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O Melhor e o Pior dos Tempos, de Charles Dickens


“Foram tempos magníficos, foram tempos tenebrosos, foi a era da sabedoria, foi a era da estultícia, foi a época das convicções, foi a época da incredulidade, foi a idade da luz, foi a idade das trevas, foi a Primavera da esperança, foi o Inverno do desespero, tínhamos tudo diante de nós,  nada tínhamos diante de nós, íamos todos direitos para o Céu, íamos todos direitos em sentido contrário – em suma, aquela época assemelhava-se tanto à presente que algumas das suas eminências mais exuberantes insistiam que apenas a poderíamos adjectivar, para o bem ou para o mal, lançando mão do grau superlativo” (LER) (AQUI).

Reflexão Proustiana

Li algures, em tom de acolhimento, que toda a existência e o percurso do Homem se baseiam meramente no factor tempo. É um entendimento minimalista, redutor e bastante discutível do ponto de vista antropológico. Confesso publicamente que não sou proustiano. Não lamento a nostalgia do tempo e nem tão pouco fico ansioso por ele. 

Para mim não existe “o tempo perdido” e “o tempo reencontrado”. Da mesma sorte, “o tempo medido” e “o tempo contado”, tal como convencionado unanimemente pelos seres humanos, são configurações diferentes da mesma realidade, consubstanciando simples fenómenos naturais que o próprio tempo encarna e processa no seu âmago. Qualquer tempo é tempo. Logo, nesta ordem de ideias, tudo é tempo. Considero-me mais salomónico a nível do tempo, sobretudo na sua pré-determinada implicação teológica e teleológica. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”, observava inspiradamente o sábio Salomão na sua construção dogmática no livro de Eclesiastes (Ec 3:1). 

Não tenho qualquer tipo de preferência por nenhuma estação do ano em concreto – nem pelos fusos horários que se vão alternando no universo. Gosto da manhã, da tarde e da noite. Sou do calor e, concomitantemente, do frio. Tropicalista por natureza e subantártico por afinidade. Tanto que, por esta razão, maravilho-me com o Inverno, a Primavera, o Verão e o Outono. Gosto, igualmente, de períodos de chuva e de seca. As mudanças climatéricas não passam, a meu ver, de meras ocorrências cíclicas resultantes do movimento de rotação e de translação da Terra. Nada mais. Tudo o que extravasa este raio de compreensão é pura especulação e raciocínios falazes. Por isso, aprecio imenso todas as épocas do ano, procurando, na medida do possível, ajustar as suas cómodas e/ou incómodas particularidades naturais. 

É o destino que marca a hora e esta, por sua vez, traça o tempo. Sem o destino não há horas e tão pouco agendas temporais. São as duas primeiras conjugações que formam e caracterizam o tempo que concebemos e idealizamos. A existência do Homem é o produto da providência Divina que se veio concretizar milagrosamente no âmago do tempo. Talvez seja por esta mesma razão que damos demasiada primazia ao tempo, sem nos apercebermos disso. Ansiamo-lo, a cada momento que passa, e vivemos toda a nossa vida dependente dos seus sinais e condicionalismos, conformando-nos com a subtil ideia de que somos produtos casuísticos do tempo, até ao dia que o tempo nos consuma para sempre no curso infinito do tempo.

As Folhas de Outono: Libertar Para Melhor Renascer


Não tenho, como escrevi aqui oportunamente, qualquer preferência especial por nenhuma estação do ano em concreto, não obstante vir de um clima quente e ser naturalmente tropicalista.  Maravilho-me com o inverno, a primavera, o verão e o outono. Gosto de períodos de chuva e de seca. Amo, da mesma sorte, sem qualquer tipo de hesitação, o calor e o frio em simultâneo.  Aprecio imenso todas as épocas do ano, procurando, na medida do possível, ajustar as suas cómodas e/ou incómodas particularidades naturais (LER). Todas estas estações do ano encerram realidades cognoscíveis que, como seres humanos que somos, podemos sempre aprender imenso com elas. 

O outono é uma grande estação do ano que nos remete indubitavelmente para a importância cimeira que a mudança e renovação comportam no desenvolvimento de qualquer vida. Não há vida sem a renovação e vice-versa. As duas realidades são concomitantemente intrínsecas e indissociáveis uma da outra. É deveras saudável e bastante reconfortante para alma quando interiorizamos o conceito de mudanças positivas na nossa vivência quotidiana com terceiros à nossa volta. A vida realmente só faz sentido quando imprimimos de forma holística e acertada as mudanças requeridas para o nosso crescimento interior e exterior, isto é, libertar para melhor renascer. 

Precisamos, para o nosso próprio bem e crescimento pessoal, de nos libertar de todas as malévolas “folhas” que vão obstruindo a nossa coesão, paz, harmonia, crescimento e percurso de vida, tal como a estação do outono. Deixar as más companhias, os maus hábitos, os relacionamentos tóxicos e vícios prejudiciais à nossa saúde. Repudiar atitudes perniciosas contra o nosso próximo e os terceiros, bem como expectativas irrealistas e inexequíveis que criam apenas perturbações existenciais na alma. Diferentemente destas importantíssimas e determinantes reformulações, renovar constantemente a nossa poluída mente com pensamentos divinos da humanidade e da humanização para, desta forma, podermos atrair as novíssimas “folhas” que nos conduz realmente à verdadeira felicidade (LER). Que assim seja. 

Tudo Tem o Seu Tempo, Pelo Rei Salomão


«Neste mundo, tudo tem a sua hora; cada coisa tem o seu tempo próprio. Há o tempo de nascer e o tempo de morrer; o tempo de plantar e o tempo de arrancar; o tempo de matar e o tempo de curar; o tempo de destruir e o tempo de construir; o tempo de chorar e o tempo de rir; o tempo de estar de luto e o tempo de dançar; o tempo de atirar pedras e o tempo de as juntar; o tempo de se abraçar e o tempo de se afastar; o tempo de procurar e o tempo de perder; o tempo de guardar e o tempo de deitar fora; o tempo de rasgar e o tempo de coser; o tempo de calar e o tempo de falar; o tempo de amar e o tempo de odiar; o tempo de guerra e o tempo de paz. (…). 

Deus fez tudo muito bem e na altura própria. Até colocou a eternidade no coração dos homens, mesmo se eles não conseguem compreender a obra que Deus fez, desde o princípio ao fim. Penso que a única coisa boa que uma pessoa pode fazer é divertir-se e gozar a vida. Mas todo aquele que come e bebe e vê os resultados do seu trabalho deve saber que isso é um dom de Deus. Sei que tudo aquilo que Deus faz ficará para sempre. Nada se lhe pode acrescentar nem retirar. Deus já o fez assim para que lhe tivessem respeito.[1]» 



[1] Rei Salomão, in A Bíblia Sagrada, Eclesiastes 3:1-8; 11-14, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

O Melhor e Pior dos Tempos


«Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos. 
Era a primavera da esperança; era o inverno do desespero. 
Íamos todos direto para o céu; íamos todos direto para o outro lado.[1]» 



[1] Charles Dickens, a Tale of two Cities (Nova Iorque: Merill and Baker, 1962, citado por Timothy George, in “Teologia dos Reformadores”, p. 165, Vida Nova, SP/Brasil, 2004. 

A Primavera dos Cantos


«Olha! O Inverno já passou 
e com ele foram-se as chuvas. 
Já há flores pelo campo; 
chegou o tempo das canções; 
e ouve-se cantar a rola nos nossos campos.[1]» 



[1] De Rei Salomão, in A Bíblia Sagrada, Cântico dos Cânticos 2:11-12, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

Folhas de Outono


O Outono de mudança. A grande estação da renovação. Um processo natural que todos os humanos deveriam seguir. Precisamos, para o nosso próprio bem e crescimento, de nos libertar das malévolas "folhas" que estão profundamente enraizadas nas nossas polutas mentes.

Reflexão Proustiana


Li algures, em tom de assentimento, que toda a existência e o percurso do Homem se baseiam meramente no factor tempo. É um entendimento minimalista, redutor e bastante discutível do ponto de vista antropológico. Confesso publicamente que não sou proustiano. Não lamento a nostalgia do tempo e nem tão pouco fico ansioso por ele. 

Para mim, não existe “o tempo perdido” e “o tempo reencontrado”. Da mesma sorte, “o tempo medido” e “o tempo contado”, tal como convencionado unanimemente pelos seres humanos, são configurações diferentes da mesma realidade, consubstanciando simples fenómenos naturais que o próprio tempo encarna e processa no seu âmago. Qualquer tempo é tempo. Logo, nesta ordem de ideias, tudo é tempo. Considero-me mais salomónico a nível do tempo, máxime na sua pré-determinada implicação teleológica e teleológica. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”, observava inspiradamente o sábio Qohelet na sua construção dogmática no livro de Eclesiastes (Ec 3:1). 

Não tenho qualquer tipo de preferência por nenhuma estação do ano em concreto – nem pelos fusos horários que se vão alternando no universo. Gosto da manhã, da tarde e da noite. Sou do calor e, simultaneamente, do frio. Tropicalista por nascença e …por afinidade. Tanto que, por esta razão, maravilho-me com o Inverno, a Primavera, o Verão e o Outono. Gosto, igualmente, de períodos de chuva e de seca. As mudanças climatéricas não passam, a meu ver, de meras ocorrências cíclicas resultantes do movimento de rotação e de translação da Terra. Nada mais. Tudo o que extravasa este raio de compreensão é pura especulação e raciocínios falazes. Por isso, aprecio imenso todas as épocas do ano, procurando, na medida do possível, ajustar as suas cómodas e/ou incómodas particularidades naturais. 

É o destino que marca a hora e esta, por sua vez, traça o tempo. Sem o destino não há horas e tão pouco agendas temporais. São as duas primeiras conjugações que formam e caracterizam o tempo que concebemos e idealizamos. A existência do Homem é o produto da providência Divina que se veio concretizar milagrosamente no âmago do tempo. Talvez seja por esta mesma razão que damos demasiada primazia ao tempo, sem nos apercebermos disso. Ansiamo-lo, a cada momento que passa, e vivemos toda a nossa vida dependentes dos seus sinais e condicionalismos, conformando-nos com a subtil ideia de que somos produtos casuísticos do tempo, até ao dia que o tempo nos consuma para sempre no curso infinito do tempo.