade de expressão. Justamente por isso é que surgiu o jornal “Polígrafo”, como outros dos seus congéneres, para fazer face às fake news que se vão propagando descontroladamente nas redes sociais e também na “insuspeita” imprensa de várias sensibilidades ideológico-políticas. 

De Olhos Postos no Brasil


Tenho estado a acompanhar de perto e com bastante preocupação o desenrolar do processo eleitoral no Brasil, que culminará dentro de poucas horas com a segunda volta entre Bolsonaro e Haddad. Não me revejo politicamente em nenhum dos dois candidatos. Se fosse brasileiro, tal como veiculei oportunamente aqui, não hesitaria votar em branco sendo assim congruente com a minha puritana ideologia Evangélico-Cristã (LER)

Ainda salientar que, independentemente de quem venha a ser eleito amanhã Presidente da República que procure, na medida do possível, ir ao encontro com as legítimas expectativas do povo brasileiro. Que haja de facto uma melhoria significativa a nível do crescimento económico do país, e concomitantemente na qualidade de vida das pessoas, sobretudo na tão propalada área da educação, saúde e segurança pública. Espero, da mesma sorte, que o combate à corrupção generalizada no aparelho de Estado, o tráfico de influências, a redução do fosso entre ricos e pobres, a política de integração e a lusofonia sejam agendas prioritárias do próximo executivo. 

Brasil tem todas as condições necessárias para se erguer como uma grande potência mundial. Precisa apenas, com carácter de urgência, encontrar bons governantes para dinamizá-lo e fazê-lo definitivamente trilhar o caminho do almejado progresso nacional (LER).

A Dupla Face dos Políticos


Não tenho uma mundividência céptica e fatalística da vida. Não tenho nenhum preconceito com a Política e os políticos em geral. Antes pelo contrário, aprecio imenso o papel nobre, preponderante e determinante da Política na Res Publica, sobretudo dos políticos que procuram diariamente na sua agenda governativa encarná-lo holisticamente. No entanto, a experiência prática tem-nos provado que nem sempre aqueles que apregoam efusivamente uma determinada ideologia política a favor dos pobres e excluídos da sociedade coadunam com ela na sua acção público-privada. E a maioria dos políticos, então, neste aspecto, são uns autênticos hipócritas e patronos de fraude. 

A concepção ideológico-política que os partidos têm seguido nas últimas décadas não se distancia tanto do modelo preconizado pelo filósofo alemão Hegel, que ficou conhecido como "A Dupla Face", apelidado posteriormente pelos moralistas do século XVII e XVIII como “Astucia da Razão”, que se traduz num artifício interpretativo hipostasiado, através do qual se apreciaria o efeito colectivamente benéfico da alienação individual. Na filosofia hegeliana está claramente subjacente a ideia de que o Estado deve procurar acima de tudo preservar a universalidade, elevando-se acima dos interesses corporativos e da sociedade civil, integrando em si os interesses particulares e os interesses colectivos, isto em termos tais que ambos os interesses apenas adquirem plena satisfação no Estado. Até aqui tudo bem e nada de anormal. Com efeito, vai ainda mais longe ao ponto de salvaguardar ambígua e contraditoriamente os interesses particulares das colectividades integrantes da sociedade civil, isto é, que estes devem estar subordinados ao interesse superior do Estado. Com esta incompreensível concepção de Hegel podemos concluir uma completa divinização do papel de Estado na esfera jurídica dos particulares e concomitantemente passando uma ideia de transpersonalismo do indivíduo dentro do mesmo Estado. Hegel, numa única formulação, tanto hipervaloriza o Estado como o indivíduo, considerando este último como razão última da intervenção daquele. Isto é, defende uma coisa para depois voltar a defender o seu contrário. Uma contradição completamente insanável. 

Por isso, tal como a "A Dupla Face" de Hegel, há um cunho ideológico-político por detrás de todas estas ardilosas agendas partidárias. O recente caso do vereador do Bloco de Esquerda Ricardo Robles (LER) e dos demais politiqueiros que temos assistido em Portugal e pelo mundo fora são exemplos manifestos disso: o da Dupla Face dos Políticos! 

Profissão de Fé


(Eu, Térsio Vieira. Foto tirada em frente do Palácio de Buckingham, em Westminster (LER), Londres, Inglaterra, na residência oficial da monarca Isabel II). 

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Celebro hoje trinta e quatro primaveras (gossi propi ku bedjussa tchigan di bardadi!). Uma importante data que encerra o milagre da minha existência. Tive, ao longo destes anos volvidos, altos e baixos a todos os níveis. São, de facto, o cúmulo de tremendas experiências que formam e caracterizam o ser humano que me tornei até à data presente: um Cristão Evangélico Baptista (LER), que adora a DEUS acima de todas as coisas, desprendido de valores materialistas e de quaisquer ressentimentos contra o próximo; que procura diariamente cultivar o amor e a simplicidade na maneira de estar e encarar a vida, não obstante as limitações e imperfeições que vou tendo como  ser humano. Gosto imenso de Teologia, Direito, Política, Economia, Sociedade, fazer novas amizades, falar, escrever, comer, entreter-me com a música, viajar para conhecer in loco outras realidades culturais, refugiar-me na leitura e no confronto saudável de ideias como forma peculiar de tentar reconciliar-me com o Mundo. 

Do ponto de vista Ideológico-politico – sou personalista, tendo uma mundividência híbrida (nem tanto de Esquerda nem tanto de Direita (LER), comungando parcialmente do Keynesianismo, do Liberalismo Económico e do Intervencionismo. Reaccionário quanto à Moral e aos Bons Costumes. Diria mesmo que, em última instância, norteio-me pela Doutrina Social da Igreja (LER) e pelos ideais do progressismo (LER). Religiosamente – Cristão, Evangélico, Baptista, Conservador, Calvinista, Determinista, encarnando em termos escatológicos a concepção Pré-tribulacionista quanto ao Arrebatamento e a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo. Socialmente – irenista e concomitantemente eremita (uma afirmação que, à primeira vista, parece paradoxal). Adepto da austeridade em todas as vertentes da vida, sem prejuízo pontualmente do escapismo hedonista. Sou extrovertido, na generalidade das situações, e introvertido quando me apetece. Gosto da ordem e da sistematização. Detesto o barulho e a confusão. Aprecio imenso a tertúlia e a vida solitária. Por isso considero-me um anacoreta atípico, porque consigo entre-cruzar as duas realidades no meu substrato identitário. Sou, da mesma sorte, um homem sensível e bastante formal no trato. Falo sempre aquilo que penso, sem usar os artifícios do "politicamente correcto". Talvez seja por esta razão que tenho atraído inúmeras inimizades ao longo dos anos, o que de todo não me tira o sono. Encaro a Família, o Amor, os Amigos, a Liberdade, a Amizade, a Verdade, o Perdão, a Paz, a Justiça, a Bondade e a Reconciliação como os bens mais preciosos que imperativamente qualquer ser humano deve encarnar durante a sua momentânea peregrinação neste "Vale de Lágrimas". 

A vida é precária, cheia de antagonismos e efémera. Passa tão rápido, sem darmos conta disso. Quando era criança ansiava a todo o custo a experiência adulta, considerando-a como sendo a melhor que o Homem dispõe ao seu alcance para a sua perfeita redenção. Hoje, já adulto, reconheço que estava absolutamente equivocado nas minhas ingénuas previsões infantis (LER). À medida que vamos envelhecendo mais carecemos de elevadas doses de sabedoria Divina para fazermos face aos complexos desafios quotidianos, sob pena de ficarmos muito aquém daquilo que deveria ser o nosso ideal testemunho de vida. Atendendo a esta inquestionável verdade soteriológica, a minha constante oração ao Senhor Jesus Cristo tem sido como a do Patriarca Moisés, a capacidade de saber ordenar correctamente os meus dias, com vista a entrar pela porta da sabedoria e atingir definitivamente a perfeição total (Salmo 90:12). 

Louvo a DEUS pelo dom inefável da vida que me outorgou e por me ter proporcionado saúde e protecção até os dias de hoje. A história da minha vida é um misto de vitórias e sofrimentos; de sucessos e aparentes fracassos.  Passei, inclusive, em determinadas situações, por momentos extremamente difíceis. Mesmo assim DEUS não me desamparou, estando sempre comigo. Dito por outras palavras, "o Senhor castigou-me muito, mas não me entregou a morte” (Salmo 118:18), confirmando assim a grande verdade bíblica que "muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas (Salmos 34:19). Somos, em todas essas lutas e provações, "mais do que vencedores, por aquele que nos amou”, visto que "nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”  (Romanos 8:38-39). Pude, realmente, experimentar essas magníficas e inauditas promessas Divinas, desde a mais tenra idade, razão pela qual estou bastante feliz e penhoradamente grato ao meu Eterno e Todo-Poderoso DEUS, por tudo o que tem feito na minha vida e vai continuar a fazer. Sei que posso contar sempre com a Sua incondicional presença e auxílio em todas as fases e circunstâncias da minha vida, mesmo que esteja a caminhar pelo "vale da sombra da morte". Ele vai permanentemente estar comigo para me amparar e livrar de todo o perigo e mal. A minha vida está segura nas Suas potentes mãos, sentindo-me espiritualmente coberto pelo Seu infinito Amor, Perdão, Bondade e Misericórdia para todo o sempre (Salmo 23:1-6). 

A todos os que me acompanha(ra)m nesta longa odisseia, nas mais diversas ocasiões, o meu profundo agradecimento. Estamos todos de parabéns. Fechou-se, ontem, felizmente, um ciclo de vida e abre-se um novo a partir de hoje com elevadas expectativas no horizonte por concretizar, querendo o Omnisciente DEUS. Até aqui nos ajudou o SENHOR. A ELE toda a Honra, o Louvor, a Glória e o Poder pelos séculos dos séculos. Que assim seja. 

O Despotismo Esclarecido de Fidel Castro


É com bastante preocupação que temos estado a acompanhar as reacções vindas de diferentes partes do mundo sobre a morte de Fidel Alejandro Castro Ruz (ALI) e (AQUI). Até aqui nada de anormal. A morte de qualquer ser humano, independentemente da sua condição, é sempre de lamentar. No entanto, não podemos deixar de nos demarcar de tão infeliz posicionamento de inúmeras pessoas que, imbuídas meramente pelo preconceito ideológico ou por interesses sombreados, pretendem a todo o custo endeusar e branquear o legado político de Fidel Castro (LER) e (ALI) e (AQUI)

Cumpre-nos informar que Fidel Castro foi em vida um ditador (LER). E um ditador, em última instância, é um carrasco em todos os sentidos do termo (LER). Uma pessoa que encarna na perfeição a máxima maquiavélica "que os fins justificam sempre os meios". Mesmo que seja necessário, de forma déspota, restringir as liberdades político-individuais, perseguir, prender, torturar, matar e cometer crimes contra a Humanidade. Para ele tudo é licito, contando que se concretizem os seus tiranos propósitos. Foi exactamente isso que Castro fez inexoravelmente ao longo da sua sanguinária presidência em Cuba, usando apenas o eufemismo "pela revolução, tudo; contra a revolução, nada" (LER). A revolução foi o abominável pretexto que o ditador usou para usurpar o poder e, deste modo, materializar os seus maléficos intentos. 

É verdade que todos os seres humanos à face da Terra, mesmo os da pior estirpe, têm alguma coisa de boa no seu substrato. E o ditador Castro não foi excepção a esta regra de apuramento. E aquilo de bom que se pode destacar da sua aparente "qualidade social” foi o de procurar coadjuvar o povo cubano a sair do lamaçal de pobreza em que se encontra(va), bem como apoiar a emancipação e autodeterminação de alguns países africanos, para assim credibilizar a revolução além-fronteiras. 

É curioso notar que, dos longínquos séculos XVI ao XVIII, a Europa Continental era igualmente governada pelos monarcas absolutistas que procuravam, numa mundividência paternalista, aplicar a lógica do desenvolvimento dos seus povos e concomitantemente praticavam flagrantes violações dos Direitos Humanos. É o tacticismo político de delimitar significativamente as liberdades individuais dos cidadãos e, em contrapartida, promover as realizações sociais do Estado. E os irmãos Castros foram grandes Mestres nisso. Todos os ganhos sociais que a República de Cuba obteve ao longos destas penosas décadas de opressão foram, e são, fruto do despotismo esclarecido implementado com mão de ferro sobre a ilha. 

E mais, em circunstância alguma podemos trocar a vida e a liberdade por quaisquer outros bens mundanais. Não há nada neste mundo que se lhes possam igualar. Julgamos que a maioria dos acérrimos defensores de Castro subscreveria esta inequívoca verdade antropológica, razão pela qual presumimos que dão primazia à Vida, à Dignidade da Pessoa Humana e à Democracia Participativa. São dos Direitos Fundamentais mais importantes que a Humanidade tem à sua disposição. Acontece, infelizmente, que aos marginalizados cubanos foram violentamente negados estes superiores direitos em nome do inquestionável "ideal político"

Por isso, entristece-nos imenso ver tanta gente inteligente a glorificar Fidel Castro e o seu abominável legado político, considerando-o um grande homem e estadista, indo contra toda a lógica do bom senso e da razoabilidade. E pior ainda é vermos os nossos estimados irmãos na fé, os Cristãos, a enveredar nessa asquerosa procissão, exaltando um assumido anticristo em vida (ALI) e (AQUI). Lamentamos profundamente esta indecorosa postura, que não se coaduna com os impolutos Princípios e Valores do Evangelho. 

Ainda salientar, em suma, que os tão propalados ganhos político-sociais que se imputam a Fidel durante o seu cruento regime em Cuba não o ilibarão do Julgamento Final, e tão pouco a História o absolverá das horripilantes atrocidades que cometeu contra o seu inofensivo povo, porque foi um ditador. Eis a mais pura das verdades, que merecem ser reiteradamente ditas e recordadas, pois somente a Verdade nos libertará. 

Bilhete de Identidade


Uma pessoa pode ser patriota, sem ser nacionalista. E pode ainda ser conservadora, sem perfilhar os ideais do reaccionarismo. Pode, da mesma sorte, ser progressista sem propriamente ser libertária. São termos com significados etimológico-filosóficos completamente distintos. Eu sou um devoto Cristão Evangélico e Baptista, arreigado nos ideais da Doutrina Social da Igreja. Também sou assumidamente personalista, tendo uma mundividência híbrida, comungando parcialmente do Keynesianismo, do Liberalismo Económico e do Intervencionismo. Convicto tradicionalista e conservador quanto à Moral e aos Bons Costumes. Não sou, como se pode ver, nem de Esquerda nem de Direita ou do centro. Diria mesmo que, em última instância, norteio-me pelos ideais do progressismo moderno da matriz Cristã.

A Traição


"A Traição"  é o tema do Ensaio de Henrique Raposo (LER)Aborda pertinentes questões em simultâneo, nomeadamente a marginalização das mulheres islâmicas, o choque de civilizações entre o Ocidente e Oriente, o multiculturalismo idealista, a incongruência de esquerda reaccionária e o relativismo pós-moderno. Muito acutilante e profundo. Subscrevo a generalidade das teses defendidas pelo ilustre autor. Conseguiu analisar, de forma sapiencial, as complexas temáticas em apreço. Recomendo vivamente a leitura do Ensaio, especialmente às mulheres. Tenham um bom proveito.

A Efemeridade do Poder Humano

Qualquer poder humano é efémero. E passa tão depressa com toda a sua pompa e glória. "Sic transit gloria mundi", já formulavam os sábios romanos há séculos. Quem julga o contrário vive na utopia. De hoje em diante o político David Cameron passa a ser um mero cidadão britânico, que apenas será recordado pelo seu legado político. A democracia é isto mesmo: a mutabilidade. Ainda bem que assim é. Embora há, em abono da verdade, regimes democráticos melhores que outros. Neste caso prefiro mais a democracia no Reino Unido do que na América. Ali é tudo mais fácil, compreensivo e célere, diferentemente do presidencialismo americano. Tocqueville que me perdoe pelo desabafo.

Nem do Tempo Velho nem do Tempo Novo


Tenho acompanhado a série de debates entre os candidatos que se perfilam na corrida presidencial, e registado a agenda política que cada um tenciona implementar caso vença as eleições. A única decepção que tenho tido até agora foi com o Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Ele querendo, a todo o custo, ganhar as eleições à primeira volta está desnecessariamente a apostatar a sua identidade ideológica, relativizando a sua profissão social-democrata e católica, distanciando-se dos "tóxicos" Passos Coelho e Paulo Portas (LER), assumindo posições políticas ecuménicas para agradar, no máximo possível, à generalidade dos portugueses. Ora isto é um tacticismo deplorável. Uma "elasticidade moral do cobarde", nas palavras do insuspeito Henrique Raposo (LER). Os fins nunca podem justificar os meios. A consistência é uma coisa importante na vida. Com este comportamento volúvel, o Professor corre o risco de perder muitos votos à direita sobretudo da ala mais conservadora, comprometendo assim a sua vitória logo à primeira volta. 

Não preciso mais ouvir os candidatos para concluir esclarecidamente o meu sentido de voto. Estou bastante elucidado sobre as suas propostas políticas, tendo já tomado a minha decisão final. 

Por imperativo da consciência vou votar em branco, tal como fiz nas últimas legislativas. Nenhum dos candidatos me inspira total confiança. Tinha, inicialmente, expectativas elevadas em Marcelo Rebelo de Sousa, por ter sido o meu Professor, e nutrir uma enorme simpatia pessoal pela sua forma peculiar de estar (LER)No entanto, este entusiamo foi-se esvanecendo à medida que a campanha eleitoral vai apertando, até há dias atrás quando afirmou, peremptoriamente, que deixaria passar o diploma de adopção por casais do mesmo sexo, a eliminação das taxas moderadoras cobradas na interrupção voluntária da gravidez (IVG) e a eventual lei da eutanásia, bem como a liberalização de drogas, inclusive ter elogiado as salas de chuto (ALI) e (AQUI), e titubeado sobre a matéria da barriga de aluguer, num autêntico oportunismo político com o intuito de atrair votos à esquerda. 

Estes temas são-me caros. Sou manifestamente contra a sua legalização. Não posso legitimar, em circunstância alguma, um presidente da república que pactue com tais hediondas práticas. Congruentemente com o que tenho vindo a defender, em vários fóruns e também aqui (LER), votarei em branco no dia 24 do corrente mês, por não me rever ideologicamente em nenhuma das plataformas dos candidatos – Nem do tempo velho nem do tempo novo. 

A Incongruência Ideológico-politica dos Cristãos


A perfilhação ideológico-política de um Cristão não é um tema consensual. Tanto que, por esta razão, tem sido exaustivamente objecto de infindáveis debates entre os fiéis ao longo dos últimos seis séculos, com vista a procurar situar a ideologia que se ajusta melhor às ordenanças bíblicas. As próprias Escrituras Sagradas não tomam uma posição linear sobre que orientação política o crente deve seguir. Podem servir-se delas para defender uma concepção de Direita e concomitantemente de Esquerda. Da mesma sorte podem usá-las para sustentar o Conservadorismo, o Reacionarismo, o Progressismo, o Liberalismo e o Radicalismo, bem como a Democracia Cristã, o Socialismo, a Social-democracia e o Comunismo. A Palavra de DEUS não se esgota unicamente numa ideologia política. Ela transcende, em larga medida, as redutoras mundividências do Homem e as suas polutas aspirações sociais. Por isso, há espaço para albergar parcialmente cada uma das ideologias naquilo que se destacam em termos positivos (LER). Talvez seja por esta razão que tem havido mal-entendidos, e até mesmo um certo tipo de aproveitamento, por parte de muita gente sobre esta sensível matéria. 

No "presente século mau" em que vivemos não há praticamente diferença assinável entre ser de Esquerda ou de Direita, tal como existia noutros tempos. Os temas ditos "fracturantes" tornam-se cada vez mais residuais. A tendência natural que os partidos têm vindo a adoptar é, tão-simplesmente, agradar ao eleitorado nas suas aliciantes propostas populistas e deste modo chegar ao poder o mais rápido possível. Apenas vamos notando algumas diferenças pontuais entre polos opostos. As opções socio-económicas dos partidos têm ganho mais relevo no eleitorado em detrimento de preferências ético-morais, que são relegadas para segundo plano. Ademais, nenhum partido político procura honrar a DEUS nas suas agendas políticas, antes pelo contrário afastam-No do seu programa, preocupando-se unicamente em satisfazer o eleitorado, mesmo aqueles que se auto-intitulam inutilmente "Cristãos"

Nada disto deve ser uma surpresa para o Cristão. Sabemos que tudo isso tem inevitavelmente de acontecer um dia. São manifestações visíveis dos "sinais dos tempos" (LER), que precederão a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo ao Mundo (Mateus 24:1-51 e 25:1-46). A tendência é de as coisas piorarem à medida que o tempo vai passando. O Cristão jamais conseguirá mudar, de forma unilateral, o curso funesto que a Humanidade toma paulatinamente através da sua política profana e, muito menos, julgar que consegue operar alguma alteração em sentido inverso. Deve, tal como bem ensina a Palavra de DEUS, orar pelas autoridades estabelecidas e os seus súbditos. A verdadeira mudança política, se tiver mesmo que acontecer, terá que vir das elites governativas transformadas pelo poder do Espírito Santo. É por meio dos políticos autenticamente regenerados, e dos seus respectivos partidos, que pode surgir uma autêntica mudança social. E julgamos, objectivamente, que, sem qualquer tipo de preconceito, os partidos mais equilibrados são os do centro – tanto de Esquerda como de Direita – sem prejuízo, obviamente, de reconhecer algum mérito nos outros. No entanto, todos estes partidos estão comprometidos com agendas malévolas e lobbies contrários aos sublimes Princípios e Valores das Escrituras Sagradas. 

Por isso, entendemos que não há solução viável que não seja a solução de não defender nenhum partido, ficando-se apenas neutro perante as opções ideológico-políticas que são apresentadas. O Cristão deve apenas trabalhar arduamente pelo bem das cidades em que esteja circunscrito, orando continuamente por elas (Jeremias 29:7). E o Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, na mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de advertir os seus leitores a "submeter às autoridades públicas, pois não há autoridade que não venha de Deus", pagando-lhes os devidos impostos e simultaneamente honrando-lhes naquilo que for necessário (Romanos 13:1;7). É imperioso cumprir essas obrigações cívico-políticas, sem perder de vista o nosso foco principal neste "Vale de Lágrimas", que é promover o Reino de DEUS e glorificar o Seu Santo Nome. "Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", encerrava inequivocamente esta grande verdade soteriológica expressa pelo Senhor Jesus (Mateus 22:21; Marcos 12:17; Lucas 20:25). 

Partindo de tudo o que ficou exposto, e em abono da verdade, o Cristão jamais poderá votar num partido ou candidato que defende o aborto (LER), a homossexualidade (LER), a eutanásia, a barriga de aluguer, a adulteração da família, a relativização da Moral e os Bons Costumes, etc. Tal conduta entra flagrantemente em contradição com a Bíblia Sagrada. É claro que o Cristão, igualmente, não pode ser conivente com os partidos que promovem e acentuam as assimetrias sociais, a corrupção, a marginalização, as desigualdades, o sexismo, a xenofobia, o ostracismo, a delapidação do meio ambiente, o liberalismo económico que beneficia os poderosos em detrimento dos pobres, etc. A orientação de voto de um Cristão deve ser pautada, acima de tudo, pela coerência com os sagrados Princípios e Valores do Evangelho. Não podemos professar uma coisa e posteriormente legitimar, por sufrágio secreto, algo em sentido contrário. Seria um autêntico paradoxo. 

E perante este grande dilema com que, infelizmente, estamos confrontados coloca-se uma pertinente questão para o Cristão: dos dois males destacados qual seria o menor? Obviamente o segundo. Jamais podemos comparar a hedionda legalização do aborto, a homossexualidade[1] com qualquer outro tipo de injustiça ou despotismo governativo. Contudo, tal não deve servir de desculpa para validar políticas iníquas e/ou imorais a pretexto de serem "males menores", até porque não existe hierarquização de pecados para DEUS, não obstante terem implicações e penalidades diferentes. 

Somos inteiramente da opinião que o Cristão deve votar sempre em branco quando se confronta com os dois males supra mencionados que, aliás, como é cognoscível, é uma realidade praticamente transversal a todos os países do mundo. É verdade que o voto em branco não tem consequências políticas imediatas, tal como votar numa determinada lista ou num candidato em particular. O Cristão não deve ficar sumamente preocupado por não estar a "alterar nada" em termos políticos. O factor determinante é sermos fiéis, máxime coerentes com a profissão de fé que abraçamos no Senhor Jesus. Mais vale não "alterar nada" do ponto de vista humano-social e agradar a DEUS com o nosso nobre testemunho de vida do que contribuir para validar asquerosas injustiças e ser manifestamente desobediente para com os mandamentos bíblicos. 

E mais, o voto em branco consubstancia uma falta de alternativa nos programas eleitorais apresentados pelos candidatos/partidos, contrariamente à abstenção que implica o não exercício do direito de voto e uma clara violação do dever politico-cívico. O Cristão que vota em branco exerceu, pelo menos, condignamente, o seu dever de cidadania. Não é menos preocupado ou desleixado com a situação política do seu país do que aquele que vota numa determinada plataforma. Tão simplesmente não se identifica ou comunga com nenhum projecto eleitoral que se propõe a sufrágio. 

Temos constatado uma efusiva manifestação de muitos Cristãos, que fazem a apologia de determinadas ideologias políticas, mormente apelando afincadamente ao voto em certos partidos/candidatos, não obstante estes já se terem provado publicamente aversivos aos ideais do Evangelho e serem em determinados casos anticristo. Tais Cristãos estão a ser claramente incongruentes com o seu testemunho de fé, esquecendo-se que a conversão que fizeram significa dar primazia à Palavra de DEUS em todos os domínios da vida – quer seja a nível familiar, relacional, profissional, social e político. Temos imensa pena dessas pessoas. Muita pena mesmo. Resta-nos, somente, usando a virtude do amor Cristão, pedir ao SENHOR que não lhes impute esta evitável falha espiritual, porque não sabem realmente o que fazem. 


[1] este último considerado um pecado "abominável" e passível de morte à luz das Escrituras Sagradas [vide o Levítico 18:22 e 20:13; Romanos 1:32].