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Encontro de Jovens Cristãos Evangélicos Guineenses em Lisboa

Estive anteontem como convidado especial no encontro lúdico de Jovens Cristãos Guineenses em Lisboa, organizado por alguns destacados líderes da nossa Igreja Evangélica de Bandim em Bissau, que agora estão a estudar em Portugal, para falar sobre os grandes desafios espirituais que se colocam aos jovens Cristãos Evangélicos guineenses na Europa e Portugal em particular. O referido encontro teve lugar ao lar livre das 10h00 até às 17h00, isto é, no Jardim Urbano da Quinta da Granja, em frente ao centro comercial Colombo, contando com uma expressiva participação juvenil. Estiverem presentes, segundo os dados que me foram transmitidos pelos organizadores do evento, mais de noventa jovens oriundos de várias Igrejas da Guiné-Bissau, sendo que a mais representada de todas elas é a Igreja Evangélica de Bandim. 

No dia em que se celebra a liberdade em Portugal, o 25 de Abril, saímos também à rua para celebrarmos a nossa inigualável, insuperável e inatingível liberdade em Cristo Jesus, o nosso Senhor e suficiente Salvador. Na minha humilde explanação sobre os grandes desafios que se colocam a um jovem Cristão nos dias de hoje, apoiado no texto bíblico de 2 Timóteo 3:1-17, destaquei o relativismo religioso, o ateísmo obscurantista, a ignorância doutrinaria, o conformismo com os valores do mundo, o materialismo desenfreado, as paixões libidinosas, a promiscuidade sexual, o sexo antes do casamento, a avidez pelo lucro fácil, a corrupção generalizada, o não compromisso com a Igreja e com a vida de santidade. Tudo isto consubstancia, a meu ver, as manifestas marcas distintivas do nosso decadente mundo dito “pós-moderno” que, de forma resoluta, o jovem Cristão deve renunciar para estar fielmente ligado a Cristo. 

Foi um tempo realmente agradável na presença do nosso Todo-Poderoso DEUS. Um tempo de encontro entre irmãos da fé, de celebração, de testemunho e de festa. Um tempo de comunhão, de partilha, de exortação e de compromisso. Foi um tempo, acima de tudo, de adoração, oração, proclamação da Palavra de DEUS e de edificação espiritual. 

Fiquei bastante contente pela adesão de jovens guineenses à Causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo e a predisposição que demonstram em querer estar no centro da vontade de DEUS, não obstante a sedução do mundo. Fiquei, igualmente, satisfeito pelo considerável investimento que as Igrejas guineenses têm estado a fazer do ponto de vista missionário, investindo em crianças, jovens e adultos que acabam por ser instrumentos de bênçãos nas mãos de DEUS fora do contexto do nosso país. Esta é a nobre missão da Igreja. É a missão que todos nós, Cristãos, sem excepção, fomos incumbidos a realizar pelo nosso Salvador Jesus Cristo para a honra e glória do nosso Eterno DEUS. Que assim seja. E assim sempre será. 

Os Últimos Momentos de Vida do Senhor Jesus Cristo


Partilho aqui este excerto do estudo que dei num passado recente na minha Igreja sobre a crucificação e morte do Senhor Jesus Cristo. O Filho de DEUS foi rejeitado pelo mundo, preso, humilhado, açoitado e morto na Cruz do Calvário, mas ao terceiro dia ressuscitou dos mortos apresentando-Se com provas irrefutáveis, rompendo assim todas as barreiras de inimizades que outrora existiam entre DEUS e os seres humanos. Sem a morte do Senhor Jesus Cristo não teríamos a reconciliação com DEUS e, muito menos, a salvação. Graças a morte e ressurreição gloriosa do Senhor Jesus Cristo que passamos a ser chamados filhos de DEUS.

A Paz Perpétua do Reino do Messias

 

Partilho aqui convosco novamente este brevíssimo vídeo que gravei esta tarde sobre “A Paz Perpétua do Reino do Messias” (LER)Tenham um bom proveito na sua visualização/auscultação. 

A todos vós, sem excepção, um feliz e abençoado Natal.  

Natal de Cristo: Contexto e Implicação Teológica para a Humanidade

Partilho aqui convosco este meu artigo no jornal Observador intitulado “Natal de Cristo: Contexto e Implicação Teológica para a Humanidade” (LER)

Faço votos que estejamos todos a ter um óptimo momento de confraternização, lembrando sempre da razão primária e última da encarnação do Filho de DEUS neste mundo, que é a nossa salvação. Que haja, por isso, da nossa parte, uma autêntica e inteira predisposição em aceitar fielmente no nosso coração o Senhor Jesus Cristo como o único Salvador nas nossas vidas. 

Um feliz Natal a todos na graça, paz e o amor do nosso Eterno DEUS. Que assim seja. 

Os Demónios São Muitos no Mundo


Não há dúvidas que os demónios proliferam abundantemente neste maldito mundo em que estamos submergidos. Apoderam-se das criaturas e das pessoas a seu bel-prazer com a finalidade última de arruiná-las. Tornam as pessoas cativas do pecado, fazendo-as mergulhar em todo o tipo de vícios perniciosos, malefícios e malignidade. Os demónios são seres decadentes que estão às ordens de Satanás, o príncipe dos demónios (Mateus 9:34; 12:24), para subverter os planos salvíficos de DEUS com a Humanidade (LER). São muitos no mundo e conspiram articuladamente em várias frentes para destruir o ser humano, não obstante reiteradamente aliciarem-no com aparente bem-estar. Muitas pessoas, ludibriadas neste efémero e mundano sucesso, vendem deliberadamente a alma ao Diabo, mediante pactos satânicos que vão firmando com ele para singrarem rapidamente na vida e, consequentemente, terem o conhecimento, o reconhecimento, a fama, o poder e a riqueza (veja-se, por todos os exemplos, a tragédia do Doutor Fausto com o Mefistófeles de Goethe (LER)

Os demónios estão de forma camuflada em todos os domínios da nossa civilização, sociedade e socialização, através da encarnação real nos “filhos da desobediência” (Ef. 2:2), para promoverem as suas agendas maléficas em todas as dimensões da convivência humana. Os demónios, através dos seus ímpios agentes, estão na política, na governação, nos negócios, no desporto, na academia, nas igrejas, na cultura, no mercado laboral, na moda, nas instituições e nas famílias, etc., razão pela qual são muitos e trabalham unanimemente para promoverem o mal e fazê-lo triunfar na vida das pessoas e no mundo. Mesmo assim, sabemos que somos filhos de DEUS e que o mundo inteiro está sujeito ao poder do maligno (1 João 5:19). Aliás, o Diabo é o príncipe deste mundo e já está condenado pelo poder do Todo-Poderoso DEUS (João 16:11). 

O exemplo manifesto desta afirmação prende-se com o encontro do Senhor Jesus Cristo com o endemoninhado de gadarenos, que “vivia nos sepulcros e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes. Já muitas vezes o tinham apanhado e ligado com cadeias de ferro nos pés e nas mãos, mas ele rebentava tudo e ninguém conseguia dominá-lo” (Mc 5:1-4). A situação desastrosa e infeliz deste homem, que era completamente possuído pelo espírito imundo, instrumentando-o com comportamentos extremamente violentos contra si e terceiros, com o objectivo final de destruí-lo. Ele estava louco pela acção intencional do Diabo para acabar com ele. Tanto que, por esta razão, estava em constante sobressalto interior e revoltava-se contra tudo e todos à sua volta, fazendo com que tivesse isoladamente a sua morada nos sepulcros. Vivia desnorteadamente no meio dos defuntos. O espírito mau atormentava-o “continuamente, dia e noite, gritava pelos montes e por entre os túmulos, ferindo-se com pedras” (Mc 5:6).  Estava fora de si e sob inteira dependência da legião de demónios que se apoderavam dele. A força sobrenatural que ostentava, capaz de rebentar correntes de ferro e tudo o que lhe prendia, a fixação da sua morada no lugar dos mortos e gritos reiterados que dava de dia e noite sem sossego, demonstravam claramente a possessão demoníaca de que este pobre homem tinha sido objecto. 

No entanto, o autor sagrado relata-nos que, quando o endemoninhado “viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” (Marcos 5:6-7). Normalmente ele corria para os outros com fúria, escrevia o teólogo Matthey Henry, “mas ele correu para Cristo com reverência. Aquilo que não pôde ser feito com cadeias e grilhões, foi feito pela mão invisível de Cristo. A fúria dele foi subitamente contida.  Até mesmo o diabo, nessa pobre criatura, foi forçado a tremer diante de Cristo, e curvar-se a Ele”, sintetizava o insigne biblista. O indomável e possesso homem suplicou encarecidamente ao Senhor Jesus para não lhe atormentar, somando ao facto de reconhecê-Lo como Filho de DEUS (Obviamente, que era o demónio que estava a falar e a actuar nele). O Diabo e os seus demónios assustam-se com a presença gloriosa do Senhor Jesus Cristo e sabem perfeitamente que devem-Lhe temor reverencial e acto de adoração, tal como ficou manifestamente patente na passagem bíblica em apreço. 

Perante esta situação dramática de desespero, o Senhor Jesus perguntou ao endemoninhado: Como te chamas? Ele respondeu: Chamo-me multidão, porque somos muitos. Os demónios são muitos e eram muitos os que tinham ocupado indevidamente a vida deste miserável homem, desgraçando-lhe a todos os níveis. Os espíritos maus pediram ao Senhor Jesus: “«Manda-nos passar para aqueles porcos.» Jesus consentiu e os espíritos maus saíram do homem e entraram nos porcos, que eram cerca de dois mil. Puseram-se todos a correr pelo monte abaixo até ao lago e lá se afogaram” (Mc 12-13). Os porcos suicidaram-se, ilustrando o triunfo do bem e o trânsito do mal para uma natureza inferior e conspurcada, em direcção à sua derrota e eliminação. Por outras palavras, o triunfo definitivo do Senhor Jesus Cristo sobre os demónios e Diabo. 

Ao longo dos séculos tem-se especulado de forma sistemática sobre a figura dos porcos nesta milagrosa história, procurando extrair o seu significado teológico e teleológico, sobretudo por que razão os demónios imploraram ao Senhor Jesus para deixá-los entrar exclusivamente nos porcos e Este, por sua vez, consentiu. Na sua homilia vigésima-oitava sobre o Evangelho segundo São Mateus, São João Crisóstomo, citado pelo Jansenista, “esclarecerá que se trata de uma metáfora sobre a dupla natureza humana, representando os porcos a natureza bestial do homem, na qual o Diabo se insinua para nela plantar as sementes do fim da espécie. Em contraponto, Tertuliano (em Adversus Marcionem) e São Jerónimo (nos seus Comentários sobre o Evangelho segundo São Mateus) enaltecem o poder redentor de Cristo sobre as Legiões do Mal”. O Teólogo Protestante Matthey Henry, na mesma esteira do pensamento, sustentava que “imediatamente os espíritos imundos entraram nos porcos, que segundo a lei mosaica eram criaturas impuras, e gostam muito de atolar-se na lama, que era o melhor lugar para eles. Aqueles que, como os porcos, se atolam na lama dos desejos sensuais, são moradas de demônios, e abrigo de todo o espírito imundo, e refúgio de toda a ave imunda e aborrecível (Ap 18:2), assim como as almas puras são a morada do Espírito Santo”. 

É assim que o Diabo actua na vida de todos aqueles que firmam acordos satânicos com ele ou estão sujeitos ao seu reino de trevas, tornando-os inteiramente dependentes do sincretismo, ocultismo, secularismo, relativismo, materialismo, sensualismo, ateísmo e de toda a sorte do pecado contra DEUS, o seu corpo e terceiros, bem como reduzindo-os completamente a uma degradação ético-moral e miséria espiritual aviltante. Esta rampa deslizante, no mundo das trevas, tem como objectivo final a aniquilação total dos próprios indivíduos ímpios para a perdição eterna. 

É verdade que há muitos demónios no mundo e que não se cansam de promover o mal dia e noite. É verdade que os demónios procuram todos os meios para desgraçarem a vida dos seres humanos, especialmente dos filhos de DEUS. Também é verdade que muitas pessoas ímpias firmam acordos satânicos com eles para integrarem os seus reinos diabólicos e, desta forma, tentarem fazer oposição ao Reino da Luz do nosso Salvador Jesus Cristo. No entanto, tal como bem sabemos pela revelação bíblica, O Diabo, os seus demónios e todo o mal foram definitivamente derrotados pelo Poder Divino do nosso Todo-Poderoso DEUS. O reino das trevas, em circunstância alguma, poderá resistir ao Reino da Luz (João 1:5). As portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja do Senhor Jesus Cristo (Mateus 16:18), assim como as trevas não podem resistir à Luz Divina (João 1:12). 

São muitos demónios no mundo, guiados pelo Diabo para praticarem o mal, insisto. Por isso, “não é contra seres humanos que temos de combater, mas contra poderes e autoridades, que dominam este mundo de escuridão, e contra os espíritos do mal, que não se veem” (Ef. 6:12). A nossa luta é contra o Diabo, os demónios e todos os seus agentes neste perverso e decadente mundo para libertar as almas perdidas, tal como o Senhor Jesus salvou milagrosamente este endemoninhado de gadarenos (Mc 5: 15-20). Aquele que vive em nós é mais forte do que aquele que está nos que são do mundo. O mal nunca vencerá o bem, antes pelo contrário, o bem já venceu o mal, através do sangue expiatório do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário. Tem mais poder o Espírito Santo que vive em nós, filhos de DEUS, do que todos os demónios do mundo, o Diabo e os seus agentes terrenos (1 João 4:4). O Senhor Jesus venceu-os a todos e deixou-nos também a promessa de os vencer na força do Seu eterno poder. Que assim seja. E assim sempre será. 

O Senhor Jesus Cristo: O Sumo Pastor da Igreja

 

Estive no passado domingo a pregar na minha Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora (IEBA). O tema objecto do meu sermão foi: “O Senhor Jesus Cristo – O Sumo Pastor da Igreja”, baseado no texto bíblico do conhecido Salmo vinte e três. O Messias veio de uma linhagem pastoral (real, bem entendido), através do patriarca David que primeiramente pastoreou as ovelhas e posteriormente o povo de DEUS por longos anos. Nasceu igualmente no meio dos pastores e estes foram os primeiros a receber “a boa nova de grande alegria para todo o povo” aquando do Seu nascimento em Belém de Judeia (Lucas 2:10). Durante o Seu imaculado percurso de vida aqui na Terra apascentou incansavelmente as pessoas, alimentando-as, curando-as das suas enfermidades, libertando-as do poder do Diabo, ressuscitando-as e dando-lhes a vida eterna. O Senhor Jesus Cristo conhece muito bem as particularidades, necessidades, limitações, vulnerabilidades e aspirações das suas ovelhinhas, razão pela qual protege-as, guiando-as por caminhos de felicidade, suprindo assim todas as suas imperfeições e faltas. O Senhor Jesus é, por excelência, o Sumo Pastor de todos os Filhos de DEUS, aliás, tal como o próprio vai reclamar durante o Seu ministério terreno como sendo “O Bom Pastor; o Bom Pastor que dá a Sua vida pelas ovelhas” (João 10:11;14-16). E este belo Salmo encerra indubitavelmente esta grande verdade salvífica. 

Ora, uma vez que o Senhor Jesus Cristo é o nosso Pastor “nada nos faltará”. No entanto, este “nada nos faltará” não se traduz propriamente na ausência completa de dificuldades, carências, tribulações e contradições na vida dos crentes, antes pelo contrário os Cristãos estão sujeitos aos problemas de várias ordens, nomeadamente à falta de saúde, falta de trabalho, falta de comida, faltas materiais e demais outras faltas que fazem parte da dinâmica da vida cívico-terrena. Mesmo assim, apesar destas momentâneas faltas, continuamos pela fé cheios do Espírito Santo nas nossas vidas que nos vai proporcionando o amor, alegria, reconciliação, harmonia, paz, gratidão, satisfação e uma vida bem-sucedida, plena e feliz, fazendo com que nada nos faltasse para a nossa sobrevivência. Por outras palavras, estamos plenamente servidos, saciados e preenchidos a todos os níveis. Preenchidos espiritualmente, moralmente e materialmente em Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador, porque reconhecemos a Soberania de DEUS nas nossas vidas – quer seja nos momentos bons ou menos bons –, por esta ser a vontade DELE, em Cristo Jesus, para connosco (1 Tessalonicenses 5:17). Por isso, nesta mesma esteira do pensamento, podemos suportar todas as coisas no Senhor Jesus que nos fortalece, tal como dizia o Apóstolo Paulo (Filipenses 4:13)

É por esta razão que o nosso Sumo Pastor faz-nos deitar em pastos verdejantes e concomitantemente conduz-nos a lugares de águas tranquilas. Levam-nos para estes lugares de fartura com o intuito de alimentar-nos espiritualmente e preparar-nos para podermos fazer face às tentações e provações que vamos tendo no mundo e, deste modo, corresponder satisfatoriamente com todas as exigências da vida Cristã. Estando nós bem nutridos na Palavra de DEUS nada nos faltará, e jamais nos poderá faltar, pois somos controlados e guiados pelo Espírito de DEUS. Tudo isto tem a ver com a protecção, provisão e direcção que o Sumo Pastor opera nas nossas vidas, saciando-nos assim de todas as nossas necessidades físico-espirituais, através de boa alimentação da Palavra de DEUS. 

No final do versículo dois, depois de ter sido bem nutrido de pastos verdejantes, o salmista é igualmente agraciado pelas águas tranquilas que, em última instância, remetem-nos para a acção do Espírito Santo na vida dos Cristãos. Estas águas tranquilas, de forma milagrosa, têm o efeito remidor de refrigerar a alma e criar um ambiente de sinfonia, reconciliação e apaziguamento na vida de todas as ovelhinhas do Senhor Jesus Cristo. Nenhum Cristão, portanto, pode viver em permanente estado de ansiedade, desânimo, tristeza, frustração e depressão ou sobressalto interior, porque está amparado pelo Espírito Santo. A sua alma está completamente confortada e refrigerada. O choro pode inclusive durar uma noite, mas a alegria vem logo pela manhã (Salmos 30:5). A nossa alma está consolada nas infalíveis promessas salvíficas do Senhor Jesus Cristo. Está descansada e espera somente em DEUS. Dispõe de plena harmonia, paz, amor, luz, esperança e salvação, seguindo firmemente com fé pelas veredas da justiça. Todos estes feitos têm como autor o Eterno Jeová. É ELE que conduz as ovelhas para os pastos verdejantes. Da mesma sorte, é ELE que as guia mansamente a águas tranquilas, bem como pelas veredas da justiça, por amor do Seu Grande nome. Justiça, em primeiro lugar, para com DEUS, as próprias e o próximo. Justiça na maneira de ver e encarar os enormes desafios da madrasta vida, sobretudo a vida espiritual. É DEUS, através do Seu Amado Filho Jesus Cristo, que nos habilita a encarnar a virtude da Justiça no nosso relacionamento e percurso de vida. 

Já no versículo quatro o salmista muda radicalmente de discurso para um cenário de turbulência, dificuldades, problemas, contradições, que vai consubstanciando num possível andar pelo “vale da sombra da morte”. Este versículo é bastante crucial e determinante para compreendermos, de forma holística, o alcance teológico e teleológico deste famoso Salmo. Todos os filhos de DEUS, sem excepção, têm que atravessar este doloroso “vale de lágrimas” para assim poderem estar completamente habilitados para entrar no Céu, obviamente com graduações diferentes, dependendo da experiência e realidade de cada um em particular. Os vales envolvem, acima de tudo, as adversidades e o sofrimento que vão surgindo no nosso percurso de vida Cristã.  A Fé Bíblica e o sofrimento estão visceralmente ligados, uma vez que somos chamados soberanamente para o sofrimento (1 Tessalonicenses 3:3). Consciente desta grande e inequívoca verdade, o Apóstolo Paulo vai ao ponto de sustentar que “nós sentimos alegria nos nossos sofrimentos, porque o sofrimento produz a perseverança; a perseverança provoca a firmeza de caráter nas dificuldades e a firmeza produz a esperança. Esta esperança não nos engana, porque Deus encheu-nos o coração com o seu amor, por meio do Espírito Santo que é dom de Deus” (Romanos 5:3-5)

E mais, todos aqueles que são autênticos filhos de DEUS jamais se sucumbirão na travessia dos “vales”. Somos habilitados pela Palavra de DEUS e acção do Espírito Santo em nós para ultrapassarmos todos estes temíveis “vales” e inclusive desertos rumo à Terra Prometida, visto que “todos os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas serão niveladas” para a manifestação do nosso Sumo Pastor Jesus Cristo e a libertação definitiva do Seu povo eleito (Isaías 40:4; Mateus 3:3; Marcos 1:3; João 1:23). Tal como Baraque venceu os cananeus no vale de Jezreel, Josafá os amonitas, os moabitas e habitantes dos montes de Seir no vale de Beraca (2 Crónicas 20:26-27), Gideão os midianitas no vale de Moré (Juízes 7: 1), David os edomitas no vale do sal (2 Samuel 8:13; 1 Crónicas 18:12), etc., assim também venceremos todos os “vales” que aparecerão no nosso caminho para nos estorvar o percurso à Pátria Celestial. 

Por isso, a Sua vara e o Seu cajado nos consolam, habilitando-nos, com esta perfeita disciplina Divina, a sermos, cada vez mais, melhores crentes, melhores cidadãos, melhores Cristãos e melhores filhos de DEUS em todas as esferas da vida. O bordão e o cajado são elementos importantíssimos, indispensáveis e irrenunciáveis que os pastores usam para guiar, da melhor forma possível, as suas ovelhinhas e simultaneamente dispersar, com eles, os putativos inimigos destas, razão pela qual dão-nos segurança para continuarmos a confiar inteiramente na graça redentora, no amor, no perdão, na protecção e providência do nosso Eterno e Todo-Poderoso DEUS. 

O salmista, no versículo cinco e seis, mudou novamente para um discurso mais vitorioso e triunfante. Falou, em primeiro lugar, de um banquete especial que lhe foi amavelmente preparado pelo “Bom Pastor” à frente dos seus detestáveis inimigos, assim como da forma honorável como foi acolhido nesta referida festa, tendo sido servido até transbordar. É curioso notar que, neste banquete triunfante, diferentemente do discreto do versículo dois, é feito à frente dos inimigos. Uma elevação ao mais alto nível – tanto do ponto de vista humano como espiritual e celestial.  

É importante ainda frisar que todos os seres humanos à face da Terra têm inimigos, principalmente os filhos de DEUS. Uns manifestamente declarados e conhecidos por nós. Outros, por razões várias, dissimulados e desconhecidos. São pessoas que impiedosamente nos odeiam e querem apenas o nosso fracasso e mal. Conhecendo de antemão esta triste realidade humana, ao longo dos séculos da nossa História, muitos destacados pensadores têm-se desdobrado incansavelmente em construir teses, doutrinas e receitas como antídotos necessários para lidar com o inimigo ou inimigos. Por todos eles, “A Arte da Guerra” de Sun Tzu e “Como Tirar Proveito dos Inimigos” de Plutarco. O primeiro autor, na sua formulação de como combater o inimigo nos seus vastos planos e vencê-lo, sustentava que “sempre que um adversário quer fazer-me guerra, tomo a dianteira e arruíno os planos dele antes mesmo que tomem forma. Mas se sou eu que planeio uma ofensiva, trato de liquidar os planos de defesa que ele já tiver formado”, concluindo que “quem conhece o inimigo como a si mesmo, em cem guerras, será cem vezes vitorioso. Quem ignorara o inimigo mas conhece-se, vencerá uma vez em cada duas. Quem ignorara o inimigo e a si mesmo, só contará os combates pelas derrotas” (Sun Tzu, in A Arte da Guerra, Guerra & Paz, Lisboa, p. 28 e 30, 2020). Ao passo que este segundo autor dizia que “o inimigo está sempre à espreita e a espiar as tuas coisas e procurando a ocasião por todas as partes, recorrendo sistematicamente à tua vida, não olhando apenas através azinheira como Linceu, nem através de ladrilhos e pedras, também através do teu amigo, do teu servo e de todos os teus familiares, indagando naquilo que lhe for possível, o que fazes, e esquadrinhando e explorando as tuas decisões”, aconselhando depois para a necessidade de maior prudência, maior vigilância, maior empenho, maior austeridade e maior proactividade, máxime “se o acusas de ser mal-educado, aumenta em intensidade o teu amor ao estudo e ao trabalho; se o acusas de ser cobarde, mostra mais a tua valentia e audácia; se o acusas de ser libertino e desesperado, apaga da tua alma qualquer vestígio de amor pelo prazer que tenha passado despercebido” (Plutarco, in Como Tirar Proveito dos Inimigos, Coisas do Ser, Lisboa, p. 13 e 17, 2008)

Todas estas receitas dos classicistas, e demais dos outros conceituados autores, não obstante a sua pertinência objectiva, são falíveis humanamente se não for a graça Divina para nos ajudar a vencer os nossos inimigos. Sabemos, por experiência própria, que o inimigo é muito mais astuto e implacável do que aquilo que a priori julgamos em termos racionais, pois não temos a capacidade suficiente de conhecê-los todos e nem sabemos o tempo exacto em que vão nos atacar. A começar, desde logo, pelos inimigos visíveis como os invisíveis. E esta realidade torna-se ainda mais gravosa quando se trata de nós, os Cristãos, os amados filhos de DEUS, porque temos o mais temível de todos os inimigos que há no mundo – que é também o nosso inimigo número um: o Diabo, os seus demónios e todos os seus agentes que estão sistematicamente a maquinar planos maléficos para nos arruinar a vida e, desta forma, destruir-nos completamente. É, justamente, por isso, denunciava oportunamente o reputado Teólogo João Calvino, considerando que “Satanás […] mil vezes por dia nos tira do caminho certo. Não digo nada acerca do fogo, e da espada, e dos exílios, e de todos os furiosos ataques a nossos inimigos. Não digo nada acerca de difamações e outros vexames similares. Quantas coisas piores do que essas existem aqui dentro! Homens ambiciosos atacam-nos abertamente, epicureus e lucianistas redicularizam-nos, homens insolentes insultam-nos, hipócritas enraivecem-se conosco, os sábios segundo a carne ferem-nos, e somos atormentados de muitas formas diferentes por todos os lados” (João Calvino, citado por Timothy George em Teologia dos Reformadores, p. 244, Vida-Nova/São Paulo, 2004). O Teólogo Martinho Lutero, no seu famoso hino “Castelo Forte é Nosso Deus”, considerava que “com força e com furor nos prova o Tentador, com artimanhas tais e astúcias infernais que iguais não há na terra”. O Apóstolo Pedro, já anteriormente advertia-nos a sermos incessantemente “prudentes e estejam alerta, pois o vosso inimigo, o Diabo, anda à vossa volta, como um leão a rugir, procurando a quem devorar”, enxotando-nos a resistir-lhe firmemente na fé e sem vacilar (1 Pedro 5:8-9)

Mesmo assim, apesar de todos estes riscos associados à conjectura da nossa vida, somos mais que vencedores por meio do Senhor Jesus que nos amou (Romanos 8:37). No versículo cinco deste magnífico Salmo ficou manifestamente patente esta grande verdade teológica e soteriológica: todos os nossos inimigos vão poder vislumbrar, de forma impotente e a contragosto, a nossa sublime conquista, sucesso, realização, vitória e felicidade eterna, sem terem a capacidade de travar isso ou alterar o cenário da nossa exaltação e glorificação. Tudo isto será à frente deles num banquete especial patrocinado pelo nosso Grande Sumo Pastor Jesus Cristo. A nossa mesa será preparada pelo Senhor Jesus Cristo bem à vista do inimigo, ungindo-nos a cabeça com óleo, o nosso cálice transborda e transbordará para sempre. 

Em suma, pelo poder de DEUS, venceremos todos os nossos inimigos humanos, os nossos inimigos conhecidos e desconhecidos, os nossos inimigos visíveis e invisíveis. Venceremos o Diabo e todos seus demónios e agentes. Aleluia! 

O autor sagrado, continuando ainda na sua proclamação triunfante, sustentava que a bondade e a misericórdia lhe seguirão todos os dias da sua vida (v.6). Realmente todos aqueles que são amados filhos de DEUS encarnarão, sem dúvida, as maiores e melhores virtudes humano-espirituais nesta vida e no além. Sabemos que todos os seres humanos à face da Terra almejam e buscam afincadamente as nobres virtudes como forma de atingir a felicidade, mesmo desconhecendo, na generalidade de situações, no que elas realmente consistem ou as vias mais correctas de encontrá-las. Com efeito, para os eleitos filhos de DEUS, estas virtudes ilustradas na bondade e misericórdia nos seguirão durante a nossa peregrinação neste mundo. Elas nos cercarão e permanentemente nos perseguirão, tal como formulava alguns biblistas, todos os dias da nossa vida. Bondade em vivenciar inteiramente a Palavra de DEUS nos nossos corações e prontidão em anunciá-la para o mundo perdido.  Misericórdia na rectidão, no perdão, na reconciliação e especialmente na demonstração do amor ao próximo. Nenhum Cristão pode omitir ou furtar-se a estas elevadíssimas virtudes no seu testemunho diário de vida, sob pena de ser um pseudo-cristão, porquanto tais virtudes são marcas visíveis da acção do Espírito Santo nas nossas vidas. 

A bondade e a misericórdia inevitavelmente nos perseguirão e, deste modo, conduzir-nos-ão definitivamente à Casa do Senhor. E habitarei na casa do Senhor por longos dias, vincava peremptoriamente o salmista David (v.6). Morarei na Casa do Senhor para sempre. Residiremos na Casa de DEUS para toda a eternidade. Louvado seja DEUS eternamente. Que assim seja pela fé no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. Será sempre assim. E assim sempre será. 

O Todo-Poderoso DEUS é o Nosso Refúgio

 

No passado dia nove do corrente mês estive a pregar nos dois cultos matutinos da minha Igreja, a Evangélica Baptista de Amadora (IEBA), sob o tema “DEUS é o Nosso Refúgio”, baseado no conhecido texto bíblico do Salmo 46:1-9. O título objecto da minha explanação não é inocente, tendo em conta o contexto desfavorável em que estamos  submergidos por causa da pandemia do coronavírus, que tem dizimado infelizmente a vida de milhares de pessoas em todo o mundo, deixando concomitantemente um rasto de prejuízos e destruições assustadores, fazendo com que muitas pessoas se afundem no medo, na ansiedade, na depressão, no desemprego, na falência e na ruína. Augura-se ainda, num futuro breve, segundo as previsões dos analistas, um cenário de acentuada recessão económica praticamente em todos os países. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está reiteradamente a advertir que o pior da pandemia do coronavírus está ainda por vir, ou seja, a tão propalada segunda vaga no outono. 

É nestes cenários inauspiciosos e de insegurança geral que a Igreja do Senhor Jesus Cristo é relembrada que “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46:1). É o Todo-Poderoso DEUS, com o Seu Divino Poder, que nos orienta, nos ajuda, nos proteja, nos sustenta, nos livra de todo o perigo e mal, conferindo-nos máxime a capacidade suficiente para vencer todos os obstáculos da vida. O Eterno Jeová está e estará sempre connosco. 

Por isso, ancorados nesta verdade soteriológica, nada temeremos “mesmo que a terra se ponha a tremer, mesmo que as montanhas se afundem no mar; mesmo que as águas rujam furiosas e os montes tremam com o seu embate” (Salmo 46:3-4). Não temeremos as adversidades da madrasta vida e o sofrimento. Não temeremos ficar desempregados e ter que passar fome. Não temeremos nenhuma previsão dos polutos homens e cenários catastrofistas que eles vaticinam. Não temeremos as calamidades públicas e as implicações humano-sociais que tudo isto representará. Não temeremos da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia (Salmos 91:6). Não temeremos continuar intrepidamente a dar o testemunho da nossa Fé dentro e fora do tempo e, deste modo, fazer conhecida a mensagem do Evangelho para todos os cantos da Terra. Não temeremos as perseguições, as doenças e a morte. Não temeremos nenhuma contradição e contrariedades da madrasta vida. Não temeremos igualmente o Diabo e os seus demónios. Em suma, não temeremos nenhuma batalha espiritual e/ou terrena, porque “o Senhor dos Exércitos está connosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (Salmos 46:7)

E justamente por tudo isto que “um rio alegra com os seus canais a cidade de Deus, a mais santa entre as moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela, não pode vacilar; Deus irá em seu auxílio ao romper do dia” (Salmo 46:5-6). Estes dois versículos encerram duas grandes verdades espirituais: a primeira grande verdade prende-se com o facto de a Igreja do Senhor Jesus Cristo ser a Cidade de DEUS e esta Cidade é possuída por um rio que, em última instância, remete-nos indubitavelmente para a acção constante do Espírito Santo nas nossas vidas. Da mesma forma que os rios servem para alimentarem as cidades e os seus habitantes, através de abastecimento das mercadorias que chegam de várias proveniências e os alimentos extraídos nas suas entranhas, assim também, ainda com maior e melhor alcance, que o Espírito Santo mora nas nossas vidas (João 14:23), alimentando-nos espiritualmente, preenchendo todas as nossas necessidades humano-espirituais. É uma água poderosíssima, uma vez experimentada pelas pessoas de boa vontade, nunca mais estas voltarão a ter sede, porque fará nelas uma fonte de água que salte para a vida eterna (João 4:14). A segunda grande verdade tem que ver com o sucesso da vida Cristã. O triunfo da Igreja sobre tudo e todos. É uma vitória sem precedentes. É uma vitória não retardada, antes pelo contrário é “já ao romper da manhã” (Salmos 46:5). Ela começa a partir do momento em que uma pessoa confessa o Senhor Jesus como o seu único suficiente Salvador, perpassando com a glorificação, razão pela qual “somos mais que vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37)

Tal como o Senhor Jesus Cristo venceu logo nas primeiras horas da manhã e no primeiro dia da semana, da mesma forma os eleitos filhos de DEUS venceram no momento que abraçaram a Fé Bíblica (1 João 4:4). O Senhor Jesus é o modelo da Igreja Triunfante. O Eterno e Soberano DEUS ajudará a Sua amada Igreja logo ao romper da manhã a sair vitoriosa. Não de manhã, à tardinha ou à noite, mas sim logo no romper da manhã. A Igreja vai sempre sair vitoriosa em todas as ocasiões, contextos, circunstâncias e conjunturas, máxime da letargia, dos escândalos, dos pecados, das traições, das perseguições e das calamidades públicas. As portas do inferno, em circunstância alguma, prevalecerão contra ela (Mateus 16:18). A predeterminada visão gloriosa se cumprirá e a Igreja Vitoriosa em paz repousará sobre as Bem-aventuranças Eternas. 

Restam-nos, ao contrário dos gentios que se entregam à murmuração, à agitação e à rebelião (Salmo 46:7), “contemplar as obras do Senhor, as coisas surpreendentes que ele fez sobre a terra. Ele acaba com as guerras no mundo inteiro; quebra os arcos e despedaça as lanças; põe fogo aos escudos!” (Salmo 46:9-10).  Ou seja, por outras palavras, o Omnisciente DEUS continua a ter o controlo efectivo e absoluto sobre o mundo e obras das Suas mãos, regulamentando-as de acordo com a Sua perfeita vontade, mesmo que tal pareça o contrário aos olhos humanos. 

A vida Cristã não é sacrossanta. Ela comporta inúmeros desafios a todos os níveis. Teremos inclusive na nossa jornada de vida rumo ao céu várias dificuldades e aflições (João 16:33). O Apóstolo Paulo, na mesma esteira do pensamento, sustentava “que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Actos 14:22). No entanto, somos advertidos pelo Senhor Jesus Cristo para termos o bom ânimo, porque Ele venceu o mundo e deixou-nos também a promessa de vencermos na força do Espírito Santo. Tudo isto para concluir que, felizmente, o poder de DEUS também se manifesta nas fraquezas (2 Coríntios 12:9). Por isso, “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46:1)

Cabe-nos apenas aquietarmo-nos e saber humildemente reconhecer que DEUS é Bom e tem controle afectivo sobre todo o Universo; e que será sempre exaltado entre as nações sobre a face da Terra (Salmo 46:10-11). Que assim seja. Seja sempre assim. E assim sempre será. 

O Reino de DEUS Pode ou Não Ser Tomado de Assalto Com Base na Afirmação do Senhor Jesus Cristo em Mateus 11:12?


“E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.” (O Senhor Jesus Cristo, Evangelho segundo Mateus 11:12).  



Temos, nos últimos sete anos, demorado imenso a matutar e a digerir sobre o alcance teológico desta misteriosa afirmação do Senhor Jesus Cristo. A nossa dúvida prendia-se, mais, especialmente, com o seguinte questionamento: será que o Reino de DEUS pode mesmo ser tomado de assalto, tal como fez transparecer o Senhor Jesus nessa Sua peremptória afirmação? E de que maneira? São estas pertinentes questões que nos levaram a vasculhar vários comentários bíblicos para nos tentarmos reconciliar definitivamente com esta passagem bíblica, sem prejuízo obviamente daquele que sempre foi o nosso convicto entendimento inicial sobre ela. 

Confessamos que, por razões várias, os inúmeros comentários que lemos ao longo deste tempo todo, até então, não nos convenceram na sua generalidade. Muitos deles pareceram-nos abstratos e colaterais do real cerne da questão. Por outras palavras, ficaram bastante aquém. A título exemplificativo, por todos eles, excluindo nesta abordagem a referência de teólogos e intérpretes bíblicos que também tivemos o cuidado de ler, a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, com afinidades mais com a doutrina Pentecostal, considera que existem três interpretações comuns para essa afirmação do Senhor Jesus e passa a enumerá-las: “(1) Ele pode referir-se ao esforço das pessoas para se aproximar de Deus, que havia começado com a pregação de João Baptista. (2) Pode ter usado a expectativa dos activistas judeus que de que o Reino de Deus chegaria por meio de uma violenta derrota de Roma (que representa o mundo). (3) Pode estar dizendo que, para entrar no Reino de Deus, é necessário ter coragem, fé inabalável, determinação e resignação, porque a crescente oposição se manifesta a todos os seguidores de Jesus”. Diferentemente dessas interpretações, a Bíblia de Estudo de Genebra, da ala tradicional e conservadora do protestantismo, comentando o mesmo trecho bíblico, considera que “o Reino está avançado poderosamente, embora homens violentos como Herodes, que havia aprisionado João Baptista, tentassem sobrepujá-lo pela força. Não são, porém, os fortes e poderosos que alcançam o reino, mas os fracos e humildes (vs. 28:30), que conhecem suas próprias fraquezas e estão dispostos a depender de Deus (cf. Lc 16:16, nota)”

Há, como se pode constatar, vários entendimentos e patentes divergências doutrinárias sobre esta afirmação do Senhor Jesus Cristo. De forma subsumida, há os que entendem que aqueles que tomam o Reino de DEUS à força são agentes que foram convocados pela mensagem do Reino que se iniciou com a pregação do Profeta João Baptista, razão pela qual corresponderam-na imediatamente nas suas vidas e, deste modo, pela força, se apoderam dele. São, com base neste entendimento, as pessoas que fariam parte do Reino de DEUS pela soberana vontade de DEUS – e que o tomam de assalto, beneficiando assim da salvação que foi reservada por elas antes da fundação do mundo. Diferentemente desta leitura, outros entendem que os que usam de violência para conquistar o Reino de DEUS são elementos estranhos a ele, procurando a todo o custo, com força do maligno, tomá-lo de assalto e, consequentemente, obstruir a sua vigorosa mensagem evangelístico-salvífica. Por isso, conseguiram concretizar tal diabólico plano com a decapitação do Profeta João Baptista e, posteriormente, com a horrenda morte do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário. São, de acordo com este entendimento, pessoas que querem obstruir e destruir definitivamente a mensagem do Evangelho, levando-os a humilhar, perseguir e matar todos aqueles que são os verdadeiros filhos do Reino de DEUS. Há ainda outras posições intermédias que, a nosso ver, julgamos inoportunas reproduzir aqui, uma vez que os dois importantes entendimentos opostos esboçam na íntegra a problemática teológico-doutrina de Mateus 11:12. 

Antes de manifestar a nossa humilde opinião sobre esta afirmação do Senhor Jesus, importa, desde logo, definir para os leitores o Reino de DEUS para assim poderem estar holisticamente dentro do assunto. O Reino de Deus, tal como formula inspiradamente a Declaração da Fé Baptista Portuguesa, que também subscrevemos na íntegra, “inclui a sua soberania geral sobre o universo e sobre todos os homens que espontânea e voluntariamente O reconhecem como Rei e Senhor. Todos os crentes devem orar e esforçar-se para que o reino de Deus venha em plenitude e a sua vontade seja feita sobre a Terra. A consumação plena do seu reino aguarda a segunda vinda de Jesus Cristo e o fim da era presente” (LER)

Posto isto, estamos agora em condições de responder diretamente à pergunta do título do artigo: Sim, a nosso ver, o Reino de DEUS pode ser tomado de assalto, aliás, é claramente isso que se pode depreender da afirmação do Senhor Jesus na passagem bíblica em apreço. Até aqui nada de surpreendente ou anormal, uma vez que a querela doutrinária não se prende com o facto de o Reino de DEUS ser tomado de assalto, mas sim quem são os tais “violentos” que o conquistam pela força. E isto remete-nos novamente para a exegese do texto de Mateus 11:12 e o seu alcance teológico e teleológico, isto é, para aferir com precisão quem são os ditos violentos que se apoderam do Reino de DEUS pela violência – se são ou não agentes afectos ao próprio Reino. 

Para responder a esta última questão, julgamos que é imprescindível perceber se o verbo “tomado por esforço” está na voz activa ou passiva, tal como desdobram vários biblistas com o intuito de perceber da melhor forma o alcance da afirmação do Senhor Jesus. Isto é amiúde determinante para concluirmos se o Reino de DEUS, na passagem bíblica em questão, está sendo atacado num sentido positivo ou negativo. As duas realidades são extremamente importantes para compreender o alcance prático da afirmação do Senhor Jesus, insistimos. A referida passagem bíblica, fazendo fé aos inúmeros comentários que lemos, é de difícil compressão. Não está manifestamente claro se o verbo grego “tomado por esforço” está na voz activa ou passiva. No entanto, tendo em consideração o contexto e a afirmação do Senhor Jesus, não hesitamos em concluir que o verbo “tomado por esforço” está na voz passiva, fazendo com que o Reino de DEUS seja apoderado desfavoravelmente pelos“violentos” (LER)

Na nossa leitura, respondendo agora directamente à pergunta em questão, as pessoas que fazem violência ao Reino de DEUS, e pela força se apoderam dele, são elementos estranhos a ele, que procuram pela força de Satanás controlar o Reino de DEUS. Não são filhos de DEUS, mas sim filhos da perdição. Há dois factores que nos levam a chegar esta conclusão. A primeira prende-se sobretudo com duas palavras manifestamente pejorativas do ponto de vista bíblico, que encerram a frase do Senhor Jesus no referido texto, nomeadamente a “força” e a “violência” que os violentos usam para se apoderarem do Reino de DEUS. Nós sabemos, pela revelação Divina, “não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito” que triunfaremos ou ganharemos a simpatia do Todo-Poderoso DEUS (Zacarias 4:6). E mais, a violência, seja ela qual for, é manifestamente censurada e reprovada nas Escrituras Sagradas. Por isso, o Senhor Jesus rejeitou liminarmente a visão zelota de empreender a força e a violência como meios legítimos para fazer vincar a todo o custo a vontade de DEUS. Acresce ainda ao facto de, considerando inversamente que os “violentos” que tomam de assalto o Reino de DEUS são as pessoas que se esforçaram legitimamente para se beneficiar da salvação, entrar flagrantemente com a doutrina da graça e da eleição que nos ensinam manifestamente que a salvação é toda ela fruto do trabalho exclusivo do nosso Omnisciente DEUS, excluindo qualquer tipo de colaboração humana nela (Efésios 2:8-10). Ninguém é salvo por alguma obra ou espontânea decisão sua, mas tão-somente pela imerecida graça de DEUS. O Todo-Poderoso DEUS escolhe quem ELE quer salvar e os salva. Se é assim, como é que é possível as pessoas, por iniciativa delas, conquistarem por mérito o Reino de DEUS, tal como sustenta a tese oposta? 

A par dos argumentos e contra-argumentos que acabamos de expor, há ainda um conjunto de situações que apoiam a tese que estamos a defender. A começar, desde logo, com o arbítrio aprisionamento e decapitação do Profeta João Baptista nos capítulos subsequentes (Mateus 14:1-12, Marcos 6:14-29, Lucas 9-7-9), bem como o próprio Senhor Jesus Cristo e a ininterrupta perseguição e martírio, sem precedentes, que os filhos de DEUS têm sido objecto ao longo de toda a história do Cristianismo persistindo  até à data presente, com vista a impedir a proclamação do Evangelho. E isto evidencia-se tanto para os declarados inimigos da Fé e concomitantemente com os falsos profetas e cristãos, que vêm a nós, os filhos de DEUS, disfarçadamente em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores (Mateus 7:15). Com  efeito, “eles mataram o Senhor Jesus e os profetas e perseguiram-nos também a nós. Eles não agradam a Deus e estão contra toda a gente, pois querem impedir que preguemos a salvação aos não-judeus. Isto acabou de encher completamente a medida dos seus pecados e por isso o castigo de Deus caiu finalmente sobre eles” (1 Tessalonicenses 2:15-16). São eles que tentaram tomar pela violência o Reino de DEUS e consequentemente impedir a propagação da Boa Nova da Salvação. Esta inequívoca verdade vai ganhando contornos e implicações esclarecedoras na parábola do “trigo e joio”, tendo como pano de fundo o Reino de DEUS representado soberanamente pelos seus filhos como “trigo” e os inimigos do Reino representados pelo “joio”. O Omnisciente DEUS é o semeador, ou seja, responsável máximo do Reino. Enquanto semeou a boa semente no seu campo fértil, isto é, no Reino, veio também o inimigo do Todo-Poderoso DEUS, semeando o joio no meio do trigo e foi-se embora.  Quando as plantas cresceram e se começaram a formar as espigas, diz o texto sagrado, apareceu também o joio. No entanto, o Eterno Jeová recomendou que deixassem-nos crescer os dois até ao tempo da ceifa. Nessa altura dirá aos ceifeiros: “apanhem primeiro o joio e atem-no em feixes para ser queimado no fogo, mas recolham o trigo para o meu celeiro” (Mateus 13:24-30). A mesma verdade, é ilustrada na parábola do “Bom Pastor”, que encerra vários figurantes, nomeadamente a porta, o curral, as ovelhas, o ladrão e salteador, o Bom Pastor das Ovelhas, o porteiro, o mercenário (João 10:1-18). Há nesta parábola uma usurpação do ladrão e salteador ao Reino de DEUS, coadjuvados neste premeditado assalto às ovelhinhas do Senhor Jesus pelo assalariado, isto é, os falsos profetas, os falsos pastores e falsos líderes Cristãos, com o intuito de “a roubar, a matar, e a destruir” os filhos do Reino do Reino (João 10:10). O Senhor Jesus, por conseguinte, é “o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido” (João 10:11-14). Esta passagem bíblica esboça muito bem como o Reino tem sido atacado ferozmente e tomado de assalto pelos inimigos da Cruz, que se vai traduzir com a manifestação visível do anticristo “que se revolta e se coloca acima de tudo o que se considera divino ou sagrado. Chegará mesmo a tomar assento no templo de Deus, apresentando-se a si mesmo como deus” (2 Tessalonicenses 2:4). Porém, tal como admoesta ainda as Escrituras Sagradas sobre esta diabólica figura, “o rebelde há de manifestar-se a seu devido tempo. Com efeito, as forças misteriosas do mal já estão em atividade. Mas para que tudo se realize é preciso que aquele que está a impedi-lo saia da sua frente. 8Então aparecerá o rebelde e o Senhor Jesus vai vencê-lo com o sopro da sua boca e dominá-lo com o esplendor da sua vinda. O rebelde aparecerá com a força de Satanás e fará falsos milagres, sinais e prodígios. Utilizará todas as artimanhas do mal para enganar os que se vão perder, porque não acolheram nem amaram a verdade a fim de serem salvos. Por isso, o Senhor permitiu que fossem dominados por uma força enganadora que os leva a acreditarem na mentira. Assim se faz o julgamento daqueles que não acreditam na verdade, mas preferem praticar o mal” (2 Tessalonicenses 2:6-12)

Estes inimigos da Fé Cristã tomam pela violência o Reino de DEUS, tal como os fariseus e doutores da lei se apoderavam da chave do conhecimento religioso, sentando na cadeira de Moisés (Mateus 23:2), mesmo assim não tomando posse da vida eterna, impedindo deliberadamente os que gostariam de o fazer (Lucas 11:52). Em consequência disso, “fecham-lhes na cara a porta do reino dos céus” (Mateus 23:13). São pessoas sem escrúpulos e autênticos malfeitores. Aproveitam-se das suas posições privilegiadas dentro das congregações para sedimentar e propagar heresias destruidoras de vidas humanas. Com as suas acções vergonhosas descredibilizam a imaculada imagem do Evangelho aos olhos do mundo. Esta mesma verdade aplica-se até aos dias de hoje: de pessoas que estão nas igrejas aparentando serem “nascidas de novo”, inclusive muitas delas com posições de relevo na Igreja, porém são autênticos agentes de Satanás dentro das congregações. Não fazem parte do Reino de DEUS, mas infiltrados que entram nele com o objectivo de fracassar os planos Divinos. São pessoas que não querem que se fale da santificação, da vida consagrada de oração, da denúncia do pecado, de Missões e Evangelizações. Estão nas congregações para, a todo o custo, impor uma agenda contrária aos impolutos Princípios e Valores das Escrituras Sagradas, vedando a materialização do avanço do Cristianismo. São dissimuladamente anticristos, uma vez que tentam fechar as portas das Igrejas, perseguindo os filhos de DEUS e até, em casos extremos, ceifando-lhes a vida. Usam a Igreja como antro de promiscuidade, convertendo-a em plataforma para auto-promoções, tráfico de influências, conluios, rivalidades, represálias, desvios de fundos, enriquecimentos ilícitos, imoralidade sexual, idolatria, sincretismo, liberalismo, misticismo e corrupção. Os falsos pastores e falsos cristãos apresentam-se disfarçados em ovelhas, mas por dentro não passam de patronos de fraude e lobos devoradores (Mateus 7:15). Disseminam sorrateiramente falsas doutrinas dentro das congregações, arrastando consigo os inúmeros discípulos, com o intuito de destruir, em última instância, a Igreja de Cristo (Actos 20: 29-30). São pessoas de mentes corrompidas e que andam longe da verdade. Têm a religião como um negócio e fonte de lucro, escrevia o Apóstolo Paulo a seu respeito (1 Timóteo 6:5). O Santo Pedro, seguindo a mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de considerá-los “atrevidos e arrogantes. Encontram prazer em satisfazer as suas paixões em pleno dia. Os seus olhares são imorais e os seus apetites sensuais, insaciáveis. Seduzem as pessoas menos firmes e estão cheios de cobiça. É uma gente amaldiçoada. Afastaram-se do bom caminho e perderam-se” (2 Pedro 2:10; 13-14). Leitura igualmente reforçada por Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, lamentando o comportamento deles em tom reprovador “ai deles”, traçando o seu destino final como “reservada a sombria escuridão, para sempre” (Judas 1:11; 13) (LER)

Se é verdade que estes filhos da perdição, os “violentos”, que tomam pela força o Reino de DEUS, procurando inutilmente frustrar os planos de DEUS, jamais conseguirão vencer ao ponto de travar o galopante progresso do Evangelho no mundo. O Reino de DEUS vai continuar permanentemente a expandir poderosamente em todos os cantos e direções da face da Terra, contra a vontade destes declarados inimigos da Fé Cristã. Eles usam a violência para tomar o Reino de DEUS, obviamente com a permissão Divina, mesmo assim não conseguirão ter o controlo Dele. O Autor e Consumador da nossa Fé, o Senhor Jesus Cristo (Hebreus 12:2), através do Espírito Santo, não permitirá que eles tenham sucesso nos amados filhos de DEUS, visto que somos de Deus e vencer-lhes-emos, os falsos profetas e falsos cristãos, porque aquele que vive em nós é mais forte do que aquele que está nos que são do mundo (1 João 4:4). Por isso, não tenhamos medo de nada, porque são mais os que estão connosco do que os que estão com eles (2 Reis 6:16). O Todo-Poderoso DEUS continua soberanamente a ter o efetivo e absoluto controle no Seu Reino e a guiar pela mão poderosa os seus eleitos filhos no caminho da fé, do amor, da graça, da bondade, da justiça, da humildade, do perdão, da santificação, da Evangelização e Missões, da esperança e da vida eterna. A constante oposição destes violentos, que assaltam pela força o Reino DEUS, em circunstância alguma, obstruirão os planos salvíficos Divinos e, muito menos, travarão a vitória garantida dos filhos de DEUS.  Em todas estas coisas, “somos mais que vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37). Os tais anticristos serão, em tempo oportuno, definitivamente derrotados pelo poder de DEUS e, simultaneamente, lançados para o fogo do inferno para sempre. Ao passo que a Igreja do Senhor, os verdadeiros agentes do Reino de DEUS, vai sempre sair vitoriosa em todas as ocasiões, contextos, circunstâncias e conjunturas, máxime da letargia, dos escândalos, dos pecados, das traições, das perseguições, dos falsos pastores, dos falsos líderes, dos falsos teólogos, dos falsos cristãos, dos ímpios e destes violentos que assaltam pela força o Reino de DEUS. As portas do inferno, em circunstância alguma, prevalecerão contra a Igreja de Cristo (Mateus 16:18). A predeterminada visão gloriosa se cumprirá e a Igreja Vitoriosa em paz repousará sobre as Bem-aventuranças Eternas. Que assim seja. E assim sempre será (LER). Aleluia! Aleluia! Aleluia! 

O SENHOR é o Meu Pastor: Nada Me Faltará


O Salmo vinte e três é inquestionavelmente um dos Salmos que mais inspirou os santos de DEUS ao longo dos séculos, tendo em conta a poderosíssima mensagem teológica que encerra. Perfila-se também como um dos meus favoritos versículos bíblicos. Memorizei-o desde tenra idade, ainda nos bancos da Escola Bíblica Dominical (EBD) da minha Igreja em Bissau, e permanece intactamente gravado na minha mente até aos dias de hoje. Espero que assim seja durante toda a minha vida. É um Salmo a que recorro reiteradamente nos meus devocionais, especialmente nos momentos mais cruciais, e vai continuar sempre assim durante toda a minha peregrinação neste “vale de lágrimas”. Ele é o prenúncio da Igreja Triunfante, razão pela qual deve imperativamente fazer parte do cardápio espiritual de todos os fiéis no Senhor Jesus Cristo. 

O Salmo vinte e três expressa o cuidado bastante especial que o Todo-poderoso DEUS tem para com os seus eleitos filhos, ilustrado na ternurenta e amorosa figura do Bom Pastor que o Senhor Jesus Cristo vai reclamar na Sua humilde encarnação (João 10:11-16). O Bom Pastor que está pronto a morrer pelas suas ovelhas, tal como o Senhor Jesus fez connosco na Cruz do Calvário, diferentemente do “assalariado” que não se importa minimamente com as ovelhas (João 10-12-13). O Sumo Pastor (1 Pedro 5:4) proporciona às suas ovelhinhas provisão, direcção e protecção, saciando-lhes assim todas as suas necessidades físico-espirituais. 

Por conseguinte, apesar de todo este amparo e reconforto que o Bom Pastor proporciona para as suas ovelhas na sua longa trajectória à “Terra Prometida”, acontece que surgirão pontualmente os “vales da sombra da morte” que teremos de enfrentar. Mesmo assim, usando “o escudo da fé” (Efésios 6:16), não temos que ter qualquer tipo de receio ou medo, porque o Senhor estará sempre connosco. Os “vales” são meramente inevitáveis provações que o Omnisciente DEUS permite para moldar o nosso carácter e, deste modo, preparar-nos para entrar no Céu (LER)

Esta soteriológica verdade remete-nos indubitavelmente para o percurso peculiar do povo de DEUS no deserto e a sua milagrosa passagem pelo mar vermelho (Êxodo 14:15-31), bem como dos grandes heróis da Fé (Hebreus 11:1-40). Tal como Baraque venceu os cananeus no vale de Jezreel, Josafá os amonitas, os moabitas e habitantes dos montes de Seir no vale de Beraca (2 Crónicas 20:26-27), Gideão os midianitas no vale de Moré (Juízes 7: 1), David os edomitas no vale do sal (2 Samuel 8:13; 1 Crónicas 18:12), etc., assim também venceremos todos os “vales” que aparecerão no nosso caminho para nos dificultar o percurso à Terra Prometida.  Isto porque, tal como expressamente dizia a profecia messiânica, “todos os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas, serão niveladas” para a libertação definitiva do povo de DEUS (Isaías 40:4; Mateus 3:3; Marcos 1:3; João 1:23). E, assim, em todas estas coisas, escrevia peremptoriamente o Apóstolo Paulo, “somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37). Venceremos todos os nossos inimigos – a tanto visíveis como aqueles que são invisíveis, inclusive o próprio Diabo, com a força e unção do Espírito Santo, evidenciado pelo salmista através de um banquete de vitória a frente dos nossos inimigos (Salmo 23:5)

Por isso, a bondade e a misericórdia seguir-nos-ão todos os dias da nossa vida; e habitaremos na Casa do Senhor para todo o sempre (Salmo 23:6). De facto, a bondade, o amor, a graça, o perdão e a misericórdia de DEUS me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na Casa do Senhor para toda a eternidade. Que assim seja. E assim sempre será pela fé nas infalíveis promessas do Todo-Poderoso DEUS. 

Oração do Pai Nosso


“Oração do Pai Nosso” é uma das mais célebres passagens contidas nas Escrituras Sagradas. Tanto que, por esta razão, ela tem sido sabiamente memorizada e cantada pelos milhões de fiéis ao longo da História do Cristianismo. É uma Oração que deve servir de bitola para todos os Cristãos de todos os tempos e épocas. Não somos obrigados a adoptá-la literalmente em todas as preces que fazemos diariamente, uma vez que o Senhor Jesus Cristo não a seguiu à risca na Sua afamada “Oração Sacerdotal” (João 17:1-26) e, muito menos, quando estava angustiado no Getsémani (Mateus 26:39-46; Marcos 14-32-42; Lucas 22:39-46), bem como os Santos Apóstolos e os Pais da Igreja. E mais, somos posteriormente ensinados pelo próprio Senhor Jesus a orar e pedir ao Pai em Seu Nome (João 14:13-14). Um importante pormenor que a “Oração do Pai Nosso” não contem. Não sabemos por que razão o Senhor Jesus terá omitido este relevante pormenor (será, porventura, por estar ainda na Sua humilde fase de encarnação quando formalizou esta Oração? Eis o mistério que nos interpela). Uma coisa, no entanto, temos a certeza absoluta: a “Oração do Pai Nosso” deve ser sempre o modelo padrão para todas as nossas orações. 

O Senhor Jesus, antes de veicular esta famosa e poderosa Oração, nos versículos 1 até 8 do Evangelho segundo Mateus 6, exortou aos seus discípulos a adoptarem uma espiritualidade de descrição, evitando o pecado da hipocrisia e ostentação somente para serem elogiados pelos Homens. Tal postura não deve, em circunstância alguma, ser a de um devoto Cristão, máxime quando damos a esmola ou estamos em momentos de contrição perante DEUS. Caso contrário, a pessoa já recebeu a sua devida recompensa (qui a palavra recompensa tem uma conotação pejorativa, uma vez que não tem qualquer valoração espiritual). Além da advertência que o Senhor Jesus fez sobre o risco da ostentação, que consubstancia o testemunho de falsidade e a sua nefasta consequência espiritual (Mateus 6:1-4; 23:14; 33), aproveitou ainda a deixa para aconselhar os seus discípulos sobre as vãs repetições que são feitas nas orações, como erradamente fazem os gentios que se desdobram num infindável palavreado, julgando-se que é por muito falarem que serão mais facilmente ouvidos. O Senhor Jesus corrigiu esse equívoco doutrinário, com base na omnisciência de DEUS, realçando que o nosso Pai Celestial sabe muito bem o que precisamos, antes de Lho pedirmos. E de seguida, ensinou-lhes a forma mais correcta de orar. 

Nesta famosa Oração, o Senhor Jesus evidencia seis pertinentes verdades espirituais – das quais as três primeiras relacionam-se exclusivamente com DEUS e as restantes com a realidade quotidiana do ser humano. (I) Ele é o nosso Pai Celestial, que está assentado nos mais altos dos céus, e o Seu nome deve e merece ser permanentemente Santificado; (II) É benéfico para a Humanidade que o Seu Reino venha e domine plenamente toda a Terra; (III) que a Sua perfeita vontade prevaleça no seio dos pecadores, tal como acontece no Céu (a cidade de DEUS deve ser o espelho da cidade dos Homens). Depois disso, as últimas três verdades centralizam-se nos desafios e anseios que afectam o Homem no seu percurso normal de vida, nomeadamente (IV) a concessão do pão diário; (V) o perdão dos seus pecados como também ele perdoa aqueles que lhes insultam, magoam e querem a sua desgraça ou, porventura, possam ter alguma dívida pecuniária com ele e não têm condições financeiras suficientes para lhe saldar (Mateus 18:23-35); e, por fim, (VI) não lhe deixar cair em tentação, mas livrá-lo de todo o perigo e mal que possam eventualmente surgir pelo caminho. Isto porque, culminando o Senhor Jesus com a grande doxologia, do Todo-poderoso DEUS “é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém”. Que assim seja.