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Fé e Trabalho: Como Unir os Dois


A fé e o trabalho são duas realidades que, ao longo da história do Cristianismo, têm gerado inúmeros equívocos doutrinários no seio do povo de Deus, levando frequentemente a extremos na forma de os conceber. Há quem dê prioridade exclusiva à fé, negligenciando completamente o trabalho na sua rotina de vida. Inversamente, há quem faça do trabalho o seu modus vivendi, sacrificando deliberadamente o compromisso com Deus em nome da atividade profissional. Ambas as perspetivas estão profundamente erradas à luz das Sagradas Escrituras. 

O cristão deve viver a sua fé de forma comprometida e devota diante de todo o mundo, dando testemunho vivo da sua salvação. E isso implica honrar a Deus tanto na dimensão espiritual como na dimensão civil. Do mesmo modo, o cristão deve viver a sua fé trabalhando. Nenhum cristão, pelo simples facto de pertencer a uma comunidade eclesiástica, deve sentir-se no direito de não trabalhar e de viver à custa dos outros (2 Ts 3, 6-12). Pelo contrário, todos os cristãos são exortados pelo apóstolo Paulo a considerar uma honra trabalhar com as próprias mãos, de modo a não serem “pesados a ninguém” (1 Ts 4, 11-12), e a praticar também uma solidariedade material, partilhando os frutos do seu trabalho com o necessitado (Ef 4:28). 

Os crentes, tal como sustenta a Doutrina Social da Igreja, “devem viver o trabalho ao estilo de Cristo e torná-lo ocasião de testemunho cristão diante dos «de fora» (1 Ts 4, 12). (…) Mediante o trabalho, o homem governa com Deus o mundo; juntamente com Ele, permanece seu senhor e realiza coisas boas para si e para os outros. O cristão é chamado a trabalhar não só para conseguir o pão, mas também por solicitude para com o próximo mais pobre, ao qual o Senhor manda dar de comer, de beber, vestir, acolhimento, atenção e companhia (cf. Mt 25, 35-36)” (LER). Cada trabalhador, afirma Santo Ambrósio, “é a mão de Cristo que continua a criar e a fazer o bem”. 

Perante tudo o que ficou exposto, a fé e o trabalho são dimensões complementares, intrínsecas e irrenunciáveis na vida de um cristão, desde que colocadas na ordem correta. Fazem parte do substrato identitário de um filho de Deus. Tanto assim é que o apóstolo Paulo se empenhou em advertir a Igreja, com sabedoria divina, acerca da importância cimeira de integrar a fé e o trabalho na dinâmica da vida cristã, nomeadamente no capítulo terceiro da Segunda Epístola aos Tessalonicenses. 

É preciso trabalhar. É precisamente neste ponto que o apóstolo Paulo aprofunda ainda mais a sua exortação. Surge uma advertência clara, uma séria chamada de atenção, feita em nome do Senhor Jesus Cristo. Isto significa que esta recomendação traz o selo do nome mais sagrado e, por isso, não se trata de um assunto leviano ou secundário, mas de algo profundamente importante. 

Paulo escreve: “Irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, queremos recomendar-vos que se afastem de todos aqueles irmãos que vivem sem fazer nada e que não seguem os ensinamentos da tradição que receberam de nós” (2 Ts 3:6). Refere-se àqueles irmãos que viviam sem nada fazer. Eram pessoas que não queriam trabalhar e que, além disso, criavam intrigas, calúnias e conversas inúteis no meio da comunidade. Em vez de edificarem, prejudicavam a vida da Igreja. 

Na verdade, sabemos que nem todas as pessoas têm a mesma disposição para o trabalho. Também reconhecemos que há muitos que desejam trabalhar e não conseguem, por diversas razões: falta de emprego, problemas de saúde, limitações físicas, dependência de terceiros ou incapacidade temporária. Não é destes casos que Paulo fala. O apóstolo dirige-se àqueles que, tendo saúde, capacidade e oportunidade, simplesmente não querem trabalhar. 

Ao que tudo indica, alguns viviam influenciados pela ideia de que a vinda de Cristo seria imediata. Por isso, abandonavam responsabilidades, desfaziam-se dos seus bens e limitavam-se a esperar, sem produzir nem contribuir. 

Nem todo o trabalho é, automaticamente, uma bênção. Há contextos laborais profundamente nocivos. Quando uma pessoa exerce a sua profissão na área de que gosta, isso já é um bom começo. Contudo, não basta. Também contam o ambiente de trabalho, os colegas, as chefias e as condições humanas em redor. Há quem trabalhe naquilo que ama, mas viva num ambiente tóxico, marcado por humilhações, pressões abusivas ou bullying. Nesses casos, o trabalho torna-se um peso que afeta a saúde mental, o equilíbrio familiar e a dignidade pessoal. 

Também o trabalho deixa de ser bênção quando ocupa o lugar que pertence a outras prioridades da vida, mormente o lugar de Deus. O excesso de trabalho destrói lares, fragiliza casamentos, afasta pais dos filhos e rouba a paz interior. Para o cristão, o trabalho é importante, mas não pode ocupar o lugar central da existência. 

Qual é, então, a prioridade máxima? O próprio Senhor Jesus ensinou: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). O Reino de Deus vem em primeiro lugar; depois seguem-se as demais áreas da vida, incluindo a família e o trabalho. Quando o trabalho sobe ao topo dessa pirâmide, instala-se o desequilíbrio e inicia-se uma rampa deslizante para a perdição. 

Apesar dessas exceções, de forma geral o trabalho é uma bênção. O trabalho oferece autonomia, liberdade e dignidade. Quem não trabalha, quando o poderia fazer, torna-se frequentemente dependente do Estado, da família, dos amigos ou de instituições diversas. Essa dependência pode limitar a liberdade pessoal e enfraquecer o sentido de responsabilidade. 

Trabalhar não é fácil. Exige esforço, disciplina, sacrifício e perseverança. Obriga a levantar cedo, suportar pressões e enfrentar dificuldades. Contudo, no final, há recompensa: a pessoa pode pagar as suas contas, organizar a sua vida e viver com maior independência. 

Mesmo quando ainda não alcançámos o emprego ideal, muitas vezes é necessário enfrentar circunstâncias menos favoráveis enquanto se espera por algo melhor. Isso faz parte do pragmatismo da vida cristã. Em tempos difíceis, importa perseverar, suportar com paciência e continuar a orar para que Deus abra portas melhores no tempo certo. 

Naturalmente, há situações em que o trabalho perde toda a sua dignidade: exploração, escravidão moderna, salários injustos, abuso patronal ou ambientes de violência psicológica extrema. Quando o trabalho destrói a pessoa e fere a sua dignidade, deixa de cumprir o seu propósito. 

Paulo apresenta-se como exemplo: “Não andámos por aí sem fazer nada, nem comemos de graça o pão de ninguém. Antes trabalhámos duramente, noite e dia, para não nos tornarmos pesados a nenhum de vocês” (2 Ts 3:7). O apóstolo mostra que o trabalho dignifica. Ele não queria ser peso para ninguém e esforçava-se por sustentar-se, mesmo tendo direito a receber apoio. 

Depois recorda uma frase firme e conhecida do texto sagrado: “Se alguém não quiser trabalhar, também não coma” (2 Ts 3:10).  O sentido deste versículo é claro: quem recusa voluntariamente o dever do trabalho não deve esperar usufruir dos frutos produzidos pelo trabalho dos outros. 

A ociosidade voluntária gera muitos males. Pessoas desocupadas entregam-se facilmente a intrigas, mexericos e conflitos inúteis. Por isso Paulo diz “que andam por aí alguns sem fazer nada ou ocupando-se com ninharias” (2Ts 3:11). 

A solução apostólica é simples e profunda: “que trabalhem em paz e ganhem o pão que comem” (2 Ts 3:12). O trabalho deve ser feito em paz, com responsabilidade e honestidade. 

Mas Paulo vai ainda mais longe: “'E da vossa parte, irmãos, nunca se cansem de fazer o bem” (2 Ts 3:13). O cristão não trabalha apenas para sobreviver, acumular ou enriquecer. Trabalha também para servir, partilhar e abençoar os outros. Aqui entra a mordomia cristã: usar os recursos com sabedoria para a glória de Deus e para socorrer o próximo. 

Fazer o bem nem sempre traz reconhecimento. Muitas vezes encontramos ingratidão. Ainda assim, somos chamados a perseverar, porque ao fazer o bem honramos a Deus e revelamos uma vida transformada. 

No final da carta, Paulo deseja que o Senhor da paz conceda paz em todas as circunstâncias. Essa paz começa na reconciliação com Deus, estende-se ao interior da pessoa e alcança também o relacionamento com os outros. 

Quem vive em guerra consigo mesmo dificilmente terá paz com Deus ou com o próximo. Mas quem se submete ao Senhor encontra equilíbrio, direção e descanso. 

Fé e trabalho não são inimigos. Pelo contrário, completam-se quando colocados na ordem correta. O trabalho deve ser visto como vocação, serviço e meio de dignidade, nunca como ídolo. A fé ensina-nos a trabalhar com honestidade, equilíbrio e propósito. 

Que Deus nos ajude a guardar estas verdades no coração e a vivê-las no dia a dia. Não é fácil, mas com a ajuda Divina e a orientação do Espírito Santo, é possível. Que assim seja. E assim sempre será no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. 

A Páscoa de Cristo à Luz da Teologia da Salvação


Celebra-se hoje a Páscoa, razão pela qual me sinto compelido, no bom sentido do termo, a partilhar convosco uma brevíssima reflexão sobre “A Páscoa de Cristo à Luz da Teologia da Salvação”, isto é, no processo de redenção da humanidade. 

Desde logo, importa dizer que o Senhor Jesus Cristo veio a este mundo e viveu verdadeiramente como homem, participando da nossa condição humana, embora sem pecado (2 Co 5:21). Porém, quando faltava pouco tempo para passar desta vida para a eternidade, o Senhor Jesus Cristo tomou a firme decisão de ir a Jerusalém (Lc 9:51). 

Não se tratava de uma decisão qualquer ou leviana, mas de uma resolução consciente, esclarecida e profundamente determinada, pois implicava a sua humilhação, sofrimento e morte. Ainda assim, o Senhor Jesus Cristo não desfaleceu no ânimo; antes, avançou firmemente para cumprir a vontade do Pai. Foi assim que o Senhor Jesus Cristo entrou triunfalmente em Jerusalém, enquanto a multidão lhe rendia o devido louvor, clamando:Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o Reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” (Mc 11:9-10). 

Passados poucos dias, porém, o Senhor Jesus Cristo confrontou-se com a dura realidade: foi preso, açoitado, humilhado e morto na cruz do Calvário (Lc 23:33). Contudo, ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos e manifestou-se com provas irrefutáveis, assinalando este grande marco da história do cristianismo (Mt 28:5-7). 

Por essa razão, este acontecimento central foi narrado nos quatro Evangelhos – Mateus, Marcos, Lucas e João. O apóstolo Paulo, de forma ainda mais aprofundada, desenvolve esta verdade em 1 Coríntios 15, salientando que, sem a ressurreição, vã seria a nossa fé; a fé cristã estaria desprovida de sentido, fundamento e esperança (1 Co 15:12-23). Mas nós sabemos e proclamamos que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. Ele é a esperança viva de todos aqueles que nele esperam (1 Co 15:20; Mc 16:6; Jo 11:25-26; Rm 10:9). 

É também importante traçar o paralelismo entre o Senhor Jesus Cristo e o homem caído, representado em Adão. O primeiro homem, Adão, desejou ser como Deus. Inflamou-se na soberba, no orgulho e na pretensão de igualdade com o Criador. Como consequência, foi humilhado: destituído da glória original da sua criação, expulso do Jardim do Éden e submetido à morte (Gn 3:16-23). Jesus Cristo, porém, sendo Deus, não se apegou egoisticamente aos privilégios da sua glória. Antes, como afirma a Escritura, “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2:7-8). 

Por isso, “Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fl 2:9-11). 

Vemos aqui um profundo contraste entre Adão e Cristo. Adão quis exaltar-se e foi humilhado. Cristo humilhou-se voluntariamente e foi exaltado. Adão procurou elevar-se pela desobediência (Gn 3:5-6; Cristo foi elevado pela obediência perfeita (Gn 3:5-6). Adão trouxe condenação e morte (Rm 3:23; 5:12-15); Cristo trouxe justificação e vida eterna (Gl 2:16; Rm 5:1-2). 

Eis uma grande lição para nós: o caminho para o verdadeiro crescimento espiritual e para a comunhão com Deus não passa pelo orgulho, pela arrogância ou pela exaltação pessoal. Pelo contrário, passa pela humildade. Como o próprio Senhor ensinou: “Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Lc 14:11; Mt 23:12). 

Jesus Cristo foi exaltado acima de todos os nomes, e toda a humanidade – os que já partiram, os que vivem hoje e os que ainda hão de vir – reconhecerá um dia o seu senhorio (Fl 2:11). Uns para salvação e vida eterna (Mt 25:32-34; Ap 7:14); outros para juízo, por terem rejeitado a graça durante a sua peregrinação terrena (Mt 25:41). 

Todavia, apesar de todas as vicissitudes da paixão, o Senhor Jesus Cristo ressuscitou. Ele é a esperança e a certeza de todos os que nele confiam. Sem a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, a fé bíblica não teria fundamento. A ressurreição constitui o alicerce, a garantia e a esperança da nossa fé. Cristo é a esperança de todos aqueles que existiram, existem e existirão; dos que creram no passado, dos que hoje abraçam a fé e dos que no futuro ainda se renderão ao Evangelho. 

Mas tudo isto confronta-nos com um desafio: renunciar a nós mesmos, tomar a nossa cruz e seguir determinadamente Jesus Cristo todos os dias (Lc 9:23). Isto implica abandonar o ego, rejeitar os prazeres pecaminosos, a corrupção e a maldade deste mundo (1 Pd 2:1-2), para nos convertermos sinceramente a Deus. Só assim demonstramos que “nascemos de novo”, que somos filhos de Deus e que fomos transformados pela sua graça (Rm 12:1-2). Essa obra realiza-se em nós pela acção do Espírito Santo (1 Co 12:3; Rm 8:11; Ef 1:13-14; Tt 3:5), embora também exija da nossa parte uma disposição sincera para corresponder à mensagem salvífica da Boa Nova (Rm 10:8-11). 

Essa mensagem centra-se na encarnação, vida, morte e ressurreição gloriosa do Senhor Jesus Cristo. Sabemos que Jesus Cristo morreu e ressuscitou ao terceiro dia (Mt 28:6). A morte não teve domínio sobre Ele (At 2:24). Aquele que durante o seu ministério ressuscitou mortos (Mc 5:35-43; Jo 11:1-45), também ressuscitou pelo poder de Deus, vencendo definitivamente a morte (Rm 6:9; Hb 2:14-15). Por outras palavras, tal como escreve o Apóstolo Paulo, o Senhor Jesus Cristo “não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” (2Tm 1:10). 

Por isso, somos chamados a confiar nesta mensagem salvífica, a entregar o coração ao Senhor Jesus Cristo e a permitir que a verdade da ressurreição transforme a nossa vida. Somos igualmente chamados a anunciá-la àqueles que estão ao nosso redor (Mt 28:18-20). 

Que Deus nos abençoe, que Deus nos ajude a interiorizar estas verdades e, acima de tudo, a vivê-las diariamente. 

Jesus Cristo ressuscitou. Ele é a certeza e a esperança da nossa fé. Aleluia! Aleluia! Aleluia! 

A Alegria do Dia do SENHOR


O domingo é um dia santo e de celebração religiosa da nossa Fé Cristã. É o Dia do SENHOR e da alegria contagiante no Espírito Santo. Alegria de estarmos na Igreja, juntamente com os nossos irmãos na Fé, para cultuar o nosso Bondoso e Amoroso DEUS. É uma alegria que brota de corações puros que temem ao Senhor Jesus Cristo e têm-No como único Salvador nas suas vidas. O domingo é um dia de culto e de alegria que, em última instância, remete-nos indubitavelmente para a “piedade com contentamento” (1 Tm 6:6). E esta piedade com contentamento, que envolve o fruto do Espírito Santo em nós (Gl 5:22), consubstancia no substrato identitário da nossa Fé Evangélico-Cristã. 

Por isso, estamos sempre alegres, mesmo nas situações de adversidades e de problemas. Estamos alegres nos bons e nos maus momentos, bem como nas situações de dor e de felicidade. Estamos continuamente alegres em toda e qualquer situação, procurando transportar connosco esta alegria da salvação que inunda o nosso ser em todos os dias da semana, mês e ano, especialmente no sagrado Dia do SENHOR. Louvaremos, Senhor, tal como o salmista, de todo o nosso coração; contaremos todas as tuas maravilhas. Em ti nos alegraremos e saltaremos de prazer; cantaremos louvores ao teu nome, ó Altíssimo (Sl 9:1-2). 

É, justamente, por esta razão, que nos alegramos sempre quando nos disserem: Vamos à Casa do Senhor (Sl 122:1), porque “este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 118:24). É uma alegria que excede a nossa compreensão humana, pois tem a sua origem e proveniência em DEUS para com os seus amados filhos, isto é, para connosco. Esta alegria transcendental leva-nos a fortiori a estarmos prontos e inteiramente disponíveis para servir no Reino de DEUS, com os nossos dons e talentos. A alegria de estar na Igreja é apenas uma parcela ínfima da responsabilidade da missão integral que os Cristãos têm para com a Grande Comissão do Senhor Jesus Cristo (Mt 28:18-20). 

Com efeito, a obrigatoriedade de o crente estar na Igreja aos domingos não o iliba de outras responsabilidades eclesiásticas. Também não o isenta de estar na Igreja nos outros dias da semana para servir e, muito menos, onera o seu compromisso com DEUS em todas as dinâmicas da vida. O culto dominical não deve servir como um analgésico espiritual para aplacar a consciência temorosa ou desdobrar-se num desvelo alimentado por uma ânsia de legitimação religiosa. E por fim, estar na Igreja não deve servir de pretexto para encobrir astutamente as insuficiências espirituais ou de muleta para o “igrejado” que vive deliberadamente na prática do pecado. 

É importante estar na Igreja para servir e adorar ao nosso Eterno DEUS. No entanto, é mais importante coadunar a nossa vida com os impolutos Princípios e Valores do Evangelho, através de uma vida devotada, santificada e de comprometimento com a Palavra e Obra de DEUS. É completamente despida de qualquer valor espiritual a mera religiosidade, baseada numa cristandade profana e ímpia. Não tem qualquer tipo de mérito espiritual o legalismo hipócrita que assenta nos caprichos egocêntricos e insaciáveis do Homem. Da mesma sorte, não tem ainda qualquer tipo de importância espiritual o farisaísmo hipócrita, que visa apenas vender uma falsa imagem religiosa, com o intuito diabólico de inutilmente ludibriar os verdadeiros Cristãos e a Igreja do Senhor Jesus Cristo em particular. 

Sim, é importante estar na Igreja para servir e adorar ao nosso Omnisciente DEUS, insisto neste ponto. Mas, o mais importante, acima de tudo, é estar no centro da vontade de DEUS e viver diariamente de acordo com o Evangelho da Salvação do Senhor Jesus Cristo. Só assim, estaremos a honrar na íntegra a nossa soberana vocação e a demonstrar, desta forma, que realmente “nascemos de novo” e somos autênticos filhos de DEUS. 

Estive hoje, no Dia do SENHOR, na minha Igreja, a cultuar DEUS por tudo o que É, fez e representa na minha vida. A minha vida sem DEUS não tem qualquer tipo de expressão, valor ou significado. A transformação que DEUS operou em mim, através da morte expiatória do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário, fez com que eu sou o que sou. 

Louvo a DEUS, sem medida, para todo o sempre, por esta graça imerecida da salvação que ELE amorosamente me concedeu. Estou-Lhe eternamente grato. E estar na Igreja para adorar e servir com alegria, especialmente no domingo, é o mínimo que posso fazer para agradecer ao Senhor Jesus Cristo. 

Em suma, apropriando-me das inspiradoras palavras do Apóstolo Paulo, digo convictamente com coração de louvor e exaltação ao Altíssimo DEUS: “ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1 Tm 1:17). Que assim seja. Assim sempre será no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. 

O Ministério Pastoral e a Família do Pastor: Da Interdependência à Indissociabilidade

A chamada Divina para o ministério pastoral é um dos mais nobres, relevantes, importantes e poderosos exercícios espirituais que um filho de DEUS possa almejar nesta momentânea vida. É um acto unilateral e manifestamente altruísta em prol da Causa do Evangelho. É renunciar, de forma deliberada e consciente, à carreira profissional, ao sucesso material e aos negócios seculares desta vida para servir fielmente de pastor para o precioso rebanho do Senhor Jesus Cristo. É assemelhar-se, em última instância, ao outrora papel abnegado do Filho de DEUS durante a Sua humilde encarnação neste hostil mundo como o Sumo Pastor das ovelhas. 

O ministério pastoral é benéfico a todos os níveis, profícuo no seu alcance objectivo e bastante rico em termos espirituais para quem o deseja de forma genuína. Se alguém deseja o episcopado, diz peremptoriamente a Palavra do SENHOR, excelente obra deseja (1 Tm 3:1). A pessoa em questão, deseja dedicar exclusivamente a sua vida para servir na Obra de DEUS e ser o mentor das ovelhas de Cristo. Deseja ser instrumento de bênçãos nas mãos do Todo-Poderoso DEUS para proclamar ousadamente o Evangelho da salvação para o mundo perdido e, em consequências disso, ganhar muitas almas, através da acção do Espírito Santo, para os céus. Não há exercício maior e melhor no mundo do que este. Não há profissão e ganhos mundanais ou glórias desta vida que se possam equiparar ao sublime ministério pastoral. Nada mesmo. Literalmente nada. O ministério pastoral excede, em larga medida, as polutas aspirações dos homens e todas as vaidades do mundo. 

Por isso, o ministério pastoral é excelente em todos os seus propósitos e fins. É excelente para o eleito pastor e, sobretudo, para a maravilhosa obra que este realizará em nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. Além deste assente e magnífico privilégio humano-espiritual, que o ministério pastoral comporta e encerra no seu substrato, a verdade também é que ser autenticamente pastor não é “pêra-doce” ou incólume aos problemas, especialmente nos nossos conturbados, anárquicos, violentos, promíscuos, descrentes, corruptos, heréticos e pecaminosos dias pós-modernos. Não é uma tarefa consensual ou facílima, tal como aparenta aos olhos de muitas pessoas e do mundo em particular.  O ministério pastoral é extremamente exigente, complicado na sua concretização prática e amiúde difícil. Envolve sempre a priori o chamado Divino, a renúncia, a sabedoria, o discernimento, a moderação, a tolerância, a paciência, o sofrimento, o amor, o perdão e a entrega incondicional à Obra de DEUS. 

O pastor deve estar, acima de tudo, inteiramente apto e predisposto para arcar com todas as consequências inerentes ao ministério pastoral – tanto nos aspectos positivos como nos aspectos negativos. O eleito pastor deve ter uma ampla capacidade de suportar as privações da madrasta vida, as injustiças provocadas pelos terceiros, as adversidades da função pastoral, as maldades dos falsos Cristãos, a rejeição do mundo e o sofrimento em geral. As pressões, as incompreensões, as provocações, as calúnias, as difamações, as conspirações, as perseguições e as injustiças – provenientes de dentro e fora da Igreja – fazem parte do cardápio e dinâmica da vida pastoral. E o pastor deve estar completamente ciente de todas estas contradições no seu percurso pastoral e saber lidar com elas com espírito de mansidão, bem como ter a capacidade suficiente e a sabedoria Divina para responder positivamente a todos estes conhecidos desafios espirituais à luz das Escrituras Sagradas. 

A génesis de todos estes premeditados e vis ataques contra a figura do pastor vem do diabo, dos seus demónios e filhos da perdição, que estão ao seu serviço no mundo para confundir os fiéis Cristãos e separá-los de DEUS. É o diabo que tenta, a todo o custo, atacar o pastor, denegrindo-lhe a imagem, a reputação e o bom nome para, desta forma, fragilizá-lo e consequentemente dividir a Igreja. Só que usa os ímpios e os Cristãos ingénuos para atingir este maléfico desiderato. O pastor deve estar plenamente consciente e preparado para enfrentar esta dura realidade espiritual no seu percurso de vida, com as armaduras de DEUS (Ef 6:10-18). Só assim será realmente um obreiro aprovado por DEUS e inteiramente habilitado para toda a Boa Obra. 

É evidente que o ministério pastoral é abrangente em todas as suas dimensões e propósitos. Ele é abrangente do ponto de vista objectivo e do ponto de vista subjectivo. Naquele é abrangente na sua concretização prática e finalidade salvífica das ovelhas. Neste é abrangente no que toca ao círculo pessoal, familiar e relacional do pastor, isto é, se este for casado e posteriormente tiver filhos menores ou alguém sob os seus cuidados, contando que a parentela esteja na sua casa e sob a sua inteira dependência. Daí que, sem quaisquer tipos de hesitações prévias ou equívocos doutrinários, não se pode dissociar o ministério pastoral da família do pastor (se for casado, bem entendido. Isto porque uma pessoa pode ser pastor e não ser casado e, muito menos, ter filhos. Logo, neste caso, não se lhe aplica a responsabilidade e responsabilização da sua família no ministério pastoral, uma vez que não dispõe nem de esposa nem de filhos). 

O ministério pastoral está intrinsecamente ligado à família do pastor e vice-versa. As duas realidades estão simultaneamente interligadas e são indissociáveis uma da outra. O pastor, em circunstância alguma, deve isolar a sua família no seu ministério eclesiástico. Da mesma sorte, a família do pastor não deve ficar alheio ou indiferente ao ministério do pastor. As duas realidades estão concomitantemente interligadas e indissociáveis uma da outra. A bitola de Josué de “eu e a minha família serviremos ao Senhor” (Js 24:15) deve reger e fazer parte constante do ministério pastoral e da vida familiar do pastor. 

No entanto, por vicissitudes várias e supervenientes, tem havido um esforço indisfarçável e desmesurado, nas últimas décadas, por parte de alguns teólogos e pastores, para autonomizar o ministério pastoral da família do pastor, reduzindo-o estritamente à figura do “pastor contratado” à moda secular, através de um esgrimido argumento tautológico, falacioso e despido de qualquer tipo de suporte bíblico. Esta tese ardilosa, aparentemente consistente, para ludibriar os menos atentos na fé, visa sobretudo profissionalizar o ministério pastoral e dissolvê-lo numa libertária secularização, desresponsabilizando assim, no seu todo, a família do pastor no ofício eclesiástico. Não tem qualquer tipo de fundamento bíblico nem acolhimento romper este cordão umbilical do ministério pastoral com a família do pastor, antes pelo contrário as duas realidades estão manifestamente interligadas e são imprescindíveis no sucesso ministerial do pastor. 

A título exemplificativo, para testar esta nossa afirmação, se a família do pastor não está enquadrada na ortodoxia bíblica e desviada dela, obviamente que isto terá repercussões extremamente negativas dentro da Igreja e será um factor perturbador e determinante na desqualificação do pastor para o ministério pastoral, independentemente do seu bom carácter, da sua honorabilidade e da integridade espiritual.  O pastor deve, tal como formula inspiradamente a Palavra de DEUS, “ser um bom chefe da sua própria família e saber educar os filhos no respeito, com toda a dignidade. Pois se alguém não é capaz de ser um bom chefe da sua própria família como pode assumir responsabilidades na igreja de Deus?” (1Tm 3:4-5). É claro que não tem condições objectivas para assumir o ministério pastoral ou continuar a exercê-lo com dignidade – por não ter a autoridade espiritual requerida para exortar os irmãos na fé, mormente no que toca à ética familiar e o papel dos maridos, esposas e os filhos na Igreja. 

A teologia subjacente no ofício pastoral é a de a família pastoral ser unidamente um exemplo na Igreja e coadjuvante do pastor na prossecução do ministério eclesiástico. A esposa do pastor, os seus filhos e todas as pessoas que estão sob a sua alçada são partes essenciais no sucesso ou insucesso do ministério do pastor. Tanto que, por esta razão, as próprias Escrituras Sagradas vão dando algumas directrizes sobre a postura irrepreensível que deve caracterizar a família pastoral. A começar, desde logo, com a mulher do pastor. Esta deve apresentar-se com dignidade, modéstia, sem grandes penteados, nem ouro, nem jóias nem vestidos luxuosos, mas sim como convém à mulher que se preocupa principalmente em agradar a DEUS pelas boas obras (1 Tm 2:9-10), evitando máxime o pecado do materialismo, da ostentação, da bisbilhotice, da murmuração, da sensualidade e sumptuosidade. 

Da mesma forma, espera-se um comportamento decente e congruente dos filhos do pastor com os impolutos Princípios e Valores Cristãos, pois fazem parte essencial do ministério pastoral. A família pastoral deve ser modelo para todas as famílias da Igreja – tanto na espiritualidade, na oração, no serviço aos santos, na comunhão, na hospitalidade, na solidariedade, na visitação e na Evangelização e Missões. A mulher do pastor deve ser particularmente exemplo para toda a comunidade, assim como os filhos, com vista a “aliviarem” o ministério do pastor, colaborando de forma edificada no ofício pastoral, livrando assim o pastor de “não se tornar motivo de difamação nem cair na armadilha preparada pelo diabo (1 Tm 3:1-9). 

A família do pastor faz parte integrante do ministério pastoral e deve estar com o pastor na “linha da frente” no exercício eclesiástico. Deve estar preparado para acolher com amor todos os irmãos da igreja, especialmente os irmãos que carecem mais de acompanhamento e orientação, através do ministério de aconselhamento, de hospitalidade e de visitação. Nestes ministérios, é imprescindível a colaboração da mulher do pastor para a sua eficaz concretização. É decisiva a sua predisposição neste sentido para que o pastor seja realmente bem-sucedido em tais importantes ministérios. A mulher do pastor é a “terceira visão”, o “quarto ouvido” e o “sexto sentido” do pastor dentro da igreja. Olha aquilo que o pastor muitas vezes não vê ou negligencie. Escuta mais do que aquilo que o pastor escuta e consegue ter mais a noção real da vida da Igreja do que propriamente o pastor. 

A mulher do pastor leva um lado feminino para o ministério pastoral e ajuda a aplacar muitos ímpetos negativos na congregação e revoltas evitáveis contra a autoridade da igreja, catapultando com o seu gesto de simplicidade o apaziguamento, a harmonia e o despertamento para o serviço.  Se a mulher do pastor for sensível e aberta consegue seguramente inspirar mais confiança de muitos irmãos na igreja, penetrando eficazmente em determinados ângulos ministeriais a que o pastor jamais conseguiria chegar. Consegue atenuar várias tensões e problemas desnecessários entre os irmãos e estes com o pastor e vice-versa.  Ela é o maior activo e o escudo protector do pastor contra os mal-entendidos, as desavenças e revoltas que, de vez em quando, surgem nas igrejas. Daí que ela não pode ser relegada, secundarizada ou desvalorizada no ministério pastoral, até porque se for uma pessoa desleixada e fechada em termos espirituais vai certamente fechar muitas portas de oportunidades no ministério do pastor. 

Se a mulher do pastor e os seus filhos não participam nas actividades regulares da Igreja ou não têm uma conduta Cristã decente, que autoridade espiritual o pastor terá para exortar os outros irmãos na fé a terem uma vida diligente, devotada e santificada? Obviamente que perde toda a legitimidade e autoridade espiritual requerida na Palavra de DEUS para fazer tais chamadas de atenções, tendo em conta o mau exemplo que tem na sua própria casa e que não consegue resolver. E não há dúvida que esta “convulsão familiar” será muito bem aproveitada pelo diabo para difamar o pastor, levando-lhe, em casos mais extremos, a cair na armadilha preparada astutamente por ele, tal como ficou há bocado demonstrado pelo texto sagrado citado. 

Faz sentido que a mulher do pastor não exerça os dons espirituais na Igreja local em que o seu marido pastoreia? Ou que não esteja regularmente nos cultos dominicais, reuniões de oração e de senhoras ou vigílias? É plausível que a mulher do pastor esteja a congregar numa igreja diferente da igreja que o seu marido pastoreia? É congruente com a Palavra de DEUS que ela não acompanhe o seu marido nas actividades eclesiásticas e tenha uma conduta de vida censurável? Os filhos e parentes dependentes do pastor podem ter qualquer tipo de conduta? Estes podem dar ao luxo de ter uma orientação flagrantemente incompatível com a vida sacrossanta, nomeadamente envolvidos na promiscuidade sexual, alcoolismo, vícios de droga ou mundanismo? Obviamente que as respostas para todas estas pertinentes questões são manifestamente negativas, por razões várias que dispensam explicações. 

A família do pastor não pode, sob pena de desestabilizar e afectar drasticamente o mistério do pastor, não colaborar com o pastor no ministério pastoral e ter condutas desviantes à luz da Palavra de DEUS. Espera-se da família do pastor que seja modelo de espiritualidade para toda a Igreja. E isto envolve, desde logo, o próprio pastor, a sua esposa, os filhos e todos os dependentes a seu cargo. São estas mesmas pessoas que assistirão o pastor nos momentos mais difíceis, desanimadores e desafiantes do ministério, dando-lhe apoio incansável e forças suficientes para continuar firmemente a “combater o bom combate da fé”. 

A mulher do pastor e os filhos devem ser modelos dentro da Igreja e fora dela, insistimos. Devem estar com o pastor na “linha da frente” no exercício pastoral, com vista a estimular os outros irmãos da Igreja a seguirem o mesmo consagrado testemunho de fé. Vai, se assim não for, seguramente, afectar negativamente a autoridade do pastor dentro da congregação e obstaculizar o seu ministério. A família do pastor é o “espelho” da Igreja e modelo de referencial para todos os fiéis. Deve dar o exemplo no testemunho, na consagração, na dedicação, na hospitalidade e no amor ao serviço do Reino de DEUS. 

É claro que a família do pastor não é perfeita e nem se pode esperar dela a perfeição. Não é disto que estamos a falar nem tencionamos passar tal ideia nesta nossa humilde crónica. Também não somos da opinião de exigir muito mais do que aquilo que se pode exigir do pastor e da sua família. O máximo que se pode exigir do pastor e da sua família é o mínimo do ponto de vista espiritual: ser unida, dar testemunho fiel da Palavra de DEUS, comprometida com a Igreja do Senhor Jesus Cristo e exemplo de serviço para os santos. 

É verdade que há, cada vez mais, uma exigência anormal e maldosa dos crentes para com a família do pastor. Também há, cada vez mais, um conluio deliberado e maléfico por parte de irmãos que se deixam instrumentalizar pelo diabo para desestabilizar a família do pastor. É verdade que as congregações esperam muito mais do que aquilo que o pastor e a sua família podem oferecer às Igrejas. É ainda verdade que há uma pressão brutal sobre a família pastoral, levando-lhe, em determinados casos, a perder o ânimo e o fervor missionário. E, por fim, é verdade ainda que muitos pastores e as suas famílias têm sido reiteradamente enxovalhadas, humilhadas, vilipendiadas e perseguidas nas suas congregações – e com todas as repercussões negativas que isto comporta no equilíbrio espiritual das mesmas, principalmente na vida dos filhos. Estamos plenamente conscientes de toda esta triste e vergonhosa realidade. É um comportamento repugnante e atentatório aos elevados Princípios e Valores consagrados na Palavra de DEUS e ao amor Cristão que devem nortear os crentes. 

O pastor é um ser humano como qualquer outro crente no Senhor Jesus Cristo: tem inclinações, desejos, vulnerabilidades, falhas e limitações. O pastor é um pecador regenerado à semelhante dos demais eleitos filhos de DEUS. Esta verdade soteriológica também se aplica na íntegra à família do pastor. A única diferença é que o pastor foi separado para conduzir o povo de DEUS. Não se pode exigir perfeição de quem não é perfeito. Não se pode exigir infalibilidade de quem é falível. Não se pode exigir uma coisa que a pessoa não tem. Todavia, não se pode confundir as duas realidades ou misturá-las no mesmo saco. Uma coisa é a pressão desmedida e exigência exagerada que muitas igrejas fazem à família pastoral ou esperam dela. Outra coisa, e bem diferente, é desresponsabilizar completamente a família do pastor no ministério eclesiástico. 

O Pastor e a sua família devem estar preparados para vivenciar coisas boas do ministério, assim como as coisas menos boas dentro das congregações. Não é com queixumes e lamúrias que se vai aplacar as reiteradas investidas diabólicas e pressões no ministério. Julgamos que os pastores que passam mais a vida a lamentar da sua sorte ministerial, das duas uma: ou desconhecem as implicações teológicas de ser pastor, ou não receberam um autêntico chamado Divino para serem pastores. Um pastor de verdade não está constantemente a lamentar a sua sorte e está habilitado a sofrer até ao fim na Obra de DEUS, pelo amor do Senhor Jesus Cristo, tal como os heróis da fé e santos homens e mulheres de DEUS fizeram ao longo da história do Cristianismo. 

E mais, estamos em crer que os pastores que passam a vida a lamentar no ministério ou a fazerem alarido daquilo que estão a vivenciar não são, de todo, os que mais sofrem ou estão a sofrer. E são tais pastores que não cansam de procurar igrejas mais “favorecidas” ou “afortunadas” para acomodarem as suas expectativas humanas, nomeadamente a estabilidade financeira, a locupletação e o conforto da vida material. Estes, seguramente, não são verdadeiros pastores, mas sim assalariados, visando apenas os seus egocêntricos interesses e não do Senhor Jesus Cristo. E há muitos assim no nosso meio Evangélico-protestante, para grande tristeza nossa, infelizmente... 

Não se vislumbra qualquer tipo de sucesso ministerial do pastor onde a sua família não está devidamente incluída e integrada. A família do pastor é alicerce crucial e retaguarda indispensável para o bom ofício do pastor. Ela tem um papel de coadjuvação no ministério bastante importante e relevante. E deve contribuir para acompanhar, apoiar, orar, encorajar o pastor, principalmente, nos momentos mais sombrios, complicados e de desânimo. Se a família do pastor não colaborar com ele no ministério decerto que este não terá um frutuoso e bem-sucedido ministério. Fica vulnerável, circunscrito na sua acção, refém de tais fragilidades e condicionado do ponto de vista espiritual, ficando assim significativamente limitado na sua autoridade espiritual, sendo depois motivo de escândalo para a Igreja. 

A premeditada tentativa de desresponsabilizar a família do pastor nos ministérios da Igreja, nos círculos evangélicos tradicionais como nos círculos pentecostais, colide frontalmente com os pressupostos axiológicos da Doutrina Bíblica e resvala num profissionalismo secular subjectivista. Ela visa unicamente incorporar e legitimar biblicamente parte das pretensões teológicas dos movimentos progressistas dentro do Cristianismo que, a todo o custo, reclamam uma interpretação actualista das Escrituras Sagradas, absorvendo o mundanismo para dentro da Igreja. 

Os princípios que estão na génesis da instauração do ministério pastoral são todos de conjugação, agregação e de sinergias. A Igreja alberga no seu corpo várias e diversificadas pessoas, tendo o Senhor Jesus Cristo como a sua cabeça (Cl 1:18; Ef 5:23). O pastor é chamado a conduzir o rebanho do Senhor Jesus Cristo e estes, por sua vez, são chamados a viver unidos e em completa harmonia e comunhão, cooperando uns com os outros na prossecução, expansão e avanço do Evangelho para que o mundo creia que Jesus Cristo é o Senhor (Jo 17:21). Não há nada que, do ponto de vista da eclesiologia, estimula ou apela para o individualismo (vede, por todos os exemplos bíblicos, os dons espirituais e as suas finalidades em 1 Co 12:1-31 e Rm 12:4-8, respectivamente). 

A Igreja é a conjugação das partes para o mesmo fim: a edificação dos santos e glória do Senhor Jesus Cristo (Ef 4:12-13; 1 Co 12:7). O ministério pastoral, igualmente, é trabalho de equipa, não obstante ter o pastor como o líder principal da igreja local. E em todas estas colaborações e diversificações, a família pastoral é peça central e “guia” da Igreja. Logo, ela é parte integrante do ministério e a membrasia deve contar com ela na Obra e poder responsabilizá-la, e ao pastor, em casos de desvios comportamentais flagrantes. 

Nunca se pode equiparar o ministério pastoral com o regime de prestação de serviço secular, tal como muitos teólogos e pastores se têm, de forma explícita, desdobrado a fazer. O ministério pastoral é uma vocação e não tem nenhum paralelismo com o do assalariado. E o pastor e a sua família têm impreterivelmente de estar vocacionados para trabalharem juntos na igreja local que escolheram pastorear. Isto não quer dizer literalmente que a esposa do pastor, os seus filhos e paraninfos têm necessariamente de trabalhar a tempo integral ou serem obrigados a exercer funções proeminentes na Igreja. Nada disso. Podem optar por trabalhar a tempo inteiro, isto é, se a Igreja assim o entender, bem como podem não ocupar nenhum cargo na Igreja em que estejam congregados. No entanto, de modo algum, podem prescindir do compromisso com a Igreja, a vida santificada, o exemplo de vida Cristã e a predisposição para servir como qualquer outro membro da Igreja. 

A família do pastor tem toda a liberdade e deve ser encarada como qualquer outra família na congregação, sem prejuízo naturalmente de não descurar o seu papel acrescido na representação das famílias da Igreja. Não pode relaxar e deve pautar a sua conduta como uma verdadeira família pastoral. A mulher do pastor deve ser modelo refletivo para todos os membros da comunidade e das mulheres da Igreja em especial. Os filhos do pastor, da mesma sorte, devem ser motivo de orgulho e satisfação pelo pastor. Conjugando devidamente todas estas realidades e absorvendo-as, há mais manobras para o pastor exercer pacificamente, com maior autoridade e tranquilidade, o seu ministério eclesiástico, reduzindo consideravelmente muitas investidas do inimigo e do diabo em especial. 

Por isso, não compreendo minimamente os defensores da dissociação do ministério pastoral com a família pastoral. Esta pretensão não acautela a maior protecção que o pastor dispõe no ministério: a sua família. A família do pastor é, falando humanamente, retaguarda e reduto do pastor nos momentos decisivos do ministério. É na sua família que o pastor encontra carinho, incentivo, estímulo para continuar a prosseguir com o ministério. Retirar ao pastor esta peça fundamental no seu compromisso com a igreja é retirar-lhe a retaguarda em tempos de adversidades e um autêntico paradoxo em termos bíblicos. Não há nenhum ganho espiritual em excluir a família pastoral do ministério do pastor, antes pelo contrário potencia mais riscos, escândalos, prejuízos para ele e o seu ministério em geral. 

Em suma, o ofício pastoral e a família do pastor estão manifestamente interligados, interdependentes e indissociáveis nos ministérios da Igreja, independentemente das várias formulações teológicas que tentam defender o contrário. O serviço pastoral, em última instância, envolve também a casa do pastor e é neste prisma que ele deve ser concebido, entendido e aplicado. Que assim seja. E assim sempre será para glória do Senhor Jesus Cristo. Amém. 

A Importância Cimeira do Amor nas Nossas Vidas


Estive, no passado dia 27 de Outubro, a pregar na minha Igreja. O tema que foi objecto da minha meditação com a congregação foi “A Importância Cimeira do Amor nas Nossas Vidas”, baseado na conhecida passagem bíblica de 1 Coríntios 13:1-13. 

A sublime figura de estilo usada pelo Apóstolo Paulo para definir o amor no texto sagrado em apreço não se encontra paralelismo em lado algum da história da humanidade, bem como em nenhum outro pensador clássico, medieval, moderno ou pós-moderno. Também não se encontra paralelismo nas argutas formulações poéticas de Ovídio, o grande “mestre de amor”, e nem nas heróicas obras literárias de William Shakespeare, estendendo-se igualmente as pomposas e proliferadas canções românticas de artistas contemporâneas dos nossos dias (LER)

É um amor plenamente holístico e sacrificial em todas as suas dimensões humano-espirituais. Transcende, em larga medida, o mero altruísmo pessoal. Não envolve contrapartidas. Colide completamente com as injustiças, as inverdades, o egoísmo, a jactância, o moralismo hipócrita, o falso saber e a espiritualidade de fachada. Não é passível de arbitrariedades ou mudanças circunstanciais. Ele é constante, incondicional e sempiterno. É mais precioso do que todos os bens mundanais, os dons espirituais e a própria vida. É um amor que, sendo encarnado pelos Homens com índole de “boa vontade”, procura compreender mais do que ser compreendido, consolar mais do que ser consolado, amar mais do que ser amado. É um amor omnipotente que nos remete indubitavelmente para o Todo-Poderoso DEUS – a razão primária e última de todo e qualquer tipo de amor. 

Por isso, nesta óptica Divina, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. É um amor que derruba os preconceitos, supera os impossíveis, constrói pontes e projecta-se para a eternidade. Este amor merece ser fervorosamente enaltecido, cantado, proclamado, partilhado e, sobretudo, vivido. Que assim seja sempre nas nossas vidas. 

Já Não Temos Mais o Hugo Connosco


O meu grandíssimo amigo e irmão em Cristo Hugo Alexandre Pereira Mendes morreu no passado dia 28 de Dezembro (LER). Morreu de forma súbita contra qualquer tipo de previsão clínica ou sinal convergente nesse sentido. Morreu para grande tristeza nossa que gostávamos imenso dele. O Hugo não resistiu à surpreendente e maldita doença que lhe ceifou a vida. Ele estava praticamente bem, na medida do possível, aos nossos olhos, e de repente morreu. Morreu de forma inesperada e apressada, deixando-nos completamente consternados com a sua prematura morte. Foi tudo surpreendente, rápido, inacreditável e definitivo. Não há mais outra volta a dar: o grande Hugo Mendes realmente morreu. 

O Hugo foi primeiramente amigo do meu irmão mais velho, o Evaristo Vieira. Ouvia falar tanto do Hugo em Bissau, através do Evaristo, sem conhecê-lo pessoalmente. Depois, com a minha vinda para Lisboa, acabou por ser também meu amigo e amigo dos meus amigos mais próximos. Fazia parte do meu círculo restrito de amizade e dos mais destacados amigos que tinha. O Hugo era mais do que um amigo. Era, sim, um verdadeiro irmão em Cristo. O Hugo foi grande amigo do Evaristo. Também foi meu grandíssimo amigo. Mais, o Hugo não ficou somente nestas dimensões. O Hugo foi também amigo dos meus irmãos, da minha família e da parcela dos meus bons e restritos amigos. Foi o Hugo que acompanhou o Evaristo para me buscar ao aeroporto, aquando da minha vinda para Lisboa estudar, bem como posteriormente as minhas cunhadas e os meus sobrinhos. 

O Hugo foi bastante importante e determinante na minha integração na Igreja Evangélica Baptista da Amadora (não só a mim como também alguns estrangeiros que se filiaram na nossa igreja). Estava sempre comigo para tudo o que é lado: nos convívios, nos aniversários, na minha casa, nos almoços ou a jantar fora. Quando eu estava doente, nos casos que inspirava cuidados redobrados, em que não conseguia deslocar-me sozinho, era sempre o Hugo que me acompanhava para o hospital. Se precisasse de dinheiro emprestado era sempre ao Hugo que pedia emprestado e dava-me sempre sem reclamar ou cobrar. O Hugo era uma pessoa de confiança em quem eu inteiramente confiava. Falávamos sobre as várias coisas. Era um irmão presente – tanto nos maus como nos bons momentos. Estava sempre disponível para ajudar quem fosse. Não tinha qualquer tipo de tiques de preconceito, arrogância, polémica ou vaidade do mundo. Era uma pessoa bastante humilde, prestativa, agregadora, apaziguadora, altruísta, solidária e amorosa. Dava-se bem com tudo e todos à sua volta. Fazia ponte entre as pessoas, sobretudo de sensibilidades diferentes. O Hugo era simultaneamente amigo dos portugueses, dos africanos, dos brasileiros e de todos aqueles que cruzavam o seu caminho. Não fazia acepções de pessoas e, muito menos, contribuía para discriminar ou desqualificar quem fosse. Tratava todo o mundo por igual e com amor Cristão, que a Palavra de DEUS nos insta a fazer, independentemente da condição da pessoa em questão ou do seu merecimento. 

O Hugo Mendes, a par de todas estas qualidades e virtudes, era também uma pessoa de bastante fé e inteiramente comprometido com a Causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Tinha um conceito bem apurado de Missões e Evangelização. Tanto que, por esta razão, esteve algum tempo na cidade de Chaves a fazer Missões a tempo integral, encarnando assim na íntegra o pepel do "Missionário Itinerante". Depois continuou a servir como professor da Escola Bíblica Dominical (EBD), na nossa igreja, ao longo de mais de duas décadas. Foi, em tempos, um dos líderes da Juventude da nossa Igreja. Actualmente, era professor da Escola Bíblica Dominical (EBD) e membro da Comissão de Exame de Contas. Nunca recusou servir. Correspondia sempre com o pedido para fazer parte dos ministérios da Igreja, não obstante ter motivos suficientes para não assumir nenhumas responsabilidades na Igreja. O Hugo era realmente uma pessoa de fé incrível e devotada a DEUS, insisto. Viveu a fé no Senhor Jesus Cristo até ao fim da sua brevíssima vida. Estava sempre presente na Igreja e permanentemente ligado à Igreja. Não faltava à Escola Bíblica Dominical e aos cultos em geral. O seu testemunho foi crucial na conversão do seu irmão Bruno Mendes e, posteriormente, dos seus pais – irmão Florêncio Mendes e a irmã Joana Mendes. 

O Hugo sempre foi orgulhosamente da nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora. Quando comecei a congregar também na referida Igreja, o Hugo já servia diligentemente ao Senhor Jesus Cristo. Serviu sem pausas ou intervalos. Serviu sem questionamentos ou lamúrias. Serviu de forma intensa e abnegada. Serviu ininterruptamente até ao fim da sua vida. Esteve connosco no último culto dominical, e também no culto de Natal das 11 horas, antes de morrer. Nas conversas que mantivemos, no fim da Escola Bíblica Dominical (EBD) e do culto, tal como era sempre costume, convidou-me para ir passar o Natal com eles. Contou-me que ele e a família iriam passar a consoada em Campo de Ourique, em Lisboa, no entanto, no dia 25, estariam em casa e podia estar perfeitamente com eles na celebração. Disse-lhe que, por outras razões, não me seria conveniente, agradecendo-lhe na mesma pelo honroso convite. 

Já no culto do dia de Natal perguntei-lhe como é que tinha corrido a ceia do dia anterior, brincando com ele se “esteve ou não à altura do grande desafio” da noite, isto é, se comeu muito ou não. Disse-me que não comeu assim grande coisa. E achei estranho o facto de ele não comer tanto, ainda por cima no Natal, uma vez que o Hugo gostava de comer bem. No dia anterior tinha-me confessado que estava a ter agora algumas precauções nas coisas que comia – por causa de recomendação médica, etc. Concordei com ele e encorajei-o ainda a adoptar mesmo uma postura de austeridade com a alimentação, evitando alimentos que não são benéficos à saúde. E ele, por sua vez, como sempre, concordou plenamente comigo neste sentido. Perguntei-lhe ainda a que horas saíram de Campo de Ourique para casa. Respondeu-me que só chegaram a casa por voltas das 6 e tal da manhã. Às 11h00, ele e os pais, já estavam novamente na Igreja para assistirem ao culto natalício. Dei-lhe os parabéns pelo facto de praticamente fazerem “directa” para estarem presentes no culto do dia de Natal que, por vicissitudes várias e supervenientes, muitos Cristãos não dão a devida importância. Convergimos no mesmo parecer sobre a importância cimeira do culto no dia 25 de Dezembro e falámos ainda sobre as demais coisas e, desta forma, despedimo-nos um do outro com votos de um feliz Natal – na certeza de que nos encontraríamos nos próximos dias que se avizinhavam. Mal sabíamos que era o nosso último encontro. Trocámos ainda mensagem pelo whatsapp na quarta-feira e na quinta-feira de manhã recebi a inesperada mensagem de que o Hugo morreu. É isso mesmo: o Hugo realmente morreu contra todas as previsões e expectativas. Já não está mais connosco no mundo dos vivos. Não está e jamais estará connosco neste sofrido e pecaminoso mundo, mas estará sempre nos nossos corações e lembrá-lo-emos pela sua maravilhosa passagem nesta vida. Cedo ou tarde, encontrá-lo-emos no céu e juntos estaremos a adorar o nosso Altíssimo DEUS, o dono da vida, para toda a eternidade. Amém. 

O Hugo morreu a servir ao nosso Todo-poderoso DEUS. Morreu estando sempre na Casa do Senhor e, concomitantemente, a servir. Sentia-se bem em estar na Igreja. A Igreja era tudo para ele. É na Igreja que o Hugo mais se movimentava desde quando abraçou a fé Cristã. A morte prematura do Hugo vem nos lembrar, mais uma vez, que a vida é precária, limitada e passageira. Passa tão rápido que nos ultrapassa. Hoje estamos aqui e amanhã já não estamos. Por isso, devemos investir naquilo que realmente importa. Investir os nossos dons e talentos na Causa do Reino de DEUS. Investir nas pessoas através dos valores do humanismo e humanidade. Investir na vida do compromisso, entrega, serviço, santidade e santificação. Investir, acima de tudo, no nosso relacionamento com o Senhor Jesus Cristo, a Sua amada Igreja e com o próximo à nossa volta. O nosso estimado amigo e irmão Hugo Mendes correspondeu a estas expectativas espirituais durante a sua curta peregrinação aqui na Terra, dando o testemunho poderoso do Senhor Jesus Cristo na sua vida. Apesar de, cada vez mais, se acentuarem as suas limitações físicas e debilidades a nível de saúde, o Hugo nunca se resignou a prosseguir em frente com fé e alegria no coração. Não andava murmurado, carrancudo, mal-humorado, revoltado com a sua condição e, tão pouco, questionava DEUS pelas provações que estava a enfrentar. Sempre estava bem-disposto, humorado, satisfeito, alegre, feliz e grato a DEUS pela vida que vivia. Aceitava de bom grado a vontade de DEUS na sua vida e encarava tudo o que lhe acontecia como um desafio e processo de aperfeiçoamento espiritual. Nas longas conversas que tínhamos inúmeras vezes, vislumbrei nele sempre bastante fé e esperança em DEUS. O Hugo, tal como o Apóstolo Paulo, combateu o bom combate, acabou a carreira, guardou a fé. (2 Tm 4:7), razão pela qual voltou muito cedo para a Casa do Pai, o nosso DEUS, e de todos aqueles que abraça(r)am a fé no Senhor Jesus Cristo como único Salvador das suas vidas. O Hugo Mendes já ouviu as promovidas palavras de glória ditas pelo nosso Senhor Jesus Cristo: “muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25:21). 

Em suma, temos somente de agradecer profundamente a DEUS pelo facto de dar-nos a grata oportunidade de cruzar o caminho do Hugo Mendes, convivendo com ele e sermos sobremaneira abençoados por ele. Fomos todos abençoados pelo seu belo e rico testemunho de vida. Por isso, temos de agradecer a soberania de DEUS sobre a vida do nosso estimado irmão Hugo Mendes e reafirmar com fé e esperança a salvífica verdade bíblica sobre o quão “preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Sl 116:15). E assim, desta forma, reconhecer humildemente que “o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21). Amém. 

As Fundamentais Razões Para Não Apoiar Uma Guerra Armada


Nesta segunda abordagem do meu podcast, procurei analisar a posição doutrinária dos Cristãos sobre o conflito armado e, por fim, dei a minha humilde opinião.  Sou inteiramente contra a guerra e também contra a denominada “guerra justa”, independentemente da sua justificação legal, política, económica, moral e ética. 

Considero que qualquer tipo de guerra está sempre subjacente às forças do mal. A guerra, seja justa ou não, é do Diabo e dos seus agentes no mundo inteiro. A guerra é uma coisa bruta, sangrenta, horrorosa e macabra. Ela é inequivocamente maléfica, injusta, trágica e diabólica. Com a guerra morrem inúmeras pessoas, sobretudo pessoas inofensivas e inocentes. 

Abusos Sexuais na Igreja


 Não fiquei nada surpreendido com a estimativa avassaladora avançada hoje pela Comissão Independente criada para averiguar os abusos sexuais cometidos na igreja católica portuguesa. Estes números de abusos sexuais eram de esperar. Eles retratam parcialmente aquilo que tem sido a obstrução deliberada a que a Igreja Católica Romana tem sido negligentemente votada ao longo dos séculos. Não se podia esperar outra coisa. É a realidade nua e crua da miséria espiritual que reina no seio do Vaticano, repercutindo negativamente nas elites da igreja católica espalhadas pelo mundo. A Igreja Católica Romana, para tristeza nossa, é um antro de aglomeração de pedófilos, homossexuais, tarados sexuais e abusadores. E tudo isto acaba por ter influências extremamente nefastas na dinâmica ministerial da igreja e na forma como lida com os seus membros, sobretudo com as crianças. 

Não comungo literalmente da opinião das pessoas que atribuem os abusos sexuais cometidos pelos padres à imposição do celibato ao clero. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ser obrigado a viver em abstinência sexual não se traduz literalmente em ser pedófilo ou tarado sexual e, muito menos, abusador. Os padres que não têm o dom do celibato normalmente refreiam os seus ímpetos sexuais com a masturbação ou, em determinados casos, recorrem às mulheres da má vida. Há muitos padres assim, infelizmente, que vivem uma vida paralela, porque não têm a permissão do Vaticano para desposarem, preferindo viver na clandestinidade. Outra coisa, e bem diferente, são os padres pedófilos e homossexuais que continuam secretamente no “armário”, usando depois a sua posição privilegiada dentro da igreja para cometerem abusos sexuais contra os menores. 

É verdade que há também padres heterossexuais que acabam por enveredar deliberadamente por caminhos de homossexualidade e pedofilia, molestando as pessoas vulneráveis que estão à sua disposição. Só que, em abono da verdade, estes casos são inferiores comparativamente com os padres que são pedófilos e homossexuais. Mesmo assim, as duas flagrantes situações são comportamentos aberrantes e de repudiar. O abuso sexual, a prática da pedofilia e da homossexualidade são manifestamente condenadas e não têm qualquer tipo de acolhimento nas Escrituras Sagradas, especialmente o hediondo abuso contra as inofensivas criancinhas. Nenhum autêntico Cristão pode compactuar com tais hediondos crimes, sob pena de ser cúmplice no pecado da promiscuidade sexual. E a Igreja Católica Romana sabe muito bem desta grande verdade bíblica. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, faz vista grossa para continuar a perpetuar os abusos contra os menores. 

Encontro, a meu ver, duas explicações para a prática reiterada de abusos sexuais na Igreja Católica Romana e o seu deliberado encobrimento pelas lideranças. A primeira explicação prende-se com a afamada revolução sexual dos anos sessenta do século passado (promiscuidade sexual, bem entendido), encabeçada particularmente pelos jacobinos, que teve como apologia viver a sexualidade de forma desapegada, descomprometida e despida de todo o pudor ou tradicionalismo que, até então, estava profundamente enraizado nas sociedades. Em consequência disso, nesta patente devassidão, começou-se a legitimar socialmente o uso desenfreado de métodos contraceptivos, o consumo da pornografia, a defesa da ideologia de género e da homossexualidade, a despenalização e legalização do aborto, etc. Esta libertinagem, no que toca ao sexo e à sexualidade, acabou por arrastar fortemente a Igreja Católica Romana, atraindo para o seu seio seminaristas homossexuais, pedófilos e pessoas frigidas que não estavam de todo comprometidas com a causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Essas pessoas fizeram careira na igreja, passando posteriormente a ocupar posições de relevo na hierarquia do Vaticano como oficiais, padres, bispos e cardeais. São estes tarados que abusam impunemente de menores, contando com o beneplácito dos seus superiores para o encobrir tais monstruosos crimes. 

A segunda explicação tem a ver com o Segredo Pontifício da Santa Sé – que só há três anos foi revogado para os casos de abuso sexual pelo Papa Francisco (LER)O Segredo Pontifício, segundo Vatican New, “é um segredo que é imposto aos destinatários em assuntos de particular gravidade. O mesmo não surge por simples omissão ou negligencia, pelo contrário, através do segredo se pretende proteger uma instituição, respeitar a intimidade das pessoas, manter a autonomia da Igreja Católica, facilitar o normal funcionamento das instituições ou o bem comum” (LER)E a questão que se coloca é a seguinte: como é que se pode guardar um gravíssimo pecado que destrói vidas e concomitantemente afecta a reputação da Igreja? Obviamente que não se pode encobrir pecados que poem em causa o bom nome da Igreja e a incorruptibilidade da mensagem do Evangelho. 

Desde o antigo Direito Romano que havia um entendimento assente que qualquer sigilo cessava automaticamente quando envolvia a prática de um crime, sob pena de se ser cúmplice com o criminoso. O referido postulado recebeu um acolhimento amplamente favorável nas Escrituras Sagradas, com ênfase mais acentuado no Novo Testamento e nas sociedades democráticas. O Vaticano, para ocultar muitas das suas misérias espirituais, refugia-se no Direito Canónico para esconder os incontáveis abusos sexuais a que as inofensivas crianças e mulheres são submetidos nos orfanatos católicos ao longo dos anos. Os pedófilos ditos Cristãos e abusadores em geral não devem apenas ser julgados pela Igreja, mas também pelos tribunais civis. Este entendimento não entra em contradição com a orientação bíblica. Acredito piamente que há muita boa gente que oculta os abusos sexuais com o intuito de “proteger” a Igreja das bocas do mundo. Só que essas pessoas inocentemente estão mais a prejudicar a Igreja com o seu encobrimento do que propriamente a defendê-la, visto que “nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia”, exortava peremptoriamente o Senhor Jesus Cristo (Mc 4:22). 

Os abusos são completamente condenados na Bíblia Sagrada. Toda a doutrina bíblica é manifestamente contra os abusos. Nenhum tipo de abuso tem amparo na Palavra de DEUS. A coação, o abuso, a violência, o suicídio e homicídio são do Diabo e dos seus agentes espalhados pelo mundo fora. O nosso Todo-Poderoso não coage ninguém a fazer nada contra a sua livre vontade. Por isso, nenhum cristão pode ser abusador ou compactuar com o abuso seja de criança ou adulto. Todo o abuso é profundamente contrário aos postulados Cristãos: há uma incompatibilidade axiológica e teológica entre Cristianismo e abuso – nenhum cristão pode ser abusador e nenhum abusador se pode dizer cristão. O mais grave ainda é abusar das pobres e inofensivas criancinhas, submetendo-lhes forçosamente a prática sexual. Isto é um cúmulo de depravação que ultrapassa o limite do bom senso e da razoabilidade. Ultrapassa a decência e a dignidade. Ultrapassa a moral e os bons costumes. Ultrapassa, acima de tudo, os valores do humanismo e da humanidade. É estragar a vida da criança que ainda não viveu, condicionando significativamente a sua forma de encarar o sexo e a sexualidade na idade adulta. O abuso sexual desconfigura, atrofia a personalidade, deixa marcas indeléveis na alma, retira a felicidade e, em última instância, mata a vítima. É um dos cancros da pós-modernidade, abarcando todas as esferas da nossa moribunda sociedade. 

No entanto, o abuso sexual não deveria existir no seio da Igreja ou ser perpetrado contra as criancinhas, principalmente por pessoas que têm o dever moral e espiritual de cuidar de vidas que procuram o refúgio na Igreja. As crianças são parte integrante do Reino de DEUS. Por esta razão, o Reino de DEUS é dos que são como crianças, enfatizava o Senhor Jesus Cristo (Mt 19:14-15. Abusar de uma criança na Igreja é declarar abertamente guerra ao Senhor Jesus Cristo, o dono da Igreja, e com todas as implicações espirituais que isto representa para o infractor. E a liderança da Igreja Católica sabe muito bem deste primado bíblico. Com efeito, não o toma em consideração porque está comprometida com uma outra agenda que não a da Palavra de DEUS. Infelizmente. 

Em suma, sabemos de acordo com o ensino do Senhor Jesus Cristo que não se pode evitar que haja ocasiões de pecado, “mas ai de quem for responsável por elas! Seria melhor para essa pessoa ser atirada ao mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço, do que ela fazer cair em pecado um destes pequeninos” (Lc 17:1-2). Que DEUS nos perdoe e nos livre de infringir este preceito sagrado. Que assim seja. 

Ter Esperança em DEUS


A vida é feita de esperança. A esperança é um combustível necessário e indispensável para continuarmos a lutar pelos nossos legítimos sonhos de vida. Sem esperança a vida não faria qualquer tipo de sentido e levar-nos-ia inevitavelmente para um estado de permanente tristeza, depressão, sofrimento e, em última instância, ao suicídio. As pessoas que normalmente se suicidam são pessoas que não vislumbram a esperança e o sentido real para as suas vidas e, consequência disso, põem funestamente termo à sua própria vida. A esperança está intrinsecamente ligada à felicidade e esta é a meta primordial de todos os seres humanos neste “vale de lágrimas”. A esperança é a primeira virtude do Homem nas suas várias ambições e também o reduto último das suas aspirações. A esperança é a última a morrer, formula a sabedoria popular. 

Obviamente que é importante ter esperança naquilo que realmente vale a pena no futuro e que tem sustentáculo no curso do tempo. Sabemos, por realidade prática, que muitas pessoas depositam a confiança na superficialidade e acabam por colher a ilusão, ficando desapontadas, frustradas e infelizes com as suas decepcionantes expectativas de vida. No entanto, para nós Cristãos, a nossa esperança está única e inteiramente no Todo-Poderoso DEUS e não nos valores efémeros deste corrupto mundo. A nossa esperança não está na nossa vida, na nossa família, no nosso estatuto social, no nosso trabalho, nos nossos amigos, nas nossas riquezas materiais, nos nossos méritos pessoais ou qualquer outro tipo de valor mundanal, mas sim no Senhor Jesus Cristo e na Sua infalível promessa da vida eterna para connosco. 

É claro que há muitos Cristãos que, em situações de grandes turbulências e adversidades, não conseguem absorver de forma plena esta grande verdade soteriológica e hesitam em confiar plenamente em DEUS, tendo em conta as distrações espirituais que vão tendo. Mas, somos advertidos nesta lição da Escola Bíblica Dominical, para continuarmos sempre a ter a esperança no nosso Todo-Poderoso DEUS, mesmo nos momentos dificílimos de problemas, contradições, tentações e provações, porque ELE vai estar sempre connosco para nos orientar e, em tempo oportuno, providenciar-nos o auto-escape para todos os desafios que vamos enfrentando neste maldito mundo. Que assim seja. E assim será pela fé no Senhor Jesus Cristo.  

O Cristão e a Política

Partilho aqui, mais uma vez, o vídeo que gravei intitulado “O Cristão e a Política”, conjugando o tema com a problemática da ideologia política. A perfilhação ideológico-política de um Cristão não é propriamente um tema consensual, tal como veiculei no vídeo em apreço. Tanto que, por esta razão, tem sido exaustivamente objecto de infindáveis debates entre os fiéis ao longo dos últimos seis séculos, com vista a procurar situar a ideologia que se ajusta melhor às ordenanças bíblicas. As próprias Escrituras Sagradas não tomam uma posição linear sobre que orientação política o crente deve seguir na sua esfera cívica. Podem servir-se delas para defender uma concepção de Direita e concomitantemente de Esquerda. Da mesma sorte, podem usá-las para sustentar o Conservadorismo, o Reacionarismo, o Progressismo, o Liberalismo e o Radicalismo, bem como a Democracia Cristã, o Socialismo, a Social-democracia e o Comunismo. A Palavra de DEUS não se esgota unicamente numa ideologia política. Ela transcende, em larga medida, as redutoras mundividências do Homem e as suas polutas aspirações humano-sociais. Por isso, há espaço para albergar parcialmente cada uma das ideologias naquilo que se destacam em termos positivos. Talvez seja por esta razão que tem havido mal-entendidos, e até mesmo um certo tipo de aproveitamento, por parte de muita gente sobre esta sensível matéria (LER).

O Casamento à Luz do Cristianismo


Partilho aqui a minha pregação no domingo passado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, intitulada “O Casamento à Luz do Cristianismo”, baseada no texto sagrado do evangelho segundo Mateus 19:1-12. Abordei, com ajuda Divina, as grandes problemáticas teológico-doutrinárias em torno do divórcio, refutando biblicamente os inúmeros arbítrios libertinos a que o matrimónio é votado nos nossos dias pós-modernos, bem como apresentei o propósito original de DEUS para um casamento fecundo e feliz – livre de qualquer tipo de coação, humilhação, abuso, violência e divórcio. 

O Cristão e o Trabalho


Partilho aqui este podcast sobre “O Cristão e o Trabalho”, baseado no texto sagrado de 2 Tessalonicenses 3:6-18. É parcela do estudo que ministrei este domingo na minha igreja no âmbito da Escola Bíblica Dominical (EBD). Debrucei-me sobre as implicações humano-sociais do trabalho na vida dos Filhos de DEUS, destacando casos extremos em que o trabalho pode consubstanciar uma autêntica maldição e concomitantemente uma bênção. 

Apesar de todos este prós e contras que o trabalho encerra, que veiculei pormenorizadamente no estudo em apreço, nenhum cristão deve sentir-se no direito de não trabalhar e de viver à custa dos outros (cf. 2Ts 3, 6-12). Todos os Cristãos, formula a Doutrina Social da Igreja Católica, “são exortados pelo apóstolo Paulo a tomar como um ponto de honra o trabalhar com as próprias mãos, de modo a não serem «pesados a ninguém» (1 Ts 4, 11-12) e a praticar uma solidariedade também material, compartilhando os frutos do trabalho com «necessitado» (Ef 4, 28) (…) O ócio é nocivo ao ser do homem, enquanto a actividade favorece o seu corpo e o seu espírito. O cristão é chamado a trabalhar não só para conseguir o pão, mas também por solicitude para com o próximo mais pobre, a qual o Senhor ordena dar de comer, de beber, de vestir, acolhimento, atenção e companhia (cf. Mt 25, 35-36). Cada trabalhador, afirma Santo Ambrósio, é a mão de Cristo que continua a criar e a fazer o bem]”

Adeus ao Uso da Máscara ou um Momentâneo Até Já?


 A partir de hoje deixou de vigorar o uso obrigatório de máscaras em Portugal. Nunca fui apologista de obrigar coercivamente as pessoas a usarem a máscara. Elas devem ser inteiramente livres de fazerem as opções que julgarem mais convenientes para as suas vidas, sem qualquer tipo de paternalismos ou tutela estatal. As minhas profundas reservas para com a não obrigatoriedade do uso da máscara não têm nada a ver com a esfera secular, mas sim com a sua dimensão espiritual. 

A máscara, a todos os níveis, tem uma conotação bastante negativa do ponto de vista Cristão. Ela é manifestamente incompatível com os Princípios e Valores do Cristianismo. A Palavra de DEUS exorta-nos vivamente a afastarmo-nos do mal e também de toda a aparência do mal (1 Tessalonicenses 5:22). Por isso, faz-me imensa confusão a máscara ser, neste momento, o nosso importante “aliado” no sagrado culto que prestamos a DEUS (pelos menos desde quando despoletou a maldita pandemia do coronavírus). Vemos a promoção – até à exaustão – das máscaras nos nossos púlpitos, bancos de igrejas e congregações em geral. Um desfile interminável de máscaras: máscaras a serem usadas nas pregações, na Escola Bíblica Dominical, no louvor e adoração, sob o falso pretexto de “protegermo-nos” uns aos outros e obedecer aos ditames das autoridades, que decretam o seu uso obrigatório nos templos. 

A Igreja deveria ter feito finca-pé para não aceitar a máscara nas suas instalações, reclamando com maior alcance a excepção que os restaurantes beneficiavam. Faz algum sentido estar a pregar ou louvar a DEUS com máscara? Obviamente que não. 

Toda esta trapalhada e deriva eclesiástica deve-se ao facto de as lideranças das igrejas decidirem, unilateralmente, sem base bíblica, fechar a Casa de DEUS, antes de ser propriamente decretado o estado de emergência, condicionando posteriormente a imposição do Estado na liberdade do culto dos crentes. Se as autoridades das igrejas não tivessem inicialmente alinhado na agenda mundana do Estado este, em circunstância alguma, ousaria obrigar à proibição das celebrações religiosas, uma vez que não tem competência constitucional para fazê-lo. A propósito disso, do fecho das igrejas, escrevia o ilustre Professor Catedrático Jorge Bacilar Gouveia, que “não esteve bem a hierarquia católica, que foi mais drástica do que o poder político, tomando e até antecipando uma proibição que nem o próprio Estado teve a ousadia de aplicar com tanta severidade”. 

E mais, a declaração do estado de sítio ou do estado de emergência “em nenhum caso pode afectar os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade civil e à cidadania, a não retroatividade da lei criminal, o direito de defesa dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião”, tal como preceitua a Constituição da República Portuguesa (art.º 19.6). Mas, infelizmente, as igrejas optaram erradamente por alinhar na onda do fecho generalizado e na subserviência sem precedentes ao poder político em detrimento da Palavra de DEUS e da saúde espiritual dos fiéis, distorcendo inclusive o alcance teológico da passagem bíblica de Romanos 13:1-7 para justificar o injustificável, isto é, o fecho das igrejas. 

O dia da libertação das máscaras chegou finalmente hoje. Espero que não seja momentaneamente um até já, mas sim uma libertação permanente. Espero igualmente que o uso de máscara não seja mais obrigatório, mas sim facultativo, para o bem de todos. Espero, por fim, que as máscaras abandonem definitivamente os nossos púlpitos e portas das nossas igrejas para assim podermos proclamar e louvar livremente o nosso Eterno DEUS, sem qualquer tipo de obstáculo, sufoco ou impedimento.