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A Alegria do Dia do SENHOR


O domingo é um dia santo e de celebração religiosa da nossa Fé Cristã. É o Dia do SENHOR e da alegria contagiante no Espírito Santo. Alegria de estarmos na Igreja, juntamente com os nossos irmãos na Fé, para cultuar o nosso Bondoso e Amoroso DEUS. É uma alegria que brota de corações puros que temem ao Senhor Jesus Cristo e têm-No como único Salvador nas suas vidas. O domingo é um dia de culto e de alegria que, em última instância, remete-nos indubitavelmente para a “piedade com contentamento” (1 Tm 6:6). E esta piedade com contentamento, que envolve o fruto do Espírito Santo em nós (Gl 5:22), consubstancia no substrato identitário da nossa Fé Evangélico-Cristã. 

Por isso, estamos sempre alegres, mesmo nas situações de adversidades e de problemas. Estamos alegres nos bons e nos maus momentos, bem como nas situações de dor e de felicidade. Estamos continuamente alegres em toda e qualquer situação, procurando transportar connosco esta alegria da salvação que inunda o nosso ser em todos os dias da semana, mês e ano, especialmente no sagrado Dia do SENHOR. Louvaremos, Senhor, tal como o salmista, de todo o nosso coração; contaremos todas as tuas maravilhas. Em ti nos alegraremos e saltaremos de prazer; cantaremos louvores ao teu nome, ó Altíssimo (Sl 9:1-2). 

É, justamente, por esta razão, que nos alegramos sempre quando nos disserem: Vamos à Casa do Senhor (Sl 122:1), porque “este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 118:24). É uma alegria que excede a nossa compreensão humana, pois tem a sua origem e proveniência em DEUS para com os seus amados filhos, isto é, para connosco. Esta alegria transcendental leva-nos a fortiori a estarmos prontos e inteiramente disponíveis para servir no Reino de DEUS, com os nossos dons e talentos. A alegria de estar na Igreja é apenas uma parcela ínfima da responsabilidade da missão integral que os Cristãos têm para com a Grande Comissão do Senhor Jesus Cristo (Mt 28:18-20). 

Com efeito, a obrigatoriedade de o crente estar na Igreja aos domingos não o iliba de outras responsabilidades eclesiásticas. Também não o isenta de estar na Igreja nos outros dias da semana para servir e, muito menos, onera o seu compromisso com DEUS em todas as dinâmicas da vida. O culto dominical não deve servir como um analgésico espiritual para aplacar a consciência temorosa ou desdobrar-se num desvelo alimentado por uma ânsia de legitimação religiosa. E por fim, estar na Igreja não deve servir de pretexto para encobrir astutamente as insuficiências espirituais ou de muleta para o “igrejado” que vive deliberadamente na prática do pecado. 

É importante estar na Igreja para servir e adorar ao nosso Eterno DEUS. No entanto, é mais importante coadunar a nossa vida com os impolutos Princípios e Valores do Evangelho, através de uma vida devotada, santificada e de comprometimento com a Palavra e Obra de DEUS. É completamente despida de qualquer valor espiritual a mera religiosidade, baseada numa cristandade profana e ímpia. Não tem qualquer tipo de mérito espiritual o legalismo hipócrita que assenta nos caprichos egocêntricos e insaciáveis do Homem. Da mesma sorte, não tem ainda qualquer tipo de importância espiritual o farisaísmo hipócrita, que visa apenas vender uma falsa imagem religiosa, com o intuito diabólico de inutilmente ludibriar os verdadeiros Cristãos e a Igreja do Senhor Jesus Cristo em particular. 

Sim, é importante estar na Igreja para servir e adorar ao nosso Omnisciente DEUS, insisto neste ponto. Mas, o mais importante, acima de tudo, é estar no centro da vontade de DEUS e viver diariamente de acordo com o Evangelho da Salvação do Senhor Jesus Cristo. Só assim, estaremos a honrar na íntegra a nossa soberana vocação e a demonstrar, desta forma, que realmente “nascemos de novo” e somos autênticos filhos de DEUS. 

Estive hoje, no Dia do SENHOR, na minha Igreja, a cultuar DEUS por tudo o que É, fez e representa na minha vida. A minha vida sem DEUS não tem qualquer tipo de expressão, valor ou significado. A transformação que DEUS operou em mim, através da morte expiatória do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário, fez com que eu sou o que sou. 

Louvo a DEUS, sem medida, para todo o sempre, por esta graça imerecida da salvação que ELE amorosamente me concedeu. Estou-Lhe eternamente grato. E estar na Igreja para adorar e servir com alegria, especialmente no domingo, é o mínimo que posso fazer para agradecer ao Senhor Jesus Cristo. 

Em suma, apropriando-me das inspiradoras palavras do Apóstolo Paulo, digo convictamente com coração de louvor e exaltação ao Altíssimo DEUS: “ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1 Tm 1:17). Que assim seja. Assim sempre será no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. 

O Ministério Pastoral e a Família do Pastor: Da Interdependência à Indissociabilidade

A chamada Divina para o ministério pastoral é um dos mais nobres, relevantes, importantes e poderosos exercícios espirituais que um filho de DEUS possa almejar nesta momentânea vida. É um acto unilateral e manifestamente altruísta em prol da Causa do Evangelho. É renunciar, de forma deliberada e consciente, à carreira profissional, ao sucesso material e aos negócios seculares desta vida para servir fielmente de pastor para o precioso rebanho do Senhor Jesus Cristo. É assemelhar-se, em última instância, ao outrora papel abnegado do Filho de DEUS durante a Sua humilde encarnação neste hostil mundo como o Sumo Pastor das ovelhas. 

O ministério pastoral é benéfico a todos os níveis, profícuo no seu alcance objectivo e bastante rico em termos espirituais para quem o deseja de forma genuína. Se alguém deseja o episcopado, diz peremptoriamente a Palavra do SENHOR, excelente obra deseja (1 Tm 3:1). A pessoa em questão, deseja dedicar exclusivamente a sua vida para servir na Obra de DEUS e ser o mentor das ovelhas de Cristo. Deseja ser instrumento de bênçãos nas mãos do Todo-Poderoso DEUS para proclamar ousadamente o Evangelho da salvação para o mundo perdido e, em consequências disso, ganhar muitas almas, através da acção do Espírito Santo, para os céus. Não há exercício maior e melhor no mundo do que este. Não há profissão e ganhos mundanais ou glórias desta vida que se possam equiparar ao sublime ministério pastoral. Nada mesmo. Literalmente nada. O ministério pastoral excede, em larga medida, as polutas aspirações dos homens e todas as vaidades do mundo. 

Por isso, o ministério pastoral é excelente em todos os seus propósitos e fins. É excelente para o eleito pastor e, sobretudo, para a maravilhosa obra que este realizará em nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. Além deste assente e magnífico privilégio humano-espiritual, que o ministério pastoral comporta e encerra no seu substrato, a verdade também é que ser autenticamente pastor não é “pêra-doce” ou incólume aos problemas, especialmente nos nossos conturbados, anárquicos, violentos, promíscuos, descrentes, corruptos, heréticos e pecaminosos dias pós-modernos. Não é uma tarefa consensual ou facílima, tal como aparenta aos olhos de muitas pessoas e do mundo em particular.  O ministério pastoral é extremamente exigente, complicado na sua concretização prática e amiúde difícil. Envolve sempre a priori o chamado Divino, a renúncia, a sabedoria, o discernimento, a moderação, a tolerância, a paciência, o sofrimento, o amor, o perdão e a entrega incondicional à Obra de DEUS. 

O pastor deve estar, acima de tudo, inteiramente apto e predisposto para arcar com todas as consequências inerentes ao ministério pastoral – tanto nos aspectos positivos como nos aspectos negativos. O eleito pastor deve ter uma ampla capacidade de suportar as privações da madrasta vida, as injustiças provocadas pelos terceiros, as adversidades da função pastoral, as maldades dos falsos Cristãos, a rejeição do mundo e o sofrimento em geral. As pressões, as incompreensões, as provocações, as calúnias, as difamações, as conspirações, as perseguições e as injustiças – provenientes de dentro e fora da Igreja – fazem parte do cardápio e dinâmica da vida pastoral. E o pastor deve estar completamente ciente de todas estas contradições no seu percurso pastoral e saber lidar com elas com espírito de mansidão, bem como ter a capacidade suficiente e a sabedoria Divina para responder positivamente a todos estes conhecidos desafios espirituais à luz das Escrituras Sagradas. 

A génesis de todos estes premeditados e vis ataques contra a figura do pastor vem do diabo, dos seus demónios e filhos da perdição, que estão ao seu serviço no mundo para confundir os fiéis Cristãos e separá-los de DEUS. É o diabo que tenta, a todo o custo, atacar o pastor, denegrindo-lhe a imagem, a reputação e o bom nome para, desta forma, fragilizá-lo e consequentemente dividir a Igreja. Só que usa os ímpios e os Cristãos ingénuos para atingir este maléfico desiderato. O pastor deve estar plenamente consciente e preparado para enfrentar esta dura realidade espiritual no seu percurso de vida, com as armaduras de DEUS (Ef 6:10-18). Só assim será realmente um obreiro aprovado por DEUS e inteiramente habilitado para toda a Boa Obra. 

É evidente que o ministério pastoral é abrangente em todas as suas dimensões e propósitos. Ele é abrangente do ponto de vista objectivo e do ponto de vista subjectivo. Naquele é abrangente na sua concretização prática e finalidade salvífica das ovelhas. Neste é abrangente no que toca ao círculo pessoal, familiar e relacional do pastor, isto é, se este for casado e posteriormente tiver filhos menores ou alguém sob os seus cuidados, contando que a parentela esteja na sua casa e sob a sua inteira dependência. Daí que, sem quaisquer tipos de hesitações prévias ou equívocos doutrinários, não se pode dissociar o ministério pastoral da família do pastor (se for casado, bem entendido. Isto porque uma pessoa pode ser pastor e não ser casado e, muito menos, ter filhos. Logo, neste caso, não se lhe aplica a responsabilidade e responsabilização da sua família no ministério pastoral, uma vez que não dispõe nem de esposa nem de filhos). 

O ministério pastoral está intrinsecamente ligado à família do pastor e vice-versa. As duas realidades estão simultaneamente interligadas e são indissociáveis uma da outra. O pastor, em circunstância alguma, deve isolar a sua família no seu ministério eclesiástico. Da mesma sorte, a família do pastor não deve ficar alheio ou indiferente ao ministério do pastor. As duas realidades estão concomitantemente interligadas e indissociáveis uma da outra. A bitola de Josué de “eu e a minha família serviremos ao Senhor” (Js 24:15) deve reger e fazer parte constante do ministério pastoral e da vida familiar do pastor. 

No entanto, por vicissitudes várias e supervenientes, tem havido um esforço indisfarçável e desmesurado, nas últimas décadas, por parte de alguns teólogos e pastores, para autonomizar o ministério pastoral da família do pastor, reduzindo-o estritamente à figura do “pastor contratado” à moda secular, através de um esgrimido argumento tautológico, falacioso e despido de qualquer tipo de suporte bíblico. Esta tese ardilosa, aparentemente consistente, para ludibriar os menos atentos na fé, visa sobretudo profissionalizar o ministério pastoral e dissolvê-lo numa libertária secularização, desresponsabilizando assim, no seu todo, a família do pastor no ofício eclesiástico. Não tem qualquer tipo de fundamento bíblico nem acolhimento romper este cordão umbilical do ministério pastoral com a família do pastor, antes pelo contrário as duas realidades estão manifestamente interligadas e são imprescindíveis no sucesso ministerial do pastor. 

A título exemplificativo, para testar esta nossa afirmação, se a família do pastor não está enquadrada na ortodoxia bíblica e desviada dela, obviamente que isto terá repercussões extremamente negativas dentro da Igreja e será um factor perturbador e determinante na desqualificação do pastor para o ministério pastoral, independentemente do seu bom carácter, da sua honorabilidade e da integridade espiritual.  O pastor deve, tal como formula inspiradamente a Palavra de DEUS, “ser um bom chefe da sua própria família e saber educar os filhos no respeito, com toda a dignidade. Pois se alguém não é capaz de ser um bom chefe da sua própria família como pode assumir responsabilidades na igreja de Deus?” (1Tm 3:4-5). É claro que não tem condições objectivas para assumir o ministério pastoral ou continuar a exercê-lo com dignidade – por não ter a autoridade espiritual requerida para exortar os irmãos na fé, mormente no que toca à ética familiar e o papel dos maridos, esposas e os filhos na Igreja. 

A teologia subjacente no ofício pastoral é a de a família pastoral ser unidamente um exemplo na Igreja e coadjuvante do pastor na prossecução do ministério eclesiástico. A esposa do pastor, os seus filhos e todas as pessoas que estão sob a sua alçada são partes essenciais no sucesso ou insucesso do ministério do pastor. Tanto que, por esta razão, as próprias Escrituras Sagradas vão dando algumas directrizes sobre a postura irrepreensível que deve caracterizar a família pastoral. A começar, desde logo, com a mulher do pastor. Esta deve apresentar-se com dignidade, modéstia, sem grandes penteados, nem ouro, nem jóias nem vestidos luxuosos, mas sim como convém à mulher que se preocupa principalmente em agradar a DEUS pelas boas obras (1 Tm 2:9-10), evitando máxime o pecado do materialismo, da ostentação, da bisbilhotice, da murmuração, da sensualidade e sumptuosidade. 

Da mesma forma, espera-se um comportamento decente e congruente dos filhos do pastor com os impolutos Princípios e Valores Cristãos, pois fazem parte essencial do ministério pastoral. A família pastoral deve ser modelo para todas as famílias da Igreja – tanto na espiritualidade, na oração, no serviço aos santos, na comunhão, na hospitalidade, na solidariedade, na visitação e na Evangelização e Missões. A mulher do pastor deve ser particularmente exemplo para toda a comunidade, assim como os filhos, com vista a “aliviarem” o ministério do pastor, colaborando de forma edificada no ofício pastoral, livrando assim o pastor de “não se tornar motivo de difamação nem cair na armadilha preparada pelo diabo (1 Tm 3:1-9). 

A família do pastor faz parte integrante do ministério pastoral e deve estar com o pastor na “linha da frente” no exercício eclesiástico. Deve estar preparado para acolher com amor todos os irmãos da igreja, especialmente os irmãos que carecem mais de acompanhamento e orientação, através do ministério de aconselhamento, de hospitalidade e de visitação. Nestes ministérios, é imprescindível a colaboração da mulher do pastor para a sua eficaz concretização. É decisiva a sua predisposição neste sentido para que o pastor seja realmente bem-sucedido em tais importantes ministérios. A mulher do pastor é a “terceira visão”, o “quarto ouvido” e o “sexto sentido” do pastor dentro da igreja. Olha aquilo que o pastor muitas vezes não vê ou negligencie. Escuta mais do que aquilo que o pastor escuta e consegue ter mais a noção real da vida da Igreja do que propriamente o pastor. 

A mulher do pastor leva um lado feminino para o ministério pastoral e ajuda a aplacar muitos ímpetos negativos na congregação e revoltas evitáveis contra a autoridade da igreja, catapultando com o seu gesto de simplicidade o apaziguamento, a harmonia e o despertamento para o serviço.  Se a mulher do pastor for sensível e aberta consegue seguramente inspirar mais confiança de muitos irmãos na igreja, penetrando eficazmente em determinados ângulos ministeriais a que o pastor jamais conseguiria chegar. Consegue atenuar várias tensões e problemas desnecessários entre os irmãos e estes com o pastor e vice-versa.  Ela é o maior activo e o escudo protector do pastor contra os mal-entendidos, as desavenças e revoltas que, de vez em quando, surgem nas igrejas. Daí que ela não pode ser relegada, secundarizada ou desvalorizada no ministério pastoral, até porque se for uma pessoa desleixada e fechada em termos espirituais vai certamente fechar muitas portas de oportunidades no ministério do pastor. 

Se a mulher do pastor e os seus filhos não participam nas actividades regulares da Igreja ou não têm uma conduta Cristã decente, que autoridade espiritual o pastor terá para exortar os outros irmãos na fé a terem uma vida diligente, devotada e santificada? Obviamente que perde toda a legitimidade e autoridade espiritual requerida na Palavra de DEUS para fazer tais chamadas de atenções, tendo em conta o mau exemplo que tem na sua própria casa e que não consegue resolver. E não há dúvida que esta “convulsão familiar” será muito bem aproveitada pelo diabo para difamar o pastor, levando-lhe, em casos mais extremos, a cair na armadilha preparada astutamente por ele, tal como ficou há bocado demonstrado pelo texto sagrado citado. 

Faz sentido que a mulher do pastor não exerça os dons espirituais na Igreja local em que o seu marido pastoreia? Ou que não esteja regularmente nos cultos dominicais, reuniões de oração e de senhoras ou vigílias? É plausível que a mulher do pastor esteja a congregar numa igreja diferente da igreja que o seu marido pastoreia? É congruente com a Palavra de DEUS que ela não acompanhe o seu marido nas actividades eclesiásticas e tenha uma conduta de vida censurável? Os filhos e parentes dependentes do pastor podem ter qualquer tipo de conduta? Estes podem dar ao luxo de ter uma orientação flagrantemente incompatível com a vida sacrossanta, nomeadamente envolvidos na promiscuidade sexual, alcoolismo, vícios de droga ou mundanismo? Obviamente que as respostas para todas estas pertinentes questões são manifestamente negativas, por razões várias que dispensam explicações. 

A família do pastor não pode, sob pena de desestabilizar e afectar drasticamente o mistério do pastor, não colaborar com o pastor no ministério pastoral e ter condutas desviantes à luz da Palavra de DEUS. Espera-se da família do pastor que seja modelo de espiritualidade para toda a Igreja. E isto envolve, desde logo, o próprio pastor, a sua esposa, os filhos e todos os dependentes a seu cargo. São estas mesmas pessoas que assistirão o pastor nos momentos mais difíceis, desanimadores e desafiantes do ministério, dando-lhe apoio incansável e forças suficientes para continuar firmemente a “combater o bom combate da fé”. 

A mulher do pastor e os filhos devem ser modelos dentro da Igreja e fora dela, insistimos. Devem estar com o pastor na “linha da frente” no exercício pastoral, com vista a estimular os outros irmãos da Igreja a seguirem o mesmo consagrado testemunho de fé. Vai, se assim não for, seguramente, afectar negativamente a autoridade do pastor dentro da congregação e obstaculizar o seu ministério. A família do pastor é o “espelho” da Igreja e modelo de referencial para todos os fiéis. Deve dar o exemplo no testemunho, na consagração, na dedicação, na hospitalidade e no amor ao serviço do Reino de DEUS. 

É claro que a família do pastor não é perfeita e nem se pode esperar dela a perfeição. Não é disto que estamos a falar nem tencionamos passar tal ideia nesta nossa humilde crónica. Também não somos da opinião de exigir muito mais do que aquilo que se pode exigir do pastor e da sua família. O máximo que se pode exigir do pastor e da sua família é o mínimo do ponto de vista espiritual: ser unida, dar testemunho fiel da Palavra de DEUS, comprometida com a Igreja do Senhor Jesus Cristo e exemplo de serviço para os santos. 

É verdade que há, cada vez mais, uma exigência anormal e maldosa dos crentes para com a família do pastor. Também há, cada vez mais, um conluio deliberado e maléfico por parte de irmãos que se deixam instrumentalizar pelo diabo para desestabilizar a família do pastor. É verdade que as congregações esperam muito mais do que aquilo que o pastor e a sua família podem oferecer às Igrejas. É ainda verdade que há uma pressão brutal sobre a família pastoral, levando-lhe, em determinados casos, a perder o ânimo e o fervor missionário. E, por fim, é verdade ainda que muitos pastores e as suas famílias têm sido reiteradamente enxovalhadas, humilhadas, vilipendiadas e perseguidas nas suas congregações – e com todas as repercussões negativas que isto comporta no equilíbrio espiritual das mesmas, principalmente na vida dos filhos. Estamos plenamente conscientes de toda esta triste e vergonhosa realidade. É um comportamento repugnante e atentatório aos elevados Princípios e Valores consagrados na Palavra de DEUS e ao amor Cristão que devem nortear os crentes. 

O pastor é um ser humano como qualquer outro crente no Senhor Jesus Cristo: tem inclinações, desejos, vulnerabilidades, falhas e limitações. O pastor é um pecador regenerado à semelhante dos demais eleitos filhos de DEUS. Esta verdade soteriológica também se aplica na íntegra à família do pastor. A única diferença é que o pastor foi separado para conduzir o povo de DEUS. Não se pode exigir perfeição de quem não é perfeito. Não se pode exigir infalibilidade de quem é falível. Não se pode exigir uma coisa que a pessoa não tem. Todavia, não se pode confundir as duas realidades ou misturá-las no mesmo saco. Uma coisa é a pressão desmedida e exigência exagerada que muitas igrejas fazem à família pastoral ou esperam dela. Outra coisa, e bem diferente, é desresponsabilizar completamente a família do pastor no ministério eclesiástico. 

O Pastor e a sua família devem estar preparados para vivenciar coisas boas do ministério, assim como as coisas menos boas dentro das congregações. Não é com queixumes e lamúrias que se vai aplacar as reiteradas investidas diabólicas e pressões no ministério. Julgamos que os pastores que passam mais a vida a lamentar da sua sorte ministerial, das duas uma: ou desconhecem as implicações teológicas de ser pastor, ou não receberam um autêntico chamado Divino para serem pastores. Um pastor de verdade não está constantemente a lamentar a sua sorte e está habilitado a sofrer até ao fim na Obra de DEUS, pelo amor do Senhor Jesus Cristo, tal como os heróis da fé e santos homens e mulheres de DEUS fizeram ao longo da história do Cristianismo. 

E mais, estamos em crer que os pastores que passam a vida a lamentar no ministério ou a fazerem alarido daquilo que estão a vivenciar não são, de todo, os que mais sofrem ou estão a sofrer. E são tais pastores que não cansam de procurar igrejas mais “favorecidas” ou “afortunadas” para acomodarem as suas expectativas humanas, nomeadamente a estabilidade financeira, a locupletação e o conforto da vida material. Estes, seguramente, não são verdadeiros pastores, mas sim assalariados, visando apenas os seus egocêntricos interesses e não do Senhor Jesus Cristo. E há muitos assim no nosso meio Evangélico-protestante, para grande tristeza nossa, infelizmente... 

Não se vislumbra qualquer tipo de sucesso ministerial do pastor onde a sua família não está devidamente incluída e integrada. A família do pastor é alicerce crucial e retaguarda indispensável para o bom ofício do pastor. Ela tem um papel de coadjuvação no ministério bastante importante e relevante. E deve contribuir para acompanhar, apoiar, orar, encorajar o pastor, principalmente, nos momentos mais sombrios, complicados e de desânimo. Se a família do pastor não colaborar com ele no ministério decerto que este não terá um frutuoso e bem-sucedido ministério. Fica vulnerável, circunscrito na sua acção, refém de tais fragilidades e condicionado do ponto de vista espiritual, ficando assim significativamente limitado na sua autoridade espiritual, sendo depois motivo de escândalo para a Igreja. 

A premeditada tentativa de desresponsabilizar a família do pastor nos ministérios da Igreja, nos círculos evangélicos tradicionais como nos círculos pentecostais, colide frontalmente com os pressupostos axiológicos da Doutrina Bíblica e resvala num profissionalismo secular subjectivista. Ela visa unicamente incorporar e legitimar biblicamente parte das pretensões teológicas dos movimentos progressistas dentro do Cristianismo que, a todo o custo, reclamam uma interpretação actualista das Escrituras Sagradas, absorvendo o mundanismo para dentro da Igreja. 

Os princípios que estão na génesis da instauração do ministério pastoral são todos de conjugação, agregação e de sinergias. A Igreja alberga no seu corpo várias e diversificadas pessoas, tendo o Senhor Jesus Cristo como a sua cabeça (Cl 1:18; Ef 5:23). O pastor é chamado a conduzir o rebanho do Senhor Jesus Cristo e estes, por sua vez, são chamados a viver unidos e em completa harmonia e comunhão, cooperando uns com os outros na prossecução, expansão e avanço do Evangelho para que o mundo creia que Jesus Cristo é o Senhor (Jo 17:21). Não há nada que, do ponto de vista da eclesiologia, estimula ou apela para o individualismo (vede, por todos os exemplos bíblicos, os dons espirituais e as suas finalidades em 1 Co 12:1-31 e Rm 12:4-8, respectivamente). 

A Igreja é a conjugação das partes para o mesmo fim: a edificação dos santos e glória do Senhor Jesus Cristo (Ef 4:12-13; 1 Co 12:7). O ministério pastoral, igualmente, é trabalho de equipa, não obstante ter o pastor como o líder principal da igreja local. E em todas estas colaborações e diversificações, a família pastoral é peça central e “guia” da Igreja. Logo, ela é parte integrante do ministério e a membrasia deve contar com ela na Obra e poder responsabilizá-la, e ao pastor, em casos de desvios comportamentais flagrantes. 

Nunca se pode equiparar o ministério pastoral com o regime de prestação de serviço secular, tal como muitos teólogos e pastores se têm, de forma explícita, desdobrado a fazer. O ministério pastoral é uma vocação e não tem nenhum paralelismo com o do assalariado. E o pastor e a sua família têm impreterivelmente de estar vocacionados para trabalharem juntos na igreja local que escolheram pastorear. Isto não quer dizer literalmente que a esposa do pastor, os seus filhos e paraninfos têm necessariamente de trabalhar a tempo integral ou serem obrigados a exercer funções proeminentes na Igreja. Nada disso. Podem optar por trabalhar a tempo inteiro, isto é, se a Igreja assim o entender, bem como podem não ocupar nenhum cargo na Igreja em que estejam congregados. No entanto, de modo algum, podem prescindir do compromisso com a Igreja, a vida santificada, o exemplo de vida Cristã e a predisposição para servir como qualquer outro membro da Igreja. 

A família do pastor tem toda a liberdade e deve ser encarada como qualquer outra família na congregação, sem prejuízo naturalmente de não descurar o seu papel acrescido na representação das famílias da Igreja. Não pode relaxar e deve pautar a sua conduta como uma verdadeira família pastoral. A mulher do pastor deve ser modelo refletivo para todos os membros da comunidade e das mulheres da Igreja em especial. Os filhos do pastor, da mesma sorte, devem ser motivo de orgulho e satisfação pelo pastor. Conjugando devidamente todas estas realidades e absorvendo-as, há mais manobras para o pastor exercer pacificamente, com maior autoridade e tranquilidade, o seu ministério eclesiástico, reduzindo consideravelmente muitas investidas do inimigo e do diabo em especial. 

Por isso, não compreendo minimamente os defensores da dissociação do ministério pastoral com a família pastoral. Esta pretensão não acautela a maior protecção que o pastor dispõe no ministério: a sua família. A família do pastor é, falando humanamente, retaguarda e reduto do pastor nos momentos decisivos do ministério. É na sua família que o pastor encontra carinho, incentivo, estímulo para continuar a prosseguir com o ministério. Retirar ao pastor esta peça fundamental no seu compromisso com a igreja é retirar-lhe a retaguarda em tempos de adversidades e um autêntico paradoxo em termos bíblicos. Não há nenhum ganho espiritual em excluir a família pastoral do ministério do pastor, antes pelo contrário potencia mais riscos, escândalos, prejuízos para ele e o seu ministério em geral. 

Em suma, o ofício pastoral e a família do pastor estão manifestamente interligados, interdependentes e indissociáveis nos ministérios da Igreja, independentemente das várias formulações teológicas que tentam defender o contrário. O serviço pastoral, em última instância, envolve também a casa do pastor e é neste prisma que ele deve ser concebido, entendido e aplicado. Que assim seja. E assim sempre será para glória do Senhor Jesus Cristo. Amém. 

As Fundamentais Razões Para Não Apoiar Uma Guerra Armada


Nesta segunda abordagem do meu podcast, procurei analisar a posição doutrinária dos Cristãos sobre o conflito armado e, por fim, dei a minha humilde opinião.  Sou inteiramente contra a guerra e também contra a denominada “guerra justa”, independentemente da sua justificação legal, política, económica, moral e ética. 

Considero que qualquer tipo de guerra está sempre subjacente às forças do mal. A guerra, seja justa ou não, é do Diabo e dos seus agentes no mundo inteiro. A guerra é uma coisa bruta, sangrenta, horrorosa e macabra. Ela é inequivocamente maléfica, injusta, trágica e diabólica. Com a guerra morrem inúmeras pessoas, sobretudo pessoas inofensivas e inocentes. 

Abusos Sexuais na Igreja


 Não fiquei nada surpreendido com a estimativa avassaladora avançada hoje pela Comissão Independente criada para averiguar os abusos sexuais cometidos na igreja católica portuguesa. Estes números de abusos sexuais eram de esperar. Eles retratam parcialmente aquilo que tem sido a obstrução deliberada a que a Igreja Católica Romana tem sido negligentemente votada ao longo dos séculos. Não se podia esperar outra coisa. É a realidade nua e crua da miséria espiritual que reina no seio do Vaticano, repercutindo negativamente nas elites da igreja católica espalhadas pelo mundo. A Igreja Católica Romana, para tristeza nossa, é um antro de aglomeração de pedófilos, homossexuais, tarados sexuais e abusadores. E tudo isto acaba por ter influências extremamente nefastas na dinâmica ministerial da igreja e na forma como lida com os seus membros, sobretudo com as crianças. 

Não comungo literalmente da opinião das pessoas que atribuem os abusos sexuais cometidos pelos padres à imposição do celibato ao clero. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ser obrigado a viver em abstinência sexual não se traduz literalmente em ser pedófilo ou tarado sexual e, muito menos, abusador. Os padres que não têm o dom do celibato normalmente refreiam os seus ímpetos sexuais com a masturbação ou, em determinados casos, recorrem às mulheres da má vida. Há muitos padres assim, infelizmente, que vivem uma vida paralela, porque não têm a permissão do Vaticano para desposarem, preferindo viver na clandestinidade. Outra coisa, e bem diferente, são os padres pedófilos e homossexuais que continuam secretamente no “armário”, usando depois a sua posição privilegiada dentro da igreja para cometerem abusos sexuais contra os menores. 

É verdade que há também padres heterossexuais que acabam por enveredar deliberadamente por caminhos de homossexualidade e pedofilia, molestando as pessoas vulneráveis que estão à sua disposição. Só que, em abono da verdade, estes casos são inferiores comparativamente com os padres que são pedófilos e homossexuais. Mesmo assim, as duas flagrantes situações são comportamentos aberrantes e de repudiar. O abuso sexual, a prática da pedofilia e da homossexualidade são manifestamente condenadas e não têm qualquer tipo de acolhimento nas Escrituras Sagradas, especialmente o hediondo abuso contra as inofensivas criancinhas. Nenhum autêntico Cristão pode compactuar com tais hediondos crimes, sob pena de ser cúmplice no pecado da promiscuidade sexual. E a Igreja Católica Romana sabe muito bem desta grande verdade bíblica. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, faz vista grossa para continuar a perpetuar os abusos contra os menores. 

Encontro, a meu ver, duas explicações para a prática reiterada de abusos sexuais na Igreja Católica Romana e o seu deliberado encobrimento pelas lideranças. A primeira explicação prende-se com a afamada revolução sexual dos anos sessenta do século passado (promiscuidade sexual, bem entendido), encabeçada particularmente pelos jacobinos, que teve como apologia viver a sexualidade de forma desapegada, descomprometida e despida de todo o pudor ou tradicionalismo que, até então, estava profundamente enraizado nas sociedades. Em consequência disso, nesta patente devassidão, começou-se a legitimar socialmente o uso desenfreado de métodos contraceptivos, o consumo da pornografia, a defesa da ideologia de género e da homossexualidade, a despenalização e legalização do aborto, etc. Esta libertinagem, no que toca ao sexo e à sexualidade, acabou por arrastar fortemente a Igreja Católica Romana, atraindo para o seu seio seminaristas homossexuais, pedófilos e pessoas frigidas que não estavam de todo comprometidas com a causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Essas pessoas fizeram careira na igreja, passando posteriormente a ocupar posições de relevo na hierarquia do Vaticano como oficiais, padres, bispos e cardeais. São estes tarados que abusam impunemente de menores, contando com o beneplácito dos seus superiores para o encobrir tais monstruosos crimes. 

A segunda explicação tem a ver com o Segredo Pontifício da Santa Sé – que só há três anos foi revogado para os casos de abuso sexual pelo Papa Francisco (LER)O Segredo Pontifício, segundo Vatican New, “é um segredo que é imposto aos destinatários em assuntos de particular gravidade. O mesmo não surge por simples omissão ou negligencia, pelo contrário, através do segredo se pretende proteger uma instituição, respeitar a intimidade das pessoas, manter a autonomia da Igreja Católica, facilitar o normal funcionamento das instituições ou o bem comum” (LER)E a questão que se coloca é a seguinte: como é que se pode guardar um gravíssimo pecado que destrói vidas e concomitantemente afecta a reputação da Igreja? Obviamente que não se pode encobrir pecados que poem em causa o bom nome da Igreja e a incorruptibilidade da mensagem do Evangelho. 

Desde o antigo Direito Romano que havia um entendimento assente que qualquer sigilo cessava automaticamente quando envolvia a prática de um crime, sob pena de se ser cúmplice com o criminoso. O referido postulado recebeu um acolhimento amplamente favorável nas Escrituras Sagradas, com ênfase mais acentuado no Novo Testamento e nas sociedades democráticas. O Vaticano, para ocultar muitas das suas misérias espirituais, refugia-se no Direito Canónico para esconder os incontáveis abusos sexuais a que as inofensivas crianças e mulheres são submetidos nos orfanatos católicos ao longo dos anos. Os pedófilos ditos Cristãos e abusadores em geral não devem apenas ser julgados pela Igreja, mas também pelos tribunais civis. Este entendimento não entra em contradição com a orientação bíblica. Acredito piamente que há muita boa gente que oculta os abusos sexuais com o intuito de “proteger” a Igreja das bocas do mundo. Só que essas pessoas inocentemente estão mais a prejudicar a Igreja com o seu encobrimento do que propriamente a defendê-la, visto que “nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia”, exortava peremptoriamente o Senhor Jesus Cristo (Mc 4:22). 

Os abusos são completamente condenados na Bíblia Sagrada. Toda a doutrina bíblica é manifestamente contra os abusos. Nenhum tipo de abuso tem amparo na Palavra de DEUS. A coação, o abuso, a violência, o suicídio e homicídio são do Diabo e dos seus agentes espalhados pelo mundo fora. O nosso Todo-Poderoso não coage ninguém a fazer nada contra a sua livre vontade. Por isso, nenhum cristão pode ser abusador ou compactuar com o abuso seja de criança ou adulto. Todo o abuso é profundamente contrário aos postulados Cristãos: há uma incompatibilidade axiológica e teológica entre Cristianismo e abuso – nenhum cristão pode ser abusador e nenhum abusador se pode dizer cristão. O mais grave ainda é abusar das pobres e inofensivas criancinhas, submetendo-lhes forçosamente a prática sexual. Isto é um cúmulo de depravação que ultrapassa o limite do bom senso e da razoabilidade. Ultrapassa a decência e a dignidade. Ultrapassa a moral e os bons costumes. Ultrapassa, acima de tudo, os valores do humanismo e da humanidade. É estragar a vida da criança que ainda não viveu, condicionando significativamente a sua forma de encarar o sexo e a sexualidade na idade adulta. O abuso sexual desconfigura, atrofia a personalidade, deixa marcas indeléveis na alma, retira a felicidade e, em última instância, mata a vítima. É um dos cancros da pós-modernidade, abarcando todas as esferas da nossa moribunda sociedade. 

No entanto, o abuso sexual não deveria existir no seio da Igreja ou ser perpetrado contra as criancinhas, principalmente por pessoas que têm o dever moral e espiritual de cuidar de vidas que procuram o refúgio na Igreja. As crianças são parte integrante do Reino de DEUS. Por esta razão, o Reino de DEUS é dos que são como crianças, enfatizava o Senhor Jesus Cristo (Mt 19:14-15. Abusar de uma criança na Igreja é declarar abertamente guerra ao Senhor Jesus Cristo, o dono da Igreja, e com todas as implicações espirituais que isto representa para o infractor. E a liderança da Igreja Católica sabe muito bem deste primado bíblico. Com efeito, não o toma em consideração porque está comprometida com uma outra agenda que não a da Palavra de DEUS. Infelizmente. 

Em suma, sabemos de acordo com o ensino do Senhor Jesus Cristo que não se pode evitar que haja ocasiões de pecado, “mas ai de quem for responsável por elas! Seria melhor para essa pessoa ser atirada ao mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço, do que ela fazer cair em pecado um destes pequeninos” (Lc 17:1-2). Que DEUS nos perdoe e nos livre de infringir este preceito sagrado. Que assim seja. 

Ter Esperança em DEUS


A vida é feita de esperança. A esperança é um combustível necessário e indispensável para continuarmos a lutar pelos nossos legítimos sonhos de vida. Sem esperança a vida não faria qualquer tipo de sentido e levar-nos-ia inevitavelmente para um estado de permanente tristeza, depressão, sofrimento e, em última instância, ao suicídio. As pessoas que normalmente se suicidam são pessoas que não vislumbram a esperança e o sentido real para as suas vidas e, consequência disso, põem funestamente termo à sua própria vida. A esperança está intrinsecamente ligada à felicidade e esta é a meta primordial de todos os seres humanos neste “vale de lágrimas”. A esperança é a primeira virtude do Homem nas suas várias ambições e também o reduto último das suas aspirações. A esperança é a última a morrer, formula a sabedoria popular. 

Obviamente que é importante ter esperança naquilo que realmente vale a pena no futuro e que tem sustentáculo no curso do tempo. Sabemos, por realidade prática, que muitas pessoas depositam a confiança na superficialidade e acabam por colher a ilusão, ficando desapontadas, frustradas e infelizes com as suas decepcionantes expectativas de vida. No entanto, para nós Cristãos, a nossa esperança está única e inteiramente no Todo-Poderoso DEUS e não nos valores efémeros deste corrupto mundo. A nossa esperança não está na nossa vida, na nossa família, no nosso estatuto social, no nosso trabalho, nos nossos amigos, nas nossas riquezas materiais, nos nossos méritos pessoais ou qualquer outro tipo de valor mundanal, mas sim no Senhor Jesus Cristo e na Sua infalível promessa da vida eterna para connosco. 

É claro que há muitos Cristãos que, em situações de grandes turbulências e adversidades, não conseguem absorver de forma plena esta grande verdade soteriológica e hesitam em confiar plenamente em DEUS, tendo em conta as distrações espirituais que vão tendo. Mas, somos advertidos nesta lição da Escola Bíblica Dominical, para continuarmos sempre a ter a esperança no nosso Todo-Poderoso DEUS, mesmo nos momentos dificílimos de problemas, contradições, tentações e provações, porque ELE vai estar sempre connosco para nos orientar e, em tempo oportuno, providenciar-nos o auto-escape para todos os desafios que vamos enfrentando neste maldito mundo. Que assim seja. E assim será pela fé no Senhor Jesus Cristo.  

A Morte do Papa Bento XVI e o Seu Legado Religioso


Partilho aqui o vídeo que gravei hoje no final da tarde sobre “A Morte do Papa Bento XVI e o Seu Legado Religioso”. Tenha um bom proveito na sua visualização e auscultação. 

O Casamento à Luz do Cristianismo


Partilho aqui a minha pregação no domingo passado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, intitulada “O Casamento à Luz do Cristianismo”, baseada no texto sagrado do evangelho segundo Mateus 19:1-12. Abordei, com ajuda Divina, as grandes problemáticas teológico-doutrinárias em torno do divórcio, refutando biblicamente os inúmeros arbítrios libertinos a que o matrimónio é votado nos nossos dias pós-modernos, bem como apresentei o propósito original de DEUS para um casamento fecundo e feliz – livre de qualquer tipo de coação, humilhação, abuso, violência e divórcio. 

A Vida Cristã e o Serviço


Partilho aqui a minha pregação ontem na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, sob o tema “A Vida Cristã e o Serviço”, baseado no texto bíblico da epístola aos Romanos 12:1-21. 
Tenha um bom proveito na sua auscultação e que DEUS realmente lhe abençoe.

Adeus ao Uso da Máscara ou um Momentâneo Até Já?


 A partir de hoje deixou de vigorar o uso obrigatório de máscaras em Portugal. Nunca fui apologista de obrigar coercivamente as pessoas a usarem a máscara. Elas devem ser inteiramente livres de fazerem as opções que julgarem mais convenientes para as suas vidas, sem qualquer tipo de paternalismos ou tutela estatal. As minhas profundas reservas para com a não obrigatoriedade do uso da máscara não têm nada a ver com a esfera secular, mas sim com a sua dimensão espiritual. 

A máscara, a todos os níveis, tem uma conotação bastante negativa do ponto de vista Cristão. Ela é manifestamente incompatível com os Princípios e Valores do Cristianismo. A Palavra de DEUS exorta-nos vivamente a afastarmo-nos do mal e também de toda a aparência do mal (1 Tessalonicenses 5:22). Por isso, faz-me imensa confusão a máscara ser, neste momento, o nosso importante “aliado” no sagrado culto que prestamos a DEUS (pelos menos desde quando despoletou a maldita pandemia do coronavírus). Vemos a promoção – até à exaustão – das máscaras nos nossos púlpitos, bancos de igrejas e congregações em geral. Um desfile interminável de máscaras: máscaras a serem usadas nas pregações, na Escola Bíblica Dominical, no louvor e adoração, sob o falso pretexto de “protegermo-nos” uns aos outros e obedecer aos ditames das autoridades, que decretam o seu uso obrigatório nos templos. 

A Igreja deveria ter feito finca-pé para não aceitar a máscara nas suas instalações, reclamando com maior alcance a excepção que os restaurantes beneficiavam. Faz algum sentido estar a pregar ou louvar a DEUS com máscara? Obviamente que não. 

Toda esta trapalhada e deriva eclesiástica deve-se ao facto de as lideranças das igrejas decidirem, unilateralmente, sem base bíblica, fechar a Casa de DEUS, antes de ser propriamente decretado o estado de emergência, condicionando posteriormente a imposição do Estado na liberdade do culto dos crentes. Se as autoridades das igrejas não tivessem inicialmente alinhado na agenda mundana do Estado este, em circunstância alguma, ousaria obrigar à proibição das celebrações religiosas, uma vez que não tem competência constitucional para fazê-lo. A propósito disso, do fecho das igrejas, escrevia o ilustre Professor Catedrático Jorge Bacilar Gouveia, que “não esteve bem a hierarquia católica, que foi mais drástica do que o poder político, tomando e até antecipando uma proibição que nem o próprio Estado teve a ousadia de aplicar com tanta severidade”. 

E mais, a declaração do estado de sítio ou do estado de emergência “em nenhum caso pode afectar os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade civil e à cidadania, a não retroatividade da lei criminal, o direito de defesa dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião”, tal como preceitua a Constituição da República Portuguesa (art.º 19.6). Mas, infelizmente, as igrejas optaram erradamente por alinhar na onda do fecho generalizado e na subserviência sem precedentes ao poder político em detrimento da Palavra de DEUS e da saúde espiritual dos fiéis, distorcendo inclusive o alcance teológico da passagem bíblica de Romanos 13:1-7 para justificar o injustificável, isto é, o fecho das igrejas. 

O dia da libertação das máscaras chegou finalmente hoje. Espero que não seja momentaneamente um até já, mas sim uma libertação permanente. Espero igualmente que o uso de máscara não seja mais obrigatório, mas sim facultativo, para o bem de todos. Espero, por fim, que as máscaras abandonem definitivamente os nossos púlpitos e portas das nossas igrejas para assim podermos proclamar e louvar livremente o nosso Eterno DEUS, sem qualquer tipo de obstáculo, sufoco ou impedimento.  

Confissões de Santo Agostinho


Já tenho comigo as Confissões de Santo Agostinho. Tenho comigo a obra que tanto desejava ter de a uns tempos para cá. Tenho felizmente um grande clássico de Teologia e um dos maiores vultos da milenar história do Cristianismo. Tenho comigo uma das mais emblemáticas, brilhantes, importantes, estudadas e influenciadoras obras da história da Humanidade. Segundo o historiador protestante Campenhausen, citado por Hans Küng em Os Grandes Pensadores do Cristianismo (LER)“Agostinho é um génio, é o único padre da Igreja que pode reclamar o título atribuído pela Modernidade às personagens célebres”. E mais, tanto para o bem como para o mal, influenciou decisivamente a teologia e a religiosidade ocidentais como nenhum outro teólogo. Por isso, todos aqueles que são amantes de Teologia, independentemente das suas denominações, orientações ou convicções doutrinárias, deveriam impreterivelmente conhecer um pouco do pensamento de Santo Agostinho. 

Depois de ter lido “A Cidade de Deus” do Doutor da Igreja (LER), sinto-me novamente compelido em mergulhar nas suas Confissões, tal como já estou a fazer. Espero, com a graça Divina, terminar esta penetrante leitura nos próximos dias. Assim espero mesmo. 

Antídotos Contra o Preconceito

O preconceito é um vírus malévolo a todos os níveis. Ele baseia-se meramente num juízo temerário, precipitado, infundado e equivocado. Tem o poder de repelir qualquer tipo de interacção, bloquear oportunidades de relacionamentos, odiar sem fundamentos tangíveis e, em casos extremos, destruir vidas, tal como a experiência milenar nos tem indubitavelmente demonstrado. O preconceito é um cancro social que, em última instância, evidencia o carácter patológico da própria pessoa preconceituosa. É julgar arbitrariamente as pessoas por critérios errados. Por isso, é uma das melhores vias para consumar o pecado, pois baseia-se meramente na soberba, na desconsideração e na inferiorização do outro – por razões socialmente estereotipadas, desdobrando-se nas discriminações raciais, religiosas, políticas, condições financeiras e estrato social. É um mundo interminável de malignidade, razão pela qual é manifestamente incongruente com os impolutos pressupostos valorativos da Fé Cristã. 

O Senhor Jesus Cristo foi, por todos os seres humanos, a maior vítima do preconceito – tanto racial, religiosa e social – por causa do seu aspecto físico que não tinha qualquer tipo de atractivo aos olhos humanos (Isaías 53:2-3). Um “verme”, nas palavras do salmista, “desprezado por todos e escarnecido” (Salmo 26:7). Em consequência disso, foi exposto ao opróbrio dos homens e duramente contrariado pelos pecadores (Hebreus 12:2-3), teimando este preconceito até aos nossos dias pós-modernos, isto é, a rejeição liminar da Sua soteriológica mensagem perante os filhos da perdição, que “ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20)

Ora, nenhum destes preconceitos e abominações devem fazer parte do cardápio de um devoto Cristão. Somos todos convocados a amar o nosso próximo como a nós mesmos, independentemente da sua raça, condição social e proveniência (Levítico 19:18; Mateus 29:39). Tratar todos por igual e sem fazer discriminação negativa de pessoas (Tiago 2: 1-13). Por outras palavras, é viver autenticamente o amor Cristão na sua plenitude e várias dimensões humano-espirituais, tal como instam as Escrituras Sagradas. 

Tal nobre propósito, no entanto, só se torna exequível incorporando diariamente os imaculados Princípios e Valores do Evangelho. O Evangelho, tal como escrevia peremptoriamente o Apóstolo Paulo, “é o poder de Deus para salvar todos os que creem” (Romanos 1:16-17), bem como “é proveitosa para ministrar a verdade, para repreender o mal, para corrigir os erros e para ensinar a maneira certa de viver; a fim de que todo homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar todas as boas acções” (2 Timóteo 3:16-17). Somente o Evangelho do Senhor Jesus Cristo é o único antídoto eficaz para erradicarmos definitivamente o cancro do preconceito no nosso modo de viver. 

E nós, que somos os eleitos filhos de DEUS, temos de pautar a nossa conduta com os frutos dignos de arrependimento, sobretudo com as virtudes do “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, modéstia, autodomínio” (Gálatas 5:22-23), uma vez que contra estas coisas não há lei (condenação, bem entendido). Que assim seja. 

A Origem do Racismo e Como Combatê-lo



Caros leitores, partilho aqui convosco novamente o vídeo que gravei intitulado “A Origem do Racismo e Como Combatê-lo”. Nele fiz um diagnóstico apurado sobre as suas raízes e causas, através de um enquadramento histórico, religioso e político-social, bem como apresentando simultaneamente antídotos necessários para mitigá-lo na convivência do ser humano (LER). Vale a pena ouvir. Tenham um bom proveito. Obrigado. 

Esclarecimento Sobre o Artigo Anterior – O Meu Repúdio Sobre o Fechamento das Igrejas por Causa do Coronavírus


Julgo que há um equívoco no que toca ao meu último artigo de opinião sobre o repúdio que manifestei do fechamento das igrejas por causa do coronavírus (LER). Fiquei com a impressão de que alguns que caíram neste deliberado equívoco leram parcialmente o artigo ou não o leram, fazendo com que não conseguissem extrair o seu alcance teleológico. Desde logo, o objetivo do artigo em apreço não é secular, mas sim espiritual. Não visa debruçar acerca das problemáticas epistemológico-científicas do coronavírus e as suas implicações sociológicas. Também não é colocar em causa as pertinentes recomendações preventivas que as autoridades estão a dar para minimizar o seu impacto contagioso e pernicioso na vida das populações e, tão pouco, subestimar os seus efeitos catastróficos, bem como a boa conduta que se espera de todos os Cristãos neste momento particular para fazer face definitivamente a esta maldita doença. A minha questão era denunciar a tamanha incongruência da Aliança Evangélica Portuguesa e das Igrejas que decidiram fechar prematuramente as suas portas, usando o descabido pretexto da “prevenção”

O argumento que foi usado para tomar esta inédita e radical decisão não se baseou em nenhum texto bíblico, mas sim nas indicações sanitárias da Direção Geral de Saúde e do Governo (agora a Cidade de DEUS é regida pela cidade dos Homens? Ou Babilonia instruirá a Santa Jerusalém?). O mais ridículo de tudo isto é que as instituições da República Portuguesa estão a funcionar sem grandes sobressaltos, nomeadamente a Assembleia da República, o Governo, os Tribunais, bem como as autarquias locais e empresas privadas. No entanto, a Assembleia de DEUS (as Igrejas de Cristo, bem entendido) estão com as suas portas fechadas. Que tamanho escândalo espiritual! 

Eu ficaria tranquilo se fosse realmente o Estado português que tivesse a obrigar imperativamente as Igrejas a encerrar as suas portas por causa da prevenção. Acontece que, por enquanto, não foi isso. A Função Pública não está paralisada. As empresas privadas também estão a funcionar, não obstante pontuais ajustamentos que alguns estão a fazer para se adaptarem ao novo contexto excepcional em que vivemos. Os transportes públicos estão a funcionar perfeitamente. Os centros comerciais estão abertos, bem como os restaurantes, cafés e afins. Todas estas entidades não estão, porventura, preocupadas com o coronavírus? Porque somente as igrejas têm de fechar as suas portas? Não seria também normal fazer algumas pontuais alterações, nomeadamente suprimir determinadas actividades eclesiásticas, aconselhando os irmãos que se enquadram nos grupos considerados de risco a ficarem em casa, mantendo os cultos dominicais e até promover os cultos comunitários na rua? Era, a meu ver, mais sensato espiritualmente proceder assim do que tomar a radical medida de fechar as portas das Igrejas. 

Este fechamento das Igrejas por causa do vírus do coronavírus remete-nos indubitavelmente para outros grandes vírus espirituais que estão a ameaçar galopantemente as igrejas e a consequentemente enfraquecê-las, nomeadamente o vírus da incredulidade, da sonolência espiritual, da idolatria e do obscurantismo teológico, do materialismo e da segregação denominacional, da racionalidade e do liberalismo teológico. O vírus do afastamento e não engajamento na obra de DEUS. O vírus da falta de fé e de uma vivência espiritual sem qualquer tipo de expressividade, máxime despida de amor e perdão. É um vírus acima de tudo de fechamento e de hipocrisia. Fechamento por tudo o que é sagrado e de DEUS. Fechamento da Igreja para dentro da sua vida saturada, doentia e cheia de pecados. Fechamento espiritual que se preocupa mais com as coisas deste mundo, levando-a a não ter o comprometimento com a oração, a vigilância espiritual, a Evangelização e Missões e com a vida santificada. É uma Igreja que fecha para as coisas de DEUS e, ao mesmo tempo, aberta para a novidade do mundo e do mundanismo, razão pela qual está cada vez mais reduzida, estagnada, envelhecida e sem avanço. É este vírus de “fechamento” que está infelizmente a arruinar a saúde espiritual das Igrejas. Por isso, esta pronta opção das lideranças das Igrejas de tomarem precipitadamente a mais extrema medida de fechamento das portas das Igrejas, sob o pretexto de estarem a  “prevenir” os crentes do coronavírus veio apenas evidenciar a olhos nus o estado da indolência espiritual que as igrejas neste momento se encontram –  que tem a ver sobretudo com o vírus de “fechamento” para as coisas de DEUS. 

Os Cristãos que hoje ficaram remetidos dentro das suas casas com medo de passarem duas horas na Casa de DEUS para não contrariarem o coronavírus, são os mesmos Cristãos que amanhã se vão levantar sem medo para estarem nove horas no trabalho e durante toda a semana por aí em diante, ignorando a tal justificada “prevenção” contra o coronavírus que alegaram para fechar as igrejas. Não será isto uma contradição? A verdadeira prevenção era deixarmos também de trabalhar temporariamente para assim ficarmos todos mais “seguros” em casa de quarentena. 

E mais, esta tamanha incongruência consubstancia uma clara falta de fé dos Cristãos. Não podemos somente falar da fé do ponto de vista genérico e abstrato, sem vivenciá-la na prática. E viver a fé é inclusive romper as barreiras da racionalidade, contrariando as incredulidades que se levantam para abafar o agir poderosíssimo do Espírito Santo. A fé é, acima de tudo, correr o risco. O risco de ser mal compreendido e considerado louco. O risco de ser rotulado e contrariado. O risco de ser detestado e perseguido. O risco de desafiar a lógica e falíveis previsões humanas. O risco de se expor ao perigo aos olhos do mundo e considerado um fracassado. O risco inclusive de morrer por causa do Senhor Jesus Cristo. Mesmo assim, continuar inabalavelmente firme nas promessas de DEUS. 

A grande verdade neste momento é que as Igrejas não podiam, por enquanto, tomar a radical medida de fechar as suas portas, enquanto que a generalidade das instituições da República estão a funcionar e as empresas privadas também. As Igrejas que decidiram fechar ficaram bastante aquém do grande desafio da fé que se espera dos Filhos de DEUS, mormente de oferecer a mensagem de amor, perdão e esperança a todos aqueles que estão apavorados com este malicioso surto de coronavírus. Julgo que a oportunidade que DEUS está a dar-nos com esta pandemia é, acima de tudo, de começarmos realmente a priorizar a Sua obra e não arranjar falsos pretextos moralistas para justificar as nossas insuficiências e incertezas espirituais. 

O Dever de Trabalhar, na Doutrina Social da Igreja


“A consciência da transitoriedade da «figura deste mundo» (cf. 1Cor 7, 31) não isenta de nenhum empenho histórico, muito menos do trabalho (cf. 2Ts3, 7-15), que é parte integrante da condição humana, mesmo não sendo a única razão de vida. Nenhum cristão, pelo facto de pertencer a uma comunidade solidária e fraterna, deve sentir-se no direito de não trabalhar e de viver à custa dos outros (cf. 2Ts 3, 6-12); todos, antes, são exortados pelo apóstolo Paulo a tomar como um ponto de honra o trabalhar com as próprias mãos, de modo a não serem «pesados a ninguém» (1 Ts 4, 11-12) e a praticar uma solidariedade também material, compartilhando os frutos do trabalho com «necessitado» (Ef 4, 28) (…) Os crentes devem viver o trabalho ao estilo Cristo e torná-lo ocasião de testemunho cristão em presença dos «de fora» (1 Ts 4, 12). (…) Mediante o trabalho, o homem governa com Deus o mundo, juntamente com Ele é sempre seu senhor, e realiza coisas boas para si e para os outros. O ócio é nocivo ao ser do homem, enquanto a actividade favorece o seu corpo e o seu espírito. O cristão é chamado a trabalhar não só para conseguir o pão, mas também por solicitude para com o próximo mais pobre, a qual o Senhor ordena dar de comer, de beber, de vestir, acolhimento, atenção e companhia (cf. Mt 25, 35-36). Cada trabalhador, afirma Santo Ambrósio, é a mão de Cristo que continua a criar e a fazer o bem.[1]



[1] Extraído no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, p. 179-180, Principia, 2005 

Discriminação Racial e Trans-humanismo: O Novo Desafio do Século XXI, Pelo Professor Catedrático Paulo Otero


“1. Discriminar alguém sem um fundamento racional é atentar contra a sua dignidade – uma vez que todos somos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn, 1,27), todos temos a mesma dignidade.
2. Toda a discriminação racial é profundamente contrária aos postulados cristãos: há uma incompatibilidade axiológica entre cristianismo e racismo – nenhum cristão pode ser racista e nenhum racista se pode dizer cristão.
3. Em sentido diferente, a apologia da discriminação racial tem em Nietzsche e nos seus herdeiros um expoente máximo: a defesa de “uma raça dominante” ou de “homens superiores” (“Para Além do Bem e do Mal”, nºs 61 e 62), em que se alicerçou o nazismo, encontra hoje novas formas de projeção – o trans-humanismo é uma delas.
4. Uma utilização da técnica e da ciência tendo o propósito da criação de super-homens, transformando as condições físicas e psíquicas naturais do ser humano, por via de uma alteração tecnológica da nossa identidade genética, numa fusão entre o artificial e o humano, procurando construir uma nova raça, poderá tornar-se a preocupação central do século XXI – aqui reside o problema do trans-humanismo.
5. Se a ciência e a tecnologia deixam de estar ao serviço da pessoa humana viva e concreta e da sua dignidade, sem quaisquer limites éticos ou jurídicos, tudo se torna possível – através do trans-humanismo, o ser humano arrisca-se, arvorando-se em Deus, a destruir a sua própria humanidade.
6. Tal como o antissemitismo e o “apartheid” traduzem formas radicais de discriminação racial do século XX, o trans-humanismo poderá ser a discriminação racial do século XXI, criando, acima da raça humana, uma raça trans-humana e, pelas suas características artificiais, também super-humana – a ideia de Platão de “indivíduos superiores” e “indivíduos inferiores” (“A República”, 459e, 460a e c) terá, por manipulação humana, existência biológica.
7. A vitória do trans-humanismo, criando um “homem novo”, expressão de uma nova civilização, numa “ascensão da humanidade à sobre-humanidade” (Miguel de Unamuno, “La Dignidad Humana”, Madrid, 4ª ed., 1957, p. 145), recuperando o mito de Hitler sobre a raça ariana, conduzirá ao suicídio da igual dignidade de todo o género humano.”[1]



[1] Pensamento do senhor Professor Catedrático Paulo Otero, extraído no seu Facebook. 

Quem Vai Morar no Céu com DEUS?



Este foi o título da minha pregação no domingo passado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora (IEBA), baseado no texto bíblico do Salmo 15:1-5. Não é um tema nada consensual no seio do Cristianismo, razão pela qual ele tem sido exaustivamente objecto de infindáveis querelas doutrinárias ao longo dos séculos. A começar, desde logo, com as teses deterministas do Monergismo e o voluntarismo do Sinergismo que se vão desdobrando dentro delas em muitas outras concepções dogmáticas sobre os pressupostos axiológico-teológicos que caracterizam e encerram o processo da salvação. Aquela com um amplo acolhimento nas igrejas tradicionais Protestantes, máxime no Calvinismo e no Jansenismo Católico. Esta, o Sinergismo, por sua vez, é maioritariamente defendida pelos movimentos Carismático-pentecostais e Neopentecostais, bem como por Pelagianos, Semipelagianos, Ortodoxos Orientais, adeptos do Teísmo Aberto e outros. Ela é encabeçada, acima de tudo, pelo Arminianismo. O primeiro entendimento nega peremptoriamente a faculdade do livre-arbítrio na salvação do Homem, tendo em conta a sua “depravação total” resultante do pecado original, ensinando que a salvação é toda ela fruto do trabalho exclusivo do nosso Bom DEUS. Ninguém é salvo por alguma obra ou espontânea decisão sua, mas tão-somente pela imerecida graça de DEUS. O Todo-poderoso DEUS escolhe quem ele quer salvar e os salva, deixando à mercê aqueles que predestinadamente vão para o inferno. Por outras palavras, a graça soteriológica é irresistível para com os eleitos de DEUS. Ao passo que o segundo refuta o Monergismo, defendendo que o Homem coopera na obra da sua salvação. Isso significa que a regeneração não depende exclusivamente da obra soberana de Deus, mas também está interligada com a vontade humana. Ou seja, diferentemente do Monergismo, na formulação Sinergista a fé precede a regeneração, visto que DEUS espera pela vontade humana para responder positivamente ao convite da salvação. DEUS não condiciona o Homem no seu livre-arbítrio e, tão pouco, impinge-lhe a salvação contra a sua vontade. A graça de DEUS é oferecida a todos os Homens, contando que cada um queira beneficiar-se dela. As pessoas que são ou serão salvas é porque optaram por escolher a salvação. Os que, infelizmente, vão para o inferno são pessoas que deliberadamente declinaram a graça salvífica de DEUS, sustenta o Sinergismo. 

Da minha parte, não obstante fazer este enquadramento doutrinário para dilatar melhor o alcance dos irmãos na assimilação do sermão, não tomei nenhuma posição em concreto sobre o debate em apreço. Limitei-me apenas a salientar que, independentemente da posição de cada um sobre esta complexa temática, quem vai morar no céu deve notoriamente encarnar e concomitantemente ostentar as impolutas virtudes humano-espirituais explanadas nas Escrituras Sagradas, sob pena de ver as suas irrealistas expectativas teológicas frustradas no dia do Juízo Final, aliás, tal como ensinou o Senhor Jesus (Mateus 25:41-46). Portanto, os que vão entrar realmente no Reino de DEUS são aquelas pessoas que fazem mesmo a vontade de DEUS e não as que se autoproclamam falsamente serem salvas (Mateus 7:21-29). Foi na mesma esteira do pensamento que o salmista David seguiu no Salmo 15:1-5, isto é, quem vai morar no céu tem de ser uma pessoa manifestamente íntegra, justa e verdadeira em todos os aspectos da sua vida e actuação. Não deve ser maldizente, bisbilhoteira ou mentirosa, bem como deve ter a capacidade suficiente para desprezar tudo aquilo que é contrário aos imaculados Princípios e Valores Cristãos. Aquele que não é individualista, egoísta, interesseiro ou de mau carácter e, tão pouco, mau pagador ao ponto de prejudicar o seu próximo com as suas astúcias. Deve, antes pelo contrário, ser uma pessoa que evidencia os frutos do Espírito na sua vivência diária (Gálatas 5:22) e, desta forma, confirmar pelo seu procedimento que é um autêntico regenerado pelo sangue do Senhor Jesus. Todo o que assim proceder, tal como encerrava o salmista, jamais será abalado. Jamais sucumbirá. Jamais, em circunstância alguma, ficará decepcionado. Terá graciosamente a promessa da vida eterna com ele. Que assim seja. 

Bilhete de Identidade


Uma pessoa pode ser patriota, sem ser nacionalista. E pode ainda ser conservadora, sem perfilhar os ideais do reaccionarismo. Pode, da mesma sorte, ser progressista sem propriamente ser libertária. São termos com significados etimológico-filosóficos completamente distintos. Eu sou um devoto Cristão Evangélico e Baptista-Tradicional, firmado nos ideais da Doutrina Social da Igreja. Também sou assumidamente personalista, tendo uma mundividência híbrida, comungando parcialmente do Keynesianismo, do Liberalismo Económico e do Intervencionismo. Convicto conservador quanto à Moral e aos Bons Costumes. Não sou politicamente, como se pode ver, nem de Esquerda nem de Direita ou do Centro. Nada disso, felizmente. Diria mesmo que, em última instância, norteio-me pelos ideais do progressismo da matriz Cristã (LER)

A Mulher Virtuosa Cristã em Contraposição com a Libertária do Neo-Feminismo

O feminismo tradicional trouxe incomensuráveis ganhos às sociedades abertas no que toca à paridade de direitos entre as mulheres e homens, especialmente a emancipação daquelas. Ele propulsionou as marginalizadas mulheres a conquistarem unilateralmente o seu merecido espaço na res publica, através de intensas lutas cívico-políticas empreendidas nos mais variados domínios da sociedade. Graças máxime às inconformadas feministas, ao longo das décadas, a mulher atualmente no ocidente tem uma projecção pública notória e inquestionável, baseada no princípio da igualdade e na sua livre autodeterminação. Tudo isto, no cômputo geral, sem dúvida, é de salutar. 

No entanto, se é verdade que o feminismo contribuiu decisivamente para dignificar a vulnerável condição das mulheres, sobretudo afirmar categoricamente os seus direitos na sociedade, a sua vertente mais radical acabou também por criar uma ruptura bastante assinalável no papel milenar de equilíbrio que as mulheres sempre exerceram exemplarmente no seio familiar, gerando assim um conjunto de desestabilizações nos lares, tal como temos vindo impotentemente a assistir. O neo-feminismo, na sua exaustiva lista de pretensões, nega deliberadamente a autoridade do homem no lar que outrora os romanos apelidavam de “bonus pater familias”, reclamando de forma usurpada e distorcida o referido papel masculino, gerando uma anarquia sem precedentes na família. 

E mais, com a revolução sexual dos anos sessenta do século passado (promiscuidade sexual, bem entendido), encabeçada particularmente pelas activistas feministas, que teve como apologia viver a sexualidade de forma desapegada, descomprometida e despida de todo o pudor ou tradicionalismo que, até então, estava profundamente enraizado nas sociedades. Em consequência disso, nesta patente visão de devassidão, começou-se a legitimar socialmente o uso desenfreado de métodos contraceptivos, o consumo da pornografia, a defesa da ideologia de género e da homossexualidade, a despenalização e legalização do aborto, o culto da imagem e uma aversão ao casamento. O prazer sexual passou a ganhar destaque e lugar cimeiro em muitas pessoas em detrimento do compromisso matrimonial. 

As mulheres, particularmente as da alta sociedade, passaram a ter um certo tipo de pavor à maternidade, tendo em conta os danos colaterais que esta comporta, somando ao culto desenfreado de imagem que elas obcecadamente vivem para estarem devidamente “em forma” e, poderem, deste modo, manter “a linha”. Com efeito, para satisfazerem este capricho narcisista e egocêntrica, tentam a todo o custo impor a prática da barriga de aluguer em muitos ordenamentos jurídicos como sendo um padrão normal. 

O feminismo radical reclama estas abominações comportamentais com a equivocada justificação de libertar as mulheres do jugo opressor do patriarcado masculino, “disseminado” pelo Cristianismo ao longo dos séculos, dizem aleivosamente as suas activistas nas suas falsas e tautológicas proclamações. Se há religião que mais defende e promove a afirmação da mulher é, sem dúvida, o Cristianismo. É um facto assente, manifesto e indiscutível. Basta avaliar os países onde o Cristianismo tem a devida proeminência e ver a integração das mulheres nestes respectivos países, comparando-a depois com outros países que têm outras religiões, rapidamente concluir-se-á que as mulheres têm mais direitos, liberdades e garantias nos países Cristãos do que propriamente nos países das outras confissões religiosas. É uma realidade cognoscível e bastante fácil de apurar. 

As mulheres devotamente Cristãs sofrem menos abusos de violência domésticas, menos divórcios, menos situações de riscos de abandono e praticamente não cometem o crime do aborto. São, na generalidade das situações, mulheres realizadas e felizes no lar, tendo em conta os elevados Princípios e Valores do Cristianismo que vinculam todos os filhos de DEUS. A herança Judaico-Cristã é a maior portadora do personalismo e do princípio da igualdade entre os seres humanos. 

O Senhor Jesus Cristo foi, por todos, um dos primeiros grandes Mestres da antiguidade a integrar as mulheres na sua comitiva missionária e estas, por sua vez, exerceram um papel amiúde importante e determinante no Seu ministério terreno. Não há espaço para a misoginia e a discriminação no Cristianismo e, muito menos, entre as diferentes raças e classes sociais, uma vez que “todos os que foram baptizados em Cristo revestiram-se das qualidades de Cristo. Não há diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homem e mulher”, sustentava peremptoriamente o Apóstolo Paulo na sua construção teológica (Gl 3:27-28). 

A Mulher tem dignidade, liberdade, direitos e autonomia no seio do Cristianismo, diferentemente da grosseira mentira que tem sido propalada pelos movimentos neofeministas. A mulher virtuosa, traçada no capítulo trinta e um do livro de Provérbios, que serve de bitola para todas as mulheres Cristãs do mundo, não é uma mulher subjugada ou infeliz. Antes pelo contrário, é uma mulher completamente autónoma, bem-sucedida, realizada e feliz a todos os níveis da sua convivência (Pv 31:10-31). 

A começar, desde logo, no plano espiritual, familiar, profissional e social. É uma mulher que ama a DEUS, acima de todas as coisas, comprometida, casada, mãe, fiel, trabalhadora, generosa para com o próximo (v.12-20; 28). Com o seu próprio rendimento, coadjuvado com o do seu marido, providencia o sustento e vestimenta para a sua família e, concomitantemente, estende as mãos aos pobres e marginalizados da sociedade (v.14; 20-21). É uma mulher que não questiona a autoridade do seu marido e, muito menos, rivaliza com ele para ganhar mais protagonismo no lar (v.11-12). Não é materialista ou interesseira. Não é extravagante a vestir ao ponto de cair no pecado da sensualidade (v. 22). Faz tudo de forma abnegada para ajudar a sua família e terceiros. É uma pessoa bastante sábia, discreta, empreendedora, decente e moderada na sua forma de estar e encarar os elevados desafios da vida. É, justamente, por todas esses sublimes atributos humano-espirituais, que o seu marido confia inteiramente nela (v.11) e junta-se em coro com os seus filhos para elogiá-la, dizendo: “muitas mulheres foram exemplares, mas tu és a melhor de todas” (v. 28-29), porque ela é virtuosa e respeita em primeiro lugar o Todo-Poderoso DEUS. 

Ora, parte significativa destes nobres atributos da “mulher virtuosa”, são deliberadamente negligenciados pelas feministas radicais. Elas são, na generalidade das situações, mulheres mal-humoradas, insubmissas, provocadoras, prepotentes, materialistas, interesseiras, vulgares, libertinas, saturadas e com tiques de superioridade. Vivem apenas de aparências e são completamente infelizes. A mulher virtuosa, diferentemente disso, vive altruisticamente para agradar a DEUS, ao seu marido e à sua família em geral, procurando ser exemplar na sua conduta diária. Ao passo que as feministas radicais vivem exclusivamente a pensar nos seus interesses egocêntricos, brejeiros, promíscuos e polutos, tomando muitas vezes decisões à revelia da família e do parceiro/marido em especial. 

Todas estas aversões comportamentais acabam por atrofiar e atingir consideravelmente o instituto da família, causando danos irremediáveis e incalculáveis do ponto de vista relacional. É por esta razão que há cada vez menos casamentos no ocidente, um menor número de filhos, índices galopantes e preocupantes de divórcio, por causa deste neo-feminismo completamente descontextualizado, enfezado, fútil e descabido. 

Em suma, sem entrar mais em prolegómenos, a mulher virtuosa Cristã é completamente oposta, a todos os níveis, no bom sentido do termo, da mulher radical, insubmissa e libertária do neo-feminismo – por razões manifestamente invocadas no artigo.