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A Falsa Data de Independência da Guiné-Bissau e o Relatório da ONU Sobre os Direitos Humanos


Partilho aqui o vídeo que gravei esta tarde, a propósito da minha rubrica semanal, “Em Defesa do Futuro da Guiné-Bissau”. Abordei apenas dois grandes temas que marcaram agenda política e social do país nesta última semana, nomeadamente a vã tentativa do revisionismo histórico por parte de Umaro Sissoko Embaló e Biaguê Na N’Tan sobre a nossa data da independência nacional, descortinando o objectivo por detrás desta perigosa adulteração da nossa história. Alertei ainda os partidos políticos pró-democracia para não caírem no engodo e “canto da sereia” de Sissoko para aceitar a marcação de eleições legislativas, mas sim devem estar unidos, firmes e determinantes em exigir exclusivamente as eleições presidenciais ainda este ano, sob pena de usar todos os mecanismos constitucionais para afastá-lo do poder depois do dia 27 de Fevereiro do próximo ano. 

E, por fim, no segundo tema, abordei o preocupante relatório das Nações Unidas divulgado na semana passada que denuncia o tráfico de seres humanos na Guiné-Bissau, sobretudo das mulheres e crianças em particular. Infelizmente, tal como é do conhecimento da generalidade dos guineenses, ser mulher e criança na Guiné-Bissau não é nada fácil. As crianças guineenses, para grande tristeza nossa, são votadas a trabalhos forçados, violência doméstica, casamento forçado, prostituição e mutilação genital feminina, sem qualquer tipo de responsabilização das pessoas que praticam tais hediondos crimes, consubstanciando uma autêntica violação de Direitos Humanos. Não há primado da lei na Guiné-Bissau, antes pelo contrário, o que prevalece é arbitrariedade, a conveniência, o abuso de poder, o costume contra legem – e com todas as implicações que tudo isto representa na vida dos cidadãos, especialmente aqueles que são mais vulneráveis. 

Tenha um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo. Boa semana. 

Da Democracia na América: A Minha Leitura Sobre os Dois Candidatos Presidenciais e o Possível Vencedor


A forma mais fidedigna de aferir com precisão os hábitos, costumes e mundividências do povo americano é ler “Da Democracia na América” de Alexis de Tocqueville. É uma obra colossal que dispensa glosas. Nela o célebre autor francês reduzia sabiamente a peculiaridade civilizacional do povo americano, destacando todas as importantes áreas subjacentes a uma sociedade moderna. Aborda ainda os grandes pilares da democracia participativa, nomeadamente o direito, a igualdade, a liberdade, a segurança, a protecção, a economia e o progresso. É um dos mais reputados livros alguma vez escritos sobre a sociologia dos EUA e um dos mais influentes a nível da filosofia política. 

Por isso, propomos analisar as eleições norte-americanas com base nele, fazendo concomitantemente as devidas adaptações aos nossos dias coevos. Desde já, antes de prosseguirmos com o nosso pensamento, importa esclarecer que não estamos a apoiar nenhum dos candidatos. Se porventura fôssemos americanos, por imperativo de consciência, teríamos optado por abstenção como oportunamente justificamos aqui em outras ocasiões. Temos vindo a acompanhar, com particular atenção e interesse, o desenrolar de todo o processo de eleições para o próximo Presidente dos EUA, máxime o aparente paradoxo que o mesmo encerra. O delirante espectáculo político que os republicanos e os democratas estão a proporcionar ao mundo inteiro é a manifestação visível do “espírito americano” na sua plenitude. 

Neste momento é bastante prematuro augurar um possível vencedor das eleições. Numa leitura superficial e descuidada alguns precipitar-se-ão em atribuir a vitória à Kamala Harris, tendo em conta a sua posição mais ou menos ortodoxa e equilibrada à luz do “progressismo moderno”, comparativamente com o seu adversário Donald Trump, e acrescentando o facto de ser a segunda mulher na história do país a concorrer ao tão cobiçado cargo da República.  No entanto, numa visão meramente tocquevilliana, o candidato republicano Trump parte com um ligeiro avanço face à Kamala, dado que encarna melhor os valores do “America safe again” e/ou “America great again”. 

E mais, acresce ainda o facto de Trump defender no seu programa eleitoral temas bastantes caros aos americanos, especialmente a questão da economia, a segurança interna, o mercado protecionista, a política anti-imigração e a guerra aos radicais islâmicos. É um populista nato. Fala coisas agradáveis aos ouvidos dos seus conterrâneos que muitos pensam, mas que receiam dizer em público para não ferir susceptibilidades e serem politicamente incorrectos. O candidato Trump não teme este risco continuo das coisas, razão pela qual veicula vigorosamente o mote da expulsão massiva dos imigrantes ilegais nos EUA para, deste modo, atrair mais votos e consolidar o seu favoritismo perante o eleitorado. 

A Kamala, diferentemente, não definiu uma estratégia clara na sua agenda política. Ela tem limitado somente a contrariar a política de Trump, aproveitando alguns louros da actual administração que ela é Vice-presidente. Kamala é muito vaga no seu posicionamento sobre a temática da imigração, a economia, a guerra no Médio Oriente, especialmente entre Israel e o Hamas, assim como o impasse acentuado no conflito armado entre a Rússia e a Ucrânia. Tem focalizado mais na sua bandeira ultra progressista de liberalizar a hedionda pratica do aborto – e com todas implicações nefastas que isto terá e representará na vida de milhões dos americanos. 

Há ainda dois relevantes factores que jogam a desfavor de Kamala Harris: por ter sido conotada com os fracassos políticos de Washington, D.C. nos últimos anos e ser uma mulher na corrida presidencial. Ali, através da política menos conseguida do Presidente Joe Biden e por ser braço-direito deste como Vice-presidente, sendo manifestamente imputados todos os aspectos menos bons da actual administração. Aqui, tão-simplesmente, por ser uma mulher. É isto mesmo: uma mulher. Aquilo que poderia ser um triunfo inicial para ela poderá vir a ser uma autêntica pedra de tropeço. Isto porque os americanos, ao contrário dos outros povos, têm um conceito particular da concretização do Princípio da Igualdade. E como escrevia Tocqueville, para ilustrar e vincar esta grande realidade: “a América é o país do Mundo onde se teve o cuidado mais continuado de traçar para os dois sexos linhas de acção nitidamente distintas, querendo-se que eles andassem simultaneamente a par e por caminhos diferentes. Não se vê nenhuma americana a dirigir os assuntos externos da família, ou à frente de uma actividade comercial, ou agindo na esfera política, mas também não se encontra nenhuma mulher que seja obrigada a dedicar-se aos duros trabalhos da agricultura ou aos penosos labores que exigem o desenvolvimento da força física; e não existem famílias tão pobres que sejam obrigadas a fazer excepção a esta regra” (in “Da Democracia na América”, p. 724, Principia, Estoril, 2007). Os homens e as mulheres, nos EUA, há pelo menos um século, desempenhavam funções distintas uns dos outros, sem beliscar o Princípio da Igualdade na sua essência e construção, obviamente na óptica do autor francês. 

É verdade que já não se nota assim tanto uma diferenciada função entre os homens e as mulheres no mundo Ocidental. Houve, de facto, significativos avanços a nível da mentalidade das pessoas e na legislação dos países, minimizando assim as barreiras outrora existentes entre ambos os sexos, inclusive nos EUA. No entanto, tal não quer dizer que não haja ainda certos vestígios de preconceitos generalizados em relação à capacidade comprovada da mulher para conduzir os destinos políticos de uma nação. Uma coisa é ela ter vindo a desempenhar funções relevantes no aparelho do Estado e nas grandes empresas. Outra coisa, e bem diferente, é ser-lhe conferida a oportunidade única de ser Presidente de um país. Neste campo as mulheres continuam ainda a ser manifestamente discriminadas e relegadas para segundo plano, por serem apenas aquilo que são em termos biológicos, não obstante algumas melhorias verificadas no nosso mundo actual. Nos EUA, fazendo fé os relatos de Tocquiville e também no “cadastro histórico” do país, ficam ainda bastante aquém na matéria de Direitos Humanos. São ainda, em abono da verdade, tendenciosamente machistas. 

A Kamala Harris do ponto de vista objectivo tem tudo para ser a próxima Presidente da República dos EUA. Além da inquestionável tarimba política que acumulou ao longo dos anos, e mais precisamente nos últimos quatro anos, conhece muito bem os dossiers governativos. Está habilitada para ocupar a Casa Branca do que propriamente o radical, sectário e condenado Trump. Só que, por vicissitudes várias, as coisas não são assim tão lineares como aparentam. Ela para ganhar as eleições vai depender de vários factores conjugados, nomeadamente que Trump continue a cometer constantes gafes, a radicalização do discurso deste, a acentuação de cisão no seio do partido republicano e, por fim, que não haja nenhuma alteração brusca e em grande escala na política internacional nas próximas horas que se avizinham, sobretudo no Médio Oriente, aqui na Europa e no Indo-Pacifico. São estes importantes factores que vão garantir-lhe a eleição, caso contrário, tal será bastante difícil. 

A Kamala Harris se ganhar as eleições amanhã não é por ter um programa de governo auspicioso, mas sim pelo demérito do seu adversário Trump. Um homem com uma ideologia política extremamente perigosa: sexista por convicção, suprematista, belicoso, hipócrita, prepotente e ultranacionalista. Tanto que, por esta razão, foi condenado por fraude fiscal. Trump será uma ameaça para o mundo inteiro, isto é, se conseguir concretizar o seu maléfico intento, tal como tem veiculado por inúmeras vezes. Apesar dessas suas posições fraturantes e preocupantes, mesmo assim elas têm tido um acolhimento favorável na sociedade americana. Isto deve-se ao facto de os americanos darem demasiada primazia aos pontos chave do seu programa eleitoral, tal como supra destacamos. 

Vai correr muita tinta até as eleições de amanhã. Não temos margem para duvidar disso. Tudo ainda pode acontecer. É isto que faz os EUA ser o grande país que é e uma das maiores democracias do mundo. Cabe tudo nele. E nele tudo cabe. Consegue conviver pacificamente com os paradoxos. E estas eleições são uma autêntica manifestação dos antagonismos e da imprevisibilidade do povo americano. Os dois candidatos presidenciais são medíocres e ficam bastantes aquém daquilo que o povo americano merece. 

Da nossa parte, vamos aguardar serenamente o que o futuro dirá daqui algumas horas. De uma coisa temos absoluta certeza, e não hesitaremos em afiançá-lo publicamente: os EUA jamais serão iguais com o próximo Presidente da República – para o bem e para o mal. 

O Adiamento das Eleições Legislativas Por Umaro Sissoko Embalo e o Falso Governo de Unidade Nacional


Partilho aqui o vídeo que gravei no domingo passado “Em Defesa do Futuro da Guiné-Bissau. Não calhou publicá-lo ao longo destes dias todos por razões várias. Só hoje foi realmente possível a sua publicação. Nele antecipei o possível adiamento de eleições legislativas por parte de Umaro Sissoko Embaló (que veio, sem surpresas nenhumas, a confirmar anteontem), bem com descortinar todas as armadilhas perigosas que estão por detrás de tal adiantamento de eleições e o putativo governo de unidade nacional. 

Aproveitei ainda a ocasião para chamar atenção a Fernando Dias e Nuno Gomes Nabiam da postura dúbia e pouco séria que têm tido no combate contra a ditadura de Umaro Sissoko Embaló no país. Tenha um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo.  

Caricatura Francesa


Consolidei há muito tempo o meu palpite determinista sobre a crescente polarização e barafunda ideológica que se vive em França, depois de me ter dado conta que os franceses realmente não se emendam, por causa do seu obsessivo chauvinismo e exacerbado complexo de superioridade de se colocarem sempre na “vanguarda”. Os franceses foram vanguardistas da Revolução Francesa do século XVIII e também no pós-segunda guerra mundial de 1945. E a nível de invenções humanas, então, em abono da verdade, os franceses são praticamente imbatíveis. 

Eles, os franceses, desde os primórdios, sempre tiveram a peculiar genialidade de inventar tudo o que lhes aprouvessem, diferentemente dos outros povos do mundo. Conta-se, parafraseando o Jansenista, que foram os franceses que inventaram a “burguesia” e a “ideologia”; inventaram a “esquerda” e a “direita”; inventaram “a traição de Dreyfus” e o “soixante-huitard”; inventaram o “mercantilismo” e as “porcelanas de Limoges”; inventaram o “jardim à francesa” e o “bouillon”; inventaram a “chinoiserie” e metade dos “queijos do mundo”; inventaram a “nacionalidade” e a “república”; inventaram a “liberdade” e o “princípio da igualdade”; inventaram a “revolução” e a “laicidade”; inventaram a “alternância governativa” e  os “limites dos mandatos”; inventaram a “arte” e o “impressionismo”; inventaram o “relativismo” e o “ateísmo”; inventaram o “secularismo” e o “progressismo”; inventaram “o género” e o “feminismo”; inventaram “o amor” e o “romantismo”; inventaram “a auto-determinação sexual e o “poliamor”; diz-se ainda que foram os franceses que inventaram “ménage à trois” e outras aberrações sexuais que os amoralistas e liberais tanto se orgulham  (dissolutos, bem entendido). Não surpreende que pareçam hoje completamente reféns de todas essas “invenções” e “reinvenções”, interagindo assim com o resto do mundo. 

Por isso, nas eleições presidenciais que se avizinha na primavera do próximo ano, «que estejam a inventar algo de novo, uma desconcertante baralhação de categorias que lhes devolve a oportunidade de irem na vanguarda, deixando o resto do mundo com a caduca herança daquilo que para os franceses já não serve. Ils se payent nos têtes, em suma. É assim desde o século XVII.».

Lula Livre e o Brasil Preso

A inédita decisão do juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil Edson Fachin de anular, com força obrigatória geral, as condenações que imperavam sobre o ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva consubstancia uma reviravolta gigantesca na jurisprudência brasileira. Sem querer propriamente pronunciar-me sobre o complexo processo há, desde o começo, sem dúvida, futrica jurídica e falta de imparcialidade no referido processo patrocinado pelo juiz Sergio Moro para prejudicar deliberadamente Lula da Silva e (LER), deste modo, vedando-lhe a possibilidade de ser candidato nas eleições presidenciais brasileiras de 2018, tal como foi (LER)

Com esta surpreendente decisão forense de anular as condenações de Lula da Silva vai ter fortes repercussões jurídicas e políticas no país. Ali, em abono da verdade, vai contribuir ainda mais para enfraquecer as descredibilizadas instituições da república do país aos olhos do povo brasileiro e do mundo geral. Ao passo que aqui esta opção judicial, a fortiori, catapultará Lula como um dos candidatos favoritos nas eleições presidências do próximo ano. Em suma, Lula ficou livre para ser possivelmente o futuro Presidente da República e o Brasil continua preso no seu marasmo obstrutivo.  

O Legado de Um Político Ímpar


 Dentro de algumas horas, sem quaisquer surpresas, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa será reeleito Presidente da República Portuguesa. Fez para merecer esta reconfirmação presidencial por parte dos portugueses. O Professor Marcelo é um homem humilde e com qualidades excepcionais. Eu, à semelhança de muitas pessoas que tiveram a grata oportunidade de relacionar com ele pessoalmente, posso testemunhar isso. Foi o meu Professor na Faculdade de Direito de Lisboa, no entanto ele era muito mais do que um mero professor ali na sala de aula e nos corredores da faculdade. O Professor Marcelo era dos professores que tomava café com os alunos, que pagava discretamente propinas aos alunos mais carenciados e que marcava para ir jantar com a turma, etc. 

O Professor Marcelo é, acima de tudo, uma pessoa acessível e de bom trato. Um homem do povo. Todos estes feitos poderão parecer banais. Por conseguinte, não são de somenos, pelo menos na minha Escola. A generalidade dos professores ali não são acessíveis. E quanto mais graus têm tornam-se ainda mais inacessíveis e, em determinados casos, presunçosos. O Professor Marcelo não encarna nada destes epítetos, que consubstanciam um autêntico elitismo exacerbado, não obstante vir de um círculo bastante privilegiado e fazer parte da pequena burguesia portuguesa. Mesmo assim, não ostenta nada disso na sua forma de estar e relacionar com os terceiros. Guardo boas recordações do senhor Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Integra um dos poucos catedráticos que admiro na minha Faculdade. 

O Professor Marcelo Rebelo de Sousa é um homem de Família, Católico assumido, Prestigiado Jurisconsulto, um Académico reputado, político ímpar e, acima de tudo, um ser humano completamente excepcional. Todas estas nobres virtudes habilitam-no, sem margem para dúvida, para o cargo presidencial. Por isso, contra toda a pandemia e abstenção propalada; contra todo o populismo e radicalismos; contra todo o fanatismo ideológico e sectarismo; contra todo o ressentimento e inveja; contra todos os ventos e marés, o Professor Doutor Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa será reeleito amanhã Presidente da República Portuguesa[1].


[1] Por uma questão de objecção de consciência não vou votar amanhã, tal como fiz há cinco anos. De uns anos para cá tenho, de forma livre e esclarecida, renunciado o direito ao sufrágio e vou continuar assim nos próximos tempos (LER). 

Sic Transit Gloria Mundi


Atribui-se ao monge agostiniano Tomás de Kempis a autoria da célebre frase latina “sic transit gloria mundi”, que numa tradução aberta significa “toda glória do mundo é transitória” ou “o quão rapidamente passa a glória do mundo”. Os filósofos antigos interligavam simultaneamente a noção da glória com o poder, como sendo corolário axiológico da suma felicidade do homem e do seu triunfo final nesta vida, máxime no pensamento utilitarista de Jeremy Bentham, John Stuart Mill e Tomás Hobbes. Este último, inclusive, vai ao ponto de considerar que somente o soberano detém realmente o poder – seja ele um homem ou uma assembleia de homens –, razão pela qual deve exercê-lo de forma coerciva e absoluta. 

Há, no entanto, uma patente querela doutrinária sobre a definição do poder e a sua finalidade última. Se o homem se apercebesse com prematura sabedoria, observavam os moralistas Cristãos nas suas visões deterministas sobre a natureza humana, do facto de a vida terminar numa radical inutilização e de todo o poder e riqueza acumulada em vida não poupar ninguém da decadência e da morte, veria o absurdo do esforço e a natureza pírrica de todo o triunfo – e cairia, por isso, na contemplação e na indolência, contente, resignado com a pobreza resultante da sua sábia improdutividade. Por isso, nesta esteira de pensamento, o rei Salomão qualificava peremptoriamente  o poder humano e toda a glória do mundo de “vaidade de vaidades! Tudo é vaidade e aflição do espírito (Eclesiastes 1:2; 2:26)

Este longo intróito vem na sequência da sucessão de poder que terá lugar hoje nos EUA. Dentro de algumas horas Donald John Trump deixará de ser presidente de um dos países mais poderoso do mundo. A partir das 11h:00 desta manhã nos EUA passará a ser qualificado como o ex-Presidente dos Estados Unidos da América e, assim, passará a ser julgado definitivamente pelo seu legado político-governativo. Um legado que ficou profundamente marcado por vários escândalos sem precedentes – tanto a nível interno como externo. O Presidente que aspirava “Make America Great Again” ficou bastante aquém neste seu desiderato político-governativo. Por isso, foi duramente penalizado pelo povo americano nas urnas. O senhor Donald John Trump sai da Casa Branca sem honra nem glória. Sai pela porta dos fundos. Saí para nunca mais carregar a Res Publica americana. Sai para não deixar saudades nenhumas. E, por fim, sai para ser julgado pela História. É mesmo fim de um ciclo político. Era um desfecho previsível. Sic transit gloria mundi...

A Estátua da Democracia Vai Cair?


Este foi o tema da capa da reputada revista Courrier Internacional há ano, denunciando que os sinais da intolerância política avolumam-se, a uma velocidade impressionante, nos últimos tempos: eleições dominadas pelo sentimento de raiva dos votantes, chegada ao poder, em diversas nações, de líderes autoritários e antissistema, regresso dos populismos e dos discursos nacionalistas e de ódio, etc(LER). O turbilhão político que se vive nos últimos tempos nos Estados Unidos da América (EUA), especialmente com a tomada do Capitólio ontem pelos manifestantes pró Trump é o manifesto reflexo do descarrilamento sem precedentes da Democracia aqui no Ocidente. 

É triste ver no país que é considerado como sendo a maior Democracia do mundo, modelo para muitos países, a resvalar na obstrução democrática. É triste ainda vislumbrar o espetáculo degradante de um Presidente da República que está no fim do seu mandato, mesmo assim tentando a todo o custo colocar em causa a unidade e coesão dos EUA. É triste, da mesma sorte, constatar que há crentes no Senhor Jesus Cristo que estão plenamente sintonizados com a sua autoritária ideologia, inclusive usando de forma descontextualizada os impolutos Princípios e Valores do Cristianismo para defendê-lo acerrimamente. A Democracia Americana não merece nada disto. O povo americano também não merece o demagogo Presidente que actualmente tem. O idealismo político-liberal americano fervorosamente defendido por Thomas Paine, Alexis de Tocqueville e Thomas Jefferson ficou claramente manchado nos próximos tempos, com o não reconhecimento dos resultados eleitorais pela actual administração e a capitulação do capitólio perante a multidão ululante pró Trump. Desde ontem a democracia americana não será mais a mesma coisa. Não será mais a mesma coisa, infelizmente (LER)     

Uma Breve Análise sobre o Último Acordo do Supremo Tribunal de Justiça


Fazendo uma abordagem subsumida daquilo que poderá ser o alcance e as possíveis consequências jurídicas do último acórdão do Supremo Tribunal da Guiné-Bissau (ALI) (AQUI), entendemos o seguinte: 

a) Desde logo, em primeiro lugar, os Juízes Conselheiros concluíram que há uma manifesta “inobservância da prescrição legal imperativa” por parte da Comissão Nacional de Eleições (CNE), ou seja, por outras palavras, uma deliberada violação dos pressupostos formais e legais impostos pela Lei Eleitoral, no que toca à divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais, razão pela qual não se atêm, para já, no conhecimento do mérito da causa suscitada pela candidatura do Engenheiro Domingos Simões Pereira. No entanto, mesmo assim, insta a CNE ao cumprimento integral da formalidade preterida; 

b) Esta decisão do STJ, em abono da verdade, é um duro golpe sobre a competência da CNE neste último escrutínio presidencial, uma vez que esta instituição do nosso país ficou bastante aquém daquilo que são os requisitos formais e imposições legais antes da divulgação dos resultados provisórios. Por isso, independentemente da CNE sanar ou não a ilegalidade invocada pelos Juízes do Supremo Tribunal, a sua competência e imparcialidade neste processo eleitoral ficará eternamente maculada; 

C) E, por fim, esta decisão judicial consubstancia, nesta primeira fase, uma pequena vitória da candidatura do Engenheiro Domingos Simões Pereira e uma “canelada” na candidatura de Sissoko Embaló. Ora, visto que não há mesmo acta que habilite realmente a plenária da CNE à divulgação dos resultados provisórios e, consequentemente, definitivos, não temos a mínima dúvida que o Supremo Tribunal quando decidir conhecer de facto o mérito da causa declarará a anulação do acto ilegal da CNE, de forjar uma acta extemporânea, com força obrigatória geral, e  com todas as implicações jurídico-políticas que tal decisão acarretará no processo eleitoral em apreço. 

Fim de Um Ciclo Político


O Presidente José Mário Vaz foi manifestamente derrotado nas urnas pelo povo Guiné-Bissau, confirmando assim os postulados da Democracia Participativa no sentido que o poder é exclusivamente do povo e reside apenas nele. É ele que voluntariamente o delega nos órgãos de soberania para representá-lo e pode avocá-lo para si quando as suas legítimas expectativas não estão a ser correspondidas na íntegra pelo Poder Político (LER). O senhor José Mário Vaz, durante o seu conturbado e faccioso mandato, ficou bastante aquém daquilo que são as prerrogativas constitucionais de um Presidente da República no nosso sistema político (ALI) e (AQUI). Por isso, foi duramente penalizado pelo povo guineense. É, sem dúvida, o grande derrotado nestas eleições presidenciais. O senhor José Mário Vaz sai do Palácio da República sem honra nem glória. Sai pela porta dos fundos. Saí para nunca mais carregar a nossa Res Publica. Sai para não deixar saudades nenhumas. E, por fim, sai para ser julgado pela História. É mesmo fim de um ciclo político. Era um desfecho previsível. 

As Expectativas Sobre o Novo Governo da Guiné Bissau e os Possíveis Cenários das Eleições Presidências



Partilho novamente o sucinto vídeo que gravei há bocado sobre o fim da Crise e as Expectativas sobre o novo governo que tomou posse ontem, bem como os possíveis cenários das eleições Presidências. Tenha um bom proveito na visualização. Boa noite.