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Saber Discernir o Tempo em Que Vivemos


Estive há duas semanas a pregar no culto dominical da minha igreja, isto é, no dia 18 de Agosto. O tema que foi objecto da minha mensagem foi “Saber Discernir o Tempo em Que Vivemos”, tendo como texto de apoio o Evangelho s. Mateus 24:1-14. Este capítulo, segundo os teólogos, é um dos mais difíceis de interpretar na Bíblia Sagrada, tal como o livro de Apocalipse, visto que envolve os complexos temas escatológicos. Mesmo assim, pela graça de DEUS, procurei humildemente não entrar em especulações teológico-doutrinárias e ater-me apenas aos aspectos práticos de cada um dos versículos em apreço. 

O Senhor Jesus Cristo saiu completamente do templo, tal como vinca manifestamente o autor sagrado (Mt 24:1). Esta saída coincidiu com a Nova Aliança pré-estabelecida por DEUS, desde os primórdios do mundo, e revelado no Antigo Testamento. Por isso, não foi uma saída qualquer como Ele fez em outras ocasiões do Seu ministério terreno. O Filho do Homem retirou-se definitivamente do templo para nunca mais voltar a entrar nele. Abandonou-o triste com a adulteração do culto a que ele foi infelizmente reduzido pelas polutas autoridades judaicas, permitindo assim o sacrilégio dos vendilhões dentro dele, somando ainda a incredulidade do povo em relação à Sua pessoa, não obstante as inúmeras tentativas do Senhor Jesus em congregá-los como a galinha ajunta os seus pintainhos debaixo das asas. No entanto, eles deliberadamente não quiseram (Mt 23:37), confirmando-se assim as palavras do Evangelista João sobre o Messias que “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1:11). São factores determinantes que condicionaram esta inevitável saída do Filho de DEUS do templo, máxime a concretização plena do Seu Reino na Terra. 

Podemos extrair, de forma cristalina, esta conclusão nos últimos dois versículos do capítulo anterior que expressamente diz: “eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; porque eu vos digo que, desde agora, me não vereis mais” (Mt 23:38-39). A Glória do Senhor foi-se embora do pomposo templo (Mc 13:1-2). O outrora espaço sagrado de “shekiná” ficou irreversivelmente desabitado pelo Eterno Jeová. Já não é mais a casa do Todo-Poderoso DEUS, tal como inúmeras vezes foi apelidado nas Escrituras Sagradas, mas sim “a vossa casa”, isto é, dos incrédulos judeus e as suas ímpias autoridades. Em consequência disso, o anátema templo foi completamente destruído nos anos 70 d. C pelo império romano. 

Os discípulos, de acordo com o texto sagrado, perguntaram-Lhe: “dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (Mt 24:3). Fazia-lhes imensa confusão a sentença do Senhor Jesus sobre o templo, pois tal sentença advém da sequência imediata dos discípulos lhe chamarem a atenção para a beleza da construção do templo (Mt 24:1). Extraímos aqui, nesta curiosidade dos discípulos, três importantíssimas perguntas feitas ao Senhor Jesus. A primeira pergunta prende-se com os acontecimentos anunciados pelo Senhor Jesus sobre a destruição do templo; a segunda que sinal haverá da Sua vinda e, a última, o tempo exacto do fim do mundo. Aliás, os discípulos voltaram a interrogá-Lo sobre esta mesma temática momentos antes da Sua ascensão aos céus (At 1: 6). Apesar de toda esta natural curiosidade humana sobre os mistérios ocultos, o Senhor Jesus não revelou com total precisão o dia e a hora em que Ele há-de vir (Mt 25:13), porque ninguém mesmo sabe: nem os anjos no céu, nem o Filho. Só o Pai é que conhece este recôndito mistério (Mt 24:36). 

O Senhor Jesus Cristo, sentado no Monte das Oliveiras com autoridade divina para ensinar, e não como a dos doutores da lei (Mt 7:29), respondeu sabiamente às referidas questões com as seguintes advertências: “acautelai-vos, que ninguém vos engane” (Mt 24:4). A constante vigilância espiritual é fundamental para o sucesso da vida Cristã. Ela é, sem margem para dúvida, o antídoto para discernirmos correctamente os pseudo-messias e, concomitantemente, saber compreender plenamente em que tempo estamos de facto a viver (Mt 24:42; Ro 13:11), bem como detectar os dissimulados profetas. Isto porque surgirão falsos cristos, falsos cristãos, falsos líderes, falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos de DEUS (Mt 24:24; Mc 13:7; 22; 2 Ts 2:9-11). 

E, de seguida, o palco será de guerras e rumores de guerras ao redor do mundo, mormente a implacável perseguição e o martírio dos Cristãos. Por aumentar a iniquidade, de forma rápida e assustadora, o amor de muitos esfriará. Nesta altura, inúmeras pessoas apostatarão a fé. A galopante traição, o ódio, a heresia, o escândalo, a falsidade, as guerras, serão comuns no seio dos seres humanos, inclusive dentro das igrejas. Podemos constatar essas inequívocas verdades na pandemia que o mal exercerá na vida das pessoas, através dos versículos 5, 10, 11 e 12 do mesmo capítulo. A palavra “muitos” vai-se repetindo seis vezes nos primeiros doze versículos, sempre com a conotação pejorativa, com intuito de dar ênfase as calamidades daqueles tenebrosos dias. Os autênticos Cristãos sentir-se-ão na pele o elevado preço de ser o testemunho fiel do Senhor Jesus Cristo. Mesmo assim, a Igreja triunfará e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16:18;2 Ts 2:8). Quem assim seja. E assim sempre será no nome Bendito do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (LER)

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (3): Saber Ouvir os Conselhos (Ec 4:13-16).


O homem é um ser gregário e, nesta convivência gregária, constrói profundos laços de sociabilização, que se vão traduzindo na inteira dependência e interdependência uns dos outros. Por isso, somos aconselhados pelos terceiros e também aconselhamos aqueles que precisam da nossa ajuda. Damos constantemente conselhos e, da mesma sorte, estamos sempre a receber conselhos. Não há nenhum ser humano neste “vale de lágrimas” que não vive dos conselhos – quer dando quer recebendo. Todos nós, sem excepção, na generalidade das situações, fundamentamos as nossas decisões com base nos conselhos que vamos recebendo daqueles que nos são mais queridos ou que, de alguma certa forma, reconhecemos autoridade na matéria em que precisamos de orientação. 

Não há ninguém que possa prescindir dos bons conselhos e ser bem-sucedido na vida. Os conselhos tocam tudo e todos: envolvem todos os estratos sociais. Todas as idades. Todos os géneros. Todas as classes de pessoas e todas as pessoas no geral. Precisam deles os ricos e os pobres. Os doutos e indoutos. Os velhos e as crianças. Os detentores da autoridade e os subalternos. Os homens e as mulheres. Tanto que, por esta razão, o aconselhamento reveste-se de carácter importantíssimo na nossa civilização ao longo dos séculos, permanecendo esta inquestionável verdade até aos nossos dias pós-modernos. 

No entanto, por preconceito doentio e soberba perniciosa, sabemos que nem todas as pessoas são predispostas a ouvir conselhos de terceiros e, muito menos, a pedi-los, tendo em conta o orgulho exacerbado e a falsa percepção da realidade que tais pessoas têm de si mesmas, julgando-se superiores aos outros. Em consequência disso, fecham-se completamente a qualquer tipo de conselhos, optando meramente por se refugiarem nas suas próprias ideias e opções de escolha. A idade, o estatuto social, a origem social, o poder, a fama, o dinheiro e a qualificação não devem ser causas impeditivas para não recebermos os conselhos daqueles que, porventura, podemos achar objectivamente que estamos numa posição superior. Os pais devem estar abertos a ouvir conselhos dos seus filhos e vice-versa. Os pastores devem aceitar ser admoestados pelos membros da igreja, tal como fazem com eles. Da mesma forma, os patronos devem ter a humildade suficiente para ouvir os seus empregados; os governantes para com os governados, etc. 

Ora, isto não quer dizer que temos imperativamente de acatar todos os conselhos que vamos recebendo, uma vez que nem todos os conselhos são realistas e justos. Há muitos conselhos adulterados, injustos e maléficos. O objectivo é, acima e tudo, termos a humildade de saber solicitar ou ouvir oportunamente os conselhos e, com base nesta audição, examinar tudo e reter o que é mais correcto para a nossa vida. Já é um grande passo estar inteiramente disponível para ouvir conselhos, chamadas de atenção e advertências, independentemente da sua proveniência e do seu interlocutor. É sinal de grande abertura, maturidade, humildade e sabedoria da nossa parte. 

O rei Salomão, um dos homens mais sábios da história da Humanidade, considerava peremptoriamente “insensato” o velho que não sabe ouvir conselhos (v.13), julgando-os inconvenientes por causa da sua idade, diferentemente das pessoas prudentes que estão sempre abertas aos conselhos, sobretudo os conselhos sábios e valiosos. É sobre esta verdade soteriológica que procurei explorar aqui nesta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD). 

Que o Todo-Poderoso DEUS nos abençoe e nos ajude a procurar os conselhos da Sua Santa Palavra para, deste modo, podermos tomar decisões correctas, sensatas e irrepreensíveis neste perverso mundo em que estamos submergidos. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no Senhor Jesus Cristo. 

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (2): A Pureza Sexual (1 Ts 4:1-12)


O sexo e a sexualidade são temas completamente tabu no meio Cristão, especialmente nos círculos evangélico-tradicionais. Praticamente não se fala do sexo do ponto de vista eclesiástico, excepto estrita e esporadicamente nos encontros de casais. Esta posição ultraconservadora sobre o sexo no seio dos evangélicos é altamente influenciada pela Igreja Católica Romana que, tal como sabemos, tem uma posição sui generis nesta matéria. 

Santo Agostinho, um dos maiores teólogos Cristãos de todos os tempos, formulou na sua magistral obra “Confissões” o conceito do “pecado original”, que posteriormente desenvolveu na “Cidade de Deus”.  O Pecado original, segundo o insigne Doutor da Igreja, entrou no mundo por via do sexo. A libido e os cuidados redobrados que o ser humano normalmente tem com as regiões pudendas são as manifestações visíveis da vergonha que procedem do castigo (LER), defendia peremptoriamente o reputado teólogo. E toda esta construção doutrinária vai tendo fortes implicações práticas na forma peculiar como a Igreja Católica encara e aborda o sexo, sobretudo negando implicitamente o seu carácter de fruição, reduzindo-o lato sensu à procriação. Por isso, a problemática sobre a intransigente oposição do Vaticano ao uso de métodos contraceptivos entre os casais no âmbito matrimonial só poderá ser holisticamente compreendida no “pecado original” de Santo Agostinho. 

Este ultraconservadorismo sexual da Igreja Católica Romana, embora com algumas nuances, vai ganhado um amplo acolhimento no protestantismo tradicional, arrastando concomitantemente os movimentos pentecostais e neopentecostais. Obviamente, não se pode banalizar o sexo. É um facto. Da mesma sorte, não se pode torná-lo um tema tabu, particularmente no nosso mundo pós-moderno onde se explora o sexo até à exaustão em todas as dimensões da convivência social. 

E mais, tal como sustenta correctamente a Declaração da Fé Baptistas Portuguesa, “Deus não condena o ato sexual em si, mas a prática sexual desgovernada, sem limites e sem princípios divinos.  Deus não deixa a sexualidade ao critério de cada um, até mesmo aos casados lhes adverte e aconselha para que nenhum dos cônjuges negue o sexo, antes procedam com consentimento mútuo. A atração física, emocional e o verdadeiro amor no casamento são condições indispensáveis para uma sexualidade abençoada. Todas as práticas sexuais desviadas dos padrões das Escrituras se inscrevem no mundo do abrasamento e das perversões (parafilias), degradantes da vida e da sua dignidade, a saber: prostituição, homossexualidade, pedofilia, pornografia, incesto, violação e bestialidade»” (LER)

É preciso reforçar, cada vez mais, nas nossas igrejas, um ensino doutrinário consistente sobre o sexo e a sexualidade saudável para, deste modo, poder munir os nossos adolescentes, jovens e adultos a responderem satisfatoriamente aos presentes e exigentes desafios a esse nível. Só assim, deixaremos de ser presas fáceis da fornicação, pornografia, adultério e todo o tipo de imoralidade sexual. E tudo isto, em última instância, só se alcança vivendo na pureza sexual. 

Ora, é esta verdade salvífica que procurei abreviadamente desenvolver nesta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD). Tenha um bom proveito na sua auscultação. 

A Vida Cristã e o Serviço


Partilho aqui a minha pregação ontem na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, sob o tema “A Vida Cristã e o Serviço”, baseado no texto bíblico da epístola aos Romanos 12:1-21. 
Tenha um bom proveito na sua auscultação e que DEUS realmente lhe abençoe.

O Aniversariante

O nosso estimado Rogério Lopes Bastos faz anos hoje (LER). Ele é, tal como dizem os brasileiros, "o cara"! Desejo-te, irmão, um feliz e bem-sucedido aniversário na Graça e Paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Todas a felicidades do tempo e da eternidade.

O Jovem Cristão e o Mundo



A vida de um jovem nos dias que correm não é nada fácil. A situação agrava-se ainda mais quando se trata de um devoto Cristão, tendo em conta a predominante cultura do "presente século mau" que entra flagrantemente em contradição com os impolutos Princípios e Valores da Palavra de DEUS. A começar, desde logo, com a ênfase exacerbada que se vai dando ao relativismo moral, ao ateísmo obscurantista, ao materialismo desenfreado, às paixões libidinosas, à avidez pelo lucro fácil, à corrupção generalizada e ao vício insaciável pelo poder, consubstanciam as manifestas marcas distintivas do nosso tenebroso mundo dito "pós-moderno". E, assim, nesta adulteração comportamental, a força vai-se sobrepondo ao Direito, o interesse à Verdade, o dinheiro à Consciência, e com todas as profundas implicações que isto acarreta do ponto de vista humano-social. Sabemos que, por razões cognoscíveis, os jovens acabam por ser as presas mais fáceis destas profanas concupiscências. 

É neste contexto de deboche que o jovem Cristão é chamado para afirmar intrepidamente a sua fé, sem quaisquer tipos de complexos, sendo "sal e luz do mundo" (Mateus 5:13-16), no meio duma geração corrompida e perversa (Filipenses 2:15). Mas, para isso, ele precisa conservar sadiamente a fé e a boa consciência (1 Timóteo 1:19), isto é, uma consciência que não é manchada por nenhum vício ou pecado, dando convictamente o testemunho do Evangelho "dentro e fora do tempo" – repreendendo, corrigindo, exortando com toda a paciência e doutrina (2 Timóteo 4:2). No entanto, para que isso se concretize, tal como admoestam as Escrituras Sagradas, tem impreterivelmente que fugir das paixões da mocidade, seguindo a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor (2 Timóteo 2:22). As nobres virtudes da justiça, fé, amor e paz são excelentes e eficazes antídotos contra os desejos da mocidade, que combatem contra a alma (1 Pedro 2:11), bem como habilitando o jovem Cristão a apresentar irrepreensivelmente como "obreiro aprovado", que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade (2 Timóteo 2:15). 

Acontece que, para tristeza nossa, alguns jovens Cristãos em vez de serem portadores do "bom cheiro de Cristo" em todo o lugar (2 Coríntios 2:14), transviaram-se do caminho da Verdade e deixaram-se influenciar pelos ímpios princípios e valores do mundo, sob o falso pretexto de terem uma "mente aberta" e/ou "progressista", levando-lhes deste modo "a naufragar na fé" (1 Timóteo 1:19). Esperamos, com a graça Divina, que os nossos jovens não estejam nesta promíscua e lamentável situação espiritual. Mas que, acima de tudo, tenham capacidade suficiente para aguentar a pressão do mundo e permanecer resolutamente na Sã Doutrina, uma vez que "toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Timóteo 3:16-17). Que assim seja.

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(Artigo da nossa autoria. Publicado primeiramente no Boletim Oficial da Igreja Evangélica Baptista da Amadora, no dia 27 de Maio de 2017, tal como está ilustrado nas imagens supra, a propósito do culto dominical dirigido pelos Jovens da referida congregação). 

Um Dia, Uma Fotografia


O irmão Nsunda Eduardo e a irmã Isabel Eduardo, casal angolano da minha Igreja – a Evangélica Baptista da Amadora, num ambiente de confraternização, descontracção, cumplicidade e romantismo. 

O Ministério do Púlpito (7): “O Impreterível Percurso da Salvação”


Foi o tema da minha pregação no domingo passado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, onde sempre comunguei como membro, baseado no texto bíblico do Evangelho segundo Lucas 9:51-62 (ALI) (AQUI). O primeiro versículo desta porção das Escrituras Sagradas é-me bastante caro. Tem-me, por vicissitudes várias e supervenientes, edificado e despertado concomitantemente inúmeras inspirações. Dito por outras palavras, o Todo-poderoso DEUS tem-me falado de forma tremenda através dele. E, tanto que, por esta razão, ainda no ano passado, desdobrei-me a escrever cinco prolixos artigos sobre a teologia soteriológica que encerra, sob o título mortificador: "Considerações Pascais: A Via Dolorosa Para o Calvário (I)(II)(III)(IV)(V)", concentrando-me especialmente numa abordagem Cristocêntrica e com todas as implicações teológico-doutrinárias que isto representa no processo da salvação da Humanidade. Já na pregação em apreço procurei, humildemente, com ajuda do Espírito Santo, fazer uma análise mais prática, conjugando os onze versículos numa cadeia horizontal da realidade vivencial do Cristianismo. 

“Aproximando-se o tempo em que seria elevado aos céus”, escrevia o autor sagrado, o Senhor Jesus “partiu resolutamente em direção a Jerusalém” (Lucas 9:51). O Filho de DEUS tomou, de forma deliberada e esclarecida, a intrepidez de peregrinar para a Terra Santa, cumprindo assim com a impoluta vontade de DEUS na Sua vida. Esta não foi uma decisão qualquer e, tão pouco, fácil. Ela envolvia tremendas dificuldades, ricos associados, incompreensões, oposições dos homens e, por fim, a morte na Cruz do Calvário. Aliás, num contexto diferente desse, mais concretamente na região de Cesária de Filipe, o Senhor Jesus prediz abertamente a Sua morte expiatória em Jerusalém, informando aos seus discípulos "que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e dos mestres da lei, e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia” (Mateus 16:21). Mesmo assim, era o caminho que Ele tinha impreterivelmente que percorrer para a nossa redenção. Perante este facto, o Senhor Jesus não desobedeceu a orientação Divina da pungente trajectória que tinha de enfrentar. 

Levando determinadamente avante esta árdua e íngreme tarefa – de se deslocar a Jerusalém – deu instruções aos mensageiros para irem preparar-Lhe atempadamente o lugar para pousar em Samaria, porque era necessário atravessar aquela circunscrição territorial, e também aproveitar ao mesmo tempo para descansar ali temporariamente, com os seus discípulos (Lucas 9:52). Acontece que, por razões de rivalidades raciais e religiosas, entre os judeus e os samaritanos (João 4:9; 20-26), estes declinaram-Lhe redondamente a solicitação com a esfarrapada desculpa que “o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém” (Lucas 9:53). Tal deve-se, além dos motivos acabados de mencionar, mormente, ao facto dessas pessoas perceberem que Ele era judeu e ia devotamente adorar em Jerusalém ao DEUS vivo, a verdadeira adoração, e não no profano e descaraterizado monte Gerizim como eles equivocadamente faziam (João 4:20), razão pela qual desdenharam-Lhe. 

Há ainda uma outra agravante nesta rejeição do Messias, patente nas profecias de Isaías e nos Salmos: o Filho do Homem “não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos”. Por isso, “era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum” (Isaías 53:2-3). Um “verme”, em suma, “e não mais um homem, motivo de zombaria do povo, humilhado e desprezado pela humanidade (Salmo 22:6). São cúmulos de motivos para, de forma grotesca e preconceituosa, o "Servo Sofredor", ser rejeitado por estes maus samaritanos (LER)

Importa ainda salientar que o Senhor Jesus não foi apenas insensivelmente rejeitado, desde o início da Sua encarnação, pelo Seu próprio povo (Lucas 2:7; João 1:11), mas também pelas pessoas de todas as raças do mundo – a Humanidade em geral. E esta incredulidade, em não querer deliberadamente recebê-Lo em suas vidas persiste, infelizmente, ainda hoje nos nossos tenebrosos dias ditos “pós-modernos”. Cada um dá as suas desculpas, para não querer nada com Ele, tal como veremos nos versículos subsequentes.  E esta nega dos samaritanos foi logo a primeira barreira inicial que surgiu abrupta e repentinamente no longo percurso do Senhor Jesus, com intuito de obstaculizá-Lo no Seu nobre propósito de ir a Jerusalém. 

Tudo isto remete-nos para o cálculo objectivo de que, ao procurar conformar-se à vontade de DEUS, surgirão sempre oposições ferozes e diversificadas para nos distrair, desanimar e desviar do nosso foco espiritual de prosseguir para Jerusalém Celestial. Vamos, máxime, ser objecto de preconceito, humilhação, chacota, desprezo e perseguição por parte de terceiros. O Diabo e os seus demónios usam camufladamente todos os artifícios ao seu dispor, até mesmo pessoas próximas, amigas e familiares, para nos tentar afastar da soberana vontade de DEUS. E, em determinados casos, para executar o seu obstinado plano maléfico, depois de debalde tentativas, lança-nos, inclusive, os “espinhos na carne”. Foi, por todos, o que fez com o Apóstolo Paulo (2 Coríntios 12:7) e, da mesma sorte, instrumentalizando o Apóstolo Pedro para colocar a “pedra do tropeço” no caminho do Senhor Jesus quando este tinha revelado abertamente aos seus discípulos o maravilhoso plano da salvação, usando as falinhas mansas "tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá” (Mateus 16:22; Marcos 8:32-33). Precisamos, por isso, de discernimento espiritual suficiente e da preciosa ajuda do Espírito Santo para revestirmo-nos das armaduras de DEUS. Só assim, estaremos preparados para “apagar todos os dardos inflamados do maligno” (Efésios 6:18), com a peremptória e triunfante repreensão formulada pelo Senhor Jesus: “para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mateus 16:23). 

Mesmo com esta oposição inicial, o Senhor Jesus não perdeu de vista a Sua sagrada Missão. Além de não pagar o mal pelo mal, aliás, como Tiago e João, “filhos de trovão” (Marcos 3:17), instaram-Lhe efusivamente a fazer, isto é, para mandar descer o fogo do céu para destruir os samaritanos, tal como outrora o profeta Elias fez com os servos do ímpio rei Acazias (Lucas 9:54; 2 Reis 1:1-18). Vemos, por sua vez, a postura amorosa e tolerante do Senhor Jesus com os inimigos, mostrando-lhes o substrato da Sua obra missionária no mundo –  que não é destruir as vidas dos homens, mas sim salvá-las do pecado (Lucas 9:56; 19:10). Ser Cristão é encarnar holisticamente a mensagem do amor, em todas as suas vertentes humano-teológicas, e produzir com ele os frutos do Espírito, que são: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gálatas 5:22). Quando o crente encarna estes excelsos atributos jamais pactuará com atitudes vingativas para com o próximo e, nem tão pouco, lançará anátemas sobre o seu inimigo, dizendo: “feliz aquele que pegar teus filhos e esmagá-los contra a pedra” (Salmo 137:9); ou almejar para os que passam não lhe bendiga com "a bênção do Senhor seja convosco! Nós vos abençoamos em nome do Senhor” (Salmo 129:8), visto que a vingança pertence ao Senhor (Deuteronómio 32:35; Romanos 12:19; Hebreus 10:30). No devido tempo, ELE dará cada um aquilo que bem merece (2 Timóteo 4:14). E o próprio Senhor Jesus já lhes havia dado a devida instrução neste sentido – em caso de provocação, rejeição e até mesmo agressão –, exortando-lhes a abençoar aos que lhes amaldiçoem, orando pelos que os acusam falsamente. Ao que lhes bater numa face, oferecer-lhe igualmente a outra; e, ao que tirar-lhes a capa, não lhes impedir de tirar também a túnica (Lucas 6:28-29). E se, porventura, forem rejeitados ao ponto de ninguém lhes receber, nem escutar as suas palavras, apenas sair de forma ordeira, sacudindo a poeira dos seus pés (Mateus 10:14), deixando depois o juízo final nas mãos do Eterno DEUS. E foi  exactamente isso que o Senhor Jesus congruentemente traduziu em prática: saiu dali, discretamente, e seguiu para outra aldeia (Lucas 9:56), tendo sempre presente o Seu grande objectivo final, que era ir a Jerusalém morrer pelo pecado da Humanidade. 

Praise God From Whom All Blessings Flow



Um magnífico e profundíssimo hino de adoração. Estive hoje praticamente todo o dia na minha igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, a cultuar com os meus prezados irmãos na fé. Primeiro na Escola Bíblica Dominical (EBD), às 10:h30, onde estudámos sobre "Respondendo aos Críticos", baseado no texto bíblico de Actos 26:1-32. E, de seguida, tivemos um maravilhoso tempo de Louvor e Proclamação do Evangelho. 

Já esta tarde, às 17:h00, tive o grato prazer de dirigir o culto e simultaneamente pregar. O tema objecto da minha pregação foi “O Impreterível Percurso da Salvação” (Lucas 9: 51-62). Depois do cumprimento desta nobre tarefa eclesiástica estive, ainda, juntamente com alguns irmãos, a ensaiar o hino que vamos entoar na celebração do aniversário da nossa Igreja no próximo mês. Foi, realmente, um dia intenso, produtivo e bastante abençoado. Alegrei-me, escrevia devotamente o salmista David, "quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor" (Salmo 122:1). 

Iniciei o dia em classe e estou, igualmente, a terminá-lo em classe. O meu DEUS é mesmo Bom. ELE é eternamente Bom.