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A PALAVRA DO SENHOR (40): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Que o Senhor te escute no tempo da angústia;

que o próprio Deus de Jacob te proteja!

Que ele te envie socorro e auxílio

do seu santuário, no monte Sião.

Que ele se lembre de todas as tuas ofertas

e aceite os teus sacrifícios.

Que ele te conceda tudo o que desejas

e te ajude a realizar os teus planos.

Celebraremos então a tua vitória

e em nome do nosso Deus ergueremos bandeiras.

Que o Senhor satisfaça todos os teus pedidos. 


Sei agora que o Senhor dará a vitória ao seu ungido;

ele responde-lhe do seu santuário, no céu,

dando-lhe grandes vitórias com o seu poder.

Uns confiam nos seus carros de guerra

e outros contam com os seus cavalos;

nós, porém confiamos no Senhor, nosso Deus.

Eles tropeçam e caem,

nós, porém, estamos firmes e seguros. 


Senhor, dá a vitória ao rei;

responde-nos, quando te invocamos![1]


[1] (Ao Director do Coro. Salmo da Colecção de David, in Salmo 20:1-10, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004).

Doxologia ao Único DEUS Eterno


“Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (Apóstolo Paulo, in a Bíblia Sagrada, 1Tm 1:17). 

Honra e Glória ao Eterno DEUS


“Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (Apóstolo Paulo, in 1Timóteo 1:17). 

A PALAVRA DO SENHOR (39): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


 “Durante três meses, Paulo ia à sinagoga e lá falava com toda a convicção, procurando convencê-los acerca do reino de Deus. Mas alguns mostravam-se renitentes, não acreditavam e diziam mal do Caminho do Senhor diante da multidão. Então Paulo separou-se deles e passou a reunir-se com os discípulos na escola de um homem chamado Tirano, onde pregava e ensinava todos os dias. Fez isto durante dois anos, de modo que todo o povo que morava na região da Ásia, tanto judeus como não-judeus, ouviram a palavra do Senhor. 

Deus fazia milagres extraordinários por meio de Paulo. Até levavam os lenços e as roupas que Paulo tinha usado, para com eles tocarem nos doentes, e eles ficavam curados das doenças que tinham e os espíritos maus saíam deles.  Alguns judeus que andavam de terra em terra a expulsar espíritos maus quiseram usar o nome do Senhor Jesus para expulsar os espíritos maus dos doentes e diziam aos espíritos: «Em nome de Jesus, aquele que Paulo anuncia, ordeno-vos que saiam!» Entre os que andavam a fazer isto havia sete filhos de um judeu chamado Escevas, que era chefe dos sacerdotes. Mas um espírito mau respondeu-lhes: «Conheço Jesus e sei quem é Paulo. Mas vocês, quem são?» Então o homem possuído do espírito mau atirou-se a eles, bateu-lhes tanto que eles tiveram de fugir daquela casa muito feridos e quase nus. Todos os que moravam em Éfeso, judeus e não-judeus, souberam disto e ficaram cheios de medo. O nome do Senhor Jesus tornou-se mais respeitado ainda. Então muitos dos que passaram a crer no Senhor proclamavam a sua fé e confessavam o mal que tinham feito. Muitos daqueles que praticavam bruxarias juntaram-se e levaram os seus livros para os queimarem à vista de todos. Calculou-se o valor dos livros queimados em cinquenta mil moedas de prata. Era assim que com o poder do Senhor a sua palavra se espalhava e fortalecia cada vez mais[1]”. 



[1] (Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, Actos dos Apóstolos 19:8-20, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

Ter Esperança em DEUS


A vida é feita de esperança. A esperança é um combustível necessário e indispensável para continuarmos a lutar pelos nossos legítimos sonhos de vida. Sem esperança a vida não faria qualquer tipo de sentido e levar-nos-ia inevitavelmente para um estado de permanente tristeza, depressão, sofrimento e, em última instância, ao suicídio. As pessoas que normalmente se suicidam são pessoas que não vislumbram a esperança e o sentido real para as suas vidas e, consequência disso, põem funestamente termo à sua própria vida. A esperança está intrinsecamente ligada à felicidade e esta é a meta primordial de todos os seres humanos neste “vale de lágrimas”. A esperança é a primeira virtude do Homem nas suas várias ambições e também o reduto último das suas aspirações. A esperança é a última a morrer, formula a sabedoria popular. 

Obviamente que é importante ter esperança naquilo que realmente vale a pena no futuro e que tem sustentáculo no curso do tempo. Sabemos, por realidade prática, que muitas pessoas depositam a confiança na superficialidade e acabam por colher a ilusão, ficando desapontadas, frustradas e infelizes com as suas decepcionantes expectativas de vida. No entanto, para nós Cristãos, a nossa esperança está única e inteiramente no Todo-Poderoso DEUS e não nos valores efémeros deste corrupto mundo. A nossa esperança não está na nossa vida, na nossa família, no nosso estatuto social, no nosso trabalho, nos nossos amigos, nas nossas riquezas materiais, nos nossos méritos pessoais ou qualquer outro tipo de valor mundanal, mas sim no Senhor Jesus Cristo e na Sua infalível promessa da vida eterna para connosco. 

É claro que há muitos Cristãos que, em situações de grandes turbulências e adversidades, não conseguem absorver de forma plena esta grande verdade soteriológica e hesitam em confiar plenamente em DEUS, tendo em conta as distrações espirituais que vão tendo. Mas, somos advertidos nesta lição da Escola Bíblica Dominical, para continuarmos sempre a ter a esperança no nosso Todo-Poderoso DEUS, mesmo nos momentos dificílimos de problemas, contradições, tentações e provações, porque ELE vai estar sempre connosco para nos orientar e, em tempo oportuno, providenciar-nos o auto-escape para todos os desafios que vamos enfrentando neste maldito mundo. Que assim seja. E assim será pela fé no Senhor Jesus Cristo.  

Teologia de Natal e a Matança das Criancinhas


“Em Ramá se ouviu um grito,

choro amargo, imensa dor.

É Raquel a chorar os filhos;

e não quer ser consolada,

porque eles já não existem” (Mateus 2:18).  



O nascimento do Senhor Jesus Cristo e o Seu ministério terreno foram profundamente marcados por grandes e reiteradas conspirações por parte dos filhos da perdição, com a finalidade última de liquidá-Lo fisicamente e, deste modo, frustrar os salvíficos planos de DEUS para com a Humanidade. Apesar de todas estas orquestrações diabólicas bem montadas, o Todo-poderoso DEUS jamais perdeu o controle da história e o curso dos acontecimentos. As vãs tentativas contra o Filho Unigénito de DEUS acabaram meramente por cooperar para o cumprimento escrupuloso das profecias bíblicas a respeito do Messias outrora prometido. 

A passagem bíblica supramencionada é o reflexo manifesto de várias conspirações falhadas contra a vida do Senhor Jesus. O rei Herodes, de forma dissimulada e mentirosa, garantiu aos magos do oriente a sua falsa intenção de ir também adorar o infante Jesus, ordenando-lhes para se informarem “cuidadosamente acerca do menino e, quando o encontrarem, venham-me dizer para eu ir também adorá-lo” (Mt 2:8). Quando se apercebeu que os magos partiram para sua terra, sob a Divina orientação, depois de terem previamente adorado o Senhor Jesus, aumentou ainda mais a sua fúria “e mandou matar, em Belém e nos arredores, todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele tinha apurado pelas palavras dos sábios” (Mt 2.16). O objectivo do rei Herodes era exclusivamente matar o inofensivo menino Jesus. Este foi sempre o seu plano inicial quando soube do nascimento do novo Rei dos reis em Belém da Judeia. 

O rei Herodes, descrevia Hernandes Dias Lopes no seu comentário expositivo de Mateus, “era paranoico em relação ao poder. Foi um rei truculento, egoísta, assassino e tirano. Era a essência da crueldade e do terror. Governou com mão de ferro e esmagou impiedosamente todos aqueles que julgava serem uma ameaça ao seu governo. Assassinou seus rivais um após o outro. Foi esse rei cruel que quis eliminar o infante Jesus, mandando matar todas as crianças de Belém e arredores de 2 anos para baixo”[1]. Confirmando holisticamente este carácter tresloucado e perverso do rei Herodes, Joseph Ratzinger sustenta que este “no ano 7 a.C., justiçara os seus filhos Alexandre e Aristóbulo, porque sentia o seu poder ameaçado por eles. No ano 4 a. C., pelo mesmo motivo eliminara também o filho Antípatro. Herodes raciocinava apenas segundo as categorias do poder; a notícia de um pretendente ao trono, que ouvira dos magos, deve tê-lo alarmado. Tendo em conta o seu caráter, é claro que nenhum escrúpulo poderia detê-lo”[2]. 

O rei Herodes era um homem vil, implacável, prepotente, cruel e desumano, que não tinha nenhuma hesitação em matar os seus opositores, inclusive familiares, por causa do poder ou para obter o poder. O seu currículo estava completamente manchado por crimes horripilantes e de sangue. Mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo, julgando que conseguiria desta forma matar o menino Jesus. Felizmente, pela providência Divina, Maria e José haviam previamente fugido com Jesus para o Egipto. E, assim, escaparam da desgraça mortal promovida por Herodes em Belém e nas regiões circunvizinhas. 

Depois da mortandade das criancinhas em Belém, o Evangelista Mateus relata-nos o pranto generalizado que tomou conta das mães judias que perderam injustamente os seus filhos pelo maquiavélico decreto de Herodes, personificada na mulher de Jacob – Raquel. Narra o autor sagrado que “Em Ramá se ouviu um grito, /choro amargo, imensa dor. /É Raquel a chorar os filhos;/e não quer ser consolada,/porque eles já não existem” (Mt 2:18), citando assim o texto original de Jeremias 31:15, como o cumprimento da referida profecia do Antigo Testamento. Raquel, a mulher predilecta do patriarca Jacó, simbolicamente a mãe das tribos do Norte, chora amargamente pelo desaparecimento dos seus filhos, pois já não existiam mais. A mãe Raquel, comenta sobre o alcance teológico deste versículo a Bíblia de Estudo de Genebra, “representa todo o Israel em suas lágrimas, a partida de Cristo para o Egipto é como a partida dos filhos de Raquel, José e Benjamim para o Egipto (Gn 37.28; 43.15)”[3]. 

Este grande pranto da desolada mãe Raquel para com os seus filhos desaparecidos, Israel de DEUS, a nosso ver, pode igualmente ser enquadrado lato senso na destruição e conquista do reino do Norte pelos assírios em 722 a. C., bem como no penoso cativeiro babilónico profetizado por Jeremias (2 Rs 17:1-6; 18-9-15; 2 Rs 24:8-17; 25:1-21; 2 Cr 36:9-21).  O Evangelista Mateus interpreta este acontecimento no tempo de Jeremias, como uma profecia do clamor que se ouviu na matança das crianças em Belém. Tasker, citado por Hernandes Dias Lopes, formula que “quando a fina flor da população de Jerusalém foi deportada pelos babilónios, deve ter parecido que Deus tinha abandonado o seu povo; e Jeremias nessa notável passagem retratou Raquel lamentando a sorte desses exilados passando cambaleantes diante do túmulo dela em Ramá, a caminho de uma terra estranha”[4]. 

Raquel, que teve um processo de parto dificílimo e trágico a caminho de Efrata, tal como nos contam os relatos bíblicos, morreu depois ter dado à luz Benjamim. Raquel morreu e foi sepultada junto do caminho para Efrata, isto é, em Belém (Gn 35:16-20). O biblista Matthew Henry, colaborando com o título atribuído a Raquel de “mater dolorosa”, e justificando esta profecia bíblica com a letra e o espírito do Novo Testamento, comentava que “o sepulcro de Raquel estava junto a Belém (Gn 35:16-19). O coração de Raquel estava sobre os seus filhos, como estava sobre o seu filho naquele trabalho de parto que a levou à morte e a quem ela deu o nome de Benoni, que significa filho do meu sofrimento. Essas mães eram como Raquel, moravam perto do seu túmulo e muitas delas eram suas descendentes. Portanto, seus lamentos foram elegantemente representados no pranto de Raquel”[5]. 

O alcance teológico e teleológico desta passagem bíblica em apreço não pode ser dissociado – primeiramente – das verdades soteriológicas do cativeiro do Egipto e, posteriormente, assírio e babilónico. Todos estes cativeiros humilhantes que Israel de DEUS teve de enfrentar foram uma autêntica dor para as mães judias, simbolicamente representadas por Raquel, porque envolviam expropriação, exílio, escravatura e morte, razão pela qual choravam dolorosamente a desgraça dos seus filhos e não se deixavam consolar, “porque eles já não existiam mais”. Choravam desconsoladamente o desaparecimento dos seus filhos que foram brutalmente massacrados e assassinados. Não estão mais no mundo dos vivos. Uns, neste vasto leque de filhos, morreram barbaramente e outros foram levados pelas terras estranhas e distantes para serem escravos. 

Sabemos, no entanto, que estas duras realidades que Israel teve de enfrentar visava, em última instância, moldar o povo de DEUS para o caminho certo e para uma verdadeira adoração. Em todos estes cativeiros “Egipto”, o Eterno DEUS providenciou-lhe um salvador, enquanto ainda não tinha aparecido o maior e o único Salvador de todos: o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Mas, para isso, seguindo a narrativa de Mateus, era importante que o Messias fugisse momentaneamente para o Egipto “para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egipto chamei o meu Filho (Mt 2:15).” Assim, foi dada a resposta cabal da fuga de Maria, José e o menino Jesus para o Egipto. Além do cumprimento efectivo da profecia de Oseias 11:1 que encerra esta pertinente fuga, o Egipto também era a terra da escravidão para o povo de DEUS e, concomitantemente, da salvação. Um paradoxo, não é? O Todo-poderoso DEUS usou o patriarca Moisés para libertar o seu povo do cativeiro dos faraós egípcios, assim também usou poderosamente o Seu Filho Amado Jesus Cristo, com alcance ainda maior e perfeito, para salvar definitivamente o Seu povo da escravidão do pecado. 

Há, por este motivo, o paralelismo entre Moisés e o Senhor Jesus no processo da salvação do povo de DEUS. Assim como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, escreve o evangelista João para ilustrar esta grande e inequívoca verdade salvífica, “assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3:14-15). Hernandes Dias Lopes, citando Tasker que comenta o alcance teológico da profecia bíblica de Oseias 11:11, sustenta “que o Messias é a personificação do verdadeiro Israel antigo e também que ele era um segundo Moisés, maior que o primeiro. Sua suprema obra de salvação tinha como modelo o poderoso ato de salvação realizado por Deus por meio de Moisés em favor do povo escolhido. E, tal como Moisés foi chamado para ir ao Egito e libertar Israel, filho primogênito de Deus (Ex 4.22), da escravidão física, assim também Jesus foi chamado do Egito em sua infância, por meio da divina mensagem transmitida a José, para salvar a humanidade da escravidão do pecado”[6]. Joseph Aloisius Ratzinger, nesta mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de considerar que “a história de Israel recomeça do princípio e de modo novo com o regresso de Jesus do Egipto à Terra Santa. Certamente, o primeiro chamamento para se regressar do país da escravidão tinha falhado sob muitos aspetos. (…). Com a fuga para o Egipto e o seu regresso à Terra Prometida, Jesus opera o êxodo definitivo. Ele é verdadeiramente o Filho. Ele não sai de casa para se afastar do Pai; Ele volta a casa e conduz a casa. Ele está sempre a caminho para Deus e assim conduz da alienação à «pátria», àquilo que é essencial e próprio. Jesus, o verdadeiro Filho, saiu Ele mesmo, em sentido muito profundo, para o «exílio» a fim de nos trazer a todos da alienação para casa”[7]. 

Este regresso definitivo a casa do povo de DEUS concretizou-se com a morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Antevendo de longe esta realidade, o Profeta Jeremias, ainda na mesma profecia desoladora, consola de forma peremptória o povo com as seguintes palavras: “Não chores mais — diz o Senhor, e limpa as lágrimas dos teus olhos. Tudo o que fizeste terá a sua paga e os teus filhos regressarão da terra do inimigo. Há esperança para o teu futuro; os teus filhos voltarão para casa. Palavra do Senhor!” (Jr 31:16). Na tristeza do exílio babilónico, “uma nova vida se tornou possível para um Israel revivificado. Semelhantemente, a tristeza das mães privadas de seus filhos assassinados por Herodes estava destinada, na divina providência, a resultar em grande recompensa”, fundamenta Tasker[8]. Por outras palavras, as lágrimas desoladoras transformar-se-iam agora em alegria contagiante e permanente (Sl 126:1), através da milagrosa libertação do povo de DEUS. 

Diferentemente da profecia de Jeremias, que contém logo a seguir esta mensagem de esperança para os que foram torturados, mortos e espalhados com o cativeiro, em Mateus não foi descrita esta esperança.  Porquê?  Porque o Evangelista Mateus não tinha ainda dado a conhecer a ressurreição e glorificação do Senhor Jesus. O autor sagrado preocupou-se apenas, numa primeira fase, em evidenciar na sua abordagem o processo do nascimento do Messias, no cumprimento das profecias bíblicas e a mão poderosa de DEUS no curso dos acontecimentos. A resposta da esperança em Mateus só veria a luz do dia com a morte expiatória do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário e a Sua eterna glorificação – onde recebeu todo o poder no céu e na terra (Mt 28:18). Um entendimento previamente defendido por Joseph Ratzinger, que esclarece que “em Mateus, a palavra do profeta – a lamentação da mãe sem a resposta consoladora – é como um grito dirigido ao próprio Deus, um pedido da consolação não dada e ainda esperada: um grito ao qual realmente só o próprio Deus pode responder, já que a única verdadeira consolação – que vai para além das simples palavras – seria a ressurreição. Só com a ressurreição seria superada a injustiça, revogada a palavra amarga «já não existem»”[9]. 

Sim, com a morte expiatória do Senhor Jesus Cristo e a Sua gloriosa ressurreição foram banidos todo o pecado: a escravidão, a dor, a lágrima e a morte para todos os eleitos filhos de DEUS. ELE poderosamente enxugou todas as lágrimas dos seus olhos e já não haverá mais morte nem luto nem pranto nem dor” (Ap 21:4). A nossa esperança e eterna salvação estão unicamente firmados nos méritos do Senhor Jesus Cristo. Por isso, nenhuma mãe jamais chorará o desaparecimento físico dos seus filhos ou algum ente querido. Não haverá mais sofrimento, desgraça, maldade e pecado. Tudo transformar-se-á em eterno gozo, louvor e adoração ao nosso DEUS Altíssimo para todo o sempre. Que assim seja. Vai ser sempre assim. E assim sempre será.

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[1] Hernandes Dias Lopes, in Comentário Expositivo de Mateus (Jesus, o Rei dos reis), Hagnos, São Paulo, 2019, p.62 e 63. 

[2] Joseph Ratzinger/Bento XVI, in Jesus de Nazaré [A Infância de Jesus], Principia, Cascais, 2012, p. 92. 

[3] Bíblia de Estudo de Genebra, in comentário bíblico de Mateus 2:18. 

[4] Hernandes Dias Lopes, in Comentário Expositivo de Mateus, p. 75 e 76. 

[5] Matthew Henry, in Comentário Bíblico do Novo Testamento (Mateus a João), Casa Publicadora das Assembléias de Deus, Rio de Janeiro, 2008, p. 15 e 16. 

[6] Hernandes Dias Lopes, in Comentário Expositivo de Mateus, p.75. 

[7] Joseph Ratzinger/Bento XVI, in Jesus de Nazaré (A Infância de Jesus), p. 94. 

[8] Hernandes Dias Lopes, in Comentário Expositivo de Mateus, p. 76. 

[9] Joseph Ratzinger/Bento XVI, in Jesus de Nazaré, p. 95 e 96.

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (1): Escuta DEUS


Uma das vantagens assinaláveis que os círculos baptistas tradicionais têm em comparação com as outras denominações evangélico-protestantes é a importância cimeira que damos ao ensino minucioso da Palavra de DEUS, que advém da Reforma Protestante. E a nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, neste aspecto, tem acolhido na medida possível este relevante e determinante desiderato espiritual. O sucesso Cristão passa inevitavelmente pelo conhecimento das Escrituras Sagradas. É um pressuposto assente e indiscutível, razão pela qual a minha Igreja tem investido consideravelmente nesta importantíssima área do ministério eclesiástico, proporcionando pontuais acções de formação e gratuitidade da Revista da Escola Bíblica Dominical da Convenção Baptista Portuguesa para todos os seus respectivos membros. 

No domingo passado, depois de termos finalizado com bastante sucesso o estudo do livro de 1 e 2 Reis, iniciámos agora a nova revista com o estudo do Profeta Amós, Jonas, Oseias e Miqueias.  Por outras palavras, nos próximos três meses, na classe de Jovens e Adultos, estaremos a estudar estes “profetas menores”. Calhou-me dar esta primeira lição intitulada “Escuta Deus”, baseada no texto de Amós 2:4-16. Foi um juízo de DEUS para com o seu povo eleito, tendo em conta o desvio doutrinário e práticas deliberadas de inúmeros pecados em que se deixou envolver, tal como fizeram os seus antepassados, nomeadamente pecados contra os desprotegidos/pobres, a heresia doutrinária, a idolatria, a promiscuidade sexual, profanando assim o Nome do Todo-Poderoso DEUS. 

Por isso, dizia o autor sagrado sobre a sentença do Senhor sobre o povo transviado, “vos esmago como o carro carregado de feixes esmaga a calçada. As pessoas velozes não hão de encontrar refúgio, as fortes hão de perder a sua força, e os guerreiros não hão de poder salvar as suas vidas. Os arqueiros não se poderão manter de pé, os corredores velozes não hão de poder escapar e os cavaleiros não hão de poder fugir. Naquele dia, até o mais valente dos heróis deixará as suas armas e há de fugir.» Palavra do Senhor” (Amós 2:13-16). 

Sinais dos Tempos


 Nestes tempos de paixões frívolas e de comportamentos ridículos; nestes tempos da cólera e da miséria colectiva; nestes tempos da brutalidade e da loucura; nestes tempos da maldade e da desumanidade, refresca-me a releitura das Escrituras Sagradas que nos antevê oportunamente de todos estes malefícios dos últimos tempos: “fica sabendo que, quando chegarem os últimos tempos, hão de vir momentos difíceis. Os homens serão egoístas, gananciosos, pretensiosos, orgulhosos, blasfemos, desobedientes aos pais, mal-agradecidos e descrentes. Serão gente sem amor nem espírito de colaboração. Serão caluniadores, desonestos, desumanos, inimigos do bem, traidores, insolentes, duros de entendimento e mais amigos dos prazeres do que de Deus. Têm aparências de piedade, mas renegam a sua verdadeira força. Foge também deles. (…). São homens de entendimento corrompido e fracos na fé. Mas não hão de chegar muito longe, pois a sua loucura será desmascarada por todos” (Apóstolo Paulo, in 2Tm 3:1.5; 8-9)

A PALAVRA DO SENHOR (38): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Bendito seja Deus que faz com que a vitória de Cristo seja vista também nos nossos trabalhos. Por nosso intermédio vai Deus espalhando por toda a parte o perfume do conhecimento de Cristo. Nós somos como o aroma de Cristo para Deus, tanto para os que se salvam como para os que se perdem. Para uns este perfume é mortal: leva-os à morte; para outros é perfume de vida: dá-lhes a vida. Quem é que estará à altura de uma tal missão? Nós não somos como muitos outros que fazem negócio com a palavra de Deus. Nós falamos com sinceridade diante de Deus que nos enviou, em união com Cristo. 

Será que com isto estamos outra vez a elogiar-nos a nós próprios? Porventura temos necessidade, como alguns têm, de pedir que nos passem cartas de recomendação ou de vo-las enviar da nossa parte? A nossa carta de recomendação são vocês mesmos. É uma carta escrita no nosso coração e que pode ser lida e conhecida por todos. É evidente que vocês são uma carta de Cristo que nos foi confiada. Foi escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo. Não uma carta gravada em pedras, mas em corações humanos. 

Temos esta certeza em Deus por meio de Cristo. Não queremos com isso mostrar que é pela nossa capacidade que fazemos estas coisas. Pelo contrário, a nossa capacidade vem de Deus. Ele é que fez com que nós pudéssemos estar ao serviço da nova aliança. Não é uma aliança fundada na lei escrita, mas no Espírito de Deus. Pois a lei escrita produz morte; o Espírito é que dá vida [1]”.


[1] (Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, 2 Coríntios 2:14-17; 3:1-6, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

Súplica em Tempo de Corrupção


“Salva-nos, Senhor, pois são cada vez menos os homens bons

e há poucos que sejam sinceros.

Mentem uns aos outros;

falam com hipocrisia e falsas intenções.

 

Acaba, Senhor, com os hipócritas

e com os que falam com arrogância.

Eles dizem: «Com as nossas palavras venceremos.

Elas são a nossa força. Quem nos poderá dominar?»

 

Senhor diz: «Por causa da aflição dos humildes

e dos gemidos dos pobres

vou levantar-me e dar-lhes a ajuda que tanto desejam.»

E as promessas do Senhor são verdadeiras,

são como a prata mais pura,

refinada no forno sete vezes.

Tu, Senhor, cuidarás de nós

e nos defenderás sempre dessa gente.

Os maus rondam por toda a parte

preparando armadilhas contra os humanos.[1]



[1] O Senhor Jesus Cristo, in A Bíblia Sagrada, Salmo 12:1-9, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

Antídotos Contra o Preconceito

O preconceito é um vírus malévolo a todos os níveis. Ele baseia-se meramente num juízo temerário, precipitado, infundado e equivocado. Tem o poder de repelir qualquer tipo de interacção, bloquear oportunidades de relacionamentos, odiar sem fundamentos tangíveis e, em casos extremos, destruir vidas, tal como a experiência milenar nos tem indubitavelmente demonstrado. O preconceito é um cancro social que, em última instância, evidencia o carácter patológico da própria pessoa preconceituosa. É julgar arbitrariamente as pessoas por critérios errados. Por isso, é uma das melhores vias para consumar o pecado, pois baseia-se meramente na soberba, na desconsideração e na inferiorização do outro – por razões socialmente estereotipadas, desdobrando-se nas discriminações raciais, religiosas, políticas, condições financeiras e estrato social. É um mundo interminável de malignidade, razão pela qual é manifestamente incongruente com os impolutos pressupostos valorativos da Fé Cristã. 

O Senhor Jesus Cristo foi, por todos os seres humanos, a maior vítima do preconceito – tanto racial, religiosa e social – por causa do seu aspecto físico que não tinha qualquer tipo de atractivo aos olhos humanos (Isaías 53:2-3). Um “verme”, nas palavras do salmista, “desprezado por todos e escarnecido” (Salmo 26:7). Em consequência disso, foi exposto ao opróbrio dos homens e duramente contrariado pelos pecadores (Hebreus 12:2-3), teimando este preconceito até aos nossos dias pós-modernos, isto é, a rejeição liminar da Sua soteriológica mensagem perante os filhos da perdição, que “ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20)

Ora, nenhum destes preconceitos e abominações devem fazer parte do cardápio de um devoto Cristão. Somos todos convocados a amar o nosso próximo como a nós mesmos, independentemente da sua raça, condição social e proveniência (Levítico 19:18; Mateus 29:39). Tratar todos por igual e sem fazer discriminação negativa de pessoas (Tiago 2: 1-13). Por outras palavras, é viver autenticamente o amor Cristão na sua plenitude e várias dimensões humano-espirituais, tal como instam as Escrituras Sagradas. 

Tal nobre propósito, no entanto, só se torna exequível incorporando diariamente os imaculados Princípios e Valores do Evangelho. O Evangelho, tal como escrevia peremptoriamente o Apóstolo Paulo, “é o poder de Deus para salvar todos os que creem” (Romanos 1:16-17), bem como “é proveitosa para ministrar a verdade, para repreender o mal, para corrigir os erros e para ensinar a maneira certa de viver; a fim de que todo homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar todas as boas acções” (2 Timóteo 3:16-17). Somente o Evangelho do Senhor Jesus Cristo é o único antídoto eficaz para erradicarmos definitivamente o cancro do preconceito no nosso modo de viver. 

E nós, que somos os eleitos filhos de DEUS, temos de pautar a nossa conduta com os frutos dignos de arrependimento, sobretudo com as virtudes do “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, modéstia, autodomínio” (Gálatas 5:22-23), uma vez que contra estas coisas não há lei (condenação, bem entendido). Que assim seja. 

Teologia de Alimentação: A Questão do Carnivorismo e do Vegetarismo à Luz das Escrituras Sagradas


A temática da “doutrinação alimentar” tem ganhado nas últimas três décadas um destaque cimeiro praticamente em todas as culturas e sociedades, entrando também esta problemática na hermenêutica bíblica. Até aqui nada de anormal ou mal. É bastante pertinente que os filhos de DEUS tenham as noções fundamentais sobre alimentação e adoptem, com isso, nas suas rotinas diárias, hábitos alimentares equilibro-balanceados, tal como sadiamente prescrevem as Escrituras Sagradas, evitando deliberadamente cair no pecado de comezainas e glutonarias que afectam drasticamente a saúde física, mental e espiritual do corpo – o templo do Espírito Santo. O problema prende-se máxime com o facto de alguns teólogos extrapolarem na sua exegese bíblica, veiculando equivocamente que no início da criação o propósito original de DEUS para o Homem era que ele perfilhasse exclusivamente as dietas vegetarianas no seu cardápio diário, sustentando esta tese com base em Génesis 1:30. O referido texto versa da seguinte forma: “Deus continuou: «Dou-vos todas as plantas que produzem semente e que existem em qualquer parte da terra e todas as árvores de fruto, com a sua semente própria. É isso que devem comer”. Só posteriormente, formulam ainda os tais teólogos, que o Homem passou a incorporar o mundo animal na sua alimentação” (Génesis 9:3)

Da nossa parte, refutamos manifestamente este entendimento redutor. Não comungamos dele. Jamais podemos subscrevê-lo, uma vez que não tem qualquer tipo de suporte ou acolhimento bíblico. O preceito sagrado em apreço, circunscreve uma sugestão meramente facultativa de DEUS para com o Homem e não vinculo-imperativa. Isto porque tudo aquilo que DEUS tinha criado era muito bom (Génesis 1:31) e não havia qualquer problema que o Homem desfrutasse daquilo que achasse mais conveniente para a sua alimentação quotidiana, excepto “a árvore do conhecimento do bem e do mal” (Génesis 2:9). No dia em que dela comer, advertia peremptoriamente o Eterno Jeová, fica condenado a morrer (Gênesis 2:17). Do resto, o Homem podia perfeitamente comer de tudo, uma vez que tudo estava sob o seu domínio, inclusive a carne, “pois tudo aquilo que Deus fez é bom. E nada merece desprezo, se nos servirmos disso dando graças a Deus. Com a oração e a palavra de Deus, tudo fica santificado (1 Timóteo 4:4-5)

E mais, logo depois da queda do Homem no jardim do Éden, DEUS planeou salvá-lo dos seus pecados, proporcionando-lhe concomitantemente as túnicas de peles para vesti-lo com vista a ocultar a sua nudez do pecado (Génesis 3:9-24). O sacrifício de alguns animais fora preciso para tal providência Divina, tal como ficou implicitamente em Génesis 3:21. Para alguns biblistas isto significava a providência de DEUS por meio do Messias em face da Sua obra redentora na Cruz do Calvário. O Todo-Poderoso DEUS vai usar assim, desta forma, um animal para concretizar os seus soberanos propósitos salvíficos para com a Humanidade outrora decaída. Animal este que, em última instância, representa o Senhor Jesus Cristo e o Seu sacrifício expiatório na Cruz do Calvário, simbolizado no pão e no vinho da Santa Ceia do Senhor, que todos precisam comer e beber para alcançarem realmente a salvação (Mateus 26:26-30; 1 Coríntios 11:23-26).  “Aquele que come o meu corpo e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois o meu corpo é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer o meu corpo e beber o meu sangue vive unido a mim e eu a ele”, formula o Senhor Jesus Cristo aquando da Sua encarnação (João 6:54-56). A carne sempre fez parte dos hábitos alimentares dos seres humanos desde os primórdios, estendendo tal realidade até aos dias coevos e projectando-se na eternidade, através da festa das “bodas do Cordeiro” (Apocalipse 19-7-10), obviamente numa outra dimensão alimentar, isto é, a espiritual. 

Naturalmente que, depois da queda do Homem no Jardim do Éden, toda a natureza ficou deteriorada por causa do pecado original. Perdeu-se significativamente o brilho, a perfeição e a harmonia inicial que havia no universo, ficando a terra amaldiçoada por causa de Adão e Eva, passando também a produzir espinhos e cardos (Génesis 3:17-19). Por isso, nesta mesma esteira do pensamento, “sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:22-23), razão pela qual, “segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13). O Homem ficou drasticamente atingido pelo cancro do pecado, bem como pelo universo e tudo o que nele há, criando assim um desequilíbrio estrutural na natureza sem precedentes. E justamente por isso, a comida que extraímos na natureza para comermos encerra fungos, parasitas, bactérias e vírus perniciosos à saúde. Da mesma forma, o ar que respiramos está também poluído e contaminado, independentemente de acção directa do Homem, tal como temos vindo a assistir mais acentuadamente nos últimos séculos, mormente com a revolução industrial do séc. XVIII. Toda a obra da criação passou a ser significativamente contaminada pelo vírus do pecado, fazendo com que as coisas que precisamos para a nossa sobrevivência sejam susceptíveis de criar-nos danos colaterais na nossa saúde físico-mental. E esta realidade se aplica também em dimensões alimentares, infelizmente. Somente a comida vegetariana não dispõe de nutrientes suficientes para garantir uma boa saúde. Da mesma forma, a dieta exclusiva do mundo animal está desprovida de garantir a uma pessoa a estabilidade desejada a nível da sua saúde. Mesmo conjugadas as duas dietas no cardápio alimentar, elas continuam a ficar bastante aquém daquilo que realmente o nosso organismo espera, tendo em conta a contaminação que ambas incorporam, por causa do “pecado original”, insistimos. 

No início da criação o Homem tinha toda a liberdade para comer aquilo que lhe aprouvesse, exceptuando a árvore do conhecimento do bem e do mal. Não havia “exclusão” dele optar pelo carnivorismo, tal como sustentam erradamente alguns teólogos. Ele podia perfeitamente adoptar unicamente a comida do mundo animal, bem como optar somente pelo vegetarismo ou, inclusive, conjugar os dois regimes alimentares na sua dieta, pois tudo o que DEUS tinha feito era bom e não havia qualquer tipo de inconveniências, desequilíbrios, falta, vírus, aversões e malignidade na obra da criação. Foi o pecado que trouxe todos estes cancros no mundo, criando assim patentes inimizades entre o Homem e a natureza, culminando funestamente com a morte. 

Mesmo assim, o Omnipresente JEOVÁ delineou o projecto da salvação desde a eternidade, partilhando-o com a Humanidade. Nesta partilha evidenciou aquilo que era a condição original que se esperava do Homem – tanto a nível da sua imaculabilidade espiritual, moral, ética e forma de viver e consequentemente cuidar do seu próprio corpo. E neste último ponto, tal como se pode verificar nos textos sagrados sobre as ofertas alçadas ao SENHOR que reflectem o processo da salvação, estavam incluídas as ofertas da vertente vegetariana e também do mundo animal. Naquela através da apelidada “oferta de cereais” composta por flor da farinha, azeite, incenso aromático e sal (Levítico 2:1-16; 6:14-15; 24:5-9). E nesta, conhecida por sacrifícios de holocaustos, que envolvem pombos, rolas, cabrito, cordeiro e vaca (Levítico 1:5-17; 6-13; 12:6-8; 22:17-19). Todas essas ofertas eram “para ser queimada em honra do Senhor e que será do seu agrado” (Levítico 2:2; 6:14-23)

Tudo isto para concluir que as dietas vegetarianas e do mundo animal, desde os primórdios da Humanidade, estavam inteiramente à disposição do Homem para ele deliberadamente optar por aquilo que bem entendesse, mantendo esta opção no seu estado de pós queda e, ao mesmo tempo, na eternidade junto com o nosso Soberano e Todo-Poderoso Jeová. Por isso, não temos de ficar espantados com estas artimanhas e heresias dos homens que induzem ao erro, antes pelo contrário, devemos continuar sóbrios, vigilantes doutrinalmente e esperar pacientemente no Senhor Jesus Cristo. E mais, sabemos que há pessoas que de forma ignorante e inconsciente caem nestas heresias, fazendo a apologia de doutrinas que não têm apoio bíblico. Outros, de forma deliberada e consciente, adulteram as Escrituras Sagradas com o intuito de confundir os santos Filhos de DEUS. 

De qualquer das maneiras, temos de nos consciencializar que tudo isto evidencia os “sinais dos tempos” que precederão o fim do mundo. Tal como oportunamente nos advertem as Escrituras Sagradas, para finalizar, “que, nos últimos tempos, alguns deixarão a fé, para prestar atenção a espíritos mentirosos e seguir doutrinas de demónios. Hão de seguir os que lhes ensinam a mentira como se fosse verdade, que abafaram a voz da sua consciência e impedem as pessoas de casar e proíbem certos alimentos. Mas Deus criou todos os alimentos para que os crentes que aceitaram a verdade se pudessem servir deles, dando graças a Deus. Pois tudo aquilo que Deus fez é bom. E nada merece desprezo, se nos servirmos disso dando graças a Deus. Com a oração e a palavra de Deus, tudo fica santificado” (1 Timóteo 1-5). Que assim seja. 

Tudo Tem o Seu Tempo, Pelo Rei Salomão


«Neste mundo, tudo tem a sua hora; cada coisa tem o seu tempo próprio. Há o tempo de nascer e o tempo de morrer; o tempo de plantar e o tempo de arrancar; o tempo de matar e o tempo de curar; o tempo de destruir e o tempo de construir; o tempo de chorar e o tempo de rir; o tempo de estar de luto e o tempo de dançar; o tempo de atirar pedras e o tempo de as juntar; o tempo de se abraçar e o tempo de se afastar; o tempo de procurar e o tempo de perder; o tempo de guardar e o tempo de deitar fora; o tempo de rasgar e o tempo de coser; o tempo de calar e o tempo de falar; o tempo de amar e o tempo de odiar; o tempo de guerra e o tempo de paz. (…). 

Deus fez tudo muito bem e na altura própria. Até colocou a eternidade no coração dos homens, mesmo se eles não conseguem compreender a obra que Deus fez, desde o princípio ao fim. Penso que a única coisa boa que uma pessoa pode fazer é divertir-se e gozar a vida. Mas todo aquele que come e bebe e vê os resultados do seu trabalho deve saber que isso é um dom de Deus. Sei que tudo aquilo que Deus faz ficará para sempre. Nada se lhe pode acrescentar nem retirar. Deus já o fez assim para que lhe tivessem respeito.[1]» 



[1] Rei Salomão, in A Bíblia Sagrada, Eclesiastes 3:1-8; 11-14, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

A PALAVRA DO SENHOR (35): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


«Não sou eu um homem livre? Não sou um apóstolo? Não vi também eu Jesus, nosso Senhor? Não é a vossa comunidade de fé fruto do meu trabalho? Se para outros eu não sou apóstolo, sou-o com toda a certeza para a vossa comunidade. A vossa fé é o selo que dá garantia ao meu apostolado. Com isto quero defender-me contra aqueles que me criticam. Não tenho eu o direito de comer e beber? Não tenho também o direito de levar comigo uma mulher crente, como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Pedro? Ou só eu e Barnabé é que temos de trabalhar para viver? Quem é que vai para a guerra à sua própria custa? Quem é que planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem é que anda a guardar um rebanho e não se alimenta do leite desse rebanho? (…) Se outros têm o direito de participar dos vossos bens, não temos nós ainda mais direito do que eles? Mas nunca quisemos fazer uso desse direito. Pelo contrário, suportámos tudo para não criar dificuldades à pregação da boa nova de Cristo. 

Não sabem que os que trabalham para o templo comem à custa do templo e os que vão apresentar as ofertas sobre o altar recebem uma parte dessas ofertas? Do mesmo modo, o Senhor determinou que aqueles que anunciam a boa nova vivam à custa desse trabalho. Mas eu nunca exigi isto a ninguém. Nem vos escrevo estas coisas com esse objetivo. Preferia morrer. Não quero que ninguém me tire este motivo de orgulho. E não é por anunciar o evangelho que eu me sinto orgulhoso. Isso é uma obrigação que eu tenho. Ai de mim se eu não anunciar a boa nova! Se o fizesse por minha iniciativa, podia ter um salário. Mas se não é por minha iniciativa é porque me sujeito a uma missão que me foi confiada, qual será então o meu salário? O meu salário é a satisfação de anunciar o evangelho sem exigir nada em troca, renunciando aos direitos que eu tenho.[1]» 


[1] Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, 1 Coríntios 9:1-7; 18-, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

A PALAVRA DO SENHOR (34): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Daí em diante, Jesus começou a explicar aos seus discípulos que era preciso ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da lei, que havia de ser morto, mas ao terceiro dia havia de ressuscitar. Então Pedro tomou-o à parte e começou a censurá-lo: «Deus te livre disso, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!» Jesus, voltando-se para ele ordenou: «Sai da minha frente, Satanás! Impedes-me o caminho, porque não entendes as coisas à maneira de Deus, mas à maneira dos homens.» 

Em seguida disse aos discípulos: «Se alguém quiser acompanhar-me, esqueça-se de si próprio, carregue a sua cruz e venha comigo. Aquele que quer salvar a sua vida, acaba por perdê-la; mas aquele que perder a vida por minha causa, esse é que a encontra. De facto, que aproveita alguém em ganhar o mundo inteiro se acabar por se perder a si mesmo? Que poderá uma pessoa dar em troca da sua vida? O Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então há de recompensar cada um segundo o seu procedimento. Fiquem sabendo que estão aqui presentes algumas pessoas que não hão de morrer sem verem chegar o Filho do Homem na glória do seu reino.»[1]”. 


[1] O Senhor Jesus Cristo, in A Bíblia Sagrada, Mateus 16:21-28, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

A PALAVRA DO SENHOR (33): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Os fariseus e os saduceus aproximaram-se de Jesus. E para o experimentarem pediram-lhe um sinal vindo do céu. Mas Jesus respondeu-lhes: «Ao pôr do sol, dizem: “Vamos ter bom tempo, porque o céu está avermelhado!” E de manhã cedo, dizem: “Hoje vamos ter mau tempo, porque o céu está carregado.” Sabem prever o tempo pelo aspeto do céu e não são capazes de perceber os sinais dos tempos! Esta geração má e infiel exige um sinal milagroso, mas não lhe será dado outro sinal senão o do profeta Jonas.» Então deixou-os e foi-se embora. (...). 

Jesus chegou à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos discípulos: «Quem diz o povo que é o Filho do Homem?» E eles: «Uns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos outros profetas.» «E vocês?», insistiu Jesus. «Quem acham que eu sou?» Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.» Jesus exclamou: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foi o entendimento humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está nos céus. E eu também te digo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha igreja, e as forças da morte nada poderão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus. O que proibires na Terra é proibido no Céu, e o que permitires na Terra é permitido no Céu.» Então Jesus ordenou aos discípulos que não propagassem que ele era o Messias.[1]”.  



[1] O Senhor Jesus Cristo, in A Bíblia Sagrada, Mateus 16:1-4; 13-20, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

A PALAVRA DO SENHOR (32): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Portanto, todos nos devem considerar como quem está ao serviço de Cristo e encarregados de anunciar os mistérios do plano de Deus. Ora o que se exige a uma pessoa destas é que seja fiel. (…). 

Parece-me, de facto, que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, no último lugar como se fôssemos uns condenados à morte. Somos como um espetáculo para o mundo, para os anjos e para os homens. Por causa de Cristo é nossa a loucura e vossa a sabedoria; é nossa a fraqueza, é vosso o poder; é vossa a honra, é nosso o desprezo. Até ao dia de hoje, temos sofrido fome e sede e tem-nos faltado roupa para vestir. Sofremos espancamentos e não temos morada certa. Cansamo-nos a trabalhar com as nossas próprias mãos. Quando outros nos falam com dureza, respondemos com doçura. Quando eles nos perseguem, sofremos com paciência. Quando dizem mal de nós, respondemos com bons modos. Até agora temos sido considerados como o lixo do mundo e os mais desprezíveis de todos os homens.[1]”  


[1][1] Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, 1 Coríntios 4:1-2; 9-13, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004.