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A Infância Violada: Entre o Colapso Institucional e a Normalização do Abuso na Guiné-Bissau


A questão da violação dos direitos humanos na Guiné-Bissau, amplamente evidenciada em relatórios recentes das Nações Unidas, constitui um dos mais graves desafios contemporâneos do país e interpela, de forma inevitável, a consciência coletiva dos guineenses. 

Trata-se de um fenómeno que não pode ser entendido como episódico ou isolado, mas antes como uma realidade estrutural, transversal e persistente, materializada em práticas como o tráfico de seres humanos, a exploração infantil, a violência sexual e outras formas de atentado sistemático à dignidade humana. 

Perante este quadro, impõe-se uma interrogação essencial: por que razão estas situações continuam a perpetuar-se sem uma resposta eficaz? A resposta remete, em primeiro lugar, para o profundo colapso das instituições do Estado. Na prática, muitas destas instituições revelam-se incapazes de exercer plenamente as suas funções de regulação, proteção e administração da justiça. Esta fragilidade institucional traduz-se numa erosão do primado do direito, abrindo espaço à arbitrariedade, à desordem e a uma cultura de impunidade. 

A este fator soma-se uma dimensão sociocultural frequentemente subestimada: a persistência de uma mentalidade de pobreza, não apenas económica, mas também moral e cívica. Em certos contextos, observa-se a desvalorização da dignidade humana em troca de benefícios imediatos e insignificantes. Embora esta realidade esteja parcialmente associada a condições materiais adversas, não pode ser reduzida a uma mera consequência da pobreza, pois revela igualmente uma erosão profunda dos valores éticos e da consciência coletiva. 

Neste contexto, a lei, apesar de formalmente robusta e em muitos aspetos inspirada em ordenamentos jurídicos consolidados, não encontra correspondência na sua aplicação efetiva. O resultado é uma dissonância entre o quadro normativo e a realidade prática, frequentemente condicionada por influências, relações de poder e práticas informais que comprometem a autoridade do Estado de direito. 

É neste ambiente de fragilidade institucional que se multiplicam fenómenos particularmente graves, como o tráfico de seres humanos, com especial incidência sobre mulheres e crianças. Este fenómeno representa uma violação flagrante da dignidade humana, ao comprometer a capacidade dos indivíduos de exercerem plenamente os seus direitos e garantias fundamentais. 

No mesmo sentido, destaca-se a exploração infantil. Muitas crianças, frequentemente provenientes de zonas rurais, são deslocadas para meios urbanos e sujeitas a situações de trabalho forçado, designadas socialmente como “meninus di criaçon”. Esta expressão, culturalmente enraizada, encobre na realidade formas de exploração laboral proibidas pela lei, mas toleradas na prática social. Mais grave ainda é o facto de muitas destas crianças serem vítimas de violência sexual e de abusos reiterados, incluindo situações de pedofilia ocorridas nos contextos onde se encontram acolhidas. Estas ocorrências, embora conhecidas, são frequentemente silenciadas, perpetuando-se num clima de conivência social. 

Acresce ainda a problemática da exploração sexual associada ao turismo sexual, particularmente referida em relatórios internacionais, com destaque para regiões como o arquipélago dos Bijagós. Nestes contextos, jovens em situação de vulnerabilidade são frequentemente aliciadas em troca de benefícios económicos, num cenário profundamente marcado pela desigualdade e pela pobreza. Este fenómeno não se limita às ilhas, verificando-se igualmente em Bissau e noutras regiões do país, onde menores continuam expostos à exploração e à ausência de mecanismos eficazes de proteção. 

Paralelamente, persistem práticas socialmente enraizadas que entram em tensão direta com os princípios do direito, nomeadamente no que respeita à idade de consentimento sexual, aos casamentos forçados e a determinadas interpretações culturais da transição para a idade adulta. Em muitos casos, sinais físicos de puberdade são interpretados como marca de maturidade social, legitimando práticas que colidem com o enquadramento jurídico formal. 

Este conflito entre costume e lei – frequentemente resolvido em favor do primeiro – constitui um dos eixos centrais da fragilidade normativa, reforçando práticas que configuram violações graves dos direitos humanos.  

De igual modo, a mutilação genital feminina permanece uma realidade preocupante, afetando sobretudo meninas e comprometendo de forma irreversível a sua saúde, integridade física e dignidade. Apesar da existência de enquadramento legal proibitivo, a aplicação da justiça é frequentemente limitada por fatores sociais, culturais ou institucionais. Em consequência, são sobretudo mulheres e crianças que suportam o peso destes fenómenos de violência, exploração e desigualdade estrutural. Daí a afirmação de que a Guiné-Bissau, em muitos aspetos, continua a não ser um espaço plenamente seguro para as mulheres, sendo a condição feminina marcada por múltiplas formas de vulnerabilidade. 

Tudo isto decorre, em última instância, da fragilidade das instituições do Estado, incapazes de assegurar proteção efetiva aos cidadãos e de garantir a plena vigência do Estado de direito. 

A superação desta realidade exige, por isso, mais do que a existência formal de normas jurídicas. Requer instituições sólidas e, sobretudo, um compromisso efetivo de homens e mulheres com os valores da democracia, dos direitos humanos e do primado da lei. Sem esse compromisso, a impunidade continuará a reproduzir-se, perpetuando ciclos de violência e exclusão. 

Importa, por isso, uma reflexão profunda enquanto sociedade, uma vez que estes fenómenos deixam marcas duradouras e traumas coletivos que frequentemente permanecem silenciados. O povo guineense é, neste sentido, portador de uma memória social marcada por estas experiências, que afetam de forma particular mulheres e crianças. 

Espera-se, assim, que os alertas constantes destes relatórios possam contribuir para uma tomada de consciência coletiva e para a implementação de reformas estruturais capazes de inverter esta realidade. 

Sem mais, encerro aqui esta reflexão, com a esperança de que possamos, em conjunto, construir um futuro mais justo e digno. 

Os Abusos Sexuais na Igreja Católica Romana


Não fiquei nada surpreendido com a estimativa avassaladora avançada pela Comissão Independente criada para averiguar os abusos sexuais cometidos na Igreja Católica Portuguesa (LER). Estes números de abusos sexuais eram de esperar. Eles retratam parcialmente aquilo que tem sido a obstrução deliberada a que a Igreja Católica Romana tem sido negligentemente votada ao longo dos séculos. A Igreja Católica Romana, para tristeza nossa, é um antro de aglomeração de pedófilos, homossexuais, tarados sexuais e abusadores. E tudo isto acaba por ter influências extremamente nefastas na dinâmica ministerial da igreja e na forma como lida com os seus membros, sobretudo com as crianças. 

Os abusos são completamente condenados na Bíblia Sagrada. Toda a Doutrina Bíblica é manifestamente contra os abusos. Nenhum tipo de abuso tem amparo na Palavra de DEUS. A coação, o abuso, a violação, a violência, o suicídio e homicídio são do Diabo e dos seus agentes espalhados pelo mundo fora. O nosso Todo-Poderoso não coage ninguém a fazer nada contra a sua livre vontade. Por isso, nenhum Cristão pode ser abusador ou compactuar com o abuso seja de criança ou adulto. Todo o abuso é profundamente contrário aos postulados Cristãos: há uma incompatibilidade axiológica e teológica entre Cristianismo e abuso – nenhum Cristão mesmo pode ser abusador e nenhum abusador se pode dizer Cristão. O abuso sexual desconfigura, atrofia a personalidade, deixa marcas indeléveis na alma, retira a felicidade e, em última instância, mata a vítima. É um dos cancros da pós-modernidade, abarcando todas as esferas da nossa moribunda sociedade (LER).  

Abusos Sexuais na Igreja


 Não fiquei nada surpreendido com a estimativa avassaladora avançada hoje pela Comissão Independente criada para averiguar os abusos sexuais cometidos na igreja católica portuguesa. Estes números de abusos sexuais eram de esperar. Eles retratam parcialmente aquilo que tem sido a obstrução deliberada a que a Igreja Católica Romana tem sido negligentemente votada ao longo dos séculos. Não se podia esperar outra coisa. É a realidade nua e crua da miséria espiritual que reina no seio do Vaticano, repercutindo negativamente nas elites da igreja católica espalhadas pelo mundo. A Igreja Católica Romana, para tristeza nossa, é um antro de aglomeração de pedófilos, homossexuais, tarados sexuais e abusadores. E tudo isto acaba por ter influências extremamente nefastas na dinâmica ministerial da igreja e na forma como lida com os seus membros, sobretudo com as crianças. 

Não comungo literalmente da opinião das pessoas que atribuem os abusos sexuais cometidos pelos padres à imposição do celibato ao clero. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ser obrigado a viver em abstinência sexual não se traduz literalmente em ser pedófilo ou tarado sexual e, muito menos, abusador. Os padres que não têm o dom do celibato normalmente refreiam os seus ímpetos sexuais com a masturbação ou, em determinados casos, recorrem às mulheres da má vida. Há muitos padres assim, infelizmente, que vivem uma vida paralela, porque não têm a permissão do Vaticano para desposarem, preferindo viver na clandestinidade. Outra coisa, e bem diferente, são os padres pedófilos e homossexuais que continuam secretamente no “armário”, usando depois a sua posição privilegiada dentro da igreja para cometerem abusos sexuais contra os menores. 

É verdade que há também padres heterossexuais que acabam por enveredar deliberadamente por caminhos de homossexualidade e pedofilia, molestando as pessoas vulneráveis que estão à sua disposição. Só que, em abono da verdade, estes casos são inferiores comparativamente com os padres que são pedófilos e homossexuais. Mesmo assim, as duas flagrantes situações são comportamentos aberrantes e de repudiar. O abuso sexual, a prática da pedofilia e da homossexualidade são manifestamente condenadas e não têm qualquer tipo de acolhimento nas Escrituras Sagradas, especialmente o hediondo abuso contra as inofensivas criancinhas. Nenhum autêntico Cristão pode compactuar com tais hediondos crimes, sob pena de ser cúmplice no pecado da promiscuidade sexual. E a Igreja Católica Romana sabe muito bem desta grande verdade bíblica. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, faz vista grossa para continuar a perpetuar os abusos contra os menores. 

Encontro, a meu ver, duas explicações para a prática reiterada de abusos sexuais na Igreja Católica Romana e o seu deliberado encobrimento pelas lideranças. A primeira explicação prende-se com a afamada revolução sexual dos anos sessenta do século passado (promiscuidade sexual, bem entendido), encabeçada particularmente pelos jacobinos, que teve como apologia viver a sexualidade de forma desapegada, descomprometida e despida de todo o pudor ou tradicionalismo que, até então, estava profundamente enraizado nas sociedades. Em consequência disso, nesta patente devassidão, começou-se a legitimar socialmente o uso desenfreado de métodos contraceptivos, o consumo da pornografia, a defesa da ideologia de género e da homossexualidade, a despenalização e legalização do aborto, etc. Esta libertinagem, no que toca ao sexo e à sexualidade, acabou por arrastar fortemente a Igreja Católica Romana, atraindo para o seu seio seminaristas homossexuais, pedófilos e pessoas frigidas que não estavam de todo comprometidas com a causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Essas pessoas fizeram careira na igreja, passando posteriormente a ocupar posições de relevo na hierarquia do Vaticano como oficiais, padres, bispos e cardeais. São estes tarados que abusam impunemente de menores, contando com o beneplácito dos seus superiores para o encobrir tais monstruosos crimes. 

A segunda explicação tem a ver com o Segredo Pontifício da Santa Sé – que só há três anos foi revogado para os casos de abuso sexual pelo Papa Francisco (LER). O Segredo Pontifício, segundo Vatican New, “é um segredo que é imposto aos destinatários em assuntos de particular gravidade. O mesmo não surge por simples omissão ou negligencia, pelo contrário, através do segredo se pretende proteger uma instituição, respeitar a intimidade das pessoas, manter a autonomia da Igreja Católica, facilitar o normal funcionamento das instituições ou o bem comum” (LER). E a questão que se coloca é a seguinte: como é que se pode guardar um gravíssimo pecado que destrói vidas e concomitantemente afecta a reputação da Igreja? Obviamente que não se pode encobrir pecados que poem em causa o bom nome da Igreja e a incorruptibilidade da mensagem do Evangelho. 

Desde o antigo Direito Romano que havia um entendimento assente que qualquer sigilo cessava automaticamente quando envolvia a prática de um crime, sob pena de se ser cúmplice com o criminoso. O referido postulado recebeu um acolhimento amplamente favorável nas Escrituras Sagradas, com ênfase mais acentuado no Novo Testamento e nas sociedades democráticas. O Vaticano, para ocultar muitas das suas misérias espirituais, refugia-se no Direito Canónico para esconder os incontáveis abusos sexuais a que as inofensivas crianças e mulheres são submetidos nos orfanatos católicos ao longo dos anos. Os pedófilos ditos Cristãos e abusadores em geral não devem apenas ser julgados pela Igreja, mas também pelos tribunais civis. Este entendimento não entra em contradição com a orientação bíblica. Acredito piamente que há muita boa gente que oculta os abusos sexuais com o intuito de “proteger” a Igreja das bocas do mundo. Só que essas pessoas inocentemente estão mais a prejudicar a Igreja com o seu encobrimento do que propriamente a defendê-la, visto que “nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia”, exortava peremptoriamente o Senhor Jesus Cristo (Mc 4:22). 

Os abusos são completamente condenados na Bíblia Sagrada. Toda a doutrina bíblica é manifestamente contra os abusos. Nenhum tipo de abuso tem amparo na Palavra de DEUS. A coação, o abuso, a violência, o suicídio e homicídio são do Diabo e dos seus agentes espalhados pelo mundo fora. O nosso Todo-Poderoso não coage ninguém a fazer nada contra a sua livre vontade. Por isso, nenhum cristão pode ser abusador ou compactuar com o abuso seja de criança ou adulto. Todo o abuso é profundamente contrário aos postulados Cristãos: há uma incompatibilidade axiológica e teológica entre Cristianismo e abuso – nenhum cristão pode ser abusador e nenhum abusador se pode dizer cristão. O mais grave ainda é abusar das pobres e inofensivas criancinhas, submetendo-lhes forçosamente a prática sexual. Isto é um cúmulo de depravação que ultrapassa o limite do bom senso e da razoabilidade. Ultrapassa a decência e a dignidade. Ultrapassa a moral e os bons costumes. Ultrapassa, acima de tudo, os valores do humanismo e da humanidade. É estragar a vida da criança que ainda não viveu, condicionando significativamente a sua forma de encarar o sexo e a sexualidade na idade adulta. O abuso sexual desconfigura, atrofia a personalidade, deixa marcas indeléveis na alma, retira a felicidade e, em última instância, mata a vítima. É um dos cancros da pós-modernidade, abarcando todas as esferas da nossa moribunda sociedade. 

No entanto, o abuso sexual não deveria existir no seio da Igreja ou ser perpetrado contra as criancinhas, principalmente por pessoas que têm o dever moral e espiritual de cuidar de vidas que procuram o refúgio na Igreja. As crianças são parte integrante do Reino de DEUS. Por esta razão, o Reino de DEUS é dos que são como crianças, enfatizava o Senhor Jesus Cristo (Mt 19:14-15. Abusar de uma criança na Igreja é declarar abertamente guerra ao Senhor Jesus Cristo, o dono da Igreja, e com todas as implicações espirituais que isto representa para o infractor. E a liderança da Igreja Católica sabe muito bem deste primado bíblico. Com efeito, não o toma em consideração porque está comprometida com uma outra agenda que não a da Palavra de DEUS. Infelizmente. 

Em suma, sabemos de acordo com o ensino do Senhor Jesus Cristo que não se pode evitar que haja ocasiões de pecado, “mas ai de quem for responsável por elas! Seria melhor para essa pessoa ser atirada ao mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço, do que ela fazer cair em pecado um destes pequeninos” (Lc 17:1-2). Que DEUS nos perdoe e nos livre de infringir este preceito sagrado. Que assim seja. 

O Vaticano e os Abusos Sexuais


Nada de especial nesta nova disposição do Papa Francisco sobre os abusos sexuais (LER). Desde o antigo Direito Romano que havia um entendimento claro que qualquer sigilo cessava automaticamente quando envolvia a prática do crime, sob pena de ser cúmplice com o criminoso. O referido postulado recebeu um acolhimento amplamente favorável nas Escrituras Sagradas, com ênfase mais acentuada no Novo Testamento, e nas sociedades democráticas. O Vaticano para ocultar muitas das suas misérias espirituais refugia-se no Direito Canónico para esconder os incontáveis abusos sexuais que as inofensivas crianças e mulheres são submetidas nos orfanatos católicos ao longo dos anos. Os pedófilos ditos Cristãos e abusadores em geral não devem apenas ser julgados pela Igreja, mas também pelos tribunais civis. Este entendimento não entra em contradição com a orientação bíblica.