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Saber Discernir o Tempo em Que Vivemos


Estive há duas semanas a pregar no culto dominical da minha igreja, isto é, no dia 18 de Agosto. O tema que foi objecto da minha mensagem foi “Saber Discernir o Tempo em Que Vivemos”, tendo como texto de apoio o Evangelho s. Mateus 24:1-14. Este capítulo, segundo os teólogos, é um dos mais difíceis de interpretar na Bíblia Sagrada, tal como o livro de Apocalipse, visto que envolve os complexos temas escatológicos. Mesmo assim, pela graça de DEUS, procurei humildemente não entrar em especulações teológico-doutrinárias e ater-me apenas aos aspectos práticos de cada um dos versículos em apreço. 

O Senhor Jesus Cristo saiu completamente do templo, tal como vinca manifestamente o autor sagrado (Mt 24:1). Esta saída coincidiu com a Nova Aliança pré-estabelecida por DEUS, desde os primórdios do mundo, e revelado no Antigo Testamento. Por isso, não foi uma saída qualquer como Ele fez em outras ocasiões do Seu ministério terreno. O Filho do Homem retirou-se definitivamente do templo para nunca mais voltar a entrar nele. Abandonou-o triste com a adulteração do culto a que ele foi infelizmente reduzido pelas polutas autoridades judaicas, permitindo assim o sacrilégio dos vendilhões dentro dele, somando ainda a incredulidade do povo em relação à Sua pessoa, não obstante as inúmeras tentativas do Senhor Jesus em congregá-los como a galinha ajunta os seus pintainhos debaixo das asas. No entanto, eles deliberadamente não quiseram (Mt 23:37), confirmando-se assim as palavras do Evangelista João sobre o Messias que “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1:11). São factores determinantes que condicionaram esta inevitável saída do Filho de DEUS do templo, máxime a concretização plena do Seu Reino na Terra. 

Podemos extrair, de forma cristalina, esta conclusão nos últimos dois versículos do capítulo anterior que expressamente diz: “eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; porque eu vos digo que, desde agora, me não vereis mais” (Mt 23:38-39). A Glória do Senhor foi-se embora do pomposo templo (Mc 13:1-2). O outrora espaço sagrado de “shekiná” ficou irreversivelmente desabitado pelo Eterno Jeová. Já não é mais a casa do Todo-Poderoso DEUS, tal como inúmeras vezes foi apelidado nas Escrituras Sagradas, mas sim “a vossa casa”, isto é, dos incrédulos judeus e as suas ímpias autoridades. Em consequência disso, o anátema templo foi completamente destruído nos anos 70 d. C pelo império romano. 

Os discípulos, de acordo com o texto sagrado, perguntaram-Lhe: “dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (Mt 24:3). Fazia-lhes imensa confusão a sentença do Senhor Jesus sobre o templo, pois tal sentença advém da sequência imediata dos discípulos lhe chamarem a atenção para a beleza da construção do templo (Mt 24:1). Extraímos aqui, nesta curiosidade dos discípulos, três importantíssimas perguntas feitas ao Senhor Jesus. A primeira pergunta prende-se com os acontecimentos anunciados pelo Senhor Jesus sobre a destruição do templo; a segunda que sinal haverá da Sua vinda e, a última, o tempo exacto do fim do mundo. Aliás, os discípulos voltaram a interrogá-Lo sobre esta mesma temática momentos antes da Sua ascensão aos céus (At 1: 6). Apesar de toda esta natural curiosidade humana sobre os mistérios ocultos, o Senhor Jesus não revelou com total precisão o dia e a hora em que Ele há-de vir (Mt 25:13), porque ninguém mesmo sabe: nem os anjos no céu, nem o Filho. Só o Pai é que conhece este recôndito mistério (Mt 24:36). 

O Senhor Jesus Cristo, sentado no Monte das Oliveiras com autoridade divina para ensinar, e não como a dos doutores da lei (Mt 7:29), respondeu sabiamente às referidas questões com as seguintes advertências: “acautelai-vos, que ninguém vos engane” (Mt 24:4). A constante vigilância espiritual é fundamental para o sucesso da vida Cristã. Ela é, sem margem para dúvida, o antídoto para discernirmos correctamente os pseudo-messias e, concomitantemente, saber compreender plenamente em que tempo estamos de facto a viver (Mt 24:42; Ro 13:11), bem como detectar os dissimulados profetas. Isto porque surgirão falsos cristos, falsos cristãos, falsos líderes, falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos de DEUS (Mt 24:24; Mc 13:7; 22; 2 Ts 2:9-11). 

E, de seguida, o palco será de guerras e rumores de guerras ao redor do mundo, mormente a implacável perseguição e o martírio dos Cristãos. Por aumentar a iniquidade, de forma rápida e assustadora, o amor de muitos esfriará. Nesta altura, inúmeras pessoas apostatarão a fé. A galopante traição, o ódio, a heresia, o escândalo, a falsidade, as guerras, serão comuns no seio dos seres humanos, inclusive dentro das igrejas. Podemos constatar essas inequívocas verdades na pandemia que o mal exercerá na vida das pessoas, através dos versículos 5, 10, 11 e 12 do mesmo capítulo. A palavra “muitos” vai-se repetindo seis vezes nos primeiros doze versículos, sempre com a conotação pejorativa, com intuito de dar ênfase as calamidades daqueles tenebrosos dias. Os autênticos Cristãos sentir-se-ão na pele o elevado preço de ser o testemunho fiel do Senhor Jesus Cristo. Mesmo assim, a Igreja triunfará e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16:18;2 Ts 2:8). Quem assim seja. E assim sempre será no nome Bendito do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (LER)

Caminhar Com o Senhor Jesus Cristo num Mundo Maligno


Estive, no passado dia 17 do corrente mês, a convite da Juventude Guineense em Portugal, a pregar na Igreja Missão Evangélica Lusófona (MEL), no encerramento das actividades de jovens sobre as férias de verão, sob o tema “Caminhar Com o Senhor Jesus Cristo Num Mundo Maligno”, baseado no texto sagrado de 2 Timóteo 3:1-17. 
Partilho, por isso, a parcela desta minha pregação convosco. 

O Senhor Jesus Cristo: O Sumo Pastor da Igreja

 

Estive no passado domingo a pregar na minha Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora (IEBA). O tema objecto do meu sermão foi: “O Senhor Jesus Cristo – O Sumo Pastor da Igreja”, baseado no texto bíblico do conhecido Salmo vinte e três. O Messias veio de uma linhagem pastoral (real, bem entendido), através do patriarca David que primeiramente pastoreou as ovelhas e posteriormente o povo de DEUS por longos anos. Nasceu igualmente no meio dos pastores e estes foram os primeiros a receber “a boa nova de grande alegria para todo o povo” aquando do Seu nascimento em Belém de Judeia (Lucas 2:10). Durante o Seu imaculado percurso de vida aqui na Terra apascentou incansavelmente as pessoas, alimentando-as, curando-as das suas enfermidades, libertando-as do poder do Diabo, ressuscitando-as e dando-lhes a vida eterna. O Senhor Jesus Cristo conhece muito bem as particularidades, necessidades, limitações, vulnerabilidades e aspirações das suas ovelhinhas, razão pela qual protege-as, guiando-as por caminhos de felicidade, suprindo assim todas as suas imperfeições e faltas. O Senhor Jesus é, por excelência, o Sumo Pastor de todos os Filhos de DEUS, aliás, tal como o próprio vai reclamar durante o Seu ministério terreno como sendo “O Bom Pastor; o Bom Pastor que dá a Sua vida pelas ovelhas” (João 10:11;14-16). E este belo Salmo encerra indubitavelmente esta grande verdade salvífica. 

Ora, uma vez que o Senhor Jesus Cristo é o nosso Pastor “nada nos faltará”. No entanto, este “nada nos faltará” não se traduz propriamente na ausência completa de dificuldades, carências, tribulações e contradições na vida dos crentes, antes pelo contrário os Cristãos estão sujeitos aos problemas de várias ordens, nomeadamente à falta de saúde, falta de trabalho, falta de comida, faltas materiais e demais outras faltas que fazem parte da dinâmica da vida cívico-terrena. Mesmo assim, apesar destas momentâneas faltas, continuamos pela fé cheios do Espírito Santo nas nossas vidas que nos vai proporcionando o amor, alegria, reconciliação, harmonia, paz, gratidão, satisfação e uma vida bem-sucedida, plena e feliz, fazendo com que nada nos faltasse para a nossa sobrevivência. Por outras palavras, estamos plenamente servidos, saciados e preenchidos a todos os níveis. Preenchidos espiritualmente, moralmente e materialmente em Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador, porque reconhecemos a Soberania de DEUS nas nossas vidas – quer seja nos momentos bons ou menos bons –, por esta ser a vontade DELE, em Cristo Jesus, para connosco (1 Tessalonicenses 5:17). Por isso, nesta mesma esteira do pensamento, podemos suportar todas as coisas no Senhor Jesus que nos fortalece, tal como dizia o Apóstolo Paulo (Filipenses 4:13)

É por esta razão que o nosso Sumo Pastor faz-nos deitar em pastos verdejantes e concomitantemente conduz-nos a lugares de águas tranquilas. Levam-nos para estes lugares de fartura com o intuito de alimentar-nos espiritualmente e preparar-nos para podermos fazer face às tentações e provações que vamos tendo no mundo e, deste modo, corresponder satisfatoriamente com todas as exigências da vida Cristã. Estando nós bem nutridos na Palavra de DEUS nada nos faltará, e jamais nos poderá faltar, pois somos controlados e guiados pelo Espírito de DEUS. Tudo isto tem a ver com a protecção, provisão e direcção que o Sumo Pastor opera nas nossas vidas, saciando-nos assim de todas as nossas necessidades físico-espirituais, através de boa alimentação da Palavra de DEUS. 

No final do versículo dois, depois de ter sido bem nutrido de pastos verdejantes, o salmista é igualmente agraciado pelas águas tranquilas que, em última instância, remetem-nos para a acção do Espírito Santo na vida dos Cristãos. Estas águas tranquilas, de forma milagrosa, têm o efeito remidor de refrigerar a alma e criar um ambiente de sinfonia, reconciliação e apaziguamento na vida de todas as ovelhinhas do Senhor Jesus Cristo. Nenhum Cristão, portanto, pode viver em permanente estado de ansiedade, desânimo, tristeza, frustração e depressão ou sobressalto interior, porque está amparado pelo Espírito Santo. A sua alma está completamente confortada e refrigerada. O choro pode inclusive durar uma noite, mas a alegria vem logo pela manhã (Salmos 30:5). A nossa alma está consolada nas infalíveis promessas salvíficas do Senhor Jesus Cristo. Está descansada e espera somente em DEUS. Dispõe de plena harmonia, paz, amor, luz, esperança e salvação, seguindo firmemente com fé pelas veredas da justiça. Todos estes feitos têm como autor o Eterno Jeová. É ELE que conduz as ovelhas para os pastos verdejantes. Da mesma sorte, é ELE que as guia mansamente a águas tranquilas, bem como pelas veredas da justiça, por amor do Seu Grande nome. Justiça, em primeiro lugar, para com DEUS, as próprias e o próximo. Justiça na maneira de ver e encarar os enormes desafios da madrasta vida, sobretudo a vida espiritual. É DEUS, através do Seu Amado Filho Jesus Cristo, que nos habilita a encarnar a virtude da Justiça no nosso relacionamento e percurso de vida. 

Já no versículo quatro o salmista muda radicalmente de discurso para um cenário de turbulência, dificuldades, problemas, contradições, que vai consubstanciando num possível andar pelo “vale da sombra da morte”. Este versículo é bastante crucial e determinante para compreendermos, de forma holística, o alcance teológico e teleológico deste famoso Salmo. Todos os filhos de DEUS, sem excepção, têm que atravessar este doloroso “vale de lágrimas” para assim poderem estar completamente habilitados para entrar no Céu, obviamente com graduações diferentes, dependendo da experiência e realidade de cada um em particular. Os vales envolvem, acima de tudo, as adversidades e o sofrimento que vão surgindo no nosso percurso de vida Cristã.  A Fé Bíblica e o sofrimento estão visceralmente ligados, uma vez que somos chamados soberanamente para o sofrimento (1 Tessalonicenses 3:3). Consciente desta grande e inequívoca verdade, o Apóstolo Paulo vai ao ponto de sustentar que “nós sentimos alegria nos nossos sofrimentos, porque o sofrimento produz a perseverança; a perseverança provoca a firmeza de caráter nas dificuldades e a firmeza produz a esperança. Esta esperança não nos engana, porque Deus encheu-nos o coração com o seu amor, por meio do Espírito Santo que é dom de Deus” (Romanos 5:3-5)

E mais, todos aqueles que são autênticos filhos de DEUS jamais se sucumbirão na travessia dos “vales”. Somos habilitados pela Palavra de DEUS e acção do Espírito Santo em nós para ultrapassarmos todos estes temíveis “vales” e inclusive desertos rumo à Terra Prometida, visto que “todos os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas serão niveladas” para a manifestação do nosso Sumo Pastor Jesus Cristo e a libertação definitiva do Seu povo eleito (Isaías 40:4; Mateus 3:3; Marcos 1:3; João 1:23). Tal como Baraque venceu os cananeus no vale de Jezreel, Josafá os amonitas, os moabitas e habitantes dos montes de Seir no vale de Beraca (2 Crónicas 20:26-27), Gideão os midianitas no vale de Moré (Juízes 7: 1), David os edomitas no vale do sal (2 Samuel 8:13; 1 Crónicas 18:12), etc., assim também venceremos todos os “vales” que aparecerão no nosso caminho para nos estorvar o percurso à Pátria Celestial. 

Por isso, a Sua vara e o Seu cajado nos consolam, habilitando-nos, com esta perfeita disciplina Divina, a sermos, cada vez mais, melhores crentes, melhores cidadãos, melhores Cristãos e melhores filhos de DEUS em todas as esferas da vida. O bordão e o cajado são elementos importantíssimos, indispensáveis e irrenunciáveis que os pastores usam para guiar, da melhor forma possível, as suas ovelhinhas e simultaneamente dispersar, com eles, os putativos inimigos destas, razão pela qual dão-nos segurança para continuarmos a confiar inteiramente na graça redentora, no amor, no perdão, na protecção e providência do nosso Eterno e Todo-Poderoso DEUS. 

O salmista, no versículo cinco e seis, mudou novamente para um discurso mais vitorioso e triunfante. Falou, em primeiro lugar, de um banquete especial que lhe foi amavelmente preparado pelo “Bom Pastor” à frente dos seus detestáveis inimigos, assim como da forma honorável como foi acolhido nesta referida festa, tendo sido servido até transbordar. É curioso notar que, neste banquete triunfante, diferentemente do discreto do versículo dois, é feito à frente dos inimigos. Uma elevação ao mais alto nível – tanto do ponto de vista humano como espiritual e celestial.  

É importante ainda frisar que todos os seres humanos à face da Terra têm inimigos, principalmente os filhos de DEUS. Uns manifestamente declarados e conhecidos por nós. Outros, por razões várias, dissimulados e desconhecidos. São pessoas que impiedosamente nos odeiam e querem apenas o nosso fracasso e mal. Conhecendo de antemão esta triste realidade humana, ao longo dos séculos da nossa História, muitos destacados pensadores têm-se desdobrado incansavelmente em construir teses, doutrinas e receitas como antídotos necessários para lidar com o inimigo ou inimigos. Por todos eles, “A Arte da Guerra” de Sun Tzu e “Como Tirar Proveito dos Inimigos” de Plutarco. O primeiro autor, na sua formulação de como combater o inimigo nos seus vastos planos e vencê-lo, sustentava que “sempre que um adversário quer fazer-me guerra, tomo a dianteira e arruíno os planos dele antes mesmo que tomem forma. Mas se sou eu que planeio uma ofensiva, trato de liquidar os planos de defesa que ele já tiver formado”, concluindo que “quem conhece o inimigo como a si mesmo, em cem guerras, será cem vezes vitorioso. Quem ignorara o inimigo mas conhece-se, vencerá uma vez em cada duas. Quem ignorara o inimigo e a si mesmo, só contará os combates pelas derrotas” (Sun Tzu, in A Arte da Guerra, Guerra & Paz, Lisboa, p. 28 e 30, 2020). Ao passo que este segundo autor dizia que “o inimigo está sempre à espreita e a espiar as tuas coisas e procurando a ocasião por todas as partes, recorrendo sistematicamente à tua vida, não olhando apenas através azinheira como Linceu, nem através de ladrilhos e pedras, também através do teu amigo, do teu servo e de todos os teus familiares, indagando naquilo que lhe for possível, o que fazes, e esquadrinhando e explorando as tuas decisões”, aconselhando depois para a necessidade de maior prudência, maior vigilância, maior empenho, maior austeridade e maior proactividade, máxime “se o acusas de ser mal-educado, aumenta em intensidade o teu amor ao estudo e ao trabalho; se o acusas de ser cobarde, mostra mais a tua valentia e audácia; se o acusas de ser libertino e desesperado, apaga da tua alma qualquer vestígio de amor pelo prazer que tenha passado despercebido” (Plutarco, in Como Tirar Proveito dos Inimigos, Coisas do Ser, Lisboa, p. 13 e 17, 2008)

Todas estas receitas dos classicistas, e demais dos outros conceituados autores, não obstante a sua pertinência objectiva, são falíveis humanamente se não for a graça Divina para nos ajudar a vencer os nossos inimigos. Sabemos, por experiência própria, que o inimigo é muito mais astuto e implacável do que aquilo que a priori julgamos em termos racionais, pois não temos a capacidade suficiente de conhecê-los todos e nem sabemos o tempo exacto em que vão nos atacar. A começar, desde logo, pelos inimigos visíveis como os invisíveis. E esta realidade torna-se ainda mais gravosa quando se trata de nós, os Cristãos, os amados filhos de DEUS, porque temos o mais temível de todos os inimigos que há no mundo – que é também o nosso inimigo número um: o Diabo, os seus demónios e todos os seus agentes que estão sistematicamente a maquinar planos maléficos para nos arruinar a vida e, desta forma, destruir-nos completamente. É, justamente, por isso, denunciava oportunamente o reputado Teólogo João Calvino, considerando que “Satanás […] mil vezes por dia nos tira do caminho certo. Não digo nada acerca do fogo, e da espada, e dos exílios, e de todos os furiosos ataques a nossos inimigos. Não digo nada acerca de difamações e outros vexames similares. Quantas coisas piores do que essas existem aqui dentro! Homens ambiciosos atacam-nos abertamente, epicureus e lucianistas redicularizam-nos, homens insolentes insultam-nos, hipócritas enraivecem-se conosco, os sábios segundo a carne ferem-nos, e somos atormentados de muitas formas diferentes por todos os lados” (João Calvino, citado por Timothy George em Teologia dos Reformadores, p. 244, Vida-Nova/São Paulo, 2004). O Teólogo Martinho Lutero, no seu famoso hino “Castelo Forte é Nosso Deus”, considerava que “com força e com furor nos prova o Tentador, com artimanhas tais e astúcias infernais que iguais não há na terra”. O Apóstolo Pedro, já anteriormente advertia-nos a sermos incessantemente “prudentes e estejam alerta, pois o vosso inimigo, o Diabo, anda à vossa volta, como um leão a rugir, procurando a quem devorar”, enxotando-nos a resistir-lhe firmemente na fé e sem vacilar (1 Pedro 5:8-9)

Mesmo assim, apesar de todos estes riscos associados à conjectura da nossa vida, somos mais que vencedores por meio do Senhor Jesus que nos amou (Romanos 8:37). No versículo cinco deste magnífico Salmo ficou manifestamente patente esta grande verdade teológica e soteriológica: todos os nossos inimigos vão poder vislumbrar, de forma impotente e a contragosto, a nossa sublime conquista, sucesso, realização, vitória e felicidade eterna, sem terem a capacidade de travar isso ou alterar o cenário da nossa exaltação e glorificação. Tudo isto será à frente deles num banquete especial patrocinado pelo nosso Grande Sumo Pastor Jesus Cristo. A nossa mesa será preparada pelo Senhor Jesus Cristo bem à vista do inimigo, ungindo-nos a cabeça com óleo, o nosso cálice transborda e transbordará para sempre. 

Em suma, pelo poder de DEUS, venceremos todos os nossos inimigos humanos, os nossos inimigos conhecidos e desconhecidos, os nossos inimigos visíveis e invisíveis. Venceremos o Diabo e todos seus demónios e agentes. Aleluia! 

O autor sagrado, continuando ainda na sua proclamação triunfante, sustentava que a bondade e a misericórdia lhe seguirão todos os dias da sua vida (v.6). Realmente todos aqueles que são amados filhos de DEUS encarnarão, sem dúvida, as maiores e melhores virtudes humano-espirituais nesta vida e no além. Sabemos que todos os seres humanos à face da Terra almejam e buscam afincadamente as nobres virtudes como forma de atingir a felicidade, mesmo desconhecendo, na generalidade de situações, no que elas realmente consistem ou as vias mais correctas de encontrá-las. Com efeito, para os eleitos filhos de DEUS, estas virtudes ilustradas na bondade e misericórdia nos seguirão durante a nossa peregrinação neste mundo. Elas nos cercarão e permanentemente nos perseguirão, tal como formulava alguns biblistas, todos os dias da nossa vida. Bondade em vivenciar inteiramente a Palavra de DEUS nos nossos corações e prontidão em anunciá-la para o mundo perdido.  Misericórdia na rectidão, no perdão, na reconciliação e especialmente na demonstração do amor ao próximo. Nenhum Cristão pode omitir ou furtar-se a estas elevadíssimas virtudes no seu testemunho diário de vida, sob pena de ser um pseudo-cristão, porquanto tais virtudes são marcas visíveis da acção do Espírito Santo nas nossas vidas. 

A bondade e a misericórdia inevitavelmente nos perseguirão e, deste modo, conduzir-nos-ão definitivamente à Casa do Senhor. E habitarei na casa do Senhor por longos dias, vincava peremptoriamente o salmista David (v.6). Morarei na Casa do Senhor para sempre. Residiremos na Casa de DEUS para toda a eternidade. Louvado seja DEUS eternamente. Que assim seja pela fé no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. Será sempre assim. E assim sempre será. 

O Todo-Poderoso DEUS é o Nosso Refúgio

 

No passado dia nove do corrente mês estive a pregar nos dois cultos matutinos da minha Igreja, a Evangélica Baptista de Amadora (IEBA), sob o tema “DEUS é o Nosso Refúgio”, baseado no conhecido texto bíblico do Salmo 46:1-9. O título objecto da minha explanação não é inocente, tendo em conta o contexto desfavorável em que estamos  submergidos por causa da pandemia do coronavírus, que tem dizimado infelizmente a vida de milhares de pessoas em todo o mundo, deixando concomitantemente um rasto de prejuízos e destruições assustadores, fazendo com que muitas pessoas se afundem no medo, na ansiedade, na depressão, no desemprego, na falência e na ruína. Augura-se ainda, num futuro breve, segundo as previsões dos analistas, um cenário de acentuada recessão económica praticamente em todos os países. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está reiteradamente a advertir que o pior da pandemia do coronavírus está ainda por vir, ou seja, a tão propalada segunda vaga no outono. 

É nestes cenários inauspiciosos e de insegurança geral que a Igreja do Senhor Jesus Cristo é relembrada que “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46:1). É o Todo-Poderoso DEUS, com o Seu Divino Poder, que nos orienta, nos ajuda, nos proteja, nos sustenta, nos livra de todo o perigo e mal, conferindo-nos máxime a capacidade suficiente para vencer todos os obstáculos da vida. O Eterno Jeová está e estará sempre connosco. 

Por isso, ancorados nesta verdade soteriológica, nada temeremos “mesmo que a terra se ponha a tremer, mesmo que as montanhas se afundem no mar; mesmo que as águas rujam furiosas e os montes tremam com o seu embate” (Salmo 46:3-4). Não temeremos as adversidades da madrasta vida e o sofrimento. Não temeremos ficar desempregados e ter que passar fome. Não temeremos nenhuma previsão dos polutos homens e cenários catastrofistas que eles vaticinam. Não temeremos as calamidades públicas e as implicações humano-sociais que tudo isto representará. Não temeremos da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia (Salmos 91:6). Não temeremos continuar intrepidamente a dar o testemunho da nossa Fé dentro e fora do tempo e, deste modo, fazer conhecida a mensagem do Evangelho para todos os cantos da Terra. Não temeremos as perseguições, as doenças e a morte. Não temeremos nenhuma contradição e contrariedades da madrasta vida. Não temeremos igualmente o Diabo e os seus demónios. Em suma, não temeremos nenhuma batalha espiritual e/ou terrena, porque “o Senhor dos Exércitos está connosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (Salmos 46:7)

E justamente por tudo isto que “um rio alegra com os seus canais a cidade de Deus, a mais santa entre as moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela, não pode vacilar; Deus irá em seu auxílio ao romper do dia” (Salmo 46:5-6). Estes dois versículos encerram duas grandes verdades espirituais: a primeira grande verdade prende-se com o facto de a Igreja do Senhor Jesus Cristo ser a Cidade de DEUS e esta Cidade é possuída por um rio que, em última instância, remete-nos indubitavelmente para a acção constante do Espírito Santo nas nossas vidas. Da mesma forma que os rios servem para alimentarem as cidades e os seus habitantes, através de abastecimento das mercadorias que chegam de várias proveniências e os alimentos extraídos nas suas entranhas, assim também, ainda com maior e melhor alcance, que o Espírito Santo mora nas nossas vidas (João 14:23), alimentando-nos espiritualmente, preenchendo todas as nossas necessidades humano-espirituais. É uma água poderosíssima, uma vez experimentada pelas pessoas de boa vontade, nunca mais estas voltarão a ter sede, porque fará nelas uma fonte de água que salte para a vida eterna (João 4:14). A segunda grande verdade tem que ver com o sucesso da vida Cristã. O triunfo da Igreja sobre tudo e todos. É uma vitória sem precedentes. É uma vitória não retardada, antes pelo contrário é “já ao romper da manhã” (Salmos 46:5). Ela começa a partir do momento em que uma pessoa confessa o Senhor Jesus como o seu único suficiente Salvador, perpassando com a glorificação, razão pela qual “somos mais que vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37)

Tal como o Senhor Jesus Cristo venceu logo nas primeiras horas da manhã e no primeiro dia da semana, da mesma forma os eleitos filhos de DEUS venceram no momento que abraçaram a Fé Bíblica (1 João 4:4). O Senhor Jesus é o modelo da Igreja Triunfante. O Eterno e Soberano DEUS ajudará a Sua amada Igreja logo ao romper da manhã a sair vitoriosa. Não de manhã, à tardinha ou à noite, mas sim logo no romper da manhã. A Igreja vai sempre sair vitoriosa em todas as ocasiões, contextos, circunstâncias e conjunturas, máxime da letargia, dos escândalos, dos pecados, das traições, das perseguições e das calamidades públicas. As portas do inferno, em circunstância alguma, prevalecerão contra ela (Mateus 16:18). A predeterminada visão gloriosa se cumprirá e a Igreja Vitoriosa em paz repousará sobre as Bem-aventuranças Eternas. 

Restam-nos, ao contrário dos gentios que se entregam à murmuração, à agitação e à rebelião (Salmo 46:7), “contemplar as obras do Senhor, as coisas surpreendentes que ele fez sobre a terra. Ele acaba com as guerras no mundo inteiro; quebra os arcos e despedaça as lanças; põe fogo aos escudos!” (Salmo 46:9-10).  Ou seja, por outras palavras, o Omnisciente DEUS continua a ter o controlo efectivo e absoluto sobre o mundo e obras das Suas mãos, regulamentando-as de acordo com a Sua perfeita vontade, mesmo que tal pareça o contrário aos olhos humanos. 

A vida Cristã não é sacrossanta. Ela comporta inúmeros desafios a todos os níveis. Teremos inclusive na nossa jornada de vida rumo ao céu várias dificuldades e aflições (João 16:33). O Apóstolo Paulo, na mesma esteira do pensamento, sustentava “que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Actos 14:22). No entanto, somos advertidos pelo Senhor Jesus Cristo para termos o bom ânimo, porque Ele venceu o mundo e deixou-nos também a promessa de vencermos na força do Espírito Santo. Tudo isto para concluir que, felizmente, o poder de DEUS também se manifesta nas fraquezas (2 Coríntios 12:9). Por isso, “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46:1)

Cabe-nos apenas aquietarmo-nos e saber humildemente reconhecer que DEUS é Bom e tem controle afectivo sobre todo o Universo; e que será sempre exaltado entre as nações sobre a face da Terra (Salmo 46:10-11). Que assim seja. Seja sempre assim. E assim sempre será. 

O MINISTÉRIO DO PÚLPITO: “A Mulher Virtuosa Cristã e o Seu Imprescindível Equilíbrio na Família”



Partilho aqui o vídeo da minha pregação no culto dominical do dia 11 do corrente mês, na Igreja Evangélica Baptista da Amadora (IEBA), sob o tema “A Mulher Virtuosa Cristã e o Seu Imprescindível Equilíbrio na Família”, baseado no texto bíblico de Provérbios 31:1-31. Tenha um bom proveito. Que DEUS ricamente lhe abençoe.